Em alturas de rali de Monte Carlo, e como temos - pelo menos, na altura em que se escrevem estas linhas, um sueco na liderança - a história que se segue fala de um dos muitos pilotos suecos que correram no WRC e no Grupo B ao longo da década de 80, e que tendo tido alguma fama, o seu final trágico é uma daquelas histórias de "lugar errado, à hora errada". Falemos então de Lars-Erik Torph.
Nascido a 11 de janeiro de 1961 - se estivesse vivo, teria feito 65 anos - em Saffle, na Suécia, começou em 1980, no rali da Suécia, num Volvo 142, voltando a competir no rali dos 1000 Lagos, na Finlândia, abandonando em ambos os eventos. Quatro anos depois, no rali da Suécia, acaba em quinto lugar ao volante de um Opel Ascona da Opel Team Sweden.
Dois anos depois, Torph é escolhido para correr pela Toyota oficial, que nesse ano alinha com um Toyota Celica de Grupo B da Toyota Team Europe (TTE). Liderado pelo seu compatriota Ove Andersson, e alinhando ao lado de outro compatriota seu, Bjorn Waldegaard, Torph ajuda na dobradinha da marca japonesa nos ralis do Quénia e da Costa do Marfim, os eventos africanos do WRC, e consegue um quarto lugar no Olympus Rally, uma prova americana que ficou simbolizado como o último rali do Grupo B.
Com esses resultados, Torph conseguiu o sexto lugar no campeonato do mundo, com 40 pontos.
Para 1987, continua na Toyota, que alinha nesse ano com um Supra 3.0, mas na Suécia, alinha com um Audi 80 Quattro, acabando na 11ª posição. No Safari, mesmo com febre durante parte do rali, acaba a prova na terceira posição. Irá participar no Rally Olympus, mas um problema no motor impede de chegar ao fim.
A quarta prova foi o rali da Costa do Marfim, onde alinha pela Toyota. As coisas até corriam bem para a equipa, mas no segundo dia do rali, o avião da equipa, um Cessna 340, cai e mata o diretor de equipa, e ex-navegador, Henry Liddon, e o seu adjunto, Nigel Harris. Em sinal de luto, Ove Andersson manda retirar os carros da prova.
Em 1988, alinha em duas provas, e na Suécia, entra com um Audi Coupé Quattro privado, acabando na terceira posição, atrás dos Lancia Delta de Markku Alen e de do Ford Sierra 4x4 Cosworth de Stig Blomqvist. Uma participação no rali Safari, no Quénia, com um Volkswagen Golf GTi, acabou prematuramente por causa de problemas de motor.
O trágico final de Torph foi uma situação típica de "lugar errado, à hora errada". Em 1989, o Mundial começou, em vez de ter sido em Monte Carlo, foi na Suécia. Ali, ele correu num Volkswagen Golf de Grupo A, e para Monte Carlo, ele e o seu navegador, Bertil-Rune Rehnfeldt, um navegador com mais de 25 anos de experiência - e com 51 anos nesse inicio de 1989 - decidiram não competir neste rali e ajudar no reconhecimento das especiais para outro piloto sueco, Fredrik Skoghag.
Com Monte Carlo a ter fama de superfícies geladas, Torph e Rehnfeldt estavam a dar a Skoghag as melhores notas possíveis para o piloto. Isso acontecia antes da passagem dos carros nas especiais, dias antes. A 23 de janeiro de 1989, decorriam as cinco primeiras especiais do rali de Monte Carlo, e ambos assistiam à passagem dos carros, como espectadores, num lugar aparentemente seguro.
Contudo, quando chega a quinta especial, em Château St.Michel-de-Boulogne, está na estrada o Lancia Delta de Alex Fiorio, piloto da Jolly Club - e filho de Cesare Fiorio, que por muitos anos foi o diretor da Lancia. Havia gelo na superfície, e Fiorio anda a mais de 145 km/hora quando perde o controlo e sai da estrada. Segundo testemunhos da altura, o carro perdeu o controle e virou para a direita, embatendo numa pedra, virando depois para a esquerda, capotando na encosta por cerca de trinta metros. Um primeiro grupo de espectadores foi atropelado no lado esquerdo da estrada, enquanto um segundo grupo, que caminhava por um trilho mais abaixo, foi parcialmente atingido pelos destroços do Lancia Delta.
Muitos espectadores foram salvos graças a reflexos rápidos, mas, infelizmente, não foi o caso de Lars e Freddy, que morreram no terrível acidente. Fiorio e Luigi Pirollo, seu navegador, no entanto, ficaram em choque, mas saíram ilesos. Outros três espectadores também tinham ficado feridos e por causa disso, a especial acabou por ser interrompida. Skoghag, chocado com o que aconteceu aos seus amigos, abandonou voluntariamente o rali.
Uma possível razão para o acidente foi que o Lancia Delta de Fiorio estava a usar uma embraiagem eletrónica e estava a dar problemas. No dia anterior, Fiorio também tinha despistado por causa da embraiagem e ferira ligeiramente dois espectadores.
O legado de Torph é importante nos ralis suecos. Existe um fundo memorial com o seu nome, e que ajudou pilotos como Per-Gunnar Andersson, Emil Bergqvist ou Pontus Tidemand, entre outros. E o campeonato sueco tem um rali em seu nome, o Lars-Erik Torph Memorial Rally.






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