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sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Youtube Motorsport Vídeo: Os circuitos mais perigosos do mundo

O automobilismo tem 130 anos, e ao longo do tempo, foram construídos circuitos que desafiaram a capacidade dos pilotos colocando-se em risco e aos outros. Pistas como Macau, Nurburgring Nordschleife, Sachenring, Pescara, Man TT e outros, muitos outros. Alguns foram muito modificados, outros não existem mais, mas essas pistas, se formos ver bem as imagens... ainda arrepiam. E nunca pisaste lá os pés. 

E essa listinha é providenciada pelo Josh Revell.  

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Noticias: Liberty adquire Dorna


Parece 1º de abril., mas não é: a Liberty Media anunciou nesta segunda-feira que comprou 86 por cento dos direitos da MotoGP por 4,2 mil milhões de Euros. Esta aquisição vai além do próprio MotoGP, abrangendo outros ativos da Dorna, incluindo as categorias júnior do MotoGP e o campeonato das Superbikes, mantendo Carmelo Ezpeleta o seu lugar de diretor executivo da competição.

Espera-se que a aquisição seja concluída até ao final do ano e também, saber se está de acordo com as autoridades da concorrência e da lei de investimento estrangeiro em várias jurisdições, a começar pelas europeias.

Estamos entusiasmados por alargar a nossa carteira de ativos líderes em desporto e entretenimento ao vivo com a aquisição do MotoGP”, começou por afirmar Greg Maffei, Presidente e Diretor Executivo da Liberty Media. “O MotoGP é uma competição mundial com uma base de fãs leais e entusiastas, corridas cativantes e um perfil financeiro altamente gerador de fluxo de caixa. Carmelo [Ezpeleta] e a sua equipa construíram um grande espetáculo desportivo que podemos expandir para um público global mais vasto. O negócio tem vantagens significativas e pretendemos fazer crescer o desporto para os fãs do MotoGP, as equipas, os parceiros comerciais e os nossos acionistas”, concluiu. 

Este é o próximo passo perfeito na evolução do MotoGP, e estamos entusiasmados com o que este marco traz para a Dorna, para o paddock do MotoGP e para os fãs das corridas”, disse Carmelo Ezpeleta, CEO da Dorna. “Estamos orgulhosos do mundial que desenvolvemos, e esta transação é um testemunho do valor do desporto hoje em dia e do seu potencial de crescimento. A Liberty tem um historial incrível no desenvolvimento de ativos desportivos e não podíamos desejar um parceiro melhor para aumentar a base de fãs do MotoGP em todo o mundo”, concluiu.

Este acordo mostra a crescente influência e alcance da Liberty Media na indústria do desporto automóvel.

terça-feira, 16 de agosto de 2022

MotoGP: Miguel Oliveira ainda não abre o jogo sobre 2023


Para onde Miguel Oliveira irá correr em 2023? Não há dúvidas que ele é um dos ativos mais interessantes da MotoGP neste momento, mas saber onde correrá na próxima temporada está a ser o assunto do momento. Desde noticias dizendo que irá para a Aprillia até a possibilidade de, afinal, ficar na KTM, tudo está a ser vinculado, oficial e oficiosamente. 

No programa ao vivo “Sport & Talk from Hangar-7”, da Servus TV, que desta vez foi transmitido a partir do KTM Motohall, o Red Bull Ring, ele não confirmou nada, e também não descarta nada.

Ainda não assinei com nenhum outro fabricante. Espero que isso seja feito dentro de algumas semanas, a boa notícia é que provavelmente vou ficar numa equipa competitiva. Gostaria de ter feito mais junto da Red Bull KTM, mas a porta continua aberta e veremos o que o futuro trará”.

Recorde-se que Miguel Oliveira não ficará na KTM em 2023 porque não aceitou a passagem da equipa Red Bull Factory para a Tech3, a secundária. Tem apalavrada a entrada na equipa-satélite WithU-RNF onde vai pilotar uma Aprilia RS-GP 22, isso foi dito por gente ligada à Ducati, que esteve interessado nos seus serviços. Segundo o pessoal da sote motorsport.com.pt, isso é praticamente certo, falta apenas a assinatura do piloto.

Quanto ao GP da Áustria e o novo traçado do Red Bull Ring, com a chicane na Curva 2, o português disse: “É uma conversão que nós, pilotos, apreciamos porque é para a nossa segurança. É definitivamente mais lento e vai mudar os nossos pontos de travagem. É importante que haja algo que nos atrase antes da curva 3. Tem sido uma curva perigosa até agora.

Na classificação geral, numa competição liderado por Fabio Quatararo, com 180 pontos, Miguel Oliveira é décimo, com 81.

terça-feira, 14 de junho de 2022

O sonho das estepes cazaques


Cazaquistão. O melhor pais do mundo, segundo fala o Borat Sagdiev. Um país enorme - mais de um milhão de quilómetros - e essencialmente tem estepes muito frias no inverno e muito quentes no verão. Banhado em parte pelo Mar Cáspio, a sua capital já mudou tantas vezes de nome como muitos de nós de lençóis de cama. Como hoje é terça-feira, chama-se Nur-Sultan. Mas não faço ideia como se chamará na sexta-feira...

Gozações à parte, hoje falo do Circuito Sokol. Com 4495 metros de extensão, fica situado a menos de 50 quilómetros de Almaty, e é um projeto de um oligarca local, Alijan Ibrahimov, que investiu cerca de 40 milhões de dólares para os seus filhos Dostan, Davron e Furkat cuidarem da gestão do projeto. Tem um kartódromo, um centro de segurança de condução, um café, um hotel e um parque tecnológico, além de um lago artificial com parques infantis. Também tem uma reta para "drag racing".

