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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Rumor do Dia: A Formula 1 pode ter um final ibérico


A Formula 1 viu-se reduzida a 22 corridas em 2026 por causa dos cancelamentos dos GP's do Bahrein e da Arábia Saudita, devido à complicada situação no Médio Oriente, mas não se desistiu em termos de arranjar datas para meter as corridas que faltam, para cumprir contratos. E esta segunda-feira, o jornal desportivo espanhol "Marca" fala que, em vez de voltarem a colocar Shakir e Jeddah no calendário, a Formula 1 poderá voltar a correr em Barcelona e ir a Portimão, antecipando o GP de Portugal, que retomará ao calendário em 2027.

E quem está a pressionar para esse cenário? A DHL, a firma de logística que é a parceira da Formula 1. 

A FOM esteve reunida este final de semana no Red Bull Ring e aparentemente, a F1 discutiu alternativas ao calendário de 2026, especialmente depois da corrida de Las Vegas. Eles queriam inicialmente colocar a corrida de Shakir, no Bahrein, num "stint triplo" entre Qatar e Abu Dhabi, mas a DHL, em conjunto com a Mercedes e a Audi, manifestaram-se contra, por causa da situação instável no Golfo Pérsico, e nem sequer querem regressar lá este ano, ou seja, poderia haver o cancelamento das corridas do Qatar e de Abu Dhabi. Logo, se isso acontecer, há duas hipóteses em cima da mesa. A primeira, uma corrida dupla em Las Vegas, para acabar o ano, e a segunda, um final ibérico, com uma segunda corrida em Barcelona e um final em Portimão, ou o contrário. 

Apesar destas discussões, a categoria evita falar no cancelamento de corridas programadas para a região do Golfo Pérsico e segue trabalhando com a expectativa de manter estes eventos. 

Qualquer decisão sobre o caso será decidida dentro de três semanas, a 19 de julho, no fim de semana do GP da Bélgica, mas o facto de se falar da instabilidade naquela zona do mundo, por causa do conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, está a atrapalhar os planos da Formula 1 em 2026, e a Europa poderá sair beneficiada.  

domingo, 3 de maio de 2026

Noticias: GP de Miami adiantado em três horas


A FOM e a organização do GP de Miami decidiram esta madrugada que a corrida acontecerá amanhã pelas 13 horas locais, três horas antes do previsto, para evitar as perturbações que o mau tempo poderia causar e que poderia levar ao cancelamento da prova.

"Após discussões entre a FIA, a F1 e a promotora de Miami, foi tomada a decisão de adiar o início do Grande Prémio de Miami deste domingo para as 13h00 locais de Miami, devido à previsão de chuvas mais intensas ao final da tarde, perto da hora originalmente prevista para o início da corrida.", diz a Formula 1 no seu comunicado oficial.

A decisão acontece por causa, não tanto pelo estado do tempo em si, mas por causa das leis locais que, em caso de mau tempo - especialmente trovoadas - obrigam a que todos os eventos desportivos sejam interrompidos. E para uma competição que está a ter uma temporada bem agitada, com os cancelamentos das corridas do Bahrein e da Arábia Saudita, ter mais perturbações no calendário seria um pouco demasiado, e também seria má publicidade à Formula 1.

Assim sendo, em vez de ser pelas 21 horas de Lisboa, passa a ser mais cedo, pelas 18 horas, e terá o italiano Andrea Kimi Antonelli, da Mercedes, na pole-position. 

terça-feira, 17 de março de 2026

As consequências dos problemas no Bahrein e Arábia Saudita


Há quem fale em "cancelamento", eles, a F1 e a FOM, referem no seu comunicado oficial deste domingo que as corridas "não se realização em Abril". Eu acredito mais na primeira palavra, mas para efeitos deste post, coloquemos "problemas", porque os eventos que começaram há 18 dias na zona do Golfo Pérsico são isso mesmo: problemas, uma alteração da rotina, porque estas corridas estavam previstas em abril - 12 de abril no Bahrein, 19 de abril na Arábia Saudita.

O anuncio desta "perturbação" - outro bom substituto - foi feito no fim de semana do GP da China, mas já se falava desde o dia um desta guerra entre Estados Unidos e Israel e o Irão, desde que os drones iranianos começaram a cair no Dubai, no Bahrein, no Qatar, e sobretudo, em Abu Dhabi, alguns deles em alguns dos mais movimentados aeroportos do mundo, sabia-se que não havia condições para correr nas próximas semanas. Até caíram drones no Oman, vejam lá!

Então, com o facto do calendário ser reduzido para 22 corridas - falaram-se de substitutos na Europa, mas isso foi logo descartado, por motivos logísticos - surgiram problemas. E são bem sérios. Esta manhã, o comentador da Formula 1 em Portugal, João Carlos Costa - a Formula 1 este ano está no DAZN - referiu aquilo que eles estão a encarar:


- As equipas querem compensações dos cancelamentos. Afinal de contas, é um buraco financeiro de 130 milhões de dólares, e a partir deste ano, o dinheiro que a FOM dá às equipas é dividido por onze, não por dez, mesmo que a Cadillac não receba nesta temporada - aliás, ele fala que terão prejuízos na ordem dos 12 milhões de dólares em 2026.

- As equipas querem uma compensação. McLaren e Williams querem que a situação seja considerado como "força maior", e querem "um ajuste temporário ao Teto Orçamental" e um "subsídio direto para cobrir custos fixos durante a pausa forçada de 32 dias.". Não, não estou a brincar, é real! Eles querem uma compensação, lembro-vos.

- Terceiro problema: patrocínios. Nem todas as equipas recebem um cheque dos patrocinadores de uma só vez. Há quem faça e não há problemas, mas há outros que dão dinheiro às equipas corria a corrida. Imaginem patrocinador X dar 25 milhões de dólares (ou euros, ou libras, que vai dar mais ou menos ao mesmo). Dá pouco mais de um milhão por corrida. Mas sem duas provas, é menos dinheiro a entrar, e os orçamentos não estão adaptáveis para estas "force majeurs" (e ainda não sabemos se Qatar e Abu Dhabi acontecem, porque não sabemos se esta guerra é curta ou não), e segundo ele conta, os prejuízos em algumas equipas poderão ser perto de 20 milhões de dólares. É um rombo, dê por onde der, mesmo que as equipas tenham, em tempos mais recentes, estando a respirar um pouco melhor em termos de orçamento.


O que a FOM responde, segundo ele conta?

Para já, Stefano Domenicalli rejeita um resgate direto - se calhar, tem a esperança das corridas agora adiadas/canceladas/perturbadas (escolham a palavra que vos interessar) possam acontecer mais tarde no ano - mas poderá pensar na ideia de antecipar pagamentos para segurar o barco, digamos assim, apostando que esta guerra dure pouco e esteja resolvida durante a primavera. Porque, se arrastar, como sabem, poderá ser pior. E para dar uma ideia, a Arábia Saudita dá todos os anos 65 milhões de dólares à FOM e o Bahrein, 52 milhões. E se calhar, Qatar e Abu Dhabi devem dar mais ou menos o mesmo preço, com a cidade-estado dos emirados Árabes Unidos a dar mais um bocado por ser o palco da corrida final da temporada.

E ainda nem falei dos "malabarismos" da logística, feita por alguns Boeings 747 da UPS, que levam todo o material da Formula 1 para poder estar no sitio A para o sítio B em dois ou três dias, e por vezes em operações a roçar o milagre ou a perfeição. E basta um pequeno desvio no roteiro - nem precisa ser uma guerra, pode ser uma tempestade ou uma avaria num dos aviões e o material retido num sitio oito a dez mil quilómetros longe - e podemos ver como são as coisas. 

E é por causa desses malabarismos que, por exemplo, não temos corridas nem testes na Europa, porque a próxima corrida é Miami, nos Estados Unidos, e as equipas, para evitar viagens a mais, ficaram forçosamente paradas por 32 dias, ou seja, desde o GP do Japão, a 28 de março, até o GP de Miami, a 3 de maio, a construir peças sobressalentes e a usar o simulador. E numa altura onde as equipas estão a adaptar-se a um regulamento novo... toda esta perturbação não é boa. 


Aliás, como estão as coisas neste momento, a tendência é para piorar.

sábado, 14 de março de 2026

Noticias: GP's do Bahrein e da Arábia Saudita não se realizarão em abril


A FOM anunciou neste domingo de manhã em Xangai - sábado à noite na Euopa - que os GP's do Bahrein e da Arábia Saudita não se realizarão nas datas indicadas, devido ao conflito no Médio Oriente entre os Estados Unidos e o Irão. Com isto, o calendário terá um buraco de um mês, sem corridas realizadas em abril. O GP do Bahrein, a 12 de abril, na pista de Shakir, iria ser a quarta corrida da temporada, enquanto uma semana depois, a 19 de abril, a Formula 1 iria para a pista de Jeddah, para o GP saudita. Ambas as corridas iriam ser noturnas.

