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domingo, 24 de maio de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 5, Canadá (Corrida)


Montreal é a maior cidade da província do Quebec, o único de maioria francesa na Confederação Canadiana. A Formula 1 vem ao país desde 1967, com algumas interrupções pelo meio - algumas por causa de desacordos entre cervejas (!) - mas desde 1978 que escolheram um lugar: a ilha de Notre-Dâme, no outro lado da cidade de Montreal, depois de atravessarem o Rio São Lourenço, o segundo mais navegável da América do Norte, apenas batido pelo Mississipi.

Numa corrida a acontecer um pouco mais cedo que o habitual - normalmente é a meio de junho - está a ser interessante saber de duas coisas: a primeira, que as ideias iniciais de domínio não está a ser assim tão forte da parte das Mercedes, e dentro da própria equipa de Brackley, se George Russell esperava um passeio rumo ao título, Andrea Kimi Antonelli não está a deixar que as coisas sejam assim tão fáceis. Há luta, e os fãs gostam, mesmo com todos estes problemas nos carros. 

E para potencialmente baralhar as coisas, neste domingo, chove na maior cidade do Quebec. 


Depois da parada de pilotos, soube-se que Lance Stroll, o herói local, iria largar da corrida das boxes, por causa dos constantes problemas do seu Aston Martin, mas ele até largou. Quem não teve essa sorte foi Arvid Lindblad, que depois da partida falsa - lá iremos, daqui a algumas linhas - o carro não arrancou mais. Nessa altura, os pilotos que estavam na grelha, calçavam... quatro tipos de pneus. Os McLaren, por exemplo, queriam começar com intermédios, porque achavam que a pista estava demasiado húmida para colocarem já os "slicks". A mesma tática seguia os Cadillac e os Audi, especialmente Nico Hulkenberg. O resto, de moles, excepto os Red Bull, que iam partir com médios.

A corrida demorou a começar, porque com o chegar - e o passar - da hora, os carros demoraram mais um bocado por causa do estado do asfalto, no qual os organizadores queriam que secasse mais um pouco. E na primeira tentativa... não se apagaram. Quando, por fim, as luzes se apagaram - com menos uma volta na contabilidade - os pilotos com os intermédios começaram, aparentemente, a ter vantagem, com Lando Norris a deixar os Mercedes para trás, porque esses pneus conseguiam ser eficazes. 


Mas foi sol de pouca dura... ou algumas centenas de metros, se quiserem. Oscar Piastri, que perdeu alguns lugares nas curvas iniciais, foi logo às boxes no final da primeira volta, e Lando Norris foi na volta a seguir, não sem Kimi Antonelli o apanhar e o passar, mostrando que o tempo dos intermédios tinha acabado, ainda antes de começar. Russell estava a seguir, e Hamilton era terceiro, na frente de Max Verstappen.

As coisas andaram relativamente bem nas quatro voltas seguintes, porque a partir desse momento, a luta entre ambos, que tinha começado ontem, na Sprint Race, iria continuar, para júbilo dos fãs... e de Toto Wolff. Russell passou para a frente na volta 6, mas o italiano não queria desistir, chegando até a travar além do limite, para não perder distância sobre o britânico, seu companheiro de equipa. Atrás, na volta 13, Alex Albon tornava-se na segunda desistência da corrida, depois de ser abalroado por Oscar Piastri na travagem para o gancho e torna-se na segunda desistência da corrida. O australiano teve de trocar de asa da frente, e  claro, ia acabar no fundo do pelotão. Tudo isto ao mesmo tempo que ambos os pilotos da Mercedes debatiam entre eles a liderança da prova, metro a metro, enquanto Max tinha passado Hamilton para ser terceiro. 

E na volta 23, era a vez de Antonelli ficar novamente com o comando da corrida, depois de Russell ter travado muito fundo no gancho, com Verstappen, não muito atrás, a observar, não muito longe. Mas na volta seguinte, foi a vez de Antonelli falhar a travagem e Russell aproveitou. Os pilotos andaram a tocar metro a metro, excitando todos os espectadores que assistiam a tudo na pista. E nenhum deles não queria desistir do primeiro lugar! Mesmo!

E no meio disto tudo, Fernando Alonso retirava, depois de uma corrida onde a certa altura, andou em décimo, logo, nos pontos.


Na volta 30, o momento da corrida: Russell desistia, enquanto liderava, por causa de problemas de motor no seu carro - todo aquele stress tinha deixado o material além do seu limite, pelos vistos - deixando o comando da corrida para Antonelli, e a colocação do Safety Car Virtual na pista. Altura de muitos trocarem de pneus pela única vez, e a corrida recomeçou na volta 33, com Kimi Antonelli no comando, e Max não muito longe, seguido pelo Ferrari de Lewis Hamilton.

Mais problemas - parece que hoje não era o dia dos motores Mercedes - na volta 40, quando Lando Norris desistia, acabando por ser o quinto abandono da prova. Nesta altura, apenas Antonelli, que liderava, Piastri, que estava fora dos pontos, e os Alpine, estavam em pista, eram os Mercedes que funcionavam. Pouco depois, nova amostragem do Safety Car Virtual por causa de Sérgio Pérez. que teve o seu Cadillac a desmontar-se, fazendo com que, nessa altura, apenas 16 carros circulassem na pista.

Pouco depois... nova entrada do Safety Car Virtual por causa dos destroços na pista - bem vistas as coisas, é o habitual no Canadá - e no recomeço, com Kimi um pouco distante de Max, no segundo posto, este, no recomeço, começou a ser assediado pelos Ferrari, especialmente Hamilton, que estava atrás do piloto da Red Bull.

A luta pelos dois continuou até na volta 62, quando o britânico conseguiu passar o piloto da Red Bull e ficar com o segundo lugar, paras a partir dali, aguentar os ataques do neerlandês, que queria o lugar de volta. Pouco depois, uma penalização para o companheiro de Max na Red Bull, Isack Hadjar: stop & go para o francês, mas o francês mantinha o quinto lugar, com uma volta de atraso.

Mas no meio disto tudo, Antonelli triunfa no GP canadiano, conseguindo a sua quarta corrida em cinco nesta temporada, distanciando-se ainda mais da concorrência mais direta, que, melhor para ele... não pontua. Hamilton consegue o seu segundo pódio do ano e o seu melhor resultado da temporada, batendo Max Verstappen, que é terceiro e consegue o seu primeiro pódio de 2026, na frente de Charles Leclerc e Isack Hadjar. 


E foi assim que aconteceu o GP canadiano, uma corrida que, como acontece quase sempre, não desilude.   

terça-feira, 19 de maio de 2026

Meteo: Domingo será de chuva em Montreal


Ainda faltam alguns dias para o GP do Canadá, mas as chances de chuva para domingo são grandes. Pelo menos, é o que se prevê neste momento. Se na sexta-feira, o tempo é de céu limpo, com chances minimas e 20ºC de temperatura, já para sábado, o tempo agrava-se, com céu nublado, temperaturas de 22ºC, e chances a rondarem dez por cento - logo, poderá não prejudicar a corrida "sprint".

Contudo, no domingo, as coisas serão mais sérias. Com temperaturas a rondar os 23ºC, as chances de chuva aumentam para 45 por cento depois da hora do almoço e lá ficam até ao final do dia, podendo afetar a realização do Grande Prémio, embora não se diga a intensidade dessa chuva. O vento será fraco a moderado - 14km/hora ao longo do dia - e resta saber o que fará a Liberty Media com estes dados, Certamente poderá estar à espera de que as condições possam melhorar ao longo da semana.   

segunda-feira, 18 de maio de 2026

A imagem do dia


Este ano, a Formula 1 meteu o Mónaco para junho e no seu lugar, para incomodar as 500 Milhas de Indianápolis, colocaram o GP do Canadá, só para dizer ao mundo que não gostam de concorrência, mesmo que seja uma das corridas mais importantes do calendário do automobilismo. 

