sexta-feira, 13 de março de 2026

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O calendário da Formula 1 para 1986 teve 16 corridas, que começaram no Brasil, na terceira semana de março, e acabou em novembro, nas ruas de Adelaide. Contudo, inicialmente, tinha 20 corridas, e poderia ter começado num lugar diferente. E até estava disposto a desafiar algumas regras. 

A FISA queria ter muitas opções na mesa, num calendário que já era moldado por Bernie Ecclestone. E inicialmente, iria começar a 6 de março em Buenos Aires, palco do GP da Argentina. Depois ia para o Brasil, duas semanas depois, a 23 de março, antes de atravessar meio mundo para, a 6 de abril, correr no Japão, mais concretamente, em Suzuka. No final desse mês, estava na Europa, provavelmente em Imola, porque a hipótese de um GP de Espanha iria ser em setembro, antes ou depois do GP de Portugal, que tinha sido marcado para 21 de setembro. 

No final de agosto, a Formula 1 iria para os Países Baixos, mais concretamente para Zandvoort, a 31de agosto, duas semanas depois de Zeltweg e uma semana antes do GP de Itália, em Monza. E por fim, a 26 de outubro, um sábado, a Formula 1 ia... a Kyalami, para o GP da África do Sul. 

Mas os calendários eram sempre provisórios até tarde, bem tarde. Na segunda versão, houve uma surpresa: Andestorp, o palco do GP da Suécia. A ideia inicial era de colocar no segundo fim de semana de Setembro, deslocando as quatro corridas finais para datas diferentes: o GP de Itália para 28 de setembro, o GP de Portugal para 12 de outubro, o GP do México para 9 de novembro e o GP da Austrália para o dia 23 do mesmo mês. Afinal de contas, entendia-se: havia um sueco na Ferrari, e quem sabe que máquina eles teriam para aquela temporada...

No final, as coisas resolveram-se da seguinte maneira:

- O GP da Argentina caiu por falta de interesse dos proprietários do Autódromo Oscar Galvez, e também porque não havia um argentino no pelotão a lutar por vitórias. 

- O GP do Japão caiu porque a pista estava a ser profundamente remodelada e as obras não estariam prontas a tempo para acolher a Formula 1 - recorde-se, a pista pertencia à Honda. No final, a sua estreia ficou para 1987, e mais tarde que o inicialmente marcado. 

- A pista sul-africana caiu por causa do regime do "apartheid", que ainda estava em vigor. Era uma corrida paga generosamente pelo governo de minoria branca, que colocava os pilotos numa "redoma dourada" - todos juntos num hotel das proximidades do circuito - e lá ficavam até ao final do Grande Prémio. Com os eventos de 1985 ainda frescos - e as equipas francesas foram obrigadas a não participar a pedido do governo de então, chefiado por Francois Miterrand - logo, para não repetir a gracinha, eles abandonaram a ideia. 

- No caso de Zandvoort, os proprietários do circuito sabiam que a pista tinha de passar por muitas remodelações. E nesse ano, a empresa faliu e a pista só regressou à Formula 1 em 2021, uma geração depois, e com um novo desenho.

E houve mais algumas coisas interessantes. Em Espanha, estava a ser construído o circuito de Jerez, para o regresso que não acontecia desde 1981, mas Jarama queria ficar com o lugar. Apresentou uma proposta para correr em setembro, mas o circuito andaluz ficou pronto no final de 1985, e a FIA decidiu colocar a pista no inicio da primavera europeia, a 13 de abril, sendo a segunda corrida do ano. Só em 1987 é que se juntaria com o GP português, num "tandem" que seria assim até 1991, com o GP espanhol a ir para Barcelona, e em 1992, quando a corrida foi para o meio da primavera e ser a primeira - ou uma das primeiras, dependendo do ano - corridas no continente europeu.

E a Suécia? Acabaria por cair, também por falta de interesse, colocando as quatro corridas finais nas datas que acabaram por aparecer no calendário final. E 1986 viu o regresso de Espanha e México ao calendário, bem como o regresso da Formula 1 a Brands Hatch, para o GP britânico, e Hockenheim, para o GP da Alemanha Ocidental. E claro, a "piece de resistance": o GP da Hungria, a primeira corrida além da Cortina de Ferro. 

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