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segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Os bons resultados da FIA


Depois de anos com prejuízos, a Federação Internacional do Automobilismo (FIA) anunciou neste final de semana que os seus resultados operacionais para 2024 terão um grande aumento, chegando a um lucro de 2,2 milhões de euros, depois de em 2021 ter tido um défice de 24 milhões de euros. Na reunião que tiveram este final de semana no Ruanda, o órgão atribuiu esta melhoria nas contas devido à redução dos cistos operacionais, e um aumento de receitas e poupanças.  

A FIA observou que “a melhoria da situação operacional, confirmada durante as duas reuniões do Conselho Mundial em Kigali, mostra um regresso à rentabilidade, apesar de uma série de novas iniciativas.", começou por afirmar no comunicado oficial do organismo. "Esta reviravolta sublinha os progressos realizados no sentido de uma governação financeira sólida e da eficiência da federação. Foram introduzidas várias medidas para racionalizar os procedimentos contabilísticos e de apresentação de relatórios da FIA, a fim de criar um modelo financeiro sustentável. Esta conquista é o produto de uma ampla reforma da FIA introduzida pelo Presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem”, concluiu o órgão máximo do automobilismo, no seu comunicado oficial.

Da parte do seu presidente, Mohammed Ben Sulayem, este salientou que as melhorias se devem a reformas financeiras e de governação, incluindo estratégias de redução de custos e de receitas. Ele enfatizou a importância dessas mudanças para estabilizar as finanças da FIA e garantir a sustentabilidade a longo prazo para apoiar os clubes membros.

Esta conquista é o resultado do nosso compromisso de reforma da organização nas áreas da governação e das finanças. A nova direção da FIA herdou uma situação financeira que não era sustentável em 2022.", começou por afirmar. "Trabalhámos arduamente para reduzir um défice considerável e estabilizámos a saúde financeira global da federação. Implementámos medidas de contenção de custos e estratégias de geração de receitas para colocar a FIA numa base financeira mais sustentável, de modo a cumprir o nosso objetivo principal de apoiar os clubes membros”, concluiu.

O órgão máximo do automobilismo decidiu fazer em Kigali, a capital do Ruanda, a sua cerimónia oficial, numa altura em que esse pequeno país no centro de África se candidatou a receber uma corrida no calendário oficial da Formula 1 num futuro próximo, numa pista localizada numa área próxima do seu aeroporto internacional, situado a 40 quilómetros da capital.  

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Youtube Automotive Vídeo: A nova vida de Nico Rosberg

Retirado do automobilismo há oito anos, Nico Rosberg decidiu criar outra vida a partir do "nada", digamos assim. Decidiu construir uma firma de "venture capital", a Rosberg Ventures, e até agora conseguiu captar cerca de 100 milhões de dólares, com o objetivo de atrair os ricos europeus para as firmas de Sillicon Valley, nos Estados Unidos. 

A Forbes decidiu entrevistá-lo, para saber o que é a sua firma e saber um pouco o que é a sua nova vida pós-automobilismo.    

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Youtube Formula 1 Vídeo: Como as equipas fazem dinheiro

Em 2017, a Liberty Media comprou a Formula 1 à FOM, de Bernie Ecclestone, por cerca de oito mil milhões de dólares. Agora, mais de meia década depois, a avaliação financeira das 10 equipas do pelotão está nos 15 mil milhões, quase o dobro. Para mostrar que coisas como o "Drive to Survive", que deram maior visibilidade à competição, mais as corridas que estão a acontecer no território americano, ajudaram muito na sua valorização. 

Mas uma coisa que é pouco conhecida e do qual é como as equipas se financiam. Os patrocínios e as transferências da FOM são duas faces conhecidas, mas existem mais, algo do qual a CNBC mostra nesta reportagem que fez há uns tempos. 

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

As finanças da Formula 1


A Formula 1 é próspera e está saudável, apesar de tudo. Apesar de existir algumas restrições em termos de orçamentos de algumas equipas e como se combinam entre si - os Acordos da Concórdia, existentes desde 1982 e constantemente renovados - a Liberty Media é uma entidade pública, e está cotada na Bolsa de Nova Iorque. E por estes dias anunciou os resultados do terceiro trimestre. E são muito bons.

Apesar de ter havido o cancelamento do GP da Emilia Romagna, em maio, por causa das inundações em Imola, as receitas da Fórmula 1 subiram de 715 milhões de dólares para 887 milhões de dólares no terceiro trimestre de 2023, um aumento de 172 milhões, ou seja, 24 por cento em relação ao mesmo período de 2022. Em termos de quantia de dinheiro, as 10 equipas receberam em 2023 cerca de 432 milhões de dólares, uma subida face aos 370 milhões recebidas no ano anterior. Segundo consta no relatório, um dos fatores que contribuiu para o aumento dessas receitas foi a alocação de Grandes Prémios no calendário e o incremento das taxas por evento pagas pelos organizadores.

No lado dos custos, o relatório refere que, para além da inflação anual, as corridas fora da Europa e os referentes fretes, mais a promoção do GP de Las Vegas - feito pela própria FOM - e o lançamento da F1 Academy, a competição que acolherá as meninas-piloto, contribuíram para o aumento das despesas.

Quanto às receitas globais, estes estão em alta. Apesar dos resultados finais só serem divulgados no inicio de 2024, por causa dos oito Grandes Prémios que aconteceram no período de 12 semanas em 2023, contra os sete em 2022, as receitas anuais poderão passar de 2,57 mil milhões de euros para 2,8 mil milhões de euros. E com a chance de em 2024 termos 24 corridas, com os regressos da Emilia-Romagna (Imola) e da China, prevê-se que as receitas cheguem a valores superiores a três mil milhões de dólares. 

Ao mesmo tempo - ou por causa destes resultados - o banco americano Citigroup recomendou a compra das ações da Formula 1 (FWONK na Bolsa nova-iorquina) afirmando que a competição é estável e o crescimento anual de oito por cento ao ano é suficiente para este tipo de recomendação.

Quase ao mesmo tempo que estes resultados são divulgados, o Joe Saward, no seu blog, conta que estes resultados irão refletir-se nos das equipas. São lugares cobiçados, a todos querem ganhar o mais que podem... desde que se mantenham o fluxo das receitas. Há contenção nas despesas, as equipas estão a balançar-se, mas continuam muito dependentes do dinheiro da FOM, e ter mais uma equipa no seu seio ainda não é algo bem vindo, e isso se pode ver pela hostilidade que receberam a noticia da FIA da aprovação da Andretti para 2025. Mais uma equipa significa menos receitas, logo, a reputação de "Club Piranha" que os construtores tem em relação aos mais novos regressará. 

Para eles, preferem que as suas equipas sejam compradas que aparecerem novos concorrentes. A Alpine, por exemplo, rejeitou uma oferta de compra de 800 milhões de dólares neste verão, e fala-se que o Lawrence Stroll deseja que os sauditas comprem a sua equipa, para poder sair dali com imenso lucro e desobrigar o seu filho de correr por ali. 

Em resumo, a Formula 1 é popular, lucrativa e é um lugar cobiçado por tudo e todos. Mas os que estão por lá querem defender esse lugar com unhas e dentes. Ou seja, os forasteiros podem ver, até podem brincar, mas não com os seus brinquedos.  