O desenho do circuito Sokol faz lembrar Shakir, no Bahrein, e já deveria ter sido inaugurado em 2016. Mas o projeto andou a arrastar-se, e neste momento, não está totalmente completo. Contudo, quando souberam que o GP da Finlândia fora cancelado por causa dos problemas de homologação, para além dos políticos, por causa da tensa situação com a Rússia, os cazaques avançaram com o projeto Sokol como substituto. A Dorna rejeitou de imediato. 

Mas da maneira como construíram, e como tem espaço para mais e melhor, não ficaria admirado se tentassem a sua sorte para ter o Grau 1 da FIA. Se calhar, o país do Borat já não é assim tão alvo de gozação...  

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Youtube Motorcycle Vídeo: Como construir... um uniciclo elétrico

Scooters elétricas, trotinetas e bicicletas eletricas, poderão ser o último grito em termos de mobilidade. Mas... e um uniciclo? Sim, uma só roda, equilibra-se, anda um bocado e movimenta-se com baterias, tendo uma autonomia razoável, em termos de cidade. Mas é o que acontece na India, onde este Youtuber fez um DYI - "do it yourself" - deste aparelho que é prático.

A explicação é relativamente simples: primeiro, desenha-se a estrutura básica da scooter num papel de cartão. Assim, terá um molde do que quer construir e, se algo der errado com o design, ele sempre poderá fazer correções nesse cartão, porque se for em chapas de metal, será muito mais difícil.

Depois, copia para o metal, cortou as folhas com uma ferramenta e solda as peças para fazer o arco da roda. A roda usada nesta scooter é uma roda larga com motor de cubo. O youtuber menciona que, quanto mais larga é a roda, é mais fácil ter equilíbrio.

Debaixo do assento, haverá um armazenamento para guardar a bateria que alimenta a scooter. A carenagem é então feita de chapa de metal com um design que lembra as Lambretas e as vespas. Um suporte de metal é feito para fixar a roda e outro tubo de metal é fabricado para fazer uma haste que segura o guidão no lugar.

Quando esse trabalho for feito, um sensor de auto balanceador será introduzido na scooter. O balanceador é na verdade o componente que ajuda a scooter a ficar de pé, mesmo que tenha uma roda mais plana. É muito importante instalar o sensor corretamente e ele não deve se mover, pois isso afetaria a calibração geral do giroscópio que manterá a scooter. Os fios da roda são conectados ao sensor e um conjunto de fios do sensor foi conectado ao cabo do acelerador.

Feito esse trabalho, leva uma pintura e fica pronto para umas voltinhas na estrada, como se observa no vídeo. 

quarta-feira, 16 de março de 2022

A imagem do dia


Kunimitsu Takahashi no GP do Japão de 1977, correndo a bordo de um Tyrrell 007 inscrito pela Meiritsu Racing Team. Acabou a corrida na nona posição, e a sua experiência ficou-se por ali. O que poucos sabem é que esta experiência que Takahashi teve na categoria máxima do automobilismo foi apenas a ponta de um icebergue que durou... 41 anos. E pelo meio, se tornou num dos monstros sagrados do automobilismo japonês, e um dos pais do "drift", ao lado de Keiichi Tsuchiya e Daigo Saigo

Takahashi, que morreu nesta quarta-feira aos 82 anos, começou a sua carreira no motociclismo, bem novo, aos 18 anos. Piloto da Honda, começou a correr nos 125 e 250cc a partir de 1960, com o seu grande ano a ser o de 1961, sendo quarto classificado em ambas as categorias, e alcançando cinco vitórias, uma delas no GP da Irlanda do Norte, na classe 125cc. Contudo, um acidenta grave no Man TT de 1962 fê-lo pensar em se transferir para as quatro rodas, que achava mais seguro. 

Uma década depois, em 1975, começou a participar na Formula 2 japonesa, a percursora da Super Formula, acabando por ser vice-campeão em 1977, o ano da sua única participação na Formula 1. Continuando a competir nas quatro rodas, nos anos 80 passou para a Endurance e os GT's, sendo campeão japonês por quatro vezes, pela Team Advan, patrocinado por uma marca de pneus local. E foi a correr com eles que em 1986 fez a sua estreia em Le Mans. Que acabou de forma trágica, quando um dos seus companheiros, o austríaco Jo Gartner, perdeu o controlo do seu carro a meio na noite, nas Hunaudriéres, e acabou por morrer. 

Em 1994, aos 54 anos de idade, montou o seu Team Kuimitsu, para correr na temporada inaugural da Super GT, conseguindo vitórias até 1999, altura em que ele já tinha 59 anos, a bordo de um Honda NSX GT2. Nesse ano, retirou-se e tomou conta da equipa até triunfar em 2018, com Naoki Yamamoto e o britânico Jenson Button, o campeão do mundo de Formula 1 em 2009. 

Kunimitsu Takahashi foi uma lenda no automobilismo japonês e uma personagem incontornável na paisagem automobilística. E o seu desaparecimento é certamente um dia tristemente marcante. Desaparece a pessoa, fica a lenda. Ars longa, vita brevis.

sábado, 7 de agosto de 2021

A imagem do dia


A Honda é um colosso da industria automóvel mundial. Mas o que poucos podem pensar é que esta marca só existe... há 75 anos. Sim, tal como a Volkswagen, foi uma marca que surgiu das cinzas da II Guerra Mundial. E tudo se deveu À ingenuidade de um homem que há 30 anos esta semana, tinha morrido.

