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quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

A(s) image(ns) do dia




Confesso não ser tão fã de motociclismo quanto de automobilismo. Mas sei de muitas estórias que acho valer contar por aqui, e do qual espero contar aqui num futuro próximo ou distante. Hoje conto a de um talento que espantou muitos, quer na MotoGP, quer nas Superbikes, mas que a sua personalidade auto-destruidora descarrilou-o ao ponto de cair fundo, muito fundo. 

Creio que a certa altura, alguém que goste das duas rodas tenha ouvido o nome de Anthony Gobert. Australiano com enorme talento, a sua chegada ao motociclismo espantou a todos. Nascido a 5 de março de 1975, em Greencare, na Nova Gales do Sul australiana, Gobert começou a andar no motociclismo local até que no final de 1994, com 19 anos, recebeu um "wild card" na ronda de Phillip Island do Mundial de Superbikes. E com essa máquina... cilindrou-os a todos, conseguindo a pole-position em ambas as mangas e ganhando uma, subindo ao pódio em outra. Espantados, a Kawasaki deu-lhe um contrato a tempo inteiro para correr com eles, acabando na quarta posição da geral, com duas vitórias e a liderança da equipa.

Em 1996, apesar de ter falhado parcialmente a temporada por causa de uma queda em Sentul, na Indonésia, foi oitavo classificado, com três vitórias, duas delas em Phillip Island. Aliás, das oito participações na corrida australiana, ganhou cinco, com quatro pole-positions. 

Ele era tão bom que começaram a chamar de "The Go Show". E no ano seguinte, conseguiu algo fantástico quando assinou pela Suzuki oficial, em substituição de Scott Russell. Curiosamente, o mesmo piloto que substituiu na Kawasaki, dois anos antes. E ia correr na MotoGP logo na classe principal, as 500cc!

Mas as coisas começaram mal, quando uma queda fraturou o seu ombro e ficou de fora nas duas corridas seguintes. Regressou a Itália, com um modesto 13º posto, e parecia que iria ser modesto, aparte um sétimo posto na Áustria. Contudo, depois de um 12º lugar no GP da República Checa, Gobert falha um teste de drogas e é despedido da equipa. Alegadamente, tinha sido detetada cannabis.

Em 1998, foi para os Estados Unidos, onde esteve no campeonato americano AMA de Superbike, e regressou ao mundial no ano 2000, depois de ter passado no Mundial de Motociclismo pela MuZ Weber, conseguindo seis pontos. E ainda esteve na Modenas, onde conseguiu um ponto. 

Nesse ano de 2000, andou pela Bimota, conseguindo a sua última vitória na Austrália, antes da equipa fechar portas devido à falta de dinheiro. A partir daqui, as coisas foram fugazes até 2006, altura em que regressou à Austrália. Ali, começou a aparecer nas noticias por outros motivos, mais sinistros. Um roubo a um idoso - 40 dólares - e o roubo a uma carteira a uma senhora o levou ao tribunal de Surfers Paradise, onde ali foi condenado a uma multa, e apresentações periódicas às autoridades policiais. Na altura, ele tinha 33 anos, e uma sombra de ele mesmo. 

E claro, "The Go Show" tinha sido esquecido pelo mundo. O que não se sabia era que lutava contra os seus fantasmas. Era um sem-abrigo, refugiava-se na heroína - aparentemente, a sua namorada de longa data tinha morrido - e entrava e saía da prisão, anonimamente. Um dia, em junho de 2019, entrou numa briga com algumas pessoas num restaurante e foi expulso. Ele foi para casa, mas essas pessoas perseguiram-no e espancaram com tacos de basebol ao ponto de ficar em coma e irreconhecível. Só quando acordou é que conseguiu contactar a família, nomeadamente o irmão, seis anos mais novo que ele. 

Mas depois, desapareceu. Aaron Gobert, o irmão, voltou a localizá-lo dois anos depois, e escreveu o seguinte no Facebook sobre a sua reunião familiar: 

"Estou sentado no sofá com o 'Go Show'. Encontrei-o. Tivemos a nossa primeira conversa em dez anos. Ele manda um agradecimento e diz que tem saudades vossas e que vos adora. Vou fazer o meu melhor para descobrir o que o Anthony quer. Depois, verei se o posso ajudar. Preciso de lhe arranjar um sítio seguro para viver. Depois, temos de arranjar ajuda de um advogado e ajudá-lo. As histórias que o Anthony me contou são as mais difíceis que já ouvi. Ele deixou as drogas e passou o seu aniversário sozinho - esteve completamente sozinho durante seis anos". 

Nos dois anos seguintes, depois de um apelo para arranjar fundos através do site GoFundMe, ficou definitivamente sóbrio e rumou a Sydney para morar juntamente com o irmão. 

Contudo, os anos de consumos e outos abusos deixaram marcas profundas. No inicio deste ano, o seu irmão voltou à sua página do Facebook para anunciar que ele estava em cuidados paliativos. Nesta quarta-feira, dia 17, Gobert morreu, apenas com 47 anos de idade, na Gold Coast australiana. "The Go Show" passou à história, esperando que, por fim, os seus demónios estejam definitivamente apaziguados.    

domingo, 3 de setembro de 2023

A imagem do dia


Quase ao mesmo tempo do GP de Itália, em Monza, não muito longe, em Barcelona, acontecia o GP da Catalunha de MotoGP. E se no primeiro caso, a partida foi sem história - aparte a largada abortada por causa do carro de Yuki Tsunoda, parado na berma na volta de aquecimento - no segundo caso, foi bem diferente. Três pilotos caíram na primeira curva, e na frente, Francesco "Pecco" Bagnaia caiu com estrondo, depois de ser cuspido da sua Ducati, e ficou no meio da pista, sendo atropelado pelo KTM de Brad Binder. 

Temeu-se o pior, numa grave lesão, mas depois de ser assistido no centro médico do circuito, um comunicado afirmou que “nada de grave se detetou nos dois pilotos”.

"O Francesco [Bagnaia] teve um politrauma grave, uma moto atropelou-o na região femoral e tibial. Fizemos radiografias e detetámos uma pequena lesão que não sabemos se é atual ou antiga", explicou o médico Angel Charte, referindo que a necessidade de uma TAC fez encaminhar o piloto para o hospital.

"A nível craniano, torácico e abdominal, esteve sempre normal. Estava consciente e orientado", disse o mesmo responsável médico ao canal DAZN. Outro dos pilotos que caiu na primeira curva, o italiano Enea Bastianini, sofreu uma fratura no tornozelo esquerdo e no segundo metacarpo da mão esquerda. Será operado nos próximos dias.

