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quinta-feira, 12 de abril de 2012

5ª Coluna: As certezas a doze dias do Bahrein

Quem vê esta fotografia, que encontrei ontem no site Grande Prêmio, parece que está tudo em paz e sossego, vivendo no melhor dos mundos. Mas na realidade, há manifestações e os habitantes são hostis com a presença da Formula 1, pois acham que está ao serviço de um governo repressor, do qual pretendem derrubar para encetar reformas democráticas. E pior do que isso, a cada dia que passa, mais parece que a organização da Formula 1 deseja estar no lado hostil da situação, julgando que está a fazer um favor. Na realidade, poderá estar a destruir a sua credibilidade.

Nas últimas horas - e dias - assistiu-se a uma espécie de "blame game" onde cada uma das partes diz que não tem qualquer poder para adiar ou cancelar o Grande Prémio. Como disse ontem, Bernie Ecclestone afirma que não pode obrigar as equipas a irem a lugar onde não querem ir, mas imediatamente a seguir, diz que caso o façam, será visto como uma quebra do contrato. Poucas horas depois, a FOTA, a associação das construtoras da Formula 1, diz que não cabe a elas cancelarem o Grande Prémio, pois é uma prova organizada pela FIA.

Mas sei que isso já tinha sido referido no inicio de março, quando um grupo de deputados britânicos tinham pedido à entidade liderada por Jean Todt para que não fossem ao Bahrein. E eles responderam que quem organiza o calendário é... Bernie Ecclestone. Em que ficamos? Na culpa que morre solteira. Ou que nenhuma das partes quer ser a que dá o "passo decisivo", pois assim não terá de devolver os mais de 40 milhões de dólares que a familia real do Bahrein pagou para ter a Formula 1 por lá.

Mas ontem à noite, o jornal "The Guardian" afirmava que Jean Todt, o presidente da FIA, e Bernie Ecclestone tinham chegado a um acordo para convencer as equipas para irem ao Bahrein e que iriam convencê-los esta sexta-feira, em Xangai, de que tudo está seguro, apesar dos protestos populares. Há uma boa razão para que ambas as partes tenham esta convergência de opiniões, e isso se chama de "influência". O Bahrein tornou-se, graças aos seus multios milhões, numa potência junto da FIA, e por causa disso, esta temporada teceberá quase tudo que tenha rodas e um volante, à excepção do WRC. Haverá duas rondas da GP2, o Mundial de Resistência estará por lá em setembro, e uma das finais do Mundial de karting será nesse emirado. E tudo graçasa aos gostos automobilisticos do filho do emir...

Com as equipas a terem de decidir até este final de semana, as pessões, como podem entender, são grandes. E os receios crescem na mesma proporção. Um bom exemplo desse receio é o que o Luis Fernando Ramos, o Ico, escreveu esta quarta-feira na sua coluna no site Total Race. O título que ele usa diz tudo: "Insensatez", e este parágrafo é revelador da mentalidade dominante na categoria: 

"O pior é que precisamos lamentar mais a inabilidade da Fórmula 1 de sair dessa situação do que a instabilidade no Bahrein. Ao menos, manifestações populares contra regimes totalitários sinalizam mudanças. Mas o regime totalitário da F-1 coloca seus interesses financeiros acima de tudo. Até mesmo acima da imagem da categoria, que merecerá todos os adjetivos de estúpida, arrogante e mercenária se fizer seu show para as arquibancadas sempre vazias do circuito do Sakhir enquanto, a poucos quilômetros dali, a polícia sentar o pau no povo do país." 

"E todo esse desgaste absolutamente desnecessário em meio a um campeonato que começou muito bacana na esfera esportiva. Chegou a hora da F-1 viver sua revolução política."

Sei que os barenitas não raptam pessoas, mas acho que se planeassem uma "Operação Ecclestone" para perturbar o Grande Prémio, não ficaria admirado. 

quinta-feira, 8 de março de 2012

5ª Coluna: A tempestade que vem a caminho

Faltam menos de dez dias para começar a temporada de 2012. E se para muitos, as expectativas são muitas, pelo facto de termos seis campeões do mundo a correrem ao mesmo tempo, algo que não acontecia há quase 40 anos, e também porque finalmente vão ver ação, depois de tantas semanas de testes, especulações e desmentidos - ou nem tanto - há outros que dizem, um pouco em surdina, que estamos a ver o inicio da tempestade. E digo isto porque a temporada de 2012 é o último ano de validade do atual Pacto de Concórdia.

E como sabem - tenho contado esses desenvolvimentos ao longo dos últimos meses - a Formula 1 vive uma tensão controlada entre a FIA, Bernie Ecclestone e as equipas de Formula 1, numa FOTA dividida. E isto é potencialmente perigoso, pois como sabem, num desporto que movimenta receitas superiores a mil milhões de euros, e do qual são divididas a meio por uma organização que é, basicamente, uma pessoa: Bernie Ecclestone. E ele está a caminho dos 82 anos. Pode ainda estar a posse de todas as faculdades, mas não andará por aqui para sempre.

E nestes tempos, o Joe Saward conta que há mais um fator a acrescentar a isto tudo: o caso Gribowsky. Se não sabem, eu conto. Trata-se do financeiro alemão ao qual no final de 2009 foram descobertos 50 milhões de euros numa conta sua na Austria, e do qual ele não deu uma explicação convincente. Executivo na Bayerlische LF, um banco que faliu na altura e que no inicio da década cuidou dos interesses da Formula 1 após a falência do Grupo Kirch, em 2003, Ecclestone afirmou em tribunal que deu esse dinheiro para o calar sobre a proveniência da Bambino Trust, o fundo que criou para mimar as suas filhas, e que deve valer mais de mil milhões de libras (1,2 mil milhões de euros). 

Agora por causa disso, o Fisco britânico, mais concretamente a Serious Fraud Office, quer falar com Ecclestone sobre esse fundo, pois acha que ele anda a fugir aos impostos. Pelos vistos, é mais um problema bicudo para que o anãozinho tenebroso resolver...

Em suma, cada lado está fragilizado, e provavelmente, nenhum poderá usar o seu poder para bater o outro lado. As equipas podem jogar com o "fator tempo" - os 81 anos de Bernie - e o fato de não haver um sucessor designado, o que é típico de alguém que delega tudo em si mesmo, para conseguir o que querem, que é uma fatia maior do bolo, deixando entre 10 a 15 por cento a uma espécie de comissário, que tanto pode ser a CVC - é uma financeira, que vende à melhor oferta - que poderá designar um burocrata "petrolhead".

Mas se este pode ser um potencial caminho, há outro grande assunto que tem de ser tratado, que é o controle de custos na Formula 1. A Europa já chegou a um limite em termos de pagamento do dinheiro que Ecclestone pede para que tenham a categoria máxima do automobilismo nos seus lugares. Valência pode estar à beira do cancelamento, por ser incapaz de pagar o dinheiro que Ecclestone pede, quase 30 milhões de euros, e Barcelona já está com dificuldades. Se a Bélgica já aceita que o seu circuito receba a Formula 1 de dois em dois anos, alternando com França, porque receber a prova em Spa-Francochamps dá prejuízo, isso é cada vez mais um sinal de que as coisas estão a ir longe demais. E em tempo de crise, só tende a piorar. 

E claro, Ecclestone e os que estão à sua volta estão cada vez mais alheados da realidade, o que é típico dos  ditadores que tanto admira e se esforça em seguir.

