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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Noticias: Gribowsky vai ser libertado

Gerhard Gribowsky, o banqueiro alemão caído em desgraça por ter aceite subornos de Bernie Ecclestone por causa dos direitos televisivos, vai ser libertado no próximo mês em regime de liberdade condicional, anuncia James Allen no seu site. Gribowsky tinha sido condenado a oito anos e meio de prisão em 2012 por causa de corrupção e fraude fiscal. 

Gribowsky era o gerente do Bayern Landersbank em 2011 quando este faliu, e na auditoria que lhe foi feita, foram descobertos cerca de 50 milhões de euros numa das suas contas na Áustria, do qual ele nunca conseguiu explicar convincentemente a sua proveniência. Depois contou que tinham vindo de Bernie Ecclestone, que lhes tinha dado em 2005 e 2006, como fazendo parte da venda dos direitos da Formula 1 (que estavam à guarda do banco após a falência da Kirch Media em 2002) ao grupo de capital de risco CVC Capital Partners.

Ecclestone admitiu o suborno durante o julgamento de Gribowsky, e mais tarde, na primavera de 2014, ele foi levado a tribunal para ser julgado por causa desse suborno, mas chegou a acordo com a Procuradoria de Munique, onde pagou 100 milhões de dólares para que eles deixassem cair as acusações, apesar de ter sido considerado "nem inocente, nem culpado". 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Os novos processos contra Bernie Ecclestone

Começo por dizer que espero que Bernie Ecclestone tenha os bolsos bem fundos. Se em setembro desembolsou cem milhões de dólares (cerca de 75 milhões de euros) para evitar ir para uma prisão alemã, no processo de corrupção contra si, que foi denominado de "caso Gribowsky", hoje, a agência Reuters noticia que o banco BayernLB, onde trabalhava Gerhard Gribowsky, decidiu processar Ecclestone em 345 milhões de euros pelos prejuízos que causou no negócio que teve em relação aos direitos da Formula 1.

"A BayernLB entrou com uma ação judicial contra o Sr. Ecclestone, a fundação familiar Bambino e outros, pedindo uma indemnização de 345 milhões de euros (423 milhões de dolares), acrescidos de juros", disse um porta-voz do BayernLB nesta sexta-feira, em resposta a um pedido de comentário sobre o caso.

A BayernLB afirma que o bilionário britânico recebeu comissões injustificadas e subvalorizou a sua participação no negócio de automobilismo quando o fundo CVC Capital Partners se tornou no maior accionista da Formula 1, em 2006.

"Quando a participação do banco na Formula 1 foi vendida em 2005 e 2006, um membro do conselho foi subornado. O contrato de venda não foi negociado, mas sim finalizado nos termos ditados pelo Sr. Ecclestone, que eram uma desvantagem para o banco", acrescentou o porta-voz.

Estas acusações contra Ecclestone surgem um dia depois de um jornal espanhol ter dito que o procurador de Valência abriu um inquérito a alegadas acusações de corrupção e suborno contra o governo regional de Valência, em 2012, referentes à organização do GP da Comunidade Valenciana. A procuradoria acusa especialmente Francisco Camps, o então presidente da Cominutat, a responsavel pelo Turismo, Dolores Johnston, e Jorge Martinez Aspar, ex-motociclista e dono da Valmor Sports, de corrupção, no sentido de saber como é que uma firma sem experiência no desporto, e com apenass 12 funcionários, ficou com o cargo de organizar a corrida.

Segundo conta o jornal "El Mundo", Ecclestone já respondeu por escrito a todas as perguntas mandas pela procuradoria local.

Camps é um homem que está debaixo dos holofotes pelas piores razões. Desde que abandonou o cargo de presidente que é acusado de financiamento ilegal do Partido Popular, conhecido como o escândalo Gürtel, e também de envolvimento no escândalo Noos, do qual Iñaki Urdangarin, ex-andebolista e marido da Infanta Cristina, é acusado de desvio de dinheiro.

Veremos como é que estas investigações irão acabar. Mas se a ideia é de fazer com que Ecclestone pague, estão no bom caminho.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O cartão de Natal do Tio Bernie

O cartão de natal do Tio Bernie tornou-se num ritual anual por esta altura do campeonato. E que o velhadas têm bom humor, isso têm, especialmente quando leva as coisas para o seu lado. e este ano não foge á regra, especialmente com o julgamento por corrupção na Alemanha, o caso Gribowsky.

Apesar de ter pago cem milhões de dólares para ter o cartão "está livre da prisão", ele ainda vê as coisas como se fosse o velhadas injustiçado, com um "Robin Hood" a dizer que levou o cacau em nome do estado da Baviera, local onde o julgamento ocorreu... 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Formula 1 em Cartoons - O julgamento de Bernie (Financial Times)

O julgamento de Bernie Ecclestone em Munique, visto pelo jornal "Financial Times".

Traduzido: "Você é acusado e suborno. Quanto é que quer pagar para ser considerado [inocente]?"

Esta vi no WTF1.co.uk

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Noticias: Bernie paga 74 milhões de euros para não ser preso

Os rumores já se ouviam desde meados da semana passada, mas hoje se confirmam: Bernie Ecclestone e a procuradoria de Munique chegaram a um acordo relativo ao "caso Gribowsky", no qual o patrão da Formula 1, de 83 anos, irá pagar cem milhões de dólares (74 milhões de euros) para que se encerre o caso e evite uma sentença que o poderia colocar na prisão por um período de até dez anos.

