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quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

A imagem do dia


Já ando a escrever isto há uns bons dias, mas só agora é que apareceu a oportunidade. E é uma história que merece ser contada porque faz agora 55 anos. É a história de como a Lotus conseguiu um grande negócio para as suas equipas de automobilismo.

Quando no final de 1967, a CSI - antecessora da FIA - decidiu que as equipas de Formula 1 não eram mais identificadas pelas suas cores nacionais, Colin Chapman reparou ali numa chance real de arranjar mais dinheiro para a sua equipa. Telefonou para a sede da Imperial Tobacco, em Londres, e perguntou se não queria colocar o seu produto nos flancos dos seus carros. Não seria a primeira ocasião em que carros ficaram com patrocinadores - a Team Gunston tinha feito isso na África do Sul - mas ali, Chapman poderia conseguir um excelente acordo.

No final, o acordo foi para as suas equipas de Formula 1, Formula 2 e Formula 3. A Imperial Tobacco deu 110 mil libras - parece pouco, mas nesse tempo, um motor Cosworth custava cerca de cinco mil, e um Mini 1000 cerca de 450 libras - e quando os carros começam a ser desenhados com as novas cores, estão todos na Oceania para a Tasman Series. Nessa altura, Clark está a caminho do seu terceiro título nesta competição, e o Lotus 49 com as novas cores causa sensação.

Parecia que Champan, mais uma ocasião, tinha tudo para ganhar e abrir mais uma era de domínio, com o seu piloto a bordo. Mas a 7 de abril, enquanto ele estava em Klosters, na Suíça, a esquiar, Jim Clark e Graham Hill estavam em Hockenheim para uma corrida de Formula 2, o destino interfere de forma irremediável. 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Noticias: Red Bull faz acordo de patrocínio de 150 milhões de dólares com forma de criptomoedas


A Red Bull pode ter dinheiro do seu próprio bolso para pagar à sua equipa, mas acordos com outros que tragam dinheiro são bem-vindos. Com um acordo com a Oracle anunciado no dia da sua apresentação, a valer cem milhões de euros para as próximas quatro temporadas, agora foi hoje conhecido novo acordo da equipa energética com a Bybit, uma firma de criptomoedas baseada em Singapura, no valor de 150 milhões de dólares. O acordo terá a duração de três temporadas. Estes 250 milhões de acordos que a marca conseguiu servirão para financiar a Red Bull Powertrains, formada para cuidar e desenvolver os motores Honda, cuja marca abandonou a Formula 1 no final do ano passado.

Sobre o acordo, Christian Horner afirmou: “Eles partilham a paixão da equipa em estar na vanguarda da inovação tecnológica, estabelecer o ritmo competitivo e romper o status quo. Aliado a isso está o compromisso da Bybit em animar a experiência dos fãs na F1 por meio da inovação digital. Esta também é uma missão fundamental para a equipe e a assistência de Bybit nos ajudará a construir uma conexão mais profunda, mais imersiva e única com a equipe para fãs de todo o mundo”.

Como é sabido, a Bybit é a mais recente de uma quantidade crescente de empresas do campo de criptomoedas a usar a Formula 1 como plataforma de marketing, com várias equipas já tendo acordos entre eles, como já tinha referido ontem. A Crypto.com, por exemplo, tornou-se num dos patrocinadores principais da Formula 1, vai ser o patrocinador principal da edição inaugural do GP de Miami, em maio, bem como um dos principais patrocinadores da Aston Martin.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Noticias: Williams triunfa em processo contra ex-patrocinador


A Williams ganhou um processo em tribunal contra um antigo patrocinador seu por quebra de contrato. Um tribunal de Los Angeles obrigou a RoKit a pagar 35.7 milhões de dólares à equipa britânica por não ter cumprido a sua parte de um contrato que foi assinado em 2019 e que terminaria apenas em 2023, mas que foi quebrado no inicio de 2020. 

Não é a primeira vez que a Williams tinha ganho um processo em tribunal contra eles. Um processo arbitral que aconteceu em 2021 no London Court of International Arbitration deu razão à Williams, obrigando o antigo patrocinador ao pagamento, mas a empresa nunca o chegou a fazer. Daí terem ido para outras instâncias, que voltaram a dar-lhe razão neste caso.

O contrato entre ambas as partes foi assinado em 2019, com Jonathan Kendrick, o seu dono, a prometer pagar 24,4 milhões de dólares no acordo, mas no inicio de 2020, com a pandemia e a mudança de donos na Williams, com a Dorilton Capital a comprar a equipa da família Williams, a RoKit decidiu abandonar o contrato de forma unilateral. Agora, eles não só serão obrigados a pagar o dinheiro em falta, como serão obrigados a entregar um bónus de um milhão de dólares.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

A polémica do novo patrocinador da Mercedes


Nada como um fim de semana na Arábia Saudita para uma polémica na Formula 1. Na realidade, foi na Mercedes, a equipa que tem dominado o campeonato. Por estes dias, soube-se que a equipa de Toto Wolff tinha feito um acordo com a Kingspan, uma forma de materiais de construção especializada em revestimentos. Ora, essa empresa foi a que fez a renovação da torre Greenfell, em Londres, que a 14 de junho de 2017, sofreu um incêndio catastrófico, matando 72 pessoas. E as associações de sobreviventes estão indignadas com esta associação, questionando a sua ética e pedido para que o contrato fosse quebrado de imediato.

Toto Wolff já respondeu à carta aberta que a associação colocou no seu site, afirmando que está disposta a conversar com eles para os ouvir, embora não diga que terminará ou não esta associação. Ele afirmou que a Mercedes “se envolveu profundamente com a Kingspan para entender o papel que seus produtos desempenharam no que aconteceu em Grenfell” antes de finalizar o negócio.


Kingspan declarou que não desempenhou nenhum papel no projeto ou construção do sistema de revestimento na Torre Grenfell, e que uma pequena porcentagem de seu produto foi usada como um substituto sem o seu conhecimento em parte do sistema que não estava em conformidade com os regulamentos de construção e não era seguro.”, disse na resposta, em declarações captadas pelo the-race.com.

Eu sei que isso não muda de forma alguma a terrível tragédia que você sofreu, ou a dor profunda e contínua sentida em sua comunidade, e gostaria de agradecer a Grenfell United pela oferta de me encontrar pessoalmente para aprender e entender melhor. Estou ansioso para nos reunirmos assim que pudermos.”, conclui a missiva.