Soichiro Honda nasceu a 17 de novembro de 1906 em Hamamatsu, no centro do Japão, e tinha jeito para a mecânica. Filho de ferreiro, cedo ajudou no negócio do seu pai de reparação de bicicletas, e ficou fascinado quando começou a ver os primeiros automóveis a passar pela sua cidade natal. Indo para Tóquio aos 15 anos para aprender o oficio de mecânico de automóveis, regressou seis anos depois para abrir uma oficina. E logo aí, começou a fazer carros de corrida, nomeadamente um Ford. Contudo, logo na sua primeira corrida, ele e o seu irmão sofreram um acidente, e abandonaram logo a ideia de serem pilotos de automóveis.

Quando o Japão acabou derrotado na II Guerra Mundial, Hammamatsu não escapou a destruição das bombas largadas pelos B-29 americanos. Vendo tudo em ruinas, Honda vendeu a fábrica que tinha montado - fabricava pistões de automóvel - à Toyota por 450 mil ienes e com o dinheiro, decidiu montar outro negócio: o de motocicletas. Com motores de sobra, construiu o Type A, e em 1949, tinha o Type D, com um motor de 98cc, e do qual chamou de "Dream".

Por esta altura, voltou a ver Tadeo Fujisawa. Tinha conhecido uns anos antes, quando ele fornecia anéis de pistão à companhia de aviões Nakajima e achou que ele seria a pessoa ideal para as finanças. Juntos, tinha feito uma parceria imbatível que ficou assim até que Honda se reformou, em 1973. E pelo meio, começaram a fazer automóveis, em 1963, e expandiram-se para os Estados Unidos, onde a principio, eram olhados com desconfiança, mas quando aconteceu o primeiro choque petrolífero, tornaram-se vencedores, batendo os "Big Three" (Ford, GM e Chrysler) nos seus próprios quintais.

Mas pelo meio, Honda ainda sentia paixão pelo automobilismo. No ano em que lançou o seu primeiro carro, começou a montar as bases para uma equipa de Formula 1. No inicio da década, fizera o mesmo para o motociclismo, e iria ser tão bem sucedido que a marca é das mais importantes da história das duas rodas. Estreando-se no GP da Alemanha de 1964, com o americano Ronnie Bucknum ao volante, foi com outro americano, Richie Ginther, que conseguiu a sua primeira vitória, no GP do México de 1965, com o Honda RA272. Outra vitória seria alcançada dois anos depois, no GP de Itália de 1967, com John Surtees ao volante, desta vez, foi o modelo RA300. A aventura acabaria em 1968, só voltando em 1983, apenas como fornecedora de motores para a Spirit, Williams, Lotus, McLaren e Tyrrell.

Por esta altura, Sochiro Honda gozava a sua reforma, a via um dos seus filhos, Hitoroshi, a traçar o seu próprio caminho, ao construir a firma de preparação de motores Mugen, uma das maiores do país. Mas oficialmente... não pertence à Honda, nem é a divisão desportiva da marca, apesar da ligação familiar.

Honda ainda viveu para ver os sucessos da sua marca na Formula 1, com gente como Nelson Piquet e Ayrton Senna a serem campeões com motores imprimidos com o seu nome. Quando morreu, a 5 de agosto de 1991, aos 84 anos, faltavam poucos dias para o GP da Hungria, e quando o brasileiro triunfou em Budapeste, dedicou a vitória a ele. 

terça-feira, 6 de julho de 2021

MotoGP: Austrália cancelado, Portimão de volta


Como seria de esperar, com o cancelamento do GP da Austrália de Formula 1, também foi cancelado o equivalente da Moto GP, que aconteceria a 7 de novembro no circuito de Philip Island, nos arredores de Mebourne. Para o seu lugar, regressa o Autódromo de Portimão, que será o palco do GP do Algarve, a penúltima prova do ano, uma semana antes do seu encerramento, em Valencia, no circuito Ricardo Tormo.  

Tal como aconteceu no caso da Formula 1, a razão é a mesma: a atual pandemia de Covid-19 e as consequentes complicações de viagem e restrições logísticas. E isso significou que não era possível confirmar a viabilidade do evento para este ano. Outra alteração no calendário foi que o GP da Malásia, no circuito de Sepang, terá lugar uma semana antes do previsto anteriormente, de 22 a 24 de Outubro, imediatamente a seguir ao Grande Prémio da Tailândia.

Carmelo Ezpeleta, presidente da Dorna, explicou as alterações ao calendário:

"Temos estado de conversações com a Cooperação do Grande Prémio da Austrália e finalmente, acabou por não ser possível confirmar as datas, e fomos obrigados a cancelar o Grande Prémio porque eles não podiam confirmar o acordo que nos permitiria ir a Phillip Island no fim do ano.”, começou por dizer.

"O problema prende-se, principalmente, com a bolha de segurança da comunidade de MotoGP, que é muito difícil implementar em Phillip Island, que só tem uma quantidade de pequenos hotéis Residenciais dispersos e os participantes teriam depois que ir abastecer-se a lojas ou supermercados, que seria impossível de implementar em segurança. Assim, juntamente com a Comissão Australiana dos Grandes Prémios, tomámos a triste decisão de cancelar o Grande Prémio este ano e passar para o ano que vem."

"Já tínhamos anunciado que a Tailândia teria lugar uma semana mais tarde e depois iremos à Malásia uma semana mais cedo, para juntar a Tailândia e Malásia e, finalmente, depois do cancelamento e a mudança de data posterior, a outra possibilidade vinha a ser discutida com a organização do Circuito de Portimão. Finalmente, tomámos a decisão de realizar outra corrida no Circuito de Portimão na semana antes de Valência, o que permite manter o número de corridas projetado para 2021.”, concluiu.

