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quinta-feira, 17 de julho de 2025

A imagem do dia


Sabemos que a um dia, passa outro. 

Sabemos que ao verão, aparecerá o outono, e depois o inverno. O Natal e Ano Novo. E depois, esperamos calmamente para que chegue a primavera e depois o verão, para podermos aproveitar os dias agradáveis, e olhar para a paisagem que amamos, mais uma vez. 

Entendemos sempre que existe um "próximo ano". Entendemos a ideia dos 365 dias, da volta completa que a Terra dá à volta do Sol. Mas mais além disso... não, não entendemos. A nossa ideia do mundo, do tempo, não vai além de um ano. Uma década, um século... não, não temos. Achamos que tudo fica no seu lugar, no mesmo tempo, e não damos conta que esse momento vai embora, ficará distante, não voltará. E as pessoas que vivem deixam de existir, aos poucos, lentamente. 

E quando hoje se lembra de Jules Bianchi, o piloto da Marussia que sofreu o seu acidente fatal em Suzuka e demorou nove meses para morrer, custa a crer que passou uma década de algo que julgávamos que tinha acabado, essa ideia de "pilotos de Formula 1 que morrem em pista. Acabou com o Senna, certo?"

Podem achar um disparate, mas acreditem: muitos pensavam nisso na altura. Lembro, cinco anos antes, quando Felipe Massa levou com uma mola na cabeça nos treinos livres do GP da Hungria de 2009, falou-se (e mostrou-se um video) da FIA com dispositivos para proteger a cabeça, incluindo o HALO. Claro, eles "arrastaram os pés", e tenho aquela sensação que se tivessem colocado antes, Bianchi estaria melhor protegido da colisão em Suzuka e teria aguentado melhor o impacto com o trator.

No final, mais do que lembrar alguém que poderia ter sido um bom piloto e ter arrancado um milagre ao conseguiu um nono posto nas ruas do Mónaco, agora estamos aqui a recordar um talento que se foi cedo demais, e a última morte na Formula 1. E as mudanças que causou. 

Bom saber que depois disso houve gente salva em situações "in extremis", mas eu sei, melhor que ninguém, que levar os acidentes mortais para zero no automobilismo... não creio que aconteça. Se calhar, o espaço entre mortes alargou-se, mais nada. Porque se alguns de vocês podem lembrar-se de Romain Grosjean, eu lembro-me de Anthony Hubert, apesar de ter acontecido na Formula 2, mas foi num fim de semana de Formula 1.  

Não será mais esquecido. Hoje, é verdade, é mais um dia. Mas hoje lembramo-nos dele. Ars longa, vita brevis.

terça-feira, 17 de julho de 2018

A imagem do dia

E de repente... já se passaram três anos. Sempre lembrado, nunca esquecido. 

quinta-feira, 5 de abril de 2018

A imagem do dia

A escolha desta imagem, aparentemente aleatória, tem a ver com algo que vi ontem: o artigo em destaque na página em inglês da Wikipédia é o do Grande Prémio do Japão de 2014, disputado na madrugada do dia 5 de outubro desse ano. Para quem já não recorda o que foi essa corrida, foi uma prova que aconteceu debaixo de uma forte chuva, com um tufão a passar ao lado e no final, acabou no acidente mortal de Jules Bianchi.

Ainda me lembro de tudo isso. De como alertei por aqui sobre o perigo de ter uma corrida debaixo de tempestade (A Caminho da Formula Zero), e que como isso poderia acabar numa farsa, onde os pilotos dariam umas voltas só para preencher tempo de antena, sem competição, acabando em meia dúzia de voltas. Na realidade, acabou em tragédia (aqui está a crónica dessa corrida), com os carros a correr em lusco-fusco (os filtros das câmaras de televisão enganaram os teleespectadores...) e o Marussia do piloto francês a despistar-se no preciso momento em que os comissários de pista acenavam a bandeira verde, com um trator na zona de escapatória, a retirar o Sauber de Adrian Sutil.

Ao ler o artigo na Wikipédia, mostra todo aquele fim de semana automobilístico, quase como se estivéssemos a ler um livro sobre essa corrida, bem explicado e detalhado. E a ideia é essa. Mas para quem assistiu a corrida naquela madrugada-manhã (estava na cama, a ver tudo do meu laptop e a comentar no Twitter), não deixa de ficar indignado com certos aspectos da corrida. Como é que deixaram que isto acontecesse? A FIA disse que pediu à organização para antecipar a corrida, mas esta recusou, alegando que nos bilhetes estavam escritos até o horário do comboio que traria os fãs de volta para Kyoto, Nagoya e Tóquio. Mas então... para certas situações a FIA tem uma atitude diferente de outras? Não se entende. Acho que foi um "deixa andar", mas enfim...

