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quinta-feira, 14 de julho de 2016

GP Memória - Grã-Bretanha 1996

Duas semanas depois de Damon Hill ter vencido em Magny-Cours, numa das corridas mais aborrecidas da história da Formula 1 - e com a Renault a ficar com as quatro primeiras posições - máquinas e pilotos atravessavam o canal e chegavam a Silverstone, palco do GP da Grã-Bretanha, numa altura em que os britânjcos estavam em delirio ao ver um dos seus a liderar o campeonato. Com Hill a comandar, e com a concorrência relativamente fraca, tudo indicava que ele poderia ser o claro favorito à vitória, e provavelmente poderiam ver um dominante triunfo para as cores britânicas.

No paddock, a história dos Forti parecia que não tinha fim: a Shannon parecia não estar a cumprir os seus objetivos e arrastava-se no final do pelotão. Luca Badoer e Andrea Montermini somente conseguiram tempos oito segundos mais lentos que a concorrência e ficaram de fora.    

No final da qualificação, não havia surpresas: os Williams levaram a melhor, com Hill a ser mais veloz do que Jacques Villeneuve. Michael Schumacher foi o terceiro, no seu Ferrari, seguido por Mika Hakkinen, no McLaren-Mercedes, enquanto que na terceira fila estava o Benetton de Jean Alesi e o Jordan de Rubens Barrichello. Gerhard Berger foi o sétimo, no segundo Benetton, seguido pelo segundo Jordan de Martin Brundle, enquanto que a fechar o "top ten" estavam o McLaren-Mercedes de David Coulthard e o segundo Ferrari de Eddie Irvine.

Ricardo Rosset falhou um controlo de peso e acabou por ver os seus tempos riscados, partindo do último lugar.

Debaixo de sol e calor, e num autódromo cheio para apoiar Damon Hill, Mas na partida, ele arrancou mal e fui superado por Villeneuve, que ficou com a liderança. Schumacher seguia-o, mas desistiu na terceira volta devido a um problema hidraulico. Duas voltas depois, Eddie Irvine também retiraria, este com um problema no seu diferencial. Tal como em França, os maiores rivais da Williams ficavam de fora logo nas primeiras voltas.

Na frente, Villeneuve abria enormemente para Alesi e Hakkinen, com Hill em quarto, com um carro um pouco mais pesado para poder aproveitar melhor a oportunidade de passar de dois para um reabastecimento, se fosse preciso. Mas mesmo mais potente do que o McLaren do finlandês, tinha dificuldade em o ultrapassar. Contudo, na volta 23, uma das rodas do seu Williams bloqueou na Copse e despistouse para a gravilha, causando o seu abandono.

Sem Hill, Villeneuve dominava, com Hakkinen e lutar com Alesi pelo segundo posto. Mas o francês começou a ter problemas de travões e foi apanhado por Berger, que o passou facilmente. O austriaco decidiu parar por uma vez e foi assim que conseguiu passar Hakkinen para ficar com o segundo posto, já que Alesi acabaria por desistir na volta 44.

No final, Villeneuve foi o grande vencedor, conseguindo a sua segunda vitória na temporada, seguido por Berger e Hakkinen, que conseguia o seu primeiro pódio do ano para a McLaren. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Jordan de Rubens Barrichello, o segundo McLaren de David Coulthard e o segundo Jordan de Martin Brundle.

domingo, 13 de março de 2016

A opinião pró-europeia de Jeremy Clarkson

O britânico Jeremy Clarkson, como sabem, é um orgulhoso inglês de tendência conservadora, e arranja sempre uma oportunidade para ser politicamente incorreto para muitas coisas. Mas ele, que é amigo de muitos membros do Partido Conservador - incluindo o primeiro-ministro David Cameron e o "mayor" de Londres, Boris Johnston - é assustadoramente europeu no assunto do momento nas Ilhas Britânicas: o referendo de junho, onde eles vão votar se querem ou não ficar na União Europeia, simplesmente para aplacar os eurocéticos, essa minoria ruidosa.

Na sua coluna do jornal Sunday Times, Clarkson decidiu apoiar o "sim" à União Europeia, afirmando a sua "eurofilia" no sentido de defender uns Estados Unidos da Europa, com um governo, uma moeda e um exército. "Suponho que agora seja um momento tão bom quanto qualquer outro para declarar a minha opinião. Eu estou como o homem que adora a sua mulher. Eu voto sim", revela o jornalista e apresentador de 55 anos.

No artigo de opinião, Clarkson afirma que caso a Grã-Bretanha fique de fora, a sua voz no mundo estaria extremamente diminuída: "Não é melhor ficar em casa e tentar fazer este maldito trabalho funcionar corretamente? Para criar uns Estados Unidos da Europa que funciona bem como os Estados Unidos da América? Com um exército, uma moeda e um conjunto unificador de valores?"

"A Grã-Bretanha, por si só, tem pouca influência no cenário mundial. Penso que estamos todos de acordo com isso. Mas a Europa se fosse bem gerida, bem pensada e tivesse boas políticas de coesão, seria uma tremenda força para o bem comum", continuou.

"Quando estou sentado numa gare de comboio em Bruxelas ou a passear pelos canais do sudoeste da França ou a viajar ao longo de uma auto-estrada, na Croácia, sinto-me muito mais em casa do que eu faço quando eu estou tentando conseguir algo para comer em Dallas ou Sacramento. Eu amo a Europa, e para mim isso é importante", concluiu.