"Os Grandes Prémios do Bahrein e da Arábia Saudita não se realizarão em abril.", começa-se por ler no comunicado oficial da Formula 1. "Devido à situação atual no Médio Oriente, os Grandes Prémios, juntamente com as etapas da F2, F3 e da F1 Academy, não se realizarão nas datas planeadas. Embora tenham sido consideradas alternativas, não será feita qualquer substituição em abril.", conclui-se.

Os rumores circulavam desde há mais de uma semana, com o inicio do conflito, e com ataques de drones nos países do Golfo, como Qatar, os Emirados Árabes Unidos, o Omã, o Kuwait e a Arábia Saudita, logo, a FOM achou que seria demasiado arriscado expor a Formula 1 aos perigos de um conflito regional como este. Para além disso, os problemas logísticos que isto acarreta - quase todos os aeroportos estão encerrados, e também são alvo dos drones iranianos - também pesou na decisão. 

De inicio, consideraram-se corridas de substituição - Imola, Istambul e Portimão foram alforados como hipóteses - mas com as equipas a adaptar-se aos regulamentos que entraram em vigor este ano, e os mesmos problemas de logística não resolvidos, essa hipótese acabou por não avançar. E também a chance de uma sessão de testes extra, na Europa, também foi discutido, mas o problema acaba por ser o mesmo, para além da agitação no Golfo Pérsico: logística. 


Assim sendo, depois do GP do Japão, a 29 de março, em Suzuka, a próxima corrida vai ser a 3 de maio, em Miami. Será pela primeira vez desde 2020, com a pandemia de Covid-19, não haverá corridas em abril. Mas sem conflitos ou pandemias, o último abril sem corridas foi em 1980.

Contudo, apesar da linguagem ter sido ambígua - não se fala em cancelamento - dificilmente essas corridas acontecerão nesta temporada. Com um calendário cheio, é provável que a temporada de 2026 acabe por ter 22 corridas em vez das 24 que estão presentes.  

terça-feira, 7 de maio de 2024

Noticias: Congresso americano abre inquérito sobre Andretti


O Comité Judiciário do Congresso dos Representantes americano decidiu nesta terça-feira que abrirá um inquérito sobre as razões da rejeição da Andretti Group na Formula 1 da parte da FOM, apesar da aprovação da FIA. Segundo conta o canal de televisão NBC, o representante Jim Jordan pediu à Liberty Media, mais concretamente a Greg Maffei e Stefano Domenicalli, informações sobre as razões da rejeição da Andretti na Formula 1. A ideia é saber se não existiu nenhum comportamento antirregulamentar.

“O Comité Judiciário é responsável por examinar a suficiência das leis federais de concorrência para proteger contra monopólios e outras restrições injustas ao comércio”, começou por escrever o congressista Jordan na missiva. “As ligas desportivas, como a Fórmula 1, operam em uma área notável da legislação anti-trust, na qual é necessário algum grau de conluio para a criação do produto."

“No entanto, quando uma liga desportiva se desvia das suas regras e práticas de uma forma que reduz a concorrência e diminui o interesse do consumidor no produto, o conluio pode constituir uma conduta anticompetitiva.”, continua.

“As desculpas apresentadas para a negação da entrada de Andretti Cadillac parecem ser pretextuais, arbitrárias e não relacionadas à aptidão de Andretti Cadillac para competir na Fórmula 1. Por exemplo, a Fórmula 1 alegou que uma nova equipa só poderia agregar valor à Fórmula 1 'competindo por pódios e vitórias em corridas'. No entanto, a FIA já havia analisado – e aprovado – as capacidades técnicas da Andretti Cadilac para competir entre as equipas atuais, e a maioria das equipas atuais da Fórmula 1 não atendem ao padrão da Fórmula 1 de competir regularmente por ‘pódios e vitórias em corridas’.

“A Fórmula 1 também culpou a Andretti Cadillac por tentar usar um fabricante de motor existente porque isso poderia 'ser prejudicial ao prestígio e à posição' da Fórmula 1. Ao mesmo tempo, porém, a Fórmula 1 afirmou que se a Andretti Cadillac usasse um novo motor fabricado pela General Motors no primeiro ano da equipa, um novo motor criaria um desafio para a nova equipa. A Fórmula 1 não pode ter ambas as coisas. A verdade, como explicou o presidente da FIA, Muhamed Ben Sulayem, é que a rejeição da Andretti Cadillac é ‘tudo uma questão de dinheiro’”.

O Comité Judicuário do Congresso também considerou que os argumentos apresentados sobre uma 11ª equipa prejudicaria os interesses das equipas actuais, podem sugerir um comportamento anti-concorrencial.

Argumenta:

“As equipas fracas querem ser protegidas da competição em detrimento dos consumidores e uma equipa adicional competiria por prémios em dinheiro e patrocínios. Se a Fórmula 1 tiver de dificultar a concorrência e prejudicar os consumidores para proteger os concorrentes em dificuldades, então todo o modelo da Fórmula 1 pode ser quebrado e a entidade não pode esconder-se atrás da necessidade de uma liga desportiva prosseguir uma conduta anticompetitiva.

“Atrasar a entrada da Andretti Cadillac na Fórmula 1, mesmo que por um ano, prejudicará os consumidores americanos e beneficiará as equipas mais fracas da Fórmula 1.”, concluiu.

Jordan pediu, em nome do Comité, que a Liberty Media entregue todos os documentos e comunicações referentes ou relacionados ao processo de avaliação das novas inscrições das equipas e da Andretti, além de tudo relacionado à decisão da Formula 1 de rejeitar sua inscrição no passado dia 31 de janeiro.

Além disso, solicitou a entrega de todos os documentos e comunicações entre a Formula 1 e as dez equipes atuais relacionadas à inscrição de novas entradas, e quaisquer comunicações relacionadas à inscrição da nova equipa ou taxas anti-diluição, previstas no Acordo da Concordia. E solicitou uma reunião, o mais tardar, a 21 de maio.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

Noticias: Congresso dos EUA avisa Liberty Media e Formula 1


Doze congressistas americanos de ambos os partidos escreveram uma carta aberta à FOM e à Liberty Media, avisando-a que está sob investigação devido às leis anti-concorrência que poderão ter violando devido ao veto à candidatura da Andretti-Cadillac à Fórmula 1. Alegam que não tolerarão um cartel e caso não facilitem a entrada da equipa na competição, poderão levar o assunto até às últimas consequências. 

Na semana em que ambas as partes se reunirão em Miami para falar sobre uma possível entrada em 2026, e numa altura em que a Andretti Global ter aberto as suas instalações em Silverstone, com o contrato de funcionários para o projeto da Formula 1, a NBC News refere que a missiva procura respostas para a rejeição da candidatura da equipa e questiona se os detentores dos direitos comerciais da Fórmula 1 protegem “injustamente as equipas europeias da concorrência nos EUA, onde a base de fãs tem crescido dramaticamente”.

No exterior do edifício do Congresso, o Capitólio, Mario Andretti, o campeão mundial de 1978, juntou-se a John James, representante republicano do Michigan, para falar com os meios de comunicação social, sublinhando o apoio bipartidário que apoia a Andretti-Cadillac na sua tentativa de entrar na Fórmula 1. “Estamos prontos com tudo o que é necessário. Deem-nos luz verde e deixem-nos fazer o nosso trabalho”, disse Mario Andretti. “A nossa equipa, a Andretti Global, faz parte de todas as principais disciplinas de corridas do mundo. A Fórmula 1 é a única que resta. E nós queremos fazer parte dela”, concluiu.

“De fora, podemos perguntar: ‘Isto é uma tentativa de obter dinheiro?’ Estará a Fórmula 1 a tentar obter um acordo diferente, para poderem passar de 200 milhões de dólares para mil milhões de dólares extraídos da Andretti-Cadillac?’", começou por comentar John James. O representante republicano espera que a situação possa ser resolvida, “mas se não for, teremos as nossas questões respondidas. E aqueles que tentam tirar partido da situação serão responsabilizados”.

Outra representante, Victoria Spartz, do estado do Indiana, esteve ao lado de John James e de Mario Andretti na conferência de imprensa para afirmar: “É do interesse do resto do mundo e, na verdade, dos europeus, ter uma equipa americana a participar. Penso que temos tanto engenho, tanta inovação, e eles querem a nossa inovação para tudo o resto, incluindo armas, por isso penso que têm de se certificar de que veem o nosso engenho nos automóveis. Penso que isso seria do interesse deles. Deviam estar a implorar e a pedir a nossa participação, não a tentar dificultar ainda mais as coisas”. 