Curiosamente, este valor é mais do dobro que pagou a Gerhard Gribowsky, em 2005, quando ele pagou cerca de 50 milhões de dólares para obter diretamente os direitos da Formula 1 que pertenciam ao banco BayernLB, que os tinha obtido como garantia após a falência do Grupo Kirch, em 2002. Com isso pago, Ecclestone cedeu-os ao fundo de investimento CVC Capital Partners, do qual eles pagam o equivalente a 15 por cento das receitas brutas da Formula 1, amealhando, segundo as mais recentes contas, cerca de 150 milhões de euros.

Segundo conta o jornal "Suddeutsche Zeitung" na sua edição de sábado, Bernie viajou no dia anterior a Munique para ratificar o pagamento, do qual em troca, a Promotoria de Munique deixaria cair todas as acusações. O periódico conta ainda que este pagamento é o mais alto de sempre feito por alguém num crime de natureza fiscal.

Assim sendo, com este acordo extra-judicial, chega ao fim um caso que se arrastava desde 2010, altura em que se descobriu os mais de 50 milhões de dólares nas contas de Gribowsky, do qual ele não deu qualquer explicação plausível sobre a origem do dinheiro. Julgado na primavera de 2012, Gribowsky acabou por ser condenado a oito anos de prisão por parte da Procuradoria de Munique, depois de Ecclestone ter dito que tinha dado esse dinheiro a Gribowsky, alegando que tinha sido chantageado por ele, afirmando que iria denunciar os seus esquemas de fuga ao fisco por intermédio da Bambino Trust. 

E isto é só mais um sinal de que, de facto, Bernie Ecclestone sabia que tinha feito algo de mal para manter os direitos da Formula 1 na sua posse. E que ele sabia que, a decorrer o julgamento - que terminaria a 10 de setembro - os juízes acabariam com um veredicto de "culpado" e o colocariam numa prisão alemã por um periodo que poderia ir até dez anos de prisão. Para um homem a caminho do seu 84º aniversário, seria sinal de que os seus dias na Formula 1 estariam contados.

Mas isto também não significa o final da história. Em muitos aspectos, uma certa Formula 1 esperava pelo final deste caso para começar a agir e a pensar numa competição "pós-Bernie". A propria CVC Capital Partners poderá já ter chegado à conclusão que é hora de se livrar de Bernie Ecclestone e fazer com que esta seja mais "institucional", desbloqueando alguns dos planos, como por exemplo, a entrada na bolsa.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Noticias: Bernie propôs um acordo fora dos tribunais

Parece que Bernie Ecclestone está mesmo em maus lençois. O julgamento de corrupção em Munique, na Alemanha, está ainda a decorrer, mas à medida que este está a chegar à sua conclusão, no mês que vêm, tudo indica que o patrão da Formula 1, atualmente com 83 anos, não escapará a uma condenação por corrupção, devido ao pagamento de 50 milhões de euros a Gerhard Gribowsky.

Contudo, a agência alemã DPA anuncia hoje que os advogados que representam Bernie Ecclestone ofereceram ao Ministério Público de Munique um acordo na ordem dos 25 milhões de euros, pagos ao banco BayernLB, para resolver o caso fora dos tribunais, para assim evitar uma condenação, que poderia ser de prisão efetiva. Para além disso, os advogados afirmam que o caso está a ser "extremamente estressante" para Ecclestone, e isso poderá ter consequências para a saúde.

A oferta é válida até ao dia 8 de agosto, e a imprensa local afirma que a procuradoria de Munique está a "estudar o caso".

Caso seja considerado culpado, poderá ter de cumprir uma pena nunca inferior a cinco anos de prisão efectiva, bem como uma pesada multa. E tal sentença poderá significar o final da carreira de Ecclestone nos destinos da Formula 1, onde anda por lá há mais de 40 anos, primeiro como empresário de pilotos, depois como o patrão da Brabham, e depois como o "DDT", ou seja, o "dono disto tudo".

sábado, 19 de julho de 2014

A foto do dia

A Formula 1 está na Alemanha, mais concretamente, em Hockenheim. Este fica no centro do país, a pouco mais de três horas de uma viagem de carro até Munique, onde este senhor baixinho está a ser julgado por ter feito uma coisa muito mazinha...

Pois é, Bernie Ecclestone... não pensaste nisso antes de largar a mala no colo do Gerhard Gribowsky

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Noticias: Ecclestone absolvido nos tribunais britânicos

Aos poucos e poucos, enquanto que Bernie Ecclestone continua a dizer o que pensa sem medir as consequências - ele sabe como poucos como gerir publicidade - o octogenário magnata da Formula 1 viu esta manhã o seu caso contra Constantin Medein virar a seu favor nos tribunais britânicos, apesar do juiz ter dito que, de facto, Ecclestone pagou subornos no "caso Gribowsky", no sentido de ter desvalorizado intencionalmente o valor das ações da Formula 1 a seu favor - neste caso, o fundo de investimento CVC Capital Partners.

Segundo a declaração do juiz Newey, "Os pagamentos foram um suborno. Eles foram feitos porque o Sr. Ecclestone tinha entrado num acordo corrupto com o Dr. Gribkowsky em maio 2005, ao abrigo do qual o Dr. Gribkowsky era para ser recompensado por facilitar a venda das ações da Bayern LB na Fórmula One Group para um comprador aceitável para o Sr. Ecclestone.

Ele também disse que: "Mesmo ... fazendo provisões para o lapso de tempo e da idade do Sr. Ecclestone, receio que ache que é impossível considerá-lo como uma testemunha fiável ou verdadeira." Por outras palavras, Ecclestone mentiu em tribunal.

Contudo, esta afirmação não foi suficiente para que Constantin Medein vencesse o caso contra Ecclestone, pois o tribunal afirmou que ele não foi suficientemente prejudicado nesta operação. E claro, Ecclestone aproveitou a ocasião para expressar confiança de que o caso alemão será resolvido a seu favor.