A posição de Clarkson a favor da Europa e da União Europeia não é nova. E não se pode dizer que isso acontece só por causa das suas viagens constantes nos programas do Top Gear - perdem-se as vezes que andou por França, Itália, Alemanha, Holanda, Espanha - esteve no passado mês de novembro no Algarve para gravar alguns episódios para a nova série na Amazon Prime - mas também é por causa de ele acreditar na ideia da União Europeia. Nesse campo, é como Churchill. Mas também ele vê esta União Europeia como um ponto de sanidade entre a possibilidade de uma América governada por Donald Trump e uma Rússia com Vladimir Putin.

O referendo europeu - ou o "Brexit" - acontecerá a 23 de junho, e de acordo com as últimas sondagens, a maioria dos britânicos querem ficar na União Europeia.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Dailymotion Motoring Show (I): Os Carros do Povo, de James May


James May's Cars Of The People Episode 4 por keulimos
Em 2014, entre duas temporadas de Top Gear, James May fez uma mini-série de três episódios sobre os denominados "Carros do Povo", ou se preferirem, uma maneira de contar-nos sobre a história do automóvel, ao longo do século XX até à atualidade. E vimos coisas que iam desde os campeões, como o Ford T ou o Carocha (Fusca), passando por um improvável campeão, na forma do Lada Riva (a variante russa do Fiat 124).

Pois bem, este inverno vimos May a fazer uma segunda série, uma espécie de despedida da sua casa, a BBC, antes de ir ter com os outros "Cavaleiros do Apocalipse", para a Amazon TV e fazer o programa de televisão que faziam antes de Jeremy Clarkson se ter excedido. A segunda série dos "Carros do Povo" são mais três episódios que estiveram no ar entre o meio de janeiro e o meio de fevereiro de 2016. 

E este primeiro episódio parte de uma data em particular: 1945. O ano em que acabou a II Guerra Mundial, e em que Grã-Bretanha e Estados Unidos eram os vencedores, enquanto que a Alemanha e Japão eram os vencidos. Mas em menos de 30 anos, os papéis tinham-se invertido, não só na industria automobilística, mas em muitas mais coisas. E este episódio mostra-nos o porquê.

Sentem-se, vão buscar as pipocas e percam uma hora da vossa vida para verem isto. E ainda por cima, hoje é sábado.

E já agora, eu vi isto em primeiro lugar no sitio do Júlio Cesar Kronbauer.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Os sarilhos em que está metido Jeremy Clarkson e a "Top Gear"

Enquanto aguardamos mais uma temporada do "Top Gear" na BBC, as noticias sobre este assunto nos últimos tempos são todas menos boas. A mais recente polémica sobre a tirada racista de Jeremy Clarkson no especial da Birmânia, no inicio do ano, parece ter sido a "gota que transbordou o copo" que fez com que a própria BBC decidisse fazer uma investigação interna sobre as condutas dos apresentadores e da equipa técnica, segundo conta esta terça-feira o jornal inglês "The Guardian".

O jornal fala que a investigação está a decorrer desde o inicio de junho, e foi o resultado entre um compromisso entre Cohen e o diretor geral da BBC, Tony Hall. As conclusões foram entregues há poucos dias a Danny Cohen, o diretor da BBC para a área televisiva, e entre as pessoas que responderam ao inquérito foram, para além dos apresentadores, o produtor Andy Wilman. E entre as perguntas que foram feitas, as principais eram para saber se Clarkson usou deliberadamente expressões racistas não só no especial birmanês, como em programas anteriores.

Este relatório acontece depois da OfCom, o organismo britânico que regista as queixas dos espectadores por comportamento inadequado, ter dito que Clarkson violou as regras. E por causa disso, a própria BBC avisou especificamente de que caso voltasse a repetir a gracinha, seria sumariamente despedido. Aliás, era esse o desejo de Cohen, mas que foi impedido de o fazer por Tony Hall, que reconhece o impacto e a popularidade que o programa têm no canal televisivo.

Aliás, especula-se que foi por causa disso que a nova temporada do "Top Gear", que deveria ter entrado no ar este verão, foi adiado para mais tarde.

Estas são as mais recentes polémicas nos quais Clarkson, atualmente com 54 anos, esteve envolvido. Apresentador de longo curso do Top Gear (desde 1988) apareceu na nova encarnação do programa, que começou em 2002, ao lado de Richard Hammond e mais tarde, de James May. Uma das polémicas em que esteve envolvido foi em 2006, quando fizeram um especial sobre camiões de longo curso, afirmou que os camionistas eram "assassinos de prostitutas". Outras polémicas tiveram a ver com a danificação de propriedade privada (uma das vezes foi durante o teste de durabilidade do Toyota Hilux, onde embateram de propósito contra uma árvore) e o famoso anuncio do Volkswagen Sciroco, em que o carro faria "Berlim a Varsóvia num tanque", fazendo referência à invasão alemã de 1939.

Vamos a ver no que isto vai acabar, mas o pavio, para Clarkson, ficou agora demasiado curto.

sábado, 12 de julho de 2014

Formula 1 em Cartoons: Kimi em Silverstone (Riko Cartoon)

Como sabem, as coisas para Kimi Raikkonen não foram boas em Silverstone, mas ao menos teve algo para consolar...