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Noticias: FIA afirma que todas as equipas cumpriram limite orçamental


A FIA anunciou esta terça-feira que todas as equipas do pelotão da Formula 1 cumpriram integralmente o limite orçamental estabelecido entre eles. Isto surge depois de alguns rumores terem aparecido, afirmando que algumas delas se tinham excedido nesse limite, algo do qual a entidade máxima do automobilismo veio agora desmentir completamente. 

“[A] FIA confirma que a sua Administração para o Limite orçamental concluiu agora a análise da Documentação apresentada por cada Concorrente que participou no Campeonato Mundial de Fórmula 1 da FIA de 2022 relativamente ao Período de Relatório do Ano Completo de 2022 que terminou em 31 de dezembro de 2022. A Administração do Limite orçamental da FIA emitiu certificados de conformidade para todos os dez Concorrentes.", começa por se ler no comunicado oficial.

"A revisão foi um processo intensivo e minucioso, começando com uma análise detalhada da documentação apresentada pelos concorrentes. Além disso, houve uma extensa verificação de quaisquer atividades não-F1 realizadas pelas equipas, que incluiu várias visitas às instalações das equipas e procedimentos de auditoria cuidadosos para avaliar a conformidade com os Regulamentos Financeiros. Todos os Concorrentes atuaram sempre num espírito de boa-fé e cooperação ao longo de todo o processo.”, concluiu.

Recorde-se que a Red Bull excedeu em cerca de 10 por cento o limite para 2022, no qual foi penalizado com uma multa e sanções que passaram por menos tempo no túnel de vento para 2023, o que não impediu de se tornar na equipa dominante nesta temporada. 

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

WRC: Rali de Portugal com impacto económico recorde


O Rali de Portugal é um sucesso de público, uma das melhores provas de ralis, e o seu impacto é enorme, especialmente no mais importante nisto tudo: na economia. Segundo o estudo divulgado esta quinta-feira pelo Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação em Turismo (CiTUR) da Universidade do Algarve, que avalia anualmente o impacto económico do evento do Automóvel Club de Portugal, a prova que conta para o WRC gerou um impacto recorde na Economia nacional: mais de 153,7 milhões de euros, um aumento de 12,5 milhões face à edição de 2019. 

E a receita fiscal direta para o Estado foi superior a 18 milhões de euros, que o estudo afirma ser um “evento inigualável” no território nacional.

De acordo com o mesmo relatório, "A despesa direta gerada no rali, formada pelos gastos conjuntos de adeptos (residentes e visitantes), equipas e organização, ascendeu a 76 milhões de euros, mais 3,6 % do que em 2019. Deste valor, mais de 78 % (59,9 milhões de euros) foi gerado por adeptos não residentes, o que ilustra os fluxos turísticos de espectadores portugueses e estrangeiros originados pelo evento. Com efeitos na Balança Turística, mais de metade (54,4 %) da despesa direta teve origem em adeptos ou equipas não residentes em Portugal, cujos gastos em território nacional promovem receitas por incoming que, segundo o estudo, asseguram a realização de exportações no valor absoluto de 39.552.876 euros".

Cerca de um milhão de pessoas assistiu ao vivo, 273 mil dos quais viram do estrangeiro. E nesses, a média de estadia foi de três noites, e desses 86 por cento revelou ter vontade de regressar. Um indicador que, segundo o estudo da Universidade do Algarve, “deve ser tomado como exemplo no âmbito da promoção e animação em turismo em benefício das economias, populações e empresas”, relatou.

O relatório também esmiúça, em termos financeiros, que os valores económicos da projeção do evento e de Portugal através dos media, "a qual estima o valor monetário das notícias (AVE) difundidas pelos media nacionais e internacionais, totalizou 77.714.339 euros (quase 78 milhões de euros), entre canais de televisão, meios digitais, imprensa e rádio. O tempo total de transmissões televisivas da prova cresceu 18,7% face ao ano passado, colocando o Vodafone Rally de Portugal como um dos três eventos com maior cobertura televisiva do Campeonato do Mundo FIA (WRC)."

Tal permite concluir que, no conjunto dos impactos, o WRC Vodafone Rally de Portugal 2022 não só retoma como faz crescer as dinâmicas económicas existentes nas edições pré-pandemia COVID-19. Esta perspetiva agregada do contributo do WRC Vodafone Rally de Portugal para a economia do turismo nacional é de todo assinalável e acredita-se que inigualável por nenhum outro evento desportivo e/ou turístico regularmente organizado em território nacional”, conclui o estudo.

Desde o regresso do rali ao calendário do WRC, em 2007, o Vodafone Rally de Portugal já registou um retorno económico acumulado de 1.563,9 milhões de euros, numa perspetiva agregada. Em suma, todos ganham com esta competição nas nossas estradas.

Tudo indica que o Rali de Portugal de 2023 poderá ser entre os dias 11 e 14 de maio, de acordo com as últimas noticias sobre o calendário.

A bolha rebentou?


Desde que a Formula 1 passou a aceitar os patrocínios, em 1968, e a Lotus conseguiu a sua "sorte grande", com o apoio da Imperial Tobacco - 100 mil libras era um valor bem grande nesse ano! - a Formula 1 nunca deixou de precisar de dinheiro de outros lados para manter as suas equipas a flutuar perante os custos que sempre acrescentaram e alimentaram a competitividade. 

O tabaco foi, durante mais de 20 anos, o sangue que fez alimentar essas equipas. A Marlboro, através de gente como John Hogan, financiou equipas e pilotos, como a McLaren, Ferrari, Alfa Romeo e outras mais pequenas. Ela e a John Player Special, faziam parte da Imperial Tobacco, com esta última a apoiar a Lotus até 1986, quando trocou com a R.J. Reynolds, que tinha a marca Camel, que depois apoiou Tyrrell e Williams até 1993. E também a Rothmans, que depois de uma passagem fugaz pela March, apoiou a Williams de 1994 e 1997.

E nem se fala de outras marcas: a Embassy, para a Hill, ou o apoio crónico da Gitanes, a marca francesa que colou os seus adesivos na Ligier até à entrada da Lei Evian, em 1993, que proibiu a publicidade ao tabaco em eventos desportivos. No virar do século, as tabaqueiras "renderam-se" e foram embora, agora regressando com publicidades subliminares, como "Mission Winnow" que está na Ferrari, por exemplo.


Mas depois do tabaco, outras marcas, de outras áreas, apareceram, tentando preencher o vazio. Bancos, operadoras telefónicas, marcas de bebidas, financiadoras, todas tentaram a sua sorte, mas nunca ficaram por muito tempo. Agora, nestes tempos, surgiram as criptomoedas, fenómeno que apareceu no final da primeira década do século XXI, depois da crise de 2008, com o surgimento do Bitcoin, e depois de outras criptomoedas, como a Etherium e outras, que surgiram como cogumelos, mas dos quais tudo que é finança dita "séria" considera um "esquema Ponzi", mas mais elaborado.

Um pequeno parêntesis histórico: Ponzi era o nome de um charlatão italo-americano de Boston que, 80 anos antes de Bernie Madoff, enganou imensa gente com o seu esquema piramidal que caiu com estrondo em 1925, e do qual foi preso por muito tempo. 