A Formula 1 prossegue este fim de semana em Miami, para a quinta corrida do campeonato, e a primeira de três provas dos Estados Unidos, e de cinco na América do Norte. 

sexta-feira, 26 de abril de 2024

Noticias: Andretti irá conversar com a FOM em Miami


A Formula 1 regressa aos Estados Unidos no próximo fim de semana, mas a Andretti não desistiu do sonho de colocar a sua equipa na competição, depois da negativa por parte da OM e da Liberty Media às suas pretensões, apesar da aprovação da FIA. A marca inaugurou há algumas semanas a sua sede no Reino Unido, em Silverstone, e Michael Andretti, a grande força motriz por detrás de todo o projeto, afirmou não ter ficado agradado com a decisão da FOM. 

"Fiquei ofendido, na verdade. Acho que não merecíamos, para ser honesto", afirmou à Associated Press, acrescentando: "É um grande investimento na competição, e pensava que isso seria valorizado. Até o valor do campeonato é mais elevado com onze equipas do que com dez, por isso não sei. Digam-nos o que está realmente errado", continuou.

Apesar de tudo, Andretti não deseja desistir. Ele e a FOM irão regressar às negociações em Miami, na semana que vêm, onde pretende esclarecer quaisquer equívocos sobre a sua proposta.

"Só tivemos uma reunião com eles", disse sem se deter: "Isso é um problema. Não foi o suficiente. Penso que é por isso que me congratulo com a nossa próxima reunião. Vamos sentar-nos. Houve algumas oportunidades perdidas ao longo do caminho, mas temos de olhar para a frente, não para trás. Continuo esperançoso porque nunca parámos de trabalhar. Ficou claro que o nosso trabalho está a bom ritmo e, como podem ver, não estamos apenas a falar. Estamos a juntar tijolo e cimento. Mostrámos isto com a base da equipa em Silverstone", concluiu.

Inicialmente com ideias de entrar em 2025, caso a FOM aprovasse a sua entrada, agora eles estão a tentar entrar em 2026, por causa da associação com a Cadillac, e a chance de ficar com uma das equipas, seja a Alpine, seja a Racing Bulls, é uma alternativa para a sua entrada. 

terça-feira, 3 de outubro de 2023

Noticias: Andretti feliz com a noticia, Formula 1 evasiva


A noticia da aceitação da Andretti como a 11ª equipa da Formula 1 por parte da FIA foi acolhida entre o entusiasmo, por parte de Michael Andretti, e as evasivas da FOM, pois algumas equipas não estão a favor de mais uma equipa por causa das receitas, que serão divididas por mais, diminuindo em consequência as receitas que tinham anteriormente. 

Mostrando isso, mas evitando a confrontação com a FIA e o seu presidente, Mohamed bin Sulayem, a organização da Fórmula 1 deixou nesta segunda-feira uma declaração evasiva sobre a escolha da FIA em relação à aceitação da candidatura da Andretti.

“Tomamos nota das conclusões da FIA em relação à primeira e segunda fases do seu processo e agora conduziremos a nossa própria avaliação dos méritos da candidatura restante”, afirmou.

Contudo, tempos antes, em julho, Stefano Domenicalli tinha dito que qualquer decisão tem de ser levada em consideração os interesses das equipas.

“Como sempre dissemos, precisamos ter certeza de que a decisão é correta para o negócio. E isso é o que eu acho que é o dever da FIA e de nós juntos, que precisa ser tomada. Essa é outra decisão que será tomada nos próximos meses”, comentou na altura.

Já Michael Andretti acolheu bem a notícia, mostrando a sua satisfação no comunicado oficial da marca:

“A Andretti Cadillac está honrada [com o facto] da FIA ter aprovado a manifestação de interesse da Andretti Formula Racing para o campeonato mundial de Fórmula 1. Agradecemos o processo de avaliação rigoroso, transparente e completo da FIA e estamos extremamente entusiasmados por estar dada a oportunidade de competir em um campeonato tão histórico e prestigiado."

“A formação desta equipa distintamente americana é um importante momento de orgulho para todos os nossos funcionários e fãs. Sentimos fortemente que as profundas competências de corrida da Andretti Cadillac e os avanços tecnológicos que advêm das corridas beneficiarão nossos clientes, ao mesmo tempo que aumentarão o entusiasmo pela Formula 1, em todo o mundo."

“Estamos ansiosos para nos envolver com todas as partes interessadas na Fórmula 1 enquanto continuamos nosso planeamento para ingressar na grelha de partida o mais rapidamente possível”.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

O preço para ter a Formula 1


Todos conhecem a musica dos Tears for Fears, "Eberybody Wants to Rule the World", de 1985. É verdade que temos esses sonhos, e há maneiras de o conseguir. Uma é pela guerra, outra é pelo ouro. "Plata o Plomo", como diria o Pablo Escobar.

Mas nestes tempos que correm, não há Napoleões ou Escobares. Há a Arábia Saudita e um senhor que um dia será rei e lá ficará por meio século, pelo menos. E Mohamed bin Salman quer comprar tudo. Um exemplo? Aparentemente, foi ele que propôs comprar a Formula 1 por 20 mil milhões de dólares. E a Liberty Media disse "não, obrigado". 

Para terem uma ideia, esse valor é cinco vezes maior ao valor que compraram a Bernie Ecclestone. Quem conta a história foi a Bloomberg na sexta-feira. 

A PIF, Public Investiment Fund, fez uma oferta do qual a Liberty teve a coragem de dizer não. E digo isso porque ultimamente, eles andam a comprar imensos investimentos desportivos no sentido de se mostrarem ao mundo. Foi o que aconteceu no ano passado quando compraram o Newcastle, na Premier britânica, e agora este ano, quando deram 500 milhões a Cristiano Ronaldo para se reformar nas areias do deserto, no qual desde 2019 é cruzado pelos jipes do Dakar Rally. E nem falamos da Formula 1, que lá está desde 2021 e terá de ficar por lá, mesmo com misseis a caírem a menos de 10 quilómetros do circuito. 

Num tempo onde os árabes querem largar o dinheiro em tudo que é canto, e onde o presidente da FIA é um árabe - dos Emirados Árabes Unidos, e Mohhamed ben Sulayem é multicampeão árabe de ralis - começamos a entender as suas ambições. Um desporto que nasceu na Europa e teve ramificações nos Estados Unidos e na Ásia, a entrada em cena da península arábica significa que eles pretendem que seja o novo centro do automobilismo mundial. Eles já disseram que querem uma equipa árabe e um piloto árabe na Formula 1 num futuro relativamente próximo. De uma certa maneira, até que existe - metade da McLaren pertence ao fundo estatal barenita, por exemplo - mas as ambições são de fazer parte deste mundo, não só como o tio rico que anda a distribuir maços de notas, como quer sujar as mãos na graxa e ganhar corridas e campeonatos. 

Só que há um problema. Ético. (isso existe, caso saibam. E é importante, porque somos humanos.) Chama-se "sportwashing". E com um país que tem um péssimo registo em termos de democracia, liberdade de imprensa e direitos humanos, "comprar" tudo que mexa e é importante para "limpar" a sua imagem para o mundo é uma maneira de dizer que todas as nossas convicções são hipócritas e basta agitar um maço de notas para ficarmos todos felizes e olhar para o outro lado. E depois não admira que digam que "as democracias são decadentes", ou então: "se cortarmos o petróleo, eles piarão mais fino". Como podem entender, em 50 anos, o mundo andou mais um bocadinho e a tecnologia também.

Podem olhar para a Rússia neste momento. Também disse a mesma coisa e agora sofre por ter pisado o risco em termos militares. Mas mesmo assim, há quem diga que eles estão em guerra com o Iémen, e foi de lá que surgiu o míssil que atingiu aquela refinaria em Jeddah no fim de semana de Grande Prémio. Verdade, ainda tem o seu quê de hipócrita, só que a guerra é de baixa intensidade. Até no conflito armado, há guerras de primeira e segunda ordem...

Mas queria recuar dois parágrafos, à frase cujo final acaba com a palavra "ético". É que desde há umas semanas, o príncipe ben Sulayem, o presidente da FIA, decidiu que as manifestações politicas não teriam lugar no automobilismo, para promover um desporto "apolítico" e "limpo". Tudo por causa do "Black Lives Matter" e de outras manifestações como a bandeira arco-íris, símbolo da luta LGBTIQ+, ou então, a luta pelos direitos das mulheres, que naquela parte do mundo, e por causa da religião, não valem muito. 

