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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Noticias: FIA aprova novo Acordo da Concórdia e mostra calendário para 2014

O Conselho Mundial da FIA reune-se por estes dias na cidade croata de Dubrovnik e aprovou várias medidas, dois dos quais muito importantes e prometem criar polémica. A primeira foi o novo Acordo da Concórdia, e o segundo foi o calendário da Formula 1 mais expansivo de sempre: 22 corridas, entre março e novembro de 2014.

No comunicado publicado no website da FIA, pode ler-se que “este acordo dá à FIA meios financeiros significativamente melhorados para realizar as suas missões regulatórias e para refletir o papel reforçado da FIA no desporto motorizado”. 

 O presidente da entidade federativa, Jean Todt, congratulou-se com a novidade, referindo que “podemos estar orgulhosos deste acordo, que estabelece um quadro mais efetivo para a governância do Mundial de Fórmula 1”. Bernie Ecclestone, chefe executivo da modalidade, também se mostrou contente, referindo que “estou muito satisfeito por ter sido concluído o acordo entre a FIA e o Grupo Fórmula 1”.

O novo Acordo (ou Pacto) da Concórdia era algo que já se esperava desde meados do ano passado, só que os desacordos em relação a alguns dos detalhes fizeram com que o Acordo anterior extinguisse sem que o novo Acordo fosse assinado. Afinal de contas, as equipas e a FIA chegaram por fim a um acordo em julho, no seu aspecto geral, estando agora a tratar dos detalhes, como por exemplo, a percentagem que é dada às equipas, a percentagem que a FIA terá agora, proveniente da FOM, e por fim, qual é a quantia que a mesma FOM vai dar à Marussia, que até agora é a única equipa que não assinou um acordo comercial com Bernie Ecclestone.

Entretanto, também em Dubrovnik, a FIA aprovou um calendário provisório de 22 corridas para a próxima temporada, o mais longo de sempre nos 64 anos de existência da categoria. A começar a 16 de março, em Melbourne e a terminar a 30 de novembro, em Interlagos, há quatro grandes novidades, dois deles ainda com o estatuto de "provisório", como o México e Nova Jersia. Áustria (22 de junho) e Rússia (5 de outubro) serão outras novidades, enquanto que sobre a Coreia do Sul caem algumas dúvidas sobre a sua realização, quando se sabe que o GP da Índia não se realizará na próxima temporada.

O calendário, caso seja aprovado definitivamente, haverá alturas em que correrá por vários fins de semana consecutivos. Um exemplo será o final de maio e o inicio de junho, onde terá Mónaco a 25 de maio, New Jersey a 1 de junho e Canadá a 8 de junho, com uma pausa de quinze dias até ao regresso à Europa, a 22 de junho, na austriaca Red Bull Ring.

Eis o calendário completo:

16 de março - GP Austrália (Melbourne)
30 de março - GP Malásia (Sepang)
06 de abril - GP Bahrain (Sakhir)
20 de abril - GP China (Shangai)
27 de abril - GP Coreia (Yenogam*)
11 de maio - GP Espanha (Barcelona)
25 de maio - GP Mónaco
01 de junho - GP da América (Nova Jérsia*)
08 de junho - GP Canadá (Montreal)
22 de junho - GP Áustria (Spielberg)
06 de julho - GP Grã-Bretanha (Silverstone)
20 de julho - GP Alemanha (Hockenheim)
27 de julho - GP Hungria (Budapeste)
24 de agosto - GP Bélgica (Spa)
07 de setembro - GP Itália (Monza)
21 de setembro - GP Singapura (Marina Bay)
05 de outubro - GP Rússia (Sochi)
12 de outubro - GP Japão (Suzuka)
26 de outubro - GP Abu Dhabi (Yas Marina)
09 de novembro - GP EUA (Austin)
16 de novembro - GP México (Hermanos Rodriguez*)
30 de novembro - GP Brasil (Interlagos)

*provisório

domingo, 28 de julho de 2013

O novo Pacto da Concórdia e a máquina de fazer dinheiro que é a Formula 1

O fim de semana do GP húngaro irá ser marcado pela noticia de que, por fim, Jean Todt e Bernie Ecclestone terem chegado a um entendimento sobre o novo Acordo (ou Pacto) de Concórdia, que deveria estar em vigor desde o inicio do ano, mas que até agora, não tinha acontecido. A ser verdadeiro, isso significa que dentro em breve, provavelmente em Paris, ambos os lados irão colocar em papel as assinaturas de algo que existe sempre desde 1982, sempre negociado e renovado, e com este novo acordo, será prolongado até 2020, quando o Tio Bernie (caso esteja vivo e livre) já for nonagenário. 