Portanto, podem ver que a temporada que aí vem tem todo o potencial para ser fantástica na pista. E nos corredores do poder e do dinheiro, também...

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Noticias: Red Bull e Ferrari anunciam o abandono da FOTA

A Autosport britânica anuncia esta manhã que Ferrari e Red Bull anunciaram esta manhã que irão abandonar a FOTA, descontentes com o rumo seguido pelas negociações sobre o acordo de redução de custos. A noticia soube-se esta manhã, embora nenhuma das equipas em questão fez qualquer comentário, algo que a FOTA já reagiu através de um porta-voz:

A FOTA confirma que recebeu a renúncia de duas escuderias. Enquanto considera seus próximos passos, a FOTA continuará a trabalhar em nome de seus membros para alcançar os objetivos da organização”, afirmou esse porta-voz.

De acordo com o último estatuto da FOTA, as marcas representadas precisam de avisar com dois meses de antecedência que irão deixar a organização, o que significa que Red Bull e Ferrari oficialmente abandonarão a entidade no início de fevereiro do ano que vem, o que dá espaço de manobra para que cheguem a um acordo e mudem de ideias.

Esta tomada de posição das duas principais equipas do campeonato tem a ver com a falta de acordo em relação aos gastos que as equipas podem ter ao longo de uma temporada, o famigerado RRA (Resource Restriction Agreement). No último final de semana, no Brasil, a FOTA reuniu-se e decidiu que as cinco principais equipas - McLaren, Red Bull, Ferrari, Mercedes e Renault - iriam tentar chegar a um acordo entre si para que alcançassem um entendimento em relação às regras e respectivo policiamento. Mas parece que tal não aconteceu... e agora, tem de se elaborar um acordo ao cronómetro, se querem salvar a FOTA e controlar os custos para os próximos anos.

As atitudes de Ferrari e Red Bull são apenas o concretizar de ameaças feitas ao longo deste ano, devido à crónica falta de acordo nesse campo. Ambos os lados tinham expressado esse descontentamento no inicvio de outubro, na Coreia do Sul: “Se isso [desconfiança] vem da FOTA, então o que é a FOTA? Conhecemos o porquê do início da FOTA e agora precisamos entender se ela ainda é necessária. Quais são os objetivos da FOTA? Há um futuro para FOTA? Temos de decidir isso de maneira muito construtiva e aberta. Acredito que esta discussão será muito importante nas próximas semanas.”, afirmara então Stefano Domenicalli, diretor desportivo da Ferrari.

Quanto a Christian Horner, ele afirmara na mesma ocasião: “Acho que a FOTA chegou a uma encruzilhada em que se precisa avançar com alguns dos principais problemas ou vamos parar – é simples. Os principais problemas são obviamente o Pacto de Concórdia, a direção na qual ele vai, e fundamentalmente o RRA. Se não chegarmos a um acordo dentro da FOTA em relação a isso, então qual será o propósito da associação?

Caso a ameaça desta manhã seja confirmada, poderá ser um sério revés à unidade das equipas e à continuidade da FOTA. E claro, Bernie Ecclestone esfregará as mãos de contente pois poderá fazer um acordo com quem quiser e bem apetecer, usando os argumentos que os dividiram a seu favor e paga o que tem de pagar para proteger os seus interesses por muitos mais anos. Logo, tem um acordo o mais cedo possivel para o controlo de custos, bem como a sua monitorização, uniformizando o mais possivel os seus modelos de negócio, por exemplo, seria o ideal para enfrentar Bernie Ecclestone nos desafios que tem pela frente, como as negociações do novo Pacto de Concórdia, que deverão acontecer no próximo ano...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A FOTA à beira da auto-destruição?

Por estes dias há outra matéria do qual pouco se fala, mas é importante para o futuro da Formula 1, nomeadamente na coesão das equipas. A Autosport portuguesa fala disso na edição desta semana e o Joe Saward carrega hoje no seu blog. Tem a ver com a coesão da FOTA e o preigo da sua implosão. O motivo? As desavenças sobre o teto orçamental entre as equipas, especialmente na Red Bull.

A Ferrari andou a acusar há alguns dias de que os energéticos, que venceram os dois últimos campeonatos, fizeram-no excedendo um pouco o limite orçamental que anda a rondar, segundo ouvi, os 300 milhões de euros por ano. Aparentemente, esse valor que é gasto por McLaren, Ferrari, Red Bull e Mercedes, não só foi ultrapassado pelas razões apontadas anteriormente como também se prepara para ser superado pela Mercedes, pois Ross Brawn contratou elementos importantes como Aldo Costa e Geoff Willis.

Martin Whitmarsh, o patrão da FOTA, já veio a público para afirmar que "ate agora não vi qualquer documento ou qualquer prova de que uma equipa não respeitou o que está acordado na RRA (Resource Restriction Agreement), assinado por todas as equipas. Mas mais do que isso, penso que esta é uma questão que só deve ser discutida internamente e não em público, pois só diz respeito às equipas e não interessa a quem assiste às corridas."

Apesar das acusações vindas da Mercedes sobre a contratação desses técnicos, Ross Brawn jura a pés juntos que não viola o acordo: "Mesmo com estas contratações, ficamos ainda longe do que é o teto acordado entre as equipas, mas existem outras questões, como a distribuição de horas entre o túnel de vento e o CFD, que são muito dificeis de policiar."

"Na Mercedes somos completamente favoráveis à implementação da RRA, mas este tem de ser establecido de uma forma clara, fácil de policiar e controlar. Nós estamos a trabalhar dentro do que pensávamos ser um acordo a longo prazo, mas o hristian Horner afirma que o RRA vigora até ao ano que vêm... existem muitas questões por esclarecer, mas é evidente que se uma equipa gasta mais cinco milhões de euros do que as outras, tem uma enorme vantagem", concluiu.

Claro, Christian Horner refuta tais acusações: "O RRA foi importante para uma equipa como a Red Bull poder competir com equipas como a Ferrari, McLaren ou Mercedes e somos totalmente favoráveis a que seja promulgado. Mas é evidente que, quando uma equipa tem o desempenho que a Red Bull tem tido, a paranoia intala-se entre algumas das suas rivais e é a isso que estamos a assistir."

Só que o Joe Saward diz que essas afirmações de Horner não são lá muito convicentes. Ainda por cima, ele afirma que está por provar se a Red Bull veio para a Formula 1 no sentido de ficar por muitos anos, como estão a Ferrari, McLaren e Williams, por exemplo. A Red Bull é uma marca de bebidas energéticas e não uma construtora de automóveis, e muitos não acreditam muito que a marca ande na categoria máxima do automobilismo daqui a cinquenta anos, por exemplo. O que se quer chegar é que muito provavelmente, caso a Red Bull comece a perder campeonatos e comece a cair no pelotão, simplesmente sairá de cena e levará esses milhões consigo.

Mas quer tenham ou não razão, quer hajam ou não provas, há um problema mais pertinente: não convêm a FOTA se desagregar agora, na altura em que quer ficar com os direitos comerciais da Formula 1, tirando-o das mãos de Bernie Ecclestone. E ter noticias assim perturbadoras a poucos meses da abertura das conversações de um novo Pacto da Concórdia, onde as equipas quererão certamente uma fatia ainda maior do dinheiro proveniente das transmissões de televisão e daquilo que os circuitos pagam para receber a Formula 1, é musica para os ouvidos do anãozinho tenebroso.