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A imagem do dia

Esta vi no sitio do Humberto Corradi. E agora entendi o acidente do Kimi... claramente um excesso. Que poderia ter tido piores consequências.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Formula 1 em Cartoons - Grã-Bretanha (Riko Cartoon)

De facto, a batalha pelo quinto posto entre Fernando Alonso e Sebastian Vettel foi não só épica, mas também desagradável, devido às várias "queixinhas" que ambos fizeram um ao outro. Daí que o Frederico Ricciardi (Riko) tenha decidido fazer este desenho, com Gilles Villeneuve e Ayrton Senna a "assistir", gozados, à situação toda. 

Depois não admirem que os chame de "Principe das Asturias" e "O Kaiser de Vettelheim"...

Traduzido: "Foi uma luta épica, digna dos grandes... mas da próxima vez poupem-nos de toda a choraminguice que ouvimos pela rádio (please!)"

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Formula 1 em Cartoons - Grã-Bretanha (Pilotoons)

Como se costuma dizer: ninguém ganha para sempre e não há eternos perdedores. Para Lewis Hamilton, hoje, a sorte sorriu-lhe. E foi logo em casa!

Youtube Formula 1 Classic: Vettel vs Alonso visto na pista


Se nós em casa ouvíamos as queixinhas de Sebastian Vettel e de Fernando Alonso em relação a um e a outro, quem estava no circuito via, obviamente, uma coisa diferente. Via uma luta que arriscava a entrar na história da Formula 1, semelhante a aquilo que Nigel Mansell fez a Ayrton Senna em Barcelona, algures em 1991.

E o pessoal aplaudiu!

Vi isto no WTF1.co.uk

domingo, 6 de julho de 2014

Formula 1 2014 - Ronda 9, Grã-Bretanha (Corrida)

Depois dos eventos de ontem, o Grande Prémio da Grã-Bretanha tinha condimentos para ser uma excelente corrida. Sabendo que neste domingo, o tempo não iria ser um fator que atrapalhasse os pilotos e as suas estratégias, o que se queria saber era se Lewis Hamilton, na sua própria casa, conseguiria recuperar o atraso que tinha na grelha para Nico Rosberg, depois do erro que cometeu na qualificação, e mais ainda se os Williams e a Ferrari, vitimas ontem do tempo imprevisível em terras britânicas, iriam fazer a necessária recuperação para acabar em lugares mais condizentes com os seus carros.

Com tudo isso em mente, estavam mais cem mil pessoas numa Silverstone que, sendo diferente do que era antes, continua a ser um magneto e numa referência para o automobilismo britânico e mundial E claro, a chance de comemorar uma vitória britânica estava sempre na mente das pessoas. 

A corrida começou com os pilotos do fundo da grelha a tentar recuperar tempo perdido o mais depressa possivel, mas essa pressa teve consequências: Kimi Raikkonen perdeu o controle do seu carro, entrou na relva, voltou à pista e atingiu o carro de Felipe Massa. O finlandês acabou por bater forte no "guard-rail", danificando-o e obrigando a organização a interromper a corrida com bandeira vermelha. No final, Raikkonen foi transportado para o hospital, mas a Ferrari afirma que está em boa forma, apesar das mazelas na perna e no joelho direito. Massa nada sofreu, mas para a corrida 200 da sua carreira, este fim de semana foi infernal para o piloto brasileiro.

A corrida recomeça com Rosberg a ir embora de Jenson Button, seguido por Kevin Magnussen e Lewis Hamilton. O britânico conseguiu passar o dinamarquês na volta seguinte, enquanto que atrás, o Williams de Valtteri Bottas ganhava posições atrás de posições. No final da quarta volta, Hamilton passou Button para o segundo posto, mas tinha quatro segundos de atraso para o líder. Por essa altura, Bottas tinha passado Nico Hulkenberg e era... sexto! Outro dos que passou vários pilotos foi Fernando Alonso, que na sétima volta passou Daniel Ricciardo e estava na traseira de Nico Hulkenberg, no oitavo posto.

Contudo, o espanhol estava a ser investigado porque fez uma "asneirada" quando aquecia os seus pneus na grelha original, parando meio carro fora do lugar. A FIA decidiu investigar e concluiu que ele teria de ser penalizado.

Enquanto que na frente, os Mercedes estão na frente, a mais de vinte segundos da concorrência, no resto do pelotão, Valtteri Bottas conseguiu apanhar os McLaren e na volta 17, Bottas passou Button e ficou com terceiro posto. Mas dentro da luta com a Mercedes, Hamilton parecia fazer um "Mansell", tentando apanhar o piloto alemão, especialmente quando na volta 19, Rosberg filho foi trocar de pneus. Contudo, na saída, Rosberg avisou que tinha problemas com a sua caixa de velocidades, mas parece que isso não afetou o seu desempenho.

Entretanto, a luta mais interessante estava a acontecer pelo quarto posto entre Alonso e Button. Os dois veteranos da Formula 1 lutavam entre si e usavam todos os seus truques para ver se conseguiriam superar um ao outro. Na volta 26, Hamilton parou, mas a troca foi pior do que imaginava e perdeu tempo para Rosberg.

Mas na volta 30... tudo muda! Nico Rosberg perde velocidade com problemas na caixa de velocidades e Hamilton passou para a liderança. O piloto alemão tentou colocar a caixa a voltar a funcionar, mas não conseguiu. A desistência foi consumada, e com isto, Hamilton tinha uma chance de ouro para apanhar o seu companheiro de equipa para a liderança do campeonato.