E a Formula 1 ainda pertence à Liberty Media. O que aconteceria se eles tivessem dito "sim" à proposta? A sede da FIA se transferiria para o Dubai ou Riyadh? Teríamos quantas corridas na Arábia Saudita? E já agora, quantas equipas seriam obrigadas a ter uma sede no meio dos camelos e das areias do deserto, em lugares que seriam estados dentro de estados? Não sei se sabem, mas por ali, os estrangeiros não cruzam com os locais. E nem falo de coisas com álcool, mulheres ao volante, internet e outros vícios "ocidentalmente decadentes"... 

Tenho pena que não pensemos na ética, ou que a deixemos de lado por maços de notas. É isso que nos faz humanos, ou se quiserem, tentamos ter uma moral superior a aqueles que acham que todos temos um preço. Nem todos fomos educados dessa maneira. E ainda bem que não. Mas é com ética que nos dá um pouco de humanismo, de empatia, da sensação de que há justiça. De que o dinheiro não serve para tudo - especialmente se quiser ser feliz e realizado. E em jeito de conclusão, se não tivéssemos ética, meus amigos, então os Mundiais e os Jogos Olímpicos iriam sempre ser em Riyadh, a meio de julho, e eles ganhariam sempre. Basta descarregarem os seus camiões de dinheiro.      

A Formula 1 continuaria, tenho a certeza. Mas se calhar, teria de arranjar amantes novos.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

A abertura para as novas equipas


O Ano Novo ficou marcado pela intenção de Mohamed Bin Sulayem de ouvir - e provavelmente, apoiar - a entrada de novas equipas na Formula 1. Numa altura em que se fala do projeto da Andretti e da resistência das outras equipas de ter mais gente, porque significa que o "bolo" vindo da FOM seria mais espalhado, a ideia de alargar o pelotão, pela primeira em quase década e meia, é algo do qual deve ser lido, ouvido e refletido. 

Numa altura em que a Audi irá entrar na Formula 1 em 2026, depois de ter adquirido a Sauber, e se fala da Porsche, por agora como fornecedora de motores, a Andretti é a marca que está a mexer-se no sentido de estar na grelha assim que puder, provavelmente nesse mesmo ano. Aliás, nesta quinta-feira, Michael Andretti anunciou uma parceria com a General Motors, através da Cadillac. 

"Tenho orgulho em dizer que temos a GM e a Cadillac ao nosso lado enquanto buscamos esse objetivo. GM e a Andretti dividem um legado surgido do amor pelas corridas. Agora, temos a oportunidade de combinar nossas paixões pelo automobilismo e dedicação e inovação para construir uma equipe de Formula 1 verdadeiramente americana", afirmou o ex-piloto numa conferência de imprensa coletiva.

Entrar na Formula 1 não é fácil: precisa do acordo de todas as equipas e que haja o pagamento de uma taxa de 200 milhões de dólares, que seria devolvida nos anos seguintes. E fazer cair essa taxa precisa do acordo de todas essas 10 equipas, o que provavelmente não será fácil, porque as equipas tem os seus interesses e poderão usar isso como moeda de troca para conseguir algo a seu favor. 

Mas a Andretti, pesar de ser séria, não é a única que pretende entrar na competição. O próprio Bin Sulayem fala que até nove equipas poderão estar interessados em entrar, e uma delas é falada há anos: a Panthera Team Asia. Desde 2019 que tenta montar um projeto sério para participar na competição, e que foi a primeira a falar disso à FIA, depois do anuncio do seu presidente. Em declarações ao Racingnews365.com, Benjamin Durand afirmou o seu interesse.

“Acolhemos a iniciativa da FIA, mas agora precisamos saber exatamente quais são os requisitos e como o processo se desenrolará, estamos prontos para expressar nosso interesse na Fórmula 1”, afirmou.

Contudo, o projeto da Panthera existe há algum tempo e poucos tem sido os esforços para montar uma estrutura dita "séria" para competir na categoria máxima do automobilismo. Logo, não se sabe se isto é ou não é sério para poder ser acolhido. 

Numa altura em que já temos um teto orçamental, controlado pela FIA, esse controlo, que levará a um maior equilibro entre equipas num futuro mais ou menos próximo, poderá abrir a porta a novas equipas, alargando para 12 ou 13, dependendo que quantos projetos aparecerão, e que limite é que as equipas estão dispostas a impor, por causa do Acordo da Concórdia, que foi renovado em 2020. 

Contudo, a FOM tem a palavra mais importante, que farão o possível para que o projeto não tenha falhas. E um bom exemplo foi a reação que tiveram após o anuncio da manifestação de interesse da Cadillac, onde tentaram colocar água na fervura. 

"Há um grande interesse no projeto da Formula 1 neste momento, com uma série de conversas que não são tão visíveis como outras. Todos queremos garantir que o campeonato se mantém credível e estável e qualquer novo pedido de entrada será avaliado em critérios para cumprir esses objetivos por todas as partes interessadas relevantes. Qualquer novo pedido de participante requer o acordo tanto da F1 como da FIA", afirmou, no comunicado oficial.

A Formula 1 são 10 equipas, uma máquina bem oleada do qual irão querer ter tudo fechado a muitas chaves. E só deixarão entrar alguém se apresentarem todas as garantias, incluindo as que tiverem de ser inventadas neste momento. Ou seja, o caminho será bem longo e complexo.  

sábado, 22 de agosto de 2020

Youtube Motorsport Video: O que é o Acordo da Concórdia?

Na semana em que foi anunciado que todas as equipas assinaram o Acordo da Concórdia para os próximos cinco anos, a Autosport britânica decidiu colocar um video onde eles explicam do que se trata, para além do óbvio: um acordo comercial entre as equipas sobre a distribuição dos dinheiros que a Formula One Management dá para os manter a correr na competição. 

Na realidade, é um acordo... discreto, não secreto. No tempo do Bernie Ecclestone pouco ou nada se sabia dos detalhes do acordo, mas com o passar dos anos e com a nova gerência, a transparência que estes negócios são obrigados faz com que nós fiquemos a saber um pouco mais sobre quanto as equipas ganhar e porque algumas levam mais dinheiro que outras, como a Ferrari ou McLaren, por exemplo.

Enfim, vejam o video.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Noticias: Familia Bianchi vai processar a FIA

A família de Jules Bianchi anunciou esta quinta-feira que vai processar a FIA, a FOM e a Marussia para pedir responsabilidades nas circunstâncias do seu acidente mortal, ocorrido no dia 5 de outubro de 2014, no circuito de Suzuka. Confesso que já tinha ouvido rumores sobre essa hipótese desde o final do ano passado - e falei sobre isso na altura - mas parece que só agora é que se concretizaram.

Bianchi - que acabou por morrer no dia 17 de julho do ano passado, aos 25 anos de idade, sem nunca recuperar a consciência - foi a primeira morte a acontecer na Formula 1 após os eventos do fim de semana de 1º de maio de 1994, em Imola. O processo foi entregue a uma firma de advogados britânica, a Stewarts Law, que está encarregue de tramitar o processo nos tribunais britânicos.

"A família do piloto Jules Bianchi anunciou hoje que pretende tomar medidas legais na Grã-Bretanha relativas aos ferimentos fatais sofridos por Jules Bianchi numa colisão violenta com um trator no Grande Prêmio do Japão de 2014, em Suzuka", começa por dizer a declaração feita pela firma de advogados.

"As cartas [enviadas para a FIA, Marussia e à Formula One Group] explicam por que a família Bianchi sente que as ações de uma ou mais dessas partes, entre outros, poderão ter contribuído para o acidente fatal de Jules e convidá-os a aceitar que foram cometidos erros no planeamento, tempo, organização e realização da corrida, que teve lugar em condições perigosas durante a temporada de tufões no Japão".

Philippe Bianchi, pai de Jules, afirmou: "Buscamos justiça para Jules, e queremos estabelecer a verdade sobre as decisões que levaram ao acidente do nosso filho no Grande Prémio do Japão de 2014. Como família, existem muitas perguntas sem resposta e sentimos que quer o acidente de Jules, quer a sua morte, poderiam ter sido evitados se não tivessem sido cometidos uma série de erros."

Julian Chamberlayne, representante a família Bianchi, afirmou: "A morte de Jules Bianchi era evitável. O relatório do painel inquérito da FIA para este acidente fez numerosas recomendações para melhorar a segurança na Fórmula 1, mas não conseguiu identificar os erros tinham sido feitos e que levaram à morte de Jules.

"Foi surpreendente e angustiante para a família Bianchi que o painel da FIA, nas suas conclusões, embora registando um número de fatores que contribuíram para o seu desfecho, culpou Jules. A família Bianchi determinou que este processo legal [deve acontecer para] exigir os envolvidos o fornecimento de respostas e assumir a responsabilidade por quaisquer falhas.

