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segunda-feira, 23 de julho de 2012

A ausência de Bernie e a traição de Tamara

Como eu suspeitava, Bernie Ecclestone não apareceu em Hockemheim neste fim de semana, muito provavelmente devido aos seus receios de ser interrogado pelas autoridades bávaras devido ao seu envolvimento com Gerhard Gribowsky, no caso em que ele afirma ter pago um suborno para ficar com os direitos televisivos da Formula 1 em 2002, mas que alegou ter feito sob chantagem.

Mas a Vanessa Ruiz, da Tazio, falou hoje que poderá ter havido outro motivo para que Ecclestone tivesse estado ausente. É uma uma das suas filhas, a Tamara, separou-se este fim de semana do seu namorado (ou marido, não ando por dentro destas cusquices sobre o seu estado civil) dez anos mais velho, Omar Khanyi, que o acusa de ser infiel. E uma das revelações que ela faz ao jornal "The Sun" é bombástica: "Não tínhamos sexo há mais de um ano"

Não é ela que quer posar nua na Playboy? 

Enfim, mais um problema que o velho papá terá de resolver.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A estranha admissão de culpa de Bernie Ecclestone

O "caso Gribowski" teve desenvolvimentos na semana que passou no Nurburgring, quando Bernie Ecclestone decidiu admitir que pagou cerca de 44 milhões de dólares ao banqueiro alemão Gerhard Gribowski no caso da falência da BayernLB, em 2009. Preso desde meados deste ano, quando foi descoberto mais de 50 milhões de dólares numa conta sua e do qual não deu explicações convincentes, a BayernLB foi o banco que ficou com os ativos da Kirch Media em 2002, quando esta entrou em falência. E esta detinha a SLEC, a firma que nessa altura lidava com os direitos televisivos da Formula 1.

No Autosport desta semana, o jornalista Luis Vasconcelos escreve o que Ecclestone disse às autoridades alemãs e porque é que decidiu assumir que fez tal pagamento. E também se fala sobre as expectativas que FIA e FOTA têm sobre este assunto, principalmente quando se aproxima a data para a discussão do novo Acordo de Concórdia, prevista para o ano que vêm.

ECCLESTONE ADMITE SUBORNO

Bernie Ecclestone está a ser investigado pelas autoridades alemãs e admitiu ter pago 44 milhões de dólares a Gerhard Gribowski, preso por suspeita de ter desviado fundos de um banco público.

Face às provas encontradas para incriminar Gribowski, que segundo o procurador de Munique, recebeu 44 milhões de dólares de Ecclestone para facilitar a revenda das ações que o Bayerische Landsbank detinha na SLEC - a empresa que detinha os direitos comerciais da F1 - era inevitável que Ecclestone enfrentasse algumas questões menos simpáticas na Alemanha. Talvez para antecipar e tentar esvaziar o impacto das noticias, Ecclestone admitiu abertamente aos jornalistas que lhe são mais próximos ter pago aquela quantia a Gribowski, mas adiantou de imediato que "nada tenho a temer, nem a esconder".

Segundo o patrão da F1, "foram os meus advogados que me aconselharam a pagar o dinheiro que ele me pedia, para evitar um longo processo judicial que eu iria ganhar, mas que iria custar muito mais dinheiro do que aquele que lhe paguei. Ele ameaçava dizer aos tribunais ingleses que eu era o proprietário do The Bambino Trust (ndr: de que a ex-mulher e as filhas seriam beneficiárias) e que estava a fugir aos impostos na Grã-Bretanha, o que não é verdade, porque não tenha nada a ver com aquele "trust". Mas os meus advogados explicaram-me que o processo iria demorar dois ou três anos e as despesas iriam superar o dinheiro que ele estava a pedir. É claro que na vida todos nós nos arrependemos de coisas que fazemos e não escondo que, sabendo o que sei hoje, teria feito as coisas doutra maneira, mas a vida é assim e há que olhar em frente."

Depois, garantiu que "o sistema judicial alemão é um pouco estranho para nós, britânicos, mas se o Gribowski está preso e eu já fui ouvido, a meu pedido, e não sou acusado de nada, é porque eles não tem provas para me incriminar. E não podem ter, porque não fiz nada de errado."

FIA E FOTA NA EXPECTATIVA

É claro que se em público ninguém quer falar sobre o assunto, até porque é a imagem da F1 que está em jogo, em privado quase toda a gente tem uma opinião sobre o que se vai passar. Segundo a generalidade dos observadores, Ecclestone já deve ter feito um acordo com as autoridades alemãs quando veio prestar declarações em abril, dando-lhes matéria suficiente para condenar Gribowski, contra a garantia de que não seria acusado de nada. E se o alemão admitir a sua culpa, quando se iniciar o julgamento do caso em tribunal, Ecclestone não será chamado a depôr, valendo o depoimento que já fez há três meses. E o mais provável é que seja isso mesmo que venha a acontecer, com Gribowski a ser condenado a uma pena mais leve do que se contestasse as acusações.

Por isso, a FIA e a FOTA estão à espera de desenvolvimentos, antes de decidirem o que fazer, pois o Acordo de Concórdia caduca no final do próximo ano e não querem comprometer-se com Ecclestone se este ainda estiver em apuros com a justiça alemã.

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MUDANÇAS NA FOTA

Preparando-se para ser mais interveniente no futuro, a FOTA está a preparar alterações na sua estrutura. Muitos assuntos foram tratados numa longuissima reunião que teve lugar na motorhome da Renault no sábado à tarde, depois de James Allison ter sido confirmado como substituto de Ross brawn à frente do Grupo de Trabalho Técnico daquela associação.

