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terça-feira, 14 de julho de 2026

Noticias: Endurance terá mudanças no calendário


O reacendimento da guerra no Médio Oriente poderá ter consequências no calendário da Endurance. As provas do Qatar, marcado para o dia 24 de outubro, e de Shakir, no Bahrein, a 7 de novembro, poderão estar em risco de substituição por corridas na Europa. Segundo conta o site dailysportscar.com, existe um plano de contingência onde as provas do Qatar - que já fora adiado de abril para outubro - e do Bahrein, seriam canceladas e no seu lugar iria acontecer duas corridas de seis horas cada em Barcelona e em Monza. 

Esse plano de contingência seria mostrado na reunião do Conselho Geral da FIA, marcado para o dia 23 de julho, e nele, o WEC seguiria para Barcelona após a realização das Seis Horas de Fuji, que acontecerá a 27 de setembro. O evento de Monza aconteceria a 7 de novembro, a data originalmente reservada para as 8 Horas do Bahrein, enquanto a corrida de Barcelona seria transferida para 18 de outubro, uma semana antes da data atual do Qatar.

Caso isso aconteça, haverá um problema, já que prejudicará a data final da European Le Mans Series (ELMS), que acontecerá em Portimão, no Algarve. Pelo menos 19 pilotos estão inscritos em ambos os campeonatos, e equipas como a WRT, a Garage 59 e a AF Corse competem tanto no WEC como na principal série europeia de GT3.

Para além disso, a agitação naquela parte do mundo está a perturbar a temporada 2026-27 da Asian Le Mans Series, pois terá duas corridas em Dubai e em Abu Dhabi, no final do ano, antes de se deslocarem para Sepang, na Malásia, e em Buniram, na Tailândia, em janeiro. A hipótese de uma corrida na Europa está em cima da mesa, numa temporada em que se instalará a classe Hypercar. 


Em suma, preparam-se muitas mudanças no calendário graças às agitações politico-militares num canto sensível do mundo...

terça-feira, 3 de março de 2026

Noticias: Confirmado o adiamento dos 1812km do Qatar


Enquanto a guerra no Médio Oriente continua, nesta terça-feira à tarde se soube das primeiras consequências automobilísticas: os 1812km do Qatar, previstos para o dia 28 de março, foram adiados para o final do ano. assim sendo, a temporada da Endurance arranca em Imola, entre os dias 17 e 19 de abril.

No comunicado oficial, a FIA afirma que estão em contacto com as autoridades locais e sublinharam que a segurança de pilotos, equipas, oficiais e adeptos constitui prioridade absoluta, logo, o adiamento da prova. Eles afirmam que, a seu tempo, a nova data da corrida será anunciada.

O presidente da Fédération Internationale de l’Automobile, Mohammed Ben Sulayem, afirmou:

A segurança e o bem-estar da nossa comunidade serão sempre a principal prioridade da FIA. Agradeço à Qatar Motor & Motorcycle Federation, ao Lusail International Circuit, ao ACO e aos responsáveis do campeonato pela abordagem ponderada e colaborativa que conduziu a esta decisão.

Continuaremos a trabalhar em estreita colaboração para reagendar a corrida mais tarde na temporada de 2026. A FIA continua a acompanhar a evolução da situação na região, e os nossos pensamentos permanecem com todos os afetados.”

Tudo isto acontece numa altura em que a Formula 1 poderá estar a elaborar um plano de emergência para substituir quer o GP da Arábia Saudita, a 12 de abril, quer o GP do Bahrein, que acontecerá uma semana mais tarde, ou por duas corridas na Europa, ou por uma sessão de testes dos novos carros. Se for essa a escolhida, poderá significar que a temporada de 2026 poderá ter apenas 22 corridas, em vez das 24 previstas.

domingo, 30 de novembro de 2025

Formula 1 2025 - Ronda 23, Qatar (Corrida)


A competição está como a Liberty gosta: uma luta a três, e se arrastar até Abu Dhabi, melhor. Em Losail, tivemos um fim de semana alargado, com corrida "sprint" e tudo, com Oscar Piastri a levar a melhor, mas com Lando Norris na frente de Max Verstappen - apenas quarto, com Norris a ser terceiro, ganhando mais um ponto -  e parece que o piloto da McLaren tem tudo para ser campeão hoje. 

No fim de semana de Losail, a penúltima do ano, os pilotos e as equipas chegaram com um aviso da Pirelli sobre a durabilidade dos seus pneus. E por causa disso, há limites do uso dos pneus, ou seja, haverá pelo menos duas paragens nas boxes. A marca, que corre em monopólio na Formula 1 - para evitar o embaraço de Indianápolis 2005 - fez esta recomendação, para evitar que as equipas e os pilotos acabem com problemas alheios ao seu desempenho. E ainda por cima, numa fim de semana tão decisivo como este...

Antes da corrida, um piloto partiu das boxes: Franco Colapinto, no seu Alpine. Quanto a compósitos, os dez primeira meteram médios, Hulkenberg e Hamilton com moles, e Colapinto com duros. Em suma, todos usarão todo o tipo de pneus.

E depois do sol posto, como é norma neste lado do mundo, máquinas e pilotos estavam prontos para a penúltima prova do ano. O primeiro "match point", onde Lando Norris tinha tudo a ganhar, se usasse a cabeça e tivesse sorte. 57 voltas pela frente e no final, provavelmente, um campeão.


Na partida, Piastri partiu bem, mas Max largou melhor e passou Norris para ser segundo. De resto, tudo pacifico, sem asneiras. Norris partiu mais lento, mas não comprometeu em nada. E com isto, o campeonato ia para Abu Dhabi. Nas voltas seguintes, os pilotos tentavam melhorar as suas posições, mas sem ar limpo na frente, passar nesta pista era complicado. 

Na volta 5, Piastri já tinha mais de dois segundos de vantagem sobre Max, e a mesma distância entre ele e Norris. O neerlandês era o mais rápido, mas não conseguia aproximar de Piastri para ganhar mais pontos. 

Na sétima volta, Nico Hulkenberg despista-se com o pneu traseiro direito rebentado. Pierre Gasly ia para as boxes a um ritmo mais lento, também com um furo, e o Safety Car entra na pista. Altura para boa parte dos pilotos trocarem de pneus, a começar por Max Verstappen. Mas quem não ia para as boxes eram os McLaren. Mais tarde, as imagens mostraram que Hulkenberg e Gasly tocaram-se na entrada na curva 1, numa altura em que o piloto alemão atacava o nono posto do Alpine do francês.