"O senhor Ecclestone saúda o facto de que ele vai ter a oportunidade de defender estas alegações de suborno corretamente no processo deve começar em Munique, no próximo mês de abril, quando as testemunhas relevantes poderem ser obrigadas a participar e serem interrogados pelos seus advogados. Ele está confiante de que será absolvido.", comenta, num comunicado oficial.

Mas se Ecclestone poderá comemorar hoje por mais uma vitória nesta batalha nos tribunais, as declarações feitas pelo juiz britânico poderão ajudar a justiça alemã no sentido de provar de, de facto, Ecclestone subornou Gerhard Gribowsky. E isso pode, claro, significar que o risco de ser declarado culpado e ser condenado a uma pena de prisão poderá ter aumentado. Mas só a partir de abril é que veremos isso. 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Sobre a acusação de suborno a Bernie Ecclestone

A noticia de que o Tribunal de Munique decidiu nesta quinta-feira processar Bernie Ecclestone por suborno a Gerhard Gribowsky era aguardada há muito tempo, diga-se de passagem. O julgamento do caso está previsto para começar no mês de abril, na cidade bávara, mas que não se esperava nisto tudo é que Ecclestone tivesse decidido suspender as funções no seu cargo de "patrão" da Formula 1, com efeito imediato. 

Até que o caso esteja concluído, o sr. Ecclestone vai deixar de ser director, com efeitos imediatos, renunciando aos seus deveres neste conselho de administração até que o caso seja resolvido. Este conselho acredita, no entanto, que é no melhor interesse do negócio e do desporto que o sr. Ecclestone deve continuar a gerir o negócio diariamente, mas com maior escrutínio e controlo por parte deste conselho”, pode ler-se num comunicado da Delta Topco, a “holding” que controla a Fórmula 1, emitido na tarde desta quinta-feira.

Quem segue este blog e a Formula 1 sabe do que isto se trata: no final de 2010, as finanças alemãs, que investigavam a falência do banco Bayern LB, descobriram na conta austriaca de Gerhard Gribowsky, um dos dirigentes do banco, cerca de 50 milhões de dólares (cerca de 35 milhões de euros) não declarados. Sem conseguir justificar de onde vieram, foi investigado e processado pela Procuradoria de Munique. O caso acabou em tribunal, onde em junho de 2012 foi condenado a oito anos de prisão por suborno e fuga aos impostos.

Ora, alguns anos antes, em 2002, a Bayern LB tinha ficado com os direitos da Formula 1, espólio resultante da falência do Grupo Kirch. Pouco tempo depois, em 2005, Bernie Ecclestone queria que esses direitos caissem nas mãos do fundo de investimento CVC, e convenceu Gribowsky a ceder a preço um pouco mais baixo do que a concorrência, em troca de um pagamento. Bernie recebeu uma bela comissão, à volta de 100 milhões de dólares (mais ou menos 70 milhões de euros) e deu metade a Gribowsky, como recompensa.

Quando tudo foi descoberto, Gribowsky denunciou Ecclestone, e este, quando foi a tribunal como testemunha do caso, declarou que tinha pago, mas justificou-se dizendo que tinha sido... chantageado, afirmando que Gribowsky ameaçara denunciar a ele e ao fundo familiar Bambino por sonegação de impostos na Grã-Bretanha. Ele afirmava que caso fosse adiante, teria de pagar em impostos corrigidos quase metade toda a sua fortuna, avaliada em quatro mil milhões de libras (pouco mais de 4,5 milhões de euros).

Crê-se que ele disse isso no sentido de chegar a um acordo e evitar que ele fosse processado pela justiça alemã, mas aparentemente, eles não foram nessa cantiga e vão processá-lo na mesma. O julgamento poderá estar acabado em três a quatro meses - na pior da hipóteses, a sentença poderá sair em setembro - mas não ficaria admirado se em junho já existisse "fumo branco".

E as hipóteses de condenação? Imensas. Se condenaram Gribowsky a uma pena pesada por suborno, nada impede de Ecclestone ser condenado a pena de prisão. O problema é outro: Bernie Ecclestone têm 83 anos. Mesmo que haja pena de prisão, a idade têm de ser levada em conta e ele poderá alegar razões de saúde para não passar um único dia numa cela alemã. Antes disso, ele sempre poderá recorrer de uma eventual sentença para instâncias superiores na justiça germânica. E ainda por cima, Bernie lida com outros casos na Grã-Bretanha cujos julgamentos ainda estão a decorrer.

Há imensa coisa em jogo, mas podemos dizer que o final da vida de Ecclestone vai ser passado a entrar de sair de tribunais. Até nisso, ele é diferente. E pode ser que a Formula 1 comece a pensar com mais seriedade em algo que evita pensar: na sua vida depois do "anãozinho tenebroso".

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Noticias: Bernie Ecclestone presente em tribunal

A entrada de Bernie Ecclestone no High Court de Londres, esta manhã, para responder às acusações de corrupção num "spinoff" do "caso Gribowsky", foi no mínimo... ecclestoniana. O patrão da Formula 1, de 83 anos, é acusado de ter desvalorizado de propósito o valor da Formula 1 para poder ficar com os direitos, e quando chegou ao tribunal, fez "showoff" onde apesar de não ter respondido às perguntas, fez "malabarismos" no sentido dos fotógrafos captarem o máximo de imagens possível. 

E as cenas parecem ter sido caricatas... podem vê-las a partir deste link.

