quinta-feira, 23 de abril de 2026

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Quando a Formula 1 decidiu que iria regressar aos motores atmosféricos 3.5 litros, em 1989, queriam inicialmente que fossem os V8, até que Enzo Ferrari fez "lobbying" para que os V12 fossem também incluidos no pacote, chegando ao ponto de ameaçar ir embora da Formula 1, construindo um chassis para a CART, afirmando que era o passo a seguir, caso a FISA não cedesse. Eles cederam, e os V12 da Ferrari voltaram a ser ouvidos nas pistas.

Mas não foram os únicos: se a Cosworth meteu os V8, a Renault regressou com os V10 e a Honda passou dos V10 para os V12, entre 1989 e 1991, deixando esses motores para quem pagasse mais, outras marcas pensaram fortemente na ideia de entrar na competição com motores potentes. E em 1989, todos queriam um motor: Porsche. A marca alemã tinha anunciado que iria entrar em 1991 com um V12, e muitos acreditaram que, com o que tinha feito no passado, especialmente com os TAG-Porsche Turbo, que vinha aí um caso de sucesso. Mas... 

Mas o que aconteceu, na realidade, foi uma catástrofe. Quem pagou por isso foi a Arrows.

Em 1989, a Porsche pediu ao veterano Hans Metzger para construir um motor potente para a nova competição. Com a marca de fora desde 1987, ele pensou que juntando dois motores V6, dos tempos da TAG-Porsche, poderia adiantar muito trabalho, do que construir algo do zero. o projeto, batizado de 3512 - motor de 3,5 litros, de 12 cilindros em V - tinha-o aberto a 80 graus, com uma tomada de força em eixo-cardã que tinha como base os flat-12 que Metzger tinha construído, mais de 20 anos antes, para os 917 de Endurance. Em suma, no papel, eram soluções do passado que tinham dado certo.

Contudo, mal começou a trabalhar o primeiro motor, os problemas surgiram. Era muito pesado: 189 quilos, mais 30 que os Honda e os Ferrari V12, por exemplo. E quando começou a ser puxado, descobriu-se que a potência que se conseguia andava na ordem dos 670 cavalos, a 13 mil rotações por minuto, pouco em comparação com os cerca de 800 cavalos que os Honda conseguiam tirar. 

E no meio disto tudo, já tinham assinado um acordo com a Arrows, que nesse ano de 1990, tinha um patrocinador japonês, a Footwork. Depois de a Onyx querer por todos os meios ter o motor, em meados de 1989 (era a obsessão do belga Jean-Pierre Van Rossem, o excêntrico proprietário da equipa), a Arrows ficou com esses motores, por quatro temporadas, a troco de 80 milhões de marcos alemães, a começar em 1991.

Os motores foram instalados no chassis A11, que teve de ser modificado para acolher o motor - o FA12 só estaria pronto mais tarde, em Imola - e desde o inicio, quer Michele Alboreto, quer Alex Caffi, sentiram dificuldades. Alboreto qualificou-se para a corrida de Phoenix, mas Caffi não. Para piorar as coisas, nas duas corridas seguintes, em Interlagos e Imola, nenhum dos carros se qualificou, mesmo com Caffi a usar o FA12 a partir da corrida italiana. Pelo meio, um susto: nos testes pré-corrida em Imola, Alboreto perdeu o controle do seu carro a bateu forte em Tamburello, desfazendo-se no impacto. Por milagre, o italiano saiu incólume do carro.

Caffi não teve essa sorte. Alguns dias depois de não se ter qualificado para o GP do Mónaco, Caffi sofreu um acidente de estrada em Itália e ficou ferido, falhando as corridas americanas. Para o seu lugar foi chamado Stefan Johansson, o que significa que, pela primeira vez desde 1986, a dupla da Ferrari estava novamente junta. E no Canadá, ambos os carros conseguiram-se classificar, com o italiano a ser 21º na grelha e Johansson, 25º. Mas ambos não chegaram ao final, Alboreto por causa de um cabo do acelerador partido, Johansson porque o motor quebrou-se a meio da corrida.

Por essa altura, a Arrows estava farta, e decidiu regressar ao Ford DFR, acabando os motores Porsche depois do GP do México, onde Alboreto conseguiu passar, mas Johansson, não. A partir do GP de França, em Magny-Cours, os Ford, motores que tinham usado na temporada anterior, regressavam à equipa, mas os resultados não melhoraram muito, mesmo quando Caffi regressou ao "cockpit", no GP da Alemanha, altura em que a Footwork-Arrows tinha caído para o inferno das pré-qualificações. 

Oficialmente, o acordo foi rescindido no final da temporada de 1991, mas a última corrida dos Arrows-Porsche fora no Canadá, e desde então, a marca alemã não mais regressou à Formula 1. 

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