"Isto é importante para que os pilotos atuais e futuros tenham confiança de que a segurança no seu desporto será sempre colocado em primeiro lugar. Se isso tivesse sido o caso em Suzuka, Jules Bianchi provavelmente ainda estar vivo e competir no desporto que ele amava", concluiu.

Entretanto, o antigo responsável médico da FIA, Dr. Gary Hartstein, decidiu escrever no seu blog numa carta aberta à família de Jules Bianchi, oferecer os seus serviços de perito para ajudar no processo que moveram, afirmando mais uma vez que a FIA cometeu falhas graves no procedimento de transferência do piloto do circuito para o Hospital Universitário de Mie, não muito longe do circuito. Segundo ele conta, a impossibilidade do helicóptero de se descolar do circuito por causa das condições meteorológicas - recorde-se, aquela área estava a ser afetada por um tufão - pode ter sido um fator decisivo no desfecho deste caso.

(...) o elemento crucial no que diz respeito a tragédia de Suzuka reside no fato de que as condições meteorológicas impediam o uso do helicóptero médico. À medida que as minutas das inúmeras reuniões da Comissão Médica da FIA irão confirmar, os regulamentos dos helicópteros médicos são um assunto constante de debate e preocupação.

"De acordo com os regulamentos em vigor (de autoria do próprio Delegado Médico), nas condições em Suzuka naquele dia, com o helicóptero de evacuação médica em terra, a única maneira que a corrida poderia ter continuado é se tivesse sido demonstrado que a evacuação por terra para o hospital designado demorasse pelo menos 20 minutos. Eu não preciso lembrar que, na verdade, esta transferência levou 45 minutos, mais do dobro do tempo permitido", declarou.

Hartstein acredita que este caso poderá mostrar a público algumas das preocupações que muitos delegados médicos estão a ter em relação aos procedimentos de evacuação por parte da FIA, que afirma se terem degradado ao longo dos últimos anos.

"Outros fatos podem ser levantados, não diretamente relevantes para este caso, mas sim para alertar para a falta de experiência no atendimento ao trauma pré-hospitalar. Uma das mais importantes seria a estratégia de desencarceramento por parte da FIA. Esta estratégia é tão desatualizada com a prática corrente que vários diretores médicos de circuitos de Formula 1 já mostraram a sua preocupação que, caso sigam os próprios regulamentos da FIA, eles ficarão em risco de seguir práticas irregulares por causa dos desvios do padrão médico atual. Isto é tão crítico que alguns têm mesmo ido a público registar as suas preocupações", concluiu.

Veremos no que vai dar. Espera-se justiça neste caso, mas temo que haja uma espécie de acordo monetário ou algo assim para que a FIA evite um julgamento público ou algo semelhante, dado o seu comportamento em relação a casos anteriores. Lembram-se como Bernie Ecclestone resolveu o caso de corrupção que tinha premente na justiça alemã, em 2014, referente aos direitos televisivos? Pois é, veremos se a familia Bianchi resistirá aos camiões de dinheiro que a FIA irá oferecer...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O custo da Formula 1

É sempre interessante saber quanto é que os pilotos de Formula 1 ganham de salário por temporada, mas mais interessante é saber quanto é que as equipas gastam por ano para se manter na Formula 1, e quanto custa na fábrica cada ponto conquistado na pista. É certo e sabido através dos "voxpop" que as equipas da frente têm algum lucro, enquanto que as do meio para baixo custa-lhes bastante acabar a temporada com lucro, sendo que os exemplos conhecidos da Sauber, Renault e da Force India estão espalhados pela imprensa especializada.

Na semana passada, porém, a Autosport britânica falou sobre os custos da Formula 1, algo que não foi muito divulgado. Mas hoje dei por mim a ver um post sobre isso no Formula 1 blog, e achei por bem colocar aqui para terem uma ideia do que se está a lidar.

Primeiro que tudo: os números foram submetidos à Companies House britânica, uma entidade fiscal no qual as equipas têm de submeter os orçamentos, já que muitas destas marcas estão cotadas em bolsas internacionais, como a de Londres. As receitas, despesas e lucros estão devidamente detalhadas, e vale a pena dar uma espreitadela.

Assim sendo (os números são de 2012, os valores estão em libras)

Red Bull:

- 240 milhões em receitas, dos quais 110 milhões vêm da equipa, 70 milhões da FOM, 60 vêm de outros patrocinadores.
- 235,5 milhões de despesas, com um lucro de 5,5 milhões, para um pessoal de 690 pessoas.

Ferrari:

- 260 milhões em receitas, dos quais 20 milhões vêm da equipa, 80 milhões vêm da FOM, 160 milhões de outros patrocinadores.
- 250 milhões de despesas, com um lucro de 10 milhões, para 700 pessoas empregadas.

McLaren:

- 180 milhões em receitas, dos quais 60 milhões vêm da FOM e 120 milhões de outros patrocinadores.
- 160 milhões de despesas, com um lucro de 20 milhões, para 600 pessoas empregadas.

Lotus-Renault:

- 120 milhões em receitas, dos quais 30 milhões vêm da equipa, 45 milhões vêm da FOM e 45 milhões de outros patrocinadores.
- 130 milhões de despesas, com um prejuízo de 10 milhões, para 500 pessoas empregadas.

Mercedes:

- 150 milhões em receitas, dos quais 50 milhões vêm da equipa, 40 milhões vêm da FOM e 60 milhões de outros patrocinadores.
- 160 milhões de despesas, com um prejuízo de 10 milhões, para 930 pessoas empregadas.

Sauber:

- 75 milhões em receitas, dos quais 35 milhões vêm da FOM e 40 milhões de outros patrocinadores.
- 90 milhões de despesas, com um prejuízo de 25 milhões, para 320 pessoas empregadas.

Force India:

- 75 milhões em receitas, dos quais 30 milhões vêm da equipa, 35 milhões vêm da FOM e 10 milhões de outros patrocinadores.
- 100 milhões de despesas, com um prejuízo de 25 milhões, para 300 pessoas empregadas.

Williams:

- 90 milhões em receitas, dos quais 30 milhões vêm da equipa, 32 milhões vêm da FOM e 28 milhões de outros patrocinadores.
- 90 milhões de despesas, para 520 pessoas empregadas.

Toro Rosso:

- 70 milhões em receitas, dos quais 32 milhões vêm da equipa, 30 milhões vêm da FOM e 8 milhões de outros patrocinadores.
- 70 milhões de despesas, para 300 pessoas empregadas.

Caterham:

- 65 milhões em receitas, dos quais 26 milhões vêm da equipa, 30 milhões vêm da FOM e 9 milhões de outros patrocinadores.
- 65 milhões de despesas, para 260 pessoas empregadas.

Marussia:

- 51 milhões em receitas, dos quais 30 milhões vêm da equipa, 6 milhões vêm da FOM e 15 milhões de outros patrocinadores.
- 51 milhões de despesas, para 200 pessoas empregadas.

As conclusões são simples: as equipas conseguem ter orçamentos equilibrados, e qualquer prejuízo, desde que seja pequeno, consegue ser cobrado. Pode-se ver o peso que têm as receitas da FOM nos seus orçamentos nos quais, excepto a Marussia, são uma parte importante nas equipas do meio para a cauda do pelotão. E como seria de esperar, as três equipas da frente (McLaren, Red Bull e Ferrari) tiveram lucro.

Fica-se algo surpreso por se ver que a McLaren não injeta dinheiro diretamente da sua estrutura, o que implica que não dependem das vendas dos seus automóveis de estrada (que são um negócio recente, a propósito), mas isso não qualquer influência no resultado final, pois tiveram lucro, que é guardado, provavelmente, para as próximas temporadas.

É preocupante ver os prejuízos nas equipas do meio do pelotão, como a Lotus, Sauber e a Force India. Apesar de serem equipas diferentes em termos de estrutura - o primeiro é uma aventura independente de Peter Sauber, outra é a paixão de Vijay Mallya, um dos homens mais ricos da Índia - os seus problemas estão devidamente publicitados nos últimos dois anos, e pensa-se que a injeção de dinheiro vindo da Rússia para a Sauber (fala-se em cem milhões por ano, em troca de um assento para o local Serguei Sirotkin) poderá resolver os seus problemas para os fornecedores, por exemplo.

Ainda no campo dos prejuízos, os números da Mercedes são surpreendentes, mas sendo uma equipa de fábrica, entende-se isso como o preço a pagar para colocar a equipa no quadro dos vencedores. É que uma equipa de fábrica vale-se pela velha frase de Henry Ford: vencer no domingo para vender mais carros na segunda-feira.