Recorde-se que o processo no qual é hoje julgado foi levantado por Constantin Medien, que está a pedir uma indemnização de 171 milhões de dólares pelo facto de a sua proposta para comprar os direitos da Formula 1 ter sido artificialmente sobrevalorizada por Ecclestone e Gribowsky. O negócio foi concluido em 2005 por um valor aproximado de 5,9 mil milhões de dólares, e Medien deveria ter sido pago, caso este tivesse um excesso de mil milhões, só que não aconteceu porque os dois baixaram artificialmente a proposta, no sentido de a CVC Capital Partners - parcialmente controlada por Ecclestone - ficar com os direitos.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Noticias: Bernie Ecclestone vai amanhã a julgamento

No dia em que Bernie Ecclestone comemora o seu 83º aniversário natalício, o homem que comanda a Formula 1 não tem muitos motivos para festejar: desde há algum tempo que está a ser assombrado pelo "caso Gribowsky", onde o dirigente subornou o alemão Gerhard Gribowsky, funcionário do banco BayernLB em 2005 em cerca de 50 milhões de euros, para conseguir para si mesmo os direitos televisivos da Formula 1, que tinham pertencido ao Grupo Kirch, após a falência deste, em 2003. Como se sabe, Gribowsky foi julgado em 2012 e condenado a oito anos de prisão por suborno e fuga aos impostos. 

Contudo, o julgamento que começa amanhã em Londres é um "spinoff" do caso Gribowsky. O processo foi levantado por Constantin Medien, que pede uma indemnização de 171 milhões de dólares pelo facto de a sua proposta para comprar os direitos da Formula 1 ter sido artificialmente sobrevalorizada por Ecclestone e Gribowsky. O negócio foi concluido em 2005 por um valor aproximado de 5,9 mil milhões de dólares, e Medien deveria ter sido pago, caso este tivesse um excesso de mil milhões, só que não aconteceu. Após uma avaliação, descobriu que o valor real da venda deveria ter sido de 2,8 mil milhões de dólares, resolveu processar Ecclestone e Gribowsky por fraude.

Apesar do dirigente ter afirmado que está tranquilo com o julgamento, disse que o ideal era não ter que enfrentá-lo enquanto comanda a categoria. “Isso não é o ideal. Seria melhor se não estivesse acontecendo, mas não podemos mudar o sistema de justiça”, declarou à agência de notícias ‘Bloomberg.’

Já o advogado de defesa Alexander Engelhardt acrescentou, explicando que a decisão dos tribunais ingleses é importante porque pode influenciar naquilo que a justiça alemã irá julgar a partir do ano que vem. “Ecclestone está empenhado em uma guerra em diversas frentes, encarando o problema com diversas linhas de defesa. O que o ajudar na Grã-Bretanha poderá feri-lo na Alemanha e o que for produzido em ambos os julgamentos deve reaparecer em outra ação civil ou criminal no futuro”, começou por afirmar. 

O caso Constantin [Medein] não é apenas sobre muito dinheiro. O julgamento na Grã-Bretanha é perigoso porque pode produzir evidências incriminatórias, que podem ser usadas pelos promotores de Munique”, concluiu.

Até agora, Medien conseguiu um dado importante: pediu ao tribunal que ordenasse à FOM e à CVC Partners que entregasse documentos relativos ao negócio. Estes acederam ao pedido, logo, novos detalhes poderão surgir ao longo do julgamento. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Noticias: Julgamento de Bernie Ecclestone adiado

Os procuradores de Munique decidiram esta manhã adiar para o inicio do ano que vêm o julgamento de Bernie Ecclestone, o patrão da Formula 1, acusado de suborno a Gerhard Gribowsky para poder obter os direitos televisivos, em 2005. Segundo conta hoje o jornal britânico The Guardian, uma das razões pelo qual aconteceu este adiamento têm a ver com o aguardamento de mais respostas às acusações, prometidas pelos advogados de Ecclestone, bem como uma mudança no colectivo de juízes que estava previsto que iria acompanhar o caso.

Sendo assim, é altamente improvável que o julgamento comece ainda em 2013.

Bermie Ecclestone, que no mês que vêm completará 83 anos, está acusado de ter corrompido Gerhard Gribowsky, então executivo do banco alemão Bayern LB, em 2005, num valor aproximado de 35 milhões de euros, num acordo secreto para obter os direitos comerciais da Formula 1. Quando o Bayern LB entrou em processo de falência, as autoridades fiscais encontraram cerca de 35 milhões de euros numa conta austríaca pertencente a Gribowsky, o processo foi aberto e terminou em junho de 2012 com a condenação do banqueiro alemão a oito anos de prisão.

Ecclestone admitiu em tribunal esse pagamento, classificando-o primeiro como “um bocado estúpido”, mas depois disse em tribunal que lhe pagou para “o manter calado”. Essa admissão foi mais do que suficiente para os procuradores acharem que havia motivos para investigar e processar o empresário britânico.

domingo, 28 de julho de 2013

O novo Pacto da Concórdia e a máquina de fazer dinheiro que é a Formula 1

O fim de semana do GP húngaro irá ser marcado pela noticia de que, por fim, Jean Todt e Bernie Ecclestone terem chegado a um entendimento sobre o novo Acordo (ou Pacto) de Concórdia, que deveria estar em vigor desde o inicio do ano, mas que até agora, não tinha acontecido. A ser verdadeiro, isso significa que dentro em breve, provavelmente em Paris, ambos os lados irão colocar em papel as assinaturas de algo que existe sempre desde 1982, sempre negociado e renovado, e com este novo acordo, será prolongado até 2020, quando o Tio Bernie (caso esteja vivo e livre) já for nonagenário. 