Mas, charlatanice ou não, milhares de pessoas com capacidade para apostar nas cripromoedas enriqueceram com elas, e por causa do síndroma FOMO (Fear of Missing Out, em português, Medo de ficar de Fora), elas tiveram uma subida dramática. E bem ricas, as firmas criadas com essa febre das criptomoedas apostaram forte e feio na Formula 1. Falei sobre elas e os acordos bem gordos, no passado mês de fevereiro. Ainda por cima, em dois dias seguidos, pois no segundo, referi os 150 milhões que a Red Bull recebeu este ano, com o contrato que fez com a Bybit e a Tezos. 


E para terem uma ideia, o GP de Miami e a própria Formula 1 tem a crypto.com como patrocinadora. E apostaram pesado, cerca de 50 milhões de dólares... por ano. 

Então, porque falo agora das criptomoedas, menos de um ano depois? É porque a bolha pode ter rebentado.

Desde há umas semanas que os órgãos noticiosos financeiros falam da queda do preço das criptomoedas, ao ponto da crypto.com estar a rever os seus acordos de patrocínio. Para terem uma ideia, tinham feito um acordo com a Champions League no valor de... 495 milhões de euros para as cinco temporadas de validade desse contrato. Agora, esse acordo foi revisto, e eles receberão menos dinheiro nos anos seguintes, simplesmente porque não tem capacidade de receber nos valores que tinham atualmente. 

E esta terça-feira, a Binance comprou a FTX com desconto, por causa de uma "crise de liquidez", depois desta ter tido um saque - retirada de dinheiro - na ordem dos seis mil milhões de dólares - ou euros, que neste momento estão paralelos em termos de cotação. 

E o que tem a ver com a Formula 1? A FTX é uma parceira da Mercedes desde 2019, e teve de rever o seu acordo às pressas, incorporando a nova parceira. E se calhar, com contrato revisto. E se a um foi isso, imaginemos os outros, dependentes de uma "commodity" que é... virtual. E do qual a velha finança não tem confiança alguma.  Existirão cenas dos próximos capítulos, é certo e sabido.


Claro, a Formula 1 sobrevive a tudo isto. Agora com o teto orçamental implementado e as finanças escrutinadas fortemente, para evitar abusos - lembremos da Red Bull, que ultrapassou em pouco mais de cinco por cento e como consequência, foi penalizado com menos tempo no túnel de vento em 2023 - as equipas terão de procurar mais longe para terem os seus orçamentos mais equilibrados. E se calhar, quando o mercado estiver mais estabilizado, eles poderão regressar em força. 

Mas até lá, se calhar, os tempos de prosperidade podem ter acabado.    

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Youtube Formula 1 Video: Como é que a Formula 1 ganha dinheiro?

Como é que a Formula 1 faz dinheiro? É verdade que este assunto é do interesse de todos, e isso já foi explicado algumas vezes nestas bandas. Mas como nem todos estão presentes quando este assunto é falado, não é mau de todo que de vez em quando se volte a este assunto, até porque os valores por vezes se atualizam.

Assim sendo, na semana passada, o site WTF1 decidiu fazer um video pequeno sobre o esquema de dinheiro que circula para fazer este mundo rolar, e é bem interessante. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Youtube Motorsport Video: As decisões que a Formula 1 tem de corrigir

Toda a gente fala sobre as decisões que as equipas tem de fazer para que os novos regulamentos entrem em vigor em 2021, mas o mais importante é o de fazer com que algumas equipas abdiquem de alguns dos privilégios que Bernie Ecclestone lhes deu na última década, antes de passar as operações para a Liberty Media, como se fosse um presente envenenado.

Eis o video, feito pela Autosport britânica que fala sobre esses desafios.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Rumor do Dia: A Formula 1 estará à venda?

A Formula 1 poderá estar à venda. O rumor surgiu este final de semana, num blog na área financeira, onde se fala que a Liberty Meida poderá estar a analisar diversos cenários que vão desde uma saída pura e simples - ou seja, a venda por uma fração dos oito mil milhões de dólares que pagou à CVC Capital Partners e a Bernie Ecclestone - até à entrada de novos parceiros na tabela.

Segundo conta o sitio, as razões têm a ver com a perda de valor das ações na Bolsa de Nova Iorque - FWONK - o fracasso na aposta nas receitas no online e o decréscimo da audiência jovem, provavelmente a caminho da Formula E, estão a fazer repensar toda a estratégia. E com todos os cenários em cima da mesa, uma delas poderá ser a do regresso de Bernie Ecclestone, que poderá ter a chance de recuperar o controlo por uma fração do valor.

É uma chance plausível, apesar do britânico já ter 88 anos de idade. Não se ficaria admirado se virmos ele nos bastidores, torcendo pelo fracasso da competição nas mãos de Chase Carey e Sean Bratches. É que em temos de estratégia, parece que a aposta numa segunda prova em solo americano não tem tido sucesso, e as apostas na Ásia - Vietname e provavelmente Filipinas - só acontecerão a partir de 2020. Para além disso, as discussões sobre o regulamento da Formula 1 a partir de 2021, com a chance de um teto orçamental, estão a avançar entre soluços e dificilmente, os construtores desejam isso. E para além disso, também outras competições avançam rapidamente, como a Formula E, que já tem onze construtores, muito mais que a Formula 1 alguma vez teve.

Apesar disto tudo ser um rumor, considerem isto como as vozes ouvidas por um "insider" da área financeira - é o que isto é, basicamente - e como normalmente aquilo que se fala por ali muitas das vezes acaba por acontecer, poderá ser que durante este ano, poderá haver muitas movimentações na Formula 1. Começa a ser uma altura decisiva nos regulamentos e não só. E se Bernie voltar, poderá ser mais uma vitória do velho anão, e a ideia de que a Formula 1 é irreformável.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

No Nobres do Grid deste mês...

"Falar sobre finanças na Formula 1 não é fácil. Não é um assunto do qual muitos pretendem saber como a máquina funciona, como as equipas recebem as suas finanças, como permitem sobreviver e triunfar na categoria máxima do automobilismo. Para além disso, é complexo o esquema de distribuição do dinheiro que a Formula One Management recebe vindo de várias fontes, desde a publicidade até às receitas vindas das televisões e dos países que acolhem os circuitos, muitos deles vindos de estados.

Em muitos aspetos, esta opacidade sempre foi uma aposta de Bernie Ecclestone. Para ele, o que interessava era distribuir o dinheiro e ajudar a manter as equipas a seu gosto, especialmente a Ferrari. E claro, garantir a sua quota-parte, o que fez com que em 40 anos, se tornasse num homem muito rico. E a sua aversão à transparência tem algumas razões, uma delas é que muitas das vezes, a origem desses dinheiros é altamente duvidosa… (...)"

(...) A Formula 1 é muito lucrativa. Segundo números de 2014, as receitas andavam a rondar os 1700 milhões (ou 1,7 biliões) de dólares, com despesas a rondar os 500 milhões. Restavam 1,2 mil milhões (ou 1,2 biliões) que seriam distribuídos entre as equipas, a CVC Capital Partners e a Delta Topco, o fundo de investimento feito por Bernie Ecclestone. Só aí, eles tinham direito a 15 por cento dos lucros. Suficiente para manter a Brabham, se Ecclestone ainda a tivesse e quisesse…

Contudo, por estes dias, as coisas andam um pouco diferentes. Numa matéria do passado dia 12 de novembro, no site da Forbes, escrito pelo jornalista Chris Sylt (recomendo seguirem o Formula Money no Twitter), afirma que os novos donos tem tido dificuldades em arranjar novos patrocinadores e parceiros. Pior: vão fechar o ano com um prejuízo a rondar os 120 milhões de dólares. É quase o orçamento anual de uma equipa como a Force India, por exemplo. (...)