Max regressou à pista com médios, mas os McLaren, que não foram ás boxes, tinham alegadamente algo que o resto não tinha: flexibilidade. Todos os outros teriam de parar na volta 32, algo do qual eles não iram parar. A McLaren poderia ir mais cedo, mas poderia escolher a volta. O resto... não. 


O Safety Car regressou às boxes na volta 11, com os primeiros a manterem-se, enquanto Max era terceiro na frente dos Mercedes. Os McLaren aceleraram, deixando Max a mais de dois segundos nas primeiras duas voltas depois do regresso à corrida. Sainz Jr, que era quarto, parecia que iria apanhar o piloto da Red Bull. E neste momento, todos menos Gasly, que tinha duros, tinham médios calçados e a usar.

Os McLaren foram embora de Max, ao ponto de terem quase cinco segundos perto da primeira janela da troca de pneus, e na volta 22, havia dois pilotos que arrastavam o pelotão: Sainz Jr., emn quarto, tinha oito segundos de atraso para Max, e Fernando Alonso, em sexto, segurava o resto do pelotão, 25 segundos atrás de Piastri, e no limite, poderia ser ali que os carros da McLaren poderiam regressar, depois da sua paragem nas boxes. 


Na volta 25, os pilotos da McLaren entraram nas boxes. Piastri primeiro, Norris depois, com o australiano a meter médios e a sair em quinto, na frente de Alonso e com uma troca de pneus mediana. Tudo correu bem para ambos, mas Norris saiu bem perto de Alonso, mas bastou algumas curvas para que as coisas regressassem à normalidade. Agora, era na volta 32, quando o reto do pelotão for às boxes. Na frente, Max tinha um avanço de 14,1 segundos sobre o Williams de Sainz Jr., mas atrás, Antonelli, que era terceiro, começava a ser ameaçado por Piastri. O australiano passou na volta 30, para ser terceiro, e tentava buscar Sainz Jr. antes das trocas das boxes na volta 32. 

O caos foi bem gerido, sem incidentes de maior, com Piastri na frente de Norris e Max a três segundos do piloto britânico. Mas com os pilotos do resto do pelotão sem parar até à meta, muitos deles com duros - a começar com Max - e a partir daqui, as coisas acalmaram-se, com o neerlandês a aproximar-se com os seus duros, porque os pilotos da frente tinham pneus mais velhos. Apesar da aproximação, não havia, contudo, ameaças. 

Na volta 42, Piastri troca de pneus para meter duros, e ficar com ele nas 15 voltas que faltavam. Iria regressar na terceira posição, a 17 segundos do piloto da Red Bull, e na volta seguinte, foi a vez de Norris, também com duros, regressando em quinto, atrás de Sainz Jr e Antonelli. As coisas em termos de campeonato andam complicadas para ele.

Norris tentou apanhar Antonelli para ser quarto e menorizar os estragos, enquanto Sainz Jr, tinha alguns problemas no seu voltante, e ver as suas chances de pódio ficarem um pouco mais complicadas. Na parte final da corrida, com Max a caminho da vitória, e Piastri em segundo, Isack Hadjar sofre um furo e perde o sexto posto que tinha na altura. Pouco depois, Antonelli faz uma curva mais larga e Norris passou para ser quarto. Contudo, apesar de ter ido atrás de Sainz Jr, não foi suficiente para chegar ao pódio.


E com 12 pontos de diferença e com Max a subir para segundo no campeonato, o campeonato vai para Abu Dhabi. Como todos querem - a começar pela Liberty Media - para o bem e para o mal. 

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Youtube Formula 1 Video: A entrevista de Max Verstappen

Nas vésperas do GP do Qatar, Max Verstappen sentou-se com Chris Medland para falar sobre as suas chances de alcançar o título, agora que está a 24 pontos de Lando Norris, e, claro, com duas corridas e uma Sprint Race para cumprir. 

Na entrevista, fala-se sobre a sua recuperação, a sua batalha com as McLarens, e qual é o seu estado de espírito - e da Red Bull - neste momento. A entrevista tem pouco mais de oito minutos.  

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

A imagem do dia



Este é o fim de semana do GP do Qatar, e o mais interessante é que é o último com corrida "sprint" no calendário. E depois da desclassificação dos McLaren em Las Vegas, por causa do desgaste no fundo dos seus carros, os observadores começaram a afirmar que isto deu o caminho aberto para que Max Verstappen ataque os McLaren para um eventual quinto título mundial. 

E para terem uma ideia ao ponto que todos andam excitados com isto, a Canal + francesa fez duas promos da luta McLaren-Red Bull que meteu nas redes sociais. O primeiro com a musica da banda sonora do "Terminator", a segunda com a banda sonora de "Tubarão". Contudo, por muito entretenimento que isto cause, a realidade é que... Lando Norris pode ser campeão este domingo. Uma vantagem de 24 pontos sobre Oscar Piastri e Max Verstappen demonstra que ele tem tudo sob controle, e se não bater com o carro ou não ter problemas mecânicos, mesmo que ele ganhe, e ficar em segundo, o título poderá não estar resolvido ali, mas chegará a Abu Dhabi com mais chances de ficar com o título que o neerlandês da Red Bull. 

Ou seja, depende de si mesmo. 

E nos últimos tempos, se formos ver bem, Lando Norris está mais maduro que em temporadas anteriores. É certo que a manobra nos metros iniciais do GP de Las Vegas não foi a mais fantástica do mundo, ele decidiu levar o carro até ao fim, e sem aqueles problemas, teria perdido apenas os sete pontos da diferença entre o primeiro e o segundo classificado, e teria certeza que será campeão em Losail. Mas a desclassificação estragou um pouco os planos, é verdade, mas o britânico continua a depender de ele mesmo para resolver a questão. 

Para resolver tudo neste final de semana, Norris necessita apenas de superar os seus rivais por dois pontos durante o fim de semana—incluindo a corrida sprint do sábado. Facílimo, não é? Claro, as aparências iludem, muitos de vocês dirão. Mas coloquemo-nos no lado de Max. Como sabem, ele está sempre no pódio desde Zandvoort - a última corrida onde acabou fora foi em Hungaroring, no inicio de agosto. Mas quando ele saiu dali, a sua diferença para Lando Norris era de... 97 pontos. É uma recuperação e tanto, de 97 para 24. Mas o neerlandês da Red Bull está desde então de "match point" em "match point", como no ténis. Jogar o último "set" de uma desvantagem de 5-2, depois de Norris ter ganho os dois primeiros "sets" de uma final de um "Grand Slam" como Wimbledon ou Roland Garros, e chegar a um 5-4, com 40-15 a favor de Lando é um feito, mas ele tem tudo controlado. Basta ele não se afastar o suficiente, ou, se formos à analogia do ténis, não falhar o próximo "match point".