Com o passar das voltas, Hamilton conseguia uma vantagem enorme sobre Valtteri Bottas, enquanto que atrás, Alonso passava Vettel por fora e ficava com o quarto posto. E a partir de agora, esta foi o grande motivo de atenção da corrida, não só porque aquilo que se passava na pista... com nas comunicações da rádio. Reclamando um do outro, o "Principe das Asturias" e o "Kaiser de Heppenheim" lutavam pelo quinto posto e pelo pelo título de "o maior queixinhas da Formula 1". Mas por fim, Vettel conseguiu o que queria e passou o piloto espanhol, com uma ultrapassagem digna de nome.

Mas no final, Lewis Hamilton venceu confortavelmente o GP da Grã-Bretanha, com uma enorme vantagem sobre o segundo classificado, o finlandês Valtteri Bottas. Para a Williams, este resultado "salvou" o fim de semana, onde tudo de mal aconteceu à equipa do Tio Frank e a sobrinha Claire. Daniel Ricciardo conseguiu aguentar a cavalgada final de Jenson Button (mesmo com pneus que tinha os colocado... na volta 16!) para ficar com o lugar mais baixo do pódio. E mais uma vez, na frente de Sebastian Vettel.

E no campeonato, os problemas de Nico Rosberg deram a Hamilton a aproximação que queria. Ele agora têm 161 pontos, menos cinco do que o piloto alemão, e isso provavelmente irá compensar imenso os problemas que teve nas corridas anteriores. O campeonato está relançado... quinze dias antes de chegar ao Grande Prémio da Alemanha.

Youtube Formula 1 Crash: O acidente de Raikkonen em Silverstone

Para quem não viu ou só viu uma vez, eis o video da batida de Kimi Raikkonen e de Felipe Massa, que levou a que o Gtrande Prémio britânico estivesse interrompido por cerca de uma hora. Kimi saiu do carro a coxear, mas está bem.

sábado, 5 de julho de 2014

Formula 1 2014 - Ronda 9, Grã-Bretanha (Qualificação)

A chegada da Formula 1 à Grã-Bretanha significa mais um clássico no calendário da categoria máxima do automobilismo. O circuito de Silverstone situa-se naquilo que os entendidos chamam de "Motorsport Valley", dado que a esmagadora maioria das equipas, sejam elas de Formula 1, Endurance, GT's, categorias de acesso, entre outras, têm a sua sede. E Silverstone, que desde há muito é gerida pelo BRDC (British Racing Drivers Club), comemora este ano um numero redondo: a corrida numero 50 de Formula 1 no seu circuito (e não os 50 anos do circuito, como alguns foram levados a crer).

Mais do que saber se a Mercedes irá manter o seu dominio nesta temporada, o mais interessante será saber se Lewis Hamilton irá reagir depois de duas corridas em que as coisas não saíram bem ao piloto britânico. Mais susceptível do que Nico Rosberg, ele sabia que tinha de marcar presença para manter a sua corrida para o bicampeonato, que este ano é basicamente "uma corrida a dois" no qual a Mercedes deixa-os lutar dentro de certos limites, mostrando ao resto do mundo que podem alcançar o campeonato de construtores sem ordens de equipa nem procissões.

O tempo neste sábado era... britânico. À partida, esperava-se que a chuva poderia fazer parte do jogo, dado que os meteorologistas previam cerca de 70 por cento na hora da qualificação. E com isso em mente, tudo poderia acontecer. E foi o que aconteceu: a sessão começou com pista húmida, mas com tendência para secar, e isso fez com que os pilotos trocassem para pneus secos, depois de uma passagem com intermédios. Mas a três minutos do final da Q1, uma fina carga de água apanhou algos pilotos desprevenidos, entre os quais, Fernando Alonso, Kimi Raikkonen, Adrian Sutil e os pilotos da Williams, Felipe Massa e Valtteri Bottas. O resultado final foi escandaloso: Williams e Ferrari faziam companhia à Caterham, de fora da Q1. E Adrian Sutil, mesmo passando para a Q2, tinha acabado a sua sessão na gravilha, vítima dos caprichos meteorológicos britânicos.

Na Q2, com os dois Marussia presentes (pela segunda vez na história da marca!), os pilotos voltaram à pista com pneus intermédios, esperando que a pista secasse mais um pouco, porque entretanto, tinha deixado de chover. Timidamente, havia pessoal a entrar na pista, para ver as condições dela, e aos poucos, os tempos baixavam. Quando Max Chilton começou a entrara no topo da tabela, com os pneus secos, os outros entraram para saber se tinham tempo de entrar no "top ten".

No último minuto... as bandeiras amarelas. Pastor Maldonado (quem mais?) e Esteban Gutierrez tinham se despistado, em incidentes separados, fazendo com que os pilotos abrandassem. Mas isso não foi suficiente para mudar as coisas: para a Q3 foram os dois Mercedes, os dois Red Bull, os dois Toro Rosso, os dois McLaren e os dois Force India. Do outro lado, ficaram os dois Renault, os dois Marussia, os dois Sauber. No final da qualificação, descobriu-se que Maldonado não tinha a gasolina suficiente para a dita análise, e os comissários não hesitaram em exclui-lo.