De uma certa forma, é um alivio que ambas as partes tenham chegado a esse acordo, pois a cada semana que passava sem isso assinado, as tensões cresciam entre Ecclestone e as equipas, bem entre ele e Todt, o presidente da FIA. Uma das razões para essa tensão tem a ver com a contribuição que a FOM deveria dar à entidade que regula o automobilismo, dado que Ecclestone conseguiu convencer Max Mosley, algures em 2001, a ceder a sua parte dos direitos por um periodo de... cem anos. Outro problema do qual afastava Todt de Ecclestone, como fala a Autosport portuguesa, era de que o "anãozinho tenebroso" queria cobrar uma verba aos jornais, da mesma maneira que cobre às cadeias de televisão, ou seja, que pagassem para falar sobre a Formula 1. E sobre isso, Todt era terminantemente contra.

O francês, que durante este tempo todo teve uma posição muito "low profile" - uma boa razão para isso poderá ser as eleições para a presidência, que acontecerão no final deste verão - quis que esse acordo chegasse depressa, mas sem pressa, pois não queria hostilizar Ecclestone, já que este ainda têm muito poder para colocar um dos seus "paus mandados", como aconteceu com Max Mosley, em 1991. Contudo, nenhum dos lados cedia nessa parte até então, e isso prejudicava as equipas, pois elas com o novo acordo, ele tinha cedido mais uma percentagem dos seus ganhos - fala-se que agora, as equipas vão receber cerca de 60 por cento dos ganhos, contra os 50 que recebiam antes.

E sobre a máquina de fazer dinheiro que é agora a Formula 1, na semana que passou apareceu uma excelente matéria feita pelo Luis Fernando Ramos, vulgo o Ico, que detalhou as receitas que a Formula 1 ganha nos dias de hoje graças à ação de Bernard Charles Ecclestone, nascido a 28 de outubro de 1930 em Londres. Lá, ele mostra um estudo financeiro de 2011 onde as receitas dos Grandes Prémios (aqui em dolares), estimados em 1500 milhões de dólares, um terço delas - 510 milhões - vêm dos promotores dos circuitos, enquanto que outro terço, 490 milhões, vêm das receitas televisivas. As receitas em termos de publicidade estática andam à volta dos 225 milhões de dólares.

Interessante ler sobre as taxas que Ecclestone aplica aos promotres, que nos tempos que correm, é graças à expansão para a Ásia do qual Ecclestone sempre batalhou, é que se chega a esse valor. Alguns dos "novos ricos" da Formula 1 foram capazes de gastar muitos milhões por ano só para que o seu país esteja nas bocas do mundo, apesar da sua parca - ou nenhuma - tradição. Exemplos? Voltando à Autosport portuguesa, descobre-se que Singapura paga 48 milhões de euros por ano para ter um Grande Prémio e a Coreia do Sul despende 42 milhões de euros anuais para ter uma corrida num "meio de nenhures" chamado Yeongam. Não admira que por estes dias, a organização do GP coreano queira livrar-se deste contrato o mais rapidamente possível...

Outros exemplos: Abu Dhabi gasta 40 milhões, Índia paga desde 2011 32 milhões de euros, apesar de todos os obstáculos, Bahrein paga 32 milhões de euros, mesmo com a agitação social existente, e a China dispende 27 milhões, embora já tenha pago bem mais. Para terem uma ideia, em média, os organizadores europeus dispendem entre 13 a 16 milhões de euros anuais. E há uma excepção: o Mónaco, que recebe de graça, porque a Formula 1 - e Ecclestone - reconhece que necessita ter as ruas do Principado no seu calendário, pois acrescente imenso "glamour" à competição.

E sobre as receitas televisivas, volto à Autosport portuguesa para falar sobre os valores que algumas cadeias televisivas estão dispostas a pagar para ter a Formula 1. A Sky Sports inglesa e a RTL alemã são as mais caras, pagando 60 milhões de euros cada um, enquanto que a Sky alemã, a RAI italiana dispendem 40 milhões de euros anuais. Já a Fuji TV japonesa, a Rede Globo brasileira, o Canal 5 espanhol e a TF1 francesa gastam 20 milhões de euros cada um. Mas Ecclestone quer transferir a Formula 1 para canais pagos e tende a carregar ainda mais nos contratos. Daí que a BBC, no final de 2010, tenha decidido abdicar de transmitir toda a temporada, por causa dos valores cada vez mais incomportáveis.

Mas os lucros são incomparáveis. O Ico fala que em termos de despesas, estas chegaram a... 350 milhões de dólares. Um terço das receitas! Mas 60 por cento vai para as equipas, divididas por onze (de uma maneira um pouco estranha) e os 40 por cento vai para a "holding" Delta Topco, do qual a CVC CApital Partners e o fundo Alpha Prema, de Ecclestone, fazem parte. Só o "anão tenebroso" recebe anualmente 62,5 milhões de dólares, graças ao fundo Alpha Prema. E isso é 14 por cento dos receitas, pois a fatia maior, 42 por cento, vai para a CVC Capital Partners. Impressionante, hein? Não admira que Ecclestone seja um dos homens mais ricos da Grã-Bretanha, e as suas filhas rebentem tudo nas suas vidas de luxo...

Contudo, o novo Acordo aparece numa era de transição. Fala-se há muito tempo sobre a "flutuação" da Formula 1, ou seja, esta entrar em Bolsa, alienando algum do seu capital para que o público possa adquirir ações. O interessante é que, em vez de o fazerem em Londres, Paris ou Nova Iorque, eles queiram fazê-lo em Singapura. Não que não seja uma bolsa de segunda linha, mas mesmo apostar aí mostra que acreditam na Ásia. Mas a preferência por essa cidade-estado em vez de outros lugares como Hong Kong ou Tóquio poderá explicar que não deseja responder a muitas perguntas incómodas, por exemplo.