E é verdade: Max tem tudo a seu favor em termos de carro e equipa. Mas não no calendário. Ou seja, a reação pode ter chegado tarde para impedir a McLaren de conseguir o primeiro título de pilotos desde Lewis Hamilton, em 2008. Mas... está a ser um final de temporada entretido, não há dúvida. 

PS: Descobri nesta madrugada a entrevista que a Formula 1 fez a Max Verstappen e fiz um post sobre ele. Se quiserem ver, é ir um pouco mais acima ou seguir este link, para assistir na íntegra. 

sábado, 8 de novembro de 2025

Noticias: Pirelli emite alerta para Losail


Ainda estamos no final de semana do GP do Brasil, mas já se fala do GP do Qatar, que acontecerá dentro de três semanas, a 30 de novembro. E fala-se dele porque, como em 2024, há problemas com os pneus em relação ao circuito de Losail. Por causa disso, parece que estão a recomendar às equipas que façam, pelo menos, duas paragens nas boxes, ou um máximo de 24 voltas com o mesmo jogo de pneus, sob o risco dos seus pilotos sofrerem furos.

Quando o piso se torna demasiado fino, o pneu deixa de estar protegido. Uma pedra ou uma pequena lasca é suficiente para rasgar a camada de borracha”, Mario Isola, diretor da Pirelli Motorsport.

Simone Berra, diretor técnico da Pirelli, reforçou:

Tínhamos a experiência dos anos anteriores”, começou por afirmar. “Há dois anos, era uma questão de corretores. No ano passado, foi uma questão de alta taxa de desgaste — sobretudo desgaste volumétrico — que acabou por causar danos na carcaça.

Estamos a ter em conta todos esses fatores. A estrutura do pneu não mudou significativamente este ano em termos de resistência, por isso queremos evitar uma repetição da situação de 2024, quando as equipas conseguiram prolongar os stints porque não havia grande perda de desempenho, mesmo com o piso já muito gasto.”, concluiu.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Youtube Endurance Video: A colisão dos Cadillacs no Qatar

A coisa fantástica das corridas de automobilismo é a sua imprevisibilidade. E sinceramente, isto não lembra "nem ao Menino Jesus", pelo menos... hoje. Foi o que aconteceu durante uma das situações de Safety Car, na volta 74, quando os Cadillacs, que eram primeiro (Jenson Button) e segundo (Alex Lynn), colidiram um com outro e tiveram de ir às boxes por causa dos extensos danos que ambos sofreram. 

Claro, para os americanos, é um cenário de pesadelo. Para os fãs, uma situação de colocar as mãos à cabeça e para os outros... não se sabe se é de rir ou chorar. Mas é automobilismo, que não tenham dúvidas. 

Youtube Motorsport Video: A porta aberta do Aston Martin

Hoje são os 1812 m de Losail, no Qatar, e é a estreia do Aston Martin Valkyrie, cujo objetivo é de chegar até ao fim, porque tem muito atraso em relação à concorrência. O carro parece ser bom, mas está no fundo do pelotão, no momento em que se escreve estas linhas. 

Porém, por alturas da primeira hora, na volta 33 da corrida, o Aston Martin número 009 foi confrontado por um problema... inesperado: uma porta aberta. O carro foi às boxes para tentar reparar o problema, mas pelo caminho, este decidiu ganhar vida própria... 

sábado, 7 de dezembro de 2024

Youtube Formula 1 Vídeo: As patetices da "dona FIA"

O final de semana do GP do Qatar foi bem interessante, de facto. Os momentos aborrecidos passaram rapidamente para os agitados e tudo, mas o que muitos afirmam é que o presidente da FIA, Mohamed ben Sulayem, parece querer controlar a instituição à força e anda a despedir gente para substituir por "yes-men". Claro, ninguém fica feliz com isto, e outros afirmam que a razão da penalização de um lugar do Max Verstappen, na pós-qualificação, tinha a ver com o comissário ter cedido às exigências do George Russell.  

Claro que as coisas parecem ir a caminho do caos, pelo menos na visão do Josh Revell, mas estamos em pleno final de semana do GP do Abu Dhabi, temos de dar alguma margem de tolerância... 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

A imagem do dia



Há uns dias, mais precisamente na quarta-feira antes do GP do Qatar, em Losail, foi anunciado um acordo por parte da Qatar Investiment Authority (QIA) para a compra de 30 por cento da Sauber-Audi. Para a marca alemã, foi, de uma certa forma, um alívio, porque assim não tem de investir tanto na construção de uma equipa completa, ou seja, motor e chassis. E como já foi visto anteriormente quando se falou aqui da Aston Martin e da Aramco, o fundo soberano do Qatar irá investir fundo na Formula 1, a partir da próxima temporada.

E quão fundo é isso? Mais de 1,2 mil milhões de dólares. A começar pelos 600 milhões que a QIA deu pela equipa - dado depois de uma avaliação do seu capital. Depois, o dinheiro que injetará na equipa ao longo dos seus anos seguintes para desenvolver não só os seus motores - a Audi tem uma parceria com a BP britânica - para tentar chegar ao topo.

É verdade que está atrás de Mercedes (Petronas) e Honda (Aramco), que aparentemente, partiam bem na frente a competição para saber quem tem o motor mais potente no pelotão dessa temporada, mas querem recuperar o tempo perdido, e estão a investir pesado para lá chegarem.

Mas não irão fazer do chão: na realidade, há o projeto dos eFuels vindos da Porsche, do qual eles irão pegar a investir mais de 400 milhões de euros para os colocar num nível de competitividade a par das duas marcas que estão na frente desta tecnologia.

Mas também há uma razão pelo qual o Qatar está a meter tanto dinheiro: politica. Contra a Arábia Saudita.

Ambos são autores relativamente tardios à Formula 1, mas por trás, são dois governos ultra-ricos, com fundos de soberanos bem polpudos, e desejam projetar a imagem das suas nações no mundo. Todos sabemos onde aconteceu o último mundial de futebol, em 2022, e onde será em 2034, e há muitas outras aspirações. A Formula 1, para ambos, é mais uma frente para muitas ouras coisas, como a Qatar Airways, uma das marcas mis conhecidas. Mas toda a gente sabe que, em 2015, a Arábia Saudita bloqueou o Qatar, numa guerra não-declarada do qual acabou três anos depois, sem vitória da parte da Arábia Saudita. 

