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terça-feira, 16 de dezembro de 2025

A imagem do dia



Biografias de pilotos variam conforme aqueles que as escrevem, mas ao longo da minha existência, já li alguns que valem a pena. Um deles consegui há uns dois anos no Leiria Sobre Rodas, e o preço era tão irresistível - cinco euros - que nem hesitei. 

Era uma biografia do Gilles Villeneuve, em inglês, escrita por um escritor local, Gerald Donaldson

Para mim, que sempre admirei Gilles, mas tinha cinco anos de idade quando ele morreu, ler sobre um piloto cujo inicio era dos mais anormais da Formula 1 dos últimos 60 anos, quando começou a correr e a ganhar... em corridas de "snowmobille", ler sobre os seus começos em Berthierville, no Quebec canadiano, as suas ligações, as pessoas com quem cresceu, o seu relacionamento com Joanne Barthes, que viria a ser sua mulher, e porque é que mexeu com a sua idade, fazendo-se passar por mais novo em dois anos, bem como as suas manias - como sabia que iria perder cabelo, considerou seriamente fazer um implante capilar. A sério!

O final trágico era sabido, mas desconhecia que o governo canadiano o transportou de avião para o aeroporto mais próximo de Berthierville para um funeral que deveria ter tido cerca de cinco mil pessoas, e com a presença de Pierre Trudeau, o então primeiro-ministro do Canadá. O impacto, de facto, foi bem grande, ainda por cima, mercas seis semanas antes do GP do Canadá, que iria ser pela primeira vez, em junho - e é onde está agora. 

Gerald Donaldson nasceu a 18 de julho de 1938 em Almonte, no Ontário, e licenciou-se no Ontario College of Art. Trabalhou na industria publicitária antes de se virar para o jornalismo, escrevendo para jornais como o Toronto Star e o The Globe and Mail, e pelo meio, ainda correu algumas provas de Turismo. Se a obra sobre Gilles, que saiu em 1988, foi das mais famosas, ele também escreveu livros sobre James Hunt, Juan Manuel Fangio e uma autobiografia da Formula 1. E em 2018, foi incorporado no F1 Paddock Hall of Fame, em Monza, ao lado de gente como Bernard Asset, Paul-Henri Cahier, Roger Benoit, David Coulthard, Damon Hill, Joe Saward, Nigel Roebuck e Ercole Colombo, entre outros. 

No mesmo ano, foi também incluído no Canadian Motorsport Hall of Fame, ao lado daquele que escreveu, trinta anos antes. 

Soube esta terça-feira, pelo Twitter de outro excelente jornalista e escritor, Richard Hamilton - autor do livro "Ayrton Senna do Brasil" - que Donaldson morreu no sábado, dia 14, aos 87 anos de idade. Que todos tenhamos de ir um dia, isso sabemos nós, mas tenho de reconhecer que ele era dos melhores a contar a história de um desporto que amamos e daqueles que brilharam e a colocaram no lugar onde pertence. Fica a obra. Ars longa, vita brevis. 

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Apreciação critica de "Gilles Villeneuve"


Sou um sujeito que mora numa casa que começa a ficar cheia de livros - compro 30 a 40 por ano, e os assuntos variam. E nem falo das ocasiões onde vou à biblioteca e requisito alguns, para poder ler em duas semanas, que é o tempo que eu tenho para ler. Se apenas comprasse os livros que leio, já teria mais de mil em casa, e a tendência seria para aumentar.  

Mas os meus livros sobre automobilismo não são muitos. E sempre que consigo um, é uma festa. Foi o que aconteceu há quase um mês quando, no Leiria Sobre Rodas, encontrei a biografia do Gilles Villeneuve a um preço de desconto - 10 euros. E é um "roubo", para quem conhece os "alfarrabistas" (em português do Brasil, sebos) onde por esse preço, podes levar três ou quatro livros de qualidade. Acreditem, falo por experiência própria.

Não parece muito - cerca de 330 páginas - mas como é um livro de capa dura, parece ter mais. Para mim, o inglês não é assustador, estou habituado desde criança a falar, ler e escrever. Mas mesmo assim, demorei cerca de uma semana para o ler, e foi depois de me esforçar no final de semana passado para ler o máximo que podia. 

Enfim, dito isto... vamos ao que interessa. 

Como disse, são cerca de 330 páginas a falar sobre a vida e carreira de Gilles Villeneuve. As suas origens, no Quebec rural, com um inicio de carreira que é considerada das mais excêntricas na história do automobilismo - fez "drag racing" (arrancada, no português do Brasil) e correu em "snowmobiles", antes de ir para a Formula Ford, em 1973, e a Formula Atlantic, no ano seguinte - e depois, a sua ascensão foi dramática, chegando à Formula 1 em três anos e meio, primeiro na McLaren e depois, à Ferrari, onde o Commendatore viu nele um resquício do passado, nomeadamente Tazio Nuvolari. E depois disso, como demorou cerca de uma temporada para abater as dúvidas e as resistências para ser o piloto dos corações de uma geração de "tiffosi". E momentos como o de Dijon, a 1 de julho de 1979, entraram na mente de todos.

Ao ler todas aquelas páginas, dá para entender muito de Gilles, o piloto, e Gilles, o ser humano. Como piloto, queria dar espetáculo, pretendia ganhar, mas num estilo "win or wall". Os tiffosi alegravam-se com isso, viam nele alguém que defenderia as cores do Cavalino até ao limite, e esse limite era as barreiras de proteção. Foi o que aconteceu em Imola, em 1980, na curva que agora tem o seu nome, onde um furo a alta velocidade o fez embater contra o muro, mas saiu de lá com escoriações e nada mais. 

E esse estilo fez perder corridas e campeonatos. Especialmente em 1979, quando ganhou duas das primeiras três corridas do ano, mas por exemplo, perdeu um pódio certo quando ficou sem gasolina na última volta do GP da Bélgica. Se tivesse acabado no pódio, talvez no final do ano, o título seria dele. E nem se fala do que aconteceu em Zandvoort, com a famosa manobra das três rodas, depois do furo que lhe custou outro lugar no pódio. Ou seja, perdeu o título de 1979, em muitos aspetos, por culpa própria. Jody Scheckter, seu companheiro de equipa, aproveitou os erros e excessos do seu companheiro de equipa para ser campeão.