Ah, e o video do acidente não existe. A FOM dedicou muito tempo para o tirar do ar das redes sociais, e duvido que algum dia o volte a colocar.

Sobre essa corrida, muito se foi dito, muitas perguntas ficaram no ar. Algumas medidas foram tomadas, uma delas, a do horário, para evitar que as corridas acabem no lusco-fusco, como aconteceu, e o Halo, que agora está presente em todos os carros de Formula 1 este ano. Mas nesse campo, acho que nem o Halo teria salvo Bianchi, quando se sabe que o arco de proteção - o famoso Santantônio - se quebrou na colisão do Marussia com o trator...

Enfim, uma coisa destas fez trazer de volta más recordações, mais páginas negras de um desporto que amamos.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A imagem do dia

Sabe-se agora que o fim de semana do GP do Japão, daqui a uns dias, vai ser à chuva. E faz lembrar tudo o que aconteceu há precisamente dois anos. Não há tufão, mas neste fim de semana, não vamos deixar de pensar em Jules Bianchi... 

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Porque Philippe Bianchi processou a FIA

Quase dois anos após o acidente fatal de Jules Bianchi, é sabido que o seu pai decidiu processar a FIA e a FOM, por acharem que eles tem responsabilidades sobre as circunstâncias desse acidente. Numa entrevista publicada na segunda-feira no site miuteauto.fr, Philippe Bianchi, seu pai, refere que não aceita que o seu filho seja culpado nos eventos de Suzuka, e que a FIA e a FOM ainda andam a esconder muita coisa.

Já o disse e repito, houve claros erros cometidos. O Jules não teve um acidente relacionado com os riscos inerentes a este desporto. Em todos os acidentes que vi, mesmo o mais terrível, houve sempre imagens da FOM (Formula One Management), mas neste caso, não”, começou por dizer.

"Eu fui lá, analisei fotografias aéreas e na curva em questão e tendo em conta as imagens, eu não entendo como Jules poderia sair daquela maneira e porque é que não reagiu" continuou.

"Jules estava a falar com sua irmã no dia anterior à corrida [sobre o mau tempo no circuito]. Ele tinha a tranquilizado e disse que ele confiou a direção de corrida, que era possível que a corrida fosse cancelada por causa do tufão que se aproximava. Mas isso não foi isso o que aconteceu".

"Para mim, há algo que não bate certo. Devem-me a verdade. Eu persisto nisto, e responsabilizo-me pelo que digo, mas houve muitos erros. Há muitos elementos que fazem com que esta corrida deveria ter sido ser interrompida, que o trator não deveria estar lá, ele não deveria ter havido uma bandeira verde... ou seja, era uma bagunça total!"

Bianchi disse também que esta luta é uma enorme montanha contra uma instituição poderosa, mas que é algo do qual importa lutar.

"As pessoas que me atacam, querem manter os seus privilégios na Formula 1, não me afetam. Se alguém dissesse que, sim, foram cometidos erros, mas não podemos voltar atrás, isso era um passo em frente. Contratei advogados para que a verdade se saiba, e os que forem responsáveis pelos seus erros, paguem por isso. Não posso imaginar pais, mesmo os que nos criticaram, que não fizessem o mesmo pelos seus filhos!", concluiu.

domingo, 17 de julho de 2016

A imagem do dia

Todos nós recordamos Jules Bianchi neste domingo, precisamente um ano depois da sua morte. É sinal de que o recordamos nos nossos corações e sentimos a sua falta, e o vazio que não é possivel de ser preenchido, especialmente quando sabiamos do seu potencial para ser um excelente piloto.

E no meio de tantas fotos dele, decidi ser um pouco diferente, recuperando este cartoon do "Cire Box".

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Noticias: Familia Bianchi vai processar a FIA

A família de Jules Bianchi anunciou esta quinta-feira que vai processar a FIA, a FOM e a Marussia para pedir responsabilidades nas circunstâncias do seu acidente mortal, ocorrido no dia 5 de outubro de 2014, no circuito de Suzuka. Confesso que já tinha ouvido rumores sobre essa hipótese desde o final do ano passado - e falei sobre isso na altura - mas parece que só agora é que se concretizaram.

Bianchi - que acabou por morrer no dia 17 de julho do ano passado, aos 25 anos de idade, sem nunca recuperar a consciência - foi a primeira morte a acontecer na Formula 1 após os eventos do fim de semana de 1º de maio de 1994, em Imola. O processo foi entregue a uma firma de advogados britânica, a Stewarts Law, que está encarregue de tramitar o processo nos tribunais britânicos.