De uma certa forma, é um alivio que ambas as partes tenham chegado a esse acordo, pois a cada semana que passava sem isso assinado, as tensões cresciam entre Ecclestone e as equipas, bem entre ele e Todt, o presidente da FIA. Uma das razões para essa tensão tem a ver com a contribuição que a FOM deveria dar à entidade que regula o automobilismo, dado que Ecclestone conseguiu convencer Max Mosley, algures em 2001, a ceder a sua parte dos direitos por um periodo de... cem anos. Outro problema do qual afastava Todt de Ecclestone, como fala a Autosport portuguesa, era de que o "anãozinho tenebroso" queria cobrar uma verba aos jornais, da mesma maneira que cobre às cadeias de televisão, ou seja, que pagassem para falar sobre a Formula 1. E sobre isso, Todt era terminantemente contra.

O francês, que durante este tempo todo teve uma posição muito "low profile" - uma boa razão para isso poderá ser as eleições para a presidência, que acontecerão no final deste verão - quis que esse acordo chegasse depressa, mas sem pressa, pois não queria hostilizar Ecclestone, já que este ainda têm muito poder para colocar um dos seus "paus mandados", como aconteceu com Max Mosley, em 1991. Contudo, nenhum dos lados cedia nessa parte até então, e isso prejudicava as equipas, pois elas com o novo acordo, ele tinha cedido mais uma percentagem dos seus ganhos - fala-se que agora, as equipas vão receber cerca de 60 por cento dos ganhos, contra os 50 que recebiam antes.

E sobre a máquina de fazer dinheiro que é agora a Formula 1, na semana que passou apareceu uma excelente matéria feita pelo Luis Fernando Ramos, vulgo o Ico, que detalhou as receitas que a Formula 1 ganha nos dias de hoje graças à ação de Bernard Charles Ecclestone, nascido a 28 de outubro de 1930 em Londres. Lá, ele mostra um estudo financeiro de 2011 onde as receitas dos Grandes Prémios (aqui em dolares), estimados em 1500 milhões de dólares, um terço delas - 510 milhões - vêm dos promotores dos circuitos, enquanto que outro terço, 490 milhões, vêm das receitas televisivas. As receitas em termos de publicidade estática andam à volta dos 225 milhões de dólares.

Interessante ler sobre as taxas que Ecclestone aplica aos promotres, que nos tempos que correm, é graças à expansão para a Ásia do qual Ecclestone sempre batalhou, é que se chega a esse valor. Alguns dos "novos ricos" da Formula 1 foram capazes de gastar muitos milhões por ano só para que o seu país esteja nas bocas do mundo, apesar da sua parca - ou nenhuma - tradição. Exemplos? Voltando à Autosport portuguesa, descobre-se que Singapura paga 48 milhões de euros por ano para ter um Grande Prémio e a Coreia do Sul despende 42 milhões de euros anuais para ter uma corrida num "meio de nenhures" chamado Yeongam. Não admira que por estes dias, a organização do GP coreano queira livrar-se deste contrato o mais rapidamente possível...

Outros exemplos: Abu Dhabi gasta 40 milhões, Índia paga desde 2011 32 milhões de euros, apesar de todos os obstáculos, Bahrein paga 32 milhões de euros, mesmo com a agitação social existente, e a China dispende 27 milhões, embora já tenha pago bem mais. Para terem uma ideia, em média, os organizadores europeus dispendem entre 13 a 16 milhões de euros anuais. E há uma excepção: o Mónaco, que recebe de graça, porque a Formula 1 - e Ecclestone - reconhece que necessita ter as ruas do Principado no seu calendário, pois acrescente imenso "glamour" à competição.

E sobre as receitas televisivas, volto à Autosport portuguesa para falar sobre os valores que algumas cadeias televisivas estão dispostas a pagar para ter a Formula 1. A Sky Sports inglesa e a RTL alemã são as mais caras, pagando 60 milhões de euros cada um, enquanto que a Sky alemã, a RAI italiana dispendem 40 milhões de euros anuais. Já a Fuji TV japonesa, a Rede Globo brasileira, o Canal 5 espanhol e a TF1 francesa gastam 20 milhões de euros cada um. Mas Ecclestone quer transferir a Formula 1 para canais pagos e tende a carregar ainda mais nos contratos. Daí que a BBC, no final de 2010, tenha decidido abdicar de transmitir toda a temporada, por causa dos valores cada vez mais incomportáveis.