Como disse acima, falar de dinheiros na Formula 1 é complicado. E complexo e em muitos aspectos, é opaco. Há muita especulação, é verdade, sobre quanto é que se ganha, mas a distribuição dela está mostrada e hierarquizada. Contudo, uma parte desse dinheiro ia para o administrador, uma percentagem que era bastante grande para um agente, digamos assim.

O assunto era tão grande e complexo que dias depois de escreve este artigo, acabei por publicar outro por aqui, do qual deixo o link. Ler os dois é indispensável para entender como é que isto é feito e onde é que querem ir no futuro, quando o novo Acordo da Concórdia for negociado, e que entrará em vigor a partir de 2021. 

Tudo isto, e muito mais, falo neste mês no Nobres do Grid.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Sobre dinheiros e perdas operacionais

Nestes últimos dias, andava a escrever o meu artigo mensal para o site Nobres do Grid, e escolhi como tema os dinheiros da Formula 1. É um assunto do qual muitos não ficam muito tempo a ler, porque ler as contas é um exercício complicado para quem não entende de contabilidade ou de finanças. Porém, o assunto é tão importante que achei que deixei muita coisa de fora, logo, um artigo aqui para complementar não faz mal algum.

Primeiro que tudo: a Formula 1 ganha muito dinheiro. Em 2014, tinha receitas brutas a rondar os 1700 milhões de euros, com cerca de 500 milhões de despesas, e o resto era distribuído pelas equipas, com Bernie - através do seu fundo de investimento Delta Topco - a deter 15 por cento das receitas, além de, claro, a CVC Capital Partners, que ganhava muito dinheiro sem fazer muita coisa. Contudo, em setembro de 2016, a Liberty Media apareceu por aqui e adquiriu a Formula 1 por oito mil milhões de libras. O negócio foi completo no inicio do ano, e a CVC Capital Partners, bem como Bernie Ecclestone, foram à sua vida, com os bolsos bem cheios. E até foi bem a tempo, porque segundo se conta, a Formula 1 está a perder dinheiro. As perdas em 2017 chegaram aos 160 milhões de euros e as equipas, como seria natural, estão preocupadas.

Primeiro que tudo, a Liberety Media teve de fazer largos empréstimos aos bancos para poder pagar à CVC Capital Partners e a Bernie para que o negócio pudesse ser feito. Aliás, parece que a Liberty Media adquiriu a Delta Topco (o tal fundo que pertencia ao Bernie) por 3,3 mil milhões de dólares, e usou empréstimos bancários para efetuar a aquisição.

A segunda razão é que a Formula 1 é cara. Cara para os espectadores, que gastam mais de cem euros para ver um Grande Prémio - imaginem alguém a querer seguir a temporada inteira! - cara para os que seguem a Formula 1 como jornalistas - certo dia, o Joe Saward contou no seu blog que deveria gastar cerca de vinte mil euros por ano para andar a cobrir toda a temporada - e ao ver as contas das equipas, poderemos ver que o limiar de sobrevivência de uma equipa são cem milhões de euros por ano. Embora haja equipas que usam bem o dinheiro, como a Force India, que tem um orçamento de 150 milhões para ser quarta no campeonato de Construtores... 

Aliás, eu falo frequentemente nestas bandas sobre quanto é que as equipas ganham. Quando falo que, por exemplo, a Ferrari ganha cerca de cem milhões de euros ainda antes de fazer o seu primeiro parafuso do carro da temporada seguinte, só por ser... a Ferrari, muitos parecem que não acreditam nisso, por causa da opacidade destas contas. As pessoas não sabem que Ferrari, McLaren e Williams, por serem as equipas mais antigas do pelotão - a quarta classificada é a Sauber, que está na Formula 1 desde 1993 - recebem um extra para além do que recebem devido à sua classificação geral, e do qual apenas dez equipas é que recebem desse bolo. É por isso que as equipas mais pequenas, que entraram em 2010, não sobreviveram por muito tempo: sem entrarem no "top ten", excepto a Manor-Marussia, definharam e abandonaram devido às despesas incomportáveis.

E atenção: os "insiders" dizem que, por exemplo, o esquema que coloco aqui não mostra todas as finanças da Formula 1. Sabe-se lá a quantidade de clausulas escondidas, por exemplo...

Contudo, todo este dinheiro, todos estes métodos de obter receitas... isso tem consequências. Uma grande fonte de receitas são pagas pelos circuitos, que tem contratos cada vez mais caros e que aumentam de ano para ano. É por causa desses custos que sobem a cada temporada que passa que Silverstone decidiu "roer a corda" este ano, com duas temporadas de aviso, afirmando que em 2019, seria o último ano a receber o Grande Prémio, porque pura e simplesmente, receber a Formula 1 dá-lhes prejuízo. E claro, a Alemanha também abdicou de receber a Formula 1, e a Malásia decidiu que 2017 seria o último ano a receber a Formula 1.

Para piorar as coisas, a Liberty Media anda com dificuldades em arranjar novas receitas. Não tem um grande patrocinador, e também não tem conseguido arranjar novos "major sponsors", e isso é preocupante. Tão preocupante que o pessoal dentro da Formula 1 começa a falar sobre isso.

"O cerne do problema é outra coisa", disse Niki Lauda, diretor não-executivo da Mercedes. "Em face do crescimento dos custos em cerca de 70 milhões de euros de um ano para o outro, as receitas diminuíram. Mas onde queremos ir a partir daqui? Deveria haver ideias para gerar mais dinheiro, mas não as vejo", continuou.

"Se perdemos dinheiro, não ficaremos felizes, mas nosso modelo de receita na Formula 1 é baseado em um que o FOM está nos dando com base em seu próprio EBITDA [resultado bruto antes de impostos]. Então, se o seu EBITDA está abaixo, o que vamos conseguir é baixo. É assim que funciona", comentou Eric Boullier, o diretor desportivo da McLaren.

E sobre isso, Ross Brawn sabe que tem de mexer com pinças, porque a partir de 2018 terá de negociar um novo Pacto da Concórdia, que estará em vigor em 2021.

"Precisamos convencer as equipes de não jogar a água do banho fora com o bebé lá dentro", afirmou Brawn em Interlagos, quando referiu sobre sobre o desconforto causado na queda do prize-money.

"Há uma discussão maior sobre todo o lado comercial que precisa ser feito. Nós [recentemente] tivemos nossa primeira discussão sobre um sistema de controle de custos justo e sustentável para o futuro, de modo que também é parte disso. Precisamos garantir que todos nós crescemos sobre isso, e nós temos uma discussão comercial.

"Haverá discussões difíceis, mas temos o lado técnico da Formula 1 para tentar avançar. Temos o lado do controle de custo deste desporto para avançar. Nós temos o lado desportivo para avançar. Se estragarmos tudo porque estamos tendo esse debate sobre o lado comercial, somos tolos porque é isso que torna o nosso negócio melhor, mais sustentável", concluiu.