Mas isso não o impediu de ser amigo dele. Aliás, um dos seus melhores amigos. E entramos noutra faceta: O Gilles humano. Tirando o episódio de traição do Didier Pironi - ele julgava que era amigo dele e colaborava no carro - ele era honesto para com as pessoas e leal para com os seus companheiros de equipa. Honrou os contratos que tinha - apesar de, no final de 1981, a McLaren tenha tentado seriamente tê-lo na sua equipa, caso Niki Lauda não aceitasse o convite para regressar, e pediu cinco milhões de dólares para correr com eles em 1982 - e era amistoso com todos: jornalistas, engenheiros, pilotos e outros. O único que teve uma relação tempestuosa ao longo da sua carreira foi Bernie Ecclestone, então patrão da Brabham e depois, da FOCA. Nunca se deram bem e na altura da cisão, sempre se queixou dos métodos dele de conseguir o que queria. E em Kyalami, na altura da greve dos pilotos de 1982, a coisa ficou tão azeda que se temeu que os dois baixinhos brigassem.

Há outros detalhes. Os episódios "loucos" - ele ia no limite ao volante, fazendo uma viagem Monaco-Modena em 3.45 horas, em vez das habituais cinco horas - arrepiava toda a gente, ao ponto de muitos se recusarem a ir com ele. E quando passou para os helicópteros - o seu Agusta custou-lhe 1,150 milhões de dólares, com um grande desconto em troca de um autocolante no fato de competição - a sua capacidade de voar nos limites continuou, confessando que adorava viajar quando o tempo estava mau. em condições de nevoeiro e chuva. Considerava um desafio.  

Para além disso, Gilles era exigente para com a família, apesar desta ser unida. Casou-se muito cedo - tinha 20 anos, quando Joann ficou grávida de Jacques - e andavam juntos num motorhome, primeiro no Canadá, depois na Europa, algo que não se via muito. Ele era calmo, algo tímido, e adorava mexer com ferramentas, especialmente quando repousava em casa. Quando começou a ter dinheiro, gastou-o em brinquedos caros - barcos, helicópteros, a casa do Mónaco - e isso causou tensão conjugal, com constantes discussões domésticas. Era exigente com ela e com os filhos, especialmente com Jacques, e a certa altura, no inicio de 1982, ele e Joann consideraram seriamente o divórcio: ele tivera um caso extraconjugal e escondeu o mais que pode. Ironicamente, os eventos de Imola, nas últimas duas semanas de vida, aproximaram-se muito em termos de relacionamento.

Outra coisa curiosa: por uns tempos, considerou construir a sua própria equipa. Aconteceu algures no final de 1981, onde aparentemente, alguns homens de negócios encontraram-se com ele, em Milão, e afirmaram que poderia arranjar dinheiro de uma grande tabaqueira. Chegaram-se a fazer planos - uma fábrica foi localizada em Paul Ricard, para a construção de um "Team Villeneuve". Contudo, descobriu-se que não era mais do que um esquema elaborado para angariar patrocinadores usando o nome dele. Não tinham dinheiro. Quem ajudou a explodir a bolha foi o seu amigo Scheckter, e isso acontece nos dias antes da corrida fatal de Zolder.  

Os eventos do seu acidente mortal e funeral são dramáticos e algo pungentes. Todos sofreram. Foi um choque duríssimo para muitos - não houve poucos que desabafaram que choraram com a sua morte. Mas também muitos outros disseram que, da maneira como corria, um grande acidente iria ser inevitável. E o próprio Gilles sabia disso. A certa altura, quando ele e Gaston Parent, seu empresário, falaram sobre um assunto do qual achava que teriam tempo para resolver, ele respondeu: "que garantia tenho se daqui a um ano andarei por aqui?" Ele mesmo sabia - e reconhecia - que estava a fazer malabarismos em trapézios sem rede.

O funeral durou quatro dias. Foi levado de Bruxelas para o Canadá num 707 da Força Aérea, com honras de funeral de estado, e o primeiro-ministro de então, Pierre-Eliot Trudeau, esteve presente no funeral, onde estavam mais de 10 mil pessoas num lugar pequeno que é Berthierville, e acabou por ser cremado, com as suas cinzas, provavelmente, na posse da família. Não ficaria admirado se algumas delas já estejam sobre o túmulo, em Berthierville - o pai de Gilles morreu em 1987, e a mãe em 2008 - mas como o livro é de 1988, essa parte não é muito falada.

Em suma, como biografia, cumpre o seu objetivo. Fica para a história, e conta os pormenores, conhecidos e não tão conhecidos. Como leitura é agradável, o estilo é claro - é escrito por um jornalista - e fica-se a conhecer o ser humano por trás do piloto. É uma boa leitura.       

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

No Nobres do Grid deste mês...


O verão é boa altura para pausa, e agosto, ainda melhor. Não é por acaso que chamam por aqui de "meu querido mês de agosto", porque é quando aqui em Portugal, dezenas de milhares de pessoas, especialmente de lugares como França, Luxemburgo, Suíça, Alemanha ou Reino Unido, por exemplo, regressam às suas terras, especialmente no interior, para passar um mês a visitar os seus parentes. 

E, como sabem, o automobilismo também aproveita o agosto para fazer uma pausa, decidi pegar noutra minha atividade favorita: a leitura de livros. E peguei num que apanhei, por acaso, numa Feira do Livro por aqui e comprei, esperando por uns dias na praia para fazer as devidas leituras. 

E o livro que andei a ler por estes dias foi a autobiografia de Enzo Ferrari: "As Minhas Amargas Alegrias". Até calha bem, porque este ano passam os 125 anos do seu nascimento e os 35 da sua morte. Bastou-me um fim de semana para lê-lo - comecei numa sexta-feira à tarde e acabei dois dias depois - e é sobre ele que irei falar. 

(...)

Escrito originalmente em 1962, mostra uma faceta de um Ferrari que era notoriamente reclusivo. Mostrar-se como ser humano não era algo normal, e na altura, as suas memórias - ou autobiografia, se preferirem - foi um grande sucesso, acabando por se vender cerca de cem mil exemplares, só em Itália. Tanto que existiram reedições e modificações em 1964 e um dos seus capítulos - "Piloti, che gente!" - deu até um livro à parte, que teve atualizações até 1987, um ano antes de morrer, e com uma introdução de Piero Lardi Ferrari, o seu segundo filho e herdeiro.

