A Jaguar pode estar na mó de cima na Formula E, especialmente depois das duas vitórias seguidas de
António Félix da Costa, que á custa disso, subiu agora para o quarto lugar da geral, a um ponto de
Mitch Evans, o terceiro. E é graças aos dois pilotos que a Jaguar é a maior ameaça à Porsche, que lidera o campeonato, com 133 pontos, mais quatro que a marca britânica. Mas se a Jaguar pode ter conseguido cinco pódios e três vitórias em quatro corridas, dentro da equipa surgiram conflitos entre os pilotos e a estrutura da equipa.
No final da corrida, Evans queixou-se de que a vitória em Jarama deveria ter sido sua, afirmando que tinha mais energia na volta final, e que foi impedido de vencer por ordens de equipa. Felix da Costa, ouvido pelo jornal desportivo espanhol Marca, negou e contra-argumentou que ele tinha energia suficiente para manter o primeiro lugar de qualquer ataque, incluindo o do seu companheiro de equipa.
“Eu estava muito confortável a liderar a corrida. Tinha energia suficiente para me defender de qualquer um”, começou por explicar o piloto de Cascais, único com duas vitórias na atual temporada. “A equipa decidiu que mantivéssemos as posições na última volta. Compreendo a frustração do Mitch, mas é provável que noutra corrida seja ao contrário”, continuou.
Felix da Costa afirmando que este tipo de problema até pode ser um luxo semelhante ao que tem a McLaren na Formula 1, com Lando Norris e Oscar Piastri.
“É algo que espero que aconteça muitas mais vezes, porque ter os dois pilotos em primeiro e segundo é um problema abençoado. Sabemos que no passado teve problemas de comunicação com a equipa e é possível que isso lhe tenha vindo à cabeça. Se eu estivesse no lugar dele, pensaria o mesmo — que, vindo de tão atrás, merecia uma oportunidade de lutar pela vitória.”
Questionado pela publicação espanhola se a Jaguar terá de aplicar alguma espécie de "Papaya Rule", ele acha que não será necessário em todas as situações.
“Sim e não. Não acho que tivesse acontecido algo diferente se nos tivessem deixado lutar na última volta, porque eu tinha energia para me defender… e teria sido um risco desnecessário. Mas, se o melhor para a dobradinha fosse deixar passar o Mitch, eu fá-lo-ia. É preciso analisar cada situação de forma diferente, mas acredito que há um ponto intermédio entre ‘papaya rules’ e liberdade total para competir; e vamos encontrá-lo em cada corrida”, garantiu.
Evans é, na Formula E, um dos pilotos mais vitoriosos do campeonato, com 15 triunfos, desde a sua estreia, na temporada 2016-17, mas tenta desde há algum tempo ganhar o título. Foi vice-campeão em 2021-22 e 2023-24, com um terceiro lugar em 2022-23, sempre pela Jaguar, mas por exemplo, toques com o seu então companheiro de equipa, Nick Cassidy, na ronda dupla de Londres, o impediram de alcançar o título a favor de Pascal Wehrlein, piloto da Porsche. E agora, com um novo companheiro de equipa, que teve um mau começo de temporada - zero pontos nas duas primeiras corridas, antes dos 50 conseguidos nas duas últimas provas da temporada - fazem com que o piloto de 31 anos comece a ver que, se calhar, será mais uma temporada em que será preterido por um recém-chegado.
Ainda falta muito - seis corridas foram realizadas, faltam cinco jornadas duplas e uma solitária - mas uma luta interna na Jaguar para saber quem será o primeiro piloto, e o receito de um veterano ser preterido por um recém-chegado, deve ser o maior receio na cabeça de Evans.
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