A corrida foi neutralizada com bandeira vermelha, e mais tarde, nova partida, acabando com a vitória de Aleix Espagaró, num pódio cem por cento espanhol, completado por Maverick Viñales e Jorge Martin. Miguel Oliveira foi quinto.  

O motociclismo é, em muitos aspectos, uma atividade ainda mais arriscada que o automobilismo. Há maior risco de quedas, e dependendo de como caem, uma ocasião como a da partida, os pilotos estão mais expostos a lesões graves. Na semana passada, no Brasil, dois pilotos morreram depois de uma queda ter atingido o piloto que caiu e ficou indefeso perante um pelotão que o tentava evitar no meio da pista, não evitando o impacto de outro piloto, que o atingiu em cheio e ficou inconsciente no local. Apesar dos socorros dos médicos, paramédicos e enfermeiros, ambos os pilotos acabaram por morrer. 

A velocidade, seja em duas ou quatro rodas, é excitante. É verdade que os pilotos nas suas rodas estão mais expostas que as de quatro, mas o momento do acidente é aquele onde a nossa respiração fica em suspenso, onde rezamos pelo melhor, mas tememos pelo pior.   

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Apreciação critica de "Next Level"


Algumas semanas depois de ter lido a biografia de Lewis Hamilton, caiu nas minhas mãos outra, do piloto português Miguel Oliveira, o primeiro a alcançar o MotoGP. Da autoria de Edite Dias, tem imensas entrevistas com muitos dos que ajudaram a levá-lo até ao estrelato, desde o seu pai, Paulo Oliveira, até gente no meio da MotoGP, entre eles Jorge Viegas, o presidente da FIM, a Federação Internacional de Motociclismo, ao conselheiro Domingos Piedade, antigo manager de pilotos e o diretor do Autódromo do Estoril.    

Ao contrário de "Furacão Hamilton", do qual falei aqui há uns dias, este livro até está melhor estruturado. Primeiro, porque queriam fazer em 44 capítulos - simbólico do número que ele usava na carenagem - e segundo, todos sabiam que era um resumo até ao ano que iria marcar a sua carreira, quando ele passou para a MotoGP. A colaboração que ele e a família deram ao livro, sem dúvida, um ar de legitimidade, e de autenticidade ao seu conteúdo, e claro, enriquecer o leitor com histórias sobre a sua ascensão até à categoria-rainha das suas rodas.

E ao longo das páginas, é isso que olhamos: um piloto, filho de piloto, que se apaixona pelas motos e estabelece uma carreira, determinado em ser dos melhores na sua área. Um caminho nada fácil, com obstáculos, mas com finais felizes, ganhando corridas, lutando por campeonatos, sabendo que é um dos desbravadores de um percurso, que acabou por ser o primeiro português a chegar à MotoGP e a lutar por títulos. E pelo meio, a ganhar o respeito dos seus pares e dos que trabalharam com ele. 

Ao contrário das criticas que tenho ao livro do Hamilton, que é incompleto, aqui a autora teve o bom senso de balizar a carreira do piloto num ponto. Este pode ser considerado a primeira parte da sua biografia. E a colaboração do piloto e da sua família também foi importante no meio disto tudo, logo, o leitor entendeu que isto é a história de um percurso, com altos e baixos, que teve um final feliz, porque afinal de contas, conseguiu chegar ao seu objetivo: ser o primeiro português a chegar à MotoGP. E quem lê isto em 2023, sabe que ele já conseguiu vitórias nessa classe-rainha.   

De resto, é uma leitura fácil e agradável para o verão que acabou de chegar. Lê-se em meia dúzia de dias, e tenho a certeza que haverá um segundo livro, do qual espero que seja totalmente dedicada a sua carreira no MotoGP.  

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Noticias: Miguel Oliveira elogia asfalto de Portimão


A cerca de duas semanas e meia do GP de Portugal, o Autódromo de Portimão tem nova capa de asfalto, e quem já usou, não foram os pilotos de automóveis, mas os.. de motos. Na apresentação dos testes de MotoGP, o local Miguel Oliveira não parou de elogiar a pista, que também será usada daqui a mês e meio, para a última prova da temporada de motos.

"Está mel! Fantástico! Nunca pensei que a pista estivesse tão boa dado o pouco tempo de ‘cura’ que o asfalto ainda tem. Os ressaltos desapareceram…está mesmo espetacular. Estou desejoso de voltar aqui em novembro com a minha KTM para a última prova do ano.", referiu. 

São boas noticias para os que vêm aí nos próximos tempos para experimentar a pista, mas o teste decisivo será quando os pilotos do atual pelotão forem experimentar.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

No Nobres do Grid deste mês...


Escrevo isto um dia depois de assistir à final da Liga dos Campeões de futebol. Claro, não vi quase nada porque calhou no mesmo dia de umas 500 Milhas de Indianápolis disputada perante bancadas vazias, triste exemplo de uma pandemia em que vivemos. E a mesma coisa reparei no maior jogo de futebol clubistico da Europa, que se disputou em Lisboa.

Mas na realidade, isso não era para acontecer. Originalmente, iria ser noutro lugar. A pandemia obrigou a se mudar para outro lugar, e a UEFA escolheu Lisboa porque era um lugar periférico e porque a pandemia tinha sido controlada. Tinham garantido lugares vazios e um controle sanitário impecável, e foi o que aconteceu. Mesmo os casos entre jogadores foram raros e aconteceram antes de eles rumarem à capital portuguesa, logo ficaram nos seus lugares de origem e em isolamento.

Isso é um exemplo de muitos eventos desportivos que aconteceram ou vão acontecer este ano. Por causa da pandemia, Portugal irá receber a Formula 1, e a MotoGP. Esta última será a prova de encerramento do campeonato, a 22 de novembro, quatro semanas depois da visita da Formula 1 ao país, e provavelmente com duas coisas: público nas bancadas e um dos seus candidato ao título. É que Miguel Oliveira, piloto da KTM, venceu a sua primeira corrida na classe raínha no passado dia 23 de agosto no Red Bull Ring, palco do GP da Styria. E com Marc Marquez fora de combate, o título está aberto e poderá vencer o mais regular. E o piloto de 25 anos tornou-se num sério candidato.