Anteriormente, Kingspan afirmou que “apoia o trabalho de vital importância do Inquérito [às causas do incêndio de junho de 2017] para determinar o que deu errado e por quê”, mas afirma que as evidências mostram que o isolamento “não fez diferença material para a natureza e velocidade da propagação do fogo”. A empresa afirma ter “identificado e se desculpado por falhas de processo e conduta em seu negócio de isolamento no Reino Unido”, incluindo “melhorias significativas de processo, um código de conduta aprimorado, bem como medidas de rastreabilidade e integridade da cadeia de abastecimento”.


Esta polémica coincide, como já foi dito, com o GP em Jeddah. E como a Formula 1, de uma certa forma, em termos éticos, pouco importa com os Direitos Humanos, ao correr nas quatro nações da Península Arábica - Qatar, Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos, onde se situa Abu Dhabi - para não falar da China, por exemplo. Esse exemplo - ao que dei ontem o nome de "sportwashing", mostra um pouco como o dinheiro conta imenso e quando se chega a paragens destas, a atitude da Formula 1 é o de varrer para debaixo do tapete, esperando que a polémica passe. 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Noticias: BWT pode continuar na Williams... ou Haas F1


Uma marca do qual esteve presente de maneira bem forte nos últimos anos foi a BWT, uma firma austríaca especializada no tratamento de águas residuais, especialmente por causa da sua cor predominante, o rosa. Desde 2017 na Racing Point, saiu no final de 2020 para dar lugar ao verde da Aston Martin, mas ele está por aí, e provavelmente para ficar noutra equipa. As chances são que vá ou para a Haas F1, ou para a Williams.

Sobre a chance da equipa americana, quem fala disso é Ralf Scumacher, tio de Mick Schumacher, agora piloto da equipa e claro, estreante em 2021. “Um patrocinador acabou de ficar disponível”, começou por dizer Ralf. “Não que esta cor em particular jogue muito bem com o Mick”, continuou.

A chance da equipa de Grove largar o azul dos últimos anos para virar rosa também é uma boa hipótese, e fala-se que a razão da apresentação tardia do FW41B tenha a ver com a reorganização de acordos de patrocínio por parte da Williams, para que tudo esteja pronto antes da nova temporada, dentro de um mês. Contudo, este patrocinador é bem tentador para as equipas, e ao contrário de muitos, está disposto a continuar na categoria máxima do automobilismo.

domingo, 15 de dezembro de 2019

Noticias: Chase Carey admite dificuldades para patrocinadores

Chase Carey, o CEO da Formula 1, afirmou que apesar de terem bons patrocinadores como a Rolex e a Heineken, admite que arranjar novos tem sido uma tarefa complicada. Apesar dessas dificuldades, Carey garante que o interesse no campeonato continua a crescer, à medida que a Liberty Media continua a trabalhar para aumentar o perfil global da Fórmula 1.

Este é um desporto único, com adeptos muito apaixonados. Devido à sua tecnologia e à sua natureza é uma desporto diferente de qualquer outro.”, começou por dizer Carey.

O nosso grupo de trabalho dos patrocinadores tem trabalhado imenso e continuará até ao final do ano. Esperava que todos os que estão assinem, mas não será assim, infelizmente. Os patrocinadores querem parcerias mais adaptadas à realidade deles. Agora precisas de contar uma história, desenvolver iniciativas digitais, anúncios, festivais, etc. Tem sido mais lento e difícil do que eu tinha planeado há alguns anos atrás.”, concluiu.

Para além disso, Carey acredita que coisas como o documentário "Drive to Survive", que vai agora para a sua segunda temporada, poderá ajudar a atrair mais gente para a competição nas próximas temporadas.

domingo, 8 de dezembro de 2019

W Series: Patrocinador anunciado para a competição

A W Series, primeira competição totalmente feminina, anunciou este domingo o seu primeiro patroconador da competição, a Rokit. A firma de telecomunicações, que patrocina a Williams na Formula 1 e a Venturi na Formula E, decidiu ser o primeiro e principal grande patrocinador da competição. 

"Estamos felizes em receber a Rokit na W Series", começou por dizer Catherine Bond Muir, a diretor da competição.

"Como uma marca de alta tecnologia, disruptiva e focada no cliente, a Rokit fica confortavelmente ao lado da W Series e sua missão de mudar a cara do automobilismo e estamos muito satisfeitos por estarmos competindo juntos nos próximos anos.

"Também é empolgante ver uma marca que já está presente na Fórmula 1, Fórmula E e outras séries de corrida bem estabelecidas, reconhecendo e apoiando oportunidades para mulheres no automobilismo e tomando medidas imediatas. Esperamos que essa seja uma tendência emergente em 2020.", concluiu.

Jonathan Kendrick, o seu presidente, justificou a sua escolha pelo avanço que a competição deu logo no seu primeiro ano.  

"Ficamos impressionados com o progresso alcançado e o sucesso alcançado pela W Series desde que ela se espalhou pelo mundo do automobilismo, e realmente queremos ser uma grande parte de seu futuro à medida que se desenvolver nos próximos anos", começou por dizer.

"Como a W Series, a ROKiT é uma empresa jovem, ambiciosa e orientada para a tecnologia, que está na vanguarda do nosso setor, e essa parceria é um ajuste natural absoluto para nós".

A competição continuará a seguir em 2020 o calendário do DTM, em pelo menos seis corridas, porque eles pretendem colocar mais algumas provas no seu calendário. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Formula 1: Haas e Rich Energy terminam parceria

A Haas anunciou esta segunda-feira que terminou, com efeito imediato, a sua parceria com a Rich Energy. A relação, controversa por causa do seu CEO, William Storey, que deu a cara até sair, em julho, também era controversa por causa de polémicas como o plágio no seu símbolo em maio, do qual foi condenado em tribunal para pagar uma indemnização.

A Haas F1 Team e a Rich Energy concordaram amigavelmente em encerrar sua parceria no Campeonato Mundial de Fórmula 1 da FIA com efeito imediato.”, começa por dizer a sua declaração oficial.

Enquanto desfruta de reconhecimento substancial da marca e exposição significativa por meio de sua parceria com Haas F1 Team em 2019, um processo de reestruturação corporativa da Rich Energy verá a necessidade de uma estratégia global repensada.

Posteriormente, a Haas F1 Team e a Rich Energy concluíram que o término da parceria existente era o melhor caminho a seguir para ambas as partes. A Haas F1 Team gostaria de expressar seus agradecimentos e votos de felicidades às partes interessadas da Rich Energy”, concluiu.