"A família do piloto Jules Bianchi anunciou hoje que pretende tomar medidas legais na Grã-Bretanha relativas aos ferimentos fatais sofridos por Jules Bianchi numa colisão violenta com um trator no Grande Prêmio do Japão de 2014, em Suzuka", começa por dizer a declaração feita pela firma de advogados.

"As cartas [enviadas para a FIA, Marussia e à Formula One Group] explicam por que a família Bianchi sente que as ações de uma ou mais dessas partes, entre outros, poderão ter contribuído para o acidente fatal de Jules e convidá-os a aceitar que foram cometidos erros no planeamento, tempo, organização e realização da corrida, que teve lugar em condições perigosas durante a temporada de tufões no Japão".

Philippe Bianchi, pai de Jules, afirmou: "Buscamos justiça para Jules, e queremos estabelecer a verdade sobre as decisões que levaram ao acidente do nosso filho no Grande Prémio do Japão de 2014. Como família, existem muitas perguntas sem resposta e sentimos que quer o acidente de Jules, quer a sua morte, poderiam ter sido evitados se não tivessem sido cometidos uma série de erros."

Julian Chamberlayne, representante a família Bianchi, afirmou: "A morte de Jules Bianchi era evitável. O relatório do painel inquérito da FIA para este acidente fez numerosas recomendações para melhorar a segurança na Fórmula 1, mas não conseguiu identificar os erros tinham sido feitos e que levaram à morte de Jules.

"Foi surpreendente e angustiante para a família Bianchi que o painel da FIA, nas suas conclusões, embora registando um número de fatores que contribuíram para o seu desfecho, culpou Jules. A família Bianchi determinou que este processo legal [deve acontecer para] exigir os envolvidos o fornecimento de respostas e assumir a responsabilidade por quaisquer falhas.

"Isto é importante para que os pilotos atuais e futuros tenham confiança de que a segurança no seu desporto será sempre colocado em primeiro lugar. Se isso tivesse sido o caso em Suzuka, Jules Bianchi provavelmente ainda estar vivo e competir no desporto que ele amava", concluiu.

Entretanto, o antigo responsável médico da FIA, Dr. Gary Hartstein, decidiu escrever no seu blog numa carta aberta à família de Jules Bianchi, oferecer os seus serviços de perito para ajudar no processo que moveram, afirmando mais uma vez que a FIA cometeu falhas graves no procedimento de transferência do piloto do circuito para o Hospital Universitário de Mie, não muito longe do circuito. Segundo ele conta, a impossibilidade do helicóptero de se descolar do circuito por causa das condições meteorológicas - recorde-se, aquela área estava a ser afetada por um tufão - pode ter sido um fator decisivo no desfecho deste caso.

(...) o elemento crucial no que diz respeito a tragédia de Suzuka reside no fato de que as condições meteorológicas impediam o uso do helicóptero médico. À medida que as minutas das inúmeras reuniões da Comissão Médica da FIA irão confirmar, os regulamentos dos helicópteros médicos são um assunto constante de debate e preocupação.

"De acordo com os regulamentos em vigor (de autoria do próprio Delegado Médico), nas condições em Suzuka naquele dia, com o helicóptero de evacuação médica em terra, a única maneira que a corrida poderia ter continuado é se tivesse sido demonstrado que a evacuação por terra para o hospital designado demorasse pelo menos 20 minutos. Eu não preciso lembrar que, na verdade, esta transferência levou 45 minutos, mais do dobro do tempo permitido", declarou.

Hartstein acredita que este caso poderá mostrar a público algumas das preocupações que muitos delegados médicos estão a ter em relação aos procedimentos de evacuação por parte da FIA, que afirma se terem degradado ao longo dos últimos anos.

"Outros fatos podem ser levantados, não diretamente relevantes para este caso, mas sim para alertar para a falta de experiência no atendimento ao trauma pré-hospitalar. Uma das mais importantes seria a estratégia de desencarceramento por parte da FIA. Esta estratégia é tão desatualizada com a prática corrente que vários diretores médicos de circuitos de Formula 1 já mostraram a sua preocupação que, caso sigam os próprios regulamentos da FIA, eles ficarão em risco de seguir práticas irregulares por causa dos desvios do padrão médico atual. Isto é tão crítico que alguns têm mesmo ido a público registar as suas preocupações", concluiu.

