Mas ao chegar a Silverstone, a preocupação entre os pilotos era outra. Num fim de semana cheio de eventos - iria haver uma corrida "sprint" - os pilotos temiam não ter energia nos seus carros para poderem fazer uma corrida a fundo. Nos simuladores, tinham descoberto que teriam de ter controlo e fazer Copse, Maggots e Becketts, ou acelerar na Hangar Straight, num carro com 50 por cento de energia elétrica... era uma questão de dosagem. E claro, os fãs tinham mais um motivo para amaldiçoar estes carros e querem um passado que está um pouco torcido nas suas mentes.
Era com isso na cabeça que encaravam o fim de semana britânico, um dos mais tradicionais do ano, a par de Mónaco e Monza. Com a Mercedes a voltar às vitórias depois do "soluço" de Lewis Hamilton em Barcelona, e de George Russell a triunfar e a cortar um pouco a vantagem que Kimi Antonelli tinha aberto com as suas quatro vitórias seguidas na temporada, existiam algumas expectativas na qualificação britânica, especialmente depois da vitória de Antonelli na "Sprint", batendo um renovado Lewis Hamilton.
Claro, com tudo isto, perguntava-se como iria ser a qualificação. Iria começar com céu claro e um tempo de verão britânico, sem chuva.
A qualificação começou pouco depois do final da corrida "sprint", com o asfalto bem quente a aguardar os pilotos. À medida que os primeiros tempos surgiam na tabela, Charles Leclerc queixava-se de vibrações na travagem do seu Ferrari, mas isso não o impediu de ser o primeiro piloto a entrar no segundo 29, com o seu companheiro de equipa, Lewis Hamilton, a ficar imediatamente atrás do seu colega de equipa na Ferrari. Lando Norris, no seu McLaren, Max Verstappen e Isack Hadjar, ambos nos seus Red Bull, ficaram-se pelo segundo 30 nas suas primeiras tentativas na pista, depois de calçarem pneus usados.
Na última parte da sessão, Isack Hadjar calçou pneus novos e marcou 1.29,276, colocando-se no topo da tabela de tempos, e ficando a 258 centésimos de Charles Leclerc. Verstappen também marcou um tempo, mas o suficiente para ser terceiro, a 273 centésimos. Depois, Lawson e Hulkenberg conseguiram bons tempos, mas não para bater Hadjar. O mais próximo foi Liam Lawson, que marcou 1.29,300.
Entre os que ficaram de fora, estavam os do costume: os Aston Martin de Fernando Alonso e Lance Stroll, os Cadillac de Sério Perez e Valtteri Bottas, o Alpine de Franco Colapinto e o Haas de Esteban Ocon.
Poucos minutos depois, começava a Q2. A sessão começou com os homens da Red Bull a marcarem as primeiras voltas rápidas. Max Verstappen abriu com um tempo no segundo 29 baixo, ainda com pneus usados da Q1, mas foi rapidamente superado por Isack Hadjar, que confirmava a boa forma demonstrada na sessão anterior.
A Ferrari respondeu com Lewis Hamilton a ser o primeiro a entrar no segundo 28, colocando-se à frente do seu companheiro de equipa, Charles Leclerc, e posicionando-se acima dos Red Bull. George Russell também se destacou, no seu Mercedes, subindo ao segundo lugar da tabela, enquanto Kimi Antonelli tinha dificuldades na sua primeira volta lançada, ao falhar uma travagem e abortar a sua primeira volta lançada. Mas pouco depois, conseguiu um tempo melhor e era o terceiro classificado provisório.
Em contraste, havia dificuldades na McLaren. Lando Norris registava apenas o oitavo tempo, ainda assim suficiente para ficar à frente de Oscar Piastri, que ocupava a décima posição. O pessoal de Woking mostrava dificuldades nesta altura da qualificação. Pouco depois, Piastri calçou pneus novos e marcou 1.29,318, ficando dentro dos dez primeiros. Pior ficou Lando Norris, que apesar de ter conseguido ficar na Q3, era 265 centésimos de segundo mais lento que o australiano, e a 890 centésimos do melhor, Kimi Antonelli. Com o seu tempo de 1.28,493, era 133 centésimos mais rápido que Charles Leclerc, neste Q2.
E os eliminados foram o Alpine de Pierre Gasly, os Audi de Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg, os Williams de Carlos Sainz Jr e Alex Albon e o segundo Haas de Ollie Bearman.
E agora, chegamos à fase decisiva.
Os primeiros tempos foram marcados a oito minutos do final da sessão, primeiro com Piastri a 1.29,231, com Norris a melhorar, mas não chegava. Max Verstappen melhorou em 80 centésimos, mas Charles Leclerc acabou por fazer um tempo bem melhor, 1.28,620, antes de Lewis Hamilton deixar a sua marca: 1.28,591.
Mas ainda faltavam os Mercedes, e eles, claro, tinham outra velocidade. Antonelli marcava 1.28,385, Russell, 1.28,481. A primeira fila era provisóriamente dos Flechas de Prata, aliás... todos estavam aos pares: Mercedes na primeira fila, Ferrari na segunda, Red Bull na terceira, McLaren na quarta e Raing Bulls na quinta. Uma hierarquia dos mais velozes.
O minuto final era aquele que onde os pilotos, com os seus moles novos, iriam fazer o seu esforço final. Antonelli melhorava em 274 centésimos, para 1.28,111, mas seria suficiente para a pole? Russell estava na sua vez mas aparentemente, não melhorava. E não melhorou: 575 centésimos pior que Antonelli, agora teria de saber se os Ferrari iriam ser melhores que ele, ou não.
Lelclerc conseguia 1.28,286, era segundo, mas não batia o italiano, que iria ter mais uma pole-position na sua contabilidade oficial. Hamilton veio a seguir e marcou 1.28,458, e ficava com o terceiro posto, deixando Russell em quarto.
Foi assim a qualificação britânica. Poderá ter os seus momentos previsíveis, mas foi entretida. Resta saber como será amanhã, até que ponto a corrida valerá a pena ser vista. E é essa a grande dúvida para domingo.



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