Fundada apenas em 2016, e com implantação escassa no Reino Unido, desde meados de 2017 que William Storey queria levar a Rich Energy para a Formula 1. Tentou no verão de 2018 comprar a Force India, antes desta ter sido adquirida por Lawrence Stroll, o pai de Lance Stroll, para virar Racing Point, mas não foi bem sucedida. No inicio do ano, decidiu ir para a Haas, e foram apresentados em Londres ao mesmo tempo que o novo chassis, antes de serem apanhados nos problemas dentro da marca, quer por causa de Storey e a sua personalidade excêntrica, quer por causa dos seus problemas legais.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

O novo nome da Rich Energy

A Rich Energy anunciou na tarde desta terça-feira que mudou de nome para Lightning Volt Limited e a pessoa que dá a cara por tudo isto, William Storey, abandonou a companhia. É o mais recente desenvolvimento de uma das histórias mais bizarras de patrocinadores da história recente do automobilismo.

No Twitter da Formula Money, mostraram os detalhes do contrato que foi registado no Register of Companies of United Kingdom, e isso tinha sido feito com a data desta terça-feira. Para além disso, também foi anunciado que Storey não faz mais parte da companhia, indicando que os outros sócios mais discretos, não mais trabalham com Storey, o excêntrico ex-jogador de rugby - e com uma barba à ZZ Top - e que deu a cara pela marca.

De uma certa forma, poderia ser o final de uma história complicada, mas... se calhar, não. Nas minhas pesquisas, descobri que "Lightning Volt" é assustadoramente parecido com "Lightning Bolt", a bebida energética feita em 2006 por... Steven Segal - sim, o "ator" de Hollywood. Pelo que me contam, a bebida foi descontinuada, mas mesmo assim, nunca fiando.
  
Mas vamos atrás, desde o momento em que apareceu o famoso "tweet" onde a Rich Energy anunciou a ruptura do contrato que acabou por não acontecer. A realidade era que quem controlava essa conta era alguém próximo, ou o próprio Storey, que decidira ter este tipo de atitudes. Como já foi dito, alguém com uma barba a lembrar os membros da banda musical americana - para mim, faz mais lembrar Jean-Pierre Van Rossem, o dono da Moneytron, que há 30 anos tinha a Onyx - e que tinha vontade de aparecer, em contraste com os outros sócios, mais discretos e nunca deram a cara nesta situação.

De uma certa maneira, isto foi a "gota que fez transbordar o copo", depois da história do plágio com a Whyte Bikes, onde se verificou que tinham de pagar cerca de 45 mil libras de prejuízo. O tribunal intimou a empresa a mostrar as contas, incluindo o valor do seu contrato de patrocínio com a Haas F1. Daí ter movido velozmente para retirar Storey do caminho e mudar o nome da companhia, embora não se saiba o logotipo e os decalques da nova companhia. E se não fosse por isso, teria de ser pela própria Haas, que tinha ameaçado quebrar o contrato com o patrocinador, se não agissem. 

E pelo que se lê do twitter da Rich Energy - agora pertencente apenas a Storey - ele não está muito satisfeito. Com um retrato dele ao lado de Bernie Ecclestone, ameaçou que "iria voltar!" Não se sabe se terá força para causar ainda mais confusão... mas no final, todos perdem.

Mas a história do patrocinador - confusa e bizarra, é certo - parece ser agora o menor dos problemas. Como já foi dito por aqui, agora corre o rumor de que um dos pilotos da Haas poderá ser despedido. Veremos no que vai dar.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Os sarilhos da Rich Energy

Bom, as noticias sobre o fim do contrato da Rich Energy parecem ser manifestamente exageradas. Um dia depois do anuncio no Twitter, "com fim imediato", diziam eles, e alegando "maus resultados", como razão para o final desse contrato de patrocínio, os dirigentes da Haas F1 vieram a público afirmar que, afinal... o contrato de patrocínio continua, pelo menos em Silverstone. 

A Rich Energy é atualmente o parceiro principal da equipa. Não podemos comentar mais sobre a relação contratual entre as duas partes, devido à confidencialidade comercial”, disse Guenther Steiner, o diretor de equipa da marca. E para quem está em Silverstone nesta quinta-feira, o patrocínio ainda está nos flancos dos carros e permanecerá no fim de semana britânico.

Aliás, as noticias que se correm no paddock da pista britânica é que os financiadores da Rich Energy estão desesperados para salvar o acordo com a Haas e tentam invalidar o "tweet" de ontem. E o que o Joe Saward está a afirmar esta tarde no seu blog é que poderá haver alguma coisa dentro da Rich Energy que impede esta rescisão ser real.

E estas declarações, vindas da própria Rich Energy, só adensam o mistério: “Claramente, as ações desonestas de um indivíduo causaram grande constrangimento. Estamos no processo de remover legalmente o indivíduo de todas as responsabilidades executivas", afirmou.

E o "individuo desonesto" é... William Storey. O excêntrico proprietário, ex-jogador de rugby, com barba à ZZ Top (pessoalmente, seria mais um Van Rossem nova geração...), que desejava tanta atenção que conseguiu. Só que a Rich Energy é mais do que alguém que dá a cara, há mais gente por trás, ou seja, financiadores. E estes chegaram à conclusão que Storey foi longe demais com aquele "tweet" - é verdade que perderam a ação contra a Whyte Bikes e esta exige ver as contas da empresa para calcular o valor da indemnização - mas eles tem melhores intenções que Storey. Aparentemente...

Em suma, parece que está a haver uma luta interna, e nós estamos a ver algumas dessas cenas. Resta saber como acabará, e creio que este fim de semana poderá ser fértil em cenas desse género. 

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Noticias: Patrocinador da Haas em apuros

Que toda a gente já sabia desde há algum tempo que a Rich Energy não era "flor que se cheire", é um facto. Contudo, a marca de bebidas energéticas britânica, e patrocinadora da Haas, está agora nas bocas do mundo pelas piores razões. Neste momento, lida com vários processos em tribunal, e uma delas tem a ver com a sua situação financeira

Segundo conta o site f1i.com, a Rich Energy foi levada recentemente aos tribunais pela empresa britânica de bicicletas Whyte Bikes por uma violação de direitos de autor envolvendo seu logotipo, que tinha uma semelhança quase exata do emblema da empresa de ciclismo. O Tribunal Empresarial de Propriedade Intelectual sentenciou o caso e declarou o logotipo do veado da Rich Energy como inválido, proíbindo a empresa de a usar no Reino Unido a partir de 18 de julho.