Mas não é só isso. Como sabem, a Formula 1 regressará a 25 de outubro, no Autódromo de Portimão, e prometem que será aberto ao público, com cerca de 50 mil bilhetes vendidos, para assegurar um distanciamento social seguro. Mas o preço a pagar foi irrisório, apenas a nova camada de asfalto que custará cerca de um milhão de euros e demorará dez dias para ser colocado, pronto para receber as duas e quatro rodas. E a prova da MotoGP acontece porque desde há algum tempo que a Dorna e a FIM, Federação Internacional de Motociclismo, tinham combinado que Portimão iria ser uma substituta caso alguma prova caisse no calendário. E a FIM é neste momento liderada por um português Jorge Viegas de seu nome.

Grande ironia: a única prova marcada inicialmente no calendário para terras portuguesas, o Rali de Portugal, que estava previsto para o final de maio, foi a única cancelada. Todas as outras provas são substitutas. O resto do mundo conhecerá um circuito que não estava prevista a sua passagem nos calendários iniciais. (...)

Nem tudo foi mau com a pandemia. É óbvio que não há gente para seguir os grande eventos, há um estado de alerta para evitar que o aumento de novos contagiados seja o mais contido possível, para que a segunda vaga seja a mais pequena e mais comprida possivel, agora que o outono e o inverno se aproximam, aqui, no hemisfério norte, mas num pa´si como Portugal, a pandemia permitiu a realização de um Grande Prémio de Formula 1 e a prova de encerramento da MotoGP, algo quer não estava nos planos iniciais, se não fosse os eventos que estamos vivendo.

E é essa a reflexão que faço, este mês, no Nobres do Grid.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

MotoGP: Portimão encerra a temporada de 2020

Esta confirmado: o MotoGP encerra a sua temporada a 22 de novembro no Autódromo do Algarve. O anuncio foi feito esta tarde em Portimão e acontecerá quase um mês depois do Grande Prémio de Formula 1, que acontecerá no mesmo local. Já se ouvia isto desde a semana passada, quando a etapa final, prevista para a Argentina, tinha sido cancelada, e o acordo entre a Dorna e a FIM tinha sido accionado, com a ideia do Autódromo português ser o primeiro substituto, em caso de alguma queda de algum circuito devido à pandemia. 

Assim sendo, o evento de hoje foi recebido com satisfação pelas autoridades.

“É um grande feito para a nossa equipa finalmente ter MotoGP na nossa pista!" começou por dizer Paulo Pinheiro, o presidente e CEO do Autódromo do Algarve. "O MotoGP é o pináculo do desporto de duas rodas, e estamos muito entusiasmados por o receber. Foi um longo processo com a Dorna, tínhamos um acordo desde 2017 e, finalmente, todo o trabalho árduo valeu a pena. Além disso, ter o Miguel Oliveira na grelha de MotoGP, poder lutar pelo pódio, será um complemento incrível para esta prova, e esperemos que o Campeonato seja decidido aqui.”, continuou.

Para Carmelo Ezpeleta, CEO da Dorna Sports, Portimão era uma grande novidade para ele e falou da longa história de Portugal no MotoGP. “É uma grande novidade para nós, assinámos um acordo em 2017 com Portimão para ser o circuito de reserva para qualquer tipo de cancelamentos, e temos estado em contacto com eles todo este tempo. Estivemos em Portimão com a Superbike e achamos que é uma possibilidade incrível para nós, e também está no acordo que a pista será reasfaltada após a ronda de Superbike. Quando explicámos isto aos pilotos, eles ficaram entusiasmados porque viram a pista na televisão, mas nunca lá estiveram.”

“Portugal tem uma longa história no nosso desporto e tem havido algumas batalhas históricas no Estoril. É algo muito bom para nós ter a possibilidade de voltar a Portugal, especialmente com Miguel Oliveira a participar, pois é ótimo ter um piloto português capaz de competir no seu próprio país. Estamos extremamente felizes por estarmos a correr em Portimão no final do ano.”

Miguel Oliveira, atual piloto da KTM, ficou contente com o anuncio da prova de encerramento do campeonato em terras algarvias. “É inacreditável, estou a delirar, é um sonho! Obviamente já lá corri duas vezes, um ano nas 125 e outro em Moto3, e é super-especial, sendo eu o único português no Mundial e agora na categoria de MotoGP, o sentimento de voltar a correr lá é muito especial…”. começou por dizer na conferencia de imprensa

“Poder regressar e correr no meu país é incrível, estou mesmo, mesmo, a antecipar o prazer, e ser a última prova ainda mais, porque posso andar ao máximo e dar tudo em frente da multidão local… esperemos que tudo corra bem, vamos preparar uma boa época para chegar lá fortes e acabar em grande! Estou pronto para conseguir um bom resultado!”, concluiu.

Paulo Pinheiro diz que tentará trabalhar para ter pelo menos 30 mil fãs no complexo algarvio durante esse final de semana, caso haja autorização da Direção Geral de Saúde e não haja algum aumento enorme de novos casos por essa altura.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Rumor do Dia: MotoGP vai encerrar o calendário em Portugal

Depois da Formula 1, a MotoGP pode estar a caminho de Portimão. Segundo conta esta tarde a Autosport portuguesa, a Dorna pode ter acertado um acordo com os organizadores do Autódromo de Portimão para acolher a 22 de novembro o GP de Portugal, um mês depois da Formula 1 passar por lá.

Apesar de não ser ainda o anuncio oficial - aparentemente, só será divulgado a 10 de agosto - já está tudo tratado, dado que desde há algum tempo que a Dorna e a FIM, a Federação Internacional de Motociclismo, chefiado por Jorge Viegas, chegaram a um acordo onde o Autódromo Internacional do Algarve será sempre uma prova de substituição desde 2020 até 2022, caso aconteça algum cancelamento no calendário. E como as corridas marcadas para a Argentina, Tailândia e Malásia foram definitivamente canceladas devido à pandemia de coronavirus, a prova portuguesa estava na primeira linha para entrar no seu lugar.

Isto poderá significar que, dadas as circunstâncias que se vivem agora, o Autódromo do Algarve poderá vir a ser palco de duas das maiores provas em duas e quatro rodas, especialmente nesta última, que conta no pelotão Miguel Oliveira, piloto da KTM. E também com a possibilidade de haver público, como vai acontecer com a Formula 1, poderá ser outro balão de oxigénio para o turismo local, afetado pela pandemia. 