Mas os lucros são incomparáveis. O Ico fala que em termos de despesas, estas chegaram a... 350 milhões de dólares. Um terço das receitas! Mas 60 por cento vai para as equipas, divididas por onze (de uma maneira um pouco estranha) e os 40 por cento vai para a "holding" Delta Topco, do qual a CVC CApital Partners e o fundo Alpha Prema, de Ecclestone, fazem parte. Só o "anão tenebroso" recebe anualmente 62,5 milhões de dólares, graças ao fundo Alpha Prema. E isso é 14 por cento dos receitas, pois a fatia maior, 42 por cento, vai para a CVC Capital Partners. Impressionante, hein? Não admira que Ecclestone seja um dos homens mais ricos da Grã-Bretanha, e as suas filhas rebentem tudo nas suas vidas de luxo...

Contudo, o novo Acordo aparece numa era de transição. Fala-se há muito tempo sobre a "flutuação" da Formula 1, ou seja, esta entrar em Bolsa, alienando algum do seu capital para que o público possa adquirir ações. O interessante é que, em vez de o fazerem em Londres, Paris ou Nova Iorque, eles queiram fazê-lo em Singapura. Não que não seja uma bolsa de segunda linha, mas mesmo apostar aí mostra que acreditam na Ásia. Mas a preferência por essa cidade-estado em vez de outros lugares como Hong Kong ou Tóquio poderá explicar que não deseja responder a muitas perguntas incómodas, por exemplo.

E também não se pode esquecer que este será provavelmente o último acordo celebrado por Ecclestone, enquanto for vivo e capaz. No final de outubro, ele completará 83 anos e ele já começa a saltar algumas corridas, as mais distantes do campeonato, porque a saúde já não permite entrar e sair constantemente de aviões. Já é altura de se pensar num sucessor para ele, e há muitos nomes a "flutuarem", uns dentro, outros fora da Formula 1, mas esta poderá ser uma altura ideal para pessoas como Jean Todt ganhar um maior poder negocial e pedir uma fatia do qual acham justa de receber. Ou até de revogar o famoso "Acordo dos Cem Anos" que o seu antecessor assinou, e recuperar receitas perdidas. 

Para piorar as coisas, Ecclestone tem de lidar com aquilo que agora se chama de "caso Gribowsky", no qual a justiça alemã (mais concretamente a Procuradoria de Munique) o acusa de suborno para ficar com os direitos da Formula 1, que então pertenciam ao banco Bayern LB - e do qual pagou cerca de 40 milhões de euros a Gerhard Gribowsky, algures em 2005 - o poderão colocar em sérios apuros. As acusações estão enumeradas e o julgamento irá acontecer dentro em breve, e justiça alemã já conseguiu condenar Gribowsky a oito anos de prisão. Quem nos garante que esta seja mais condescendente com um ancião com quase 83 anos? Tenho sérias dúvidas que esta feche os olhos, logo, suponho que os próximos tempos serão bem complicados para ele.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

As Lotus poderão ter chegado a acordo


A guerra entre as Lotus poderá ter chegado ao fim, depois de a meio do ano o tribunal britânico ter dado razão a Tony Fernandes em relação aos direitos da Team Lotus, que tinha comprado a David Hunt em 2010 e do qual a Lotus Cars, que pertence à malaia Proton, sempre contestou, mas sem razão, pois desconhecia que a familia Chapman tinha vendido os direitos desse nome a Peter Collins e Peter Wright no final de 1990, para evitar a falência da equipa de Formula 1.

Pois bem, esse complicado imbrógilo poderá ter chegado ao fim por estes dias. Segundo o que fala esta semana a Autosport portuguesa, ambas as partes chegaram a acordo e Tony Fernandes poderá ter cedido os direitos à marca à Proton por uma verba ainda não revelada, e em troca, será amplamente ressarcido pelo esforço e rebatizará a sua equipa de Caterham a partir de 2012. Já a Renault poderá ser rebatizada de Lotus na próxima temporada, e de uma certa maneira ajudar nos planos mega-ambiciosos da marca para os anos seguintes. Isto, se o Danny Bahar não estragar tudo, como aparenta estar a fazer...