Contudo, se receber a Formula 1 são bons dias para as cidades que as acolhem, seja ela Monaco, Las Vegas ou Montreal, na segunda maior cidade do Canadá, depois de Toronto. Mas no fim de semana do GP canadiano, uma noticia veio abalar os alicerces da cidade: as "strippers" vão fazer greve!

Explica-se: no Canadá, apesar de, em termos federais, os clientes não podem comprar sexo a quem solicita, as coisas são um pouco diferentes em relação às strippers, que são dançarinas. E as que estão afiliadas na Sex Work Autonomous Committee (SWAC), decidiram fazer grave no próximo sábado, em pleno fim de semana do Grande Prémio, porque é o dia do ano onde os clubes tem mais receita.

E o que querem, as "strippers"? Modificar o seu estatuto como trabalhadoras independentes, isentá-las do "bar fee", que pode ir dos 15 aos cem dólares canadianos por noite, e sobretudo, a descriminalização do trabalho sexual - leia-se, prostituição - uma luta que já tem algumas décadas. 

A organização alega que, apesar do aumento dos lucros que as gerências dos "stripclubs", as condições de trabalho pioram significativamente. “Pode haver mais clientes, mas não há mais clientes por stripper. Portanto, não é tão rentável para nós, mas é para os empregadores”, disse Adore Goldman, uma das líderes do SWAC à CBC canadiana. Assim sendo, ela e todas as trabalhadoras afiliadas decidiram marcar-se como "indisponíveis" no fim de semana de Grande Prémio, que atraiu no ano passado 352 mil espectadores. 

domingo, 28 de setembro de 2025

A imagem do dia (II)








A 28 de setembro de 1980, a Formula 1 estava em Montreal, para o GP do Canadá. A penúltima prova do campeonato iria ser decisiva para a disputa do título. Com Nelson Piquet na frente do campeonato, um ponto na frente de Alan Jones, aquela era a corrida decisiva para o campeonato, para ambos os pilotos. Quem quer que ganhasse, se o outro não pontuasse, provavelmente seria campeão. 

Nelson Piquet tinha ganho as duas corridas anteriores e era agora o líder do campeonato. E para melhorar a situação, conseguiu a pole-position, na frente de Alan Jones, por cerca de 0,8 segundos de diferença. Na grelha, que tinha as estreias do italiano Andrea de Cesaris, na Alfa Romeo, e do neozelandês Mike Thackwell, no terceiro Tyrrell - e a ser também o piloto mais novo até então a alinhas na grelha de partida de um Grande Prémio - a grande surpresa foi a Ferrari, que de mal, ia para pior. Gilles Villeneuve era 22º e Jody Scheckter 26º, não se qualificando. 

Uma Ferrari fora de corrida antes dela começar. Ainda por cima... ainda era campeão do mundo!

Em contraste, Bruno Giacomelli era quarto, e De Cesaris, oitavo, nos seus Alfa Romeo. E pelo meio, o Fittipaldi de Keke Rosberg era sexto, dez lugares acima de Emerson Fittipaldi

A partida foi atribulada. Jones partiu bem, mas Piquet não queria ceder. Ambos andaram lado a lado até se tocarem (Jones apertou-o na curva, e este, inevitavelmente, tocou nele). Os dois causaram uma carambola, que envolveu os Tyrrell de Derek Daly e Jean-Pierre Jarier, os Fittipaldi de Rosberg e Emerson, o Ferrari de Gilles, o Lotus de Mário Andretti e o Arrows de Jochen Mass. A corrida foi interrompida com bandeiras vermelhas, enquanto os pilotos iriam correr para os seus carros de reserva.

Alguns pilotos tiveram tempo de reparar os seus carros, como Rosberg, enquanto outros trocaram para os seus carros de reserva. No caso dos Tyrrell, pediram a Thackwell para que cedesse o seu carro para Jarier, porque Daly iria usar o carro de reserva da equipa. No caso de Piquet, iria correr com o tal carro de reserva... que tinha o motor de qualificação. Potente, mas frágil. Mesma coisa para Jones, mas o seu motor era mais "normal".

Na segunda partida, Pironi partiu antes de tempo e depois foi penalizado em um minuto. Jones foi para a frente, mas Piquet passou-o na segunda volta. Ele afastava-se rapidamente do piloto da Williams, mas na volta 23, o motor não aguentou e explodiu, dando a liderança para o australiano. 

Duas voltas depois, um drama: o Renault de Jean Pierre Jabouille despistou-se a bateu contra o muro de pneus, destruindo o chassis e ferindo o francês na perna. Os socorristas tiveram de o retirar do carro enquanto a prova decorria - algo que nem aconteceria nos dias de hoje - e para isso, cortaram o chassis. 

Na volta 44, Jones acaba por ser passado pelo Ligier de Pironi, mas foi avisado das boxes que o francês tinha sido penalizado, logo, deixou distanciar-se. No final, mesmo com a penalização, acabaria na terceira posição, atrás os Williams, que acabaram com dobradinha, e com isso, comemorariam o primeiro título de Construtores. Jones foi o vencedor, e agora, com oito pontos de vantagem sobre Piquet, era praticamente o campeão virtual. Apenas uma catástrofe em Watkins Glen, dali a uma semana, iria perder o campeonato para o brasileiro.

quarta-feira, 18 de junho de 2025

Noticias: GP do Canadá prolongado até 2035


A Fórmula 1 anunciou no fim de semana a extensão por mais quatro anos do contrato com os organizadores do Grande Prémio do Canadá, garantindo que o Circuito Gilles Villeneuve, situado na ilha de Notre-Dame, em Montreal, permanecerá no calendário até à temporada de 2035. O novo acordo foi firmado com o promotor Octane Racing Group e com os Governos do Canadá e do Québec.

Isto acontece alguns dias depois de se saber que a partir de 2026 a corrida acontecerá no final de maio, algumas semanas antes da data atual, para poder juntar com a corrida de Miami, na primeira passagem do pelotão pelas Américas.

Corrido desde 1978, com interrupções em 1987, 2009 e em 2020 e 2021, estes últimos por causa da pandemia de CoVid, foi dado o nome de Gilles Villeneuve em 1982, pouco depois do acidente mortal do piloto canadiano da Ferrari, e precisamente na altura em que mudou a sua data no calendário para meados de junho, pois até então acontecia no inicio de outubro. 

Adorado por fãs e pilotos, graças às suas travagens intensas na icónica curva do gancho (harpin) e o lendário “Muro dos Campeões”, que há antes da reta da meta, nos últimos anos, o promotor tem feito significativos investimentos na modernização das infraestruturas do evento, acompanhando o crescimento global da Fórmula 1.

domingo, 15 de junho de 2025

Formula 1 2025 - Ronda 10, Canadá (Corrida)


Chegamos a meio do ano e a Formula 1 está quase a chegar ao meio da sua temporada numa altura em que esperava competividade, mas a realidade é que temos uma equipa que fica com boa parte das vitórias entre os seus pilotos e o único rival é um piloto que carrega às suas costas toda a sua equipa, porque o seu companheiro de equipa fica com as migalhas... e já vão no seu segundo companheiro de equipa. E jã se fala na hipótese de um terceiro, do qual até se porta bem na equipa secundária, mas sabe perfeitamente que uma eventual promoção será um presente envenenado. 

E nem se falam das outras duas equipas do qual se falavam que iriam ser rivais, mas a um deles, a Ferrari, o sucesso só acontece noutras categorias, e na Mercedes, só ontem conseguiu o primeiro resultado de relevo, quando George Russell conseguiu a pole-position.