Vistos estes números, pode-se pensar que as equipas de Formula 1 estão bem de saúde. De uma certa forma, é uma ilusão, pois o esforço e o preço a pagar é grande. Eles dependem da FOM para sobreviver, e o bolo distribuído não passa dos 50 por cento do total captado por Bernie Ecclestone. A sua captação de patrocínios é limitada, e de uma certa forma, as contas estão equilibradas graças a várias coisas como a regulamentação do desenvolvimento de peças cruciais, como o motor. E no fundo da tabela, a luta é "mortal": se alguma dessas duas equipas, Caterham ou Marussia, não conseguir o décimo posto e o dinheiro da FOM, no ano seguinte, terão problemas em achar o dinheiro necessário. Afinal de contas, são 24 milhões de libras de diferença...

Em 2014, a Formula 1 dará um alto com os novos motores 1.6 Turbo, e estes prometem ser caros, o que fará com que as equipas se tenham de esforçar para conseguir mais dinheiro (patrocínios ou um maior bolo da FOM) para pagar as despesas desses motores. Fala-se que um contrato com os motores Renault vale à volta de 25 milhões...

Em jeito de conclusão: vale a pena estar na Formula 1. Se for rico, (ou um construtor) e estiver disposto a colocar imenso dinheiro para tirar algum lucro disto tudo, ou não acabar o ano com prejuízos, consegue sobreviver e criar história na categoria. Mas terá de lutar muito para ir buscar todos os tostões necessários para preencher os "buracos", e cobrar a toda a gente. Não admira que estas pessoas desejem os pilotos pagantes, não é?  

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Noticias: FIA e FOM querem tranquilidade no Bahrein

A polémica sobre o GP barenita, neste fim de semana, e as preocupações dos envolvidos no circo da Formula 1 sobre as condições de segurança na ilha do Golfo Pérsico (a título de exemplo, os membros da Ferrari estão proibidos de sair do hotel sem ser para o circuito), fez com que Jean Todt, presidente da FIA, e Bernie Ecclestone, presidente da FOM, tenham lançado um inédito comunicado conjunto, apelando às partes para que os deixem trabalhar neste fim de semana. 

“A FIA e a FOM acreditam fortemente que o desporto pode ser uma força para o bem e realizarmos o Grande Prémio no Bahrein irá, de uma certa forma, aliviar algumas das tensões que foram nomeadas pelos media", começou por afirmar o comunicado. 

“Jean Todt e Bernie Ecclestone estão unidos em expressar o seu apoio ao GP do Bahrein e o seu organizador, e desejam a todos os envolvidos que respeitem os desejos de equipas e pilotos de que os deixem fazer o seu melhor trabalho possivel durante este fim de semana. O promotor e as autoridades nacionais asseguraram, quer à FIA, quer à FOM, de que a segurança será aplicada e garantida a todos os participantes do GP do Bahrein", concluiu.

Para quem não sabe, desde ha dois anos a esta parte que existem conflitos entre a minoria sunita (de onde vêm a familia real) e a maioria xiita, mais pobre e que vive nos bairros mais pobres deste rico reino. Esses conflitos, que rebentaram em fevereiro de 2011, levaram ao cancelamento da corrida nesse ano, mas regressou no ano seguinte, apesar dos protestos da comunidade internacional. 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

5ª Coluna: A futura flutuação da Formula 1

Na passada sexta-feira, depois de muitas especulações e muita ansiedade, o Facebook chegou à Bolsa de Nova Iorque, colocando parte do seu capital à disposição de quem quiser. Depois das ações terem valido à volta de 36 dólares no primeiro dia, o preço desceu muito no inicio desta semana, dando origem a especulações sobre se o preço inicial não estava sobrevalorizado em relação à realidade. De facto, estava, mas há outras companhias que tem preços sobrevalorizados, como a Apple, por exemplo, e não deixam de ser uma das companhias mais lucrativas do mundo. É o "hype", digamos assim.

Há outras coisas que poderão estar em jogo, mas se calhar só mais tarde, mais para o final do ano, é que veremos até que ponto é a entrada do Facebook na bolsa foi ou não um "flop". Mas porque é que trago uma rede social para um site de automobilismo? Porque a Formula 1 vai no mesmo caminho. Daqui a algum tempo, provavelmente no meio do ano, eles vão fazer o mesmo, na Bolsa de Singapura.

Desde o inicio do ano que a CVC Capital Partners, o fundo de investimento com sede em Abu Dhabi, pretende alienar parte do capital da Formula 1 em Bolsa. A percentagem em questão era pertencente à Lehman Brothers, o banco que pediu falência em 2008, causando a atual crise que o mundo vive, e andava À volta dos dez por cento. Muitos afirmavam que eles queriam vender essas acções por 1,2 mil milhões de dólares - quase mil milhões de euros - afirmando que a Formula 1 em si valeria dez mil milhões de dólares. Que este desporto é um negócio, já sabemos, mas muitos afirmam que este preço está sobrevalorizado.

Esta terça-feira, a CVC autorizou a venda de 1,6 mil milhões de dólares em acções - 1200 milhões de euros - para três investidores: os grupos BlackRock, Waddell & Reed e o Norges Bank Investment Management. O primeiro pertence a Larry Flink, um magnata que é dono de, entre outros, a revista Vanity Fair. O segundo é uma rede de gestão americana e o último, como é óbvio, é fundo de investimento estatal norueguês. Quanto ao IPO (Oferta Pública de acções), está marcado para o mês que vêm, em Singapura.

A IPO vai ver quatro bancos envoilvidos: as americanas Morgan Stanley e Goldman Sachs, a UBS suiça e a espanhola Santander. Primeiro que tudo, acho estranho porque é que uma coisa como a Formula 1 se decida entrar em Bolsa num sítio como Singapura e não numa praça mais conhecida como Londres ou Nova Iorque. Poderia pensar que a ideia seria apostar o seu futuro numa Ásia em crescimento pujante, mas o mais lógico seria cotá-lo em Hong Kong, por exemplo. Mas escolheram Singapura que, sendo importante, é relativamente secundária, a nível de Xangai ou Seoul, por exemplo.

E esta IPO acontece num momento importante na Formula 1: a renegociação do Acordo (ou Pacto) da Concórdia. Com o atual acordo a expirar em 2012 e as especulações sobre as dificuldades em que Bernie Ecclestone está a ter para chegar a acordo - quer com as equipas, quer com a FIA - e claro, com as dificuldades que os promotores têm para pagar as exigências de Ecclestone para ter a Formula 1 no seu país - a renuncia de França e as dificuldades que os organizadores do GP de New Jersey estão a ter para arranjar dinheiro e construir o circuito são os exemplos mais recentes - fica-se a pensar se aquilo que eles pedirão no futuro por cada ação - ainda não sabemos quanto, mas o normal é eles sobrevalorizarem o preço - não será o típico exagero de quem quer ganhar dinheiro com isto e mais nada, para depois as ações despencarem, como acontece neste momento com o Facebook? 

É o risco que se corre, quando se joga na roleta do casino... ups, na Bolsa de Valores. Mas Bernie Ecclestone não se importa, porque vai sempre ganhar com isto.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Noticias: Ecclestone vai-se casar pela terceira vez

Esta sexta-feira parece ter espaço para o "Momento Caras" do dia. Digo isto porque foi hoje que se soube que o anão Bernie Ecclestone anunciou o seu noivado com a advogada brasileira Fabiana Floisi, que tem a bonita idade de... 36 anos. Sim, tem idade para ser a sua neta!

"Estamos muito felizes. Já não é mais uma questão de 'se' mas sim de 'quando'. Estamos juntos há mais de dois anos e o que faz esta relação funcionar é que ela tem um fabuloso sentido de humor, e quando se vive comigo, é preciso ter um fabuloso sentido de humor. Mas tenho de afirmar que estou muito feliz por a ter comigo.", concluiu. O anuncio do noivado foi celebrado com uma prenda de cem mil libras, sob a fora de um anel de diamantes.

Caso ele viva o suficiente para celebrar o dia do seu casamento, Ecclestone, que tem 82 anos e toma conta da Formula 1 há mais de 40 anos, irá casar-se pela terceira vez, depois de um primeiro casamento nos anos 50, que lhe deu uma filha, e de se ter casado em 1984 com a modelo croata Slavica, de quem teve mais duas filhas, Tamara e Petra. E espero que ele seja acionista da farmacêutica Pfizer, que assim poderá pedir amostras grátis de certo comprimido azul...

domingo, 22 de abril de 2012

GP do Bahrein, a que preço?