Claro, para a Audi, até é um alivio para os seus cofres - avançou em 2022, mas entretanto descobriu que era mais complicado por causa da queda de vendas dos seus automóveis - logo, o projeto, ainda que seja da Audi, é mais na parte técnica que na financeira. Os qataris foram praticamente os seus salvadores, porque o risco do projeto ser abortado a meio chegou a ser real.

E se tudo correr bem, será mais um candidato sério aos títulos. Mas só a partir de 2026, quando tudo começar a rolar nos seus eixos.           

domingo, 1 de dezembro de 2024

Formula 1 2024 - Ronda 23, Losail (Corrida)


A colocação do GP do Qatar perto do final do calendário não é inocente. E não falo por causa da possibilidade de ser ali ser o lugar da decisão do campeonato, mas também por causa do lugar onde fica. Situado no Golfo Pérsico, apesar de ser um lugar no deserto, é húmido, sobretudo à noite. E com os eventos de 2023 ainda na mente das pessoas, será interessante saber como será este ano. 

Neste final de semana, o tempo está muito mais fresco e é o vento que está a constituir um desafio. No entanto, os tempos por volta são muito mais rápidos nestas condições, o que está a contribuir para mais um fim de semana também muito físico. Gente como Lando Norris, que afirma acreditar na frescura do piloto, como condição para sobreviver a uma corrida destas. 

O meu pescoço não está muito feliz, por isso, sim, vai ser uma corrida difícil. Estas condições frias, com o vento, levam a uma corrida muito mais rápida do que no ano passado. E é ainda mais física, o que não pensei que fosse possível. Por isso, é complicado, mas é um desafio que temos de enfrentar.”, afirmou o piloto da McLaren antes da corrida. 

Aliás, está a ser um fim de semana interessante. Lembram-se da qualificação? Pois é, por causa de uma manobra lenta na pista quando George Russell fazia uma volta rápida, os comissários da FIA - os que sobraram, diga-se... - decidiram que era matéria de penalização, e tiraram a pole ao Max Verstappen. Mas ele largará de... segundo! Apenas mudaram de lugar na primeira fila da grelha. Enfim... o que acontece é que, se calhar, Russell ficará com o primeiro lugar no final da primeira curva. Mas Max poderá ser o piloto agressivo que é, conseguir uma boa partida e forçar Russell para ficar com o primeiro lugar, se ambos estarem lado a lado.  

Com os pilotos a escolherem pneus médios - excepto Nico Hulkenberg, com duros, tentando uma estratégia diferente - a estratégia era importante, porque esta é uma pista complicada de passar, e a temperatura do asfalto também importa para ter os pneus no ponto o mais cedo possível.


Na partida, Max conseguiu ser bem mais veloz que George Russell e ficando lado a lado na primeira curva, passou-o. Mas logo atrás, era desafiado pelo McLaren de Lando Norris, que ficou lado a lado, mas o neerlandês conseguiu manter a liderança. Atrás, confusão: Esteban Ocon e Franco Colapinto bateram e acabaram na gravilha, com Nico Hulkenberg a sofrer um furo e ir às boxes para trocar o pneu. Mas no meio disto tudo, a organização colocou o Safety Car,  ficando atrás do Mercedes nas próximas voltas, enquanto tiravam os carros acidentados do lugar perigoso. Nesta altura, Max estava na frente, com Norris a seguir e Russell em terceiro, seguido por Charles Leclerc.

A corrida recomeçou na quinta volta, com Oscar Piastri a passar Leclerc, passando depois a apanhar Russell para um lugar no pódio. Atrás, Liam Lawson tentou passar Valtteri Bottas, e acabou por fazer um pião. Regressou à pista, mas no último posto. No computo da luta pelo título de Construtores, a McLaren era bem melhor que a Ferrari. 

Na oitava volta, Stroll, que era o último, era penalizado em 10 segundos, numa altura em que os comissários estão a vigiar Lewis Hamilton por ter causado falsa partida. Duas voltas depois, Stroll encostava às boxes de forma permanente, tornando-se na terceira retirada da corrida. Entretanto, na frente, Max fazia voltas mais rápidas atrás de voltas mais rápidas, tentando afastar-se de Lando Norris. Pouco depois, Hamilton sofreu uma penalização de cinco segundos por causa dessa falsa partida.

A partir da volta 17, a corrida se tornou cinzenta e as únicas ultrapassagens de relevo foram aqueles que todos faziam sobre o Yuki Tsunoda, enquanto na frente, Norris e Max marcavam voltas mais rápidas um ao outro, num combate à distância. 

As primeiras trocas de pneus aconteceram na volta 24, com Russell a ser o primeiro, com duros. Contudo a troca foi má, por causa do pneus traseiro direito, e perdeu alguns lugares, ficando ora dos pontos. Magnussen foi quatro voltas depois, e na volta 30, enquanto um espelho tinha voado para a reta da meta, Max tinha agora Norris na sua traseira, a pouco mais de um segundo. Na volta 35, Sainz Jr e Hamilton tinham problemas porque sofreram pneus. Ao mesmo tempo, Oscar Piastri foi às boxes, colocando médios. 

Mas logo a seguir apareceu o Safety Car, altura ideal em que boa parte dos pilotos foram à boxes para colocar duros. Russell foi uma segunda vez, colocar novamente duros. Algo do qual Russell estava puto da vida. Com os comissários a limpar o mais que podiam dos destroços, o Safety Car passava nas boxes para que pudessem limpar o melhor que podiam.


A corrida recomeçou na volta 40... instantes depois de Sérgio Pérez ter saído de pista. A razão tinha sido os pneus que não conseguiram ficar aquecidos o suficiente. Para piorar as coisas, um problema com o seu motor antecipou o final da corrida. Um azar nunca vem só... 

Na relargada, Norris largou melhor que Max, ficou lado a lado, mas o neerlandês conseguiu manter a posição. Atrás, Leclerc conseguiu passar Piastri para ser terceiro, mas no meio do pelotão, Sainz Jr despistara-se e Hulkenberg acabou fora, na gravilha. O Safety Car foi novamente chamado, e agora, cinco pilotos estavam de fora da corrida.