Mas esse não é o maior dos seus problemas. Na sentença, a Whyte Bikes exigiu à Rich Energy que revele as vendas totais da sua bebida quer no Reino Unido, quer no resto do mundo, para poder saber quanto é que teve de prejuízo e assim cobrá-los. Mas também saber quanto é que pagou à Haas para o seu acordo de patrocinio, que foi assinado esta primavera, com muita pompa e circunstância. 

"Quaisquer quantias de dinheiro investidas por terceiros em qualquer outra empresa ou entidade controlada pelo Segundo Réu [Rich Energy] em conexão com e/ou em conformidade com o patrocínio do Primeiro Réu da Equipa Haas F1;

"Detalhes completos de quaisquer somas de dinheiro pagas ou pagas à equipe Haas F1, de acordo com o patrocínio do Primeiro Réu da Equipe Haas F1, indicando em cada caso se tais somas foram pagas ou pagas pelo Primeiro Réu ou por qualquer outra entidade.", lê-se na sentença do caso.

A Rich Energy existe desde 2015, quando foi fundada por William Storey, e esteve essencialmente no Reino Unido. Apesar de Storey ter dito que tinha produzido mais de 90 milhões de latas, e um volume de negócios de quatro mil milhões de libras, esses números tem indo a ser contestados. Desde 2017 que Storey anda a tentar comprar uma equipa de Formula 1, ou patrocinar uma. Tentou a sua sorte na Williams, que recusou as suas propostas, e em meados de 2018, tentou adquirir a Force India, que então estava debaixo de ordem judicial, por cem milhões de libras, mas acabou por aceitar a proposta de Lawrence Stroll, que a rebatizou de Racing Point. No inicio de 2019, acabou por chegar a um acordo com a Haas para a patrocinar.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Procuradores de atenção, quem diabos são eles?

Esta semana que passou, entre Austin e a Cidade do México, anunciou-se um negócio do qual muitos ficaram... e não ficaram surpreendidos. A firma em questão queria entrar fortemente na Formula 1, mas o sítio no qual acabaram por fazer negócio foi inesperado.

Formalizando: A Haas F1 fechou um negócio com a Rich Energy. O valor é desconhecido, e fala-se que com este negócio, os carros serão desenhados e pintados de modo diferente em 2019. 

O problema deste negócio é que tudo isto não tem muito por onde se pegar. E o senhor que está por trás disto, William Storey, como disse acima, quer há muito entrar na Formula 1. E adora atenção.

Desde 2016 que se fala da Rich Energy e de Storey. Primeiro, que tinha fechado negócio multianual com a Formula 1 - que não resultou em nada. Depois, no inicio de 2018, queria comprar a Force India, chegando a oferecer 280 milhões de libras pela marca, em conjunto com alguns parceiros, mas quer o negócio, quer os parceiros, não avançaram. E em julho, quando a marca pediu proteção aos credores, a Rich Energy chegou a mostrar nas redes sociais um contrato assinado com a marca no sentido de injetar dinheiro na equipa. Lawrence Stroll comprou-a, apesar dos protestos deles. 

E quando no inicio do mês a Racing Point, substituta da Force Índia, disse que tinha pago as dividas antigas, incluindo as vindas de patrocinadores, não se viu nada vindo da Rich Energy.

Agora, ultimamente, parecia que tinha negociado com a Williams, antes de se virar para a Haas. Veremos no que irá dar, mas daquilo que se lê tem mais de "marca fantasma" do que algo com substância. E já houve  exemplos do passado, começando no final dos anos 70... na área do petróleo.

Em 1979, vivia-se o segundo choque petrolífero, seis anos depois do primeiro. David Thiemme, um americano radicado na Suíça, ganhava dinheiro com as transações bolsistas. Segundo ele contava, tinha ganho 70 milhões de dólares só nesse ano. Impressionava todos com a sua marca, a Essex, e impressionou o suficiente para convencer Colin Chapman, da Lotus. Chegou a meio de 1979, e a seguir, partilhou o muro das boxes com o fundador da Lotus ao longo de 1980. E pelo meio havia tanto dinheiro que, quando o modelo 81 foi apresentado, no Royal Albert Hall londrino, todo aquele aparato tinha custado um milhão de libras.

Então um dia, a Interpol o deteve quando chegou a Genebra devido a desvio de fundos. Ele tinha entrado em litígio com a Credit Suisse, o banco no qual tinha feito uma parceria. Ele foi libertado sem processo, inocente, mas o estrago estava feito. A Essex desapareceu de cena a meio de 1981, tão rapidamente como tinha entrado, e nunca mais se soube de Thiemme.

Nove anos depois, em 1989, entre as novas equipas na Formula 1 surgia a Onyx. A escuderia tinha nascido oito anos antes na mão de Mike Earle, que tinha montado na Formula 2 e desejava tentar a sua sorte mais acima com Riccardo Paletti como piloto, mas não deu. Somente em 1988 tentou de novo, graças a Bertrand Gachot, que tinha algum dinheiro no bolso. Só que o piloto belga tinha conhecido um compatriota seu, Jean-Pierre Van Rossem, então com 43 anos, que se movia na área financeira. Genial e excêntrico, alegava ter conseguido um programa de computador infalível, inventado por ele, que permitia dobrar os seus ganhos na bolsa. Chamou-o de "Moneytron" e duplicou o dinheiro que Gachot tinha no bolso para a Formula 1 - passou de dois para quatro milhões de dólares.

Só que Van Rossem adorou a ideia e as luzes da ribalta da Formula 1 e comprou a Onyx, com o objetivo de levar a sua adiante. Como é conhecido, a equipa fez alguns brilharetes em 1989 - o pódio de Stefan Johansson no Estoril foi um deles - mas no final do ano, e depois de muitas brigas - despediu Gachot por causa de... umas declarações à imprensa! - Van Rossem ficou sem dinheiro e foi-se embora. A Onyx, sem financiador, e com as contas a acumularem-se, vendeu para a Monteverdi e acabou a meio de 1990, sem gloria.

Quanto a Van Rossem, meteu-se na politica, chegando a ser deputado no parlamento belga. Mas tudo isso porque... queria fugir aos tribunais, devido a fraudes fiscais e financeiros. Lembram-se da Moneytron? Era mais um "Ponzi Scheme" do que algo palpável, e Van Rossem cumpriu pena de prisão efetiva. Mas ele anda por aí, sempre excêntrico e bombástico. 