E também não se pode esquecer que este será provavelmente o último acordo celebrado por Ecclestone, enquanto for vivo e capaz. No final de outubro, ele completará 83 anos e ele já começa a saltar algumas corridas, as mais distantes do campeonato, porque a saúde já não permite entrar e sair constantemente de aviões. Já é altura de se pensar num sucessor para ele, e há muitos nomes a "flutuarem", uns dentro, outros fora da Formula 1, mas esta poderá ser uma altura ideal para pessoas como Jean Todt ganhar um maior poder negocial e pedir uma fatia do qual acham justa de receber. Ou até de revogar o famoso "Acordo dos Cem Anos" que o seu antecessor assinou, e recuperar receitas perdidas. 

Para piorar as coisas, Ecclestone tem de lidar com aquilo que agora se chama de "caso Gribowsky", no qual a justiça alemã (mais concretamente a Procuradoria de Munique) o acusa de suborno para ficar com os direitos da Formula 1, que então pertenciam ao banco Bayern LB - e do qual pagou cerca de 40 milhões de euros a Gerhard Gribowsky, algures em 2005 - o poderão colocar em sérios apuros. As acusações estão enumeradas e o julgamento irá acontecer dentro em breve, e justiça alemã já conseguiu condenar Gribowsky a oito anos de prisão. Quem nos garante que esta seja mais condescendente com um ancião com quase 83 anos? Tenho sérias dúvidas que esta feche os olhos, logo, suponho que os próximos tempos serão bem complicados para ele.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Noticias: Bernie Ecclestone foi formalmente acusado

Agora é oficial: a justiça alemã acusou formalmente Bernie Ecclestone de suborno no caso das acusações contra Gerhard Gribowsky. A investigação feita pela Procuradoria federal de Munique chegou à conclusão de que foram feitos pagamentos a Ecclestone e o tribunal aceitou os termos da acusação. Agora, será marcada data para o julgamento, que poderá começar ainda este ano.

Ecclestone já reagiu, afirmando que recebeu a acusação, e que o irá contestar em tribunal: “"Iremos nos defender propriamente. Vai ser um caso bem interessante e é uma pena que isto tenha acontecido. Meus advogados aceitaram o indiciamento, e isso significa que eles precisam de respondê-lo, o que já estão fazendo de forma tenaz”, declarou à agência de noticias AP.

Recorde-se que Ecclestone é acusado de, em 2006, ter subornado Gribowsky em cerca de 50 milhões de euros para ficar com os direitos da Formula 1, que tinham caído nas mãos do Grupo Kirch, que por sua vez, tinha falido dois anos antes. Por causa disso, quando em 2011 as autoridades alemãs descobriram os 50 milhões não declarados por Gribowsky, este foi preso e acusado de evasão fiscal. Resultado: em junho de 2012, Gribowsky foi condenado a oito anos de prisão por fraude e evasão fiscal.

Ecclestone admitiu o suborno, mas a justificação que deu foi no minimo, desconcertante: afirmou que estava a ser chantageado por Gribowsky devido ao uso que fazia ao fundo Bambino, feito por si para beneficio das suas filhas Tamara e Petra Ecclestone. Ele afirmou que caso não pagasse, Gribowsky iria alertar as autoridades britânicas para que estes fizessem uma auditoria às suas contas.

Para terem uma ideia de como é intrincado este caso, recomendo que leiam um post meu do inicio de 2011 que fala sobre o assunto. 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Noticias: Procuradoria de Munique vai acusar Ecclestone de corrupção e suborno no "caso Gribowsky"

Apareceu neste sábado no jornal alemão Suddeutsche Zeitung a noticia de que a Procuradoria de Munique já poderá ter concluído as suas investigações sobre o envolvimento de Bernie Ecclestone no "caso Gribowsky", o caso em que Gerhard Gribowsky, funcionário do banco Bayern LB, foi acusado de enriquecimento ilicito e corrupção, no valor de 50 milhões de euros.

Recorde-se que Gribowsky foi já julgado e condenado a oito anos de prisão em junho de 2012, e Ecclestone já admitiu que pagou esse suborno a ele, alegando que o fez "para o manter calado". E por causa dessa admissão, a procuradoria de Munique decidiu investigar o envolvimento de Ecclestone neste negócio e poderá, agora que as investigações estão concluidas, processá-lo nas próximas semanas.

O jornal afirma que o julgamento poderá começar algures em julho, num tribunal de Munique, mas não diz se Ecclestone tem de comparecer em tribunal ou se irá emitir um mandato de captura europeu contra ele. Mas a hipótese de uma grande agitação existem especialmente numa altura em que o novo Acordo de Concórdia precisa de ser assinado, e fala-se de que poderá haver a hipótese da Formula 1 ir para a Bolsa de Singapura, algures em setembro deste ano.

Já agora, para quem quiser entender o caso, basta ler um post que escrevi sobre isso no inicio de 2011.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Os cenários pós-Eccclestone

Bernie Ecclestone, quando fala, é enigmático. As suas entrevistas à imprensa muitas das vezes são mais para que ele exprima as suas ideias do que ele responder às perguntas dos jornalistas  Nesse campo, ele consegue escapar com uma destreza única, muitas das vezes confundindo as pessoas que o lêm. E quando aproveita o canal aberto para mandar "o soundbyte do dia", sabe que isso provoca agitação nos meios, mais do que suficiente para que se desviem as atenções de algo mais essencial.

Só que desta vez é diferente. Pela primeira vem em muito tempo, decidiu falar sobre o "caso Gribowsky", e foi uma entrevista ao Sunday Telegraph, publicada este domingo, afirmou que, caso a justiça alemã consiga prender Ecclestone, isso seria um bom pretexto para encontrar um substituto. “Provavelmente [a CVC Capital Partners] será forçada a se livrar de mim se os alemães vierem atrás de mim. Se eu for preso, isso é bastante óbvio”, comentou.