Desconhece-se se a segunda corrida em solo português terá ou não público, mas tudo indica que acontecerá, ao contrário do que sucedeu na primeira visita, em abril. 

domingo, 22 de novembro de 2020

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Barba e cabelo... e unhas. Foi uma corrida onde dominou de fio a pavio. Se há dúvidas sobre o que aconteceu, acho que muitas delas foram resolvidas hoje, com esta prova em casa. Miguel Oliveira tem estofo de campeão, isso é uma certeza, especialmente depois de um fim de semana domiadora em casa. E ele não é piloto oficial da KTM, ele está no equivalente à Toro Rosso.

O que Miguel Oliveira fez neste fim de semana no Autódromo do Algarve, na prova de encerramento do Muindial, confirma as esperanças de muita gente. É o concretizar de um sonho. Um português a vencer no Grande Prémio de Portugal de MotoGP, depois de ter conseguido a pole-position, e pelo caminho fez a volta mais rápida, é praticamente a realidade. E parece que não acreditamos nisso. 

A grande pena é ver o autódromo vazio. Mas ainda vivemos em pandemia, aliás, estamos em plena segunda vaga, que está a ser bem pior que a primeira. Se tivessemos público, teria sido fantástico. Mas este é um ano bem anormal...

O futuro vai ser bom. O mundo descobriu o Autódromo de Portimão, e viu que é um excelente circuito, desafiador, daquele que todos adoram, desde os pilotos aos fãs. É uma montanha russa, um claso contraste com as planuras dos tilkódromos. E termos tido este ano a Formula 1 e a MotoGP neste circuito - num caso de "portas que se fecham, janelas que se abrem" - mostrou que aqui há qualidade. E as trouxemos sem dinheiro, apenas porque estávamos mais disponíveis na altura.

Agora... do que se sabe é que iremos ter no calendário da MotoGP em 2021 por cinco anos, pelo menos. E se discute a data, do qual se fala em abril, que é "época baixa" no Algarve. Ou seja, poderá ser a prova de abertura do Mundial na Europa, depois de começar no Qatar e passar por Austin, no Circuito das Américas. Abril ainda é uma data arriscada porque poderiemos estar ainda a passar pela pandemia, apesar dos anuncios quase em catadupa de que as vacinas desenvolvidas andam a ter uma eficácia acima dos 90 por cento, venham de onde virerem.

Mas a Formula 1 também seria um "ouro sobre azul" numa altura em que a Liberty Media quer 24 corridas no campeonato, e algumas delas a rodar, ano sim, ano não. Sabendo agora que há pelo menos 30 locais para receber automobilismo ao mais alto nível, ou seja com a Classe 1 da FIA, nunca a chance de receber a categoria máxima do automobilismo no nosso país esteve tão perto. E ainda por cima, até se pode receber fora da "época alta" seria excepcional para todos na região. Só falta o dinheiro e a vontade politica, porque o resto... já temos!

Quanto ao Miguel, parabéns! E que este seja o principio de muito mais.  

sábado, 21 de novembro de 2020

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O motociclismo português vive tempos gloriosos. Este final de semana ê o regresso da MotoGP a Portugal, depois de oito anos de ausência, e corre no Autódromo de Portimão, uma estreia no calendário do mundial de motociclismo. E este sábado, aconteceu algo fabuloso, que foi a pole-position de Miguel Oliveira na categoria-raínha, a primeira de sempre do piloto português. E claro, a primeira de um português em casa.

A parte estranha é que isto acontece em plena segunsa vaga da pandemia, onde por causa disso, o Autosromo de Portimão não tem quaisquer espectadores. Mas isso não impede de milhares terem aplaudido em casa, dando virtualmente os parabéns pelo feito, esperando não só que amanhã isso se traduza em vitória ou numa boa posição final, como também isto seja o principio de algoi melhor, que tenha material para ser campeão do mundo. Ele, que já venceu uma prova nesta temporada.

Ainda por cima... essa não é a mota principal da KTM!

Veremos como será amanhã. ele sabe que tem todo um país a torcer por ele.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

MotoGP: Portimão encerra a temporada de 2020

Esta confirmado: o MotoGP encerra a sua temporada a 22 de novembro no Autódromo do Algarve. O anuncio foi feito esta tarde em Portimão e acontecerá quase um mês depois do Grande Prémio de Formula 1, que acontecerá no mesmo local. Já se ouvia isto desde a semana passada, quando a etapa final, prevista para a Argentina, tinha sido cancelada, e o acordo entre a Dorna e a FIM tinha sido accionado, com a ideia do Autódromo português ser o primeiro substituto, em caso de alguma queda de algum circuito devido à pandemia. 

Assim sendo, o evento de hoje foi recebido com satisfação pelas autoridades.

É um grande feito para a nossa equipa finalmente ter MotoGP na nossa pista!" começou por dizer Paulo Pinheiro, o presidente e CEO do Autódromo do Algarve. "O MotoGP é o pináculo do desporto de duas rodas, e estamos muito entusiasmados por o receber. Foi um longo processo com a Dorna, tínhamos um acordo desde 2017 e, finalmente, todo o trabalho árduo valeu a pena. Além disso, ter o Miguel Oliveira na grelha de MotoGP, poder lutar pelo pódio, será um complemento incrível para esta prova, e esperemos que o Campeonato seja decidido aqui.”, continuou.