Ali, explica as suas origens, na Emilia-Romagna natal - ele é de Modena - e que foi registado dois dias depois do seu nascimento, alegadamente por causa de um nevão. Fala também de uma adolescência dificil - combateu na I Guerra, numa altura em que morreram o pai e o seu irmão mais velho - de como foi à procura de trabalho em Milão e acabou como piloto, primeiro na CMN, antes de ir para a Alfa Romeo, onde correu ao lado de alguns dos melhores pilotos italianos da época, como Ugo Sivocci, Giuseppe Campari, António Ascari e sobretudo, Tazio Nuvolari. Depois, fala da sua transição para diretor da equipa - funda a Scuderia Ferrari em 1929, para lidar com carros da Alfa Romeo - e da razão pelo qual deixou de correr: o nascimento do seu filho Alfredino (Dino), em 1932.

Ele depositou imensas esperanças nele. Não só por ser seu filho, mas também por ser um engenheiro capaz - o motor Dino de 2.4 litros é obra dele - mas sofria de nefrite, uma doença nos rins, e acabou por morrer em junho de 1956, aos 23 anos. Ferrari sofreu imenso pela sua perda - aliás, é a ele que dedica a sua autobiografia - e sentiu a sua falta até ao fim, porque sabia que tinha imensas coisas em comum, e acreditava - não fala explicitamente, mas entende-se nas linhas - que acreditava que poderia continuar com o legado da Scuderia. 

(...)

Um capítulo à parte é um dedicado aos pilotos. Sendo ele um antigo piloto, Ferrari não coibiu de fazer avaliações sobre pilotos de três gerações, que abarcaram quase um século de automobilismo, desde os primeiros tempos - gente como Felice Nazzaro ou Piero Bordino, que competiram antes da I Guerra Mundial - até aos anos 80, como Nigel Mansell, Gerhard Berger, Michele Alboreto, Alain Prost ou Ayrton Senna.

Há parágrafos inteiros dedicados a pilotos que admirava e teve nas suas fileiras: Antonio Ascari, Ugo Sivocci, Giuseppe Campari, Tazio Nuvolari, Achille Varzi, Alberto Ascari, Froilan Gonzalez, Eugenio Castelloti, Mike Hawthorn, Peter Collins, Phil Hill, Lorenzo Bandini, Ricardo Rodriguez, John Surtees - e nas edições posteriores, Ludovico Scarfiotti, Jacky Ickx, Niki Lauda, Jody Scheckter, Gilles Villeneuve e Michele Alboreto.  

Fora desse núcleo, outros pilotos deu extensos parágrafos, especialmente dois: Juan Manuel Fangio e Stirling Moss. Também falou sobre Jim Clark, Jackie Stewart, Emerson Fittipaldi e Ronnie Peterson, do qual correu apenas na Endurance. (...)

A literatura automobilística é fascinante, e este ano, Enzo Ferrari, estará nas bocas do mundo. Michael Mann estreou por estes dias um filme sobre um período da sua vida, e por acaso, consegui ler a sua autobiografia, "As Minhas Amargas Alegrias". O relato é fascinante de pilotos, pessoas, lugares e carros, numa altura em que a Europa e o mundo saia da II Guerra Mundial e a Itália passava por um desenvolvimento sem precedentes. 

Sobre isso e muito mais, falo este mês no Nobres do Grid.

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Apreciação critica de "Next Level"


Algumas semanas depois de ter lido a biografia de Lewis Hamilton, caiu nas minhas mãos outra, do piloto português Miguel Oliveira, o primeiro a alcançar o MotoGP. Da autoria de Edite Dias, tem imensas entrevistas com muitos dos que ajudaram a levá-lo até ao estrelato, desde o seu pai, Paulo Oliveira, até gente no meio da MotoGP, entre eles Jorge Viegas, o presidente da FIM, a Federação Internacional de Motociclismo, ao conselheiro Domingos Piedade, antigo manager de pilotos e o diretor do Autódromo do Estoril.    

Ao contrário de "Furacão Hamilton", do qual falei aqui há uns dias, este livro até está melhor estruturado. Primeiro, porque queriam fazer em 44 capítulos - simbólico do número que ele usava na carenagem - e segundo, todos sabiam que era um resumo até ao ano que iria marcar a sua carreira, quando ele passou para a MotoGP. A colaboração que ele e a família deram ao livro, sem dúvida, um ar de legitimidade, e de autenticidade ao seu conteúdo, e claro, enriquecer o leitor com histórias sobre a sua ascensão até à categoria-rainha das suas rodas.

E ao longo das páginas, é isso que olhamos: um piloto, filho de piloto, que se apaixona pelas motos e estabelece uma carreira, determinado em ser dos melhores na sua área. Um caminho nada fácil, com obstáculos, mas com finais felizes, ganhando corridas, lutando por campeonatos, sabendo que é um dos desbravadores de um percurso, que acabou por ser o primeiro português a chegar à MotoGP e a lutar por títulos. E pelo meio, a ganhar o respeito dos seus pares e dos que trabalharam com ele. 

Ao contrário das criticas que tenho ao livro do Hamilton, que é incompleto, aqui a autora teve o bom senso de balizar a carreira do piloto num ponto. Este pode ser considerado a primeira parte da sua biografia. E a colaboração do piloto e da sua família também foi importante no meio disto tudo, logo, o leitor entendeu que isto é a história de um percurso, com altos e baixos, que teve um final feliz, porque afinal de contas, conseguiu chegar ao seu objetivo: ser o primeiro português a chegar à MotoGP. E quem lê isto em 2023, sabe que ele já conseguiu vitórias nessa classe-rainha.   

De resto, é uma leitura fácil e agradável para o verão que acabou de chegar. Lê-se em meia dúzia de dias, e tenho a certeza que haverá um segundo livro, do qual espero que seja totalmente dedicada a sua carreira no MotoGP.  

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Apreciação critica de "Furacão Hamilton"


Apesar de ser um leitor - e escritor - confesso não ter neste momento na minha biblioteca imensos livros de automobilismo. Contudo, ultimamente, tenho conseguido acesso a alguns e creio que agora, neste verão, seja a altura ideal para perder algum tempo nas suas leituras e para, no final, fazer aquilo que chamo de "apreciação critica" sobre elas.  

Primeiro que tudo, conhecia antecipadamente este livro, e conheço o seu autor. O Sérgio é um jornalista experimentado - mais de 35 anos no meio - e competente, mas também sou o primeiro a reconhecer que ele nunca escreveu algum livro sobre automobilismo, e ainda mais, uma biografia de um piloto. Logo, aventurar-se numa coisa destas é passear em campo incógnito. Mas no final, pode-se afirmar que o trabalho era fácil e cumpriu o mínimo requerido. Mas não deslumbra, e explico o porquê nas linhas abaixo.    