Montreal é uma maravilha, e o seu circuito também. De uma certa forma, já entrou há um tempo no imaginário dos fãs, especialmente por causa do nome que carrega, mas especialmente pelas coisas que aconteceram ali ao longo dos anos. Os acidentes, as entradas dos Safety Cars, as paragens das corridas, especialmente as bandeiras vermelhas e estacialmente, o loooooongo GP de 2011, que durou quatro horas!

E recentemente, as marmotas. 

Com George Russell na pole e gente como Yuki Tsunoda a largar das boxes, alguns queriam saber se o Max Verstappen irá andar quietinho para não ser penalizado e marcar falta de comparência num dos GP's caseiros da Red Bull, o da Áustria, o que seria bem interessante para este campeonato, mas 


Antes da partida, boa parte dos pilotos decidiu calçar médios, dada a baixa aderência do asfalto. Os que partiram mais atrás, especialmente a partir dos Haas de Esteban Ocon, que era 14º, decidiram calçar duros. Aliás, mais acima, no sexto posto, Lando Norris e Charles Leclerc calçavam também duros nos seus McLaren e Ferrari, respectivamente, tentando ficar na pista o máximo de tempo possível. 

Na partida, Russell aguentou os ataques de Max e conseguiu manter-se na frente da corrida, seguido por Antonelli e Piastri. O italiano não largava o piloto da Red Bull, pelo menos, os Mercedes pareciam andar aqui melhor que noutras pistas. Atrás, Alex Albon alarga a sua trajetória na curva 6 e dá cabo do seu fundo, acabando entretanto de regressar à pista no fundo do pelotão.

 Na volta 12, Max foi às boxes largar os médios e colocar os duros, com a ideia de tentar passar os Mercedes ao antecipar a paragem deles. Duas voltas depois, isso aconteceu a Antonelli, para depois ser Russell a fazer. Hamilton veio às boxes na volta 16, dando a liderança aos carros da McLaren, especialmente Piastri. Na volta 16, foi o australiano, deixando Norris na frente, até que foi a vez do britânico de trocar de pneus.

Por alturas da volta 20, o truque tinha resultado para Leclerc: era segundo, a três segundos de Norris, e mais de dois sobere Russell. Contudo, com o passar das voltas, Russell começou a apanhar Leclerc e Norris, que ainda não tinham ido às boxes, porque os pneus do McLaren, mais frescos, conseguiam ser mais eficazes que os da Ferrari. Russell apanhou o monegasco por alturas da volta 24. E duas voltas depois, o piloto da Mercedes queria se aproximar da traseira do McLaren do seu compatriota.

Na volta 29, Norris foi às boxes,, com médios novos e Russell regressou ao comando, com Max atrás. No regresso, Norris começou a acelerar, fazendo a volta mais rápida e tentando recuperar o mais possivel. Afinal de contas, tinha uma desvantagem de 7,4 segundos sobre Piastri. O pessoal acelerava, mas na realidade, não era uma corrida agitada, com incidentes frequentes. Pela metade da corrida, todos, excepto Norris, tinham pneus duros - nem todos tinham ido às boxes, como Tsunoda ou Sainz Jr. - mas três voltas depois, Max foi às boxes para colocar duros novos, para evitar que Antonelli o pudesse apanhar, porque já estava dentro da margem do DRS. Antonelli foi às boxes na volta seguinte, para tentar ficar na frente de Max, mas o neerlandês conseguiu manter a posição.

Na volta 42, Russell vai às boxes pela segunda vez, com duros novos, deixando Piastri no comando, a pouco mais de três segundos de Norris. No comunicadores, os engenheiros pediram a Norris para se apressar, ou antecipar a segunda paragem nas boxes, que iria acontecer nas voltas seguintes. Ele acelerou o ritmo, ganhando quase um segundo ao australiano, antes de ele ir às boxes na volta 45, colocando duros novos, tentando ir com eles até ao final. Leclerc apareceu logo a seguir, tal como Hamilton. 

Norris foi às boxes na volta 47, para colocar duros novos, saindo nas boxes na sexta posição e entregando o comando para Leclerc, com mais de 2,6 segundos sobre Russell. Max era terceiro, mais de 1,7 segundos sobre Antonelli. Os McLaren eram quinto e sexto, numa altura em que, na volta 49, Alex Albon era o primeiro abandono da corrida, or problemas na suas unidade de potência e Lance Stroll forçou na sua defesa de posição contra Pierre Gasly e era penalizado em 10 segundos. 

Na volta 53, ainda havia gente com os mesmos pneus da partida: Yuki Tsunoda, Carlos Sainz Jr e Esteban Ocon. Estes dois últimos estavam na zona pontuável, esperando por um eventual incidente e a entrada do Safety Car, para irem às boxes, sem perder tempo. Tudo isso na altura em que Leclerc ia para as boxes, colocar médios novos e sair em sexto. Russell regressou ao comando, com Max e Kimi Antonelli não muito longe. E a ser assediado por Lawson. 

Pela volta 56, a segunda retirada da corrida, com Liam Lawson, depois das boxes, a equipa ter detectado um problema no carro dele. Por essa altura, os cinco primeiros estavam separados por pouco mais de seis segundos, o que era bem interessante. E na volta 58, a 12 do final, Ocon e Sainz Jr eram os últimos a trocarem de pneus. O francês da Haas manteve-se nos pontos, enquanto na McLaren... eles andam juntos! E Norris era o que tinha a volta mais rápida.

Uma curiosidade: Hulkenberg era oitavo, pressionado por Fernando Alonso. Independentemente do resultado, o facto de um Sauber puder pontuar pela segunda vez consecutiva, era real, e algo que ninguém pensaria no inicio desta temporada! Alonso passou Hulk na volta 62, mas como Ocon estava a mais de 14 segundos, ele estava tranquilo. 

Na parte final. Antonelli juntou-se aos McLarens e aquilo se tornou num duelo pelo lugar mais baixo do pódio, ocupado pelo italiano. Todos já estavam longe de Max, mas os McLaren queriam apanhar o rookie italiano. Só que naquela altura havia um problema: Todos perto, mas sem atacar realmente.


Mas na volta 67, Norris atacou e Piastri defendeu-se. Lado a lado em boa parte da volta, na reta da meta, ele tentou ficar pela esquerda, mas aquilo era demasiado apertado e Norris tocou na traseira do pneus de Piastri e no muro. Safety Car na pista, e a quatro voltas do final, tínhamos algo interessante para falar. E claro, lemnbrou-se logo do que acontecem em 2011... com dois pilotos da McLaren de então, Jenson Button e Lewis Hamilton. 

Praticamente a corrida iria acabar debaixo de Safety Car, com a Mercedes com a primeira vitória do ano, na frente de Max e Kimi Antonelli, que iria ao pódio pela primeira vez na sua carreira, aos 18 anos de idade. Piastri foi quarto, na frente dos Ferrari de Leclerc e Hamilton, do Aston Martin de Fernando Alonso, do Sauber de Nico Hulkenberg, do Haas de Esteban Ocon e o Wiliams de Carlos Sainz Jr. 


E assim acabou o GP canadiano. De uma certa forma, não foi maravilhoso, mas cumpriu alguns dos seus habituais critérios. Agora, mais duas semanas até ao Red Bull Ring, no regresso da Formula 1 à Europa. 

sábado, 14 de junho de 2025

Formula 1 2025 - Ronda 10, Canadá (Qualificação)


A Formula 1, quando vai ao Canadá, raramente sai de lá aborrecido. Ao contrário de outros lugares, claro... mas desde 1978, quando foi para a pista que está na ilha de Notre Dâme, no outro lado do rio São Lourenço e da cidade de Montreal, e desde 1982, quando foi marcado para junho, poucos foram as corridas onde os espectadores saíram a queixar-se da corrida. Asfalto pouco abrasivo, pista relativamente estreita, e os muros muito perto da pista, no qual um erro poderá significar um fim de semana difícil, ou precocemente terminado, para excitação dos espectadores.