Mas com a vontade de ser um interlocutor decisivo para o futuro da F1, a FOTA quer alargar o papel de Secretário-Geral, que Simone Perillo abandona dentro de dois meses, tendo recebido a candidatura de John Howett, antigo dirigente da Toyota, que foi fundamental para a criação da associação. Apesar de não reunir consenso, Howett tem contactos suficientes com as organizações dos Grandes Prémios, com as diversas cadeias de televisão que transmitem a F1, com os construtores e com a FIA, que o podem tornar num elemento importante no confronto da FOTA com Ecclestone - o grande objetivo das equipas neste momento.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Noticias: Tribunal de Estrasburgo indefere recurso de Max Mosley

Uma das noticias do dia no automobilismo é basicamente... o regresso de um fantasma: Max Mosley. E tem a ver com o escândalo "BDSM" em que foi exposto pelo tablóide britânico "News of the World" em março de 2008, onde apareceu um vídeo dele no meio de uma orgia com quatro prostitutas de luxo, vestidas com uniformes nazis. Foi essa parte que caiu mal, especialmente sabendo toda a gente que ele é um dos filhos de Oswald Mosley, o mais conhecido fascista britânico.

Assim sendo, Max Mosley soube hoje que o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, em Estrasburgo, decidiu indeferir o caso contra o tablóide britânico, ele que tinha feito isso para restringir as atividades jornalísticas contra ele em particular, e as figuras públicas em geral, na parte de notificar antecipadamente as figuras públicas sobre noticias ou artigos danificadores de sua imagem, e possivelmente, impedir a sua publicação. Mosley já tinha ganho o caso nos tribunais britânicos, obrigando o News of The World a pagar uma indemnização de 76 mil euros, mas ele quis levar o caso mais longe... e viu essa pretensão ser-lhe recusada, quando os tribunais lhe disseram que "os meios de comunicação não têm a obrigação de advertir os indivíduos que publicarão uma informação sobre eles", delcarou o tribunal na sua nota.

Assim, o Tio Max - ou Mad Max, se preferirem - não conseguiu levar adiante na sua pretensão. E como tal decisão de Estrasburgo não é passível de recurso, agora vai ter de andar com vinte olhos para ver onde pisa. Pode ser um grande dia para a imprensa e para a democracia, mas para mim, também é mais um passo na direção para que qualquer dia os cidadãos "publicos" percam o direito a ter uma vida privada como os outros. Mas numa era "facebookiana", onde está essa fronteira? Certamente está esbatida, no mínimo.

Agora, se calhar o Tio Max terá de gastar dinheiro com a imprensa para que esta o deixe em paz...

terça-feira, 19 de abril de 2011

O muito dinheiro que custa para sustentar a Formula 1

Quem anda a seguir o assunto sobre o GP dos Estados Unidos e o circuito de Austin, agora rebatizado "Circuito das Americas", certamente deverá ficar preocupado com esta mais recente noticia. O senado do Texas decidiu esta semana bloquear um fundo de 25 milhões de dólares que serviriam para a construção do circuito nos arredores da cidade americana, dinheiro necessário para que provavelmente a construção do circuito pudesse continuar sem incidentes.

Um dos deputados que votou contra o pacote de ajuda, o senador Dan Patrick, justificou na imprensa local as razões desse veto: "Numa altura em que as pessoas estão nervosas com as suas escolas, empregos e cuidados de saúde, para nós, libertar 25 milhões de dólares para corridas de automóveis poderá fazer as pessoas questionar as nossas prioridades. Esses 25 milhões de dólares pagariam 500 salários de professores. Como podemos explicar que vamos gastar esse dinheiro em corridas?", concluiu.

Razões válidas, é certo, o que nos leva a pensar de novo na validade do modelo eclestoniano de organização. Numa altura em que se discute um novo Acordo de Concórdia e onde todos lutam por uma fatia maior do grande bolo (Ferrari, FIA e o resto da FOTA) e Bernie Ecclestone faz tudo para que não perca a sua posição dominante, mesmo com os problemas que tem por trás, como o caso Gerhard Gribowsky, os problemas de Austin surgem poucos dias depois de rumores sobre as obras do circuito de Deli, na India.

Para além dos atrasos nas obras, que fazem de novo pairar os fantasmas de Yeongnam, na Coreia do Sul, e da própria India, que viu em risco a realização dos Jogos da Commonwealth devido a atrasos nas obras, a corrupção é outro fantasma que paira sobre o circuito indiano. E numa altura em que Ecclestone prestou declarações ao Procurador Geral da Baviera sobre os 50 milhões de euros que deu a Gribowsky em 2003, como forma de "luvas" pela BayernLB ter cuidado dos fundos do Grupo Kirch quando esta abriu falência nesse ano, e que foram descobertos numa conta na Austria após a suspeita falência do banco BayernLB, em 2009, sem que Gribowsky tivesse declarado, ter outras sombras não devem fazer muito bem ao octogenário anãozinho tenebroso.

Apesar de poucos acreditarem que o caso Gribowsky expluda nas mãos de Ecclestone porque ou não fez nada de mal ou apagou muito bem as pistas - temos de pensar nas duas faces da moeda - só o fato de ser nomeado nisto, além das noticias das dificuldades que os organizadores têm para arranjar dinheiro para levar adiante os seus projetos, demonstra bem que esta Formula 1 atual, pelo dinheiro que movimenta, assenta num equilibrio delicado.

E como já vimos o que sessenta milhões de dólares a menos podem provocar, no caso do cancelamento do GP do Bahrein e as tentativas de o recolocar no calendário ainda este ano, pode-se ver até que caso nada mude, em menos de dois anos, as coisas podem tornar-se feias. Ecclestone não caminha para novo... e ele sabe que todos querem o seu quinhão.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O último post do ano e as prespectivas para 2010

E pronto... chegamos ao Dia de São Silvestre. Ou se perferirem, ao último dia de 2009, a primeira década do século XXI. Dentro de algumas horas, veremos os primeiros fogos de artificio na Nova Zelândia e Austrália, e depois veremos, vindo o nosso Leste, no sentido dos fusos horários, a inevitável marcha do relógio, apontando para as doze badaladas da meia noite. Nessa altura, vestidos de branco, abrimos o champanhe (Espumante, Cava ou Asti...) e comemos as doze passas, esperando nós que o ano que aí vem seja melhor do que o ano que passou.