Chegados à Q3, os pilotos aproveitaram a pista seca para tentar marca tempo, já que havia mais ameaças de chuva para os minutos seguintes. Todos fizeram os seus tempos e a chuva caiu, mas por pouco tempo. Com isso, os pilotos ficaram nas boxes até quando faltaram dois minutos para o fim.

E foi aí que as coisas começaram a ser espantosas. Primeiro, Sebastian Vettel faz o seu melhor e consegue o melhor tempo, deixando toda a gente de boca aberta. Mas logo a seguir, os tempos começaram a cair: primeiro Button e depois Nico Rosberg, mas apenas depois de... Lewis Hamilton ter abdicado de fazer uma volta, porque achava que as condições da pista não estavam próprias para uma tentativa. Resultado final? Nico Rosberg fez a pole, Lewis Hamilton fica com um lugar na terceira fila da grelha, com Vettel, Button, Hulkenberg e Magnussen entre eles.

No final desta qualificação, parece que o estofo de campeão é germânico... mas amanhã é dia de corrida e não se espera que chova. Com esta grelha "ao contrário", a corrida de domingo será o de uma tremenda movimentação, com os Ferrari e Williams a tentarem reduzir is prejuizos, e claro, Hamilton "com a faca nos dentes" para ver se ganha em casa. O chato é que têm cinco bons pilotos pela sua frente...

terça-feira, 1 de julho de 2014

Youtube Video Presentation: a Formula E nas ruas de Londres

Tem apenas um minuto, mas podemos ver os carros da Formula E a desfilarem nas ruas de Londres, diante do Palácio de Westminster e do Big Ben. Faltam pouco mais de dois meses e meio para o inicio do campeonato e parece que a expectativa de uma competição bem interessante está alta...

Veremos. 13 de setembro é a data da prova inaugural, em Pequim.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Os Pioneiros: Capitulo 25, Brooklands e o segundo Grande Prémio

(continuação do episódio anterior)


BROOKLANDS, O PRIMEIRO CIRCUITO PERMANENTE 


Em 1907, a Grã-Bretanha parecia ser um participante menor no automobilismo mundial, apesar dos feitos na Taça Gordon Bennett. O facto de haver restrições à velocidade nas estradas - limitadas a 20 quilómetros por hora - fazia com que se procurasse alternativas para correr, como na Irlanda e na Ilha de Man, através de leis locais. Mas eram excepções e a industria automobilistica temia que ficassem para trás neste campo em relação não só à França, mas também a outras potências em ascenção, como a Itália e a Alemanha.

Assim sendo, uma alternativa teve de ser arranjada. E esta veio da cabeça de Hugh F. Locke King, um empresário e proprietário de terras no Surrey inglês, que estava preocupado com a incapacidade de não haver um lugar para testar quer os carros, quer os aviões, duas industrias que começavam a aparecer em força. 

Assim sendo, depois de um "tour" pela Europa, decidiu construir em 1906 um circuito oval de 4430 metros, com uma largura de 30 metros, e com um "banking" que ia até nove metros. A superficie era em cimento, que tinha maiores garantias de durabilidade do que o asfalto. Para além disso, havia uma reta das boxes, que poderia servir para circuito alternativo.

A obra custou ao todo cerca de 150 mil libras (13,6 milhões libras ao câmbio atual) e ficou pronto a 28 de junho, altura em que Selwyn Edge decidiu fazer uma demonstração da industria automobilística britânica: uma prova de resistência de 24 horas, ao volante de um Napier. No final, ele percorreu 2561 quilómetros, a uma média de 106,8 quilómetros por hora.

O impacto da construção de Brooklands seria enorme: ao demonstrar que era possivel fazer provas em circuito fechado, onde todos poderiam ver o decorrer da corrida, a Grã-Bretanha poderia competir com os outros paises pela hegemonia do automobilismo, e poderia servir de inspiração para outros fazerem a mesma coisa. 

Mas em termos de público, Brooklands nunca se tornou num destino popular. As corridas por vezes eram aborrecidas e para piorar as coisas, as pessoas que circulavam no paddock permanente eram aristocratas. Muitas vezes se dizia, à boca pequena, que Brooklands tinha "a multidão certa, sem enchentes". Contudo, no anos que se seguiram, Brooklands não só iria ajudar no objetivo de incrementar a industria automobilística britânica, como iria indicar o caminho a seguir em termos de automobilismo nos dos lados do Atlântico.


O SEGUNDO GRANDE PRÉMIO DE FRANÇA


Alguns dias depois da inauguração do circuito de Brooklands, máquinas e pilotos preparavam-se para a segunda edição do Grande Prémio de França. A escolha desse ano ficou na nortenha cidade de Dieppe, depois de esta ter oferecido à ACF cerca de quatro mil libras, mais do que suficiente para cobrir os prejuizos de três mil libras que teve, depois de ter organizado a corrida em Le Mans.

Como seria de esperar, muitos se inscreveram para o Grande Prémio: 38 carros, representando 17 equipas ao todo, dos quais onze eram francesas, uma italiana (Fiat, com Felice Nazzaro, Vicenzo Lancia e o francês Louis Wagner, a mesma tripla que tinha estado no Kaiserpreis), uma alemã (Mercedes, com Otto Salzer e o francês Victor Hémery), uma belga (Germain), dois carros britânicos e um solitário Christie americano, guiado pelo seu construtor, Walter Christie. ste tinha a particularidade de ter um motor de... 20 litros!