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Automobilismo e o coronavirus: As atualizações do dia 9

Na atualização do automobilismo e do motociclismo devido à pandemia do coronavirus, fala-se do calendário da competições como a Formula 1 e o MotoGP, à medida que os dias avançam e em alguns países da Europa, o pior poderá já ter passado, com previsões do levantamento de algumas restrições para breve. 

Ontem, Ross Brawn falou sobre o tipo de calendário que se poderá ter depois de passada a pandemia. Numa entrevista à Sky Sports, o diretor técnico da Formula 1 disse que a FOM tem vindo a estudar opções para começar definitivamente a temporada.

“A nossa visão aponta para que, provavelmente, começar na Europa seja favorável e podendo até ser um evento sem público. Poderíamos ter um ambiente fechado, em que as equipas viajariam em charters, canalizá-las-íamos para o circuito, garantiríamos que toda gente seria testada, atestada e, dessa forma, não haveria risco para ninguém”, começou por dizer.

“Temos uma corrida sem espectadores. Não é fantástico, mas é melhor que não ter qualquer corrida. Temos de nos lembrar que há milhões de pessoas que seguem o campeonato em casa”, continuou. 

Desconhece-se que corrida é que será usada como cobaia para essa experiência inicial, pois neste momento, o GP de França é o primeiro do calendário atual, apontado para o final de junho, com o GP da Áustria, no Red Bull Ring, a seguir, na primeira semana de julho. Contudo, com o estatuto de Campeonato do Mundo da FIA, a Fórmula 1 tem de respeitar certas condições para o manter, mas Ross Brawn não considera isso um problema, estando seguro de que até Outubro o campeonato terá o seu início. 

”Oito corridas é o mínimo para podermos ter um campeonato do mundo, de acordo com os Estatutos da FIA. Podemos alcançar as oito corridas ao começar em Outubro. Portanto, se quisermos ter uma data limite, seria Outubro. Mas então, existe também a possibilidade de entrarmos no próximo ano. Isso está a ser explorado. Podemos ir até Janeiro para terminar a temporada? Há muitas complicações, como se pode imaginar”, apontou.

“Se conseguirmos começar em Julho, poderemos ter uma temporada de dezanove corridas. Seria duro – três corridas, um fim-de-semana de folga; três corridas, um fim-de-semana de folga. Olhámos para toda a logística e pensamos que poderemos ter uma temporada de dezoito ou dezanove corridas, se arrancarmos no início de Julho. A escolha é entre estes dois números [entre oito e dezanove]”.

Brawn assume que, em alguns casos, os programas oficiais poderão ser reduzidos, especialmente para facilitar as viagens. Tal solução poderá ser a necessária devido a situação em que se vive. 

“Poderemos ter algumas corridas de dois dias para alcançar as exigências logísticas. Por exemplo, a China parece que, provavelmente, terá apenas dois dias, se for avante, dado que será mais fácil desta forma chegar lá e sair para o evento seguinte”, concluiu.

Do lado da MotoGP, a Dorna, entidade organizadora da competição, afirmou que o cancelamento a temporada só aconteceria em último recurso. Com as corrida de Itália e Catalunha adiadas, agora é a prova da Alemanha, a 21 de Junho, que está marcado como a data de início provisória, embora seja provável que isso ainda mude. Agora, eles afirmam que a chance mais realista é uma competição com apenas dez provas, e por agora, o cancelamento completo está descartado.

No seu comunicado oficial, afirmou:
“A pandemia do coronavírus já resultou em revisões ao calendário de 2020 para o Campeonato do Mundo de MotoGP, incluindo o adiamento ou reagendamento de uma série de eventos. Perante a incerteza contínua, a Dorna Sports gostaria de reafirmar que as corridas são a nossa principal prioridade em 2020…”

“Na Dorna, continuamos em discussão contínua com a FIM, IRTA, MSMA e Comissão de Grand Prix, à medida que acompanhamos de perto a situação, mantendo os canais de comunicação e apoio entre cada pilar do nosso desporto o mais abertos possível. O objetivo de todas as partes envolvidas é recomeçar a correr assim que for seguro fazê-lo.”

“O nosso foco número um sempre foi, e continuará a ser, tentar correr a temporada de 2020 com o maior número possível de Grandes Prémios, terminando no ano civil de 2020. No entanto, agiremos sempre em consonância com os pareceres de saúde e segurança dos governos e das autoridades sanitárias competentes.”

“Se a pandemia continuar a pôr as nossas vidas e desporto em suspenso por mais tempo do que qualquer um de nós pode antecipar e as restrições de viagem permanecerem em vigor, só como último recurso a Dorna Sports alguma vez consideraria discutir o cancelamento da temporada de 2020 com a FIM, IRTA e MSMA.”

“O nosso foco número um para as SBK é igualmente tentar correr a temporada de 2020 com o maior número de provas possível uma vez que é seguro fazê-lo.”

Em suma, esta é uma situação completamente volátil, e só as próximas semanas é que definirão o rumo dos acontecimentos.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Motores e o coronavirus: As novidades do dia 26

Mais um dia em isolamento mundial, mais uma grande quantidade de adiamentos. A grande novidade foi o anuncio do adiamento das 500 Milhas de Indianápolis para o dia 23 de agosto. Apesar da prova ter sido cancelada nos anos de 1917-18, e entre 1942 e 45, devido às guerras mundiais, nunca a prova tinha sido adiada devido a motivos de saúde. O GP de Indianápolis, que ocorre na pista que foi construída para a Formula 1, acontecerá a 4 de julho.

"O mês de maio no Indianapolis Motor Speedway é minha época favorita do ano e, como nossos fãs, estou decepcionado por termos de remarcar a Indy 500", disse Roger Penske. “No entanto, a saúde e a segurança de nossos participantes e espectadores são nossa principal prioridade, e acreditamos que adiar o evento é uma decisão responsável com as condições e restrições que estamos enfrentando. Continuaremos focando em maneiras de melhorar a experiência do cliente nos próximos meses, e estou confiante de que daremos as boas-vindas aos fãs com instalações transformadas e um espetáculo global quando realizarmos a maior corrida do mundo."

A Indy Car Series é mais uma das competições suspensas devido do coronavirus, que também cancelou e adiou praticamente todas as competições desportivas marcadas para este ano. Em termos de números, hoje os Estados Unidos têm 60.562 casos, à frente da Itália, com 57.521, e da Espanha, que tem 38.809, com 1081 mortes para os Estados Unidos, 8165 para Itália e 4145 para Espanha.