Acabou o Grande Prémio do Bahrein, a quarta prova do ano. Sebastian Vettel foi o vencedor, e os Lotus de Kimi Raikkonen e Romain Grosjean foram ao pódio, dando à equipa o seu primeiro pódio desde 2010, nos tempos de Robert Kubica, com a Renault. E para Grosjean, é o seu primeiro pódio de sempre e o primeiro de um francês desde o GP da Belgica de 1998, há quase 14 anos.

Não vi. Não quis ver. Se estou arrependido? Não. E não digo isto por orgulho. Felizmente penso pela minha própria cabeça e critico o facto de terem ido a um país em ebulição. Se os relatos podem ter sido exagerados, em muitas ocasiões, neste final de semana? Acredito que em alguns casos, pode ter sido. Mas os factos existem e não podem ser ignorados. Há uma população que contesta o governo por ter descriminado uma parte da população, por não ter feito as necessárias reformas, que pedem desde o ano passado e de terem preferido gastar 40 milhões de dólares em trazer uma manifestação desportiva, como fazendo parte de uma estratégia de demonstrar que "tudo está normal" e não se sabe quantos mais milhões de dólares para pagarem aos seus agentes para manter uma aparência de normalidade naquele país, afastando os manifestantes do circuito.

Ao longo do final de semana, li e vi muita gente a criticar as ações de alguns que decidiram criticar a corrida, afirmando que o Bahrein é um sitio tranquilo e que tudo é obra de um bando de agitadores. Acredito que sim, até pode ser, mas a agitação é real e os problemas existem. Já existiam antes do Grande Prémio, e continuarão a existir nos dias, semanas e meses que seguirão à corrida. Espero que o governo invista em resolvê-los, como tem dito nos últimos dias e na forma que o povo pede, porque provavelmente será mais eflicaz e muito mais duradoiro do que no dinheiro gadto nesta gigantesca operação de relações públicas, que foi este Grande Prémio.

O Bahrein, felizmente, não é a Síria. Mas ganharia imenso se a familia real tivesse tomado o caminho das reformas, ja em 2010. Infelizmente, perferiu reprimir primeiro e tentar corrigir os erros depois. Agora, o povo já quer tudo, não acredita na palavra dos seus governantes. Claro, a solução não é simples: porque está ao pé de um vizinho enorme como a Arábia Saudita, provavelmente uma das nações mais fechadas do mundo, porque está numa região volátil como o Médio Oriente, que vive a Primavera Árabe.

O GP do Bahrein também mostrou algo que sempre existiu na Formula 1, e que andou sempre no nosso subconsciente: deixou tanto de ser um desporto, mas sim uma grande montra para mostrar os seus produtos. O equilíbrio existente, que todos aplaudem agora, é de uma certa forma, artificial, comparado com o que acontecia nos anos 60 e 70. As regras são tantas e tão especificas, que qualquer coisa que traga algo de novo para o automobilismo é impedido. Hoje em dia, um sujeito como Colin Chapman não teria espaço por ali. Os espectadores e fãs não gostam de domínios, como aconteceu à Red Bull e a Sebastian Vettel em 2011. Também mostrou que a Formula 1 vai onde está o dinheiro. Vai à China, que é uma ditadura comunista, onde os direitos humanos são desrespeitados. Vai a países onde não há espectadores, e onde se constroem circuitos no meio de nenhures, como na Coreia do Sul ou até o Bahrein, que são desenhados pela mesma pessoa, como se de um monopólio se tratasse. 

Em suma, esta é uma competição que é montada pelo dono do circo: Bernie Ecclestone. Sempre foi no passado e vai ser isto vai ser assim enquanto for vivo, porque como sabem, ele não dá sinais de se reformar. Não pode porque não quer, e também porque as equipas não o deixam. Aliás, eu fiquei com a ideia de que estão todos quietinhos, quer agora, no caso do Bahrein, quer agora nas discussões para o novo Acordo da Concórdia, provavelmente à espera que ele morra, para depois fazer as suas jogadas de tomada de poder, pelo menos no lado da Ferrari. Lembram-se das reivindicações da Scuderia para um terceiro carro e testes ilimitados? Luca di Montezemolo não desistiu dessa ideia.

Digam o que disserem, falem do que falam, digam que é um paraíso ou é um inferno na Terra, o Bahrein esteve nas bocas do mundo. E a Formula 1 também. Nunca vi e ouvi a competição tantas vezes nesta semana em canais noticiosos como a BBC, CNN ou a Euronews, e provavelmente, danificou alguma da sua reputação. Claro, todos apostam que o assunto seja esquecido e passem para a competição propriamente dita. Mas... e em 2013? Se nada for resolvido no pequeno emirado? Se não existirem as tais reformas que tanto falam? Se a agitação continuar? Se o pequeno emirado voltar ao calendário? Voltamos a ver tudo de novo? 

E vocês, caros leitores deste blog, estariam dispostos a ver e ouvir tudo de novo daqui a um ano, como vocês ouviram ao longo desta semana?

O polémico apagamento da Force India

A polémica sobre o "apagamento" da Force India nas transmissões televisivas da FOM - qual José Estaline a apagar as fotos dos seus inimigos - foi o tema de conversa desta sábado pelos lados do Bahrein. Muitos falaram que foi por pura retaliação de Bernie Ecclestone ao facto de a Force India não ter participado na segunda sessão de treino livre, embora o dono da FOM tenha dado uma justificação mais para o "soundbyte": "Eles [diretores de transmissão de TV da FOM] estavam concentrados em quem ficaria na pole mais do que em quem ficaria em décimo. Ninguém se importa se alguém é nono ou 11º", afimrou em declarações captadas pelo site Tazio.

Claro, o "soundbyte" de Ecclestone, sem papas na lingua, correu veloz nas redes sociais, especialmente quando se sabe que ele não se importava com Fernando Alonso (o nono na grelha) ou com Kimi Raikkonen, 11º a partir amanhã de Shakir. Em suma, mais uma declaração sem pensar do velho octogenário...

À BBC, Bob Fernley, o director desportivo da Force India, a justificação foi mais humana: "Quero ter uma equipa unida. Se não tivessemos dado os passos que tomamos, teriamos uma equipa em desagregação." Como é sabido, após o incidente de quarta-feira, em que quatro elementos da equipa se envolveram num incidente onde um "cocktail molotov" aterrou bem perto da viatura em que seguiam. Como resultado disso, dois membros da equipa abandonaram o país, com receio da sua segurança.

"Lógica e emoção nem sempre andam juntos, mas tens de lidar com a situação da melhor maneira que puderes. Visto de fora, nem sempre podes ter a ideia dos sentimentos que eles passam - ou que eu próprio passo - por aqui", concluiu Fernley, que esteve a falar na manhã de sábado com Bernie Ecclestone.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ecclestone não precisa da Europa?

"Penso que nos próximos anos a Europa vai passar a ter só cinco corridas. A Europa está acabada! Será um bom local para fazer turismo, mas a Europa é uma coisa do passado. Tem sido a casa espiritual da Fórmula 1, mas..."

Bernie Ecclestone ao jornal espanhol Marca, 30 de novembro.

Normalmente não ligo nenhuma a Bernie Ecclestone e às suas declarações, porque sei perfeitamente que não são para serem levadas a sério, mas mesmo nada a sério. Já faz isso há mais de 40 anos e a história prova que só diz isso para fazer manchetes de jornais. Aliás, acho que daria para outro livro sobre ele. Reparem: se algum dia ele falar à imprensa que "vamos ao Bahrein custe o que custar", então ele não sabe, ou oculta, o facto de que, por exemplo, as autioridades americanas e britânicas desaconselharem os seus cidadãos a irem para o pequeno emirado no Golfo. E para além disso, as seguradoras simplesmente o encostariam à parede, ameaçando cancelar os seguros dele mesmo, da Formula 1, das equipas, dos pilotos, etc...

Logo, as suas declarações não seriam dignas de comentários meus, mesmo estes sobre o "fim da Europa". Mas como nas lendas, há um fundo de verdade nos disparates de Ecclestone. Primeiro, por causa da situação que se vive na União Europeia, e segundo, por causa da fome do octogenário britânico por circuitos mais exóticos e de organizadores papalvos que estejam dispostos a dar aviões cheios de dinheiro ao "anãozinho tenebroso", em troca das suas exigências cada vaz mais loucas.

Hoje em dia, quase ninguém paga os trinta ou mais milhões de euros por ano que ele exige na Europa. Lugares como Spa-Francochamps, Nurburgring, Hockenheim, etc, têm constantes prejuízos na organização dos Grandes Prémios de Formula 1, não porque hajam menos gente, mas porque os bilhetes são caros e Ecclestone, através da sua FOM, qual sanguessuga de dinheiro, aumenta cada vez mais as exigências. É certo que em cada contrato, ele exigem um aumento de dez a quinze por cento do valor inicial. Se um circuito ou um país lhe pague inicialmente vinte milhões, no final de cinco anos poderá acabar a pagar 50 por cento mais, por causa dos dez por cento de aumento por ano.