É certo que as bebidas energéticas são as tabaqueiras dos nossos dias, mas a tática deles não é nova. Há vinte anos, duas marcas fizeram o mesmo: a Hype e a T-Minus. A primeira foi fundada em 1993 pelos donos da Planet Hollywood e quando apareceu nos flancos dos Williams de Damon Hill e Jacques Villeneuve, em 1996, muitos ficaram surpreendidos pela marca, e especialmente quando descobriram o modelo de negócio: primeiro falam muito, depois vendem a bebida. Aliás... é Hype, não é?

No final, a Hype Energy foi vendida no ano 2000 ao seu atual proprietário: o ex-piloto de Formula 1... Bertrand Gachot. Sim, é verdade! E hoje está nos flancos dos Force India, enquanto em termos de distribuição, é modesto, comparado com a Monster e a Red Bull. 

Quanto à T-Minus, foi um esquema do principe nigeriano Malik Ado Ibahim, que queria ter uma equipa de Formula 1. E tudo aconteceu no inicio de 1999, quando a Arrows recebeu uma proposta que envolvia um investimento de... 125 milhões de dólares, que lhes poderia dar motores competitivos e melhores pilotos. Claro, isso foi o suficiente para que Tom Walkinshaw lhe dar uma parte da equipa (30 por cento), enquanto convencia a firma Morgan Greenfell a ajudar na operação de aquisição.

O problema é que Malik parecia ser um "attention seeker", que gostava de publicidade. Como o nosso amigo da Rich Energy. E é aí que aparece a T-Minus, pois a bebida serviria para ganhar dinheiro. Mas primeiro tinha de ganhar nome para ganhar dinheiro. Estranho, hein? 

Claro que não iria dar certo. Pouco depois, Ibrahim desapareceu de cena, a T-Minus também e dinheiro... zero. o Joe Saward disse depois que essa operação valeu absolutamente nada. O resto da história é triste: a Arrows desapareceu a meio de 2002 e Walkinshaw saiu da vida e passou à história oito anos depois, na Austrália. E quanto a Malik, anda entre a Nigéria e os Estados Unidos, na industria energética... e com problemas na justiça. Em 2010 a justiça texana processou Malik devido a um desvio de 200 mil dólares na companhia The Bridge, especializada em energias renováveis.

A Formula 1 sempre foi um lugar onde estão imensas luzes da ribalta. E sempre existiu imensos "atention seekers" que, com uma fortuna nas mãos, conseguem convencer donos de equipa de que a injeção de dinheiro poderá ser a sua salvação. Em troca de mediatismo. Chamem David Thiemme, Jean-Pierre Van Rossem, Ibrar Abdo Malik ou agora, William Storey.  

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Rumor do Dia: Kubica pode correr em 2019

Robert Kubica pode correr em 2019 pela Williams, graças ao apoio de um patrocinador. Segundo conta hoje o site f1sport.it, a petrolifera polaca PKN Orlen poderá investir cerca de dez milhões de euros na Williams, fazendo que ele bata o russo Serguei Sirotkin para o segundo lugar da equipa, já que o primeiro pertence ao britânico George Russel.

Segundo fala o site, já aconteceu uma reunião entre o presidente da PKN Orlen, Daniel Obajtek e o piloto, e a firma confirmou isso através de um comunicado oficial de imprensa.

Já o piloto comentou sobre os rumores:

"Estou calmo, mas quero agradecer aos muitos fãs que estão perto de mim. Esperamos nos encontrar nas pistas no próximo ano, mas se não for assim, não vou perder o sorriso. Eu não sei o que vai acontecer, mas posso dizer que estou trabalhando nisso".

Kubica, de 33 anos, foi piloto entre 2006 e 2010 pela Sauber e Renault, antes de em fevereiro de 2011 ter sofrido um grave acidente durante o rali Ronda di Andora, em Itália, onde ficou com graves ferimentos no braço e perna direitas, fazendo com que passasse por um ano e meio de reabilitação. Depois esteve nos ralis entre 2014 e 2016, antes de em 2017 ter feito diversos testes, primeiro com a Renault, depois com a Williams, onde agora é piloto de testes, depois de ter perdido a chance de ser titular a favor do russo Sirotkin.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Como um patrocinador moldou a Formula 1 (segunda e última parte)

Na segunda parte da matéria sobre a Gold Leaf e como o seu patrocinio alterou a Formula 1 há meio século, fala-se sobre o poder da televisão e como a Imperial Tobacco conseguiu criar impacto na modalidade, mudando as coisas como eram antes, de um tempo onde as equipas ocnstruiam chassis para vender e ter dinheiro para completar uma temporada, para outro onde o fluxo de dinheiro era tal que começaram a alargar as suas equipas para serem as melhores, desde pagar a pilotos a contratar mecânicos, projetistas, bem como fazer testes, mudando o pelotão da Formula 1.

Para além disso, nesse final dos anos 60, a televisão já tinha poder, graças à publicidade. E com as corridas a serem transmitidas em direto pelos canais televisivos, especialmente na Grã-Bretanha, Europa e Estados Unidos, o impacto era enorme, muito além dos espectadores presentes na pista. E o dinheiro dado inicialmente pela Imperial Tobacco, cerca de cem mil libras em 1968, à Lotus, era uma soma bem grande na altura.

"Isso trouxe para a equipa uma garantia de renda para todo o ano", começou por dizer Hadfield, antigo executivo de Imperial Tobacco. "Então eles poderiam pagar os pilotos, provavelmente pagá-los tão bem ou melhor do que qualquer outra pessoa. [Antes], eles poderiam dizer à Shell que temos patrocínio suficiente para comprar combustível, mesmo com os pneus. É como ter uma grande conta bancária. Isso significa que você pode fazer coisas que você pode estar fazendo de qualquer maneira, mas colocar todo o processo sob algum tipo de tensão."

"Pagamos aos pilotos, ao Chapman, à equipa, ao camião, e isso deu a ele total liberdade financeira para fazer o que ele queria fazer. Para dar uma ideia dos custos, eu acho que quando estávamos a patrocinar a Fórmula 3, 2 e 1 com a Gold Leaf, gastávamos certamente não mais do que cem mil libras por ano, que eram migalhas", concluiu Hadfield

O filho de Colin Chapman, Clive, disse também que a chegada da Gold Leaf foi oportuna em termos de desenvolvimentos na tecnologia. "Os motores [tinham ficado] mais caros [com o] Ford Cosworth DFV a entrar no automobilismo. E a tecnologia estava a se desenvolver de maneira mais geral. Na Fórmula 1, se você tivesse mais dinheiro, poderia ir mais rápido, ter mais mecânica, melhor equipamento, mais testes. Foi outro elemento importante".