Os italianos eram os carros que os franceses queriam abater, e estes tinham colocado os melhores: a Renault tinha Ferenc Szisz e Maurice Farman; a Clement-Bayard tinha Albert Clement, Pierre Gracet e o americano Eliott Shepard; a Lorraine-Dietrich tinha Fernand Gabriel, Henri Rougier e o belga Arthur Duray; a Panhard tinha Hubert Le Blon e o americano George Heath; a Brasiler tinha Paul Baras e Jules Barriler, e a Gobron-Brillé tinha Louis Rigolly.

Os treinos tinham acontecido ao longo de algumas semanas, e tinha sido marcado por um acidente mortal: a 17 de maio, quando Albert Clément estava a testar o seu novo carro, perdeu o controlo e teve morte imediata. O acidente fez com que algumas pessoas tentassem cancelar o Grande Prémio, mas isso não teve grande impacto.

O ACF decidiu usar uma formula baseada no consumo de combustivel para qualificar os carros: 30 litros por cada cem quilómetros. Na corrida própriamente dita, Lancia começou por ditar as regras ao ir para a frente, mas teve oposição do belga Arthur Duray. Ambos começaram um duelo e trocaram de liderança várias vezes. Contudo, a corrida do piloto do Lorraine-Dietrich terminou mais cedo quando a caixa de velocidades cedeu. Lancia ficou sozinho, mas atrás havia outro duelo entre o Fiat de Felice Nazzaro e o Renault de Ferenc Szisz, que vinha defender o seu título.

Ambos aproximaram-se de Lancia e o passaram, para continuar o seu duelo entre eles. Mas Szisz decidiu ser mais poupado, devido à formula do combustivel, e Nazzaro decidiu mandar a cautela para os ares, esperando que a sorte estivesse do seu lado. E foi o que aconteceu: Nazzaro venceu a corrida, enquanto que o húngaro da Renault foi o segundo classificado, a mais de seis minutos e meio do vencedor... e com mais gasolina no depósito.

Com este resultado, a Itália era a grande vencedora da competição internacional, e a Fiat tornou-se numa potência a ter em conta. Houve um enorme aumento nas vendas dos carros e Felice Nazzaro se tornou no mais novo herói italiano, e o primeiro dos muitos heróis automobilísticos que aquele pais iria ter ao longo do século XX. E muitos decidiram seguir o seu exemplo, entre eles um jovem de Mântua de seu nome Tazio Nuvolari...

(continua no próximo capitulo) 

terça-feira, 29 de abril de 2014

O pioneiro do dia - Selwyn Edge

Como todos os do seu tempo, Selwyn Edge foi uma pessoa que se meteu em tudo que era mecânico. Para além do automobilismo, também se envolveu no iatismo… e até na agricultura. Foi o primeiro britânico a vencer no automobilismo internacional e foi ele que deu origem a algo que todos nós conseguimos identificar hoje em dia: o “British Racing Green” nos automóveis fabricados em paragens britânicas. É sobre este pioneiro que falo hoje.

Selwyn Edge nasceu a 29 de março de 1868 em Concord, nos arredores de Sydney, na Austrália. Aos três anos de idade, a família foi para a Grã-Bretanha, onde cresceu e na adolescência teve contacto com o ciclismo. Em 1896, aos 28 anos, arranjou emprego na Dunlop, o fabricante britânico de pneus e foi nessa altura que comprou o seu primeiro automóvel, um De Dion. Interessado no automóvel e no nascente desporto do automobilismo, em 1899, aliou-se a mais dois amigos, Charles Jarrot e Herbert Duncan, para serem os importadores da marca para a Grã-Bretanha.

Nessa altura, os três conheceram Montaigue Napier, dono da Naiper & Sons, que fabricava motores para fábricas e navios, e pedriam-lhe que fizesse melhoramentos para os seus carros. No final de 1899, ele e outro amigo seu, Harvey du Cros, decidiram fundar a Motor Vehicule Company, que vendia esses carros modificados, fossem eles Napiers, como Clement-Panhards, como Gladiators.

Sabendo do potencial destes carros, começou a guiá-los, também devido a propósitos publicitários. Em 1900, ao lado de Charles Rolls, decidiram participar na corrida entre Paris e Toulouse, não terminando a prova devido a problemas mecânicos. No ano a seguir, a Napier decide construir um carro de 17 litros (!) e com 103 cavalos, mas este fica completo dias antes da sua primeira corrida, a Gordon Bennett Cup, e os pneus desenhados para a ocasião, da Dunlop, não tinham sido testados. Participou na corrida, mas não na Gordon Bennett Cup, pois teve de colocar pneus franceses. Mesmo assim, não chegou ao fim, com problemas na sua embraiagem.

Em 1902, voltou a entrar na Gordon Bennett Cup, no seu Naiper, como o único representante britânico na competição. Contudo, conseguiu resistor melhor à concorrência francesa, que desistiu pelo caminho, e acabou por vencer a corrida, levando a competição para a Grã-Bretanha. Ali, voltou a participar com um Napier, na edição de 1903, mas recebeu assistência na pista e acabou por ser desclassificado.

No final desse ano, decide fazer uma manobra publicitária para vender os seus Napiers: no meio do seu “staff” da empresa, descobre uma secretária, Dorothy Lewitt, e ensina-a a conduzir, inscrevendo-a na Southport Speed Trials, num carro De Dion, com 12 cavalos e vencendo na sua classe. Meses antes, ele tinha levado Lewitt num barco Napier na edição inaugural da Harmsworth Trophy, onde acabou por vencer.