De facto, para começar, o título é adequado. Lewis Hamilton é um furacão, e tem o material dos campeões. Esforçou-se bastante nesse campo, e com a ajuda do pai, que se sacrificou bastante para que tivesse karts adequados para o seu desenvolvimento como piloto, convenceu a McLaren que valia a pena apostar nele para desenvolver a sua carreira e ir para os monolugares. E foi ao serviço da McLaren que se estreou na Formula 1 em 2007 e deslumbrou, quase ganhando o campeonato do mundo, e pelo caminho, perturbou um Fernando Alonso que julgava ter a equipa na mão. Ganhou no ano seguinte, por um ponto, e o título foi decidido... na última curva da última volta, ao ponto de a Ferrari e Felipe Massa terem celebrado o título... por 20 segundos. 

O livro fala de alguns dos segredos do piloto britânico (trabalha bem sob pressão, encara tudo como um prazer, fica em grande forma depois de um tempo de relaxamento...) e fala também sobre como ele foi seduzido pela Mercedes, em meados de 2012, e como Niki Lauda teve um papel importante para o convencer - bem como Ross Brawn, o diretor técnico da equipa. E como o pedido de igualdade em termos de material foi o suficiente para bater Nico Rosberg, e como ele tenta sempre encontrar forças nas fraquezas. É um livro interessante, explicativo e honesto.

Contudo, ele tem um grande problema. Aliás, acho que isso é um grande defeito de todo este tipo de biografias desportivas: é uma obra em progresso, ou seja, a carreira do piloto ainda está a decorrer, ainda não pendurou o capacete ou avançou para outras coisas na sua vida. Em suma, tu mal pegas nesta livro, sabes à partida que está incompleto. Foi escrito no final de 2019, e tu sabes que não fala do título de 2020, o heptacampeonato, do duelo de 2021 com Max e o final controverso de Abu Dhabi, e claro, a decadência do material da Mercedes, que pouco pode fazer contra uma Red Bull imparável. E evidentemente, um Hamilton que já caminha para os 40 anos e a grande dúvida se ele ainda terá a chance de conseguir um oitavo campeonato e assim bater Michael Schumacher. Falta tudo isso, daí achar que, sendo honesto, é prematuro e está incompleto. Estará sempre. 

Será que o autor pegará no libro numa edição futura e acrescentará tudo isso? Resta esperar. Mas a minha opinião pessoal é esta: fazer biografias de gente jobem e em atividade não é a coisa certa. Arriscar e fazer algo que terá uma validade curta é um risco. A pressa é inimiga a perfeição. Mas apesar de tudo, um título em português sobre um determinado piloto é interessante. 

Dentro em breve pretendo fazer outra apreciação critica, de outra biografia. Até lá!   

sábado, 30 de outubro de 2021

Noticias: Grosjean publica a sua biografia


Quase um ano depois do seu acidente em Shakir, Romain Grosjean decidiu publicar a sua biografia. Ele, que depois de dez anos na Formula 1, está agora na IndyCar, onde se afirma estar "feliz" na sua adaptação à competição americana.

Com o nome de "La Morte en Face," e escrita pela sua mulher, Marion, fala do inicio da sua carreira, a sua chegada à Formula 1, a sua carreira na categoria máxima do automobilismo, e em especial, o seu acidente em Shakir, onde embateu fortemente com o seu Haas contra as barreiras de proteção, partindo-se em dois e com o tanque de combustível rompido, pegou fogo. Grosjean sobreviveu, mas ficou com queimaduras nas mãos. 

Uma das passagens do livro tem a ver com uma visita de Sebastian Vettel ao hospital no dia seguinte à corrida, para ver o seu estado de saúde. 

"Na segunda-feira, 30 de novembro, alguém chegou muito cedo e de uma forma bastante inesperada: Sebastian Vettel. Ele estava preocupado comigo. Seb é provavelmente o piloto de quem me sinto mais próximo. Ele está a viver a mesma vida que eu com os seus três filhos e quer proteger essa vida tanto quanto possível. Quando lhe disse que queria correr na última corrida, ele disse: ‘Não, tens de ir para casa e descansar!' Expliquei-lhe que era o fim da minha carreira e que não queria terminar desta forma”.

Grosjean pode não ter tido a oportunidade de terminar a carreira na Formula 1 como queria, mas voltou a encontrar o sorriso na América, onde é uma das estrelas da Indycar. Depois de uma temporada na Dale Coyne, assinou contrato no final da temporada com a Andretti, uma das melhores estruturas da competição, o que lhe dá a possibilidade de voltar a lutar por títulos, algo que nunca fez na Formula 1.

quinta-feira, 15 de abril de 2021

O testemunho de um momento horrível


Por estes dias, o Brasil vai ver publicado mais um livro sobre Ayrton Senna. Mas não é um qualquer: tem a ver com Imola 1994. E mais do que ser do fim de semana, um dos mais horrorosos da história do automobilismo - apenas superado pelo acidente das 24 Horas de Le Mans de 1955, que matou 80 pessoas - é um momento vivido por alguém que esteve lá, e como marcou a pessoa que o escreve. 

Flávio Gomes é bem conhecido no meio automobilístico e jornalístico brasileiro. Colaborador em jornais e rádios por lá, desde o Estado de São Paulo à Rádio Jovem Pan, passando pela Fox Sports, colecionador de automóveis estranhos - tem Ladas, Trabants e um Renault Twingo vermelho maracujá que comprou no fim de semana a seguir a Imola! - agora foi para o Youtube e tem o seu canal que deu o nome de "Bem, Merdinhas!", mostrando que não tem papas na língua.

O título é "Imola 1994", e vem acompanhado pelo subtítulo "A trajetoria de um repórter até ao acidente que chocou o mundo", um acidente que, bem vistas as coisas, vai fazer 27 anos daqui a duas semanas, no sábado do GP de Portugal deste ano. A capa está ali em cima, tem de se ver como se pode adquirir a partir do estrangeiro...

Mas escrevo isto por causa de uma parte do livro que o Fábio Seixas mostrou na sua coluna no site UOL.com.br. E acho bem divertida e que mostra uma faceta do piloto brasileiro, mostrando que após estes anos todos, ainda há perolas que merecem ser reveladas.