Até foi um bom ano, no meio da crise. Tivemos... o quê? Um campeão inesperado, de uma equipa que no inicio do ano ninguém dava nada, um grande susto, uma tentativa de regresso frustrada (mas mais tarde corrigida, noutra equipa) alguns ingressos, um "regresso" e lutas interinas por várias razões, desde um sistema de pontos... ridiculo, até a um "combate dos Chefes" entre FIA e FOTA, que chegou ao ponto de ruptura. E tivemos escândalos na pista... ao retardador, e a consequente explusão dos prevaricadores. E a retirada de duas construtoras, com uma terceira a decidir a sua permanência, mas a um nivel reduzido.

Isto foi 2009. O ano que aí vêm prespectiva-se como atraente, no mínimo. Teremos pelo menos seis ou sete bons candidatos ao título, o regresso de Michael Schumacher, mas não a bordo de um Ferrari, como muitos esperavam. O seu destino vai ser a Mercedes, a mesma que dezoito anos e meio antes, pagou-lhe o lugar vago na Jordan para, numa pista onde nunca tinha corrido antes, surpreender meio mundo. Teremos o regresso dos nomes Mercedes e Lotus, teremos uma grelha alargada a 26 carros e um calendário de 19 pistas, cada vez mais dirigidas para o Médio e Próximo Oriente... mas teremos o regresso do Canadá. Ao menos isso!

Estas são as prespectivas que veremos na Formula 1. Noutras categorias, o panorama também vai ser diferente: o ingresso de Kimi Raikonnen nos Ralies, a bordo de um Citroen C4 WRC vai ser um motivo de atracção e curiosidade, e decerto que a IRL e a Le Mans Series também vão ser motivos de interesse para todos nós, bem como o Rali Dakar, que arrancará no final da semana, em Buenos Aires para a sua voltinha na América do Sul, bem longe das suas origens africanas.

Perspectivas pessoais para 2010? Bom, como já disse, preparo a publicação do meu primeiro livro. Não é uma obra de ficção, é mais uma colectânea do que de melhor já escrevi aqui. De uma certa forma, é começar a ganhar dinheiro com isto, sem Google Adsense ou algo parecido. Se as coisas correrem bem, outros surgirão. Até uma obra de ficção, que claro, nada tem a ver com o automobilismo. Mas espero um dia ter força de vontade para escrever tal.

E 2010 também é um ano redondo por outra coisa, algo que, confesso, tem a minha atracção: será o 40º aniversário de uma temporada tão "horribilis" como o facto de este ano termos comemorado o 15º aniversário dos eventos de Imola. Ao longo do ano que aí vêm, falarei dos eventos que rodearam esse ano anormal, onde três pilotos encontraram a morte, um deles acabou coroado campeão do mundo.

E agora, ergo antecipadamente o meu copo de champanhe, desejando a todos vocês, amigos e vistantes deste blog, um excelente ano de 2010!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Eis uma hipótese interessante

Falamos bastante durante o dia de ontem sobre o "Crashgate" e aplaudimos (ou não) a sua sentença. Julgamos que sabemos a razão pela qual Flávio Briatore ordenou uma decisão tão pouco desportiva (para ser mais meigo) sobre Nelson Piquet Jr. e até alguns de nós acham que o ideal seria que todos fossem expulsos para sempre, Renault incluida. Mas hoje li uma hipótese não tão disparatada assim, a julgar pela zona do globo e pelo perfil de Briatore: que isto tudo foi uma combinação... vinda das casas de apostas asiáticas. Quem o defende é Domingos Piedade, actual presidente do Autódromo do Estoril e antigo manager de pilotos.


Falando na edição de hoje do jornal "Público", Domingos Piedade referiu que as duas unicas vitórias da Renault e de Fernando Alonso em 2008 foram em paises asiáticos (Singapura e Japão). Coincidência ou não, o piloto espanhol partiu em posições bem atrás na grelha, logo, uma vitória do espanhol em ambas as corridas seria improvável. A ideia de apostas na China ganha força, por serem lucrativas... e ilegais. Para além de serem combinadas e controladas pelas tríades chinesas, verdadeiros sindicatos do crime organizado. Se é verdadeiro ou não, desconheço. Mas o facto de hoje, a Premier League ter pedido detalhes da sentença da FIA sobre Flávio Briatore, para lançar a sua própria investigação, é sintomático de que podem haver suspeitas sobre um dos actuais proprietários do Queens Park Rangers. A ser provado, pode significar o banimento puro e simples do futebol.

António Vasconcelos Tavares, representante português na FIA, que participou ontem na reunião do Conselho Mundial, admite que a viciação de apostas é um cenário "possível", mas frisa que a investigação por parte da FIA se limitou "ao âmbito desportivo", vincando ainda que a comprovação do cenário da viciação de apostas "exigiria uma investigação judicial" - algo que, até ontem, não foi pedido, nem pela FIA nem pelas restantes equipas que participaram no Mundial de 2008.



Não ficaria nada admirado que este caso tenha mais capítulos, pelo menos no caso do Briatore. O passado dele comprova-o...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Noticias: Renault suspensa, Briatore banido!

A FIA decidiu esta manhã suspender a Renault da Formula 1 por dois anos, mas a sua pena fica em suspenso até 2011. Flávio Briatore foi banido da competição, enquanto que Pat Symmonds será impedido de trabalhar na Formula 1 durante cinco anos, até 2014.

A sentença do "Singaporegate" foi dura, especialmente para Briatore e Symmonds, enquanto que os pilotos Nelson Piquet Jr. e Fernando Alonso sairam ilibados, e os resultados da corrida não foram alterados, dado que já passou o prazo para que tal possa acontecer.