Para Carmelo Ezpeleta, CEO da Dorna Sports, Portimão era uma grande novidade para ele e falou da longa história de Portugal no MotoGP. “É uma grande novidade para nós, assinámos um acordo em 2017 com Portimão para ser o circuito de reserva para qualquer tipo de cancelamentos, e temos estado em contacto com eles todo este tempo. Estivemos em Portimão com a Superbike e achamos que é uma possibilidade incrível para nós, e também está no acordo que a pista será reasfaltada após a ronda de Superbike. Quando explicámos isto aos pilotos, eles ficaram entusiasmados porque viram a pista na televisão, mas nunca lá estiveram.

Portugal tem uma longa história no nosso desporto e tem havido algumas batalhas históricas no Estoril. É algo muito bom para nós ter a possibilidade de voltar a Portugal, especialmente com Miguel Oliveira a participar, pois é ótimo ter um piloto português capaz de competir no seu próprio país. Estamos extremamente felizes por estarmos a correr em Portimão no final do ano.

Miguel Oliveira, atual piloto da KTM, ficou contente com o anuncio da prova de encerramento do campeonato em terras algarvias. “É inacreditável, estou a delirar, é um sonho! Obviamente já lá corri duas vezes, um ano nas 125 e outro em Moto3, e é super-especial, sendo eu o único português no Mundial e agora na categoria de MotoGP, o sentimento de voltar a correr lá é muito especial…”. começou por dizer na conferencia de imprensa

Poder regressar e correr no meu país é incrível, estou mesmo, mesmo, a antecipar o prazer, e ser a última prova ainda mais, porque posso andar ao máximo e dar tudo em frente da multidão local… esperemos que tudo corra bem, vamos preparar uma boa época para chegar lá fortes e acabar em grande! Estou pronto para conseguir um bom resultado!”, concluiu.

Paulo Pinheiro diz que tentará trabalhar para ter pelo menos 30 mil fãs no complexo algarvio durante esse final de semana, caso haja autorização da Direção Geral de Saúde e não haja algum aumento enorme de novos casos por essa altura.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Um filme sobre Mike Hailwood a caminho?

Mike Hailwood é uma das mais icónicas personagens do motociclismo e do automobilismo. Quase 40 anos após a sua morte, a sua vida poderá ser transposta para Hollywood. O australiano Eric Bana pretende fazer o seu papel, num "biopic" sobre a sua carreira, quer sendo nove vezes campeão do mundo de motociclismo, em três categorias, quer no automobilismo, sendo piloto da Surtees e McLaren.

O filme concentrar-se-á no seu regresso ao Man TT em 1978, depois de onze anos de ausência, quando conseguiu bater Giacomo Agostini na edição de 1967, num dos duelos mais importantes da história do motociclismo.

Em principio, Bana será também produtor, a realização será de outro australiano, James Conolly. Por agora, o projeto está nos estágios iniciais.

Hailwood, nascido a 3 de abril de 1940 em Great Milton, no Oxfordshire inglês, morreu 40 anos depois, a 23 de março de 1981, no Warwickshire, num acidente de automóvel.

terça-feira, 16 de abril de 2019

Motociclismo: Venturi quer bater um recorde eletrico

A Venturi não anda só a construir carros, mas também ajuda noutros meios de transporte, neste caso em particular, para ver se bate um recorde de velocidade. Em duas rodas.

A Voxan, a marca do grupo Venturi, construiu um protótipo que pretende usar para um recorde de velocidade que vão tentar em 2020 no Salar de Uyuni, na Bolivia, com o italiano Max Biaggi ao volante. O objetivo é alcançar os 330 km/hora, e a acontecer, seria um novo recorde de velocidade em motos elétricas.

"Eu sempre adorei um desafio", começou por dizer Biaggi no e-racing365.com. “Quando meu amigo Gildo Pastor veio até mim com seu plano para o recorde mundial de velocidade terrestre e o Voxan Wattman, obviamente iria dizer sim. Gildo é especialista e pioneiro no campo da mobilidade elétrica. Sob seu ímpeto, a Venturi Automobiles estabeleceu vários recordes e marcou uma série de novidades no mundo.Estou orgulhoso de dar esse novo passo na minha carreira sob as cores do Voxan e do Venturi, com quem já comecei a trabalhar", continuou.

Os engenheiros e designers do departamento de pesquisa e desenvolvimento são movidos por um senso de determinação extremamente motivador. Pasando a marca de 330 km/hora com esta máquina "made in Monaco", irá fornecer ainda mais evidências da experiência do grupo neste campo", concluiu.

Conheço Max há 15 anos e compartilhamos os mesmos valores e paixões”, começou por comentar o presidente da Venturi, Gildo Pastor. “Hoje nos vemos reunidos em um projeto próximo a ambos os nossos corações, e um que nos aproxima um pouco mais. É uma honra confiar o Voxan Wattman a um piloto que deixou a sua marca na história das corridas de motos.Para participar dessa aventura ambiciosa e, talvez, escrever os nomes de Venturi e Voxan nos anais da história, era preciso ser Max!", continuou.

Alcançar 330 km/hora representa um enorme desafio para uma motocicleta nesta categoria, mas estou muito confiante. Minha fé na eletromobilidade de alto desempenho não diminuiu em 20 anos!”, concluiu.

quinta-feira, 14 de março de 2019

A(s) image(ns) do dia

Normalmente, falo muito pouco sobre motociclismo, mas soube recentemente que eles também iriam fazer uma competição elétrica, a Moto E. Essa competição até tinha desenvolvido o suficiente para que este ano já terem sido feitos motos, escolhido pilotos e elaborado um calendário, com pilotos como Randy de Puniet, Sete Gibernau, Eric Granado ou Maria Herrera, entre outros.