Aqui vem a história:

"Senna odiava que encostassem nele. E quando aparecia algum cabra vestindo camiseta da seleção ou boné do Banco Nacional, ou ambos, enrolado numa bandeira do Brasil, era batata. O cara tentava um contato físico, queria passar o braço em torno de seus ombros, falava alto e espalhava perdigotos miseráveis. Esses personagens brotavam do chão. E, em algumas corridas, eram muito numerosos. 

O GP de Portugal, no Estoril, era especialmente dramático nesse particular. Apareciam torcedores brasileiros de todos os cantos, e eles partiam para cima de Senna com enorme desenvoltura e atrevimento. Faziam questão de conversar com o piloto, mostrar como conheciam sua carreira, demonstrar familiaridade com o tema e obter dois troféus: um autógrafo e uma foto.

Profissional compenetrado e obcecado pelo trabalho, Senna se incomodava muito com essas pessoas, especialmente quando partiam para as vias de fato - o famoso abraço para a foto. Não existiam ainda as selfies, e o fã desembestado, quando vislumbrava a chance, sacava de sua máquina fotográfica e entregava a quem estivesse por perto para registrar o momento histórico. Depois que revelasse a foto, mandaria ampliar e emoldurar para colocar num porta-retrato na mesa de trabalho, ou na parede às suas costas.

Quis o destino de uma pobre alma dessas que quem estivesse por perto de Senna no momento da aproximação infrene fosse eu, naquele fim de semana ensolarado de setembro de 1991 no Estoril. Conversávamos rapidamente enquanto caminhávamos para o motorhome, estava tirando alguma dúvida sobre alguma bobagem do carro, nada muito importante, quando o cidadão apalermado se achegou aos gritos e foi agarrando o piloto sem se importar minimamente com a interrupção do diálogo alheio, enquanto me entregava uma câmera que parecia cara e sofisticada. "Bate uma foto aí!", ordenou, sem se importar com o nítido desconforto do ídolo.

Peguei a máquina, simulei a correção do foco e fiz a foto. Mas na hora do enquadramento, desviei o equipamento ligeiramente para a direita, de modo que fosse registrado apenas o parvo abobalhado, tirando Senna da imagem. "Mais uma, mais uma se der problema na hora de revelar!", exigiu o pascácio aos berros, e no segundo clique abaixei a lente de maneira impercetível e tirei a foto dos pés dos dois personagens. Devolvi a câmera, ele a recolheu sem agradecer, falou mais alguma besteira descartável para Senna, deu-lhe um tapa nas costas - algo que ele só não odiava mais do que ser ultrapassado na pista - e seguiu seu caminho exultante, já imaginando a inveja que causaria nos amigos quando chegasse ao Brasil e mandasse revelar o filme.

"Folgado do caralho", Ayrton resmungou quando o estulto se afastou vibrando como se tivesse marcado um gol. "Esse aí vai me odiar para o resto da vida quando mandar revelar as fotos", respondi. "O que que você fez?", Senna perguntou, já antevendo a patifaria. "Primeiro tirei uma foto só dele. Depois, do joelho para baixo."

Poucas vezes vi Senna se divertir tanto. "Você não fez isso!", falou, quase gargalhando. "Lógico que fiz, puta mala, o cara não vê que estamos conversando? Interrompe os outros, não pede licença, não diz por favor, vai se foder!" E ele rindo: "Nossa, baixinho, como você é filho da puta!"

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

No Nobres do Grid deste mês...

No passado dia 21 de novembro, fui enfim a uma sala de cinema na cidade onde moro para poder ver "Le Mans'66, o Duelo", ou "Ford vs Ferrari". O filme, realizado por James Mangold, tem Christian Bale no papel de Ken Miles, e Matt Damon no de Carrol Shelby, o homem que fez os Cobra e apimentou o Mustang, que o chamou de "carro de secretária", quando foi apresentado ao bólido que iria marcar uma geração.

Mas o bólido que domina o filme é o GT40, o carro que tem esse nome por causa da sua distância ao chão - 40 polegadas - e porque é o resultado de um desafio lançado por Enzo Ferrari, quando Henry Ford II quis comprar a Scuderia, e o Commendatore diz não, depois de ver as condições que apresentavam no seu contrato.

(...)

Para além disso, a história também seria uma história americana. De quando eles eram os "underdogs" e bateram uma equipa europeia dominante, no seu próprio quintal, na Europa. E em 1966, a prova com mais prestígio eram as 24 Horas de Le Mans, ainda antes da Formula 1 tomar conta das antenas e as mentes dos fãs do mundo inteiro. Não se vê a história do lado da Ferrari, é por isso que não se vê um dos pilotos mais importantes da altura, o britânico John Surtees.

(...)

E é isso o que este filme se trata: a relação humana entre duas personagens que tiveram carreiras no automobilismo, e que fizeram parte de uma das maiores aventuras automobilísticas, numa altura em que o céu era o limite. Nos anos 60, queriam ir á Lua e ter os carros mais potentes de estrada. Há uma cena onde Lee Iaccoca fala sobre isso numa reunião da Ford, que começa com "Sabem o que fizeram os nossos homens quando voltaram da guerra? Fizeram bebés. E agora eles chegam ao final da adolescência com dinheiro no bolso para comparar carros velozes". É essa a essência do filme: capturar um tempo despreocupado que não volta mais. (...)

Este foi o mês em que lançaram "Ford vs Ferrari", o filme de James Mangold, o segundo filme "hollywoodiano" sobre automobilismo em menos de uma década. Era um filme antecipado por muitos que aproveitaram para ver o filme assim que puderam. E como disse ali em cima, saí da sala completamente satisfeito por assistir a um bom filme, apesar de saber que seria uma história americana, com um argumento hollywoodiano, e que não estragou muito a história real. e sendo uma história americana, fixou-se na relação entre duas pessoas que ajudaram muito na concretização do objetivo: Carrol Shelby, antigo piloto e depois construtor, e Ken Miles, um britãnico que emigrou para a California e ajudou a desenvolver os GT40 até morrer, num acidente de testes em agosto de 1966, a testar a versão J do GT40.

Nesse campo, o filme foi excelente, e ambos os atores fizeram bem os seus papéis, bem como alguns dos secundários. Desconhece-se se irá entrar na corrida para os prémios da Academia, os Óscares, mas há quem garanta que sim. Isso só veremos no inicio do ano que vêm.