Em suma: convêm que as se entendam nesse campo, caso contrário, as suas aspirações de um controlo da Formula 1 a curto prazo esfumam-se.

sábado, 17 de setembro de 2011

A FOTA movimenta-se

A FOTA pode andar algo adormecida ao longo desta temporada, mas pode-se afirmar que não está a hibernar, porque no ano que vêm, vai ter de negociar com Bernie Ecclestone e a FIA, de Jean Todt, um novo Pacto de Concórdia. Esta semana, surgiram noticias de que a entidade que toma conta dos interesses das equipas contrataram uma empresa de advogados, a DC Advisory Partners, para os aconselhar sobre uma possivel aquisição desses direitos à CVC Capital Partners, e depois transofrmar a Formula 1 numa NBA sobre rodas. Livrando-se, claro, de Bernie Ecclestone.

Li sobre o assunto no blog do Joe Saward, mas só hoje é que olho para ele com "olhos de ver" E à sua maneira - ácida e sarcástica, sejamos honestos - explica porque é que Bernie Ecclestone tem ganho sempre que as equipas tentam tirar os direitos da Formula 1 das suas mãos:

"Um bando de capitalistas (CVC) emprestou dinheiro [a Bernie Ecclestone] para que este tivesse controlo do negócio, dando uma pilha de dinheiro ao 'senhor E', que 'trancou' tudo isso em fundos de investimento, para que as suas filhas gastassem tudo em casas e casamentos luxuosos. Desde então que a F1 está a pagar à CVC esse empréstimo, pois esta é uma 'galinha dos ovos de ouro'.

Só em tempos mais recentes é que as equipas chegaram à conclusão de que negociando coletivamente, como um bloco, é que terão mais poder. Tentaram isso anteriormente, mas em cada ocasião, Bernie conseguiu "dividir e conquistar", usando a mesma tática: separar a Ferrari das outras equipas por todos os meios possiveis, para depois chegar a um acordo por uma soma razoável. A Ferrari é uma construtora italiana de supercarros, que não está muito interessada em envolver-se nos aspectos negóciais deste desporto. E com a Ferrari neutralizada, as outras equipas tinham apenas de ficar com aquilo que apareciam.

Só que as coisas modificaram-se um pouco. A Ferrari chegou a conslusão de que pode conseguir mais dinheiro nos direitos da F1, e foi por isso que fundou a FOTA, para avisar à CVC de que a 'galinha dos ovos de ouro quer ser a dona do galinheiro'. É absolutamente lógico. Se um bando de financiadores empresta dinheiro para fazer funcionar o negócio, um grupo de equipas pode fazer a mesma coisa. A chave é construir o 'consórcio certo' para tratar do aspecto financeiro, e se este aparecer com o cheque com numeros suficientemente altos para impressionar os parceiros de Bernie, estes poderão ir embora tranquilamente com esse dinheiro e então o 'Senhor E' iria trabalhar em beneficio das equipas, para além de trabalhar para ele próprio."

O empréstimo que o Joe fala aconteceu no inicio deste século, e que valeu mais de mil milhões de dólares, que devem ser pagos em suaves prestações anuais, ao longo de muitos anos. Enquanto isso, ele e o seu cumplice, Max Mosley arranjou um negócio do qual ele teria os direitos da F1 - ou seja, a parte que cabia à FIA no Acordo de Concórdia - durante 99 anos, em troca de um valor anual dado á entidade máxima do desporto automóvel. Esse contrato, curiosamente, terminará em 2012.

É sabido que desde esta primavera que a EXOS, um consórcio onde estão envolvidos o Grupo FIAT e a Media Corp, do Rupert Murdoch, fez uma oferta para adquirir o negócio da Formula 1 ao tal grupo CVC. As negociações serão longas e complicadas, e poderão arrastar-se para 2012, altura em que tudo estará a ser negociado, como o Acordo da Concórdia. E claro, em 2014 teremos um novo regulamento em jogo na Formula 1, com o regresso dos motores Turbo de 1.6 litros, de seis cilindros em V.

Em suma, isto pode ser encarado como mais um episódio na contagem de espingardas. Se para Ecclestone, era fácil contornar a situação, porque tinha cumplices em todos os lados - como o Max Mosley na FIA - agora parece que as coisas serão mais complicadas. A Ferrari, que nada queria saber sobre os aspectos intrincados da coisa, agora quer o seu pedaço no bolo, e a FIA tem um Jean Todt que já demonstrou que pensa pela sua própria cabeça e ser tudo menos um "pau mandado" de Bernie Ecclestone. E nenhum desses lados vai ficar à espera que a Natureza siga o seu curso no caso do anãozinho tenebroso...

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

5ª Coluna: As tensões e polémicas no seio da Formula 1

Agora que a Formula 1 tira três semanas de férias para gozar o Verão do Hemisfério Norte, há tempo para ler com calma as noticias e os rumores sobre a tempoestade que lentamente a categoria máxima do automobilismo atravessa, relacionada com a guerra surda entre a FIA e a FOM, com a FOTA na expectativa, sobre o controlo da Formula 1 no seu todo. E um bom exemplo dessas tensões li esta semana na Autosport portuguesa, do qual o habitual Luis Vasconcelos conta e eu coloco aqui.

"O relacionamento entre alguns dos responsáveis da FIA e da FOM está a atingir niveis bem baixos. No Nurburgring, o Chefe de Comunicação da FIA, Matteo Bonancini, e o braço direito de Ecclestone, Pasquale Lattuenddu, chegaram a vias de facto quando este último quis retirar um logotipo da federação da zona em que os três primeiros da qualificação iam ser fotografados. Bonancini fez valer o seu ponto de vista e, seguramente por coincidência, a entrega dos passes aos jornalistas estrangeiros acreditados na Hungria - outorgados pela FIA mas geridos pela FOM - só estiveram prontos na tarde de quinta-feira, quando por norma devem estar prontos logo pela manhã, o que criou problemas a muitos dos nossos colegas, impedidos de aceder ao circuito. Os dois italianos voltaram a falar no circuito, mas parecem não chegar a acordo, no que é um reflexo da guerra aberta entre os seus patrões, que estão a fazer faísca em todos os detalhes."

E neste final de semana, houve dois casos que exemplificam essa tensão entre todos. A apresentação de uma proposta de calendário de 2012, do qual todos reclamaram pelo fato de haver seis fins de semana consecutivos no final do ano, quando se sabe que, por exemplo, não há vôos diretos entre Austin e São Paulo, e a noticia do acordo entre a BBC e a Sky Sports onde a partir de 2012, parte das transmissões televisivas serão asseguradas pelo canal pago, e detido parcialmente por uma News Corp agora caída em desgraça.

Sobre o primeiro caso, essa proposta de calendário foi totalmente apanhada de surpresa pelas equipas, pois nada sabiam sobre isto e alguns murmuram que pode ser uma forma de Bernie Ecclestone ter colocado uma casca de banana para Jean Todt escorregar e a FOTA - ou seja, as equipas - colocarem as mãos à cabeça pelo desgastante trabalho que terão pela frente e as viagens que farão. E segundo, há etapas ainda em dúvida, desde as histórias à volta da Turquia até às polémicas sobre Valencia, relacionadas com o escândalo de corrupção que abala o governo local.

