segunda-feira, 23 de março de 2026

A imagem do dia (II)





Há 40 anos, como já escrevi no artigo anterior, foi o GP do Brasil. E contei algumas das histórias desse dia em Jacarepaguá, mas houve uma que pouco conhecia, mas que vale a pena ser contada por aqui. É sobre Andrea de Cesaris e uma cavalgada que não deu em nada, mas mostrou ao mundo que não estava "morto" para a Formula 1.

Quem conhece a história de De Cesaris, então com 26 anos, ele já tinha experiência em carros da McLaren, Alfa Romeo e Ligier. Contudo, quando foi despedido da equipa francesa, depois do seu acidente no GP da Áustria, ele não foi chamado para alguma equipa do meio do pelotão. Aliás, ele era considerado "radioativo". Tanto que a única equipa que o acolheu foi... a Minardi, que começava a sua segunda temporada na Formula 1, e a primeira com um segundo piloto, na figura de Alessandro Nannini. E ambos iriam andar no velho M185, com o Motori Moderni Turbo, projeto de Carlo Chiti, depois de ter saído da Autodelta.

Muitos tinham visto o Minardi como uma "chicane móvel", mas esperava-se que o carro, que iria para a sua segunda temporada - o M186 só aparecia mais para o final da temporada - poderia andar melhor. ;as o Motori Moderni era o pior dos Turbos, e apesar de conseguir o 22º tempo, em 25 carros, ele é oito (!) segundos mais lento que o tempo da "pole-position", mas três segundos mais rápido que Nannini, que ali se estreava na Formula 1.

No dia da corrida, do fundo da tabela, De Cesaris decide mostrar-se ao mundo. E o que faria naquela tarde iria espantar os especialistas. Partiu bem e no final da primeira volta, já tinha subido para 18º, depois de passar o Zakspeed de Jonathan Palmer, o Arrows de Marc Surer e o Tyrrell de Philippe Streiff, além de Nigel Mansell, que tinha abandonado a corrida, depois de ter tentado passar o Lotus de Ayrton Senna. Na segunda volta, ultrapassou os Benetton de Gerhard Berger e de Teo Fabi, depois o outro Tyrrell de Martin Brundle e o Brabham de Elio de Angelis. Na terceira, ultrapassou Johnny Dumfries, no veloz Lotus, e depois... o McLaren de Keke Rosberg, o outro Arrows de Thierry Boutsen, o Lola de Patrick Tambay e o segundo Brabham de Riccardo Patrese. Em três voltas, ele já era oitavo! 

Depois, começou a acelerar e a apanhar o Ligier de Jacques Laffite, e na volta 15, ultrapassou-o. Na volta seguinte, passou o Ferrari de Stefan Johansson e já era sexto, nos pontos! Num Minardi!

Claro, depois perguntou-se sobre o segredo desta cavalgada: arrancou com pouco combustível? aumentou a pressão do turbo para além dos limites? Há quem jure que foram ambos, mas o facto é que naquela tarde, De Cesaris, que tinha ido embora da Ligier em desgraça, ganhou respeito quando conseguiu conquistar 16 posições em apenas 16 voltas, andando ao mesmo ritmo dos pilotos da frente, apesar de ser uma estratégia suicida, tem de se pensar que foi um feito excepcional. E a fama de pé pesado de De Cesaris continuava intacta.

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