O incêndio, de origem ainda desconhecida, começou pelas 1:15 da manhã desta quinta-feira, foi devastador e nenhuma moto sobrou para contar a história. Contudo, os organizadores já disseram que apesar deste incêndio, novas motas serão feitas e estarão prontas a tempo da primeira prova do campeonato, a 19 de maio, no circuito Bugatti, em Le Mans.

"Um incêndio no E-paddock recém-construído destruiu a maior parte do material para a Copa do Mundo FIM Enel MotoE", disseram os organizadores através de um comunicado oficial.

A causa do incêndio está atualmente sob investigação.

Felizmente não houve feridos. Uma atualização seguirá nas próximas horas sobre as causas exatas do incêndio e quaisquer alterações subsequentes no calendário.

Não acredito em sabotagem, deve ter mais a ver com a energia que vai para as motos, o seu condicionamento, e a potência que necessita de ser dominada. E claro, os perigos que isto têm. E uma competição como esta vai ser mais um passo rumo a um futuro elétrico, numa competição tão interessante como o automobilismo.

E deste incidente, espera-se que não passe disto: um contratempo. Vemo-nos em breve.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Boas noticias não são noticia, as más estão em toda a parte

No jornalismo, há uma frase que se usa muito: "Good news is no news". Quando estava mais ativo nas redações, especialmente quando aconteciam desgraças, ouvia muitas queixas de pessoal que nos viam por ali, a dizer algo do género: "porque é que não aparecem quando acontecem coisas boas?". As pessoas não sabem que, se aparecemos para as coisas boas, é publicidade, se aparecemos para as coisas más, é noticia. E os jornalistas não são (mal) pagos para fazerem relações públicas.

Ontem à tarde, a tragédia abateu-se motociclismo, numa prova do campeonato nacional de velocidade, no circuito do Estoril. O piloto local, Sérgio Leitão, de 42 anos, sofreu um despiste fatal na Curva 6, a famosa Curva do Tanque, que não tem escapatória e tinha sido encerrada em 1994, subsistuida pela chicane. 

"Decorria uma das provas pontuáveis para o Nacional de Velocidade, um dia que se antevia de festa, de inauguração do novo asfalto, quando, tragicamente, na sétima volta de uma das corridas do programa, houve um acidente que se revelou bastante grave. De imediato a corrida foi interrompida e foram acionados todos os meios de segurança", relatou António Lima, presidente do Motor Clube do Estoril.

"As manobras de reanimação começaram de imediato no local. O piloto foi estabilizado, depois transferido para o Hospital de Cascais. Nem sequer passou pelo hospital do circuito, dada a gravidade da situação. Após várias tentativas de reanimação, declararam o óbito", acrescentou.

O dirigente afirma que todas as medidas de segurança tinham sido implementadas, e seriam os equivalentes a uma prova do Moto GP, por exemplo.

"As causas tem de ser apuradas posteriormente. O piloto caiu sozinho. Porém, a pancada foi muito forte, quase como se não tivesse travado. Tudo terá de ser averiguado. Gostaria de sublinhar que o Estoril dispões de todos os meios de segurança passivos. As provas do Nacional tem o mesmo efetivo de segurança que as do Campeonato do Mundo. Estamos a falar de uma pista que hoje podia receber o Moto GP. Aqui, qualquer piloto nacional merece tanto ou mais respeito como outro do Mundial. Infelizmente, a competição envolve riscos e [ontem] assistimos a um trágico acidente", lamentou António Lima.

Descrito como "uma pessoa afável" e "um piloto do meio da tabela" e que "vivia a velocidade não para ser campeão, mas para se divertir com os amigos a cada fim de semana", ele levava a familia consigo para que assistissem às corridas e aplaudissem a sua performance. E eles estavam lá quando aconteceu o seu acidente fatal. E hoje, quem lê os jornais, as noticias sobre o seu acidente fatal estão em todo o lado, e quase todos tem chamadas de primeira página. E as televisões fizeram noticias sobre esse acidente.

E posso dizer que nos muitos anos que levo disto - e pouco ligo ao motociclismo, confesso - nunca vi nenhuma noticia do campeonato português de motociclismo cujas impressões tenham sido positivas. Se tudo corre bem, fica na sua seção, lida pelos aficionados. Se tudo corre mal, todos lêm e os aficionados, justificadamente, revoltam-se por ver "os outros" lerem sobre isto a falaram coisas dos quais não tem nada a ver com o assunto. E com imensa razão. Mas deveriam saber que é assim o jornalismo, é assim o seu humano. Somos voyeuristas em termos de desgraças, aprendi isso na minha terceira ou quarta aula na faculdade.

E ainda por cima, ontem, Filipe Albuquerque venceu as 4 Horas de Spa-Francochamps, prova a contar para o Europeu de Endurance. E tirando as revistas e os sites de automobilismo, não há qualquer referência. E no desportivo que peguei hoje para ler sobre esta noticia, ambas estão na mesma página, mas a vitória do piloto de Coimbra ocupa meia coluna, partilhando a outra meia com as vitórias do filho de Michael Schumacher na Formula 3 europeia. 

Agora, voltando ao circuito. A temida Curva do Tanque é aquela do qual o Alex Caffi bateu forte no GP de Portugal de 1990, obrigando ao encurtamento da corrida desse ano. Não tem escapatória porque ali é rocha, e fazer algo é muito, muito dificil. Foi por causa disso que fizeram a chicane, pois era mais fácil, e a Curva do Tanque foi abandonada. Durante mais de vinte anos, não se usou aquela parte. Só que este verão, a organização decidiu colocar uma capa nova de asfalto no circuito, e aproveitaram para reativar a curva. Mas não fizeram a escapatória que aquela parte merecia ter, apesar de haver reforço nos guard-rails. Mas não chega. É um circuito que tem tudo e é relativamente fácil de se reequipar para o Grau 1 exigido pela FIA, é verdade, mas sabem que o motocilismo tem muito mais riscos que o automobilismo.