Em 1907, Edge aproveitou a inauguração do circuito de Brooklands para fazer um teste de 24 horas a bordo de um Napier. Acabou cobrindo a distância de 2544 quilómetros, a uma média de 106,06 km/hora, um recorde que durou por 18 anos. Nessa altura, construiu o seu próprio negócio, com um capital de 250 mil libras, que acabou por vencer cinco anos depois à Napier, por 120 mil libras, com uma cláusula que o impedia de se envolver na industria automóvel por sete anos. Assim sendo, dedicou-se à agricultura, tendo sido em 1917 supervisor de máquinas agro-industriais para o Ministério de Munições, durante a I Guerra Mundial.

Em 1919, regressa à industria automóvel ao comprar uma parte da AC Cars, onde ficou no controle da marca algum tempo depois, em 1927. Mas dois anos depois, com o colapso na Bolsa de Nova Iorque, Edge vendeu a sua parte e retirou-se de vez da industria automóvel.


A sua última aparição pública foi em 1937, em Brooklands, quando inaugurou o Campbell Circuit, três anos antes da sua morte, a 12 de fevereiro de 1940, em Estabourne, no Sussex inglês. Tinha 71 anos.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Youtube Formula 1 Classic: Race of Champions, 1979


No passado dia 15, passaram-se 35 anos sobre a Race of Champions, em Brands Hatch, prova extra-campeonato onde alguns pilotos da Formula 1 se misturaram com outros da chamada "Formula Aurora", ou seja, o campeonato britânico de Formula 1, onde muitos pilotos de segunda linha corriam com chassis de outras marcas, vindos de anos anteriores.

Pilotos como Mário Andretti (que andou com o modelo 80 nos treinos oficiais, mas que correu com o 79), Gilles Villeneuve, e os Brabham de Niki Lauda e Nelson Piquet, bem como o McLaren de John Watson e o Shadow de Elio de Angelis, correriam contra os pilotos do campeonato britânico, como Guy Edwards e Bernard de Dryver, que tinham chassis F5A da Fittipaldi, ou a sul-africana Desirée Wilson e o americano Gordon Smiley, ambos em Tyrrell, e um Williams-Ford guiado por... Giacomo Agostini, o multicampeão de motociclismo, tentando ver se poderia ser tão bom nas quatro rodas como tinha sido nas duas.

No final das 40 voltas, a vitória foi para Gilles Villeneuve, no seu Ferrari, ele que vinha de uma bela sequência de vitórias, primeiro em Kyalami e depois em Long Beach.

Aqui coloco a corrida na íntegra.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Os Pioneiros: Parte 7, acabaram-se os limites

(continuação do capítulo anterior)

A ABOLIÇÃO DE UMA LEI RESTRITIVA

Em 1896, quando Estados Unidos e França começavam a ter corridas de automóveis, na Grã-Bretanha lutava-se para abolir uma lei que impedia os automobilistas... de circular. O "Locomotive Act" de 1865, aprovado pela Câmara dos Comuns (na realidade, foram três leis aprovadas e ajustadas em 1861, 1865 e 1878), impedia os donos de "carruagens sem cavalos" a andar acima dos quarto quilómetros por hora, ou se preferirem... a velocidade de uma pessoa a passo. A razão pela aprovação da lei, na altura, tinha a ver com as primeiras carruagens a vapor, que serviam como substitutos das diligências. A velocidade que essas carruagens andavam era cada vez mais alta e já provocava acidentes entre os pedestres e assustava os cavalos.

A Lei de 1865 foi de todas a mais restritiva, pois obrigava a que todas essas carruagens sem cavalos a ter uma pessoa a agitar uma bandeira vermelha para avisar da sua presença, para além das restrições draconianas em termos de velocidade. A presença da pessoa foi abolida em 1878, quando a lei foi revista.

Contudo, durante a década de 90 do século XIX, o "lobby" para a abolição - ou modificação da lei - foi cada vez mais forte até que a 15 de outubro de 1895, o presidente da câmara de Tunbridge Wells, Sir David Salomons, e um notório entusiasta dos automóveis, organizou uma exposição nos terrenos da sociedade local de agricultura. Contudo, o solo estava emlameado pela chuva, e o "mayor" decidiu levar os carros para o centro da cidade, acima do limite imposto. Sir David contou depois que "nem um dos cavalos que cruzamos sequer desviou o olhar à medida que passavam por eles esses veículos sem cavalos".  

Isso foi o inicio de um movimento que incluiu outros entusiastas como Harry John Lawson, que decidiu fazer uma companhia, a British Motor Syndicate Limited, Frederck Simms, (na imagem, a demonstrar o primeiro veículo armado do mundo) que tinha nascido na Alemanha e se tinha tornado entusiasta dos automóveis quando conheceu em 1890 Gottfried Daimler, e depois se tornou no seu representante na Grã-Bretanha, e Henry Sturmey, engenheiro e jornalista, que em novembro de 1895 decidiu fundar a primeira - e hoje a mais antiga a funcionar ininterruptamente - revista de automoveis: The Autocar. 