E a partir daqui, a chuva de penalizações. Primeiro, Norris teve um "stop & go" por causa de ele não ter levantado o pé numa situação de bandeiras amarelas, depois foi Hamilton, que se esqueceu de ligar os limitadores de velocidade nas boxes. Ambos acabaram no fundo do pelotão, e o britânico da Mercedes queria encostar o carro para retirar, mas a equipa não o deixou.

No final, enquanto Max caminhava para uma nova vitória, na frente de Leclerc e Piastri, Norris ficava ainda nos pontos - décimo, mais a volta mais rápida - algumas coisas interessantes aconteciam atrás. Pierre Gasly tinha aguentado os ataques de Carlos Sainz Jr e era quinto, a segunda melhor posição da temporada na Alpine, e no nono posto estava Zhou Guanyou, que dava os primeiros pontos da temporada para a Sauber, na semana em que o governo local anunciava que tinha uma participação parcial no projeto da Audi, a partir da próxima temporada. Valtteri Bortas poderia ter conseguido pontuar, mas o ritmo do carro de Norris era demais para ele e ficou à beira da pontuação.


Em termos de campeonato de Construtores, a Ferrari ganhou alguns pontos, e conseguiu levar a luta para Abu Dhabi, mas a McLaren ainda estava na mó de cima. 

E foi assim a noite qatari. Um pouco de aborrecimento, com ação... artificial. É um pouco como são as coisas na Formula 1, atualmente.          

sábado, 30 de novembro de 2024

A imagem do dia


Quem assistiu à estória da manobra do Norris e do Piastri na Sprint Race no Qatar, deverá ter pensado em manobras passadas. Acordo-me imediatamente de duas: a do Japão, em 1991, e a de Indianápolis, em 2002. E porque estes e não outros? Porque a ideia era a mesma: uma recompensa pelos serviços prestados. Só que no passado, essas coisas foram mal recebidas, até pelos pilotos. 

Mas agora, parece que as coias foram diferentes. Aliás, o Lando Norris admite que oi uma ideia dele. No final da "sprint race", comentou a manobra da seguinte forma:

"Provavelmente foi um pouco mais próximo do que eu queria. Mas planeei fazer isso desde o Brasil. Exatamente o que achei melhor. Provavelmente foi um pouco incompleto, a equipa disse-me para não o fazer, mas pensei que poderia acabar com isso, e fizemos."

Entendo a generosidade do Norris, mas há um problema: passa a mensagem errada. Por exemplo, os fãs irão considerar isto como uma manipulação. Os fãs querem competição taco a taco até ao final. Não querem companheirismo, desejam "blood sport" - e no tempo das apostas desportivas, pior ainda.  E isso, a multidão não perdoa.

Segunda coisa: depois do que aconteceu na Hungria, também está a passar a ideia de que o britânico não tem o "killer instinct" para ser campeão. Num mundo que odeia os generosos e desejam os implacáveis, irão olhar para Norris com desprezo. E as declarações do Max em relação aos carros da McLaren e Ferrari passam a mensagem de, não só é o melhor, como também que os outros não são implacáveis. Isto é, figurativamente, uma "Guerra dos Tronos".

Veremos amanhã, na corrida. E claro, teremos de saber como será em 2025, onde tudo regressa à primeira forma.

Formula 1 2024 - Ronda 23, Losail (Qualificação)


A temporada de 2024 está resolvida, "habemus" campeão, agora é cumprir calendário até ao seu final. Toda? Bom, há o campeonato de Construtores, e é um clássico entre Ferrari e McLaren. E com duas corridas, mais a "sprint race" pelo meio, é melhor resolver a coisa o mais rapidamente possível, ainda por cima, com a McLaren em vantagem.  

Com este último fim de semana da temporada com "Sprint Race", claro, a agenda fica mais cheio que o habitual. As coisas começam bem cedo, com a qualificação para ela na sexta-feira, e no sábado, depois de uma corridinha sem história, os 150 metros finais deram um grande rebuliço quando Lando Norris decidiu abdicar da vitória a favor de Oscar Piastri. Há quem diga que foi um retorno de um favor, quem digam que oram ordens de equipa, quem até afirme que Norris fez isto porque não é fã das "sprint races", o facto é que aconteceu, e ninguém, ficou bem na fotografia.     

Ainda na ressaca da corrida Sprint, com os McLaren a fazerem dobradinha, e com a noite a se instalar há bastante tempo, a pista estava pronta para o espetáculo principal.  

A Q1 foi algo aborrecida, sem incidentes de maior - com o curioso caso de Sérgio Pérez ser passado por Franco Colapinto... na saída das boxes! - George Russell a querer marcar os melhores tempos, ao ponto de, no minuto final, ter sido ele o melhor, com 1.21,355, na frente de Carlos Sainz Jr. Mas atrás, era a complicação do costume: Colapinto não conseguia, bem como Esteban Ocon, enquanto Charles Leclerc conseguia melhorar o tempo, fazendo 1.21,278. Depois, Russell melhora, com 1.21,241, e entre os que ficavam de fora, Liam Lawson, Alex Albon e Nico Hulkenberg.

Chegados à Q2, a coisa começou calmamente, mas lá mais para o final, gente como Lando Norris começava a marcar tempo para a fase seguinte, e quanto mais para cima, melhor. No minuto final, o britânico era o melhor com 1.20,983, com Leclerc muito perto: 1.21,000. Max era o terceiro. Na última wolta que contawa, Max consegue 1.20,687, e era o melhor. 

E os que passaram foram os seguintes: dois McLaren, os dois Mercedes, os dois Ferrari, os dois Red Bull - vá lá, o Checo deu nas vistas! - Kevin Magnussen (cada vez melhor) e Fernando Alonso. Para trás ficaram Lance Stroll, Yuki Tsunoda, Pierre Gasly e os Sauber de Valtteri Bottas e Zhou Guanyu. 

E chegamos à Q3. 

Ali, os pilotos começaram a preparar-se para os minutos finais, porque sabiam que tudo o que tinha acontecido era um mero aquecimento. Aqui era o momento que contava. Primeiro, foi Sainz Jr. que conseguiu o primeiro tempo relevante: 1.21,042. Depois, Leclerc marcou 1.20,885, esperando por Russell, que vinha com um bom tempo. E conseguiu: 1.20,575. Piastri tentou, mas sem grande sucesso, e a seis minutos do final, Max marcou 1.20,620, sendo segundo, atrás de Russell. Quase parecia uma volta de aquecimento...  

Depois da pausa, a fase decisiva. Moles novos, todos foram para a pista tentar fazer melhor, e com o baixar da bandeira, os Ferrari não melhoraram, mesmo com Leclerc a fazer um tempo marginalmente melhor. Norris ainda não tinha marcado um tempo, mas estava na pista, na frente de Max. E no final? 