À familia, endereço as minhas condolências. E aos amantes do motocilismo, entendo bem a sua dor e a sua indignação. Depois da desgraça, todos se vão embora e voltarão às suas vidas, voltando o campeonato de novo para a sua obscuridade. Mas é assim o ser humano, por muito que o tentemos modificar. 

domingo, 3 de junho de 2018

A(s) image(ns) do dia

Foi um bom dia para as cores portuguesas. Miguel Oliveira foi o melhor na Moto2, vencendo em Mugello, no GP de Itália, enquanto Bruno Magalhães foi o melhor no Rali da Acrópole, no Europeu de ralis.

Bem sei que não é no WRC ou na MotoGP, mas temos de dizer que são provas internacionais, perante concorrência internacional, e com máquinas tão boas ou superiores a aquelas usadas pelos seus adversários. Lutaram, ousaram, tiveram sorte e foram felizes, com vitórias merecidas. 

No caso do Miguel, partir de 11º na grelha e subir lugar após lugar nas 21 voltas que teve na pista italiana demonstra a sua capacidade de condução e determinação em vencer. No caso de Magalhães, foi um caso de sorte e resistência, ser veloz quando tinha de ser e cauteloso quando deveria. E claro, ter a sorte no seu lado. Não furou, não quebrou rodas, não teve avarias, correu tudo bem. 

E agora, com ambos no pódio e a ouvir o hino nacional, ambos partilham outras coisas: foi a primeira vez que venceram nas suas temporadas, e agora são os segundos classificados na geral, sendo os maiores adversários dos atuais comandantes dos campeonatos.

Mesmo que no final isso possa não resultar em títulos, temos de dizer que em termos de duas e quatro rodas, foi um bom dia para quem vibra pelo verde e vermelho da bandeira, mais a esfera armilar.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Vende-se: BMW 507 de John Surtees

Este está a ser um bom ano para os leilões de clássicos. Depois de termos visto esta semana carros e fatos de Ayrton Senna, agora vamos ver um "daily driver". E não é um qualquer, é um BMW de luxo dos anos 50, que teve apenas um dono, mas não foi um mero dono qualquer. "Apenas" uma lenda do automobilismo e do motociclismo. Pois bem, este raro BMW 507 Coupé está à venda. A casa de leilões Bonhams vai leiloar este belo exemplar de 1957 que foi propriedade de John Surtees por mais de 50 anos. 

Tudo aconteceu em 1957, depois de ele ter conseguido o seu primeiro título mundial pela MV Agusta. O Conde Agusta queria dar uma recompensa ao seu piloto pela conquista do Mundial do ano anterior, e Surtees viu este carro em Hockenheim, guiado por Alexander von Falkenhausen. Apaixonado por ele, convenceu-o a adquirir o carro por três mil libras, uma fortuna na altura. Para além disso, ajudou a desenvolver pneus para a Dunlop e como recompensa, o carro têm travões de disco às quatro rodas.

Quando no final de 1962, ele foi para a Ferrari correr para eles, apareceu em Maranello ao volante do BMW, algo do qual Enzo Ferrari recompensou... com um desconto no seu salário!

Surtees, o único piloto que foi campeão nas duas e quatro rodas, e também foi construtor, usava este carro frequentemente até morrer, em março do ano passado.

O leilão vai acontecer a 13 de julho, em Goodwood, e sem reserva, a casa de leilões acha que poderá alcançar valores na ordem dos dois milhões de libras.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

ULTIMA HORA: Valentino Rossi sofre queda e é operado

Valentino Rossi sofreu nova queda esta noite e está internado no Hospital de Urbino, para ser operado a uma possível fratura a uma fíbula, a mesma do qual sofreu uma queda em Mugello, há sete anos. Para além disso, também sofreu uma fratura na tíbia.

A queda aconteceu esta tarde durante uma prova de enduro que estava a fazer com alguns dos seus amigos.

O piloto de 38 anos já tinha sofrido uma queda em maio, durante uma prova de motocross, mas nessa altura não sofreu lesões de maior, e pode correr na prova seguinte. Desta vez, as coisas poderão vir a ser mais complicadas. 

Mais noticias sobre a condição física de Rossi mais tarde.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

The End: Angel Nieto (1947-2017)

O antigo motociclista espanhol Angel Nieto, vencedor de treze títulos mundiais no motocicilismo, morreu esta noite aos 70 anos, num hospital em Ibiza. Nieto tinha sofrido um acidente no passado dia 26 de julho em Ibiza, onde passava férias, e esta manhã, tinha sido declarado que tinha sofrido um edema cerebral durante a noite, tendo ficado em estado critico.

Nascido a 27 de janeiro de 1947 em Zamora, era o filho de uma familia humilde e tinha crescido no bairro de Vallecas, nos arredores de Madrid. Começa cedo no motociclismo, primeiro como aprendiz na Bultaco, e depois na Ducati. É campeão espanhol em 1966, e no ano seguinte, corre no Mundial de 50cc, de volta à Derbi, que o tinha contratado como piloto.

Em 1969, vence o título mundial de 50cc, o primeiro ganho por um espanhol na motovelocidade. Repete no ano seguinte e ainda foi vice-campeão nas 125cc. Em 1971, é o contrário: campeão na categoria 125cc e vice-campeão nos 50cc. E em 1972, é campeão em ambas as categorias. E para além disso, corre em provas espanholas, onde vence campeonatos quer nas 50cc, 125cc e até 250cc.