Sobre o segundo caso BBC/Sky, falamos da Grã-Bretanha, que adora automobilismo e sempre viu a Formula 1 em sinal aberto. A BBC tem contrato até 2015, mas está a braços com cortes na despesa, que está a levar a despedimentos e a cancelamentos. E a BBC paga bem para ter a melhor transmissão do mundo: 40 milhões de libras por ano. E os seus apresentadores, Martin Brundle e David Coulthard, juntos recebem um milhão de libras por ano. Comentadores a peso de ouro, pode-se ver...

Assim, com este novo contrato, a SkySports transmitirá a partir do ano que vêm as qualificações e doze das vinte corridas do calendário, com a BBC a transmitir as restantes dez. Só que quem queiser ver tudo, terá de gastar 40 euros por mês para ter acesso às transmissões da Sky Sports, e isso caiu muito mal no seio das equipas, que apesar de ganharem um pouco mais com este contrato, arriscam-se a ver os custos publicitários diminuirem pelo fato de terem perdido o sinal aberto, apenas porque Bernie Ecclestone continua a ser ganancioso e insensível à crise que ainda há lá fora.

E vejo isto como mais um sinal de que esta exigência cada vez maior de dinheiro como um "caminho para a perdição". Ainda não é a degola da galinha dos ovos de ouro, mas é mais uma facada no seu corpo. Se em mercados mais pequenos, a elitização da Formula 1 passa ao lado do "comum dos mortais", quando se trata de mercados maiores, como a Espanha, Alemanha, Itália, Grã-Bretanha e Brasil, o cerco fecha-se. Mais ano, menos ano, as pessoas, para verem a Formula 1, terão de pagar tanto como se fossem ao autódromo.

E nesta demanda quase maluca por tudo que é asiático por parte de Ecclestone, o anãozinho octogenário quer esquecer que o núcleo duro da Formula 1 ainda é europeu. São esses que enchem autódromos, pois os mercados chinês e o indiano ainda não tem nem interesse, nem público, nem poder de compra para isso. Basta ver a quantidade de pessoas que aparece nos fins de semana em Xangai para dar razão a esse cepticismo. E mesmo os próprios asiáticos já dão conta do presente envenenado que são os contratos assinaram com Ecclestone. Confesso que ficaria bastante surpreendido se os autódromos indiano ou o coreano estiverem cheios de pessoas, dentro de algumas semanas...

Para finalizar, todas estas pequenas polémicas mostram um quadro maior, de que estamos a entrar numa tempestade parecida com a de 2009, onde a luta entre Max Mosley e as equipas levou a que se partisse a corda e as equipas a ameaçarem a criar uma liga paralela. A coisa acalmou-se logo, com Mosley a abdicar do poder e a eleger Jean Todt. Mas em 2012 acaba o Acordo da Concórdia e as equipas querem uma fatia maior do bolo, e ainda por cima, Jean Todt não é o aliado que Bernie deveria contar para continuar a exercer o seu poder.

O que me leva a recear que no próximo ano vejamos a "tempestade perfeita". Será? O que vejo, neste momento, é que andamos muito longe do fundo do poço, pois toda a gente quer esticar a corda até ao ponto de ruptura.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Noticias: Construtores conseguem adiar por um ano a entrada dos 1.6 turbo

Já se ouviam rumores desde há alguns dias, mas hoje parece que se chegou a um acordo de compromisso entre as equipas e a FIA em relação aos motores, de que a nova arquitectura iria ser adiada por mais um ano, para a temporada de 2014, e que os motores iriam ser de 1.6 litros Turbo, como acontece noutras categorias, mas a sua arquitectura será diferente: serão V6, em vez dos quatro cilindros em linha.

"Estamos muito satisfeitos com esta solução. Tivemos conversas bastante produtivas com todos os participantes após o último Conselho Mundial do Automobilismo em Barcelona", é citado um porta-voz da Federação Internacional do Automóvel (FIA) pela Agência Reuters. À decisão falta uma aprovação formal no Conselho Mundial da FIA, que se reunirá no final da semana, provavelmente em Paris.

A discussão sobre a adopção dos motores 1.6 Turbo visava à utilização de tecnologias ecológicas para reduzir os consumos e as emissões poluentes. Contudo, Jean Todt queria que esses motores fossem de quatro cilindros em linha em vez de ser num formato em forma de V, como é tradicionalmente. E era isso que causava criticas nos construtores, especialmente a Ferrari, posição essa que foi seguida pelo sempre atento, e sempre oportunista, Bernie Ecclestone. E nos últimos dias, a Renault adoptou a posição de que só permaneceria na modalidade se os novos motores fossem adotados em 2013, como estava planeado inicialmente.

Contudo, esta decisão pela arquitetura em 'v' foi acordada de forma unânime pelos construtores de motores - Renault, Mercedes, Ferrari e Cosworth - na Comissão da Formula 1, e mesmo a relutante Renault acederam a esta última evolução e aceitaram os V6 e o adiamento por um ano, em beneficio da modalidade.

Esperemos agora pelos passos seguintes.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O "Combate dos Chefes" entre Jean Todt e Bernie Ecclestone

Os eventos do GP do Bahrein foram mais um episódio da polémica entre FIA e FOM, com a FOTA à espreita para ver como isto vai parar. Tudo isto tem a ver com poder e dinheiro, como sabem. O poder tem a ver com o calendário e os regulamentos, e o dinheiro tem a ver com a distribuição das receitas entre as equipas e os detentores dos direitos. E como na Formula 1, como sabem, se movem centenas de milhões de dólares, do qual todos querem a sua quota-parte, e como se aproximam cada vez mais as negociações para renovar o Pacto de Concórdia, a ideia de uma cisão da Formula 1 volta a espreitar-se, em caso extremo, como explica hoje o Luis Fernando Ramos, o Ico.

Contudo, esta semana no semanário português Autosport, Luis Vasconcelos explica o que foi o episódio da polémica sobre a colocação e retirada do GP do Bahrein de 2011, para o dia 30 de outubro. De como isso foi uma "armadilha" colocada por Bernie Ecclestone para desacreditar Jean Todt, e do qual caiu que nem um pato. E de como a FOTA, por outro lado, fez valer a sua posição para que a hipótese barenita caisse de vez. E agora, ela, em contra-ataque, decidiu criticar fortemente Ecclestone e a FOM, dando a ideia de que se vai abrir uma nova frente. Estamos já em plena tempestade...

TODT E ECCLESTONE EM GUERRA

Todt e Ecclestone estão em guerra aberta, com as equipas a assistir, prontas para tirar o máximo desta disputa que ameaça mudar a face da Formula 1.

A forma como a situação do GP do Bahrein foi gerida é bem representantiva do conflito entre os dois homens que, em última análise, decidem os destinos da F1.

Depois da FIA ter surpreendido toda a gente ao recolocar o GP do Bahrein no calendário deste ano, com base num relatório feito pelo espanhol Carlos Garcia, o líder da FOM veio a público dizer que, afinal, era pouco provável que as alterações do calendário fossem avante, pois sem o acordo das equipas isso não era possivel.


Ora, Ecclestone sabia muito bem que esse era o caso, pois o que prevê o Código Desportivo Internacional, e no GP do Mónaco as equipas tinham deixado bem clara a sua oposição à recolocação do GP do Bahrein e à extensão da temporada até meados de dezembro. Ou seja, Ecclestone deixou uma casaca de banana no camnho de todt e o francês, empurrado pelo incrivel relatório de Garcia, caiu de forma clamorosa.