Veremos no que vai dar. Espera-se justiça neste caso, mas temo que haja uma espécie de acordo monetário ou algo assim para que a FIA evite um julgamento público ou algo semelhante, dado o seu comportamento em relação a casos anteriores. Lembram-se como Bernie Ecclestone resolveu o caso de corrupção que tinha premente na justiça alemã, em 2014, referente aos direitos televisivos? Pois é, veremos se a familia Bianchi resistirá aos camiões de dinheiro que a FIA irá oferecer...

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Noticias: Chefes da Manor demitem-se

De forma algo inesperada, os chefes da Manor, John Booth e Graeme Lowndon, anunciaram esta sexta-feira que se demitiram dos seus cargos na Manor, com efeito imediato. Isto acontece numa altura em que a equipa tinha sido resgatada da falência e tinha conseguido um acordo com a Mercedes para fornecer motores para a temporada de 2016.

Nenhum dos dois responsáveis comentou sobre as suas demissões, mas o site motorsport.com fala que a grande razão tem a ver com divergências com o principal financiador, Stephen Fitzpatrick, sobre o rumo a dar à equipa na próxima temporada. Aparentemente, houve duas boas propóstas de compra da equipa - uma delas de Tavo Helmund, o homem que construiu o Circuito das Américas - do qual foram rechaçadas pelos financiadores. E essa injeção de dinheiro seria crucial para levar a Manor para o meio da tabela, mesmo com os motores alemães.

Isto acontece numa altura critica para a equipa, onde apesar de não ter conseguido qualquer ponto até agora, estando nos dez primeiros lugares dará direito a receber uma proporção considerável das receitas da Formula 1 ao qual têm direito.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A foto do dia

Se estivesse vivo, Jules Bianchi faria hoje 26 anos de idade. As coisas ainda estão frescas na memória, mas para nós, petrolheads, temos mais um dia para recordar mais um dos nossos, desaparecido prematuramente. #CiaoJules!

sábado, 18 de julho de 2015

Youtube Formula 1 Onboard: Jules Bianchi, Mónaco 2014


Para recordar Jules Bianchi, coloco aqui o video onboard do seu melhor momento na sua curta carreira na Formula 1, no GP do Mónaco de 2014, quando conseguiu o seu nono posto numa corrida onde tudo aconteceu, e onde ele fora penalizado em cinco segundos, temendo-se que ele poderia ter deitado fora a sua chance de pontuar por causa de uma ultrapassagem debaixo de bandeiras amarelas.

Um momento enormemente celebrado pela Marussia, como podem ouvir pelo audio da equipa.

The End: Jules Bianchi (1989-2015)

Sempre disse que os acontecimentos de Suzuka não passavam mais do que uma morte ao retardador, que mais cedo ou mais tarde, haveria qualquer coisa que faria com que este desfecho fosse inevitável, durasse um mês, um ano ou mais, pelos caso do passado. Infelizmente, durou nove meses e hoje foi o dia: Jules Bianchi morreu na noite desta sexta-feira, em Nice, nove meses após o seu acidente durante o GP do Japão. Tinha 25 anos. 

"É com grande tristeza que os pais de Jules Bianchi, Philip e Christine, seu irmão Tom e sua irmã Melanie, anunciam a morte de Jules, que ocorreu ontem à noite no Hospital Universitário de Nice, em França, onde tinha sido admitido na sequência do acidente ocorrido no circuito de Suzuka, no Grande Prémio do Japão, a 5 de outubro de 2014." começa por dizer o comunicado oficial da familia.

"Jules lutou até o fim, como sempre o fez, mas ontem a sua batalha chegou ao fim. Sentimos que, diz ela, uma dor imensa e indescritível. Queremos agradecer a equipe médica no Hospital Universitário de Nice, que o tratou com amor e dedicação", continuou.

"Nós também queremos agradecer à equipa do Centro Médico Universitário de Mie, no Japão, que cuidou de Jules imediatamente após o acidente, assim como todos os outros médicos que estiveram envolvidos nos últimos meses no seu tratamento".

"Além disso, agradecemos aos colegas, amigos, fãs e todos que tem demonstrado a sua afeição por ele ao longo destes últimos meses, que nos deu uma grande força e nos ajudou a lidar com esses momentos difíceis. Ouvindo e lendo as muitas mensagens nos fez perceber apenas quanto Jules tinha tocado os corações e mentes de muitas pessoas em todo o mundo" concluiu.

O acidente aconteceu durante a 40ª volta do GP do Japão, no passado dia 5 de outubro, quando o piloto da Marussia perdeu o controlo na curva Dunlop e embateu contra o trator que estava na escapatória, que retirava o Sauber de Adrian Sutil. O piloto francês sofreu um forte traumatismo craniano, que mais tarde foi diagnosticado como uma lesão axonal difusa, uma lesão neurológica grave.

