Toda a gente sabia que o GP da Grã-Bretanha de 1986 iria ser emocional para a equipa Williams, e foi o que aconteceu. Depois de quatro meses a lutar pela vida e a recuperar lentamente dos ferimentos que sofreu no acidente no sul de França, Frank Williams apareceu no paddock de Brands Hatch, que naquele ano iria acolher o Grande Prémio britânico.
Williams foi recebido com um aplauso ensurdecedor vindo das bancadas, sinal de que todos tinham seguido com ansiedade a evolução do seu estado de saúde. Estando muitas vezes à beira da morte, agarrou-se de forma determinada à vida, enquanto os seus pilotos lutavam pelos lugares da frente, com alguns bons resultados: Nigel Mansell tinha acabado de ganhar o GP de França, em Paul Ricard, e era o segundo classificado, com 38 um ponto atrás de Alain Prost. E Nelson Piquet, o novo recruta, vinda da Brabham, não estava longe, com 23 pontos. E nos Construtores, o conjunto que faziam com os motores Honda dava-lhes a liderança do campeonato, com 61 pontos, cinco a mais que a McLaren.
E isto esteve para não acontecer por muitas vezes. O que o fez agarrar à vida foi a sua equipa e sobretudo, a sua mulher Virginia, "Ginny".
Nascida Virginia Berry, conheceu Frank em 1967 e casou com ele sete anos depois. Tiveram três filhos: dois rapazes, Jonathan e Jamie, e uma rapariga, Claire. Ginny foi a pessoa que cuidou da família e acreditou no projeto, mesmo nos momentos mais obscuros, que aconteceram no verão de 1976, quando Walter Wolf o despediu da Wolf-Williams e seis meses mais tarde, em janeiro de 1977, Jody Scheckter triunfou no GP da Argentina, num carro novo, mas numa equipa com base sua.
Mas não baixou os braços: poucos meses depois, ao lado de Patrick Head, montou a Williams Grand Prix Engineering, e depois, os petrodólares sauditas ajudaram a construir os carros que lhe deram as suas primeiras vitórias, em 1979, e o seu primeiro título de Pilotos, com o australiano Alan Jones e Construtores, ambos em 1980. Após o seu segundo título de pilotos, em 1982, com Keke Rosberg, a Williams entrou nos Turbo, com um acordo com a Honda, que começou a dar frutos no final da temporada de 1985, com Nigel Mansell ao volante. E sabia que por fim, com o FW11, iria ser candidato sério ao título a 8 de março de 1986, duas semanas antes da nova temporada, efetuou testes privados na pista de Paul Ricard e despistou-se no seu Ford Sierra de aluguer, com Peter Windsor a seu lado. Sem cinto de segurança colocado, Williams despistou-se e acabou por fraturar duas vértebras cervicais, a quarta e a quinta.
Poucos minutos depois de saber do acidente, Patrick Head telefonou a Ginny para se inteirar da situação. Ela voou para Marselha, onde o seu marido tinha sido transportado para o hospital, e inteirou-se da sua situação. Head disse que era grave, e ele poderia estar à beira da morte - ele nunca perdeu a consciência e sentiu a perda progressiva da sensibilidade dos seus membros. Ginny chegou a Marselha e organizou, de imediato, o seu repatriamento para o Reino Unido, mais concretamente para o Royal London Hospital. Ali, os médicos colocaram-no nos Cuidados Intensivos, e fizeram-lhe uma traqueotomia, para ele poder respirar melhor.
Com liquido acumulado nos pulmões, as semanas seguintes foram de vigilância constante. Ginny esteve a seu lado, cuidado-o como se fosse uma enfermeira, e ajudando-o em situações mais complicadas. Com o avançar da primavera, Williams melhorava e passou a ser mais independente, nas suas limitações. E sabia que queria voltar à sua equipa. Quando regressou, no fim de semana do GP da Grã-Bretanha, em Brands Hatch, era alguém que sabia que iria voltar ao lugar que mais queria estar. E iria viver uma vida nova.
Cinco anos depois, Ginny escreveu "A Different Kind of Life", um livro onde falou sobre esta experiência. O seu marido nunca quis ler o livro quando ela esteve viva, afirmando que o passado tinha ficado atrás. Ginny morreria a 7 de março de 2013, aos 66 anos, depois de três anos a batalhar contra um cancro.
Cinco anos depois, Ginny escreveu "A Different Kind of Life", um livro onde falou sobre esta experiência. O seu marido nunca quis ler o livro quando ela esteve viva, afirmando que o passado tinha ficado atrás. Ginny morreria a 7 de março de 2013, aos 66 anos, depois de três anos a batalhar contra um cancro.




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