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terça-feira, 5 de maio de 2020

Noticias: McLaren quer levar Button e Alonso para a IndyCar


A McLaren poderá usar Jenson Button, Jimmie Johnson e Fernando Alonso para a IndyCar no futuro, segundo conta Zak Brown. A chance foi levantada pelo CEO da McLaren por estes dias, num podcast para a motorsport.com, dizendo que havia conversações adiantadas para que o piloto espanhol participasse no GP de Indianápolis, a prova antes das 500 Milhas, disputado no circuito construído para a Formula 1. 

Para além disso, também pensou em Jenson Button para a ronda de Road America, mas ainda antes do congelamento da temporada por causa do coronavirus, tinha descartado o britânico por falta de tempo para testes. Já Jimmie Johnson, que se vai embora da NASCAR no final desta temporada, mostrou interesse em correr no terceiro carro da McLaren Arrow num teste que tinha sido inicialmente marcado para abril, e depois andar em algumas corridas ao lado do mexicano Pato O'Ward e do britânico Oliver Askew.

"Eu falei com os três", declarou Brown. “Todos os três realmente gostam das corridas da IndyCar. Todos os três querem correr. Todos os três são extremamente competitivos. Eu acho que a IndyCar acabou de sair com uma restrição nos testes, então, infelizmente, isso pode tornar mais difícil esta temporada, porque eu acho que nenhum deles iria querer entrar em um carro, sabe, 'a frio' nos treinos de sexta-feira.", continuou.

Acho que eles são profissionais e sabem que o automobilismo é competitivo demais para pensar que eles podem entrar sem uma quantidade adequada de testes. Mas eu diria que todos os três pilotos ... não ficaria surpreso em ver um ou todos os três num IndyCar em algum momento, e acho que seria muito emocionante", concluiu.

sábado, 21 de dezembro de 2019

A imagem do dia

"Dez horas da manhã de domingo nas colinas da Carolina do Norte. Carros, quilómetros de carros, em todas as direcções, milhões de carros, carros pastel, verde água, azul marinho, azul marinho, bege, dourado, amanhecer, crepúsculo, azul marinho, azul marinho, azul marinho, azul marinho, azul marinho, malacca, malaca Carros cor de cereja, coral Nude Strand, laranja Honest Thrill e carros creme Baby Fawn Lust estão indo para as corridas de stockcar, e aquele velho sol da Carolina do Norte continua explodindo nos pára-brisas. Deus Santo!

Dezessete mil pessoas, incluindo eu, todos nós, dirigindo pela Estrada 421, indo para as corridas de carros no North Wilkesboro Speedway, 17.000 indo para uma pista oval de 0,8 milhas com uma placa da Coca-Cola na frente. Isso não quer dizer que não haja pregação e gritos no sul nesta manhã. Há pregação e gritos. Qualquer um de nós pode ligar o velho auto-rádio do seu automóvel e conseguir tudo o que deseja:

'Eles são cães gananciosos. Sim! Eles andam em carros grandes. Unnh-hunh! E perseguir mulheres. sim! E beber álcool. Unnh-hunh! E fumar charutos. Ai sim! E eles são cães gananciosos. sim! Unh-hunh! Ai sim! Amém!'

Há também alguns comerciais no rádio para os grãos de tia Jemima, que custam dez centavos de dólar. Há também as Harmonetas do Evangelho, cantando: "Se você cavar uma vala, é melhor você cavar duas ....'"

Há uns meses, a sugestão do João Carlos Costa, andei a ler o artigo da Esquire sobre Junior Johnson, um dos pilotos da primeira era da NASCAR. O artigo, escrito em 1965 por Tom Wolfe, é um ensaio sobre uma coisa nova chamada "New Journalism", onde se misturava objectividade com pitadas de humor, considerações pessoais, e no caso deste artigo em si, algumas onomatopeias. E o título ficaria na história do século XX: "O Último Herói Americano"

A ideia do último herói americano tinha a ver com as suas origens, e as origens da NASCAR. Johnson, nascido Roger Glenn Johnson, nascido a 24 de junho de 1931 e falecido esta sexta-feira aos 88 anos de idade, era alguém que, vindo do povo, se tornou no seu herói. Só que Johnson e as pessoas que moldaram a NASCAR não eram operários ou agricultores que, de sol a sol, trabalhavam em plantações de algodão nas Carolinas, orgulhosos da sua "Dixie flag". Eram contrabandistas de álcool. Sim: a NASCAR surgiu por causa do "bootleging", resquícios da Lei Seca.