Com isto, a Formula 1 vive um novo acidente mortal, vinte e um anos após os eventos de Imola, onde morreram o austriaco Roland Ratzenberger e o brasileiro Ayrton Senna.

Nascido a 3 de agosto de 1989 em Nice, Jules era neto de dois pilotos belgas de origem italiana: Mauro Bianchi e Lucien Bianchi. Lucien, seu tio-avô, venceu as 24 horas de Le Mans de 1968, ao volante de um Ford GT40, ao lado do mexicano Pedro Rodriguez. Infelizmente, também teve um final trágico, quando sofreu um acidente fatal no ano seguinte, também em Le Mans. O seu avô, Mauro, também não teve sorte na sua carreira, pois sofreu graves lesões nas 24 horas de 1968, quando se despistou no seu Alpine oficial.

Depois de uma carreira no karting, Bianchi chegou aos monolugares em 2007 na Formula Renault 2.0 francesa, onde foi campeão, passando no ano seguinte para a Formula 3 Euroseries, onde foi terceiro classificado, vencendo o Masters de Formula 3, em Zandvoort. Em 2009 foi campeão, passando para a GP2 em 2010, onde acabou no terceiro lugar, repetindo o feito em 2011. Por esta altura, já era piloto de desenvolvimento da Ferrari, e no ano seguinte, foi terceiro piloto da Force India, ao mesmo tempo que fazia a World Series by Renault, onde terminou como vice-campeão.

Em 2013, teve por fim a sua estreia na Formula 1, ao serviço da Marussia. Acabou por fazer 34 Grandes Prémios, e o seu maior resultado foi no GP do Mónaco de 2014, onde terminou a corrida no nono lugar, dando os dois primeiros pontos para a equipa, e um merecido nono lugar no campeonato de construtores.

Por muito que desejes o melhor, esperas sempre o pior. E hoje isso aconteceu. Vinte e um anos depois, um piloto volta a morrer num Grande Prémio de Formula 1. E é um dia triste para o automobilismo. Ars lunga, vita brevis, Jules.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Rumor do dia: Americanos podem comprar a Manor?

Este ano, não temos qualquer equipa americana no pelotão da Formula 1, mas toda a gente sabe que na próxima temporada teremos a Haas, com base em Charlotte, na Carolina do Sul, e com estrutura europeia. Mas poderá haver a hipótese de uma segunda equipa no horizonte, pois um grupo de pessoas está a pensar adquirir a Manor-Marussia e correr em 2016, talvez com outro nome.

O site Motorsport fala esta noite que um conjunto de investidores, comandados por Tavo Helmund, que construiu o Circuito das Américas, em Houston, e terá também James Carney, um investidor com carreira em Wall Street. Helmund conseguiu nos últimos tempos não só construir o circuito em Austin, como também ajudou no regresso do México à Formula 1, remodelando o Autódromo Hermanos Rodriguez. 

Uma fonte ligada ao processo confirma o rumor, mas não faz comentários nessa altura. O que a matéria fala é que eles desejam ter um controlo maioritário da equipa, que neste momento é controlado pelo irlandês Stephen Fitzpatrick, que também é o dono da Ovo Energy. A acontecer, vai ser numa altura crucial, pois com a entrada da Haas, haverão onze equipas na Formula 1, e somente as dez primeiras é que receberão o dinheiro proveniente do Acordo de Concordia, pelo menos até 2020.

A Manor-Marussia tem neste momento os pilotos Will Stevens e Roberto Merhi, e corre numa evolução do chassis do ano passado, com uma verão do motor Ferrari de 2014. Até agora não conseguiu qualquer ponto, depois de ter obtido dois em 2014, graças ao nono lugar de Jules Bianchi no Mónaco. 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Noticias: Manor-Marussia têm novo patrocinador

A Manor apresentou esta tarde mais um novo patrocinador, a forma de contentores Flex-Box. Baseada em Hong Kong, a firma fabrica e manda mais de 25 mil contentores para todas as partes no mundo, e vai estar nos flancos dos Manor até ao final da temporada, sendo o segundo patrocinador a aparecer na equipa de Banburry, depois da Airbnb.

"Estamos muito satisfeitos em receber a Flex Box na Marussia F1 Team Manor" começou por dizer o chefe de Manor, John Booth, no comunicado oficial da marca. "Somos duas empresas muito ambiciosas, aspirando a um enorme crescimento na cena internacional e também fazer um grande impacto nas nossas respectivas indústrias", continuou. "Este é a nossa segunda parceria em poucas semanas, logo, são tempos excitantes no desenvolvimento da nossa equipa. É muito gratificante para nós poder acolher marcas de pensamento similar para se juntar a nós nesta jornada e ajudá-los a alcançar seus próprios objetivos", concluiu Booth.