Fala-se que a Liberty Media ofereceu parcelas da estrutura accionista da Formula 1 às equipas, mas estas resolveram recusar a oferta - a Formula 1 (FWONK) está cotada na Bolsa de Nova Iorque - porque acham que é mais seguro receber pagamentos fixos, como tem acontecido até agora, do que receber uma percentagem da estrutura acionista, que como sabem, está sujeita e altos e baixos.

Para além disto tudo, por estes dias, o jornalista Chris Sylt escrevia para a Forbes de que há outras preocupações no horizonte. As autoridades britânicas (e francesas) andam a investigar o contrato atual do Acordo da Concórdia, para saber se existe algum indicio de corrupção. O pedido aconteceu recentemente, e até agora, as investigações não tem avançado muito - ou se preferirem, avançaram de forma muito discreta - mas pelo que se lê na imprensa britânica, há noticias de que esta pode ter chegado ao fim e que poderá haver acusações, pois eles tiverem acesso a um cópia confidencial do atual Acordo de Concordia. 

E ali pode-se ler, entre outras coisas, que a FIA poderá ter direito a um por cento das ações da Formula 1 por cinco milhões de libras. Uma bagatela, mas que na realidade, poderá advir um problema de conflito de interesses. E isso pode dar em crime. E se acontecer, há mais sarilhos que possamos imaginar, e claro, poderá afetar as negociações para novo Acordo, que deverão começar ano que vêm, pois terá de entrar em vigor no final de 2020. 

E nestas coisas, todos vão querer ter uma parte do bolo. Mas convêm que as contas estejam equilibradas, e aí entram vários fatores, desde o controle de custos até a uma maior transparência nos gastos. Se querem que a Formula 1 dure muito, mas muito tempo, é preciso que haja controlo e transparência, pois caso contrário, haverão nuvens ameaçadoras no horizonte.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A venda da Formula 1, vista pelo Joe Saward

A venda da Formula 1 à Liberty Media parece ser cada vez mais uma realidade, chegando ao ponto de alguns meios de comunicação especializados dizer esta segunda-feira que amanhã deverá cair o primeiro dos cheques dos cerca de 8,5 mil milhões de euros que irá valer a venda. E hoje há uma maneira de saber o "quando" e o "para quem" e que isso vai acontecer: basta ler o notebook de Joe Saward para o seu blog, onde ele diz das boas sobre Donald McKenzie, o representante da CVC Capital Partners que passeava no paddock, e que Saward o chama entre-linhas de arrogante.

E quando ele ouve do próprio que se vai embora dali, na grelha de Monza, a Ron Dennis, com Saward como testemunha, diz tudo...

Eis o excerto que vem hoje no seu blog e que o traduzi. Se querem ler na versão original, está por aqui.

"Vou admitir, logo de imediato, que eu nunca gostei do estilo de Donald Mackenzie. Eu não sou alguém que fique impressionado com dinheiro, poder ou aparência. Julgo as pessoas sobre a sua inteligência, a sua honestidade, suas boas maneiras e outras coisas à moda antiga. Armas de caça, galochas verdes e um Land Rover não tornam uma pessoa num aristocrata. Assim como um passe de imprensa não faz de você um mostrengo.

Estou certo de que Mackenzie deve espalhar charme em jantares com sua própria espécie, mas eu sempre achei-o arrogante, rude e desdenhoso, algo que apenas os novos-ricos podem ser. Sua atitude do estilo "bem, você não poderia entender" era um sinal muito claro que ele estava no topo de sua própria cadeia alimentar e, nas palavras de Shania Twain, "não me impressiona muito". E bom para ele ter talento em fazer dinheiro, mas eu não elogio o que ele fez para a Fórmula 1 e estou feliz para aplicar minha bota na parte de trás da calça de sarja para ajudá-lo na direção da porta marcada com o sinal de "uscita" (saída em italiano).

Eu estava conversando na grelha com Ron Dennis quando Mackenzie navegava por ali e se intrometeu na conversa e Ron, sabendo de que lado seu pão com manteiga é ligado, imediatamente respondeu com um grande sorriso. Eu já não existia. Eu era o homem invisível. Muitas pessoas são propensos a fazer isso e tem-se a opção de fazer observações sobre a educação, que sempre cria uma situação embaraçosa, ou pode-se retirar graciosamente uma vez que está provado que eles não vão mesmo dizer "desculpe-me". Mackenzie, infelizmente, perdeu claramente a classe sobre ter classe, mas ele estava tão convencido da minha invisibilidade que ele disse "esta é a minha última corrida" para Dennis. É rude para ouvir as conversas dos outros, mas se intrometer e deixar escapar as coisas quando você ainda faz parte da conversa, a culpa não é sua. Assim, tanto quanto eu estou preocupado, isto é um jogo justo. Portanto, Donald confirmou que a venda seja concluída.

Perfeito. Meu notebook lê: "Donald salta fora".

Então, adeus Sr. Mackenzie, ele está de volta ao lixo das empresas industriais peritas na alienação de património. Seus dias na Formula 1 acabaram. E, aqui, na terra do desporto, estamos regozijando. O dia do chacal é longo. Eu vejo todos os financiadores como inescrupulosos e gananciosos, e ele vê todos os jornalistas como sendo pessoas más. O Oriente é o Oriente e Ocidente é o Ocidente, e nunca se encontrão."

Agora, resta saber os planos dos novos donos da Formula 1, e se vão também comprar a parte que cabe a Bernie Ecclestone, que em conjunto - direta e indiretamente - detêm cerca de 17 por cento das acções da Formula 1. Em caso de compra - até pode nem ser agora - o titio Bernie pode dizer adeus à competição que o fez enriquecer. Alguns falam que isso até poderia acontecer agora, mas tenho as minhas dúvidas e até parte em contrário, eu creio que ele só sairá dali quando o Lucifér vier dos fundos da terra e dizer que a hora de organizar o Mundial de Formula 1 no Inferno já chegou...

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Formula 1 a caminho do acordo?

As noticias sobre a possibilidade dos direitos da Formula 1 - que pertencem à CVC Capital Partners - serem vendidos começa a ser bem real. Esta sexta-feira, surgiu uma noticia de que um acordo poderá estar prestes a ser alcançado. De acordo com o jornalista Mark Kleinman, da Sky, ele afirma que a Liberty Media, de John Malone, está prestes a chegar a um acordo com a CVC Capital Partners para ficar com a Formula 1. O preço? 8,5 mil milhões de dólares.

Os rumores sobre as negociações existem desde há mais de ano e meio e já teve as suas fases, tanto que quando Malone perdeu o interesse na Formula 1, decidiu comprar os direitos da Formula E por um valor não declarado. 

O mais interessante nesse acordo é que, caso este venha a acontecer, a Formula 1 iria ser listada na NASDAQ, o segundo índice bolsista de Nova Iorque, mais virado para a tecnologia. O que seria interessante, porque acordos anteriores - ou se preferirem, quando se pensou na ideia de colocar na Bolsa - a ideia era de ficar em lugares mais obscuros, como por exemplo, Singapura.

Kleiman fala que o papel de CEO da Formula 1 poderia ir para Chase Carey, um americano de 62 anos que está associado a Fox desde 1988, com passagens pela News Corp, de Rupert Murdoch. Aliás, Carey de quando em quando é falado como um possivel sucessor do próprio Murdoch, que tem mais ou menos a mesma idade de Bernie Ecclestone...