Contudo, com os patrocínios, vieram outras coisas como os eventos de relações públicas, que muitas das vezes pedia aos pilotos para aparecerem em eventos organizados por eles. Contudo, a Imperial Tobacco (Gold Leaf e a partir de 1972, a John Player Special), pouco ou nada fazia nesse campo.

"Nós raramente pedíamos aos pilotos que fizessem algo além de competir. Porque a ideia de levar Ronnie Peterson a um jantar dançante em Londres, onde poderia haver 60 ou 600 pessoas, você estaria convencendo 600 ou 60 - [e isso] não estamos interessados. Estamos interessados em convencer centenas de milhares de pessoas, através dos jornais e da TV. A John Player nunca se esforçou, ou manobrou, ou tentou ter pilotos britânicos em qualquer um dos seus carros, só estávamos interessados em ganhar. E ganhamos muito", disse Hadfied.

"E não tivemos absolutamente nada para fazer com a política. Se alguém dissesse 'você sabe que não deveria estar a fazer isso ou aquilo', respondíamos: 'não temos nada a ver, estamos apenas pagando pelos carros, fale com Colin Chapman'".

Os patrocínios, contudo, anunciaram uma mudança completa na maneira como a Lotus arranjava dinheiro para correr, como diz Clive Chapman. 

"Até então a Team Lotus havia se financiado principalmente vendendo carros a clientes num volume bastante grande para competirmos. O patrocínio da Gold Leaf foi o início da mudança [nesse tipo de] financiamento da equipa de fábrica. Gradualmente, nos quatro anos seguintes, a Team Lotus parou de fabricar carros para clientes e seu financiamento veio inteiramente dos patrocinadores. Ele cresceu ao longo do tempo, foi mais um fator [a ter em conta] quando foi criada a marca John Player Special, para ser promovida na Fórmula 1, que tinha uma abordagem conceitual muito mais ativa em termos de promoção e media, briefing packs e press releases e todo esse tipo de coisas".

"Eu acho que a Imperial Tobacco trouxe um nível de idéias e profissionalismo para esse aspecto que realmente não tinha sido relevante antes.", concluiu Chapman.

Em 1972, a Marlboro entrou em força na Formula 1, primeiro para patrocinar a BRM, antes de em 1974 ficar com a McLaren, numa parceria que durou por 22 anos, passando depois para a Ferrari, onde está agora. Com eles, veio um outro tipo de profissionalismo em termos de relações públicas, que colocou a Formula 1 no patamar atual. Quanto a Imperial Tobacco, tirando uma interrupção entre 1979 e a primeira metade de 81, foi fiel à Lotus até 1986, quando se retirou de cena e no seu lugar apareceu a R.J. Reynolds, dono da marca Camel, que ficou na equipa até ao final de 1990.

Hadfield, em jeito de balanço, orgulha-se do percurso que fizeram e o que foram capazes de trazer para a Formula 1, e como isso mudou para a posteridade.

"Mesmo antes da Marlboro, fomos os primeiros a competir na Fórmula 1 e demos a eles o que precisávamos, que era dinheiro para que eles pudessem contratar os melhores pilotos, os melhores designers, os melhores. No longo prazo, moldamos o automobilismo britânico - o que é muito, muito - para iniciá-lo no caminho certo. Nós realmente acendemos a indústria automobilística britânica e nos orgulhamos disso, fizemos acontecer."

"Já me falaram que na Mercedes eles têm uma folha de pagamento com mais de mil pessoas e tudo acontece no Reino Unido. Bem, nossa folha de pagamento [na altura] era de oito pessoas!

"Hoje [em dia] você ainda vê pessoas andando nos anoraks pretos e dourados, e eu tenho orgulho delas. Tenho muito orgulho do que o John Player fez. Nós conquistamos o mundo."

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Como um patrocinador moldou a Formula 1 (parte 1)

Há meio século, a Formula 1 vivia uma revolução. Em muitos aspectos, era o final de uma era quer em termos de pilotos, com o acidente mortal de Jim Clark - e alguns outros, como Mike Spence ou Jo Schlesser - quer em termos de carros, com a chegada dos apêndices aerodinâmicos. Mas o ano de 1968 também foi marcante na Formula 1 por causa de uma lei que aboliu as cores nacionais nos carros, e abrindo a porta aos patrocinadores. E hoje fala-se aqui sobre o primeiro grande patrocinador que chegou à Formula 1: a Imperial Tobacco, que detinha as marcas Gold Leaf e John Player Special, que iria fazer uma parceria com a Lotus durante quase duas décadas.

Os Lotus nos anos 60 eram carros verdes e amarelos. O verde era o "British Racing Green" britânico, com uma risca amarela que surgira em meados da década de 60 depois da marca ter visitado os Estados Unidos a visto as decorações dos carros da IndyCar da altura. E seriam esses riscos amarelos que os faziam distinguir de, por exemplo, do nariz laranja que os carros da BRM tinham. Contudo, no final de 1967, a CSI Comission Sportive Internationale, antepassada da FIA, decidiu levantar a proibição dos carros de terem publicidade que não a dos seus fornecedores - pneus, óleos e gasolina - para ver se as equipas arranjavam mais dinheiro para completar os seus orçamentos.

Até então, marcas como Ferrari, Honda e Lotus prosperavam e inovavam na Formula 1 porque tinham bolsos mais fundos. E isso era por uma razão: faziam carros de estrada. O volume de vendas que faziam sustentava as suas aventuras no automobilismo, e foi isso que a Ford investiu bastante para bater a Ferrari na Endurance (e em Le Mans) e investiu fundo na Cosworth para dar a Colin Chapman um motor V8 vencedor em 1967 e 68. E mesmo "garagistas" como a Brabham ganhavam dinheiro vendendo chassis para privados quer na Formula 1, quer nas categorias de acesso.

John Hadfield, então o representante da marca para a Formula 1, contou ao Autoclassics como é que o acordo aconteceu:

"Foi muito simples, na realidade", começou por dizer. "O então diretor-gerente Geoffrey Kent - que agora não está mais entre nós - decidiu que enquanto a maioria dos patrocinadores patrocinava coisas bem pequenas, queríamos fazer algo maior e melhor. E aconteceu de termos uma marca de cigarros - Gold Leaf - que era de bom gosto, cores bonitas, e decidimos usar o Colin Chapman", continuou.