E com uma temporada como esta, as coisas prometiam ser agitadas. No Canadá, em especial, a McLaren tinha a concorrência do costume, mas nos treinos livres, quem andou a levar a melhor foi a Mercedes, especialmente George Russell.

Debaixo de um sol primaveril, e asfalto quente - 44,2 ºC à hora da qualificação - esta começava com Alex Albon a ser o primeiro a ir para a pista no seu Williams, a marcar voltas. Boa parte dos pilotos entrou para a pista com os moles, excepto os pilotos da Alpine, que escolherem os pneus médios para iniciar a sessão, bem como o Mercedes de Kimi Antonelli e o Aston Martin de Fernando Alonso.


Pierre Gasly começou a ser o primeiro a marcar tempo, mas logo depois, os tempos começaram a baixar, para Oscar Piastri a ser o melhor, seguindo por Lance Stroll. Mas a seis minutos do final, na mesma altura em que Max Verstappen subiu ao primeiro lugar, a sessão é interrompida por causa do Williams de Alex Albon, que perdera a cobertura do seu Williams, com este a estilhaçar na reta antes da meta. Bandeiras vermelhas, para que os comissários pudessem limpar a pista.

Por volta das 16:20 locais, a sessão regressou, com Lando Norris a marcar um tempo abaixo do 1.12 (1.11,826), com Piastri a marcar outro tempo abaixo do 1.12, mas inferior a Norris (1.11,939). Para piorar as coisas, Isack Hadjar prejudicou Carlos Sainz Jr quando este se lançava para uma volta rápida, para tentar entrar na Q2, e no final, o espanhol da Williams acabou por ficar para trás. Depois, os comissários desportivos atribuiram uma penalização de três lugares pela manobra.

No final, para além de Sainz Jr, Lance Stroll, Liam Lawson, Gabriel Bortoleto e Pierre Gasly foram eliminados da Q1.

Poucos minutos depois, começou a Q2, com Max Verstappen a destoar da concorrência quando foi para a pista com pneus médios, enquanto o resto da concorrência escolhia os pneus moles. O piloto da Red Bull começou bem, com um tempo que lhe valeu o primeiro lugar da tabela, seguido de Norris, Piastri, Leclerc e Hamilton.

O mais interessante disto tudo é passar a ideia de que os pneus médios pareciam ser mais eficazes que os mais moles, o que aconteceu, por exemplo, com George Russell. quando foi para a pista, para a sua volta final, decidiu calçar médios e assim, conseguiu fazer o melhor tempo da Q2, 1.11,750.

Do outro lado, os que ficaram com a fava: o Red Bull de Yuki Tsunoda, o Alpine de Franco Colapinto, os dois Haas de Esteban Ocon e Ollie Bearman e o Sauber de Nico Hulkenberg.

E agora, era a altura da Q3. Que começou alguns minutos depois.

Quando assim aconteceu, o primeiro a marcar um tempo relevante foi Charles Leclerc, que marcou 1.11,729, antes de Lando Norris ter feito mal a curva final e abortar a sua primeira tentativa, numa altura em que Piastri estava no topo da tabela de tempos, com 1.11,273. Pouco depois, Max Verstappen tirou 25 centésimos e era o primeiro. Nada mau para os primeiros quatro minutos desta parte final da sessão. Nesta altura, todos calçavam moles, excepto Albon, que tinha médios.

A parte final aconteceu com Norris a marcar um tempo, mas era sétimo, antes de gente como Alonso regressava à pista calçando médios. Piastri alcança 1.11,120, depois de uma excelente parte final, mas pouco depois, Max consegue 1.11,059 e se torna no melhor... provisoriamente. porque logo a seguir, apareceu George Russell e arranca 1.10,899, e assim conseguia a sua primeira pole-position da temporada. Pela primeira vez, nem McLaren, nem o carro de Max Verstappen estavam no topo da tabela de tempos. Nada mau! 


Amanhá é dia de corrida. A ideia de ter três pilotos de três equipas diferentes é algo bem interessante de se ver, e acho que será algo diferente de corridas anteriores. 

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Noticias: Stroll afirma estar totalmente recuperado


O canadiano Lance Stroll afirma estar totalmente recuperado e pronto para correr em casa. Operado a um pulso devido à recorrência de uma lesão antiga, ele confessou que andou com dores por quase um mês, desde Imola, e que se agravou no fim de semana do GP de Espanha. 

Em declarações antes do GP do Canadá, a aua corrida caseira, no site racingfans.net, admitiu estar frustrado não apenas pela lesão, mas também pela forma como ela afetou o seu desempenho recente. Contudo, está otimista para o fim de semana.

"Esta dor incomodou-me durante algumas semanas em Imola e Mónaco, e depois Barcelona foi realmente brutal durante todo o fim de semana", começou por afirmar o piloto da Aston Martin. “Fiz um procedimento, conduzi esta semana, e senti-me muito bem, por isso estou confiante. É apenas uma lesão antiga que tive há alguns anos. Começou a incomodar-me novamente, então resolvi tratá-la.”, continuou.

Como atleta em qualquer desporto, estamos sempre a tentar superar a dor, o desconforto, tanto quanto possível, para tentar obter um bom resultado no final do fim de semana. Naquela situação, eu estava com dificuldades e a tentar superar isso, mas simplesmente não achei sensato continuar a esforçar-me. Senti que a lesão estava a piorar e que precisava de fazer algo mais sério a respeito”.

Não quero entrar em detalhes sobre o que tive de fazer e como tive de fazer, porque é a minha privacidade médica e gosto de manter isso confidencial. Mas tudo o que posso dizer com certeza é que me sinto muito melhor. Estou ansioso pelo fim de semana de corrida.

Questionado sobre os rumores sobre as verdadeiras razões da sua lesão, onde ele poderá ter-se lesionado por causa de um murro nas boxes, por exteriorizar a sua frustração por causa de uma má qualificação, Stroll foi... evasivo. 

Eu estava frustrado, com certeza. Frustrado com o meu pulso e com as últimas três corridas desde Imola. Isso estava a impedir a minha condução. Então, eu sabia que o domingo seria complicado, provavelmente impossível. E, naquele momento, eu estava bastante frustrado com isso.”, concluiu.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Meteo: Corrida realiza-se, apesar dos fogos florestais


Se por agora, o tempo na área de Montreal está estável, com céu pouco nublado, temperaturas na ordem dos 23 graus - pelo menos, no dia da corrida - a grande preocupação no momento tem a ver com os incêndios florestais que estão a acontecer um pouco por todo o país. Apesar dos céus obscurecidos, e da baixa da qualidade do ar, os organizadores estão tranquilos em relação ao resto, que irá acontecer.

Este ano, a diretora de operações do GP do Canadá, Sandrine Garneau, confirmou que foram feitas melhorias estruturais nas instalações da pista, bem como foram tomadas medidas de impermeabilização para garantir uma melhor experiência para as equipas e os fãs, depois de em 2024, as chuvadas de então tenham exposto a infraestrutura envelhecida. da pista, construída em 1978.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Noticias: Drugovich não se importa de abdicar das 24 Horas de Le Mans


Felipe Drugovich afirma que, se a vaga na Aston Martin não for preenchida por Lance Stroll a próxima corrida, ele está pronto. E se for no mesmo fim de semana que as 24 Horas de Le Mans, não há problema. 