O que nos leva a pensar no seguinte: se o negócio for adiante, como é que vão reagir? Será que os novos donos vão ser como a CVC, que se limita a recolher os seus lucros e não interfere com o dia-a-dia da competição, ou terão outros planos nesse sentido? E será que Bernie Ecclestone terá uma palavra a dizer sobre todo este assunto? É sabido que caminha para os 86 anos e ele tem uma parte significativa do negócio, e claro, não sabemos se ele se esforçará para continuar no negócio ou vai gozar a reforma. E mais outra coisa: e as equipas? É certo que adoram agir como se fossem as donas do negócio, apesar de não o serem. Como reagirão se os eventuais novos donos terem ideias sobre o futuro?

Questões ainda sem resposta, neste momento. E claro, nada garante que este vá acontecer. O interesse público existe, agora vamos a ver como é que esta história irá acabar.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Noticias: Williams regressa aos lucros

Depois de dois anos de prejuízos, a Williams voltou aos lucros. Os resultados operacionais de 2015 foram hoje divulgados e mostram que a equipa de Grove teve um lucro de 200 mil libras, pouco comparado com os prejuízos superiores a 20 milhões de libras em 2014. Mas os resultados positivos foram a consequência de ter os motores Mercedes, que resultaram em duas temporadas no terceiro lugar do Mundial de construtores, que lhes deram receitas superiores a 125 milhões de libras nessas duas temporadas, quer por parte da FOM, quer por parte de patrocinadores como a Martini, a Hackett ou a Unilever.

Os nossos resultados financeiros representam uma grande melhoria, com forte crescimento de receita e um "cash flow" positivo. Nos últimos anos, temos reestruturado completamente o nosso negócio, e os nossos resultados refletem esse progresso significativo, tanto operacional como também financeiramente”, começou por comentar Mike O’Driscoll, o diretor-executivo da Williams.

Conseguimos dar sequência ao nosso ressurgimento na pista e equilibrar receitas e despesas, apesar dos enormes gastos neste desporto em termos financeiros. Nossa equipa de Formula 1 alcançou o terceiro lugar no Mundial de Construtores pela segunda temporada consecutiva em 2015, ilustrando uma mudança clara ao passo em que mostramos nossa competitividade desde que começamos a nos reestruturar”, continuou.

"A renda dos direitos comerciais é paga com um ano de atraso, e essas contas refletem nosso terceiro lugar no Mundial de Construtores de 2014. Nosso melhor desempenho na pista também alavancou nosso poderio no mercado de patrocínios, com grandes marcas como a Unilever, Avanade e Hackett se unindo à Williams Martini Racing durante este período”, concluiu.

Entretanto, noutro assunto, Claire Williams, filha de Frank e diretora da equipa, afirmou que a Formula 1 deveria distribuir melhor os seus dinheiros, esperando que a Ferrari recebe uma fatia menor dos seus proveitos que recebe agora por causa da sua antiguidade.

"Eu sou um firme crente de que este desporto deve ter plataformas equitativas para ser bem sucedido", começou por afirmar. "Temos tentado, muitas equipas têm tentado, para ter estas conversas, mas como o próprio Bernie afirma, todos nós assinaram este acordo, nestes termos. Nós não podemos fazer nada sobre isso, e ainda por cima, temos um monte de coisas para nos preocuparmos. Então, por que se preocupar com isto agora?"

"Temos que esperar pela nossa altura. Eu imagino que vamos começar a negociar novos termos bem antes de 2020. Espero uma revisão e redistribuição [de dinheiro] é algo que faz parte destas discussões. Eu não sei se isso é possível, pois esta é Formula 1, mas eu espero bem que sim", concluiu.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Vamos ou não vamos ter Renault na Formula 1?

Não se confunda com o título acima. É óbvio que temos a Renault na Formula 1, graças aos seus motores, que estão nos carros da Lotus, Red Bull e Toro Rosso. Mas a pergunta têm a ver com o regresso da marca do losango como construtora. E esse é o problema: é que isso já viu melhores dias. A razão? Parece que é uma briga entre Bernie Ecclestone e Carlos Ghosn.
Ao ler esta terça-feira dois insiders interessantes para seguir, o português Luis Vasconcelos e o britânico Joe Saward, podemos ler que as coisas andam um pouco mais complicadas do que há algumas semanas. Quem leu as noticias nos últimos dias, sabe que deveria ter havido um anuncio no fim de semana de Abu Dhabi, mas este, quando apareceu, foi que... não havia novidades para dar. Na realidade, até havia, só que as coisas complicaram, porque Ghosn fez algumas exigências de última hora, do qual a Genii Capital ficou um pouco atarantada. Tanto que Bernie veio a palco injetar mais dinheiro para a Lotus - aparentemente foi para cobrir as dívidas que a marca já têm - e veio até dizer que sem a Renault, a Lotus não sobreviveria para 2016.

Vasconcelos conta que Ecclestone e Lopez estiveram com um representante da marca francesa em Abu Dhabi ao longo do fim de semana, e depois de algumas reuniões, parece que há um principio de acordo, ou se preferirem, o ambiente estava mais descontraído no domingo.

"Segundo uma fonte muito bem posicionada na equipa, 'houve uma enorme aproximação entre aquilo que Ghosn pediu à última hora e o que Ecclestone estava disposto a dar à Renault e agora acreditamos que será apenas uma questão de dois ou três dias até termos um acordo completo. Como o contrato de venda da equipa já está mais que acertado e aprovado pela administração da Renault, mal o Ecclestone e o Ghosn se metam de acordo ficará tudo concluído.'", conta o jornalista na Autosport portuguesa.

Claro que a versão contada por Saward é mais... colorida. Aparentemente, tudo tem a ver com uma clausula de antiguidade que Ghosn pediu por causa da história da Renault na categoria máxima do automobilismo - o seu primeiro envolvimento é de 1977, onde introduziram o motor Turbo - só que no momento em que deveriam assinar, não assinaram, e Ghosn ficou furioso. Claro, ameaçou Bernie, Lopez e o resto dos interessados na Formula One Group que "podem enfiar o investimento da Renault na Formula 1 onde o sol não se vê". Em suma, mandou-os a aquela parte e claro, todos entraram em pânico.

E não só por causa da Lotus: a Red Bull ficaria sem motores logo de imediato, porque a marca também tiraria os motores da equação, e ver Lotus e Red Bull de fora seria uma machadada e tanto para a Formula 1, do qual Ecclestone e a CVC CApital Partners, entre outros, veria o seu ativo a desvalorizar-se abruptamente. E isso, ninguém quer.

Contudo, apesar do acordo estar quase pronto, o problema é que já não há muito tempo. É que o processo de falência da Lotus, em Enstone, ainda está presente em tribunal, e o período de graça que a Renault pediu terminará dentro de precisamente uma semana, a 7 de dezembro, e claro, caso eles não apareçam com o dinheiro, o negócio ruirá e a equipa desaparecerá. E caso fique, claro, a ideia é que tem de ficar na Formula 1 no mínimo até 2024.

Em suma, apesar destas noticias, só acreditaremos quando tudo estiver "preto no branco" e fizerem o anuncio oficial. Só falta isso.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

A estrutura da Formula 1

Já tinha visto isto há uns dias no blog do Joe Saward, mas só agora é que tive a oportunidade de ver melhor e colocar por aqui este esquema que vos mostre mais ou menos como funcionam e distribuem os dinheiros da Formula 1.

