E depois da volta 10, apenas 12 carros circulavam nas ruas do Principado, debaixo de chuva. E depois, claro, foi o "destruction derby" até chegarem ao fim com quatro carros e um deles, Olivier Panis, ficar com o lugar mais alto do pódio, e dando pela primeira vez em 14 anos uma vitória da Ligier. Que viria a ser a última, antes de ser comprada por Alain Prost.
Mas a história que quero contar hoje é o de um dos sobreviventes: David Coulthard. Um piloto que acabou no segundo posto, a menos de cinco segundos do vencedor, Panis, e que usou o capacete... de outro piloto. Mais concretamente, o de Michael Schumacher. A razão? O seu capacete deixava entrar água e ele ficava com a visão embaciada.
Coulthard estava a ter em 1996 a sua primeira temporada na McLaren, depois de duas temporadas na Williams. Veloz, com alguma inconsistência - apenas uma vitória, no Estoril, cinco pole-positions, nove pódios e quatro voltas mais rápidas - tinha ido para a McLaren em 1996, substituindo Mark Blundell, numa altura em que existiam ainda dúvidas sobre se Mika Hakkinen estaria bem para guiar um Formula 1 depois do seu forte acidente nos treinos do GP da Austrália de 1995.
No final, mostrou-se que ele tinha recuperado totalmente, mas na segunda temporada com motor Mercedes, as coisas começaram... pior que se esperava. Guiando ambos o McLaren MP4/11, a temporada não começou bem para ambos, apesar de ambos já terem pontuado. Quando chegaram ao Mónaco, a equipa tinha nove pontos, sendo quarto no campeonato, e o escocês tinha apenas um pódio, um terceiro lugar em Nurburgring.
Depois de sobreviver às primeiras 30 voltas, onde o pelotão ficou reduzido para metade, com a liderança a ser discutida entre Damon Hill e o Benetton de Jean Alesi, pela volta 40, o britânico estava fora por causa de um problema de motor, enquanto Alesi desistiu por causa da suspensão, que tinha quebrado na volta 60, com o comando a cair nas mão de Olivier Panis.
Na volta 70, entre o gancho e o Portier, Eddie Irvine decidiu parar o carro num lugar inadequado - curiosamente, o mesmo lugar onde Michael Schumacher tinha batido na primeira volta - e atrás, Mika Hakkinen abrandou para poder passar por ali, porque o Ferrari era demasiado grande para ele poder circular à vontade. Só que, atrás, vinha o Tyrrell de Mika Salo, que sem ter tido tempo para parar, bateu na traseira do seu compatriota, que por sua vez, bateu em Irvine. Em poucos instantes, três pilotos estavam fora de cena, e perguntava-se: haveria pilotos suficientes para cortar a meta?
Havia. Apesar de Coulthard estar a apanhar Panis, o tempo tinha esgotado, porque o limite das duas voltas tinha sido alcançado três voltas antes do final. No final quatro segundos separaram ambos os pilotos, mas se a Ligier comemorava a sua primeira vitória desde o GP do Canadá de 1981 - curiosamente, outra corrida debaixo de chuva - David Coulthard poderia ter sido o primeiro piloto a ganhar uma corrida... com o capacete de outro piloto. E tudo graças a Michael Schumacher.




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