Já do lado da empresa, Henrik Nielsen, o proprietário da empresa, começou por afirmar: "Estou muito contente de ter acordado uma parceria entre Flex Box e a Marussia F1 Team Manor, e anunciar isso no seu Grande Prémio caseiro, neste fim de semana". 

"Temos um forte pedigree no automobilismo, com parcerias em nove categorias diferentes. De uma certa forma, a Flex Box já tem uma forte presença no desporto automóvel. Estamos muito satisfeitos por ter estendendo essa presença na Fórmula 1, num movimento que é representativo das nossas ambições globais para o crescimento do nosso negócio", concluiu.

A partir de agora, os carros de Will Stevens e Roberto Merhi terão mais uma cor nas suas carenagens, o azul.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Noticias: Manor pode não estrear carro novo em 2015

A Manor poderá descartar a ideia de estrear o novo chassis em 2016, falou hoje um dos membros da equipa. O facto de o MR03B conseguir manter-se dentro dos 107 por cento poderá ser um fator crucial para que a ideia de ter um chassis novo possa ser adiado para a temporada de 2016, afirmou o seu diretor, Graeme Lowndon.

"Eu creio que nas próximas semanas nós tomaremos algumas decisões bastante importantes", começou por dizer à Motorsport britânica. "O cenário está a ficar um pouco mais claro agora em termos de que com quem estamos competindo e o que precisamos fazer. Faremos o que for a coisa mais certa para a empresa", concluiu.

A chegada de novos membros na equipa técnica, como Bob Bell, antigo desenhador da Renault e da Mercedes, está a fazer pensar na estratégia para o futuro mais próximo, dado que pensavam estrear o MR04 em Spa-Francochamps, após o verão europeu, para encurtar a distância para a concorrência, nomeadamente a Sauber, McLaren e Force India, e ganhar pelo menos mais dois segundos e sair da cauda do pelotão. 

"Não há um caminho rápido e eficaz. Não há nada a dizer em termos definitivos que não pode ter um motor ou um chassi diferente. Está tudo em aberto e qualquer que seja a resposta, é o que vamos fazer. Mas quero que tenham em mente que algumas das pessoas que podem fazer um grande impacto [na nossa equipa] acabaram de chegar", concluiu.

A Manor corre nesta temporada com o britânico Will Stevens e com o espanhol Roberto Merhi e ainda não pontuaram.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A foto do dia

Algum dia tinha de acontecer, mas aconteceu agora no Canadá: a Manor Marussia mostrou nesta quinta-feira os seus primeiros patrocinadores na sua carenagem, nomeadamente a AirBnB, a firma que aluga apartamentos online, neste momento a maior do mundo. Bom, de hospitalidade, eles não terão falta...

Brincadeiras à parte, a firma falou em comunicado oficial sobre a aposta na equipa que têm Will Stevens e Roberto Merhi como pilotos (e anunciou terá Fabio Leimer como piloto de reserva até ao final da temporada).

"A Marussia F1 Team Manor é efetivamente uma start-up. Claro, a Fórmula 1 é um ambiente incomum para operar, mas os nossos desafios são os mesmos, como muitas outras empresas de tecnologia em fase inicial. A Airbnb é uma história de sucesso fenomenal de uma empresa que tem completamente reinventado uma indústria", afirmou o seu proprietário Stephen Fitzpatrick. "Estamos muito satisfeitos em anunciar esta parceria com a empresa líder na comunidade de hospitalidade do mundo. Somos duas marcas com pensamento similar que estão comprometidos com a inovação e descoberta e têm ambições de forma positiva e proativa com impacto nas respectivas indústrias".

"Estamos entusiasmados nesta parceria com a Marussia F1 Team Manor e nós vamos torcer por eles como eles competem em corridas de F1 ao longo de seis continentes", disse Jonathan Mildenhall, Diretor de Marketing do Airbnb. "Assim como nós estamos animados para temos a equipa a fazer parte da nossa comunidade, sabemos que os nossos anfitriões darão as boas-vindas a fãs ansiosos de corridas um pouco por todo o mundo nas suas casas", concluiu.

Bom, não vai ser isso que os tirará do último lugar, mas parece que é um bom começo.

domingo, 5 de abril de 2015

A foto do dia (II)

Seis meses se passam hoje desde que Jules Bianchi teve o seu acidente em Suzuka. Nesses seis meses, onde do outono se fez inverno e agora se transformou em primavera, o piloto francês nunca se despertou para a realidade, desde o momento em que perdeu o controle do seu Marussia e chocou diretamente contra um trator que rebocava o Sauber de Adrian Sutil.