Para explicar isso tudo, coloco aqui o artigo escrito por Luis Vasconcelos no Autosport desta semana.

PAZ À VISTA NA GUERRA DAS LOTUS

"Um acordo entre o Grupo Lotus e a Team Lotus facilitará a vida de todos. A Lotus ficará com o nome e Fernandes vai renomear a sua equipa de Caterham.

O conflito entre o Grupo Lotus, liderado por Danny Bahar, e o Team Lotus, de Tony Fernandes, poderá ter chegado ao fim. Segundo fontes malaias, geralmente bem informadas, as duas partes chegaram a um acordo de principio na semana passada, aceitando o final dos processos judiciais em que se tinham envolvido nos últimos doze meses e que estava a conhecer um novo capítulo com a marca que é propriedade da Proton a contestar a utilização da marca Caterham por parte da Team Lotus na F1, por isso, alegadamente, volar o acordo que tinham feito anteriormente.

Ciente que o prolongar deste conflito só estava a provocar danos à imagem da Lotus, numa altura em que se endividou em perto de 500 milhões de euros para financiar os tremendamente ambiciosos projetos do Grupo Lotus, a Proton, impulsionada pelo governo de Kuala Lumpur, forçou Bahar a chegar a um acordo com Tony Fernandes, segundo nos indicam as nossas fontes.

Acresce que o patrão do Team Lotus e da Air Asia, que construiu a sua companhia aérea apesar da enorme oposição governamental que teve de enfrentar, pois havia que proteger a posição da Malaysia Airlines - propriedade do estado - já tem aliados de peso no governo e prepara-se para concretizar projetos de interesse nacional em conjunto com empresas estatais. Não fazia, por isso, sentido que estivesse em conflito aberto com uma empresa de capitais públicos, o que também forçou o empresário a ceder em algumas das suas pretensões, para não comprometer negócios de dimensões muito maiores do que pode valer-lhe o Team Lotus.

VANTAGENS PARA TODOS

Em principio terá sido acordado que o Grupo Lotus vai adquirir a denominação Team Lotus a Tony Fernandes e seus associados, pagando uma quantia avultada para os compensar do enorme investimento feito no renascer da imagem da equipa. Isto vai fazer com a equipa Renault F1 possa mudar de denominação já em 2012, passando-se a chamar Team Lotus Renault, sem que nenhuma das outras escuderias se oponha, mantendo os direitos históricos da Renault no que diz respeito dos lucros da F1 entre as equipas.

Quanto à equipa de Fernandes, o mais provável é que adopte o nome da Caterham, como já acontece com a sua formação de GP2, associando-lhe o nome da Air Asia, para ter o máximo retorno através das duas marcas que mais investiu.

Apesar da nossa insistência, nenhuma das partes envolvidas neste acordo quis fazer qualquer comentário. No caso da Team Lotus, de portas fechadas durante duas semanas, não foi possivel contactar qualquer responsável, enquanto que no Grupo Lotus, não foi possivel qualquer comentário oficial."

--- XXX ---

BAHAR NA GENII CAPITAL

A ligação do Grupo Lotus à equipa Renault F1 está a tornar-se mais complicada segundo fontes malaias, pois a falta de liquidez da escuderia de Enstone está a levar o seu principal patrocinador a avançar pagamentos para manter a equipa à superfície. Mas segundo as mesmas fontes, a situação está a complicar-se porque existem fortes indicios de que Dany Bahar, o lider da Lotus, está a entrar no capital da Genii Capital, que detêm a equipa Renault de F1, no que poderá representar um conflito de interesses, pois estará a fazer a título individual e não como representante da marca que é propriedade da Proton. Um novelo dificil de deslindar, até porque ao sediar-se no Luxemburgo, a Genii Capital dificilmente poderá ser controlada pelas autoridades fiscais europeias...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Os detalhes do circuito russo

Quando soube da candidatura e subsequente acordo com o governo russo para acolher a Formula 1 na cidade russa de Sochi, no Mar Negro, espreitei para a página da cidade na Wikipédia e descorbri algo extremamente familiar: apesar de receber os Jogos Olimpicos de Inverno, é uma localidade famosa por ser extremamente dependente do turismo, desde o tempo dos czares. Em suma, é o Mónaco russo, sem ser uma cidade estado (apesar de estar não muito longe da Abkhazia, uma provincia separatista da Georgia...) e sem ter tantos milionários.