Em 1919, há precisamente cem anos, entrava em vigor a Volstead Act, que proibia a comercialização e consumo de álcool por todo o país. Deveria fazer dos Estados Unidos o primeiro país do mundo a proibir a bebida, mas o que aconteceu foi que imensa gente decidiu dedicar-se ao contrabando. Foram 12 anos assim até à sua revogação, mas em certas partes, a proíbição local manteve-se, e outros, cujo consumo de álcool era permitido, preferiam fazê-lo porque os impostos locais eram muito, muito altos. E foi por causa de impostos que os Americanos fizeram a sua Revolução... 

A familia de Johnson fazia do contrabando o seu oficio: o seu avô serviu vinte anos da sua vida em prisões, foi protagonista da maior apreensão de alcool do estado, com 400 galões apreendidos pela policia, e em 1956, o seu neto serviu um ano de prisão por contrabando. 

Johnson era um daqueles que levava o contrabando na bagageira de um Ford Modelo A, que tinha o V8, para escapar da policia. E a cada vez que os carros da policia tinham melhores motores, o outro lado respondia com motores mais potentes, com compressores e tudo, cada vez mais cavalos, cada vez mais velozes, num jogo de gato e rato. E aos fins de semana, iam para os "dirt tracks" e ver quem era o melhor. E Junior Johnson era dos melhores.

Triunfou em Daytona, em 1960, uma das suas 50 vitórias na competição, e essa vitória ficou nos anais da competição pelo uso do "slipstream", uma técnica onde o carro ficava atrás de outro, usando o vácuo para ser mais veloz. Johnson ficou atrás do carro da frente durante boa parte da corrida, até à penúltima volta, quando acelerou e ficou com a liderança, cortando a meta no lugar mais alto do pódio. Contudo, nunca venceu um campeonato como piloto. Como Stirling Moss.

Como chefe de equipa, foi diferente: seis vezes campeão, três com Cale Yarborough, outras tantas com Darrel Waltrip. E no meio disto tudo, graças ao artigo de Tom Wolfe, a reputação de Johnson elevou-se bastante. Tanto que em 1973, virou filme, com Jeff Bridges como ator principal. E Ronald Reagan, o ator de Hollywood que acabou presidente, decidiu perdoá-lo em 1985 pelos seus atos de contrabandista. No final, não foi ele mesmo que se tornou no herói americano, foram os seus atos que atraíram fascínio dos que não viviam nesse meio.

E agora, como todos aqui retratados, faz parte da história. North Wilkesboro é uma oval abandonada aos elementos, Wolfe morreu em 2018 e a NASCAR há muito deixou as origens do "moonshinig". De uma certa maneira, é um mundo e um tempo que não regressa. Ars lunga. vita brevis, Junior.   

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Walter Cronkite e o jornalismo do século XX (4ª Parte)






Confesso que já devia isto há algum tempo, mas só agora é que me lembraram para contar o resto da história. O que até é bom, pois pensava que neste blog automobilistico, o resto seria conversa...


Assim sendo, vamos aos factos: A 22 de Janeiro de 1973, a noticia tinha brotado inesperadamente: em Paris, Os Estados Unidos, o Vietname do Norte e o Vietname do Sul tinha finalmente chegado a um acordo de paz, do qual ficou para a História como o "Tratado de Paris". Henry Kissinger, o enviado especial do presidente Nixon, tinha chegado a um acordo com Le Duc Tho, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Vietname do Norte, que visava o cessar dos combates e a retirada das tropas americanas da região. Após quase 30 anos de guerra, a paz, aparentemente, tinha chegado a aquele país do Sudeste Asiático.


Mais tarde, Kissinger e Tho seriam galardoados em conjunto com o Nobel da Paz desse ano, mas o ministro vietnamita recusou o prémio, pois nessa altura, o acordo tinha chegado ao ponto de "letra morta", pois os combates continuavam. Dois anos depois, a 29 de Abril de 1975, os norte-vietnamitas tomavam Saigão, terminando oficialmente a guerra, e a reunificação do Vietname, sob um regime de inspiração marxista.


Mas na CBS, no final de uma das peças referentes ao Acordo, vê-se Walter Cronkite ao telefone, com um dedo espetado, dando sinal de espera. Estava a receber a chamada de Tom Johnson, o adido de imprensa do ex-presidente Lyndon Baines Johnson (LBJ), informando que o antecessor de Nixon tinha acabado de falecer no seu rancho do Texas, vítima de ataque cardíaco. Johnson, então com 64 anos, sofria do coração há já vários anos, e semanas antes tinha sofrido outro ataque. Cronkite era o primeiro a saber, antes da concorrência, por um canal priveligiado. Era mais um sinal de que era de facto o melhor da sua profissão, e a CBS fora a primeira cadeia de TV a informar a morte do Presidente Johnson.