FIA ACUSA ECCLESTONE

Face a estes acontecimentos e a uma declaração da FOTA em que esta manifestava a oposição das equipas à decisão do Conselho Mundial - sem nunca referir as questões ligadas aos direitos humanos no Bahrein, mas atendendo-se apenas a questões logísticas e de segurança do seu pessoal - Jean Todt requereu que Bernie Ecclestone submetesse novo calendário para aprovação da FIA, sublinhando que "o calendário do Mundial de F1 é da exclusiva responsabilidade do detentor dos direitos comerciais e foi por proposta sua que recolocamos o GP do Bahrein no Mundial deste ano".

Face à publicidade da discussão, acabaram por ser os responsáveis do GP do Bahrein a anunciar publicamente que renunciavam a organizar a sua corrida este ano, libertando a FIA e Ecclestone de um fardo. Mas nem isso acalmou a ira de Todt, que fez publicar uma cronologia dos acontecimentos em que garantia que no dia em que a prova foi efetivamente anulada, Ecclestone tinha feito nova proposta para organizar o GP do Bahrein no dia 4 de dezembro, uma semana depois do GP do Brasil.


EQUIPAS NA EXPECTATIVA

Numa altura em que estão em conflito com Ecclestone na discussão do que será a divisão dos lucros da F1, as equipas estão a aproximar-se cada vez mais de Jean Todt e da FIA, pois este também pretende que a Federação receba mais dinheiro por parte do detentor dos direitos comerciais da F1, depois de ter percebido que as receitas vão diretamente para o Instituto da FIA - que ainda é controlado por próximos de Mosley - e não para a estrutura administrativa da Federação.

É na tentativa de ter as equipas como aliadas que Todt está disposto a adiar a introdução dos motores muito para além de 2013, como estava previsto, admitindo-se mesmo que se alie às escuderias na criação de um novo campeonato, gerido comercialmente pela FOTA e do ponto de vista desportivo e técnico pela FIA, abandonando Ecclestone, que tem contratos com alguns circuitos para além do final de 2012 mas tem cada vez menos trunfos na mão.

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PARR ATACA ECCLESTONE

Adam Parr lançou um violento ataque a Bernie Ecclestone durante o fórum que a FOTA organizou para os adeptos da F1 em Montreal. O patrão da Williams insinuou que o lider da FOM está ultrapassado, com consequências para o valor que a F1 gera globalmente.


Parr explicou que "existem milhares de imagens muito interessantes que nunca são vistas, porque o Bernie limita o que as televisões podem mostrar e também não estamos a aproveitar os enormes fontes de receita que são a Internet e as novas tecnologias. Não é possível que o campeonato turco de futebol possa gerar as mesmas receitas que o Campeonato do Mundo de F1 e a NFL garanta oito vezes mais receitas que a nossa competição. Há que seguir novos caminhos, talvez com novas pessoas a dirigir a parte comercial, pois o modelo atual está esgotado."


Se Martin Withmarsh, também presente nessa reunião, tentou suavizar a pílula, Parr abriu mais um campo de batalha entre as equipas e Ecclestone, neste clima de todos contra todos que se vive no paddock da F1.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A troca de correspondência sobre a polémica barenita

Um bom motivo de leitura nesta tarde - pelo menos para mim - foi a troca de correspondência entre a FIA e a FOTA que a entidade comandada por Jean Todt disponibilizou para consulta pública. O caso do GP do Bahrein, que foi recolocado no calendário na passada sexta-feira, como sabem, deu sarna para se coçar e criou reações por parte de pessoas insuspeitas, como Bernie Ecclestone, que defendeu que se calhar, o melhor seria cancelar a corrida. Quando na semana passada defendia precisamente o contrário...

Na carta para a FIA escrita esta terça-feira, Eric Boullier e Martin Whitmarsh, representando a direção da FOTA, justificaram a razão para o qual não concordam com a decisão da entidade máxima do automobilismo mundial por ser "irrealista" e isso causa perturbações na logística das equipas. "Queremos chamar a atenção de que uma extensão da temporada de 2011 para dezembro é incomportável para a vasta maioria do pessoal envolvido nas equipas, pois entra em conflito com os planos internos marcados para o mês em questão", escreveram.

Para além disso, a questão dos regulamentos não pode ser menosprezada. "Queremos chamar a atenção para os artigos 65, 66 e 198 do Código Desportivo Internacional que define os prazos para a publicação dos calendários (art.198) bem como a modificação das datas e os locais dos eventos (arts. 65 e 66) onde o constentimento de todas as partes é requerido", afirmaram.

A FIA respondeu esta tarde com Jean Todt numa carta em três pontos a afirmar que neste tipo de situações, o Pacto de Concórdia tem prioridade em relação aos regulamentos da FIA, que a questão do GP do Bahrein está na agenda desde o passado dia 8 de março e que quem elabora o calendário é o representante dos direitos comerciais, leia-se, Bernie Ecclestone. E que "o delegado da Comissão da Formula 1, no qual as equipas estão representadas, aprovou a norma que vocês mesmos estão a contestar agora".

Contudo, Jean Todt abre a porta a futuros entendimentos: "Contudo, a FIA tem como prioridade a realização sem problemas do campeonato e está atenta aos interesses das equipas, querendo resolver os problemas de maneira construtiva. Sendo assim, ouvi as vossas objeções de última hora e pedi ao representante dos direitos comerciais - Bernie Ecclestone - para rexaminar a sua proposta de calendário para ser de novo submetido ao Conselho Mundial", respondeu.

Assim sendo, parece que ambos os lados querem descalçar a bota de forma a que ninguém perca a face. E ainda por cima, nesta guerra surda entre Bernie Ecclestone e Jean Todt, com o baixinho octogenário a aproveitar esta situação para se colocar ao lado dos construtores, defendendo o cancelamento do GP barenita, em mais uma "manobra cataventistica", deixando mal Jean Todt e marcar pontos noutros casos onde Todt está a patrocinar, como os regulamentos dos motores para 2013, no qual Ecclestone parece torcer o nariz, aproveitando a oposição de Luca de Montezemolo.

Veremos quais são os próximos capítulos. Mas agora já sabemos quais são as intenções de ambos os lados.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Noticias: FOTA é contra o GP do Bahrein, Mosley também

As horas passam e as reações continuam. A Autosport britânica tinha avisado esta tarde de que a FOTA tinha comunicado oficiosamente à FIA de que se opunha á realização do GP do Bahrein a 30 de outubro, e agora, ao final do dia na Europa, confirmou esse comunicado, afirmando que o calendário deveria regressar ao original, ou seja, o dia 30 de outubro seja o dia do GP da India. Além disso, também são contra o prolongamento da temporada até ao mês de dezembro, afirmando que isso esgotaria so seus funcionários.

Entretanto, outra personalidade que já disse estar contra o GP barenita é... o ex-presidente da FIA, Max Mosley. Em declarações esta manhã à BBC Radio, veio a público dizer que não acredita que o Grande Prémio do Bahrein vá em frente, porque tal mudança não está de acordo com a constituição da FIA: "Uma coisa de que toda a gente parece estar a esquecer-se é o facto de que as equipas têm de concordar com uma mudança no calendário. Não se pode apenas mudar o Grande Prémio da Índia de uma data para outra sem perguntar a todas as pessoas envolvidas. É necessário o acordo escrito de todas as equipas, e não acredito que isso esteja próximo.", afirmou.