Neste momento, nem sequer sei exatamente como é que as coisas vão acontecer daqui para a frente. Antes de mais, temos de desejar ao Lance as melhoras. Para Le Mans, nesse aspeto, a minha prioridade sempre foi a Fórmula 1. É isso que deve ser mantido até lá.”, comentou esta segunda-feira.

Tudo isto acontece depois de se saber que Stroll agravou a sua lesão de 2023 e será operado, aproveitando para recuperar o mais rapidamente possível, para poder participar no seu GP caseiro, marcado para daqui a duas semanas. 

Contudo, Drugovich não é o único piloto de testes e de reserva da equipa. O belga Stoffel Vandoorne também faz parte, logo, também é uma chance. Ele tem experiência pela McLaren, mas também está na mesma situação de Drugovich: estará em Le Mans para compromissos.

Em último caso, a equipa de Silverstone poderá recorrer a Valtteri Bottas, que é o piloto de reserva da Mercedes, desempenhando também o mesmo papel para a McLaren e Williams. Toto Wolff , o patrão da Red Bull, costuma disponibilizar o seu piloto de reserva às suas clientes, podendo o austríaco ceder Bottas a seu amigo Lawrence Stroll para a prova canadiana, caso venha a ser necessário.

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

A(s) image(ns) do dia





Há 45 anos, em Montreal, no Canadá, acontecia um duelo. E não um qualquer, foi entre os dois melhores pilotos de 1979. 

Desde junho que o Williams W07 se tornou no carro competitivo que potenciava quando se estreou em Abril, no circuito de Jarama. Contudo, só em Silverstone, palco do GP da Grã-Bretanha, é que todo esse potencial se concretizou quando ganharam a sua primeira vitória da temporada. E foi nas mãos de... Clay Regazzoni. Alan Jones, o primeiro piloto da equipa, apenas ganhou na corrida seguinte, em Hockenheim, palco do GP da Alemanha. Com um pormenor pouco conhecido nessa corrida: Jones tinha um furo lento nas 15 voltas finais, e as boxes ordenaram a Regazzoni para abrandar o ritmo, para que o australiano pudesse ganhar. 

Porém, quando ele ganhou a primeira das suas três corridas seguidas, Gilles Villeneuve já tinha 26 pontos. Jones recuperou o suficiente para poder ameaçar o lugar de Gilles - 27 pontos contra seis do canadiano - que quando Jones ficou de fora dos pontos na corrida italiana, ele ficou aliviado. 

Com tudo decidido no Canadá, no último dia de setembro, e com o paddock agitado por causa da inesperada retirada de Niki Lauda da Brabham, Jones e Villeneuve atiraram-se de cabeça para uma corrida pelo prazer da condução e pelo gozo da vitória. Mas mesmo assim, houve estratégia para ganhar.

Primeiro, a qualificação. Jones conseguiu um tempo de 1.29,892, o único abaixo de 1.30, quase oito décimos abaixo do segundo classificado, o Ferrari de Gilles Villeneuve. Mas depois, na manhã da corrida, no "warm up", o pessoal das boxes via que Jones tinha um problema: é que naquele ritmo, poderia não chegar ao fim. Não só em termos de consumo de combustível, como no desgaste dos travões, que graças às duas áreas existentes, um em cada extremo, iriam desgastar o carro além do necessário. 

Então, alguém decidiu elaborar uma estratégia. Foi Frank Dernie, um dos projetistas da equipa, e em 1979, o engenheiro de Jones. Anos depois, contou:

"Eu estava a monitorizar os dados de consumo de combustível e desgaste dos travões do aquecimento do Jones (programa de fim de semana muito diferente naquela altura) e mostraram que não podíamos terminar, por isso pedi ao Alan Jones para poupar travões e combustível até eu dar o sinal.", começou por afirmar. 

Dito isto, na partida, Jones deixou que Gilles ficasse com a liderança, mas imediatamente ficou colado na sua traseira. O canadiano começou a aumentar o ritmo, ele mesmo, enquanto o australiano ficou colado atrás dele, deixando que fizesse o seu serviço. Tudo para poupar combustível e travões. Com o passar das voltas, ambos se afastaram do pelotão, ao ponto de darem mais de meia volta de avanço. Então, na volta 49, das boxes, Dernie colocou um aviso a Jones no painel de corrida: era a ordem para atacar. O australiano assim fez, e na travagem para o Casino, imediatamente antes da meta - nessa altura era num lugar diferente que é hoje - Jones forçou a ultrapassagem, chegando a tocar roda com roda, e ficou com a liderança. Ele depois ficou na frente até à meta, controlando os ataques de Gilles, ao ponto de, no final, ambos terem ficado a pouco mais de um segundo um do outro, com o terceiro classificado, o outro Williams de Clay Regazzoni - naquele que viria a ser o seu 20º e último pódio da sua carreira - ficado a mais de um minuto do vencedor, e o único que ficou na mesma volta. 

"Sem dados, sem telemetria, apenas a minha estimativa do que poderíamos fazer, pelo que esta é a minha corrida favorita em mais de 40 anos, ainda assim muito memoráveis. Montreal foi a mais difícil em termos de travões e consumo.", contou Dernie, em conclusão, sobre essa corrida.

Sem dúvida, mais do que uma competição de coragem e um duelo de dois dos melhores pilotos da temporada, foi também uma vitória da inteligência, onde um marcou o ritmo e o outro esperou pelo momento para atacar. 

domingo, 9 de junho de 2024

Formula 1 2024 - Ronda 9, Canadá (Corrida)


Espera-se sempre o inesperado. Mas há lugares onde essa frase existe mais hipótese disso acontecer que o Canadá. Em junho, aquele lugar do planeta onde a Formula 1 vai, quase sem mudanças no calendário desde... 1982, tem anos em que chove fortemente, e outros onde há céu azul e uma luminosidade bem forte, típico do Hemisfério Norte nesta altura do ano, não muito abaixo do Sol da Meia Noite.

E no mês de junho de 2024, parece que está a ser uma cópia de... 2011. Teremos corrida de quatro horas? Não creio. Mas quando as chances de chuva neste domingo são de quase 80 por cento à hora de corrida, poderemos afirmar que numa pista relativamente estreita, de um circuito que foi construído em meados dos anos 70 do século XX, e batizado com o nome de um dos pilotos mais carismáticos da história da Formula 1, poderá ter tudo para ser uma corrida... imprevisível. 

A uma hora da corrida, o céu estava muito nublado e nas corridas de apoio do Grande Prémio, alguns pilotos exageraram e bateram forte em alguns lugares emblemáticos, como a chicane antes da meta. Todos olhavam para os céus, tentando adivinhar que pneus terão de calçar no inicio, e claro, elaborar as melhores estratégias para aproveitar... isto.

Mas claro, sabemos que isto poderá começar atrás do Safety Car, não é? São os tempos que correm.

Minutos antes da corrida, todos decidiram usar os intermédios, exceto os Haas, que decidiram usar os molhados. Apesar dessa perspetiva, não houve partida atrás do Safety Car, apesar do DRS desligado na pista, até as coisas aliviarem. Um bom sinal.


Na partida, todos foram cautelosos, sem exageros. George Russel largou bem e ficou na frente de Max Verstappen, e o resto do pelotão conseguiu manter as posições, conseguindo ficar na pista, a sua primeirs grande vitória nessas condições. A exceção foi Sérgio Pérez, que tocou em Pierre Gasly na curva 3, que ficou de lado, mas ambos conseguiram continuar. Mas atrás, os pilotos que sabiam andar à chuva começaram a mostrar-se, como Kevin Magnussen e Nico Hulkenberg, que subiam lugares atrás de lugares. "Happy Hour"... ou "Happy Minutes" para os Haas nestas primeiras voltas!