No final, Norris marcou 1.20,772, que não deu mais que terceiro. Max acelerou melhor e conseguiu, por ele mesmo, o tempo necessário para alcançar a pole-position. Inspiração? É bem capaz. Mas ele está mais descontraído e e faz isto pelo prazer de conduzir e pela fome de ganhar. George Russell fica do seu lado, mas se calhar, tem maior capacidade de ganhar a corrida que o neerlandês. 

Mas mais importante, era ver quem está atrás, e na luta que interessa: Norris e Piastri colocaram os seus carros na segunda fila, na frente de Leclerc, apenas quinto, e Sainz Jr, dois lugares mais abaixo, com Hamilton pelo meio. Para a Ferrari, não está a ser um grande fim de semana nesta luta particular pelo segundo campeonato em jogo. E temos de saber como corre amanhã se, por exemplo, Leclerc, fizer uma manobra para ficar na frente dos McLaren...

E claro, amanhã há mais. Mas tem McLaren e Ferrari atrás dele. Que também tem fome de vencer.    

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Meteo: O tempo no Qatar será...fresco


Depois de no ano passado, os pilotos, terem tido dificuldades em sair do carro, devido à forte humidade, as coisas no final de semana do Qatar serão mais frescas à noite. Ao longo do final de semana, o tempo estará sem nuvens, com temperaturas diurnas a rondar os 24 graus, com as noturnas pelos 17, e vento relativamente forte, pelo menos no sábado à tarde. 

Para domingo, à hora da corrida, o céu estará limpo, e a temperatura andará pelos 19-20 graus e o vento andará pelos 20 km/hora. Ou seja, o tempo será um pouco melhor que no ano passado. 

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Youtube Formula 1 Vídeo: As comunicações do Qatar

No fim de semana de consagração de Max Verstappen como campeão do mundo, a corrida do Qatar foi interessante por ser uma jornada dupla e pelos bons resultados da McLaren e a carambola dos Mercedes na partida. 

E até tivemos Carlos Sainz Jr e evocar o nome do seu pai. Pudera! 

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Noticias: Pirelli agradece a colaboração das equipas no Qatar


O fim de semana do GP qatari ficou marcado por um alerta da Pirelli em relação ao desgaste dos pneus no final de sexta-feira, depois da passagem constante dos carros nas bermas do circuito de Losail, que tinham um declive de 20 milímetros para impedir abusos da parte dos pilotos. 

Por causa disso, e para evitar furos a alta velocidade, para além da organização ter repintado as bermas para evitar as curvas afetadas, a FIA decidiu impor um limite máximo de 18 voltas que poderiam ser completadas com qualquer jogo de pneus na corrida. Isso fez com que existissem um mínimo de três paragens na prova, com alguns, como George Russell, acabassem por fazer quatro paragens, colocando moles no final, quando a carga de combustível era menor e tentar ganhar lugares na corrida. 

No final da corrida, Mário Isola, o Director da Pirelli Motorsport, agradeceu a colaboração de todos ma resolução de um problema que tinha potencial para ser enorme: 

"Este foi um fim de semana muito exigente, que culminou com uma corrida interessante e muito disputada. A colaboração e a transparência entre todas as partes interessadas da Fórmula 1 – a FIA, a Fórmula 1, as equipas e os pilotos – resultou numa reação rápida e eficiente para resolver uma questão de segurança que nos envolveu. Hoje, o desporto conseguiu dar um espetáculo interessante aos espetadores com muitas ultrapassagens e duelos, apesar das limitações impostas pela FIA. Nas próximas semanas continuaremos a analisar os pneus utilizados neste fim de semana para adquirir o máximo de informação possível e partilhá-la com a FIA."

"Pelo que vimos esta noite, a granulação foi um fator muito significativo em todos os compostos. A gravidade diminuiu gradualmente à medida que a pista foi acumulando borracha. Hoje, o vento estava muito mais fraco do que nos dias anteriores, o que reduziu a quantidade de areia e poeira soprada para a superfície da pista, mesmo que não tenha desaparecido completamente. A degradação térmica também teve um efeito no desempenho dos pneus, com as temperaturas da pista nunca abaixo de 36°C.", concluiu.

A Formula 1 continua dentro de duas semanas em Austin, no Texas. 

domingo, 8 de outubro de 2023

Formula 1 2023 - Ronda 17, Qatar (Corrida)


Nos países árabes, domingo não é o dia de descanso deles. Na realidade, é sexta-feira. Para eles, e como ver uma corrida na terça-feira ou algo assim, como nós víamos um GP dos Países Baixos ou da África do Sul no sábado, porque nesses países calvinistas, o domingo era "shabbat": reflexão e igreja. Mas já passamos isso, e a vida, o dinheiro e a televisão mandam. Logo, se for às 3 da manhã de quinta-feira, é. 

E por causa disso, as regras eram estas: os pilotos não poderiam fazer mais que 18 voltas com o mesmo jogo de pneus, caso contrário, os comissários iriam ser obrigados a mostrar a bandeira negra da desclassificação. Pois é... chegamos a este ponto. E claro, cada uma das equipas tinha de fazer uma estratégia que não só permita a sobrevivência, como o coloca o piloto rápido e a passar os seus concorrentes. E quem viu ontem, sabe, por exemplo, que os moles são velozes nas primeiras 10 voltas e... mais nada. 


E a corrida começava com menos um piloto: Carlos Sainz Jr tinha um problema de vazamento de combustível, do qual a Ferrari não iria resolver a tempo, e ele iria ver a corrida das boxes, como espectador. Quem também estaria nas boxes, mas de carro e a ver os outros passar antes de ele próprio ir para a pista, era Sérgio Pérez, aquele que, se a um tudo corre bem, a outro, tudo corre mal. E iria sair de duros.

Antes das luzes se apagarem, Lewis Hamilton era um dos pilotos que começavam com moles, acompanhado por Yuki Tsunoda, por exemplo. E quando isso aconteceu, Hamilton arrancou bem e parecia que iria ficar com a liderança quando tocou em George Russell... e ambos acabaram na gravilha! Uma repetição de Barcelona 2016. Max tinha apanhado um susto, mas tudo bem. E claro, o Safety Car na pista. Russell arrastou-se às boxes, trocou de nariz e torceu para que não tivesse mais estragos. 