E assim terminou aquilo que foi provavelmente um dos maiores escândalos da Formula 1, onde um piloto foi obrigado a bater para fazer sair o Safety Car, em beneficio de outro piloto, nomeadamente o seu companheiro de equipa, que acabou por vencer o Grande Prémio. E as desconfianças daquele tempo se tornaram realidade no dia em que o piloto que foi obrigado a bater foi despedido da sua equipa. Claro, quando as comadres se zangam, as verdades vêm ao de cima... será que agora Nelson Piquet Jr. terá uma segunda oportunidade na Formula 1? Existem oito vagas em aberto na temporada de 2010, em principio.

Agora resta saber se a Renault vai cumprir integralmente com o Acordo da Concordia. Eventualmente sim, mas será que a mente de Carlos Ghosn, o presidente de Renault/Nissan estará virada para ali? Vejo-o a falar com mais entusiasmo na sua linha de carros electricos do que própriamente do futuro da marca na competição. E o sucessor do agora banido Flávio Briatore, quem será?

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A minha 5ª coluna desta semana

Esta semana decidi colocar de lado as minhas impressões sobre o fim de semana competitivo em Monza e resolvi falar sobre as movimentações de bastidores, nomeadamente a entrada de novas equipas, o novo comprador da Sauber e o "Renaultgate" e as devidas consequências. Como podem imaginar, não fui lá muito meiguinho com o que se passa... eis um excerto "ao calhas".


"Para os muitos que saudaram o regresso da Lotus às pistas, julgando que é a mesma de Colin Chapman, tirem o cavalinho da chuva. (...) A Lotus de 2010 é malaia e vai estar apoiada numa firma chamada Litespeed, que tem uma equipa na Formula 3 britânica. A sua fama é tal que a imprensa local os apelida de 'Shitspeed', dado que eles estão no final do pelotão. E quem este por detrás do projecto? Mike Gascoyne, o ex-tudo (Jordan, Tyrrell, Spyker, Force Índia) e que está agora a tentar ajudar no projecto. É verdade que tem tudo para reavivar o nome, incluindo os direitos, mas é uma Lotus malaia, logo, há muitas mais dúvidas do que certezas. E ainda por cima, os novos donos querem dar um “cunho malaio” no projecto. Ou seja… será que veremos o regresso às lides de Alex Yoong? Esperemos que não!"



Para ler tudo isto e muito mais, sigam estre link.

Noticias: Stewart acha que a Formula 1 bateu no fundo

O tricampeão do Mundo de Formula 1, Jackie Stewart, que esta semana revelou que foi muito pressionado no sentido de avançar uma candidatura própria para a presidência da FIA, afirmou hoje num artigo para o jornal "The Times" que a Formula 1 actual, com os recentes escândalos a abalarem a modalidade, como o Renaultgate e a mentira de Lewis Hamilton na Australia, está em perigo em termos de credibilidade.


"Há algo de muito podre no coração da Formula 1. Nunca vi a Formula 1 num modo de auto-destruição como agora. Milhões de adeptos por todo o mundo estão estarrecidos, se não mesmo nauseados, num desporto que vai de crise em crise com todos a culpar todos. Há muito nervosismo e medo no seio da equipas, e isso não é saudável. Por fim, não há respeito pela entidade que regula o desporto, e penso que é necessária um reforma de todas as estruturas de governação e gestão da Formula 1, quer seja em termos de regulamentos ou comercial. Caso não volte a haver uma liderança forte por parte da FIA há o sério risco dos patrocinadores saírem e o desporto ser seriamente afectado nos próximos anos.", referiu.


Esta tem sido uma temporada agitada no automobilismo. Para além dos escândalos acima referidos, a divisão entre a FOTA (a Associação de Construtores da Formula 1) e a FIA a respeito de certas polémicas vindas de Max Mosley, como um sistema de pontuação onde só contariam as vitórias, ou o abaixamento de tecto salarial para os 30 milhões de dólares, fizeram com que tenham chegado ao ponto quase de ruptura, com a possivel criação de um campeonato paralelo, situação resolvida com a saída de cena por parte de Max Mosley.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Oficial: Flávio Briatore e Pat Symmonds sairam da Renault

A Renault anunciou esta manhã, num curto comunicado, que Flávio Briatore e Pat Symmonds decidiram sair da equipa do losanglo, que após a divulgação do "Renaultgate", estavam sob fogo intenso.

No comunicado oficial da Renault pode ler-se também que a equipa não irá argumentar a sua defesa relativamente às acusações de ter ordenado o acidente de Nelson Piquet Jr. no GP de Singapura do ano passado: "A ING Renault F1 Team não vai argumentar em sua defesa relativamente às alegações feita pela FIA relativas ao GP de Singapura 2008. Queremos igualmente referir que o Director Geral, Flavio Briatore e o engenheiro Chefe, Pat Symonds, abandonaram a equipa. Até à audiência do Conselho Mundial em Paris, a 21 de Setembro, a equipa não fará qualquer outro comentário.", lê-se no comunicado.

Apesar de ainda não se saber as consequências deste acto, sabe-se que foi concedida imunidade a Piquet Jr. e a Pat Symmonds, no sentido de incriminar Briatore por ter tido a ideia de retirar de cena o piloto brasileiro, para colocar o Safety Car em pista e proporcionar a vitória de Fernando Alonso no primeiro Grande Prémio nocturno da história da Formula 1.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Zangam-se as comadres, dizem-se as verdades (parte II)

Depois de a Autosport inglesa ter revelado na passada quarta-feira que a conversa sobre o acidente proposital de Nelson Piquet Jr. em Singapura existiu, e do piloto ter feito um depoimento escrito à FIA corroborando essas afirmações, as últimas horas viram novos desenvolvimentos sobre o "Renaultgate".

Depois de Nelson Piquet Jr. ter dito num depoimento escrito à FIA que Pat Symmonds e Flávio Briatore terem pedido para que batesse no muro no sentido de ajudar Fernando Alonso a vencer o GP de Singapura, Flávio Briatore reagiu e alega que o assunto foi trazido à baila apenas como forma de chantagem para que aceitasse uma renovação do contrato ao piloto brasileiro com a sua equipa, e que isto teria consequências de ordem judicial.