Na sexta volta, o sol apareceu, e Logan Sargent saiu de pista, mas conseguiu evitar o muro "in extremis", mas não conseguiu regressar à pista sem ser em último. Duas voltas depois, KMag trocou para intermédios, porque esses pneus começaram a ser mais eficazes na pista. A partir da volta 11, começaram a surgir manchas na pista, sinal de que algumas partes começaram a secar. Atrás, no sétimo lugar, Nico Hulkenberg aguentava todos atrás dele, com os seus molhados, numa situação onde agora, tinha os piores pneus. Acabou por ir às boxes na volta 13, caindo para o fundo do pelotão, esperando por uma melhor oportunidade na corrida. 

Por esta altura, a pista secava o suficiente para alguém poder arriscar colocar moles, mas previa-se chuva para 15 minutos mais tarde, e com isso, os pilotos decidiram ficar mais um pouco. No inicio da volta 17, Mas exagerou na curva 2 e perdeu tempo, suficiente para Russell ficar mais aliviado, e Lando Norris poder atacar o piloto da Red Bull. E para melhorar as coisas... o DRS estava ativo.

Na volta 20, Norris passou Max para ser segundo, e todos aplaudiram. Para melhorar as coisas, atrás, Oscar Piastri fazia volta mais rápida atrás de volta mais rápida, e aproximava-se dos lugares do pódio. Duas voltas depois, Norris atacava Russell no mesmo lugar e ficou com o comando, com o piloto da Mercedes a sair da pista a perder mais um lugar para Max. Estava a ser interessante, a corrida na frente. 

Pouco depois, o sol começara a desaparecer e as nuvens ameaçavam descarregar o seu conteúdo. Piastri começava a assediar Russell para ser terceiro, e na volta 25, Logan Sargent despistou-se de novo, batendo no muro, e inevitavelmente, o Safety Car entrou em pista. A partir dali, todos entraram nas boxes para colocar novamente intermédios. Norris entrou nas boxes uma volta depois dos outros, caindo para terceiro, atrás de Max e Russell.

Na volta 30, a corrida recomeçou com Max na frente de Russell e dos McLarens, com a chuva a aparecer precisamente nesse momento. Nessa altura, Charles Leclerc decidiu meter duros, esperando que a chuva passasse - e iria perder imenso tempo! - mas duas voltas depois, regressou na pista no último lugar e esperando por milagres. 

A meio da corrida, a chuva parou e as nuvens começaram lentamente a afastar-se. Max continuava na liderança, mas não conseguia afastar-se de Russell. Na volta 41, Pierre Gasly foi o primeiro a colocar pneus slicks, com duros, e todos queriam saber se isso iria resultar... ou não. Duas voltas depois, Leclerc retirava-se, acabando com o sofrimento da má corrida que estava a ter. 

A partir de agora, todos começaram a trocar para slicks. Piastri e Lewis Hamilton foram trocar para médios, e aos poucos, os pilotos do pelotão começaram a trocar de composto. Max entra nas boxes na volta 46, seguido de Russell, mas Norris ficava na pista por mais algum tempo. O britânico... ganhava tempo com os intermédios! Acabou por ir às boxes na volta 47, coloca médios e saia das boxes na frente... mas os pneus deslizaram como manteiga e o neerlandês aproveitou. 

Pouco depois, Russell aproveitou e ficou com o segundo posto, passando Norris, e ele agora era pressionado por Piastri para ficar com o lugar mais baixo do pódio. Contudo, o piloto da Mercedes exagerou na volta 51, pisando no molhado e foi passado por Norris. E claro, esta situação iria causar mais vítimas. Na volta 54, Albon e Carlos Sainz Jr, que lutavam por pontos, batiam e causariam a segunda entrada do Safety Car na corrida. Isso foi o suficiente para os Mercedes irem às boxes colocando médios para Russell, duros para Hamilton. 

E com isto, temos apenas 15 carros na pista. 

Na parte final, os McLaren tentaram aproximar de Max, esperando pela eficácia dos seus pneus, mas tinham os Mercedes logo atrás deles. Os cinco primeiros estavam a menos de 10 segundos, e claro, as coisas pareciam ser bem mais agitadas que se pensaria. Piastri tentava defender-se de Russell, enquanto Norris iria atrás de Max. Russell atacou Piastri na volta 63, mas ele resistiu suficiente para que ficasse na pista, à custa de Russell, que perdeu tempo e lugar para Hamilton.


Contudo, na frente, Norris não conseguiu apanhar Max e este triunfou, regressando às vitórias. Mas se o vencedor não ser uma novidade, foi uma corrida movimentada, com entradas do Safety Car e estratégias a darem certo. E com o quinto classificado a ter chances de vitória, acabou por ser... uma corrida canadiana. 

Agora, duas semanas até Barcelona.   

terça-feira, 4 de junho de 2024

Meteo: Fim de semana chuvoso a caminho de Montreal?


Estamos a caminho do primeiro fim de semana verdadeiramente chuvoso do ano? Nesta altura, não é provável. E digo isso porque nos três dias do Grande Prémio, sexta, sábado e domingo, se prevê chuva, ora dispersa, ora mais concentrada, mas as chances são baixas. 

Na sexta-feira, com uma temperatura de 23 graus, as chances de chuva são baixas, mas existentes. Esta é fraca, com 35 por cento de chances na parte da tarde, enquanto no sábado, as chances de chuva são de 15 por cento. Quanto a domingo, dia da corrida, ele irá aumentar, mas não chegará aos 25 por cento... e será mais pelas 18 horas, quando a corrida já estiver acabada.

Ou seja, as coisas ainda poderão alterar-se até ao final da semana, mas tudo indica que será um final de semana como os outros anteriormente, e a chuva não estragará os planos.   

terça-feira, 20 de junho de 2023

Youtube Formula 1 Vídeo: As melhores comunicações do Canadá

O fim de semana canadiano foi molhado, pelo menos na qualificação - e aconteceram ameaças na corrida, mas sem efeito. Assim sendo, o pessoal da formula 1 começou a colecionar as comunicações de rádio para selecionarem os melhores, resultando neste vídeo.  

domingo, 18 de junho de 2023

Formula 1 2023 - Ronda 8, Montreal (Corrida)


Eu sou como nove em cada dez apreciadores de automobilismo: adoro o circuito Gilles Villeneuve, em Montreal. Aliás, tenho desde há anos a teoria de que por ali anda o espírito do patrono do circuito, e que no fim de semana do Grande Prémio, todas as confusões que existem nas sessões de treinos, na qualificação e na corrida, têm a sua obra e graça. Claro que é fantasia - aquele circuito fica no meio de um parque, o que justifica as mamotas, por exemplo - mas gosto de pensar nessa hipótese, porque acho mais divertida. 

Depois da chuvada de ontem, parecia que hoje iria ser um pouco diferente. O céu estava nublado, mas as chances de chuva eram, aparentemente, baixas. Mas existia algo que poucos ainda tinham reparado: na primeira curva, havia uma escapatória com material suficiente para impedir os pilotos de fazerem "corta-mato" para chegarem à curva 2. Contudo, no domingo, mexeram no muro para facilitar as coisas aos que errassem nessa primeira curva. 

Quanto a paragens, todos pensam que existirão duas... se não chover. E os 11 primeiros largarão de médios.


Na partida, Max largou bem, enquanto Alonso foi passado por Hamilton para ser segundo. O espanhol ainda foi ameaçado por George Russell, mas conseguiu manter o terceiro posto, enquanto o resto passou as primeiras curvas sem choques. Na segunda volta, Kevin Magnussen ia quase batendo na traseira de Checo Pérez, mas safou-se de boa... indo pela chicane.