Para ler o resto, sigam o link para o Nobres do Grid

quarta-feira, 1 de maio de 2019

A imagem do dia

Pessoalmente, nem queria escrever nada sobre este dia. Já fartei de escrever ao longo dos anos que tenho este blog. Acho que quando escrevi a série de artigos sobre o fim de semana de Imola, há dez anos, tinha escrito tudo o que tinha a escrever sobre isso, e tudo o que viria depois seria supérfluo. Confesso que estou cansado sobre esse dia, mas é algo do qual tenho de suportar. Não é uma dor privada, milhões viram isso, e esses milhões, nos dias das redes sociais, têm de falar publicamente sobre esse dia. São variações do mesmo, mas são testemunhos pessoais e temos de respeitar isso. Incluindo as "viuvas" e as "anti-viuvas".

A primeira razão porque não queria escrever sobre esse dia é porque não tinha nada mais para acrescentar. Mas ontem à noite, quando lia sobre o que acabei por batizar de "Os Três Dias de Imola", há precisamente dez anos, reli esta parte: 

"Quando assisti pela primeira vez ao minuto e meio que seguiu entre o recomeço da corrida e o impacto de Senna na (falsa) Curva Tamburello, veio à minha mente outro evento que tinha visto oito anos antes: a explosão do vaivém Challenger, a 28 de Janeiro de 1986. Ambos os eventos têm o seu paralelismo: foram transmitidos em directo, perante milhões de pessoas pelo mundo inteiro. E as câmaras captaram os momentos do impacto. E ver um desastre a acontecer, nessa altura (e tive a mesma sensação sete anos mais tarde, quando dos eventos do 11 de Setembro de 2001), fica-se com uma sensação estranha de que tudo está a acontecer, és testemunha, mas não podes fazer nada. Sentes-te impotente, é só."

De uma certa maneira, a razão porque todos temos de falar sobre isto, vezes sem conta, está bem sintetizado neste parágrafo. Todos temos um evento traumático que vai marcar a tua vida. Todos vamos saber onde estávamos quando tudo isto aconteceu, quando perdemos a inocência, digamos assim. A geração anterior fala disso quando mataram o John F. Kennedy, em 1963, e se calhar muitos ainda te dizem onde estavam quando os aviões bateram nas Torres Gémeas, naquela terça-feira de setembro.

Hoje, está um dia sem nuvens. É isso que me lembro, quando se fala desse dia. Acho irónico, porque certo dia, Alfred Hitchcock, quando lhe perguntaram qual era a sua definição de felicidade, respondeu que era "um horizonte sem nuvens". E era precisamente esse céu sem nuvens que pairava nas cabeças daqueles que estavam em Imola e Nova Iorque, naqueles dias que mudaram os mundos de tanta gente. Para mim, se os "primeiros de maio" calham com um tempo desses, então, lembro-me de 1994.

Mas depois, lembrei-me de outra coisa. Eu escrevi um livro de ficção sobre esse tempo. Não é um livro sobre ele. É um livro sobre o meu tempo, embora não seja uma biografia. Garotos de 17 anos, a idade que tinha nessa altura, que terminavam o liceu e queriam ir para a Universidade, que viveram esse tempo, e passaram as coisas que passaram nesse ano. E foi um ano do qual não houve só isto. Tenho livros sobre outros eventos que passaram nessa altura, como por exemplo, o genocídio do Ruanda. E o suícidio do Kurt Cobain. E o cerco a Sarajevo. E as primeiras eleições multiraciais na África do Sul, etc, etc...

Não me lembro durante quanto tempo andei a escrever, só sei quando é que acabei. Foi a um 31 de julho, e menos de um ano depois, publiquei-o. Gostei, tenho algum orgulho de o ter escrito, mas não o fiz com o título em mente. Fiz mais para recordar aquele tempo, porque para mim, é a única coisa original que tenho para falar sobre esse dia e esse tempo. Em relação ao resto, é um "chover no molhado". Mas entendo as razões. Não posso fazer disto uma dor privada. Disto, não se pode. E sei que as dores dos outros podem ser insuportáveis, mas tenho de aceitar e a atitude do "esperar que a tempestade passe". Afinal de contas, se acontece isso com os saudosistas do Jim Clark, porque teria de ser diferente com Ayrton Senna? 

Enfim, no final, a única coisa que posso dizer é que fiz disto algo criativo. E não foi sobre ele, foi sobre o tempo dele, sobre garotos da minha idade que crescerem nesse tempo. Se quiserem voltar a ler (para os que têm, claro) ou estiverem curiosos e quiserem ler, o link para o comprar pela Amazon está aqui

E pronto, a vida continua. É um dia que pertence à História, que vai ressoar, não pelos anos, mas sim pelos milénios. E esta geração está a fazer tudo por isso.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Kimi Raikkonen, esse desconhecido

Neste verão, em terras finlandesas, um dos livros do momento é uma biografia. E não é um qualquer, pois falamos de Kimi Raikkonen. Carismático, quando (quase) nunca abre a boca, conhecido por dar respostas lacónicas aos jornalistas, no inicio da sua carreira era conhecido pelos seus excessos etílicos, mas isso nunca o interferiu na sua carreira. Pilotando desde 2001 - com uma interrupção entre 2010 e 2012, onde foi para o WRC - Raikkonen sentou-se com o jornalista Kari Hotakainen em 2017 para escrever sobre a pessoa, em vez do piloto.

O resultado é interessante. Depois de cem mil cópias vendidas no primeiro mês, na Finlândia, o livro foi traduzido para inglês e vai ser lançado no próximo dia 18 de outubro, um dia depois do 39º aniversário do piloto finlandês. E nas 320 páginas dessa biografia, já se sabem alguns pormenores. Bebe muito - um dos episódios que se fala é que em 2012, bebeu dezasseis dias seguidos entre o Bahrein e Barcelona! - e já teve problemas com a lei, especialmente num episódio onde dormiu num tapete rolante de um aeroporto, depois de um vôo particularmente extenuante.

Para além disso, é disléxico e tem asma. Nunca atende o telefone quando está em casa - pede sempre a mulher para o fazer - e o seu pai teve mais que um emprego para pagar a carreira de Kimi no karting. Há muitas fotos inéditas, vindas do seu álbum de fotografias, particularmente da sua infância e juventude.