Alonso tentou evitar a confusão e quem aproveitou foi Piastri, que era segundo no final da curva 3. Na volta 4, ainda em Safety Car, os carros que começaram com moles trocaram para médios e correrem... mais 14 voltas. Lawson tinha mudado para duros. 

A corrida recomeçou na volta 5, com Max a afastar-se de Piastri, com Alonso logo a seguir. Muito atrás, Russell conseguia passar Perex enquanto Nico Hulkenberg, que estacionara o seu carro num lugar errado, tinha uma penalização de... 10 segundos! 

A corrida começava bem...

A partir da volta 12, começam as paragens nas boxes. Norris foi o mais tardio, na volta 14, com Russell a ser segundo - aproveitando muito bem, mostrando que não tinha estragos de monta no seu carro. Entretanto, Alonso conseguiu passar Leclerc, mas ainda estava longe de Piastri. E na frente, Max via tudo calmamente, usando os pneus até ao limite.  

E aconteceu na volta 18. Nessa altura, apenas quatro carros não tinham parado: os Red Bull, o Williams de Albon e o Sauber-Alfa de Guanyou Zhou. Eles foram na volta seguinte, e regressaram com médios. Com o regresso, Max na frente de Piastri, mas o mais surpreendente era Bottas em terceiro, na frente dos Aston Martin e de um Norris em recuperação. Bottas e Stroll foram os primeiros a fazer a sua segunda paragem, na volta 22.

Piastri foi para as boxes na volta 26, seguido por Ocon e Lelcerc, e todos metiam duros, indo para o limite... ao mesmo tempo que Pérez era penalizado com cinco segundos por causa dos limites de pista que constantemente quebrava. Ele parou cinco voltas depois, na 32, e ficou à espera que tocassem para poder avançar. Russell parava na volta seguinte, o primeiro a fazer a sua terceira paragem. 

Quando Max foi às boxes, na volta 35, para colocar duros, Alonso despistava-se a regressava na sétima posição, com os pneus manchados e a ser monitorizado pelos comissários para saber se fez tudo bem ou não. Feitas essas paragens, Werstappen estava na frente dos McLaren, com Piastri na frente de Norris. Russell era quarto.

Bottas, Stroll, Magnussen e Lawson paravam na volta 40, para irem até ao fim com médios, enquanto Logan Sargent sentia dificuldades e parecia que ia se retirar. E Pérez era penalizado... pela segunda vez. Piastri parava na volta 44, para colocar duros - até ao fim - seguido por Leclerc e Pérez, que tinha de cumprir pela segunda vez uma penalização. E na volta seguinte, era a altura de Norris, com duros até ao final. Russell, agora segundo, tinha a chance de colocar um jogo de moles para a parte final, e se calhar... até poderia chegar ao pódio.


E é por causa disso que Norris queria que Piastri cedesse, por causa do britânico. Na boxe, queriam que as posições se mantivessem. apesar do britânico fazer volta após volta mais rápida. O piloto da Mercedes entrou nas boxes na volta 51, colocando moles, regressando à pista na quarta posição... e a carregar para tentar o pódio. E na volta a seguir, Max parava uma quarta vez, dando a esse luxo, acabando na frente com quatro segundos de vantagem sobre Piastri.  

No final, nova vitória de Max, a primeira como campeão do mundo. Piastri tinha o seu fim de semana de sonho, na frente de Norris, que não conseguiu apanhá-lo, apesar das voltas mais rápidas. E Russell era quarto, mostrando que os moles... não serviam para nada.

E foi assim a corrida no Qatar. Agora, duas semanas até à parte americana da competição. Mas agora, os títulos já estão atribuídos.       

sábado, 7 de outubro de 2023

A(s) image(ns) do dia (II)



Já sabíamos isto há muito tempo, só não sabíamos era onde e quando. Contudo, quando acabou o GP do Japão, há dias semanas, soubemos por fim a data e o local: Losail, no Qatar, na noite de sábado, sete de outubro, no final de uma corrida sprint. E claro, o dia chegou: Max Verstappen, é o tricampeão do mundo, num domínio do qual só é comparável a Sebastian Vettel, uma década antes. 

Muitos irão afirmar que isto se deve a Adrian Newey, menorizando o piloto. Fernando Alonso tentou fazer isso no GP da India de 2012, e de uma certa maneira, foi uma absoluta falta de tacto em relação a um dos seus rivais na pista. Se assim fosse agora, com Max, então quem me explica o absoluto eclipse de Sérgio Pérez nas últimas corridas, quer na qualificação, quer na corrida?

Sim é verdade, o piloto não explica tudo, mas explica muita coisa. É ele que guia, e esquecemos que ele é recordista de precocidade em termos de vitórias. Ganhou na sua primeira corrida pela Red Bull, algo que nem o alemão conseguiu - aliás, ganhou primeiro pela Toro Rosso, lembram-se? - mas Max-Emilian, nascido a 30 de setembro de 1997, e filho de Jos Verstappen, "Jos, the Boss", sabe o que faz. oi treinado quase desde o berço, não erra, não compromete, dá o seu melhor. E o carro que tem em mãos dá aquilo que pede, sem quebrar. 

Assim sendo, estamos em mais uma era. Ao longo dos meus quase 40 anos de Grandes Prémios que tenho assistido, vi isso em Ayrton Senna, Michael Schumacher, Sebastian Vettel e Lewis Hamilton. E aconteceram mais antes até de eu nascer, com Alberto Ascari, Juan Manuel Fangio, Jack Brabham, Jim Clark, Jackie Stewart e Niki Lauda. Agora temos outro piloto no topo do mundo, marcando uma época. E o que se pode dizer a todos que é isto que fica marcado na história e nos registos, apesar do público querer duelos ao milésimo, decididos na última volta. Só assisti a dois, em centenas de grandes prémios. Hollywood não é aqui, apesar da Netflix. 

Uma última coisa: este sábado vimos a McLaren ficar com a primeira linha da grelha nesta corrida sprint. E ter Oscar Piastri como vencedor, logo na sua primeira temporada completa. Tirando a primeira, em 1950, só conheço sete pilotos que ganharam no seu primeiro ano: Giancarlo Baghetti, Jackie Stewart, Clay Regazzoni, Emerson Fittipaldi, Jacques Villeneuve, Juan Pablo Montoya e Lewis Hamilton. Desses, só três não foram campeões, e três ganharam as 500 Milhas de Indianápolis. Um deles, o Montoya... foi no seu ano de estreia! 

Se for esse o futuro, já sabem: leram aqui primeiro.  

