quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

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No final da 12ª especial do rali de Monte Carlo de 1986, Henri Toivonen estava a levar a melhor sobre a concorrência, particularmente sobre o Peugeot 205 do seu compatriota Timo Salonen. Quando o Lancia Delta S4 andava a uma velocidade normal no troço de ligação  - o Col de Mounchery, entre Burzet e Eintragues, uma estrada estreita e sombreada - o seu carro viu na sua frente, na saída de uma curva fechada, um Ford Cortina a alta velocidade. Sem ter tempo para manobrar, a colisão foi inevitável e ambos os carros ficaram com danos na sua frente. Rumores na altura diziam que o carro não tinha pneus para a neve e a taxa de álcool no sangue do condutor era... muito elevada.

A sorte de Toivonen e do seu navegador, Sergio Cresto, é que, ao contrário do Ford Cortina, o carro dele era mais descartável. A parte da frente do Lancia estava danificada, era certo, mas todos os sistemas estavam intactos, incluído o eixo da frente, que era critico para poder continuar no rali. Logo no local, as carrinhas de assistência da assistência começaram a fazer o trabalho indispensável no mínimo de tempo possível, para que Toivonen pudesse continuar, sem perder a liderança que estava a ser defendida. 

Temeu-se o pior, mas a Lancia e os seus mecânicos fizeram o milagre que se queria, ao fazer as reparações necessárias para poder continuar. Quando ficou pronto, Toivonen ficou com 53 quilómetros para fazer em 25 minutos e acabou por apenas penalizar um minuto, ao entrar com 14 segundos de atraso sobre a sua hora ideal. De facto, um pequeno milagre, em algo que poderia ter sido catastrófico. 

Mas claro, o tempo perdido fez com que o Peugeot de Timo Salonen se aproximasse, e ainda iria demorar um bocado até o carro entrar nos eixos. E o Peugeot estava intacto... e com vontade de lutar pela vitória. Faltavam 24 especiais e três dias até chegar a Monte Carlo, e ainda tínhamos os espectadores, que fariam de tudo que o vencedor fosse francês...

Toivonen depois queixava-se do carro, especialmente com as dificuldades de curvar por causa da direção dobrada, mas a sua vontade de vencer superava isso tudo. Afinal, ele sabia que as coisas poderiam ter acabado naquele momento e naquele local, mas o acidente, do qual o piloto esteve ilibado de culpa, só galvanizou o piloto para a única coisa que queria: vencer.   

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