"Nós andamos a escolher, e vou dizer quão ingénua a John Player foi. Eles olharam, de tudo [o que de movia] para a Ginetta! E eu disse 'por amor à Santa, vamos para o maior e melhor, a Lotus!' Então eles ligaram e disseram que sim e Geoffrey foi ter com o Colin Chapman. E o resto é história", concluiu.

Claro, Chapman estava receptivo. "Meu pai estava ciente do que havia sido alcançado por Parnell [Reg Parnell, dono de equipa no inicio da década de 60]", diz seu filho Clive. "Então, em Indianápolis, ele ficou mais consciente do patrocínio comercial e, em 1966, a Lotus passou do British Racing Green para o vermelho da STP", continuou.

Pequeno parêntisis para falar de Reg Parnell. Piloto nos anos 30 e inicio dos anos 50, tornou-se dono de equipa no final da década e montou a Yeoman Credit Racing, que tinha chassis Cooper e Lola e acolheu pilotos como John Surtees, antes de morrer em 1964, vítima de apendicite. Apesar de serem proibidos os patrocínios comerciais, ele arranjou maneira de dar a volta aos regulamentos, encomendando chassis a preparadores, por exemplo. O seu filho, Tim Parnell, cuidou da equipa por mais alguns anos até ir trabalhar para a BRM, que geriu entre os finais dos anos 60 e inicio dos anos 70.

"Colin Chapman, mesmo nesses dias, era - e eu não uso a palavra de forma leve - extremamente tacanho. Ele queria ganhar na Fórmula 1, qualquer outra coisa era quase uma irritação", continua Hadfeld.

O arranjo durante todo o tempo teve uma base simples. "Foi uma simples troca de cartas. Escrevemos para Colin no início do ano e dizer que gostaríamos de patrocinar a temporada, e ele escreveria de volta e citaria a um preço de partida do carro. Nós nunca tivemos, no sentido estrito do termo, um contrato com Colin Chapman - hoje temos advogados altamente qualificados com contratos de muitas páginas".

"Chapman disse-me 'a única vez que você usa um contrato é quando as coisas estão a dar errado'. Quando você coloca em cima da mesa e diz: "vá para a página três, parágrafo quatro". Se você está nesse estado, não deveria estar lá de qualquer maneira".

(continua amanhã)

sexta-feira, 20 de abril de 2018

A história de um piloto... que devolveu o dinheiro do seu patrocinador

Parece ser treta - e a fonte é um site que satiriza noticias de automobilismo - mas aparentemente... isto é real. Lembram-se Robert Doornbos? Se não se lembram, eu recordo-vos: piloto holandês - atualmente com 36 anos - que correu na Minardi em 2005 e na Red Bull no ano seguinte, para além de ter sido piloto de reserva da Jordan, correu também na CART em 2007, ao serviço da Minardi Team USA e na IndyCar dois anos depois, pela HWM Racing.

Pois bem... contado, ninguém acredita. A Muuermans, sua patrocinadora, decidiu processá-lo, afirmando que o dinheiro adiantado foi um empréstimo e não dado para a equipa. Esse dinheiro foi dado em 2003 para que pudesse ficar com a vaga de piloto de reserva na Jordan e depois na Red Bull Quando o piloto holandês saiu da Formula 1, Harry Muuermans quis o dinheiro de volta. Mas ele não deu e decidiu processá-lo em onze milhões de euros. 

Chegados aos tribunais, a decisão foi primeira favorável ao piloto, mas num tribunal supremo, as coisas inverteram-se, obrigando o piloto a pagar a soma pretendida. No final, ambos os lados chegaram a um acordo, não revelado publicamente. 

"Nós nos reunimos e rapidamente chegamos a um acordo justo em que ambos estamos satisfeitos", disse Doornbos à revista holandesa Quote. "Agora o caso está encerrado e nós podemos continuar com nossas vidas", concluiu.

Já agora, Doornbos é atualmente comentador para a Formula 1 na Ziggo Sports, enquanto dirige a Kiiroo, uma companhia especializada em... brinquedos sexuais.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Noticias: Martini vai sair da Williams no final da temporada


A Martini vai sair da Williams no final desta temporada. A Baccardi, a multinacional que detêm a marca italiana, fez o anuncio afirmando que o contrato expira no final desta temporada e que decidiram não o renovar. 

"Enquanto ambos gostaríamos de fazê-lo, o Grupo Bacardi contou-nos que eles se vão afastar completamente da Fórmula 1 quando nosso contrato expirar no final deste ano", contou Claire Williams. "Eles têm muitas marcas para apoiar e, obviamente, suas prioridades estratégicas evoluíram ao longo do tempo", continuou.

Para além das razões apontadas pela marca, o facto da Williams ter contratado dois pilotos abaixo dos 25 anos (Lance Stroll tem 19 anos e Serguei Sirotkin 23) também poderá ter levado à decisão da Martini de se ir embora da Formula 1, onde injetava cerca de 25 milhões de euros no orçamento da equipa de Grove.

Para a marca, que está na equipa desde 2014, com resultados mistos - nunca venceram qualquer corrida - o seu envolvimento no automobilismo tem mais de 40 anos. Começou em 1975 ao apoiar a Brabham, ficando por lá até 1978, altura em que passaram para a Lotus, permanecendo até ao final dessa temporada.

Depois disso estiveram a apoiar o programa desportivo da Lancia ao longo da década de 80, quer na Endurance, quer nos ralis, algo que continuou até 1992, onde conquistaram títulos, especialmente nos ralis, através do modelo Delta.

Após isso, e até 1996, a Martini apoiou a Alfa Romeo na sua passagem pelo DTM.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

As coisas que se ouvem vindas de Grove

Há um mês, o mundo da Formula 1 esperava pelo anuncio do regresso de Robert Kubica a um volante, neste caso, o da Williams. Contudo, depois de várias voltas no teste de Abu Dhabi, que parecia ser uma confirmação, as coisas ficaram subitamente caladas até ao inicio da semana, quando surgiu o rumor de que, provavelmente, o escolhido seria outro. E um piloto que até andou... pior do que Kubica naquele teste, mas que tem uma carteira mais pesada. Um pouco a mostrar que a equipa de Grove aceita qualquer dinheiro.