As criticas sobre este livro na Finlândia são boas. Os leitores destacam que é um relato honesto do piloto, o seu lado íntimo e familiar, e não se fala muito sobre a sua carreira na Formula 1 ou nos ralis. O que interessa é o que faz quando pendura o capacete e está na lareira da sua casa, ou na sua sauna. O grande problema, para alguns dos leitores, é o livro ser... muito curto. Há quem tenha gostado do estilo de escrita, e há quem diga que depois de ler isto, seriam capazes de convidar Kimi para tomar uma cerveja no bar mais próximo.

Contudo, falta muito para se saber se é um livro que vale a pena, e para isso temos de esperar um pouco, para a versão inglesa. Provavelmente, vai ser um livro para pedir no Natal.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Youtube Motoring Book: Um livro especial sobre a Ferrari


No dia em que passam trinta anos sobre a morte de Enzo Ferrari, não seria de mau tom se mostrasse um livro da editora Taschen sobre desenhos do motor V12, icónico da marca, cujo autor é Marc Newson.

E coisa interessante disto tudo é... limitadíssimo. E muito, mas muito caro. 25 mil euros muito caro. Custa um carro de médio porte! Mas para pagar isso, terá em troca uma caixa de alumínio e respectivo suporte. 

E para além dos desenhos, o livro também contem centenas de fotos vindos dos arquivos da Ferrari e de coleccionadores privados. Tudo isso para contar a historia completa dos principais protagonistas e claro, as vitorias da marca italiana. Vão ser editados 1947 exemplares - simbolizando o ano da fundação da marca de Maranello - 250 dos quais vão ser desta edição, e que irão para clientes especiais e museus. Os restantes exemplares valem mais barato: "apenas" cinco mil euros.

Todos esses exemplares serão assinados por Piero Lardi Ferrari, mas os 250 de luxo terão também as assinaturas de John Elkann e de Sergio Marchionne, feitas tempos antes de ele morrer, no mês passado.

quinta-feira, 3 de março de 2016

A vida dele vai dar... uma banda desenhada!

Este ano comemoram-se os 45 anos da morte de Jo Siffert, e também o seu 80º aniversário natalício. Piloto versátil, o suíço pode ter ganho apenas duas corridas na Formula 1, mas foi um dos melhores pilotos da Endurance do seu tempo, onde apesar de ter sido vencedor em Daytona e Sebring, e ajudado a Porsche a ser vencedor na Endurance em 1971, com o mexicano Pedro Rodriguez, não ganhou as 24 Horas de Le Mans.

Em 2006, ele foi o sujeito de um documentário feito por Men Lareida, "Live Fast, Die Young", mas dez anos depois, ele será o sujeito de uma banda desenhada. Desenhado por Olivier Marin, vai estar à venda a partir do dia 22 de junho em paragens francesas. 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

"The Limit" vai dar série de televisão

Parece que Hollywood está a olhar para o automobilismo com "olhos de ver". Depois do sucesso de "Rush" e a noticia de que "Go Like Hell" está na fase de pré-produção, o "Hollywood Reporter" afirma que Patrick Dempsey, o famoso "McDreamy" de "Anatomia de Grey" e notório "petrolhead" irá produzir uma mini-serie de quatro episódios baseado no livro "The Limit", do escritor Michael Cannell, baseado na história do duelo entre Phil Hill e Volfgang Von Trips, no Mundial de Formula 1 de 1961 e a sua relação dentro da Ferrari.

A série, que ainda não têm data de arranque, irá passar no canal Sundance TV entre meados e finais de 2015, e ainda está na fase de arranque. Contudo, ele será o produtor executivo dessa série, dado o seu amor pelo automobilismo. E não será a unica coisa que irá produzir, pois ele estará presente na "Arte de Correr na Chuva", baseado também num livro de 2008 sobre a história de um piloto, contado na perspectiva... de um cão. 

terça-feira, 22 de abril de 2014

A Paixão de Senna, em entrevista

A entrevista aconteceu na passada sexta-feira, mas foi hoje, dia 22 de abril, que foi lançado nas livrarias um pouco por todo este Portugal o livro "A Paixão de Senna", do jornalista Rui Pelejão. Nesta entrevista feita ao Gonçalo Sousa Cabral, ele fala sobre as razões pelos quais escreveu o livro, e dar sobre ele uma perspectiva mais portuguesa, com os seus amigos, e que teve sempre um lugar especial no seu coração.

Para ouvir a entrevista, podem seguir este link

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A Paixão de Senna

O Rui Pelejão é um jornalista português que aproveitou a ocasião do vigésimo aniversário da morte de Ayrton Senna para escrever o seu primeiro livro. De seu título "A Paixão de Senna", fala sobre o piloto que gostava de Portugal - e as melhores provas disso era a casa dele na Quinta do Lago, por exemplo - e o que significou na sua vida (ele dedica ao seu pai, "que me levou às cavalitas para ver o Senna correr") e no que influenciou na sua maneira de ser.

Eis um excerto:

"O meu livro "A Paixão de Senna" editado pela Oficina do Livro não é uma biografia - há outras melhores e mais completas - não é uma hagiografia do ídolo, não é um romance. É a história de um homem que marcou o seu tempo e uma história daquele tempo que também marcou as nossas vidas.

Para mim, além de ser o meu primeiro livro, "A Paixão de Senna" é também um tour de force, uma maratona-sprint que me permitiu uma viagem emocional e emocionante. Se conseguir que alguns dos leitores partilhem da emoção que foi escrever este livro, já me darei por satisfeito.

Para quem escreveu um livro sobre um homem como Ayrton Senna o máximo que posso dizer é que fiquei a gostar mais dele, como um amigo que nunca conheci, com os seus defeitos, contradições e a sua condição de deus das pistas e ser profundamente humano fora delas."

O livro estará à venda por aqui a partir do dia 22 de abril, mas pode ser encomendado pela Wook (por aqui, com isenção de portes de envio em Portugal, pelo menos) onde podem ler o primeiro capitulo. Aproveitem! 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Querem ver um livro que custa um milhão de dólares?

Já ouvi falar de livros raros e caros, mas este arrisca a bater recordes. Para já é o livro de Formula 1 mais caro de sempre, e segundo é uma edição... "Bernie Ecclestone". Têm 852 páginas, pesa 37 quilos, e têm 50 centímetros quadrados. O custo deste exemplar único? Um milhão de dólares. Leram bem: um milhão de notinhas verdes vindos da terra do "Tio Sam" para a edição assinada pelo "anãozinho tenebroso".