Calmamente, a FOTA já tomou uma posição. Talvez oiçamos as suas declarações de forma vocal no fim de semana canadiano, mas parece que a FIA e Jean Todt poderá estar cada vez mais numa situação embaraçosa com a reinclusão do GP barenita. Veremos.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

5ª Coluna: a luta para ser o dono do circo

A semana que passou marcou mais um capitulo na luta pelo controlo da marca "Formula 1". Primeiro, os habituais rumores e as tentativas de desementido - mesmo sitios respeitáveis como o Pitpass.com diziam que a oferta carecia de sentido - e depois o comunicado oficial de que a News Corp, em associação com a Exor Group, que tem como grande accionista o Grupo Fiat - que controla a Ferrari - estava a preparar uma proposta de aquisição dos direitos da Formula 1 à CVC Capital Partners, a empresa que os detêm.

Bernie Ecclestone jurou a pés juntos e gritou aos quatro cantos da Terra que as hipóteses de venda eram zero, mas como ele não controla a CVC Capital Partners, pode-se dizer que neste campo, não podia fazer muito. Alguns disseram que esta proposta é um "cheque ao rei" - afinal, a CVC é muito mais pragmática e menos sedenta de dinheiro e poder que o Tio Bernie - e que isto poderia ser o principio do fim da presença do "anãozinho tenebroso" na Formula 1. De uma certa forma, é verdade, mas até lermos a última página deste capitulo, muita água vai correr debaixo da ponte.

E é nesse periodo de tempo que as coisas vão aquecer. Mas do que especular sobre os parceiros da Exor quererem uma "Formula Ferrari" - francamente, não acredito - o que se pode tirar disto é que as equipas e a FIA veriam com bons olhos esta negociação. Todt nada diz, mas sorri, as equipas estão atentas mas tendem a condescer sobre este parceiro. O chato é que isto acontece quando se discute o novo Pacto de Concordia e Ecclestone faz finca-pé sobre a sua parte e tenta dividir a FOTA, abrindo os cordões à bolsa à única equipa que lá não está, a Hispania. E nas semanas que aí vêm, essa "guerra surda" ou "guerra fria" vai ficar cada vez mais barulhenta devido aos assuntos pendentes, como o GP do Bahrein.

Nesse campo, Ecclestone exagera na sua teimosia ao obrigar as equipas a irem para o agora problemático emirado e lá correr, mesmo que seja no dia 31 de dezembro às 11:59 da noite. O adiamento na decisão sobre a corrida coloca nervosismo nas equipas, nas televisões e na FIA, que querem deixar cair a corrida, enquanto que Ecclestone inventa comunicados a dizer que "está tudo bem e as equipas querem lá voltar o quanto antes". E aqui nem se coloca a questão dos 40 milhões que irá perder em caso de cancelamento, é uma questão de teimosia pura e dura.

E esse adiamento da decisão poderá enervar toda a gente, pois ninguém pode fazer planos com essa "espada de Dâmocles" sobre as suas cabeças. Aliás, uma das razões porque eles poderiam estar a simpatizar com a proposta da News Corp e da Exor é o controlo do calendário, que pretendem que seja mais europeu, em detrimento das aventuras ecclestonianas em paises exóticos, liderados por déspotas esclarecidos e cuja entrada da pista no calendário seria o capricho do lider local, e as pistas sejam construídas no monopólio tilkeano.

Claro, pode haver um lado mau nisto, que a Formula 1 seja uma actividade crescentemente vista por uma elite, em canais pagos principescamente. Num mundo cada vez mais digital e cada vez mais fragmentado, os europeus e americanos acabarão por ter de pagar mais para ver a Formula 1 em todo o seu esplendor, pois é isso que faz a News Corp com os seus canais temáticos. O futebol, o boxe, o rugby, etc... é visto nesses canais dessa forma, acabando com a ideia do serviço público e transformando a Formula 1 num desporto visto pelos fanáticos, em que tens de pagar para ver. Em Portugal é uma realidade, mas não o é no Brasil ou na Grã-Bretanha, onde é visto na BBC. Mas se o negócio for fechado, os dias da Formula 1 em canal aberto estarão certamente contados um pouco por todo o mundo.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A historieta da data do GP do Bahrein

Como sabem, a história do GP do Bahrein tornou-se no mais recente foco de discórdia entre Bernie Ecclestone, a FIA - leia-se Jean Todt - e as equipas. Para quem está a apanhar a história a meio, recomendo-vos que leiam um post que escrevi há cerca de dez dias. Ontem, andava a trocar uns tweets com o Luiz Fernando Ramos sobre este caso quando me diz uma frase que causou a minha atenção: "Mais um ou dois meses, os bastidores vão estar um barril de pólvora".

Nada que não soubesse: à medida que se aproxima 2012, as crispações irão aumentar de parte a parte. O novo Pacto de Concordia e as reivindicações das equipas em terem uma fatia maior do bolo são vistas não só como uma maneira de entrar mais dinheiro nas equipas, como também uma forma de diminuir o poder que o velho Bernie Ecclestone tem neste momento. E o anuncio feito esta tarde que que a News Corp, o grupo que Rupert Murdoch, está interessado na compra dos direitos televisivos da Formula 1, provavelmente pode ser lido como uma forma de colocar Bernie Ecclestone fora do caminho. Ainda é cedo para se chegar essa conclusão, e sobre isso em particular, falarei depois.

Mas "voltando à vaca fria", a obsessão de Ecclestone em ter o GP do Bahrein, mesmo que seja no dia 31 de dezembro às 23:59 horas, é a sua maneira de dizer que "aqui mando eu", mesmo quantos todos nós sabemos que não há condições, politicas, económicas e sociais, para ter a corrida barenita. Assim sendo, porquê dar mais tempo para que consigam as "devidas condições" para correr naquela pequena ilha de 1,2 milhões de pessoas? Só para recuperar os 40 milhões de dólares que normalmente exige?

Em suma, a decisão do adiamento não faz sentido. É a teimosia de um contra o bom senso de todos. Mesmo que diga sim, acho que Jean Todt intrevirá e dirá que não. Veremos é depois qual vai ser a reação do anãozinho tenebroso, quando ouvir tal palavra da boca do francês... e aí, talvez a frase que o Ico me disse pode fazer sentido.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Mais uma acha para a fogueira entre Napoleão francês e o Anãozinho inglês

Bernie Ecclestone já está na Austrália para falar com os promotores locais sobre o futuro do Grande Prémio. E se já começa a dar pistas que talvez a corrida venha a ser disputada noutro local, aproveitou para mandar mais uma acha na fogueira da FIA, nomeadamente o seu presidente Jean Todt. E o alvo escolhido foi o regulamento que a Formula 1 irá ter a partir de 2013, nomeadamente a introdução do motor 1.6 litros Turbo, do qual agora afirma ser contra.

"Sou contra, contra, contra e contra a mudança para esses pequenos motores turbo. Não precisamos disso e se é assim tão importante é uma daquelas coisas que deveriam estar nas competições de carros de turismo", começou a referir Ecclestone à agência Australian Associated Press.

"O resto tem a ver com jogadas de propaganda - não tem nada a ver com a Fórmula 1. Essas mudanças serão muito custosas para o desporto. Estou certo de que os promotores vão perder grandes audiências e estou certo de que vamos perder bastante [do interesse da] televisão", acrescentou.

