sábado, 13 de junho de 2026

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Este fim de semana de 24 Horas de Le Mans tem uma coincidência: em termos de data, irá calhar nos mesmos dias da edição de 1981, a corrida onde Jacky Ickx ganhou pela quarta vez e igualava o seu compatriota Olivier Gendebien como o piloto com mais vitórias na clássica da Endurance. Contudo, nessa edição, havia uma sombra sobre essa corrida, por causa de um acidente na terceira hora da corrida.

A história de Jean-Louis Lafosse é a de alguém que começou relativamente tarde, passou pelos monolugares e acabou na Endurance, com resultados meritórios, sem conseguir a vitória. Nascido a 15 de Março de 1941 em Dakar, então uma colónia francesa, começou a competir em carros da Gordini, mostrando o seu talento quer em turismos, quer, depois, em monolugares. 

Em 1971, participou na Coupe des Nations da Formula 3, em Thruxton, ao lado de Jacques Coulon e de Pierre-François Rousselot, e ganhou a medalha de ouro, antes de em 1972, ter participado no GP de Albi, de 1972, num Pygmée-Ford, mas problemas de motor antes da corrida fez com que não arrancasse. Dois anos depois, em 1974, chega a estar inscrito no GP de Itália de Formula 1, num Brabham BT42 da Scuderia Finotto, mas a inscrição não é aceite. 

Foi ainda em 1972 que teve a sua primeira participação nas 24 Horas de Le Mans, a bordo de um Ferrari 365/4 da Scuderia Filipinetti, ao lado de Mike Parkes e Jean-Jacques Cochet, acabou na sétima posição. Corre no ano seguinte com um Lola, mas desiste por problemas na bomba de óleo, e em 1974, num Ferrari 308 da North American Racing Team, também não chegou ao fim por causa de uma roda partida. 

Em 1975, a Ligier ainda não estava na Formula 1, mas tinha comprado o espólio da Matra, e também tinha construído carros de estrada, o JS2. Com motores Cosworth V8 - em vez dos Maserati nas versões de estrada - foram inscritos dois carros, um para Henri Pescarolo e Francois Migault, e o segundo para Guy Chasseuil e Jean-Louis Lafosse. Na corrida, se os Mirage pareciam ter sido os melhores na pista, já os Ligier deram nas vistas, especialmente o de Lafosse e Chasseuil, que perseguiu o Mirage que liderava, o de Ickx e Derek Bell, até ao final da corrida. No final, uma volta separou ambos os carros, e o Ligier conseguia o seu melhor resultado de sempre.

No final desse ano, a Ligier foi para a Formula 1, mas no ano seguinte, Lafosse irá correr num dos Mirages que perseguiu, inscrito pela Grand Touring Cars Inc, ao lado de Francois Migault, acabando novamente na segunda posição, onze voltas atrás do vencedor, o Porsche 936 de Jacky Ickx e Gijs van Lennep. Nos anos seguintes, iria participar na clássica da Endurance em La Sarthe, mas não chegou ao fim. O grande destaque foi em 1980, quando correu num Porsche 935 da Kremer Racing, ao lado dos americanos Danny Ongais e Ted Field, que acabou na oitava hora quando o motor rebentou.

Em 1981, Lafosse era um dos pilotos da equipa Rondeau, que tinha ganho as 24 Horas de Le Mans no ano anterior. Fazia dupla com Jean Ragnotti, um dos quatro carros inscritos - os outros três, eram para o próprio Rondeau e Jean-Pierre Jaussaud, um terceiro carro, para Henri Pescarolo e Patrick Tambay, e o quarto, para três pilotos: Jacky Haran, Philippe Streiff e Jean-Louis Schlesser.

Nesse ano, Lafosse tinha 40 anos e já pensava em se reformar do automobilismo. Tinha uma companhia mecânica, Goti Meca, do qual era o dono, e acabou por largar na décima posição, graças ao tempo feito por Ragnotti. Nesse ano, a corrida iria acontecer uma hora mais cedo, porque nesse domingo, iria haver eleições legislativas em França. No final da primeira hora, graças a Ragnotti, o carro estava na terceira posição, quando trocaram de pilotos, colocando Lafosse ao volante. 

Ao mesmo tempo, na pista, o WM-Peugeot de Thierry Boutsen despista-se na curva Mulsanne, e a sua traseira atingiu um posto de comissários, matando um deles, Thierry Mabillat, e neutralizando a corrida por cerca de meia hora.

No regresso, Lafosse era sétimo e o seu carro estava a ficar cada vez mais leve. Não faltava muito até ir às boxes e voltar a entregar o volante a Ragnotti, perto das cinco da tarde, quando estava a circular perto da reta Mulsanne, atrás do Lola T600 da tripla de pilotos constituída pelo britânico Guy Edwards e os espanhóis Emilio de Villota e Juan Fernández, quando sofreu uma falha mecânica na reta de Mulsanne, desviou para a direita e embateu a alta velocidade no rail de proteção junto a um posto de comissários de pista a alta velocidade, não muito longe do lugar onde Boutsen tinha batido e o comissário Mabillat morrera.

O acidente foi tão forte que o carro atravessou a pista, para colidir com noutro rail de proteção. Dois fiscais acabaram por ficar feridos, mas Lafosse teve morte imediata. Tinha 40 anos. No acidente, o corpo de Lafosse acabou por ser parcialmente ejetado do seu carro e acabou por ser arrastado pela pista, apenas as pernas e a parte inferior do corpo ainda dentro do cockpit do Rondeau. Mais tarde, surgiram fotografias de momentos imediatamente antes do acidente, que mostram danos na parte dianteira no Rondeau de Lafosse, com tufos de relva na entrada de ar frontal, sugerindo que tinha saído da pista momentos antes do seu acidente fatal.

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