Gribowsky, condenado em junho passado a uma pena de oito anos de prisão, afirmou que em 2006, Ecclestone lhe pagou cerca de 50 milhões de euros para adquirir os direitos da Formula 1, então pertencentes ao banco BayernLB, após a falência do Grupo Kirch, em 2002. Ecclestone admitiu em tribunal que lhe pagou esse valor, com o objetivo de "o calar" sobre uma alegada chantagem sobre o Bambino Trust, o fundo feito por ele para as suas filhas, Tamara e Petra, mas no qual ele têm a sua fortuna, para escapar de pagar impostos mais elevados.

Ecclestone, agora a caminho dos 83 anos, já começa a ter consciência de que os dias começam a ser curtos. Seja pela inevitável marcha do tempo, seja por este caso em particular, onde poderá acabar os seus dias numa cela alemã, ele sabe que os mais de 50 anos de presença na Formula 1, primeiro como empresário de pilotos como Jochen Rindt, depois como proprietário de uma equipa como a Brabham, e depois como o "dono do circo",  estão perto do seu final. Fico até com a impressão que ele já tem a consciência que já viu a "bandeira de xadrez", mas continua a acelerar como se nada fosse. Seja a negociar circuitos novos no calendário, publicidades, o novo Pacto da Concórdia, seja a mandar os seus "soundbytes do dia", etc... ainda tem a agilidade de quando estava na meia idade.

Eles disseram que contrataram um caça-talentos para encontrar alguém caso eu morra ou algo do tipo. É natural que eles façam isso para manter todos contentes”, afirmou o britânico, na mesma entrevista. Claro, muitos nomes podem estar em cima da mesa, como a diretora da Sauber, Monisha Kalterborn, ou o diretor da Red Bull, Christian Horner. Mas há quem queira algo de fora do paddock, como deseja Jackie Stewart, tricampeão do mundo pela Matra e Tyrrell, entre 1969 e 1973: 

Não há nada na Formula 1 que não aconteça sem o seu conhecimento. Entendo as pessoas que dizem que a será administrável sem Bernie Ecclestone. Mas a infraestrutura está lá. Está tudo em Belgravia [sede da FOM em Londres] e há muita gente com conhecimento”, começou por dizer no mesmo artigo do Sunday Telegraph. “Duvido muito que haverá alguém no Paddock da Formula 1 e não acho que isso vá acontecer. Acho que eles deveriam sair à procura do melhor [executivo] de todos”, concluiu o escocês de 73 anos.

E esta entrevista, a aparecer no final do ano, não é inocente: é nesta altura em que termina o atual Pacto de Concórdia e entrará em vigor um novo, se é que este já esteja assinado. Queremos acreditar que sim, e que a Formula 1 esteja salvaguardada para o futuro próximo, eventualmente até 2020. Mas há outros assuntos em cima da mesa, como por exemplo, um possível alargamento do calendário e uma redistribuição dos rendimentos que a Formula 1 traz por ano, e é superior a mil milhões de euros.

E claro, com Ecclestone de saída, outros estarão a visar o lugar dele. Não como poder, mas como influência, como Luca de Montezemolo. O patrão da Ferrari - e que por estes dias, quer lançar em Itália uma formação politica de centro, que vai apoiar Mário Monti para o lugar de primeiro-ministro - por estes dias não morre de amores por Ecclestone, afirmou alguns dias antes que: “Lentamente, estamos chegando ao fim de um período caracterizado pelo estilo de um homem que fez coisas importantes”. E que a Formula 1 precisa de "sangue novo".

É certo, mas Montezemolo, que não é tão novo assim - tem 65 anos e 40 de Formula 1 - tem a sua própria agenda: uma em que a Ferrari tenha uma certa liberdade para ser dominadora na categoria máxima do automobilismo, terminando esta igualdade artificialista e recolocar, por exemplo, motores diferenciados. Quando defende que as equipas deveriam poder inscrever um terceiro carro, deseja que esta tenha ainda menos equipas. Ecclestone falou certo dia de dez, Montezemolo acha que provavelmente, seis ou sete seria o ideal, "enxotando" as mais pequenas. E a politica dele não é nova, é histórica: Enzo Ferrari sempre desprezou as "garagistas" inglesas, principalmente nos anos 60 e 70.

Em jeito de conclusão, Bernie Ecclestone já admite ver a meta. Resta saber quem chegará primeiro: a justiça alemã ou o "The Grim Reaper". Mas após Ecclestone, a Formula 1 tem de encontrar rapidamente uma "cola" tão boa como a que é o anãozinho octogenário. E pelos exemplos do passado, vai ser uma busca tão intensa como a do Santo Graal: dificil, quase impossivel. E sem essa cola, com cada equipa com a sua agenda, o perigo de cisão da Formula 1 a médio prazo é existente. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Os crescentes problemas de Bernie Ecclestone

As consequências do "caso Gribowsky", onde Bernie Ecclestone pagou quase 15 milhões de euros ao banqueiro alemão Gerhard Gribowsky há dez anos para assegurar os direitos da Formula 1, continuam a escalar a cada dia que passa. Com a Procuradoria de Munique a elaborar um caso contra ele, pois o querem ouvir sobre a sua parte, surgiram ontem noticias de que um tribunal de Nova Iorque aceitou a queixa de um fundo de investimento, a Bluewaters Comunication Holdings, que pede uma indemnização de 650 milhões de dólares a Ecclestone, devido ao negócio da compra do negócio da Formula 1 pela CVC Capital Partners, em 2005.