Depois de passagens por Morbidelli, é na Kreidler que volta a vencer um campeonato mudial, em 1975, e no ano seguinte volta a correr, mas pela Bultaco. Ali vence os títulos de 1976 e 77 na classe 50cc, mas a meio de 1978 muda-se para Minarelli. E é nessa altura que se dedica exclusivamente aos 125, vencendo o campeonato em 1979 e 81, numa altura em que explora os 250cc, sem sucesso.

Em 1982, passou para a Garelli, onde vence o campeonato de 125, repetindo o título em 1983 e 84, chegando aos treze títulos mundiais. Mas como ele tinha a fobia de sequer dizer o número, passou a dizer que tinha alcançado o "12+1". Em 1985, venceu o GP de França na classe de 80cc, a sua nonegésima vitória da sua carreira. Mal ele pensava que seria a última da sua carreira. Ele já tinha 38 anos e uma carreira de vinte no motociclismo.

Depois de uma temporada modesta em 1986, outra vez pela Derbi, Nieto retirou-se da competição, aos 39 anos. No ano seguinte, forma uma equipa de motociclismo, a Ducados-Nieto, que acabaria no final da temporada de 1988. A partir dali, decide ser comentarista na MotoGP por mais de vinte anos pelas várias televisões espanholas. E vê a sua descendência correr, em várias categorias. Angel Jr (Gelete) e Pablo correram nas 125cc por mais de uma década, e o seu sobrinho anda pelas 250cc, onde se torna vice-campeão em 2002. Mas nenhum deles alcançou os títulos do seu parente.

No final, Nieto abriu o motociclismo a Espanha e ao mundo. Foi o primeiro grande ídolo desportivo espanhol da segunda metade do século XX e teve um estatuto de lenda ao lado de Giacomo Agostini, apesar de nunca ter corrido numa moto de 500cc. Ars longa, vita brevis, Angel.

quinta-feira, 16 de março de 2017

A imagem do dia

Quase uma semana após o desaparecimento de John Surtees, dei de caras com o momento em que ele começou a passar das duas para as quatro rodas. A coisa interessante sobre o próprio "Big John" é que em 1960, quando essa transição aconteceu, ele não tinha qualquer intenção de se meter nas quatro rodas. No final, foi um misto de aborrecimento, escape de um contrato que lhe era desfavorável e oportunidade.

Tudo começou em 1959, quando Surtees estava no auge da sua carreira nas motos. Vencia tudo nas classes de 350 e 500cc, graças às máquinas italianas da MV Agusta. O conde Agusta estava feliz por saber que tinha o melhor piloto do pelotão, mas surtees estava aborrecido. Queria ter maior liberdade no seu contrato, especialmente para correr noutras máquinas, entre os Grandes prémios de motociclismo. Agusta recusou, e depois de pensar um bocado, recordou uma conversa que tinha tido algum tempo antes com Mike Hawthorn: de que deveria tentar os automóveis, não só porque tinham mais duas rodas que as motos, mas também "porque não cais tão facilmente", citando o primeiro campeão inglês de Formula 1.  

Como nada havia no seu contrato que impedisse de correr em quatro rodas, Surtees tentou a sua sorte num Aston Martin de Le Mans. Esse teste aconteceu em Goodwood e ele andou bem. Tão bem que... superou os tempos feitos por Stirling Moss no mesmo carro. Os resultados do teste chegaram aos ouvidos de Tony Vanderwell, dono da Vanwall, que ficou fascinado com o que Surtees tinha feito, e telefonou-lhe, oferecendo um dos exemplares do carro de 1958. 

Surtees contou esse episódio anos depois, à Motorsport: "Ele disse, 'o que diabos você estava a fazer dirigindo essa coisa? Por que você não me disse que queria experimentar um carro?' Ele me disse para estar em Goodwood no dia seguinte, onde havia um Vanwall de Formula 1 à minha espera."

Dito e feito: com o Vanwall à sua espera, Surtees saltou para o carro e fez tempos melhores do que Tony Brooks e Stirling Moss. Vencidas as reticências, Surtees alinhou na sua primeira corrida, uma prova de Formula Junior em Goodwood, no inicio de 1960. O seu maior rival na grelha? Um tímido escocês chamado... Jim Clark, que alinhava num Lotus. Surtees estava num Cooper-BMC inscrito por um madeireiro chamado Ken Tyrrell.

A corrida foi um duelo entre Clark (que estava a fazer a sua segunda corrida em monolugares!) e Surtees, que tinha feito a pole-position. Tudo acabou quando ele bateu contra um concorrente que iria dobrar. Mas a experiência - e a maneira como duelou com o escocês - foi mais do que suficiente para que corresse na Formula 1 logo nesse ano, no GP do Mónaco. A bordo de um Lotus 18, que tinha como companheiro de equipa... Clark.

A corrida nas ruas monegascas não teve o inicio que queria, desistindo ao fim de 17 voltas, mas em Silverstone, conseguiu o seu primeiro pódio, um segundo lugar. E na Boavista, conseguiu ainda mais: uma pole-position, a primeira de sempre da equipa de Colin Chapman. Liderou a corrida sem problemas até à volta 37, quando uma fuga de óleo o fez escorregar o seu pé do pedal do travão e causou uma batida contra os fardos de palha. Mas tinha convencido Chapman ao ponto de ele poder escolher o seu companheiro de equipa. Ele quis Clark, mas sentiu pena por Innes Ireland, com quem tinha uma boa relação de amizade, e decidiu ele mesmo sair da Lotus.

Mas ele já tinha feito a decisão de ir para as quatro rodas, retirando-se das duas no auge, com ambos os títulos de 350 e 500cc no bolso.