Apesar de ser um esquema bem claro e bem definido, não é um esquema dito "definitivo". Haverá sempre nuances, dado que os contratos existentes no automobilismo são dos mais opacos que existem. Clausulas secretas não deixarão de haver entre eles, logo, os valores são aproximados.

O mais interessante é saber que a Delta Topco, o famoso fundo onde faz parte a CVC Capital Partners e a Bambino Trust, o fundo pessoal de Bernie Ecclestone, recebem cerca de 650 milhões de dólares todos os anos. é cerca de um terço de todas as receitas que são provenientes da Formula 1, se pensarem na parte que vai para Ecclestone - fala-se em um terço - poderemos dizer que ele, só ele, terá no final do ano cerca de 75 milhões de dólares. É um homem muito rico.

Mas também poderemos ver como é que as equipas de topo recebem imenso dinheiro. A Ferrari recebe imenso dinheiro para estar lá, não só por direitos históricos, também por performance, e recebe de tantas formas que parece que ganhou um estatuto especial. A Red Bull, pelo que conseguiu entre 2010 e 2013, também recebe muito dinheiro, enquanto que a Mercedes recebe pouco, em comparação com o que receberá em 2015, por ter alcançado ambos os campeonatos.

Mas enfim, se quiserem ter uma ideia de como as coisas funcionam, está aqui. Não é total, mas está bem completo.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

As novas equipas na "luta de galos" na Formula 1

Fala-se desde o inicio do ano sobre a possibilidade da FIA aceitar uma equipa para a temporada de 2015, especialmente desde que no inicio de dezembro de 2013, a entidade que gere o automobilismo abriu um concurso para receber candidaturas para, ao que inicialmente se esperava, escolhessem um lugar. Contudo, esta terça-feira, parece que as vagas vão ser... duas. E há dois bons candidatos: o americano Gene Haas, uma das metades da equipa da NASCAR Stewart-Haas, e o projeto liderado por Colin Kolles, que já foi dono da Spyker e da HRT, e que poderá ter dinheiro romeno nisto. Fala-se também a Stefan GP, mas parece que a hipótese é fortemente descartada.

Em paralelo às candidaturas, Jean Todt, o presidente da FIA, está a querer convencer as equipas para que aceitem um tecto orçamental de 150 milhões de euros, para que evitem ficar na penúria ou com enormes prejuizos, como acontece com a Lotus-Renault, que têm prejuízos acumulados e vê algumas das suas melhores cabeças a voarem para a concorrência, uns porque são atraídos, outros porque são despedidos. E não se fala da Sauber, que no verão fico aflita de dinheiro, mas aparentemente este ficou resolvido, não com russos, mas com mais do México.

Ora, a história das duas novas equipas na Formula 1, aliado à história do teto salarial de 150 milhões - bem plausível para toda a gente no pelotão - pode não significar mais do que um episódio de uma guerra surda entre Ecclestone e Todt pelo controle do poder da Formula 1, e uma tentativa de recuperação da FIA de um poder que foi entregue pelo seu antecessor, Max Mosley, no final do século passado, graças ao famoso "acordo dos cem anos".

Vamos por partes: primeiro, a Formula 1 é lucrativa. Têm receitas brutas na ordem dos 1500 milhões de euros por ano, do qual existem cerca de 500 milhões de euros de despesas próprias. Bernie Ecclestone é mestre em conseguir sacar o dinheiro da maior fonte de receita, que são os pagamentos que os estados fazem para receber a categoria máxima do automobilismo. Daí esta emigração para a Ásia e Médio Oriente, pois países como o Bahrein, Singapura ou Coreia do Sul foram capazes de pagar os mais de 50/60 milhões de euros por ano que o anãozinho octogenário exige. Mas isso, como sabem, têm limites: em 2014, a Coreia do Sul e a India saltam fora do calendário, porque eles já viram que isso lhes dá mais prejuizo do que outra coisa.

Dos mil milhões de euros de lucro, metade vai para as equipas, que são distribuidas de dorma desproporcional - desde os 100 milhões para a Ferrari para os 10 milhões da Marussia - e a outra metade fica para os fundos de investimentos que são donos da categoria. A CVC Capital Partners é a principal, mas dentro dela, Bernie Ecclestone é o maior acionista, quer a título individual, quer através do seu fundo pessoal, a Bambino Trust. Chega a 15 por cento, o que podemos chegar à conclusão que ele recebe mais de 75 milhões de euros por ano. E claro, isso é muito dinheiro. Daí ele ter uma fortuna pessoal a rondar os quatro mil milhões de libras e ser um dos homens mais ricos da Grã-Bretanha.

Porque falo dele? Ora, na segunda-feira, o Humberto Corradi - sempre uma personagem bem informada - referiu que Ecclestone propôs uma solução radical às equipas e à FIA, para contrariar a proposta de Todt: oito equipas de três carros cada um. De uma certa maneira, era uma união das suas propostas com as reivindicações de Luca de Montezemolo, que há muito tempo defende a ideia dos três carros na grelha. Oito equipas com três carros são 24 bólidos, e com a FOM a distribuir dinheiro pelas dez equipas do pelotão, significaria mais dinheiro para eles, não tocando na parte de Ecclestone e claro, dos "hedge funds" como a CVC. Em suma, é a ideia do "clube privado" onde não entra ninguém. E como nesta altura de crise, como já contei atrás, Lotus e Sauber lutam pela sobrevivência, e Tony Fernandes, da Caterham, já disse que não quer colocar mais dinheiro na equipa durante muito mais tempo, podemos ver que Ecclestone não precisa de empurrar ninguém para fora...

Assim sendo, podem imaginar o que significa 13 equipas com o atual equilibrio de forças em termos financeiros. Caso Todt diga que a Stewart-Haas e a equipa que Colin Kolles está a montar sejam as mais adequadas, estará a esbarrar mais uma vez com Ecclestone, principalmente numa altura em que ele está em maus lençois nos tribunais alemães, com o "caso Gribowsky", cuja primeira sessão deverá começar algures em abril. E claro, convêm não esquecer que Ecclestone é um sujeito que vai a caminho do seu 84º aniversário natalicio...

Claro, temos de ver que neste momento, as coisas estão acertadas graças a um Acordo da Concórdia válido até 2020, e até lá, não deverá haver nada de especial nesse campo. Mas Todt joga com o tempo. Sabe que poucos - muito poucos mesmo - deverão acreditar que Bernie Ecclestone, esteja vivo em 2020, no alto dos seus 89 anos (só fará 90 a 28 de outubro, se chegar até lá vivo) - e logo, tenha condições de impor as suas regras contra os chefes de equipa e os promotores e Jean Todt, o presidente da FIA, que por essa altura, muito provavelmente, será reeleito como presidente por mais um mandato.  