Nestes seis meses, pensamos, mas não falamos muito sobre Bianchi. Há uma espécie de suspensão do tempo, da vida. Aliás, é uma vida suspensa a que Bianchi vive, numa espécie de linbo onde não está vivo, mas não está morto. Aguardamos, não sem alguma angustia, pelo desfecho desta situação. Queremos o melhor, esperamos o pior, mas não vemos o final da viagem. Poderemos pensar como uma morte ao retardador, se quisermos. Mas não queremos.

Nesse tempo, a sua equipa caiu e está a levantar-se. Ele já saiu do Japão e já está na sua Nice natal, sendo tratado pelos melhores clinicos, num estabelecimento hospitalar, tentando que ele esteja o mais confortável possivel. Mas ele nunca mais acorda para a vida, não dá qualquer sinal de que podemos esperar por vida e redenção. E é isso que nos preocupa.

Mas como a esperança é a última a morrer, não queremos que nos deixe. E pedimos para que ele continue a lutar o mais que puder, enquanto rezamos por um milagre. 

quinta-feira, 12 de março de 2015

O chassis da Manor... e o problema de software

Sem patrocínios, eis o Manor MR03, montado e com a sua dupla de pilotos constituida por Will Stevens e Roberto Merhi. De uma certa forma, é uma história de sucesso partindo do principio que 99 em cem pessoas acreditava que eles estavam falidos e os seus bens seriam leiloados em praça pública. Com novo nome, com novos financiadores e administradores, com o seu carro modificado e passado no "crash test" só falta uma coisa: o software da programação dos motores Ferrari de 2014!

É que, segundo conta o Jaime Boueri no Motordrome, esse software perdeu-se quando os computadores da empresa foram formatados para irem a leilão no final do ano passado. E para piorar as coisas, não fizeram "backup" com alguma pen-drive e nem a casa-mãe já têm esse software consigo!

Em suma... toda esta aventura poderá acabar antes de começar por causa de um dispositivo eletrónico. E com a história da Sauber, arriscamos a ver, na pior das hipóteses, 16 carros no domingo na grelha de partida do GP australiano. 

terça-feira, 10 de março de 2015

Noticias: Roberto Merhi é o segundo piloto da Manor-Marussia

A Manor anunciou esta noite que o espanhol Roberto Merhi será o segundo piloto da Manor-Marussia para a temporada de 2015. A noticia foi dada pela sua conta oficial do Twitter. Assim sendo, o piloto de 23 anos e terceiro classificado da World Series by Renault em 2014, será o terceiro piloto espanhol no pelotão da Formula 1, ao lado de Fernando Alonso e Carlos Sainz Jr., e alinhará ao lado do britânico Will Stevens.

Apesar de se estrear na Formula 1 no final desta semana, Merhi não é virgem na categoria máxima do automobilismo. no final do ano passado, foi o terceiro piloto da Caterham nas corridas de Monza, Suzuka e Sochi. Aparentemente, a equipa afirma que poderá estar nas primeiras corridas do campeonato, já que ele está inscrito pela Pons Racing para a temporada de 2015 da World Series by Renault.

Merhi, nascido a 22 de março de 1991 em Castellon, na região de Valencia, foi o campeão da Formula 3 Euroseries em 2011, a bordo de um carro da Prema Powerteam, um ano depois de ter sido o sexto classificado na temporada inaugural da GP3 Series, com três pódios. Em 2012 foi para o DTM, correndo com um Mercedes, primeiro pela Persson, depois pela HWA, onde alcançou um pódio e 26 pontos, todos na temporada de 2013.

Em 2014, ao serviço da Zeta Corse, venceu três corridas e terminou no terceiro lugar do campeonato, sendo batido apenas por Carlos Sainz Jr e pelo francês Pierre Gasly.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Sobre a polémica entre a Sauber e Van der Garde

Desde quinta-feira que se sabe que o piloto holandês Giedo van der Garde está a processar a Sauber para que este cumpra um contrato-promessa assinado algures em 2014, no sentido de o providenciar um lugar na equipa de Hinwill em 2015, em detrimento de Marcus Ericsson ou de Felipe Nasr. O julgamento arrancou esta segunda-feira em Melbourne e poderá acabar daqui a dois dias.