Claro, há edições mais acessiveis. Sem capas de aluminio, por exemplo. Esses exemplares mais acessiveis custam a módica quantia de... duzentos mil dólares.

Provavelmente muitos homens irão seguir o exemplo do senhor Mark Parisi, que irá vender um dos seus testículos por 35 mil dólares e comprar um Nissan 370Z...

Esta vi no WTF1.co.uk

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Contar as memórias de forma diferente

Depois de no inicio do ano, Adam Parr ter ido embora da Williams, após cinco anos de permanência, não se ouviu nada sobre ele. Até agora. O Joe Saward fala hoje no seu blog que o ex-diretor decidiu escrever um livro sobre a sua passagem pela Formula 1. Mas não da forma normal. Na realidade, decidiu fazer em banda desenhada. E deu um nome muito interessante: "A Arte da Guerra", tal como o título do mítico livro da Sun Tzu.

No site onde é apresentado este livro (adamparr.net), o autor explica a razão pelo qual fez este livro, desta forma:

"Escrevi este livro para as pessoas interessadas na Formula 1 - todas as pessoas que como eu, passaram grande parte da sua carreira noutros trabalhos. A competição faz parte do nosso mundo. Formula Um é simplesmente uma competição que vai para além de imensas lógicas e do qual é jogado em frente de 500 milhões de pessoas. A estratégia é navegar no meio das negociatas e nas politicas da Formula Um da mesma forma como se combinam as estratégias a cada final de semana de cada corrida."  

"Neste livro tento mostrar tudo aquilo que acontece nos bastidores da maneira como vi, nos meus cinco anos que estive neste desporto. Decidi escrever o meu livro como uma novela gráfica porque para mim, isto tudo foi um mundo muito visual e muito tangível e do qual foi, acima de tudo, sobre pessoas e entretenimento. É apenas uma perspectiva, mas - espero eu - uma perspectiva diferente."

O livro está desenhado de forma interessante: está em preto e branco, com um ocasional traço a tinta vermelha. Paul Tinker é o autor dessas ilustrações. Para além disso, há um prefacio escrito por Max Mosley, o ex-presidente da FIA.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Go Like Hell - o filme

Estava a falar esta tarde com um amigo meu sobre Carrol Shelby - ele adora tudo que seja motor Cosworth e os muscle cars - quando começamos a falar sobre o "Go Like Hell", o livro de A.J. Baime que fala sobre a luta entre Ford e Ferrari pelo dominio na Endurance, mais concretamente nas 24 Horas de Le Mans. Disse que tinha a versão portuguesa do livro, e que se falava sobre a possibilidade de um filme.

No meio disto tudo, fui pesquisar e descobri umas coisas. Vai haver um filme, produzido pela Fox e já tem reralizador escolhido: Michael Mann, o homem que fez "Miami Vice", quer a série televisiva, quer o filme, e realizou filmes como "Heat", "Ali" e "Entre Inimigos". Contudo, o projeto de "Go Like Hell" está congelado por estes dias devido ao facto de "Rush", o filme de Ron Howard sobre o campeonato do mundo de 1976, estar neste momento a ser filmado. Provavelmente, só depois desse filme for feito e com uma eventual reação do público, provavelmente no final deste ano ou inicio de 2013, é que o projeto poderá - ou não - avançar.

Como se esperava, o sucesso de "Senna" nos cinemas de todo o mundo faz com que Hollywood se interessasse nas histórias que o automobilismo têm e construiu ao longo dos anos. E que não tenham dúvidas: existem muitas e excelentes histórias. E espero que nos anos que seguirem possamos ver alguns desses projetos concretizarem-se.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Noticias: "The Limit" vai ser adaptado ao cinema

Um dos livros que tenho de comprar em 2012 é o "The Limit", do Michael Cannell, que escreve sobre a temporada de 1961 e do duelo entre os dois pilotos da Ferrari, o americano Phil Hill e o nobre alemão Wolfgang Von Trips, do qual, como todos sabem, acabou na pista de Monza quando o Von Trips sofreu o seu acidente fatal, dando o título a Hill, o primeiro de um americano na história da Formula 1.

Ora, Cannell foi entrevistado para o blog "My Book, The Movie", sobre como seria e quem gostaria que interpretassem as personagens do seu livro. E a resposta foi surpreendente:

"Acreditem ou não, vendi os direitos do livro para Hollywood ainda antes de escrever a minha primeira frase. Foi por acaso, pura sorte... havia outro livro sobre uma competição do meio do século que iria em breve ser publicado [provavelmente o "Go Like Hell", sobre a luta Ferrari-Ford em Le Mans] e que tinha vendido os seus direitos a Hollywood. O meu agente conseguiu vender os direitos cinematográficos do "The Limit" no sentido de evitar que esse projeto rival não avançasse muito. Em suma, eram dois livros sobre corridas que estavam a ter a sua própria competição." começou por dizer.

"A Columbia Pictures adquiriu os direitos do "The Limit", com o compromisso de que Tobey Maguire iria fazer o papel de Phil Hill, o simpático mecânico de Santa Mónica que iria vencer o Mundial de Formula 1. Aparentemente, os executivos ficaram impressionados com a semelhança fisica entre Maguire e Hill, embora eu francamente não veja assim grandes semelhanças... Recentemente, soube que a Columbia decidiu prescindir desses direitos, portanto, agora tudo é possivel. De uma certa forma foi uma lição de como é que as coisas funcionam em Hollywood.

"Em dezembro, Maguire vai aparecer nos cinemas na adaptação do "The Great Gatsby", de Scott Fitzgerald, ao lado de Leonardo DiCaprio. Naturalmente, desejaria ver os dois a repetirem o mesmo trabalho no "The Limit", com di Caprio a fazer o papel do Conde Von Trips.", contou.

Veremos qual vai ser o estúdio que pegará no livro e o adaptará a Hollywood.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Youtube F1 Classic: The Limit, o livro sobre a temporada de 1961



Falta mês e meio para o Natal e, claro, comecemos a pensar em prendas para a ocasião. Eis algo intereressante para comprarem e lerem, e do qual falei durante algum tempo: "The Limit", o livro de Michael Cannell sobre o campeonato do mundo de 1961, entre Phil Hill e Wolfgang von Trips, e que teve o seu auge a 10 de setembro desse ano, num dos piores acidentes da história do automobilismo, matando von Trips e mais treze pessoas no Autódromo de Monza.

Hoje coloco aqui o trailer de apresentação desse livro. Acho que deve valer a pena.