Numa carta escrita a Nelson Piquet Sr., Briatore vai mais longe, quando afirma que "estou chocado pelas ameaças que fazem, e ultrajado pelo facto de poderem pensar que eu, para não mencionar o seu filho e outras pessoas na equipa Renault, pudessem participar numa estratégia que pode constituir ofensa criminal."


"Sou forçado a considerar que a sua ameaça constitui um caso de chantagem contra a Renault F1 e eu próprio, e embora não pretenda que este assunto ganhe proporções escusadas, estando preparado para o contextualizar numa situação de desapontamento e lamento pelos resultados do Nelsinho na Fórmula 1, que fique claro que se forem dados posteriores passos relativamente a esta chantagem, não terei alternativa que não passe por uma acção legal de difamação e falsas acusações.", concluiu Briatore.


Em consequência, depois de se reunir ontem à noite com Carlos Ghosn na sede da Renault em Paris, Flavio Briatore e a Renault iniciaram esta manhã procedimentos legais na justiça francesa e britânica contra Nelson Piquet Junior e Nelson Piquet Senior, na sequência do que o italiano apelida de 'chantagem'. Este caso não vai acabar no dia 21 na sede da FIA, isso já é uma certeza!


Esta tarde, Max Mosley veio a público afirmando que condena duramente este incidente e que caso isto seja provado, os envolvidos podem ser expulsos da categoria. "Se você olhar para qualquer outro desporto, se alguém faz resultados arranjados, geralmente é algo sério", disse, em declarações captadas pelo site brasileiro Tazio.


"Alterar é uma coisa pior do que enganar. Se você é um ciclista e usa drogas, isso é trapaça. Se você suborna outros ciclistas, ou alguém bate no meio do pelotão para que as bandeiras amarelas sejam acionadas, então isso é mais grave. Isso coloca em risco a vida humana, seja dos espectadores, dos fiscais ou dos controladores. Então é ainda mais grave. No momento em que falamos sobre isso, classificamos a Renault como culpada, mas nós não sabemos. Enquanto eles se defenderem, teremos que assumir que eles são inocentes", prosseguiu.


"Inicialmente, demos a eles até a última segunda-feira para nos trazer todos os documentos e, em seguida, eles pediram mais tempo. Nós então demos a eles até o meio da próxima semana. E não temos nenhuma idéia do que acontecerá. Mas, na natureza das coisas, há sempre dois lados de uma história."


"Bem, se isso for algo muito grande e eles forem culpados, é claro que é realmente muito grave. Mas estamos em uma situação, no momento, em que ouvimos um lado da história e estamos investigando da melhor forma possível. Agora esperamos ouvir o lado da Renault; só quando tivermos ouvido ambos os lados é que poderemos chegar a uma conclusão. Portanto, na maioria dos lugares, você supõe que alguém é inocente até que se prove que ele é culpado. E é essa a nossa situação neste momento.", concluiu.


Contudo, a grande revelação desta declaração é que Mosley garantiu imunidade a Piquet Jr. no "Renaultgate": "Não sei exatamente como foi formulado, mas dissemos a ele que se ele nos dissesse a verdade, então ele não seria perseguido individualmente. É exatamente o mesmo que fizemos com relação a Fernando Alonso [no caso de espionagem envolvendo McLaren e Ferrari, em 2007]", declarou.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Os detalhes surprrendentes do "Renaultgate"

As coisas andavam um pouco calmas por estes dias, mas toda a gente sabe que vem aí uma inquirição por parte da FIA à Renault pelos eventos de Singapura, em 2008, e à alegada batida proposital de Nelson Piquet Jr. no muro da boxe, e da consequente vitória de Fernando Alonso, seu companheiro de equipa naquela altura. Pois bem, a revista britânica Autosport publicou esta tarde na sua edição online detalhes surpreendentes sobre este caso. E a pintura borra cada vez mais. Para todos.


Os detalhes ficam a cargo do Becken Lima, do blog F1 Around, que analisou o artigo e tirou melhores conclusões do que eu. Com a palavra, Becken.

A Autosport acaba de publicar em seu site um bombástico artigo com informações exclusivas de mais um capítulo do Nelsinhogate. O artigo, escrito por Jonathan Noble e Michele Lostia, traz à tona mais detalhes da escabrosa história que a cada dia torna-se mais crível.

Segundo os dois jornalistas, o “briefing” pré-corrida acontecido no motorhome da Renault no domingo, pouco antes da corrida, é o fato chave por trás do acidente protagonizado por Nelsinho. Teria sido nessa reunião que Pat Symonds, diretor técnico da equipe, junto com Flavio Briatore, orientaram o brasileiro a bater o R28 na curva 17, entre as voltas 13 e 14, logo depois da parada nos boxes de Alonso, ocorrida na volta 12.

A matéria da Autosport garante também que:

- Symonds e Briatore confirmaram para a FIA a tal reunião, mas isentaram-se de culpa, sugerindo que a idéia teria partido do próprio Nelsinho.

- As acusações contra a Renault vieram à tona por parte de Nelson Piquet Pai, em contato direto com o presidente da FIA, Max Mosley, no dia 26, data da última corrida de Nelsinho pela Renault.

- No dia 30 de Julho, em Paris, Nelsinho deu o seu testemunhou pessoal dos eventos ocorridos em Cingapura/2008 para os comissários da prova, Alan Donelly e a companhia britânica responsável pela investigação paralela, a QUEST.

- Em seu artigo, a Autosport replica material da revista italiana Autosprint, que teve acesso à telemetria do carro de Nelsinho em Cingapura que revela que o brasileiro continuou acelerando na curva em que ocorreu o acidente.

- Briatore foi visto alegando ter sido estorcido pela família Piquet.

- Foi ouvido de Pat Symonds pelo paddock que “durante a reunião pré-corrida com Piquet, a questão sobre causar de forma deliberada a entrada do safety-car veio à tona, mas como proposta partida do próprio Nelsinho.”