Como é óbvio, as declarações do anãozinho tenebroso tiveram como destinatário outro "Napoleão", Jean Todt, presidente da FIA: "Ele não é um promotor e não está a vender a Fórmula 1, para ser sincero. O Jean e eu estamos um pouco às avessas nesta questão do motor. Não vejo razão para eles [os motores]. Tivemos o sistema KERS e isso era suposto resolver o problema que a Formula 1 não é verde e agora temos outra coisa", admitiu Ecclestone.

Além disso, o britânico explanou ainda as suas preocupações em termos de sonoridade dos novos motores: "Falo com diferentes pessoas em todo o mundo - patrocinadores, promotores e jornalistas e penso que existem duas coisas que são realmente importantes para a Fórmula 1. Uma é a Ferrari e a outra é o som. As pessoas adoram e ficam entusiasmadas com o barulho", realçou.

O que eu digo nisto tudo é: Bah, treta, treta, treta! Isto é politicagem pura e simples. A questão dos motores é um pretexto, uma não questão, como foi a chuva artificial. O Joe Saward fala disso hoje no seu blog, afirmando que os novos motores foram aprovados na reunião do Conselho Mundial em Dezembro e já não tem volta atrás. Ele até fala que isso é "uma questão morta e enterrada".

Estas últimas declarações estão no mesmo espírito das que fez sobre a chuva artificial há umas semanas, que não servem mais para alimentar o feudo cada vez mais crescente com Jean Todt. E à medida que os dias e os meses passam e se aproximam eventos importantes para o futuro próximo da categoria, como os novos Acordos de Concórdia e os regulamentos sobre os novos motores para 2013, Ecclestone poderá fazer tudo para manter o controle do circo, nomeadamente o seu quinhão nas receitas televisivas, a sua escolha no calendário e no acordo centenário, do qual Todt quer renegociar ou simplesmente terminar com ela. É a tal "última batalha" do qual tinha escrito em Novembro do ano passado.

Pois é... já se vêm com maior nitidez as nuvens no horizonte.

sábado, 4 de setembro de 2010

Um cenário para 2013, e nada mais

A fotografia que coloco aqui tem 28 anos, e podemos ver isto tudo de volta a partir de 2013: carros com efeito-solo, com motores Turbo de 1.6 litros, com pelo menos 650 cavalos. Pneus mais largos, e com vários sistemas de recuperação de energia. Este cenário foi proposto esta sexta-feira por um comité de "sábios" que integra, entre outros, Rory Bryne, ex-projectista da Benetton e Ferrari; Bernard Dudot, ex-director da Renault, e Gilles Simon.

As ideias tem sido algo surpreendentes. Fala-se de um difusor que poderia funcionar de forma semelhante ao efeito-venturi existente nos tempos do efeito-solo, no final dos anos 70, inicio dos anos 80. Assegurar todo o efeito-solo numa só peça, com o consequente reforço das laterais dos carros, é algo radical. O resto é mais mecânica: recuperadores de energia que dariam ao carro mais 150 cavalos num periodo de 30 segundos, motores que tem de durar, no minimo, cinco corridas - o que daria quatro motores por temporada, se o calendário for de vinte provas - são outras das propostas existentes.

Ao ler a imprensa especializada de hoje, eles falam de todos estes elementos como um "fait accompli", mas entre a noticia e a realidade vai uma enooorme distância. Porquê? Primeiro que tudo, temos de ver se a FIA aprova estas recomendações. E segundo, e este factor não pode ser menosprezado, temos de saber se as equipas estão a favor destas mudanças. É aí que entra a FOTA.

Não se sabe se o regulamento será aprovado na reunião de 8 de Setembro. Provavelmente não, e mesmo que fosse, não acredito que a FOTA deixaria. É que em 2011 a FOTA vai começar a dicutir com a FOM e a FIA o novo Pacto da Concordia, pois o prazo de validade da actual é em 2012. E como nesse ano, em principio, teremos treze equipas em liça, são treze fatias de um bolo das transmissões televisivas que muitos, se não todos, querem ver alargado. E nestes tempos de crise, esse alargamento tem de acontecer à custa de alguém.

Bernie Ecclestone não quer perder dinheiro, e já avisou que vai lutar. E com a FOTA a fazer disso o seu cavalo de batalha, podemos afirmar que existem nuvens negras no horizonte, no qual não podem ser menosprezadas. E a FIA, temos de ser honestos, está a fazer um bom trabalho neste primeiro ano de consulado Jean Todt. Mas... isto continuará quando a tempestade chegar? E em nome de uma unidade, o que terá de ser sacrificado?

Em suma, o que nós lemos foi uma proposta de um grupo de trabalho. E da proposta à realidade vai um longo caminho. Caminho esse que poderá ser sacrificado em nome de algo maior.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Os rumores do momento, num fim de semana sem noticias...

Sabia que este fim de semana ia ser decisivo em muitos aspectos nesta Formula 1 de 2010. E as especulações que ouvi e li esta tarde, cada uma é mais louca que outra. Mas... podem ter o seu fundamento. Antes de amanhã a Sauber e a Renault apresentarem os seus carros, eis o que ouvi numa tarde sem grande inspiração, confesso:

1 - Vitor Martins, do blog Victal, afirma esta tarde que a Campos Meta foi vendida ao luso-sul-africano Tony Teixeira, que tem os direitos da extinta (?) A1GP. Mas os valores acordados podem não ser as suficientes para garantir a continuidade da Campos/Teixeira, e claro, a FIA e a FOTA reunirão esta segunda feira para debater, entre outros assuntos, a manutenção de licença da equipa espanhola. E sabe-se que Bernie Ecclestone tenta por todos os meios retirar o tapete à Campos para colocar no seu lugar a Stefan GP, que comprou os bens da Toyota, em Colónia (e manteve pelo menos 150 dos seus empregados) e esta tarde recebeu o apoio oficial da marca japonesa.


Claro, há pessoal que coloca esta troca em dúvida, como o jornalista inglês Joe Saward, que afirma que mesmo com as garantias da Toyota, o facto desta Stefan GP ser mais um gigantesco ponto de interrogação do que propriamente uma equipa com credenciais automobilisticas como duas das que foram excluidas por Max Mosley no inicio do ano passado: Epsilon Euskadi e Prodrive. Em suma, numa situação limite, na segunda-feira a FIA e a FOTA pode cancelar a licença da Campos... mas pode não aceitar o da Stefan GP. Poderemos ter 24 carros no Bahrein.



2 - Esta é mais supreendente, mas acho que não tem grande fundamento. No Twitter, um amigo meu espanhol conta uma conversa entre Robert Kubica e Sebastien Buemi em que o segundo piloto da Renault poderá ser... Jacques Villeneuve. Acho que seria um verdadeiro golpe de teatro, pois desde a semana que passou que toda a gente fala que o russo Vitaly Petrov, com a sua mala de 20 milhões de euros, tinha o lugar garantido. E não é pessoal qualquer: por exemplo, o jornalista Joe Saward é um deles que garante a pés juntos que é Petrov que se vai sentar ao lado de Kubica... e é o que se calhar vai acontecer.



3 - Mal foi mostrado à imprensa mundial, pode haver uma versão B. O Ferrari F10 ainda não deu sequer uma volta em pista e especula-se na imprensa italiana que este pode ser um carro mal nascido, logo, os engenheiros da marca do Cavalino Rampante poderão estar a desenhar uma versão bem radical do carro de 2010, provavelmente no sentido de minorar os defeitos que poderão ter sido encontrados durante as simulações. Contudo, a Ferrari afirma que esses rumores não são mais nada do que "disparates" e que o facto do shakedown ter sido cancelado apenas devido ao gelo acumulado na pista de Fiorano.