Simms tinha um amigo, Evelyn Ellis, filho do Barão Howard de Walden, que tinha ligações à família real. Fez amizade com o então Príncipe de Gales, o futuro Eduardo VII, e adquiriu um dos Panhard e Levassor que tinha feito a corrida entre Paris e Bordéus, em 1895. Apesar dos receios iniciais - "Evelyn, não guies tão depressa, tenho medo!", o príncipe gostou muito da novidade que acordou mais tarde ser o patrono do primeiro Salão Automovel britânico. Ellis levou o Panhard para várias localidades britânicas, violando abertamente a lei, mas não conseguiu encontrar nenhum agente da autoridade para o mandar parar.

Assim sendo, o "lobby" ficou forte o suficiente para que a lei fosse abolida. Apesar das discussões terem começado ainda em 1895, foi apenas quando foi eleito um novo governo, no final desse ano, que a lei voltou a ser discutida, e a 14 de novembro de 1896, foi aprovado o "Locomotives on Highways Act", onde aumentava o limite de velocidade em estrada para os 22 quilómetros por hora.

A medida foi celebrada com entusiasmo e os seus adeptos queriam comemorar... com uma corrida. Na realidade, foi algo mais parecido com o que aconteceu em 1894 entre Paris e Rouen, mas desta vez entre Londres e Brighton. Organizada por Harry John Lawson, alinharam 33 carros, a grande maioria dos quais franceses. concentraram-se no Central Hall de Westminster, e mesmo não sendo uma corrida no sentido mais puro, os carros Bollée, guiados pelos irmãos Bollée, foram o primeiro e segundo classificados.

O aumento do limite de velocidade iria ter consequências: não só nascia a industria automotiva britânica, e a Grã-Bretanha entrava no jogo As consequências seriam enormes.

(continua no próximo episódio)

quinta-feira, 13 de março de 2014

Youtube Motorsport Music: A BBC tocando "The Chain"

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Esta é engraçada, e já tem uns quatro anos: a orquestra da BBC a tocar a parte instrumental do "The Chain", dos Fleetwood Mac. Porquê esta musica? Porque é, desde 1978, o tema de abertura das transmissões televisivas da Formula 1 no canal britânico.

Detalhe: na bateria está Eddie Jordan.

Vi isto no sitio do Flávio Gomes.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Noticias: Ecclestone absolvido nos tribunais britânicos

Aos poucos e poucos, enquanto que Bernie Ecclestone continua a dizer o que pensa sem medir as consequências - ele sabe como poucos como gerir publicidade - o octogenário magnata da Formula 1 viu esta manhã o seu caso contra Constantin Medein virar a seu favor nos tribunais britânicos, apesar do juiz ter dito que, de facto, Ecclestone pagou subornos no "caso Gribowsky", no sentido de ter desvalorizado intencionalmente o valor das ações da Formula 1 a seu favor - neste caso, o fundo de investimento CVC Capital Partners.

Segundo a declaração do juiz Newey, "Os pagamentos foram um suborno. Eles foram feitos porque o Sr. Ecclestone tinha entrado num acordo corrupto com o Dr. Gribkowsky em maio 2005, ao abrigo do qual o Dr. Gribkowsky era para ser recompensado por facilitar a venda das ações da Bayern LB na Fórmula One Group para um comprador aceitável para o Sr. Ecclestone." 

Ele também disse que: "Mesmo ... fazendo provisões para o lapso de tempo e da idade do Sr. Ecclestone, receio que ache que é impossível considerá-lo como uma testemunha fiável ou verdadeira." Por outras palavras, Ecclestone mentiu em tribunal.

Contudo, esta afirmação não foi suficiente para que Constantin Medein vencesse o caso contra Ecclestone, pois o tribunal afirmou que ele não foi suficientemente prejudicado nesta operação. E claro, Ecclestone aproveitou a ocasião para expressar confiança de que o caso alemão será resolvido a seu favor.

"O senhor Ecclestone saúda o facto de que ele vai ter a oportunidade de defender estas alegações de suborno corretamente no processo deve começar em Munique, no próximo mês de abril, quando as testemunhas relevantes poderem ser obrigadas a participar e serem interrogados pelos seus advogados. Ele está confiante de que será absolvido.", comenta, num comunicado oficial.

Mas se Ecclestone poderá comemorar hoje por mais uma vitória nesta batalha nos tribunais, as declarações feitas pelo juiz britânico poderão ajudar a justiça alemã no sentido de provar de, de facto, Ecclestone subornou Gerhard Gribowsky. E isso pode, claro, significar que o risco de ser declarado culpado e ser condenado a uma pena de prisão poderá ter aumentado. Mas só a partir de abril é que veremos isso. 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Noticias: "Rush" vence um prémio BAFTA

Apesar de ter sido ignorado pela Academia de Hollywood, a Academia Britânica das Artes Cinematográficas (BAFTA) não o esqueceu. Nomeado para quatro prémios, o filme realizado por Ron Howard e escrito por Peter Morgan acabou por vencer esta noite o prémio para melhor edição, efetuado por Daniel P. Handley e Michael Hill.

Numa cerimónia em que "Gravidade" foi o grande vencedor, com seis prénios, batendo "Golpada Americana" e "The Great Gatsby", que tiveram três, e "12 Anos Como Escravo", que teve apenas dois, o facto de "Rush" ter conseguido um prémio já foi bastante importante.

Agora, segue-se o "Satellite Awards", no próximo domingo, onde o filme está nomeado para sete categorias, entre os quais o de Melhor Realizador, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Edição e Melhor Som.