Noticias: FIA obriga a paragens adicionais no GP do Qatar


A FIA decidiu este sábado que as equipas irão fazer três paragens na corrida de domingo, por causa de um problema detetado durante esta sexta-feira com a realização dos treinos. Aparentemente, segundo o comunicado da FIA, após 20 voltas, apareceram nos pneus Pirelli algo que foi afirmado como “uma separação na parede lateral entre o composto de cobertura e os cordões da carcaça” em muitos dos exemplares verificados.

Na opinião da FIA e da Pirelli, um número significativo de voltas adicionais com estes pneus poderia resultar em danos circunferenciais nos pneus, com a subsequente perda de ar, e os pneus analisados com números de voltas mais baixos mostraram uma extensão muito menor do problema”, garante a entidade federativa.

Por causa disso, por agora, os os limites da pista nas curvas 12-13 serão revistos e haverá uma sessão com duração de 10 minutos, após a revisão desses limites, para que os pilotos pudessem adaptar à alterações, atrasando o Sprint Shootout em meia hora.

Contudo, a FIA avisa: “No caso do problema continuar a ser evidente, iremos emitir a seguinte diretiva para o Grande Prémio de domingo, por motivos de segurança: o parâmetro de vida útil dos pneus não deve exceder 20 para os pneus novos utilizados na corrida. Este número aumentará para 22 para quaisquer pneus usados utilizados na corrida, para ter em conta as voltas de entrada e saída na qualificação. Todos os pilotos serão obrigados a efetuar pelo menos três paragens para mudança de pneus durante a corrida”. 

A FIA quer evitar os eventos do GP da Grã-Bretanha de 2013, onde a excessiva degradação dos pneus devido à fragilidade dos Pirelli naquela corrida fez com que tivesse havido muitos rebentamentos de pneus e perturbado fortemente a competição. 

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Formula 1 2023 - Ronda 17, Qatar (Qualificação)


Até é bom termos uns tempos de pausa numa competição que corre fim de semana sim, fim de semana sim. Até nós, os fãs, queremos ter vida para além do automobilismo - e não falo só no dormir... - mas mesmo nestes momentos de pausa, não podemos deixar de pensar que nesta enorme temporada em termos de calendário, neste regresso da Formula 1 a latitudes árabes, será a altura em que tudo se decidirá.    

Neste regresso da Formula 1 ao pequeno país do Golfo, depois de um ano de ausência - tiveram o Mundial de Futebol no final daquele ano - foi aproveitado para que o circuito de Losail fosse renovado para receber condignamente as equipas e os pilotos. Novo paddock, novos equipamentos, asfalto novo, nova sala de imprensa... tudo muito bonitinho para o cenário que está presente na mente de todos: o lugar onde Max Verstappen será campeão. E se não for amanhã, será, provavelmente, no domingo, porque o avanço é tal que basta estar na frente da concorrência pelo menos uma ocasião, e está tudo resolvido.

E claro, este é mais um local onde acontecerá a corrida de sprint. Logo, a qualificação será nesta sexta-feira. 


Com o sol posto nos arredores de Doha, os 20 pilotos enfrentaram a qualificação para a corrida de domingo. Afinal, Sábado é "dia de Sprint Race". Uma sessão movimentada e com algumas dúvidas sobre os pneus macios em algumas equipas, a sessão começou com Max a ser dos primeiros a marcar uma volta rápida, seguido por Fernando Alonso, que meteu um tempo de 1.26,043, seguido por Charles Leclerc, com 1.26,444. Max meteu o carro em segundo na tabela de tempos, a 44 centésimos. 

Tudo muito calmo até ao final, quando Leclerc conseguiu um tempo de 1.25,452, batido por Norris, com 1.25,131. E bem em cima da bandeira de xadrez, Max conseguiu 1.25,007. E se entre os da frente, isto acontecia, atrás, Alexander Albon suou para conseguir passar para a fase seguinte, colocando fora Logan Sargeant, que ficou com a "fava" da 16ª posição. O americano acabou a fazer companhia ao Aston Martin de Lance Stroll, o Alpha Tauri de Liam Lawson, o Haas F1 de Kevin Magnussen e o Alfa Romeo de Zhou Guanyu. Aliás no final da sessão, nas boxes, o filho de Lawrence Stroll não deixou de manifestar a sua frustração... 

Poucos minutos depois, chegamos à Q2, onde começou com os McLaren a irem para o topo da tabela de tempos - Oscar Piastri, 1.25,745 - antes de Charles Leclerc melhorar o seu tempo, e Pierre Gasly fazer o mesmo no seu Alpine, com pneus novos. Mas depois, entrou Max Verstappen, fex 1.24,758 e passou para a frente. Atrás dele, George Russell e Lewis Hamilton assumiram os dois postos seguintes, Russell com 206 centésimos de diferença.

A fase final começou com os dois McLaren a melhorarem os seus tempos, primeiro Piastri, depois Lando Norris, que marca 1.24,685. Mas Max regressou à pista e conseguiu 1.24,483. 


Se na frente, isto acontecia, atrás, eram "sete cães a um osso". Todos queriam marcar um tempo, mas como passavam dos limites da pista, esses tempos eram apagados. E Sergio Pérez, que queria fazer algo para impressionar, marcou um tempo... mas foi apagado. A mesma coisa acontecia a Carlos Sainz Jr, que marcava um tempo, mas era depois superado por outros. E como resultado, para além de Pérez e Sainz Jr, ficaram Alexander Albon, Nico Hülkenberg e Yuki Tsunoda, este por meros... quatro milésimos. Mesmo cruel.

E assim, passamos para a Q3.

Como os McLaren parecem ser os carros que se deram melhor na pista - aparte os Red Bull - Lando Norris começou a abrir as hostilidades com um tempo de 1.24,088. Mas o tempo viria a ser anulado por ter excedido os limites de pista, mas isso não impediu Max Verstappen de reagir e marcar 1.23,778, meio segundo na frente de Lewis Hamilton. No final, Max mostrou ao mundo que não quer brincar. E apesar de todos não o apanharem, Lando Norris passou para o segundo lugar com 1.24,074 e não saiu dali. Aparentemente...


Em suma, o primeiro "match point" do campeonato está à espreita e não quer desperdiçar. E ainda conseguiu mais um extra quando o tempo de Oscar Piastri foi apagado por causa dos limites que foram excedidos na sua volta mais rápida. Aliás, deram essa noticia no momento em que estava a ser entrevistado! 

Amanhã é o dia da corrida Sprint. Ou, se quiserem o dia em que Max poderá ser campeão do mundo.