Na sexta volta, o carto de Logan Sargent perdeu potência e ficou parado na curva 6, suficiente para duas voltas depois, os comissários decidissem a entrada do Safety Car virtual, o primeiro da corrida, para que os comissários pudessem tirar o carro do lugar onde estava. Duas voltas depois, a corrida retomava, sem grandes mudanças na posição. 


Mas na volta 12, o Safety Car seria real, quando George Russell bateu na curva 8. A melhor ocasião para trocar de pneus, e todos estão tão precipitados para colocar duros ao ponto de Hamilton e Alonso... tocassem no pitlane. 

Russell trocou de pneus, e parecia que tudo estava bem com ele, mas o tempo perdido fazia com que caísse para o fundo de pelotão. As coisas andaram assim até à volta 16, quando o Safety Car regressou às boxes e a corrida regressou em pleno.

A partir daí, as coisas estabilizaram na frente, com o foco a estar nos Ferrari e no Haas de Hulkenberg, que não tinham trocado de pneus, que eram usados das sessões anteriores, mas aparentemente, parecia que os carros da Ferrari, que eram nesta altura quarto e quinto, teriam de parar mais tarde, e essas posições eram provisórias. 


E na volta 23, Alonso conseguiu passar Hamilton e era segundo, uma grande posição para a Aston Martin. O suficiente para que, os comissários - muito conivente - decidirem que não iriam penalizar o britânico da Mercedes. Na Ferrari, Leclerc ia na frente, mesmo com pedidos de Sainz Jr. para o deixar passar, alegando que tinha melhor ritmo. No final, Maranello decidiu que a ordem se mantivesse como estava.

Na volta 28, Max tinha uma vantagem de três segundos sobe Alonso, com Hamilton a mais dois segundos do piloto espanhol. E até à volta 36, as coisas ficaram calmas, sem grandes mudanças ou paragens nas boxes. Nessa altura, Kevin Magnussen e Nyck de Vries, a lutar por posição, tocaram na curva 3 e ficaram parados na escapatória por algum tempo. Tempo suficiente para os Ferrari pararem nas boxes, e até à volta 40, os pilotos como Hamilton colocaram médios. 

O britânico atacava, para apanhar o espanhol, e quando Alonso perdeu tempo na volta 48, o piloto da Mercedes parecia que poderia apanhar o da Aston Martin, ainda por cima, os dois mais experientes do pelotão. E Russell, que tinha recuperado até oitavo, acabou por perder potência na volta 56 e rumou às boxes para ser a segunda desistência do dia.

Entretanto, os céus escureciam, mas não o suficiente para ameaçar chuva.

Hamilton aproximou-se nas voltas finais da traseira de Alonso para tentar alcançar o segundo posto. A Mercedes disse que o piloto da Aston Martin poderia ter problemas nos travões, mas o espanhol disse que "perfeito, tenho tudo sob controlo". E de uma certa maneira, parece que isso era verdade.

No final, mais uma vitória de Max, na frente de Alonso e Hamilton. Contudo, o mais fantástico foi saber que Alex Albon ter conseguido um sétimo posto, graças à boa estratégia de pneus. 

Agora, é o regresso à Europa e para o GP da Áustria, no Red Bull Ring.            

Formula 1 2023 - Ronda 8, Montreal (Qualificação)



O Canadá, depois de algumas corridas sonolentas, costuma ser um colírio para os nossos olhos, acreditem. São raras as corridas aborrecidas - e já assisti a corridas desse tipo no circuito Gilles Villeneuve, acreditem - mas aqui, existe sempre algum fator que torna este lugar... mítico, digamos assim. E quando soube, no inicio da semana, que o tempo iria ser algo que poderia interferir na corrida, sabia que tinha de esperar algo invulgar.  

E foi o que aconteceu: quando chegou a hora da qualificação, o tempo não colaborava. Por um lado é bom, porque as marmotas ficavam nas suas tocas, mas por outro, a pista molhada não ajudaria nada na obtenção de tempos por parte dos pilotos, logo, teriam de andar em bicos de pés. É verdade. Mas quando entraram, ainda não chovia, mas sabiam que iria chover a qualquer momento, logo, tinham de marcar um tempo de imediato. E foi o que fizeram.

Mas o primeiro a... não marcar foi Zhou Guanyu. Primeiro, avisou à equipa que tinha ficado sem potência no Alfa Romeo, enquanto os primeiros pilotos tentavam começar a volta rápida e viam bandeiras amarelas no setor 2. Zhou parecia não poder regressar à box, e a direção de prova decidiu suspender a sessão, mas momentos depois, o piloto da Alfa Romeo foi aconselhado pela equipa a seguir devagar para o pitlane, o que acabou por acontecer.

Pouco depois, a sessão regressou ao normal, e Max Verstappen foi o primeiro dos da frente a marcar um tempo, com 1.24,106, seguido por Fernando Alonso, que reagiu com 1.22,655. Mas o neerlandês da Red Bull fazia pouco tempo depois 1.21,908, com o espanhol da Aston Martin a melhorar. A coisa ficou resolvida com Verstappen a marcar 1.20,851, contra o 1.21,481 de Alonso e 1.21,554 de Lewis Hamilton.

E quem ficou no fundo da tabela e não participou mais na qualificação? Os Alpha Tauri de Yuki Tsunoda e Nyck de Vries, o Alpine de Pierre Gasly, o Williams de Logan Sargeant e claro, o Alfa Romeo de Zhou Guanyu.


As condições pioraram na entrada da Q2, com a chuva a fazer a sua aparição. Alguns pilotos meteram os intermédios, mas houve quem arriscasse e ainda andasse com os slicks, tentando ver se existiria uma chance, porque a chuva era, na altura, intermitente. 

Mal acendeu o semáforo verde, Max Verstappen conseguiu ser o primeiro a sair das boxes, com intermédios, mas Alex Albon arriscou com o seu Williams e colocou slicks moles. Como o Anglo-tailandês marcou um bom tempo e conseguia manter-se na pista, sem incidentes de maior, os pilotos trocaram para slicks para tentarem a sua sorte, pois ele tinha marcado uma volta em 1.18,725. Mas nessa altura... a chuva apareceu com mais força. E quem tentou essa sorte, não conseguiu.

Resultado final? Sem conseguirem melhorar os tempos anteriores devido à chuva e com pneus intermédios, o Ferrari de Charles Leclerc - que tinha pedido slicks antes de meterem intermédios - o Red Bull de Sergio Pérez, o Aston Martin de Lance Stroll, o Haas de Kevin Magnussen e o Alfa Romeo de Valtteri Bottas, que como Leclerc, apostaram nos intermédios, meterem slicks e quando tentaram marcar tempos, não conseguiram.


A Q3 começou com chuva permanente, intermédios e os pilotos a tentarem segurar-se na pista. Não era fácil, mas lá se tentava. Primeiro, foi Max a marcar tempo, e foi suficiente para ficar na frente, com Alonso a tentar reagir, mas a 7:11 minutos do final, Oscar Piastri perdeu o controle do seu McLaren e bateu no muro, ficando atravessado na pista, e obrigando os comissários a mostrarem a bandeira vermelha, numa altura em que, por exemplo, Nico Hulkenberg tinha subido para... segundo!

No final, a sessão não retomou, e a grelha deu Max e um Haas com a melhor qualificação até então. O melhor... por uns tempos, pois os comissários descobriram que ele acelerou para marcar a sua volta já com a bandeira vermelha, suficiente para ficar com uma penalização de três lugares, caindo para quinto. Logo, Alonso repete a melhor posição de sempre da Aston Martin nesta temporada.

Domingo haverá mais, é só olhar para os céus no sentido de saber que tipo de corrida iremos ter. 