O único comentário a se fazer para vocês, em vista do que a revista inglesa acaba de publicar, é que quando a Autosport tem informações e publica-as sem pestanejar, é muito improvável que ela esteja errada…

Agora pergunto eu: alguém quer adivinhar qual vai ser o desfecho da reunião do Conselho da FIA no próximo dia 21, e dos eventuais precedentes perigosos que este "Renaultgate" (ou Nelsinhogate) poderá largar na Formula 1? Uma coisa é certa: isto é uma senhora putaria!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Noticias: Conselho Mundial da FIA vai discutir "Renaultgate"

A FIA anunciou esta tarde que se irá reunir no próximo dia 21 de Setembro em Paris para discutir o "Renaultgate", para verificar se as suspeitas sobre um resultado combinado no GP de Singapura de 2008 são ou não verdadeiras. E a equipa Renault foi convocada para estar presente e deixar o seu testemunho sobre o caso.

O Conselho Mundial da FIA vai querer saber se a Renault violou o Artigo 151, alinea C do seu Regulamento, que afirma que qualquer conspiração em que prejudique um piloto de propósito, para fazer sair o Safety Car em beneficio de outro, será punido adequadamente. Esse tipo de punições pode ir desde uma reprimenda até ao mais radical: a exclusão. As investigações começaram desde há algum tempo, especialmente depois do despedimento de Nelson Piquet Jr. da Renault, no GP da Hungria, apesar da denuncia pública ter acontecido somente este Domingo, no GP da Belgica, em Spa-Francochamps.

Contudo, é certo que qualquer punição não irá afectar o desfecho do campeonato mundial de 2008, dado que Felipe Massa não pontuou nesse GP, enquanto que Lewis Hamilton conseguiu chegar ao fim na terceira posição.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Sobre o "Renaultgate", via Becken Lima

Becken Lima, mais um dos excelentes blogueiros da nossa área, sumarizou esta tarde em português um artigo escrito por outro excelente jornalista e blogueiro, o inglês Joe Saward, sobre o andamento das investigações acerca do acidente de Nelson Piquet Jr. no GP de Singapura de 2008. E verificou-se que as declarações de Reginaldo Leme tem algum fundo de verdade. E esse fundo é muito... contundente.


1 - Como Reginaldo Leme já havia adiantado em seu furo no domingo, o processo de investigação estava mais adiantado do que supunha-se e a FIA já havia coletado depoimentos de integrantes da equipe. Joe aponta que entre estes depoentes estão Pat Symonds, Fernando Alonso e Flavio Briatore;

2 - A companhia independente que está colhendo provas, dados e depoimentos, chama-se Quest, especializada em investigação corporativa e famosa pela atuação nas transferências da Liga de Futebol Inglesa há alguns anos atrás;

3 - A FIA terá acesso à telemetria e dados do carro de Nelsinho Piquet, como a angulação de volante e aceleração no momento do acidente, o que será comparado aos dados providos nas voltas anteriores — algo que poderia indicar se o carro rodou deliberadamente;

4 - As transmissões de rádio serão analisadas para verificar se há conversas fora de padrão e contexto em comparação com a sua estratégia na prova, estado do carro e posição na corrida;

5 - O contexto político e econômico da equipe, que sofria grande pressão para entregar resultados e justificar a sua existência aos executivos da fábrica na França, certamente será levando em conta;

6 - Joe lembra que mesmo que sejam encontradas evidências circunstancias, elas ainda podem ser o suficiente para que a FIA chegue à conclusões e imponha penas — como foi o caso da McLaren em 2007 com Stepneygate ou da própria Renault em 1994, com um sistema de largadas que a FIA jamais provou ter sido usado.

Não houve até agora qualquer manifestação formal da Renault sobre o caso. A única pista do que pensa a equipe é a alegação de Briatore — através de Bernie Ecclestone — de que nada sabia sobre a tal acusação.



É certo que isto pode não dar em nada, mas como podem ver, a FIA ouviu as suspeitas e levou-as muito a sério, em nome da reputação da competição. Depois do "Stephneygate" em 2007 e Max Mosley mais a sua orgia sadomasoquista, no ano passado, a FIA e a Formula 1 não se podem dar ao luxo de ser o palco de mais escândalos. E numa altura em que a Renault foi suspensa na Hungria devido à tal roda que se soltou, mais uma coisa destas significaria, para a marca francesa, que o melhor seria retirar-se pela porta pequena, deixando Briatore na mão. Isto é, se deixarem o Briatore continuar na categoria...

Já agora, qual é o vosso nome perferido para este escândalo: "Singaporegate", "Renaultgate", ou "Nelsinhogate"?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Noticias: nuvens negras sobre Valencia?

O presidente da Comunitat Valencia, Francesc Camps, está a ser investigado pelo juiz Baltazar Garzon acerca de suspeias de favorecimento a Alvaro Perez, no valor de 40 mil euros, para que este pudesse conseguir contratos lucrativos em eventos que deram nome à cidade, como o Taça América e o Grande Prémio. Perez está agora detido, e Camps é agora um forte suspeito.




Contudo, Camps, do Partido Popular, passou ao ataque, reclamando que estes processos são politicamente motivados, mas Garzon refuta essas acusações, afirmando que ele já não lida directamente com este processo. O próprio partido, a nivel nacional, já disse que apoia intransigentemente o seu membro, mas caso as acusações sejam provadas, promete ser uma grande nuvem negra sobre o GP de Valência. O azar de uns pode ser a sorte de outros?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Max Mosley pode ter encontrado o seu espião

O presidente da FIA, Max Mosley, afirmou hoje que tem "quase a certeza" que encontrou a pessoa que o denunciou ao tabloide inglês "News of the World", acerca da sua orgia nazi, divulgada há quase um ano atrás. E segundo ele, faz parte do universo da Formula 1.


"Sim, temos quase a certeza de quem foi. Mas não vou fazer ou dizer nada até ter certeza absoluta. Isso vai demorar um pouco mais", afirmou Mosley à Autosport inglesa. Acerca das motivações, o "Tio" Max não tem quaisquer dúvidas que o objectivo era o de fazer renunciar à presidência da entidade que preside há 18 anos. "Não foi feito por diversão. Foi feito para se livrarem de mim", afirmou.