Horas antes, o Mundial de Moto GP também anunciou o adiamento das rondas de Espanha e França, marcadas para o inicio de maio. Até agora, as quatro primeiras provas do campeonato tinha sido ou adiados ou cancelados em cima da hora, como foi o GP do Qatar, para o Moto GP, mas não para a Moto2 e Moto3. Para além disso, a ronda de Mugello, em Itália, previsto para o dia 31 de maio, poderá também ser adiado para data a determinar, isto é, se for realizado ainda em 2020.

Entretanto, Romain Grosjean revelou uma conversa que teve com Sebastian Vettel quando ele enviou uma mensagem às 4 da manhã através do Whatsapp informando do momento em que iria embora da Austrália, horas antes do cancelamento da mesma devido ao coronavirus.

"Os rumores começaram a acontecer na noite de quinta-feira", disse Grosjean numa entrevista. "De quinta para sexta-feira, não dormi muito bem. Às três da manhã, eu estava conversando com Sebastian Vettel. Eu perguntei 'onde você está, por que você está acordado?' E ele respondeu 'eu estou indo para o aeroporto'. Ele estava tipo 'está cancelado, isso não está acontecendo'." Eu disse que não ouvi nada oficial, então fico-me por aqui.", continuou.

"Ele disse: 'minha equipa me disse que estou livre para ir, então vou embora'". Assim, às três da manhã de sexta-feira no horário de Melbourne foi quando eu soube que as coisas não iriam acontecer", concluiu.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Motores e o coronavirus - As novidades do dia 11

No dia 11 de março, dia e que a Organização Munfdial de Saude declaraou o coronavirus como "pandemia" à escala global, as novidades em relação à doença e o automobilismo têm sido grandes. Na Austrália, depois de um hospede de um hotel próximo do circuito ter sido detectado com o coronavirus, as autoridades de saúde ficaram preocupadas, mas por agora, mantêm-se a corrida com espectadores. Esta manhã, contudo, as autoridades australianas impediram a entrada de cidadãos italianos de entrar no país por causa do CoVid-19. Curiosamente, fizeram-no depois de terem entrado algumas centenas de nacionais que trabalham para a Ferrari, Alpha Tauri e Pirelli. 

E a quatro dias para a prova... tomam-se medidas. Não há sessões de autógrafos, e as entrevistas aos media só acontecerão com uma zona de exclusão mínima de dois metros.  

Ao contrário, no Vietname, as autoridades locais decidiram cancelar os vistos provenientes dos locais mais afetados pela doença, o que poderá dificultar as coisas para aqueles que pretendem ver a corrida, marcada para o dia 5 de abril. Na pior das chances - sem haver adiamento - poderá ser outro Bahrein, com corridas sem espectadores.

Na Formula E, o ePrix de Jakarta, que era para acontecer a 6 de junho, acabou hoje por ser cancelado devido aos receios do coronavirus, elevando para três as corridas que não vão ser realizadas na data prevista. Apesar de na Indonésia, apenas se terem registado 34 casos, com duas mortes, dos dez países mais afetados, cinco são europeus (Itália, Espanha, França, Alemanha e Suíça). E também é provável que as rondas de Paris e Seul serão canceladas, elevando para cinco as provas afetadas.

"Devido ao surto de Covid-19 e ao crescente número de casos na Indonésia e em Jacarta, a decisão foi tomada como o curso de ação mais responsável, para proteger a saúde e a segurança dos participantes, funcionários e espectadores do campeonato.", começou por dizer a organização num comunicado oficial.

"Continuaremos a monitorizar a situação de perto com as autoridades relevantes e o Comitê Organizador do E-Prix de Jacarta, a fim de avaliar as possibilidades de reagendar a corrida numa data posterior", concluiu.

Contudo, a organização está a trabalhar em planos de contingência. Já se falou na chance de haver uma jornada dupla em Valencia, a 4 e 5 de abril, mas com os casos em Espanha a explodir neste momento - 2182 casos a partir de hoje, com 49 mortes - é altamente improvável. Mas a ideia de haver o ePrix de Berlim sem espectadores - a prova é no antigo aeroporto de Tempelhof - e jornadas duplas em Nova Iorque e em Berlim são uma chance para os atuais e futuros cancelamentos.

Na Moto GP, a organização do GP da Argentina anunciou que a sua corrida foi adiada para 22 de novembro, de novo por receios por causa do coronavirus. Mesmo que a Argentina tenha neste momento apenas 19 casos e uma morte, a organização decidiu não arriscar receber todo o pelotão nesta altura. Também foram adiadas as 24 Horas de Le Mans em motociclismo, previstos para os dias 18 e 19 de abril, para setembro. E as rondas espanhola e francesa das Superbikes foram também adiadas 

E são assim as últimas novidades sobre o impacto do coronavirus nos desportos motorizados.

quinta-feira, 5 de março de 2020

Motores e o coronavirus - As novidades do dia 5

Hoje, dia 5 de março, há mais algumas novidades em relação à doença que tem vindo a espalhar rapidamente pelo mundo e do qual começa a ser controlado na China. Primeiro que tudo, o governo australiano decidiu que os controlos a estrangeiros vindos de países como Itália vão ser mais apertados, devido ao alastramento da doença. Neste momento, os italianos lidam com 3089 casos, dos quais resultaram em 107 mortes. E desses 3089 casos, 126 já estão curados e tiveram alta.

“O primeiro-ministro [Scott Morrison] anunciou na sua conferência de imprensa os procedimentos e medidas de triagem para pessoas vindas de Itália”, começou por dizer Andrew Westacott, CEO da Grand Prix Corporation, à estação de rádio 3AW de Melbourne. “Acho que os responsáveis pela saúde e até o comité de segurança nacional, não levam em conta eventos mas sim o que é melhor para o o país, levando em consideração todas as informações”, continuou.

“O material da Formula 1 chega entre amanhã e sábado/domingo a Avalon. Então todo o staff da Fórmula 1, incluindo as equipas sobre as quais deveríamos falar um pouco mais detalhadamente, chegam de quinta a terça-feira da próxima semana”.

Entretanto, quem decidiu não ir às três primeiras corridas do ano foi a alemã RTL, que irá fazer as suas narrações dos estúdios na Alemanha, devido às restrições das autoridades locais em relação a nacionais vindos de países onde o coronavirus tem vindo a afetar. A Alemanha tem neste momento 444 casos confirmados, sem mortes ainda. 

