sábado, 11 de julho de 2026

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Em 1971, Pedro Rodriguez de la Vega estava num bom momento. Menos de um mês antes, à chuva, no circuito de Zandvoort, tinha estado num forte duelo com o belga Jacky Ickx pela vitória, num duelo entre Ferrari e BRM, ambos com motores V12. O mexicano acabou em segundo lugar, a menos de oito segundos do piloto belga, mas o duelo foi tal que ambos deixaram o resto do pelotão, com a excepção do outro Ferrari de Clay Regazzoni... a duas voltas. O piloto suíço "só" perdeu uma volta, e ficou no lugar mais baixo do pódio.

E era à chuva que Rodriguez era muito bom. Não só na Formula 1, mas na Endurance, quando guiava os Porsche 917 de cinco litros, não interessava se fosse em Spa-Francochamps, em Brands Hatch ou em Le Mans, muitas vezes em duelo com o seu companheiro de equipa, o suíço Jo Siffert. Mas antes de ser o grande piloto da Porsche oficial, Rodriguez foi um dos que correram com os Ferrari. E também corria bem à noite, mantendo o ritmo enquanto os outros baixavam, porque tinham maiores dificuldades em reconhecer objetos à distância. Os seus fãs o chamavam de "Ojos de Gato" (Olhos de Gato) por causa dessas habilidades em condições dificeis. 

Mas ele nunca correu oficialmente e ganhou vitórias, como, por exemplo, Ludovico Scarfiotti ou Nino Vacarella, italianos com carreiras pequenas na Formula 1. E não foi por falta de convite: o seu irmão, Ricardo, correu na Scuderia em 1961 e 62, antes do seu acidente mortal, durante os treinos do GP do México. Mas quando, algum tempo depois, em 1964, Enzo Ferrari estendeu o convite a ele, recusou, afirmando que tinha um negócio para gerir - tinha um concessionário de automóveis na Cidade do México, que se dedicou mais depois da morte do irmão, e não queria correr em exclusividade com a Scuderia. 

Em contraste, sempre correu pela NART (North American Racing Team), de Luigi Chinetti, especialmente nas provas de Endurance, porque eram amigos pessoais. Vencedor das 24 Horas de Daytona em 1963 e 64, das 12 Horas de Reims em 1965, e dos 1000 quilómetros de Montlhéry, em 1961, com o seu irmão, Ricardo Rodriguez, não foi aproveitado pela Scuderia quer na Formula 1, quer na Endurance. Os seus primeiros pontos, em 1964 e 65, foram com carros da Ferrari, e com aproveitamento de cem por cento: três corridas, três pontos. Mas todos com carros inscritos pela NART, nunca os oficias. Isso só aconteceu mais tarde, em 1969, depois da saída de Chris Amon da equipa, e foi apenas por três corridas, conseguindo um ponto. Nas corridas americanas, recorreu-se novamente à NART, e conseguiu mais dois pontos. 

Apesar dos compromissos com a Porsche, e de correr pela BRM, foi a bordo de um Ferrari que fez a sua corrida fatal. E não era nada assim muito importante. 

A Interseries era uma competição europeia, criada na Alemanha, onde participavam carros da Can-Am ou da Endurance, que faziam parte do Grupo 7, as regras eram poucas. Aliás, a ideia era ser uma Can-Am europeia. As corridas eram pequenas, entre 50 e 300 milhas, e naquele ano, até teve duas corridas em Imola e Hockenheim. A 11 de julho de 1971, as 200 Milhas de Norisring, em Nuremberga, era a quarta corrida desse campeonato. Dividida em duas mangas, Rodriguez corria a convite do seu amigo Herbert Muller, que quase dois meses antes, a 16 de maio, o tinha convidado para participar na Targa Florio, a bordo de um Ferrari 512LM.

Entre os outros inscritos, estava Leo Kinnunen, seu companheiro de equipa na Porsche, que corria num 917 Spyder, Jo Bonnier, que corria num Lola 212, Chris Craft e Peter Gethin, ambos em McLarens M8E, e claro, o próprio Herbert Muller, noutro Ferrari 512LM.

O acidente aconteceu na 11ª volta da primeira corrida, quando Rodriguez embateu contra o Porsche do alemão Kurt Hild. Nunca-se soube muito bem o que aconteceu, mas há duas chances: o Ferrari tinha sido surpreendido à saída de uma curva por Hild, que estava bem devagar, e para evitar a colisão no carro dele, bateu na parede do autódromo, e a segunda chance era que sofrera um furo lento e o pneu rebentou no momento anterior à passagem por Hild, fazendo com que o piloto perdesse o controle e batesse na parede. De qualquer maneira, o que aconteceu a seguir foi que o carro pegou fogo, com ele lá dentro, preso nos escombros.

Os socorros foram rápidos e Rodriguez foi retirado ainda vivo, mas em estado critico. Pouco depois de ter chegado ao hospital, acabaria por morrer. Tinha 31 anos. No relatório da autópsia, revelou-se que ele tinha sofrido uma fratura na base do crânio, para além de fraturas em ambas as pernas e no pelvis, e queimaduras em cerca de 20 por cento do seu corpo. Entre os seus pertences, um anel: usava-o sempre e era em memória do seu irmão, Ricardo.  

A noticia da sua morte na Cidade do México fora dada na manhã de domingo, por causa do fuso horário. Foi recebida em choque, e para a família Rodriguez de la Vega, era um novo pesadelo, mais de sete anos depois de Ricardo. O seu funeral aconteceu quatro dias depois, a 15 de julho, e está enterrado no Panteon Español, na Cidade do México, junto ao seu irmão, e não muito longe da tumba de outro mexicano, Moisés Solana. Dois anos depois, em 1973, a pista de Magdalena Mixuca, perto do Complexo Olímpico da capital mexicana, foi rebatizado como Autódromo Hermanos Rodriguez, e em 2008, uma placa em sua honra foi inaugurada em Nuremberga, no local do seu acidente fatal. 

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