Mosley disse também que caso se confirme que é um elemento activo, poderá não escapar a sanções. Mas que ainda é cedo para fazê-lo, pois está à espera do desfecho dos vários processos que tem em tribunais europeus contra o tabloide britânico. A ver vamos...

domingo, 21 de dezembro de 2008

The End: Walter Mark Felt (1913-2008)

Mark Felt, o homem que deu ao mundo os pormenores que ajudaram Bob Woodward e Carl Bernstein a escrever no Washington Post os detalhes do "caso Watergate", que levou à demissão de Richard Nixon, em 1974, morreu esta quinta-feira em Santa Rosa, na California, aos 95 anos de idade.


Felt nasceu a 17 de Agosto de 1913 como Walter Mark Falt, na cidade de Twin Falls (Idaho). Filho de um carpinteiro, graduou-se com um Bacharelato de Artes na Universidade de Idaho, em 1935. Sete anos depois, já em Washington, licenciou-se em Direito, e começou a trabalhar no gabinte de dois senadores do seu estado. Antes de entrar no FBI, em 1942, trabalhou na Comissão de Comércio, um trabalho que segundo as palavras do próprio, "detestou". No "Bureau", trabalhou na secção de espionagem da agência durante a II Guerra Mundial e depois percorreu outras secções, primeiro da Secção Atómica, onde escrutinou todos os trabalhadores da áera, procurando por espiões soviéticos (já se tinha entrado na era da Guerra Fria) e depois, em 1958, em Las Vegas, onde começou a investigar os tentáculos da Máfia no jogo.


Em 1962, volta a Washington, para o Departamento de Assuntos Interbnos, e em 1971, ascendeu a numero três do FBI, esperando ser o sucessor do mítico J.Edgar Hoover. Quando este morreu, em Abril de 1972, isto tinha acontecido apenas algumas semanas antes do famoso asslato ao edificio Watergate, onde estava instalada a sede do Partido Democrata.


Com a morte de Hoover, Felt esperava que Richard Nixon o nomeasse como sucessor. Mas o então presidente americano tinha outros planos, e decidiu que o melhor para o lugar seria Louis Patrick Gray (1916-2005), Felt foi o numero dois, encarregue da matéria operacional que recolhia e entregava ao presidente. Só que na noite de 17 de Junho de 1972, um guarda do Edificio Watergate, Frank Willis (1948-2000), descobre cinco ladrões no Edificio Watergate e chama a Policia.


De inicio, o FBI investiga o caso, a pedido do Presidente, mas Gray, que era um homem doente, delega poderes a Felt, que sendo o "numero 2", era o homem do terreno e o verdadeiro operacional da agência, e foi descobrindo as razões por detrás do assalto ao edificio. No inicio de 1973, Gray demite-se e Felt esperava que Nixon o pudesse nomear para o lugar, mas não o fez.


Entretanto, o "Washington Post", chefiado por Ben Bradlee, delegara dois jovens jornalistas, Bob Woodward e Carl Bernstein, para seguir a história do arrombamento dos escritórios do Partido Democrata. Inicialmente seria algo pouco interessante, mas quando se descobriu que os ladrões eram ex-operacionais da CIA (dois deles eram de origem cubana), e estavam com os bolsos cheios de notas, e um desses ladrões era E. Howard Hunt (1918-2007), que trabalhava no gabiente presidencial de Richard Nixon.


Cedo Felt descobriu que este assalto era mais uma manobra suja conduzida directamente por membros do "staff" presidencial, só que não sabia se era por ordem directa do Presidente Nixon. Mas à medida que as semanas passavam, e operacionais como Hunt, G. Gordon Liddy, Samuel Colson, Edward Haldermann, John Erlichmann, Ed Krogh e outros, contavam o esquema e revelavam o grau de importância que isto tinha, chegou-se à conclusão que o assalto teve orden directa de Nixon. Para mais, ele próprio gravava secretamente todas as conversas, o que lhe viria a ser fatal...


Felt descobriu que Woodward, um dos jornalistas do Washington Post, tinha sido ajudante de Thomas H. Moorer, o então Chefe das Forças Armadas, durante o seu tempo como oficial da Marinha, e achou por bem ajudá-lo a revelar os pormenores do escândalo. Aos poucos e poucos, trocaram correspondência em sítios esconsos como a garagem de um parque de estacionamento no centro de Washington, através de códigos secretos. Se Felt queria falar, marcava a vermelho a página 20 do New York Times que Woodward recebia em casa. Se fosse o contrário, seria Woodward que movia determinado vaso do seu lugar. Quanto ao nome da fonte, baptizaram-no com o nome do filme mais famoso de época: "Garganta Funda", o primeiro filme pornográfico de massas.


Com o tempo, o escândalo alcançou porporções enormes. Nixon, suspeitando que a fonte vinha do FBI, pediu a... Mark Felt para que investigasse a origem da fonte. Entretanto o Congresso tinha criado uma Comissão Conjunta do Senado, composta por Republicanos e Democratas, onde se contavam elementos como William Cohen (futuro Secretário da Defesa com Bill Clinton) ou Fred Thompson (futuro candidato presidencial e... actor de Hollywood). Todos os conselheiros foram chamados, e todos indicavam que o "senhor X" era Nixon. Estas audiências eram seguidas em directo por milhões de espectadores na televisão, ao longo de 1973, até à Primavera de 1974.


Quando se descobriu que Nixon fazia gravações da suas conversas na Sala Oval, a Comissão exigiu-as, mas o presidente fez finca-pé. Finalmente, em Abril de 1974, acedeu, mas quando descobriram que havia partes largamente deletadas (apagadas) que o comprometiam, a opinião pública começou a apoiar a ideia de destituição, ou então a de demissão do Presidente. A 2 de Agosto de 1974, a Comissão votou favoravelmente uma moção, recomendando que o Congresso apresentasse uma moção "to impeach", ou seja, para o demitir. Na noite de 8 de Agosto de 1974, num discurso à Nação, Richard Nixon demitia-se do cargo, o unico presidente que o fez até agora.