A sorte da Europa é que ele exige pagamento em dólares, que está num valor mais baixo do que o euro, a moeda do qual espanhois, italianos, alemães e belgas pagam. Os britânicos pagam em libras, uma moeda ainda mais valorizada do que o euro e o dólar. Mas a Europa vive tempos díficeis, como é sabido. O crescimento estagnou ou diminuiu - ou seja, recessão - a União Europeia vive uma crise por causa da sua moeda, e que, num extremo, poderá acelerar o seu fim, caso o euro se desmembre, e no final, temos países que tem de recorrer à ajuda do Fundo monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE). Grécia, Irlanda e Portugal já recorrem à ajuda, mas em breve se fala da Itália e da Espanha, com imensa gente a dizer que caso ambas peçam ajuda ao mesmo tempo, será o fim da Europa tal como a conhecemos.

De uma certa maneira, entendo o espírito do Bernie. "A Europa já deu o que tinha a dar, vou manter um esqueleto para dizer que a Formula 1 tem raízes europeias e não perder o público europeu", deve pensar. Uma corrida em Silverstone, uma em Monza, outra em Espanha, uma na Alemanha e a do Mónaco, e está ótimo. E claro, pode exigir as suas somas brutais do costume para uma corrida no México, Africa do Sul, Cazaquistão, Angola, Arabia Saudita... enfim, em todos os sitios onde haja uma autoridade suficientemente irresponsável para rebentar 150 a 200 milhões de euros para construir um circuito desenhado pelo arquitecto do costume, Hermann Tilke, e essas autoridades pagaram 50 milhões de dólares por ano, não se importando se no final do contrato estarem a pagar cem milhões. Afinal de contas, cinquenta por cento entram nos cofres do anãozinho...

Vão me perguntar se acham que isto é o futuro. Até pode ser. Mas Ecclestone não viverá para sempre, nem a crise é eterna. As coisas acalmarão um dia e o anãozinho tem um AVC no meio de uma pista qualquer e vai ter com o Capeta, que o mandará para a sua ala VIP, ao lado dos bigodes do Estaline, Hitler ou do Saddam. E provavelmente, algum bom senso chegará à Formula 1, embora tenha a impressão que quando ele morrer, a FOTA atirar-se-á aos direitos comerciais, qual pitbull a um osso de dinossaurio. Essa é talvez a minha nuvemzinha negra em relação ao futuro da Formula 1...

P.S: Ao mesmo tempo que escrevia este artigo, o jornalista britânico Joe Saward também dava as suas impressões sobre as declarações do Bernie Ecclestone. Mais objetivo e mais especifico do que eu, explica no seu post também explica o que é que a frase dele significa e porque é que, provavelmente, essa história das cinco corridas pode nunca passar do "soundbyte do dia". Numa palavra: contratos...

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

5ª Coluna: As tensões e polémicas no seio da Formula 1

Agora que a Formula 1 tira três semanas de férias para gozar o Verão do Hemisfério Norte, há tempo para ler com calma as noticias e os rumores sobre a tempoestade que lentamente a categoria máxima do automobilismo atravessa, relacionada com a guerra surda entre a FIA e a FOM, com a FOTA na expectativa, sobre o controlo da Formula 1 no seu todo. E um bom exemplo dessas tensões li esta semana na Autosport portuguesa, do qual o habitual Luis Vasconcelos conta e eu coloco aqui.

"O relacionamento entre alguns dos responsáveis da FIA e da FOM está a atingir niveis bem baixos. No Nurburgring, o Chefe de Comunicação da FIA, Matteo Bonancini, e o braço direito de Ecclestone, Pasquale Lattuenddu, chegaram a vias de facto quando este último quis retirar um logotipo da federação da zona em que os três primeiros da qualificação iam ser fotografados. Bonancini fez valer o seu ponto de vista e, seguramente por coincidência, a entrega dos passes aos jornalistas estrangeiros acreditados na Hungria - outorgados pela FIA mas geridos pela FOM - só estiveram prontos na tarde de quinta-feira, quando por norma devem estar prontos logo pela manhã, o que criou problemas a muitos dos nossos colegas, impedidos de aceder ao circuito. Os dois italianos voltaram a falar no circuito, mas parecem não chegar a acordo, no que é um reflexo da guerra aberta entre os seus patrões, que estão a fazer faísca em todos os detalhes."

E neste final de semana, houve dois casos que exemplificam essa tensão entre todos. A apresentação de uma proposta de calendário de 2012, do qual todos reclamaram pelo fato de haver seis fins de semana consecutivos no final do ano, quando se sabe que, por exemplo, não há vôos diretos entre Austin e São Paulo, e a noticia do acordo entre a BBC e a Sky Sports onde a partir de 2012, parte das transmissões televisivas serão asseguradas pelo canal pago, e detido parcialmente por uma News Corp agora caída em desgraça.

Sobre o primeiro caso, essa proposta de calendário foi totalmente apanhada de surpresa pelas equipas, pois nada sabiam sobre isto e alguns murmuram que pode ser uma forma de Bernie Ecclestone ter colocado uma casca de banana para Jean Todt escorregar e a FOTA - ou seja, as equipas - colocarem as mãos à cabeça pelo desgastante trabalho que terão pela frente e as viagens que farão. E segundo, há etapas ainda em dúvida, desde as histórias à volta da Turquia até às polémicas sobre Valencia, relacionadas com o escândalo de corrupção que abala o governo local.

Sobre o segundo caso BBC/Sky, falamos da Grã-Bretanha, que adora automobilismo e sempre viu a Formula 1 em sinal aberto. A BBC tem contrato até 2015, mas está a braços com cortes na despesa, que está a levar a despedimentos e a cancelamentos. E a BBC paga bem para ter a melhor transmissão do mundo: 40 milhões de libras por ano. E os seus apresentadores, Martin Brundle e David Coulthard, juntos recebem um milhão de libras por ano. Comentadores a peso de ouro, pode-se ver...

Assim, com este novo contrato, a SkySports transmitirá a partir do ano que vêm as qualificações e doze das vinte corridas do calendário, com a BBC a transmitir as restantes dez. Só que quem queiser ver tudo, terá de gastar 40 euros por mês para ter acesso às transmissões da Sky Sports, e isso caiu muito mal no seio das equipas, que apesar de ganharem um pouco mais com este contrato, arriscam-se a ver os custos publicitários diminuirem pelo fato de terem perdido o sinal aberto, apenas porque Bernie Ecclestone continua a ser ganancioso e insensível à crise que ainda há lá fora.

E vejo isto como mais um sinal de que esta exigência cada vez maior de dinheiro como um "caminho para a perdição". Ainda não é a degola da galinha dos ovos de ouro, mas é mais uma facada no seu corpo. Se em mercados mais pequenos, a elitização da Formula 1 passa ao lado do "comum dos mortais", quando se trata de mercados maiores, como a Espanha, Alemanha, Itália, Grã-Bretanha e Brasil, o cerco fecha-se. Mais ano, menos ano, as pessoas, para verem a Formula 1, terão de pagar tanto como se fossem ao autódromo.

E nesta demanda quase maluca por tudo que é asiático por parte de Ecclestone, o anãozinho octogenário quer esquecer que o núcleo duro da Formula 1 ainda é europeu. São esses que enchem autódromos, pois os mercados chinês e o indiano ainda não tem nem interesse, nem público, nem poder de compra para isso. Basta ver a quantidade de pessoas que aparece nos fins de semana em Xangai para dar razão a esse cepticismo. E mesmo os próprios asiáticos já dão conta do presente envenenado que são os contratos assinaram com Ecclestone. Confesso que ficaria bastante surpreendido se os autódromos indiano ou o coreano estiverem cheios de pessoas, dentro de algumas semanas...

Para finalizar, todas estas pequenas polémicas mostram um quadro maior, de que estamos a entrar numa tempestade parecida com a de 2009, onde a luta entre Max Mosley e as equipas levou a que se partisse a corda e as equipas a ameaçarem a criar uma liga paralela. A coisa acalmou-se logo, com Mosley a abdicar do poder e a eleger Jean Todt. Mas em 2012 acaba o Acordo da Concórdia e as equipas querem uma fatia maior do bolo, e ainda por cima, Jean Todt não é o aliado que Bernie deveria contar para continuar a exercer o seu poder.

O que me leva a recear que no próximo ano vejamos a "tempestade perfeita". Será? O que vejo, neste momento, é que andamos muito longe do fundo do poço, pois toda a gente quer esticar a corda até ao ponto de ruptura.