domingo, 5 de julho de 2026

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Há 45 anos, em Dijon-Prenois, a Formula 1 estreava mais um nome na galeria dos vencedores. Mas para a Renault, como acontecera dois anos antes, em 1979, Era um piloto francês, numa máquina francesa, e pneus franceses. E para Alain Prost, uma temporada e meia bastou para lá chegar, depois da sua estreia na categoria máxima do automobilismo. 

Nascido 26 anos antes, a 23 de fevereiro de 1955, e de origem arménia da parte da mãe (nascida Karatchian) começou a andar no karting aos 14 anos, passou para a Formula Renault em 1976, com 21 anos, antes de ser campeão francês de Formula 3, em 1978 e 79, no mesmo ano em que alcançou o Europeu da mesma categoria, ao serviço da ORECA. Também teve algumas participações na Formula 3 britânica, em 1978, com dois pódios.

Curiosamente, Prost andou também na Formula 2, no Estoril, em 1977, pela Fred Opert Racing, mas não acabou a corrida.

No final de 1979, foi oferecida a chance de correr no GP dos Estados Unidos, através da Marlboro. John Hogan seguia-o desde há algum tempo, e queria pagar a sua entrada no terceiro carro da McLaren. Prost recusou, justificando que não conhecia nem o circuito, nem o carro, e o melhor seria um teste. E foi o que aconteceu. Em Paul Ricard, algumas semanas depois do final dessa temporada, entrou dentro de um M29, deu algumas voltas e no final, quando Teddy Mayer chegou ao pé dele com um papel, pensava que era a tabela de tempos. Afinal... era o contrato para ser piloto efetivo, ordenando que o assinasse.

Assim sendo, lá estava em Buenos Aires para a corrida inicial de 1980. Numa corrida exaustiva, debaixo do calor austral, Prost conseguiu levar o seu carro ao sexto lugar, conseguindo ali o seu primeiro ponto da sua carreira. Na corrida seguinte, em Interlagos, conseguiu um resultado ainda melhor, sendo quinto classificado. A McLaren queria ficar com ele, mas para as suas ambições, a equipa não era aquilo que queria: em decadência e com a Marlboro a convencer o líder da equipa Project Four, Ron Dennis, para tomar conta da equipa, ao lado de Teddy Mayer. 

Dennis conhecia Prost e sabia que tinha potencial para ser aquele que melhoraria as sortes da equipa, mas nessa mesma altura, ele tinha outros horizontes. A Renault tinha por fim dado bem com a escolha do motor Turbo, e com Jean-Pierre Jabouille de saída, ele quis o lugar. E em meados de 1980, ele já era piloto da marca do losango. Nessa temporada, conseguira cinco pontos, com dois chassis: o M29B e o M30, feito exclusivamente para Prost.

A temporada de 1981 começava com Prost a usar a versão B do RE20, de 1980, e não houve muito desenvolvimento do carro, porque a equipa estava a desenvolver aquele que viria a ser o RE30, que se estreou no GP do Mónaco. Contudo, na Argentina, um ano depois de se ter estreado na Formula 1, ele conseguia um terceiro lugar, apenas atrás de Nelson Piquet, o vencedor, e Carlos Reutemann, o segundo classificado. Um pódio para ele mostrava que a sua aposta tinha valido a pena.

E tudo isto quando já havia tensões com o seu companheiro de equipa, René Arnoux, mais experimentado que ele. Prost era mais rápido e parecia que o seu compatriota não aceitava muito isso. Em Dijon, palco em 1981 do GP de França, Prost acabou em terceiro lugar na qualificação, atrás do seu companheiro de equipa, René Arnoux, e do McLaren de John Watson. Prost estava na frente de Nelson Piquet, no seu Brabham e de Andrea de Cesaris, noutro McLaren.

Na partida, Nelson Piquet largou bem e ficou com o comando da corrida no final da primeira volta, e começou a afastar-se dos Renault. Contudo, a meio da prova, o tempo mudou e começou a chover copiosamente, que levou à interrupção da corrida na volta 58, a 22 do final. Nessa altura, Piquet tinha um avanço superior a dez segundos sobre Prost e Watson.

No recomeço, E com a pista a secar, Prost aceletou e cedo passara Piquet para ficar com a liderança. Depois, teve de abater a diferença que havia antes da interrupção, para poder ganhar na geral. Acelerou e quando a bandeira de xadrez foi mostrada, na volta 80, ele tinha uma vantagem superior a dois segundos sobre o McLaren de John Watson, e 24 sobre Nelson Piquet.

Anos depois, Prost disse sobre esse dia: "Antes, pensava que era possível. Agora, eu sei que era capaz.". E claro, este viria a ser a primeira das suas 51 vitórias, que iria conseguir nas onze temporadas seguintes.   

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