De uma certa maneira, temos de olhar para isto como peças de xadrez de uma luta surda pelo poder e controlo da Formula 1, do qual ouvimos os seus recados ou desabafos algumas vezes pelos jornais. Mas vamos pensar nisto: com a situação como esta, o que prefeririam? Treze equipas com 150 milhões de euros de dinheiro para gastar como teto salarial ou oito equipas sem limites para gastar, correndo o risco de acabar com a galinha dos ovos de ouro? Tendemos a esquecer que muitas das vezes, a Formula 1 pode atrair construtores que desejam vencer mais carros à segunda-feira, mas também sonhadores que desejam vencer e aventureiros que desejam mostrar-se numa das melhores montras do mundo.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Noticias: Juan Pablo Montoya acusado de fraude fiscal

Juan Pablo Montoya poderá voltar à IndyCar em 2014, mas parece que o Fisco americano têm outros planos. Esta segunda-feira, soube-se que o piloto colombiano está a ser processado pelas autoridades tributárias em 2,7 milhões de dólares, por não ter pago multas e impostos referentes aos anos de 2007 e 2008, declarando muito menos do que recebe na realidade.

Segundo a revista Forbes, a acusação remonta a 2007, quando o piloto regressou aos Estados Unidos, para competir na NASCAR, depois de algumas temporadas na Europa, a correr na Formula 1 ao serviço da Williams e McLaren. Nessa altura, ele e a sua mulher declararam 2,4 milhões de dólares, quando na realidade tiveram rendimentos na ordem dos 9,5 milhões. Tudo porque na altura, a sua imagem era gerida por uma firma com sede nas Bahamas, a JPM Motorsport, e nesse ano, essa imagem foi "vendida" para uma firma do Delaware, a Monty Motorsport, onde existe uma maior flexibilidade fiscal. Uma "venda" que foi feita pelo valor de 15 milhões de dólares, do qual pediu deduções no valor acima referido.

Para as autoridades tributárias americanas, essa medida tinha como objetivo tirar o dinheiro de um bolso para colocar no outro. “Servia para reivindicar de maneira imprópria deduções de amortização em valores intangíveis e criar base artificialmente para tais deduções”, apontou.

Contudo, apesar destas reclamações, o IRS ainda não entregou um processo contra Montoya em tribunal, e as autoridades poderão ter poucas provas de que o colombiano poderá ter de facto fugido aos impostos.

Já não é a primeira vez que pilotos da IndyCar têm problemas com as autoridades fiscais. Em 2009, o brasileiro Helio Castro Neves foi acusado de evasão de divisas e enfrentou uma longa batalha judicial, do qual acabou absolvido das acusações. E curiosamente, ambos serão companheiros de equipa na Penske em 2014.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A história das irregularidades das contas da FPAK

Ao ler hoje na Autosport portuguesa a noticia sobre a história da auditoria às contas da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK), fiquei espantado - para não dizer chocado - ao saber que a FPAK esteve prestes a perder o seu Estatuto de Útilidade Pública Desportiva por parte do Governo devido às suas irregularidades nas contas referentes a 2010 e 2011.

As pessoas podem ter questionado ao longo das semanas a razão pelo qual a Federação estar a demorar para marcar eleições após a morte súbita do seu presidente, Luiz Pinto de Freitas, no passado dia 9 de abril. A razão principal teve a ver com a auditoria que tinha sido pedida às contas da Federação no sentido de a apresentar numa Assembléia Geral, para depois se poder marcar eleições, que acontecerão, segundo diz o jornal, no inicio de julho. E ali, a auditoria descobriu indicios de irregularidades graves em termos de contas, do qual o principal - e quase unico - responsável é Luiz Pinto de Freitas.

Eis o que a matéria fala:

"Num documento a que o Autosport teve acesso, e que é assinado pelos membros da Mesa da Assembléia Geral - David Avelar (presidente, João Reis e José Machado - a demora deste procedimento foi justificada com a necessidade de ser apurada a real situação económica e financeira da FPAK (triénio 2010-2012) e para o qual foi pedida uma auditoria no final de 2012, que apenas nos últimos dias ficou pronta.

No comunicado pode ler-se que no relatório da dita auditoria 'são reportadas irregularidades que justificam e impôem a sua comunicação às autoridades competentes', mais precisamente a Procuradoria Geral da República e à Secretaria de Estado do Desporto e da Juventude 'para os efeitos que tiverem por convenientes'.

Dado este passo, e agora que a FPAK está em posição de paresentar as contas relativas a 2012, para que estas sejam votadas, a Assembléia Geral fica agendada para a terceira semana de junho - semana de 17 a 23, segundos conseguimos apurar. pois junho começa num sábado - sendo intenção que o ato eleitoral se realize na primeira semana de julho."

MÁ GESTÃO?

O relatório final da auditoria realizada pela sociedade de Revisores Oficiais de Contas Floriano Tocha, Paulo Chaves & Associaco realça que, no período visado, houve irregularidades na gestão da Federação, nomeadamente por parte do seu falecido presidente, pois numa das alineas das conclusões revela que 'foram efetuados levantamentos e compras no biénio 2010 e 2011 pelo presidente da Federação, sr. Luiz Freitas, no montante de 131.500 euros (89.000 euros em 2010 e 42.500 euros em 2011) sem justificação, ou seja, sem a existência de faturas ou outros documentos que corespondam ao fluxo de saída de meios financeiros'.

Entre diversos outros comentários, o relatório vinca esta tendência ao afirmar que 'analisando os movimentos de regularização efetuados registados ao longo do ano, detetamos registos sem suporte documental adequado que os justifiquem, e documentos que não são suficientemente esclarecedores, desta forma , demonstra-se que esta conta regista a saída de fluxos financeiros ou a ausência dos mesmos, e que o saldo em causa em nosso entender também deverá ser caracterizado da mesma forma que o explicitado  nos parágrafos anteriores, ou seja, deve ser considerado a favor de Luiz Pinto de Freitas'.

Por outro lado, o relatório explicita que 'as transferências bancárias eram executadas também segundos instruções do mesmo (ndr: Luiz Pinto de Freitas). O documento salvaguarda ainda a posição ou gastos de outros dirigentes, pois a estes não eram atribuidos quaisquer cartões ou meios de pagamento, esclarecendo que 'os restantes membros da direção não tinham capacidade para movimentar as contas bancárias e nem sequer tinham conhecimento das mesmas'.

Os auditores criticam alguns costumes levados a cabo pela FPAK no seu regular exercicio, fazendo mesmo algumas recomendações para o futuro: 'O trabalho desenvolvido permitiu-nos identificar alguns procedimentos internos instituidos, aos quais recomendamos que sejam alterados, tendo em vista obter um controlo interno mais rigoroso nos fluxos financeiros'".

Em suma, esta auditoria demonstrou que dentro da FPAK, Luiz Pinto de Freitas tinham um acesso total às contas da Federação, podendo fazer o que quiser com eles, numa falta total de transparência, até para os restantes membros da sua direção. Desconhece-se o destino e que utilidade teve esse dinheiro levantado, e muito provavelmente existirão muitas perguntas sem resposta, dado que o autor deste desvio já não existir mais.

Contudo, o facto desta auditoria ter sido pedida pela direção interina da Federação, poderá significar que ela mesma não saber (ou ter conhecimento) o que poderia aparecer por ali, e provavelmente o resultado ter surpreendido e chocado alguma gente. E as consequências podrão ser graves, pois a noticia de que a FPAK esteve perto de ser gravemente punida com a perda do Estatuto de Útilidade Desportiva (e respectivos benficios fiscais, entre outros), do qual o jornal refere, só sublinham a gravidade da situação.

Veremos agora as cenas dos próximos capitulos, pois afinal de contas, temos dois candidados oficiais à eleição, bem como a Assembléia Geral e respectivas eleições. E provavelmente, muita gente zangada, com muitas questões na cabeça.