E com todas estas novidades, logo, fica-se a saber que o acordo com o governo russo irá custar à volta de 40 milhões de dólares por ano, apesar de nenhuma das partes ter dito qualquer valor. "Esse tipo de informação não costuma ser revelada. Diremos que são alguns biliões de rublos", afirmou o primeiro-ministro Vladimir Putin.

Joe Saward, no seu blog, revelou alguns detalhes sobre o projecto. A ideia é construir um circuito urbano, aproveitando as instalações olimpicas. Projectado pela firma do costume, em principio o primeiro Grande Prémio só poderá ser corrido em 2015, a pedido do governo russo. Ecclestone disse que isto era uma forma de rentabilizar as instalações olimpicas após a realização dos Jogos. "Em todas as cidades olimpicas que visitei após a sua realização, praticamente esses locais estão voltados ao abandono. É muito importante que esse tipo de locais possem ser pensados e planeados e é claro, esto está a ser feito em Sochi".

Putin reforçou: "É muito mais barato do que construir um circuito de raiz, no meio de nenhures. Custará bastante menos e permitirá usar todas as facilidades e infraestruturas que serão criadas pelos Jogos Olimpicos. Portanto, não haverá desperdicio de dinheiro".

Quando se disse que isto era o concretizar de um velho sonho do Bernie, desconhecia até que ponto era tão velho. Putin disse que "o sr. Ecclestone disse-me que chegou a discutir este assunto em pessoa com Leonid Brezhnev". O que significa que desde o final dos anos 70 que tinha este "sonho"...

Saward disse há uns tempos que a ideia das medalhas, que Ecclestone recorre de tempos a tempos, tem uma razão: Ecclestone deseja que a Formula 1 seja reconhecida como um desporto olimpico. Creio que Sochi seja a primeira cidade olimpica que acolhe um Grande Premio num perímetro olimpico. Claro, Barcelona já teve isso no Parc de Montjuich, mas a última prova foi em 1975, antes da sua realização, em 1992.

Aparentemente, vai ser algo que será feito com tempo e calma. Veremos se até lá não haverá nenhum problema grave, como andamos a ver na Coreia do Sul...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Noticias: Russia vai ter Grande Prémio a partir de 2014

O acordo foi anunciado hoje e como podem ver, foi celebrado com champanhe (não sei se houve caviar...): Bernie Ecclestone e o governo russo chegaram a um entendimento para albergar a Formula 1 a partir de 2014. O local? Sochi, no Mar Negro, o mesmo local onde vai acolher os Jogos Olimpicos de Inverno.

Aparentemente, o acordo - que vai durar cinco anos, segundo fontes governamentais - foi negociado entre ele e o primeiro ministro Vladimir Putin, numa altura em que o interesse pela categoria máxima do automobilismo tem uma forte subida com a entrada de Vitaly Petrov na Renault, onde está a fazer a sua temporada de estreia na competição.

Quanto ao circuito, provavelmente vai ser desenhado pelo suspeito do costume - o gabinete de Hermann Tilke - e dará aos russos três anos para construir esse circuito. A concretizar-se, será o culminar de um sonho antigo, pois desde o final dos anos 80 que Ecclestone sonhou com uma corrida na antiga União Soviética - falou-se de um circuito na actual Letónia - e depois na Russia, com um circuito numa ilha nos arredores de Moscovo. Mas, primeiro o colapso da União Soviética e depois as várias dificuldades económicas que o pais atravessou na década passada, entre outros motivos, inviabilizaram qualquer projecto de Formula 1 na antiga terra dos Czares.

Quando acontecer, outra dúvida se colocará, para saber que prova irá "cair" do calendário, pois este vai ficar limitado a vinte provas. Há alguns candidatos válidos para a porta de saída, como Istambul, por exemplo. Mas 2014 ainda é uma data distante...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Ecclestone: "Novo Pacto da Concórdia possibilita equipas 'falharem' até três Grandes Prémios"

Afinal, a regra existe. E há mais tempo que julgávamos. Bernie Ecclestone confirmou-a numa entrevista dada este fim de semana ao "Daily Express" que a regra de que as equipas novas podem falhar até três corridas, discutida nas últimas duas semanas na imprensa internacional, existe, o que pode dar alguma esperança para a Campos Meta e a USF1, as equipas que todos apontam como estando em perigo de não alinhar no Bahrein, no próximo dia 14 de Março.