O anuncio poderá acontecer na sexta-feira, mas a fonte é interessante: a russa TASS. E isso poderá significar que Serguei Sirotkin é o escolhido, sendo assim o terceiro russo na Formula 1, depois de Vitaly Petrov e Daniil Kvyat. Esta decisão poderá ter a ver com o dinheiro que ele traz, vindo da SMP - 15 milhões de dólares, fala-se - que poderá invalidar algumas das condições vindas de outro patrocinador, a Martini. É que a firma de bebidas italiana investe 25 milhões de dólares por ano na equipa de Grove, e algumas das condições passam que tenha um piloto mais veterano na equipa, porque Lance Stroll é muito novo, tem apenas 19 anos. Sirotkin tem 22, logo seria "menor", mas para que isso tenha sido invalidado, os dinheiros russos tem de ser superiores aos que a Martini coloca. E o próprio Kubica também trazia dinheiro: oito milhões, vindos da Lotos polaca.

Com o piloto polaco a ficar de fora - provavelmente esta foi a sua última chance na Formula 1 - a alternativa poderá ser o DTM. A Mercedes recebeu uma proposta para acolher o piloto polaco, em substituição do canadiano Robert Wickens, que em 2018 irá correr para a IndyCar. Não seria nenhuma estreia, pois Kubica fez um teste em 2013 em Valencia, onde até andou bem, mas depois optou pelo WRC, onde correu por duas temporadas. Kubica, que agora tem como empresário o ex-piloto Nico Rosberg, está a fazer o possível para correr numa série competitiva em 2018, e provavelmente será por uma só temporada, porque como é público, a marca das trÊs pontas se afastará do DTM para se concentrar na Formula E.

E o mais interessante é que quem também poderia fazer companhia seria Pascal Wehrlein. Ele, que foi campeão da categoria em 2015, aos 21 anos (o mais novo de sempre), andou na Formula 1 nas duas últimas temporadas, mas que não terá lugar em 2018. 

Em suma, se todas estas especulações forem reais, pode-se dizer que na Williams, o dinheiro impera, em última análise. E que há uma aposta a longo prazo nas capacidades de Lance Stroll de ser um bom piloto na categoria máxima do automobilismo.

E quanto ao Kubica... creio que mostrou que é capaz de guiar um carro, até de guiar continuamente, a um ritmo que não envergonha ninguém. Mas é provável que fora superado por um piloto com um camião de dinheiro atrás, como Stroll.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Formula 1: Sauber apresenta patrocinador e confirma Leclerc

A Sauber apresentou esta manhã o desenho e as cores do seu carro para a próxima temporada, já com a Alfa Romeo como patrocinadora maior. Para além disso, a equipa confirmou o francês Charles Leclerc, campeão da Formula 2, como piloto principal, ao lado do sueco Marcus Ericsson. Para além disso, o italiano Antonio Giovanazzi será o terceiro piloto da marca em 2018. 

Na apresentação das novas cores, o presidente da Ferrari, Sergio Marchionne, acentuou a ideia de que a marca de Hinwill será uma espécie de "equipa B" da Scuderia. “A Alfa dará a oportunidade para dois jovens pilotos, como aconteceu no passado com dois campeões como Kimi Räikkönen e Felipe Massa, que estrearam com este time. Fico feliz em anunciar que teremos Charles Leclerc e Marcus Ericsson como pilotos oficiais”, começou por anunciar.

"O regresso da Alfa Romeo à Formula 1 é um evento histórico, um momento especial não só para nós, mas também para o nosso país, importante para a nossa marca, mas, acima de tudo, para todo o mundo da Formula 1. O passado e o futuro da Alfa Romeo se juntam nesta sala e nós estamos a comemorar por duas razões: a Alfa traz de volta à pista sua tradição gloriosa e devolvemos à Formula 1 uma marca que fez a história da categoria”, continuou.

O acordo com a Sauber é resultado de um relacionamento com uma equipa que sempre se ergueu e que sempre teve nos jovens uma atenção, como era o desejo de Peter Sauber. A Alfa será a patrocinadora principal da equipa e vai partilhar recursos técnicos, de engenharia e comerciais”, concluiu.

Em fevereiro será mostrado o novo chassis da marca, já com o "halo" a servir como protetor de cockpit.

terça-feira, 14 de março de 2017

As novas cores da Force India

A Force India tem novo patrocinador "master" e uma das suas condições era que pintasse o carro com as cores do patrocinador. O acordo foi feito e a equipa fez a sua parte, com o carro a sair de um prata/preto/laranja para um... rosa. A BWT é uma empresa de tratamento de águas residuais, e todos os carros que anda a patrocinar na DTM têm essa cor. Só que, como chegaram agora à Formula 1, é algo do qual todos começam a ser notados. E comentados.

Vijay Mallya, chefe de equipa e director da Sahara Force India, frisou a importância desta nova parceria, que substitui a Sahara: “A chegada da BWT à Formula 1 é uma grande notícia e representa uma das parcerias mais importantes dos nossos dez anos de história. A mudança das cores dos nossos monolugares é uma indicação da força desta nova parceria e uma declaração de intenções da BWT no início da sua relação com a Formula 1”.

É verdade que agora, o pelotão da Formula 1 fica mais colorido. Já tinha ficado menos cinzento quando a McLaren voltou ao "Papaya Orange", depois de mais de quatro décadas de ausência, e mesmo a Haas largou o seu cinzento-prata para um mais escuro... apesar de não deixar de ser cinzento.

Mas na história do automobilismo, o que não falta são carros cor de rosa. E não, não falo da Barbie. Falo de monstros, como por exemplo, o Porsche 917/20 "Pink Pig" que foi usado nas 24 Horas de Le Mans de 1971. O carro tinha um conceito interessante: era para ser usado com modificações aerodinâmicas cm vista a uma futura participação na Can-Am. Guiado por Reinhold Joest e Willi Kahusen (curiosamente, mais tarde, ambos construíram equipas com os seus próprios nomes...) onde andaram bem na corrida até que à sétima hora da prova, os travões do 917/20 falharam, com Joest ao volante...

Mas sobre cores, a única coisa que digo sobre isso é a mesma coisa que Enzo Ferrari costumava dizer dos carros: o que interessa é que ganhem, independentemente da cor, da aerodinâmica ou da beleza do bólido. E o próprio Commendatore provou mais do que uma vez que ganhava, mesmo quando os seus carros não estavam pintados de vermelho.