Entetanto, na MotoGP, o calendário foi modificado. Agora, o GP da Tailândia vai acontecer a 4 de outubro, fazendo mexer na realização do GP de Aragão em uma semana, passando para o dia 26 de setembro. Entretanto, a proposta do Conselho de Saúde local de cancelar eventos desportivos por 30 dias ainda não vai afetar nem as datas das Superbikes (SBK) em Imola, a 9 de Maio, ou o GP de Itália, em Mugello, no dia 31 de Maio. Contudo, a data do ePrix de Roma, a 4 de abril, está sob observação, se a proposta for adiante. 

segunda-feira, 2 de março de 2020

Motores e o coronavirus - as novidades do dia 2

Passadas 24 horas, algumas das noticias que falei ontem confirmaram-se: o GP da Tailândia de MotoGP foi adiado - provavelmente para setembro - e o GP da Austrália de Formula 1 vai por diante, apesar dos receios das equipas italianas. 

Entretanto, esta segunda-feira, soube-se que os pilotos da Renault Academy estão de quarentena num hotel de Tenerife devido a esse estabelecimento hoteleiro estar encerrado porque um dos seus hóspedes foi infectado por essa doença. São eles o brasileiro Caio Collet e o francês Hadrien David, ambos com 16 anos. Também o diretor da Renault Academy, Mia Sharizman, está de quarentena.

De resto, os planos de contingência estão a ser montados, mas a incerteza é o que domina. Se na China, parece que o pico da gripe já foi alcançado, o facto do resto do mundo estar a receber os seus primeiros casos e as autoridades sanitárias estão a fazer o melhor para conter a doença, em certos sítios como a Coreia do Sul, a Itália e o Irão, parece que a doença ainda está no seu começo.

Entretanto, no Bahrein, o Ministério do Interior local indicou a todos os que irão ao seu país - equipas, fornecedores e meios de comunicação social - para referir os países pelos quais os seus elementos passaram ao longo das últimas 14 dias. Eles solicitam em particular sobre quem vem dos Emirados Árabes Unidos, ou seja, Dubai ou Abu Dhabi, pois existe uma interdição de vôos dessas cidades desde o dia 28. O GP do Bahrein acontece no dia 22, e todo o cuidado é pouco, porque a ilha no meio do Golfo Pérsico tem registados 36 casos até agora.

Como se já tem dito, a situação é monitorizada dia a dia, hora a hora. Tudo que é verdade hoje, poderá ser o contrário amanhã, e os piores cenários estão em cima da mesa. No caso da Formula 1, a temporada poderá inciar-se em maio, nos Países Baixos, depois do adiamento ou cancelamento das quatro primeiras corridas do ano. E na MotoGP, a primeira prova poderá ser em Austin ou Jerez, deixando de fora as três primeiras corridas do ano. E na Formula E, depois do cancelamento da corrida de Sanya, quer a próxima corrida, em Roma, quer a de Seul, em maio, são em dois dos paises com mais casos desta epidemia. E claro, nem se fala de outras, muitas outras manifestações desportivas, que foram ou correm o risco de adiamento ou cancelamento por causa desta pandemia. 

Amanhã, nova atualização.

domingo, 1 de março de 2020

Motores e o coronavirus - As novidades do dia 1

Passado o fim de semana, e com os casos a aumentarem fora da China - no país propriamente dito, o foco inicial da epidemia, os casos tem vindo a diminuir - há duas grandes novidades. A primeira é que a corrida de Melbourne, a primeira do campeonato, pode acontecer mesmo sem que a Ferrari e a Alpha Tauri possam aparecer devido a eventuais restrições levantadas pelo governo australiano para os voos vindos de Itália. E o mesmo pode ser aplicado ao Bahrein, apesar das crescentes restrições por parte desse país aos voos vindos de Itália. 

Sobre a corrida australiana, qualquer decisão será anunciada amanhã. A prova é a 15 de março, uma semana antes do Bahrein. E qualquer decisão sobre a segunda corrida da temporada, acontecerá, na pior das hipóteses, em cima da hora.

Contudo, com ou sem planos de contingência - que devem estar ser colocados neste momento - surgiu esta tarde uma novidade: a prova de abertura da MotoGP, no Qatar, que deveria realizar-se no dia 8 de março, foi cancelado para a classe raínha, enquanto continua marcado para a Moto2 e Moto3. As razões têm a ver com a restrição de voos vindos de Itália e Japão. E este cancelamento poderá colocar em dúvida as quatro corridas seguintes, as da Tailândia, Estados Unidos e Argentina. Caso o pior aconteça, a temporada poderá ter de ser adiada até Jerez, onde a 3 de maio acontece o GP de Espanha.

Mas a razão porque o GP qatari foi cancelado apenas para a classe rainha foi porque a Moto2 e Moto3 já estão no emirado para os testes de pré-temporada. Se não estivessem ainda, era provável que também tivessem sido cancelados. E o que tem a ver com a Formula 1? Muito. Caso os italianos apanhem aviões que façam escala no Qatar, o período de quarentena obrigatória é de 14 dias, no mínimo. Logo, o limite é... este domingo, dia 1.

De resto, ainda temos mais algumas dúvidas sobre outras competições. A Formula E, como é sabido, suspendeu - ou cancelou - a corrida de Sanya, prevista para o dia 21 de março e o GP da China foi também adiado. Mas a prova seguinte, a 4 de abril, é em Roma. E Itália é o foco europeu da doença, apesar de estar contida na Lombardia, a mais de 900 quilómetros da capital. Ainda não chegou ao topo, mas é provável que no mês que vai começar agora, todos andam monitorizando a situação. 

Aliás, durante a semana, Jean-Eric Vergne esteve mal de saúde e submeteu-se a uma bateria de exames para despistar uma possível possibilidade do coronavirus. Em França, 130 casos deram positivo e já houve duas mortes. 

Em suma, tudo está mutável, e as certezas de hoje são as dúvidas de amanhã.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Rossi tem dupla fratura e já foi operado

Confirmaram-se os piores receios: Valentino Rossi sofreu um acidente a fazer enduro e fraturou a tíbia e o peróneo direitos, acabando por ser operado esta noite para reduzir as fraturas. Segundo os médicos, Rossi poderá estar de fora por cerca de 40 dias, podendo ainda regressar às competição no final desta temporada.