A CVC, o fundo de investimento, pagou cerca de 1.6 mil mihões de dólares à BayernLB, quando Gribowsky ainda trabalhava no banco, num concurso onde a Bluewaters estava também interessada no negócio. A companhia de investimento reclama que tinha a proposta mais elevada e nela, estava disposto a pagar o equivalente a dez por cento de qualquer proposta concorrente. Contudo, a sua proposta não foi considerada e os seus responsáveis afirmam que isso se deveu ao acordo feito entre Ecclestone e Gribowsky.

Recorde-se que Gribowsky, o financeiro alemão, foi condenado no final de junho a oito anos de prisão devido a fraude fiscal, do qual Bernie Ecclestone admitiu ter subornado Gribowsky, com o objetivo "de o fazer calar", afirmando que "estava a ser chantageado". Devido a isso, a Procuradoria Geral de Munique decidiu investigar o envolvimento do patrão da Formula 1, atualmente com 82 anos, neste negócio de suborno que terá acontecido em 2002.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Os alemães apertam o cerco a Ecclestone

Discreta, mas firmemente, o cerco aperta-se na Alemanha contra Bernie Ecclestone. O jornal local "Suddeutsche Zeitung" escreve na sua edição de hoje que a Procuradoria de Munique já tem concluído o processo de acusação contra o patrão da Formula 1, que se envolveu no "caso Gribowsky", o caso de suborno em que o banqueiro alemão aceitou em 2002 um suborno na ordem dos 44 milhões de euros no intuito de os supervalorizar no mercado financeiro.

O dinheiro, segundo Gribkowsky, não foi declarado pelo banco [BayernLB], simbolizando assim a fraude, visto que escapariam dos impostos cobrados pela União Europeia. Isso também é acusado pelo Supremo Tribunal de Monique, mas por enquanto o caso está correndo em segredo de estado”, segundo diz o periódico alemão.

Ecclestone, por enquanto não se pronuncia sobre este caso, mas desde há vários meses que têm evitado aparecer em solo alemão, pois teme ser detido pela procuradoria de Munique e ser submetido a interrogatório sobre este caso. Mas o promotor de 81 anos não tem deixado de sentir o seu incómodo com as investigações, quando no fim de semana começou a falar sobre a possibilidade de adiar a introdução dos motores Turbo de 1.6 litros para 2016, porque, segundo ele "não gostou do barulho dos motores". Felizmente, toda a gente topou o que ele queria dizer e fazer...

Recorde-se que no passado mês de junho, Gerhard Gribowsky foi condenado a oito anos de prisão efetiva quando o tribunal de Munique provou que ele recebeu parte dos quase 50 milhões de euros que Ecclestone lhe pagou. O próprio admitiu que pagou o suborno, mas justificou-se afirmando que tinha sido obrigado a fazê-lo "para o manter calado".

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Ecclestone e o caso Gribowsky

Bernie Ecclestone é uma personagem que está em todo o lado, em todos os fins de semana de Grande Prémio, como a pessoa que realmente é: o dono do circo da Formula 1. Mas uma das grandes curiosidades deste GP da Alemanha, segundo diz o Joe Saward, é saber se Ecclestone vai aparecer ou não no circuito alemão, numa altura em que a Procuradoria de Munique, após ter julgado o "caso Gribowsky", estar interessado em ter uma conversa a sério com Ecclestone.

Ele já afirmou que estaria presente em Hockenheim, e que não estava preocupado em receber os procuradores e esclartecer todas as dúvidas sobre este caso. O problema é que estes já estiveram com Gribowsky esta semana e após um interrogatório de oito horas, ele repetiu a mesma história: que aceitou subornos no valor de 44 milhões de dólares por parte do "anãozinho tenebroso". Claro, ele nega a história, afirmando que apenas pagou para que ele não denunciasse os seus ganhos ás autoridades fiscais britânicas.

Ainda não se sabe o que poderá acontecer, pois todas as cartas estão em cima da mesa: aparecer e ser interrogado, aparecer e não ser interrogado, não aparecer e ter os procuradores de Munique a quererem interrogá-lo, ou num caso extremo, ver as autoridades alemãs a emitirem um mandato de captura europeu para o velhote - a caminho dos 82 anos - para o poderem interrogá-lo sobre o caso Gribowsky.

Enfim, vai ser mais uma curiosidade neste final de semana.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Ecclestone: "Não há corrupção na Formula 1"

Quase uma semana depois de Gerhard Gribowsky ter sido condenado em tribunal a uma pena de oito anos de prisão por fraude fiscal, as suspeitas sobre Bernie Ecclestone não param de surgir, mas  ele continua a afirmar a pés juntos a sua inocência no caso, embora admita ter dado dinheiro a Gribowsky. Numa entrevista feita à revista alemã ‘Focus’, o dirigente máximo da Formula 1 negou o seu envolvimento no caso Gribowsky. “É mentira. O tribunal fez o que precisava de ser feito, mas ele está a mentir”, afirmou. 

Alguns meses antes, em tribunal, Ecclestone alegou que pagou uma determinada quantia em dinheiro, do próprio bolso, porque foi coagido por Gribkowsky, que o ameaçou de causar problemas com seus assuntos fiscais. A única coisa que eu fiz de errado é que eu, pessoalmente, lhe paguei 10 milhões de libras. Eu sou um homem de negócios. Sempre pondero entre o risco, a oportunidade e o aborrecimento”, admitiu o britânico.

Na entrevista, o dirigente de 81 anos aproveitou para rejeitar insinuações de que a categoria máxima do automobilismo está metido em negócios escuros: "Não há corrupção na Formula 1". E se ele estaria tranquilo caso no final do mês vá à Alemanha para assistir ao Grande Prémio, assegurou: “Claro que eu vou para Hockenheim”.

Veremos o que os próximos tempos irão trazer...