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Youtube Formula 1 Vídeo: A melhor corrida canadiana de sempre

É fim de semana do GP do Canadá - caso ainda não tenha entendido... - e há quem se tenha dado ao trabalho de saber qual foi a melhor de sempre. Num lugar onde eu tenho a certeza que paira o espirito de Gilles Villeneuve - ou seja, não existe um GP canadiano aborrecido - encontrar a melhor de sempre não é tarefa fácil. Mas o Josh Revell trouxe hoje o que promete ser um forte candidato: a edição de 2011, que durou... quatro horas!

quinta-feira, 15 de junho de 2023

A imagem do dia


O GP do Canadá de 1993 foi uma corrida interessante. Michael Schumacher andou o tempo inteiro a perseguir os Williams. Ayrton Senna andou bem, depois de ter sido surpreendido pelos Ferrari na partida, mas acabou por passá-los, antes de ter um problema com o alternador e acabar por abandonar. E Martin Brundle, no seu Ligier, bem como Karl Wendlinger, no seu Sauber, ficaram com as duas últimas posições pontuáveis. 

E porque falo disso? Porque foi a última corrida que James Hunt viu na vida. Dois dias depois, então com 45 anos de idade, teve um ataque cardíaco fulminante e morreu. E o mais irónico é que ele ia pedir a sua namorada de então em casamento. Se tudo desse certo, teria sido a sua terceira mulher, e sabe-se lá quantos mais filhos não teria tido. 

Mais outra ironia: nesta altura, ele tinha largado o álcool e as festas. O seu estilo de vida era bem mais relaxado daquele que tinha vivido nos anos 70, ao serviço da Hesketh, McLaren e Wolf. E boa razão disso tem a ver com a sua segunda vida como comentador de Grandes Prémios, ao serviço da BBC. 

As coisas começaram pouco depois de ter pendurado o capacete, no GP do Mónaco de 1979. Estava desmotivado e os excessos do seu estilo de vida ameaçavam-no. Emparelhou com Murray Walker e cedo, deram-se bem... cada qual à sua maneira. Um era o entendido, explicava os carros e as corridas, outro era o emocional. Um exemplo que se pode encontrar no Youtube é a corrida final dos Turismos britânicos de 1992, em Silberstone, onde John Cleland, depois uma uma ultrapassagem "musculada", decidiu saudar o seu adversário com o dedo no meio, ao que Walker respondeu com um "eu corro para o primeiro lugar!"

Hunt não tinha papas na língua na televisão. Abominava os motores Turbo, detestava "chicanes móveis" - os seus diatribes contra René Arnoux e Andrea de Cesaris tornaram-se lendários - mas o que não se sabia era, por exemplo, contribuía generosamente - financeiramente e dando abrigo a dissidentes, na Grã-Bretanha - com organizações anti-apartheid nos anos 80, para libertar a África do Sul dos governos de minoria branca. E nunca perdia a chance de lançar diatribes contra o facto da Formula 1 ser a única competição que furava o boicote desportivo ao país. Aliás, a BBC já nem ia mais ao país, mas o resto do mundo não sabia disso. Só Hunt "meteu a boca no trombone" nesse caso, mas ficou aliviado quando depois dos eventos de 1985, a Formula 1 deixou de lá ir, apenas regressando em 1992, com o regime em transição para a maioria negra. 

Chances para regressar não faltaram. Fala-se que esteve para ir à Brabham em 1980, logo em Long Beach, mas um acidente de ski nos Alpes suíços cortou essa chance. Voltou a testar com um Williams em 1989, em Paul Ricard, aos 42 anos, mas estava fora e forma e não beliscou nem Riccardo Patrese, nem Thierry Boutsen.

No final, Walker e Hunt davam-se bem, embora muitas das vezes quase entravam em vias de facto porque... a BBC só lhes tinha dado um microfone e queriam comentar ao mesmo tempo! E a dupla era mesmo popular. Hunt era melhor a explicar que Jackie Stewart, por exemplo, e os seus comentários mais... coloridos batiam o escocês aos pontos, pois este era bem mais polido, mais "professoral". E a ausência inesperada de Hunt foi muito sentida na BBC, que sentiu a sua orfandade até à chegada de Martin Brundle em 1997, depois deste ter pendurado o capacete. 

Após estes anos todos, o carisma de Hunt ainda é sentida por aqueles que viveram aquele tempo.

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Meteo: Montreal será chuvoso no fim de semana


O GP do Canadá será chuvoso, pelo menos na sexta e no sábado, existindo dúvidas no domingo. Na sexta-feira, estão previstas "trovoadas dispersas" em Montreal, com as chances de chuva a subirem imenso, para os 80 por cento por alturas do segundo treino livre, depois do almoço.  

No sábado, dia da qualificação, as chances baiam um pouco, para os 60 por cento, ainda sob a previsão de "trovoadas dispersas". No domingo, os aguaceiros persistirão, mas as chances de chuva diminuem, logo, poderá ser uma corrida em seco que no molhado. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

A imagem do dia


Sobre os eventos de Montreal, ainda não consigo ver com distância e frieza suficiente sobre a decisão dos comissários de penalizar Sebastian Vettel por aquele erro e ter defendido a sua posição sem tocar no carro de Lewis Hamilton. Mas sei que do outro lado, os fãs do britânico dirão que a punição era justa e o que ele fez foi uma demonstração de mau perder. 

Até pode ser, mas que era uma injustiça, era. Houve exemplos no passado, bem piores, que foram deixados em claro. E até defendia uma posição mais radical do que esta mera troca de placas. Era chegar ao microfone, anunciar a sua retirada da Formula 1 com efeito imediato e não voltar atrás. 

Mas depois, colocando-me na pele dos hamiltonistas, eu seria considerado como mau perdedor. 

Contudo, tenho a certeza que deve ter quebrado alguma coisa dentro da mente de Sebastian Vettel. Se algum dia tiver a oportunidade de o entrevistar, perguntarei isso. 

Reparem... lembram-se daquilo que escrevi ontem sobre Chris Amon e a sua corrida de Charade, em 1972? Eu acho que Vettel sabia que, na Ferrari, não iria conseguir mais nada. E que a sua chance tinha terminado, e ficaria na pilha daqueles que tentaram e não foram bem-sucedidos. Como disse antes, a Scuderia devora todos aqueles que trabalham nele.

Claro, Vettel escolheu ir para a Ferrari. A responsabilidade é dele, e claro, não deverá ter arrependimentos. Mas se alguém falar do que aconteceu naquele dia, em Montreal, aposto que deverá ter uma ponta de amargura, por tudo o que se passou. Pelos comissários e pela FIA. Não pelo Hamilton, que apenas era mais um concorrente, um rival.

Aliás, a relação entre ambos até é bem interessante. Sempre houve respeito entre ambos. Entraram no mesmo ano, um mais tarde que o outro, é evidente, mas tiveram o seu tempo. Quando Vettel dominou, Hamilton quase nunca teve chances de o apanhar, nos seus tempos de McLaren, e no primeiro ano da Mercedes, depois da retirada de Michael Schumacher. Depois, quando a Mercedes dominou, os únicos que pressionaram o britânico foram Nico Rosberg e Sebastian Vettel, numa primeira fase, antes de Max Verstappen. E quando o alemão, nascido no Mónaco e filho de Keke Rosberg, o conseguiu bater, decidiu pendurar o capacete de imediato. Quanto ao segundo, aguentou mais tempo, mas desgastou-se. 

E creio que aquele gesto, de forma irónica e inconsciente, também foi uma forma de afirmar que desistia da luta, e disse que Hamilton era o melhor. A partir dali, Vettel sepultou o piloto ultracompetitivo e decidiu ser mais humano, sentou, andou a ganhar dinheiro e decidiu apreciar a viagem e o privilégio de ser piloto de Formula 1. Nisso, deve ter visto Kimi Raikkonen e seguiu a sua atitude.