Segunda-feira, o carro estará no circuito Ricardo Tormo, em testes conjuntos com algumas equipas. Veremos se os rumores terão algum fundamento. Se sim, antevê-se um 2010 muito dificil para Felipe Massa e Fernando Alonso...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

As modificações do sistema de pontuação

A FOTA aproveitou estes dias para aprovar um novo sistema de pontuação da Formula 1, mantendo os pontos para os dez primeiros, mas valorizando ainda mais a vitória. Com isto, o vencedor ganhará 25 pontos na mesma, mas o segundo classificado levará 18 pontos para casa em vez dos 20 programados. Contudo, uma das propostas que existiam em cima da mesa, de atribuir pontos ao "poleman" e à volta mais rápida foi discutida, mas não decidida.
Assim, a busca pela vitória ganha importância, é certo, mas voltamos à velha questão: deseja-se que o título seja decidido nas últimas provas do campeonato ou teremos campeões com cinco ou seis provas antes do final? Esse tipo de equilibrio é discutido há muitos anos, e as soluções, pelo que vejo, andam ao sabor dos tempos.

Muitos, por exemplo, gostariam de ver de regresso o sistema de descartes, mas esse, para além das qualidades, têm também defeitos: artificializa o campeonato e causa situações onde o piloto que pode ter mais pontos não seja necessáriamente o campeão. O melhor exemplo que posso dar é o de Alain Prost, que caso não existisse esse sistema, teria sido campeão do Mundo em 1988, em deterimento de Ayrton Senna.

Assim sendo, o equilibrio no sitema de pontos é sempre um problema que ressurge de tempos a tempos, por mais diversas razões. Em 2002, depois de um dominio absoluto de Michael Schumacher, o sistema de pontos foi alterado, pois o alemão tinha conseguido o título mundial em Magny Cours, seis provas antes do final da temporada. Em pleno mês de Julho.

Ao desvalorizar a vitória, queria-se um equilibrio entre o piloto dominador e o resto do pelotão, que levasse a emoção até à última prova do campeonato. Isso foi conseguido em 2003, mas em 2004, Ross Brawn criou um carro imbatível e Schumacher dominou a seu bel-prazer. Mas o resto foi bem conseguido: os títulos de 2007 e 2008 foram conseguidos na última prova do ano, e no último caso, quase no último metro, no último segundo...

A alteração do sistema de pontuação tem bons motivos: os carros são cada vez mais resistentes (o regulamento obriga a tal) e numa grelha alargada a 26 carros, ver somente oito a pontuar seria desencorajador para os outras equipas, especialmente as novatas, que apostam muito dinheiro, com prespectivas diminutas de retorno, caso acabem o ano sem pontuar. Se repararem, desde há uns anos a esta parte, numa grelha com 20 ou 22 carros, ver 15 a chegar à meta tornou-se algo comum, ao contrário do que se sucedia nos anos 80, onde não era raro ver seis a cortar a meta, numa grelha de 26. Os tempos dos Turbos rebentados e dos componentes quebrados devido à sua fragilidade já lá vão... e não voltam.

É certo que muitos defendem o regresso do sistema dos seis primeiros. Mas para mim, isso seria pior, muito pior. Aliás, acho que esse sistema vigorou tempo demais. Uma competição que mantenha o mesmo sistema de pontos em 42 anos da sua existência é exagerado. Deveria ter sido modificado em 1980, por exemplo, para dar hipótese às equipas do fundo do pelotão de pontuarem. Quando o sitema foi modificado em 2003, para dar pontos até ao oitavo classificado, até achei que foi um acto de justiça.

Em jeito de conclusão, podemos dizer que este sistema não é perfeito, mas necessário para os tempos que vivemos. Mas creio que dentro de oito ou dez anos, voltaremos a discutir esta ideia. Veremos.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O último post do ano e as prespectivas para 2010

E pronto... chegamos ao Dia de São Silvestre. Ou se perferirem, ao último dia de 2009, a primeira década do século XXI. Dentro de algumas horas, veremos os primeiros fogos de artificio na Nova Zelândia e Austrália, e depois veremos, vindo o nosso Leste, no sentido dos fusos horários, a inevitável marcha do relógio, apontando para as doze badaladas da meia noite. Nessa altura, vestidos de branco, abrimos o champanhe (Espumante, Cava ou Asti...) e comemos as doze passas, esperando nós que o ano que aí vem seja melhor do que o ano que passou.


Até foi um bom ano, no meio da crise. Tivemos... o quê? Um campeão inesperado, de uma equipa que no inicio do ano ninguém dava nada, um grande susto, uma tentativa de regresso frustrada (mas mais tarde corrigida, noutra equipa) alguns ingressos, um "regresso" e lutas interinas por várias razões, desde um sistema de pontos... ridiculo, até a um "combate dos Chefes" entre FIA e FOTA, que chegou ao ponto de ruptura. E tivemos escândalos na pista... ao retardador, e a consequente explusão dos prevaricadores. E a retirada de duas construtoras, com uma terceira a decidir a sua permanência, mas a um nivel reduzido.

Isto foi 2009. O ano que aí vêm prespectiva-se como atraente, no mínimo. Teremos pelo menos seis ou sete bons candidatos ao título, o regresso de Michael Schumacher, mas não a bordo de um Ferrari, como muitos esperavam. O seu destino vai ser a Mercedes, a mesma que dezoito anos e meio antes, pagou-lhe o lugar vago na Jordan para, numa pista onde nunca tinha corrido antes, surpreender meio mundo. Teremos o regresso dos nomes Mercedes e Lotus, teremos uma grelha alargada a 26 carros e um calendário de 19 pistas, cada vez mais dirigidas para o Médio e Próximo Oriente... mas teremos o regresso do Canadá. Ao menos isso!

Estas são as prespectivas que veremos na Formula 1. Noutras categorias, o panorama também vai ser diferente: o ingresso de Kimi Raikonnen nos Ralies, a bordo de um Citroen C4 WRC vai ser um motivo de atracção e curiosidade, e decerto que a IRL e a Le Mans Series também vão ser motivos de interesse para todos nós, bem como o Rali Dakar, que arrancará no final da semana, em Buenos Aires para a sua voltinha na América do Sul, bem longe das suas origens africanas.

Perspectivas pessoais para 2010? Bom, como já disse, preparo a publicação do meu primeiro livro. Não é uma obra de ficção, é mais uma colectânea do que de melhor já escrevi aqui. De uma certa forma, é começar a ganhar dinheiro com isto, sem Google Adsense ou algo parecido. Se as coisas correrem bem, outros surgirão. Até uma obra de ficção, que claro, nada tem a ver com o automobilismo. Mas espero um dia ter força de vontade para escrever tal.

E 2010 também é um ano redondo por outra coisa, algo que, confesso, tem a minha atracção: será o 40º aniversário de uma temporada tão "horribilis" como o facto de este ano termos comemorado o 15º aniversário dos eventos de Imola. Ao longo do ano que aí vêm, falarei dos eventos que rodearam esse ano anormal, onde três pilotos encontraram a morte, um deles acabou coroado campeão do mundo.

E agora, ergo antecipadamente o meu copo de champanhe, desejando a todos vocês, amigos e vistantes deste blog, um excelente ano de 2010!