“Depois de um acidente em um treino de enduro nesta quinta-feira, 31 de agosto, a estrela do Movistar Yamaha MotoGP Valentino Rossi foi diagnosticada com fraturas deslocadas na tíbia e na fíbula de sua perna direita”, afirmou o comunicado oficial, lançado ontem à noite. “O piloto italiano de 38 anos vai passar por cirurgia assim que possível”, continua.

Segundo conta o site ‘Corse di Moto’, Rossi estava treinando em Perchiule, perto de Urbino, e caiu após a perna direita ficar presa numa pedra. Ainda de acordo com a publicação, o piloto está acompanhado da mãe, Stefania Palma, e do meio irmão, Luca Marini, também piloto no Mundial de Moto2.

Já não é a primeira vez este ano que teve uma queda fora das pistas. Sofreu outra em maio, mas as lesões foram menos graves e não perdeu qualquer prova do campeonato. Nesta altura, o piloto de 38 anos é quarto classificado do campeonato, a 26 pontos do atual líder, Andrea Dovidizioso, a duas semanas do GP de San Marino, em Misano. Caso a recuperação corra bem, é provável que esteja presente a tempo do GP da Austrália, a 22 de outubro, em Phillip Island.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

ULTIMA HORA: Valentino Rossi sofre queda e é operado

Valentino Rossi sofreu nova queda esta noite e está internado no Hospital de Urbino, para ser operado a uma possível fratura a uma fíbula, a mesma do qual sofreu uma queda em Mugello, há sete anos. Para além disso, também sofreu uma fratura na tíbia.

A queda aconteceu esta tarde durante uma prova de enduro que estava a fazer com alguns dos seus amigos.

O piloto de 38 anos já tinha sofrido uma queda em maio, durante uma prova de motocross, mas nessa altura não sofreu lesões de maior, e pode correr na prova seguinte. Desta vez, as coisas poderão vir a ser mais complicadas. 

Mais noticias sobre a condição física de Rossi mais tarde.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

The End: Nicky Hayden (1981-2017)

Depois de quase uma semana, o pior confirmou-se: o norte-americano Nicky Hayden acabou por falecer esta tarde no hospital de Cesena, no centro de Itália, vitima de graves ferimentos na zona da cabeça. O norte-americano, campeão do mundo de MotoGP em 2006, não resistiu aos ferimentos sofridos no passado dia 17 de maio na zona de Misano, depois de ser atropelado por um carro enquanto passeava de bicicleta. Tinha 35 anos de idade.

Nascido a 30 de julho de 1981 em Owensboro, foi batizado de "Kentucky Kid" e vinha de uma familia de motociclistas. O seu pai era corredor e ele herdou o numero 69, usado porque "era o único que poderia ler quando caia no solo". Os seus irmãos mais velhos, Tommy (nascido em 1978) e Roger Lee (nascido em 1983) tiveram carreiras nos Superbikes, com Tommy a ser campeão da AMA Pro Racing em 2004, a bordo de uma Kawasaki, enquanto que Roger Lee foi campeão em 2007 na mesma AMA Pro Racing na classe SuperSport, e dpeois teve passagens pelos Superbikes e Moto GP, sempre numa Kawasaki.

Nicky seguiu os passos dos seus irmãos logo em 1999, na AMA Pro Racing, onde foi campeão na categoria Supersport. Em 2001, aos 19 anos, foi vice-campeão, e no ano seguinte, venceu o Daytona 200, a corrida mais significativa de um campeonato onde terminou no lugar mais alto do pódio, tudo isto num Honda.

Logo a seguir, tentou a sua sorte na MotoGP, e foi logo na categoria rainha. Correndo pela Honda, teve como companheiro de equipa Valentino Rossi. A temporada foi complicada de inicio, mas acabou com dois terceiros lugares, acabando o ano com 130 pontos e o quinto lugar na classificação. No ano seguinte, conseguiu mais dois pódios, terminando o ano no oitavo posto, com 117 pontos. As criticas sobre o seu desempenho acabaram por acontecer, mas no ano seguinte, uma vitória em Laguna Seca e um campeonato mais consistente deram-lhe o terceiro lugar no campeonato, atrás apenas de Marco Melandri e Valentino Rossi.

Em 2006, com Rossi na Yamaha, Hayden tomou conta dos destinos da Honda, para tentarem chegar ao campeonato do mundo e quebrar o domínio do piloto italiano, que já ia desde o ano 2000. A temporada começou com ele a conseguir pódios nas quatro primeiras corridas, antes de vencer em Assen, no GP da Holanda. Voltaria a vencer em Laguna Seca, no GP americano, e parecia estar a caminho da luta pelo título, e podia ter perdido tudo quando Dani Pedrosa, então seu companheiro de equipa, o derrubou no GP de Portugal, no Estoril. Na última corrida do ano, em Valencia, Hayden aproveitou a queda de Valentino Rossi para ser terceiro e conseguir os pontos suficientes para ser campeão do mundo, ao serviço da Honda. Tudo isto aos 25 anos de idade.

No ano seguinte, depois de assinar com a marca japonesa por duas temporadas, Hayden lutou contra uma mota que não desenvolvia como deveria de ser. A performance ressentiu-se nos resultados, a favor de Dani Pedrosa, e uma queda em Le Mans não melhorou as coisas. No final, três terceiros lugares foi o melhor que alcançou, acabando no oitavo lugar da classificação. Em 2008, as coisas foram um pouco melhores, apesar de uma lesão num dos joelhos o impediu de correr em duas corridas. No final, foi sexto classificado, antes de no final dessa época, se ter decidido correr para a Ducati, correndo ao lado do australiano Casey Stoner.

A temporada de 2009 foi dificil para o piloto. Acabou em posições intermédias no inicio da temporada, e só conseguiu um pódio em Indianápolis, sendo terceiro. Acabou a temporada na 13ª posição, a pior até então, mas em 2010, as coisas melhoraram um pouco, especialmente depois de ter sido operado ao seu braço direito, para se recuperar de uma lesão. Em 2011, Stoner foi-se embora e no seu lugar veio Valentino Rossi, e a temporada até começou bem, com um terceiro lugar em Jerez. Sem ele saber, tinha alcançado o seu último pódio na Moto GP.

Em 2012 e 2013, Hayden levava a sua moto em lugares intermédios, mas sem deslumbrar. Em Indianápolis, uma queda quando tentava conseguir melhor tempo fez com que fraturasse a mão direita e falhasse duas corridas. Libertado do seu contrato no final da temporada de 2013, regressou à Honda em 2014, correndo na Aspar Team, mas os resultados não foram os melhores. Um oitavo lugar no Qatar foi o seu melhor, acabando a temporada na 16ª posição, com 47 pontos.