O interessante disso tudo é que isto já tem tempo. Segundo conta o Humberto Corradi, Van der Garde já tinha colocado uma ação na justiça suiça, e esta deu-lhe razão, mas não cumpriu com a sua obrigação. Assim sendo, ele (e os advogados) foram atrás e lá está ele, em terras australianas, a reclamar o que é de direito. E o que é? Correr na equipa. Só que, como é sabido, a Sauber não navega em dinheiro e precisou dele para se colocar de pé nesta temporada. Mais concretamente, 40 milhões, com os dinheiros de Nasr (Banco do Brasil) e Ericsson. E não se sabe quanto é que Van der Garde traria consigo. Se tiver, claro.

É que quem conhece a história do piloto holandês sabe que ele é casado com a filha do dono da marca de roupas McGregor, que de alguma forma ajudou na sua carreira, especialmente quando em 2013, esteve na Caterham, sem grande brilho. E no ano passado, andou com o Sauber em sete sessões de treinos livres. E claro, com a promessa de um lugar como titular na temporada seguinte.

Segundo também conta o Joe Saward, de facto, a Sauber tinha planos nesse sentido: ele seria piloto titular ao lado de Jules Bianchi. Mas o acidente do piloto francês em Suzuka e o agravamento da sua situação nos cofres da equipa suiça (lembre-se, não conseguiu qualquer ponto em 2014) fez com que mudassem de planos e arranjassem dinheiro o mais depressa possivel. Por exemplo, o terceiro piloto, Rafaele Marciello, um protegido da Ferrari, é por causa da sua colaboração com a marca de Maranello, e é por isso que as suas dividas serão as últimas a serem pagas. Ou se preferirem, não são tão urgentes como as dos demais fornecedores.

Claro, como já disse atrás, o que quer Van der Garde é correr. E isso poderá acontecer caso a Manor-Marussia arranjar um segundo chassis a tempo de correr em Melbourne. É que há uma vaga por preencher, e fala-se muito que eles poderiam correr com apenas um carro, esse para Will Stevens. Mas com os materiais ainda a chegar a terras australianas, poderá haver as suficientes para montar um segundo chassis...

Até quarta-feira, tudo é possível. 

quarta-feira, 4 de março de 2015

Noticias: Manor-Marussia confirma que vai correr em Melbourne

A Manor-Marussia confirmou esta tarde na sua página do Facebook que estará presente em Melbourne, depois de ter anunciado a sua estrutura diretiva e o seu carro com as especificações de 2015 já ter ido para a FIA no sentido de se sujeito ao obrigatório "crash-test". De acordo com o site Motorsport, a equipa nomeou Justin King como seu diretor interino, o milionário Sean Fitzpatrick como o seu investidor, para alem de John Booth e Graeme Lowdon como diretores desportivos.

"A equipa tem vindo a preparar os carros com os quais ele vai começar a temporada de 2015 e que cumprem integralmente os novos regulamentos. Mais tarde na temporada, irá introduzir um novo carro, com especificações de 2015, de acordo com os projetos iniciados no ano passado", disse a equipa no seu comunicado oficial, divulgado na sua página de Facebook. Caso passe no "crash-test", o carro que será apresentado vai ser uma versão B do chassis de 2014.

John Booth aproveitou para agradecer a todas as entidades do automobilismo que ajudaram a que a Manor-Marussia regressasse às pistas nesta temporada. "Eu quero agradecer a todas as equipes, a FIA, Formula One Management, aos nossos fornecedores e funcionários e, claro, todos os fãs pelo apoio que temos recebido ao longo dos últimos seis meses. Tem sido um período desafiador para todos nós, nós viemos intensamente e agora só queremos correr novamente", começou por afirmar.

"Com a formidável nova liderança empresarial de Stephen Fitzpatrick e a presença e conselhos de Justin King, agora estamos num ótimo lugar à frente da nova temporada. Este é um momento fantástico e muito gratificante para todos os envolvidos", concluiu.

Esta noticia aparece duas semanas depois da Manor-Marussia ter saído da administração de falência que tinha sido colocada no final do ano passado pelos donos da Marussia.

Quando ao novo investidor, Sean Fitzpatrick é o fundador e dono da firma de energia OVO. Um "petrolhead", esteve no passado ano e meio à procura de uma equipa interessante onde pudesse investir. Depois de ter andado pela Formula E, andou depois pela Caterham, demonstrando algum interesse na aquisição da equipa, mas no final, virou-se para a Manor-Marussia, onde decidiu ajudar a tirar a equipa da situação de falência. Aparentemente, poderá investir cerca de 40 milhões de libras na competição, o que supera ligeiramente os 35 milhões de libras que a equipa receberá por ter acabado o campeonato de 2014 na nona posição.

Em termos de pilotos, com Will Stevens confirmado para correr, daqui a poucos dias será conhecido o segundo piloto da marca.