"Há uma cláusula no novo Pacto da Concórdia que pode permitir às equipas ficarem de fora no máximo de três Grandes Prémios de Fórmula 1. Eu penso que não vamos ver a Campos e os americanos da USF1 à partida do Mundial e eles deverão pedir para ficar de fora as tais três corridas.", revelou Ecclestone.


Uma coisa engraçada que vale a pena referir: toda a gente sabe que foi assinado um novo Pacto de Concórdia até 2012, mas poucos, fora da área da Formula 1, viram o conteúdo desse pacto. Esta hipótese que agora é referida nunca foi falada como fazendo parte desse até que o próprio Bernie a disse. E também há algo que merece ser referido: apesar da sua provecta idade, as declarações de Ecclestone devem ser levadas a sério, nem que seja pelo detalhe de ele ser o verdadeiro "insider" da Formula 1...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Noticias: Silverstone recebe Formula 1 até 2026

É mais uma das noticias que já se sabia que iria acontecer. Mas até é bom para a Formula 1. O BRDC (British Racing Drivers Club) e a FOM, dirigida pelo todo-poderoso "anão tenebroso" Bernie Ecclestone, chegaram a um acordo para receber o GP da Grã-Bretanha para as próximas 17 temporadas. O anúncio, e subsequente revelação, foi feito esta manhã, durante uma conferência de imprensa presidida por Damon Hill, o actual presidente da entidade organizadora.


"O título de Silverstone como 'casa' do desporto motorizado tornou-se realidade", começou por referir o campeão do mundo de 1996 e filho de Graham Hill. "É um lugar para todos os desportos motorizados. Toda a gente adora o desporto e estamos ansiosos pela chegada da corrida do MotoGP, assim como com o GP da Grã-Bretanha", acrescentou.


O traçado será remodelado em 2010, no sentido de ter um novo paddock e novas boxes, que deverão estar prontas na edição de 2011, uma exigência de Bernie Ecclestone aos organizadores. Foi por isso que Hill afirmou que este era um acordo dificil. "Não é fácil chegar a um contrato desta magnitude e temos de ter muita responsabilidade, mas o BRDC queria que esta relação continuasse. Toda a gente estava consciente de que o GP da Grã-Bretanha não era apenas um evento desportivo, mas um dínamo da indústria deste país. Tê-lo perdido teria sido prejudicial", acrescentou.


Esta até é uma boa noticia para os adeptos. Primeiro, a Formula 1 manteve-se em Silverstone, um dos autódromos tradicionais do automobilismo, e ainda melhor, a manutenção do Grande Prémio da Grã-Bretanha no calendário, numa altura em que Ecclestone só tem olhos para a Ásia...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Alguns pormenores do novo Pacto de Concórdia

O F1 Around, o blog de Becken Lima, mostra hoje uma matéria feita pelo colunista finlandês Heikki Kulta, um dos melhores jornalistas finlandeses, mostrando partes do Acordo de Concórdia, assinado pelas equipas no final da semana passada. Kulta, profissional do jornal Turun Sanomat, mostra excertos interessantes desse acordo, nomeadamente:
- Caso seja necessário, uma equipa fornecerá um terceiro carro para preencher a Grelha. Esse carro não poderia marcar pontos nos campeonatos de construtores e pilotos;

- Contudo, se esse carro finalizar uma corrida nos pontos, os carros que chegarem imediatamente atrás terão sua pontuação afectada pela posição desse terceiro carro.

Estranho, hein?

Outras medidas divulgadas pelo jornal:

- O numero minimo de carros na grelha de partida será de 20;
- As equipas FOTA não criarão uma nova categoria até 2012;
- O futuro presidente da FIA (seja Ari Vatanen, Jean Todt ou outro qualquer) terá menos influência sobre os regulamentos técnicos e desportivos;
- As decisões serão aprovadas por maioria, com a Ferrari a ter direito de veto em caso de mudança nos dois regulamentos;
- As SuperLicenças são mais baratas por ponto (440 euros por cada ponto conquistado, em vez dos 1609 euros actuais)

Caso isto seja verdadeiro, este Pacto reduz os poderes do presidente da FIA na Formula 1 quase a um nivel protocolar. Em suma, é o campeonato que a FOTA queria, só que dentro da FIA.

sábado, 1 de agosto de 2009

Noticias: Assinado o Novo Pacto da Concórdia

Para fechar esta semana louca na Formula 1, a FIA anuncia hoje no seu site oficial que já foi assinado o novo Pacto da Condórdia. FOTA e FIA assinaram para os próximos quatro anos um pacto que regula os aspectos desportivos e comerciais da categoria máxima do automobilismo. O acordo será válido até ao dia 31 de Dezembro de 2012.