Quando isso aconteceu, Felt tinha saído do FBI um ano antes, e estava a braços com a Justiça devido a metodos ilegais para obter provas contra uma organização terrorista chamada "Weather Undeground", que tinha colocado bombas contra edificios publicos nessa altura. Felt tinha sido multado em cinco mil dólares em 1980, mas mais tarde foi perdoado pelo então presidente Ronald Reagan.


O caso Watergate deu um livro, "Os Homens do Presidente", que foi passado para filme em 1976, com Alan J. Pakula como realizador, e Dustin Hoffman e Robert Redford como Carl Berstein e Bob Woodward, enquanto que Hal Holbrook fazia o papel de "Garganta Profunda". Nessa altura, especulava-se quem era ele, e Woodward tinha jurado que só o ia revelar após a sua morte ou antes, caso o quisesse. Muitos nomes foram ditos, como Alexander Haig (mais tarde Secretário de Estado de Reagan), a jornalista Diane Sawyer, o Secretário de Imprensa de Nixon, Ron Ziegler (1939-2003), e o então director da CIA, William Colby entre outros nomes, incluindo o próprio Felt. Mas este negou-o durante anos, mesmo quando publicou a sua autobiografia.


Mas em Junho de 2005, um artigo da revista Vanity Fair revelou-o, então com 91 anos, velho e frágil, vivendo com a sua filha Joan em Santa Rosa, na California. Quando os jornalistas chegaram à sua casa, ele afirmou "Sou a pessoa que costumavam chamar de 'Garganta Funda'", revelando-se assim um dos segredos mais bem guardados do jornalismo do século XX. Woodward escreveu depois da revelação, as motivações pelo qual Felt decidiu ser a fonte: "Felt acreditava que estava protegendo a agência (FBI) ao encontrar uma maneira clandestina de vazar informações dos interrogatórios e arquivos do FBI para o público, a fim de construir uma pressão pública e política para que Nixon e sua equipa fossem responsabilizados. Ele só tinha desprezo pela Casa Branca de Nixon e seus esforços de manipular a agência por razões políticas".

Assim sendo, podemos acreditar que tirando as razões pessoais, o que Felt decidiu fazer foi pura e simplesmente o papel de bom americano. O seu legado será controverso, mas conseguiu o seu lugar num dos maiores escandalos politicos da segunda metade do séxulo XX. Ars lunga, vita brevis.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

"Jos the Boss" em sarilhos

Esta deve ter uns dias, mas ainda é actual. O holandês Jos Verstappen está em sarilhos, depois de ter comparecido em tribunal na passada segunda-feira na cidade de Tongrelen, no norte da Belgica. O ex-piloto de formula 1, que correu no ano passado na Le Mans Series, ao serviço da Porsche, alegadamente ameaçou a sua ex-mulher, Sophie Kumpen, Segundo a acusação, os pneus do carro de Sophie foram furados três vezes nos últimos meses, alegadamente por ordem do ex-marido.


A Acusação pediu que Verstappen fosse preso por oito meses, e o próprio piloto admitiu ao jornal holandês Volkskrant que a sua separação foi tumultuosa, mas que as acusações são um exagero. A sentença sairá a 5 de Janeiro.

"Jos the Boss" tem actualmente 36 anos, e correu na Formula 1 de 1994 a 2003, passando pela Benetton, Simtek, Arrows, Tyrrell, Stewart e Minardi. Disputou 106 Grandes Prémios, e o melhor que conseguiu foram dois terceiros lugares e um décimo lugar na sua temporada de estreia, em 1994. Foi também protagonista do mais espectacular incidente de box, quando o seu carro pegou fogo após um reabastecimento mal sucedido no circuito de Hockenheim.

sábado, 28 de junho de 2008

Tio Max, você foi avisado!

O jornal inglês "The Times" afirmou esta semana que Max Mosley foi avisado por Bernie Ecclestone que tinham sido contratadas pessoas para o desacreditar em Janeiro deste ano, dois meses antes de se ter tornado público pelo tabloide inglês "News of the World" o escândalo que se viu envolvido o Presidente da FIA.




Contudo, o jornal não disse quem o contactou, nem quem é que estaria interessado no afastamento de Mosley do cargo, mas a ideia de um membro influente de uma construtora não é de excluir...


Em paralelo, um consultor de "serviços de segurança" (leia-se, detective privado), Dean Attew, que trabalhou anteriormente com Ecclestone, também avisou Mosley nessa altura, ao referir que tinha sido contactado por pessoas que tentavam desalojá-lo do seu posto na presidência da FIA, mas o "Tio Max" não terá pensado que este caso poderia ir tão longe, e decidiu não agir em antecipação. Que pena...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Noticias: Mosley vai ao Mónaco... mas não como Presidente.

O presidente da FIA, o inglês Max Mosley, vai marcar presença no "Paddock" do Grande Prémio do Mónaco, no próximo fim de semana, mas somente a título particular, e não como presidente do organismo máximo do automobilismo mundial.


Mosley, que tem o seu lugar em perigo desde que foi revelado o escândalo com prostitutas pelo tabloide inglês "News of The World", no passado mês de Março, vai ao Mónaco, supostamente, para "tomar o pulso" sobre possiveis apoios à sua continuidade no cargo, na reunião do próximo dia 3 de Junho, em Paris. Mesmo assim, a sua presença pode ser incómoda, pois fala-se que será vigiado por "olheiros", com a função de avisar os chefes de equipa, no sentido de evitar cruzar com o dirigente agora caido em desgraça. Parece que tem a peste...


Oficialmente, o respresentante da FIA no Mónaco será Marco Pichinini, o vice-presidente da estrutura, que curiosamente, tem nacionalidade monegasca, e vai ser ele que estará nas cerimónias de entrega dos prémios e outros eventos que o organismo máximo faça no Mónaco.