No final de 2015, depois de mais uma temporada modesta, decidiu mudar-se para as Superbikes, correndo pela Ten Kate Racing, a bordo de um Honda. Teve bons resultados, incluindo uma vitória na Malásia, e três pódios, acabando a temporada no quinto lugar, com 248 pontos. Este ano, Estava a ser mais complicado, com um sétimo lugar na Tailândia como melhor resultado.

Ouvimos sempre que a vida pode ser cruel, quer para nós, quer para os outros. Ver alguém a arriscar a sua vida a cada curva, a mais de 300 km/hora para depois acabar num passeio de bicicleta, enquanto ainda podia dar muito para o desporto, mostra até que ponto isto pode ser inesperado e terminal. Hayden pode não ter sido um dos melhores da sua geração, mas marcou presença no pelotão da MotoGP por uma década, mostrando que conseguia competir ombro a ombro. O seu acidente faz lembrar o de Michael Schumacher, mas o alemão ainda segue vivo - e longe de olhares indiscretos, como sabemos.

O ser humano desaparece agora, passou à História. Tal como os seus feitos na pista. Ars longa, vita brevis, Nicky.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Nicky Hayden sofre acidente em Itália

O motociclista americano Nicky Hayden sofreu esta tarde um grave acidente quando andava de bicicleta na zona de Rimini no centro de Itália, sendo internado em estado muito grave. O antigo campeão de MotoGP, de 35 anos, foi atropelado por um automobilista quando pedalava com um grupo de ciclistas, sendo projetado para a berma. Chegado ao hospital, os médicos consideram que o seu prognóstico é reservado, pois sofreu poli-traumatismos cranianos e toráxicos.

Campeão do mundo em 2006 pela Honda e terceiro classificado em 2005, vencendo por três vezes na sua carreira, Hayden corria desde 2016 no Mundial de Superbike ao serviço da Red Bull Honda Superbike World Racing Team, onde foi quinto classificado no Mundial, com uma vitória na Malásia. Para além da Honda, teve passagens pela Ducati entre 2009 e 2013.

Está a ser uma altura complicada para se andar de bicicleta. Nas últimas semanas, houve vários ciclistas que sofreram acidentes graves e até mortais na estrada, vitimas de atropelamentos. O italiano Michele Scarponi, vencedor do Giro D'Itália em 2011, morreu no passado dia 22 de abril, quando treinava, e na semana passada, o britânico Chris Froome também foi atropelado por um motorista quando se treinava para o Giro, mas o ciclista sofreu ferimentos ligeiros.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Noticias: Moto GP vai usar configuração da Formula 1 do circuito catalão

A Dorna, entidade que toma conta da Moto GP decidiu accionar o seu plano de emergência e usar a configuração da Formula 1 do Circuit de Catalunya para o resto do seu fim de semana. A decisão foi tomada em consequência do acidente mortal de Luis Salom, esta tarde, durante os treinos da corrida de Moto2.

Isso significa que a variante da Curva 12, construida em 2007, será usada, bem como será usada a variante mais curta da Curva 10, ou curva La Caixa. Essa variante já tinha sido usada nos vários testes que a MotoGP já fez naquele local e os pilotos indicaram que era bem mais segura do que a usada agora.

O acidente de Salom, esta tarde, tornou-se no primeiro acidente mortal em quase cinco anos. A última vez fora durante o GP da Malásia de 2011, quando morreu o italiano Marco Simoncelli.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O final da Moto GP em Cartoons


Se acham que isto escaparia da pena dos cartoonistas, esqueçam. Eles adoram situações como estas. E aqui vos coloco os cartoons de Marc Ostermann e de "Riko" sobre a decisão da Moto GP a favor de Jorge Lorenzo contra Valentino Rossi.

domingo, 8 de novembro de 2015

A imagem do dia (II)

Aquilo que aconteceu esta tarde em Valência era o esperado. Não adianta falara muito ou opinar muito sobre o que aconteceu, mas Jorge Lorenzo teve o que queria. E se ele se queixa que não o respeitaram quando o vaiaram no pódio (um pódio todo espanhol, diga-se), deveria era engolir e pensar no velho adágio que quem semeia ventos, colhe tempestades.

Alguém me dizia hoje que "há os campeões do mundo e há os que vencem campeonatos". O que vi hoje foi o seguinte: Valentino Rossi fez o seu melhor e no final foi aplaudido por todos como o "campeão moral" do qual os "rossistas" se agarrarão a isto e o defenderão para o resto da eternidade, enquanto que Marc Marquez andou atrás de Jorge Lorenzo e não o atacou. No final, Lorenzo queixou-se à imprensa, dizendo "Faltou respeito". Ele deveria saber que a resposta dos rossistas a essa frase vai ser um "tem o que merece". E claro, eles nunca mais o vão perdoar, essencialmente quando Rossi chamou a Marquez de "guarda-costas de Lorenzo"... 

Tudo muito bem, todos tiveram as suas táticas e terão as suas consequências. Frank Underwood teria adorado ver esta corrida, digo eu. É para os rossistas, é provável que o Inferno (não de Dante) terá um bom lugar para estes dois pilotos espanhóis, e das reputações no capitulo da infâmia dificilmente se apagarão. E do lado dos espanhóis, claro, vão dizer que este campeonato foi vencido com justiça e ele teve de pagar por uma falta que cometeu. E também dirão que o seu tempo passou.

Acho que já todos entenderam que isto não vai acabar por aqui. Hoje acabou um episódio que vai ser falado durante anos e anos, como hoje em dia falamos sobre as duas corridas de Suzuka, em 1989 e 1990, entre Ayrton Senna e Alain Prost. Muitos falarão que foi uma conspiração da Dorna e da FIM para darem um título a um espanhol, "correndo" com Valentino Rossi por ele já ser "velho", mas francamente, nem quero acreditar nisso. Se quisessem correr com o italiano, bastaria o suspenderem e veria a corrida em casa, "pronto".

Mas também digo o seguinte: a Yamaha de 2016 é a McLaren de 1989, com dois pilotos que não falam um com o outro. Um ambiente de cortar a faca, e provavelmente com mais chances de incidentes, e um duelo fratricida onde os limites serão testados. Restará saber se todos terão a cabeça no lugar, não é? Contudo, fizeram uma coisa: suscitaram o meu interesse, eu que nem ligo muito ao motociclismo... nada como uma polémica.