Ainda não são públicos os detalhes do acordo, mas a edição desta semana do autosport português colocava alguns itens desse acordo, nomeadamente na parte comercial, com as equipas a chegarem a um acordo total com a CVC Capital Partners, a equipa que gere os aspectos comerciais da Formula 1, gerida por Bernie Ecclestone. Também a FOTA terá mais intervenção na elaboração do calendário, e isso pode implicar que em 2010 a Formula 1 volte à América do Norte, mais especificamente o GP do Canadá.


Também se fala na redução de custos das equipas, desde uma forte limitação nos materiais que poderão ser usadios nos monolugares, até que cada equipa só pode testar durante 15 dias antes do inicio da temporada, e que os novos monolugares só terão os seus ensaios em pista a partir de 1 de Fevereiro de 2010, com excepção das novas equipas e dos novos pilotos, no caso deles, terão quatro dias disponiveis.


Veremos depois, quando os detalhes forem públicos, se isso tem fundamento ou não. E também... como será que este novo Pacto afectará as eleições de Novembro para a presidência da FIA?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Agora sim, posso juntar-me à festa!

Depois de ouvir da boca de Max Mosley que havia um acordo, e que mantinha o meu cepticismo enquanto não ouvisse o outro lado, por fim, Luca di Montezemolo falou e confirmou o acordo. À imprensa, referiu que estava satisfeito com as decisões saídas do Conselho Mundial da FIA, em Paris, agradecendo à unidade das equipas FOTA pelo facto de terem conseguido a saída de Mosley do cargo de presidente da FIA em Outubro.


"A satisfação é que todas as nossas reivindicações foram aceites. Conseguimos obter três coisas: que a Formula 1 continuasse a ser a Formula 1 não a Formula 3; que não exista um ditador, mas sim uma escolha conjunta dos regulamentos e que não fossem imposições, e que os directores das equipas fossem consultados e tivessem uma palavra a dizer. Mosley anunciou que vai sair em Outubro, naquela que é uma decisão irrevogável, e até então não tratará mais da Formula 1", afirmou Montezemolo ao jornal Gazzetta dello Sport.


Para além disso, o presidente da Ferrari enalteceu o facto de terem conseguido a estabilidade regulamentar até 2013, e agradeceu aos restantes membros da FOTA por terem ajudado a alcançar aquilo que desejavam: "Agora temos finalmente estabilidade nas regras até 2013. Quero agradecer a todos os nossos apoiantes, porque o público não podia mais com estas alterações. Esperamos que no próximo ano, com uma regulamentação finalmente estável, vejamos uma Ferrari ganhadora".


"A unidade das equipas e dos construtores foi essencial. Ecclestone disse que deu os cartões da FOTA ao cão, Mosley disse que não sabia o que era a FOTA. Hoje, parece que ambos tiveram um discurso muito diferente", declarou Montezemolo, visivelmente satisfeito.


Para finalizar, agradeceu a Max Mosley(!) pela cooperação na resolução do problema: "Ele fez um excelente trabalho para resolver o problema. Quando se chega a acordo toda a gente tem de ajudar da mesma maneira." Sinceridade ou sarcasmo?


Mas enfim, tudo acabou em bem. Hipócrita, mas bem. Teve de chegar a uma espécie de "ponto de não retorno" para que se resolvessem as coisas na Formula 1. E do Tio Bernie se mexer (pudera, era o trabalho de uma vida toda que estava a desmoronar-se à sua frente...) Apesar de ser um acordo em muitos aspectos, politico, não sei ainda como vai ser os pormenores técnicos. Sei que o tecto orçamental vai baixar em 2011 mas e mais quê? Não sei...


Ah, entretanto, a FIA confirmou hoje a lista de inscritos para o Mundial de 2010: para além dos dez, teremos a USF1, a Manor e a Campos. Mais seis vagas na elite. Quem aparecerá?