sábado, 14 de março de 2026

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Há 45 anos, a Formula 1 chegou a Long Beach numa situação onde cabelas mais frias prevaleceram. De uma situação onde quase se separaram, FISA e FOCA, cenário do qual decorreu o "GP Pirata" da África do Sul, agora, ambas as partes se reconciliaram, assinando em Paris o primeiro Acordo (ou Pacto) da Concórdia - nome da Place de la Concorde, em Paris, sede da FIA - onde a FOCA. liderada por Bernie Ecclestone, ficou com o direito de negociar os contratos televisivos e distribuir o dinheiro pelas equipas, enquanto a FISA. liderada por Jean-Marie Balestre, resolveu desenhar os regulamentos, com a concordância das equipas. No final, foi tudo uma questão de dinheiro.

E no acordo também se decidiu que as saias laterais iriam ser retiradas, e os carros teriam uma diferença de seis centímetros entre o chassis e o chão, aquilo do qual as duas partes quase faziam campeonatos paralelos.  

E talvez - quem sabe... - tenha sido nesse espirito de concórdia que aconteceu o episódio seguinte: o Lotus 88 de chassis duplo e porque é que ele foi logo proibido pela FISA, com o beneplácito da FOCA. 

Havia uma coisa interessante de como estas coisas aconteciam na época: se uma equipa apresentasse algo novo, se não estivesse ilegal nos regulamentos, poderia correr. E quem dizia que os carros poderiam correr ou não... eram os escrutinadores dos Grandes Prémios, com o beneplácito da FISA. E como Colin Chapman era perito em ver nos regulamentos as maneiras como escapar de alguma proibição, era assim que apresentava as suas inovações nos seus chassis. E ele estava confiante de que eles deixariam correr com o carro, apesar dos protestos de boa parte das equipas. A razão deles dera bem simbólica: eram partes móveis, que eram proibidas pelos regulamentos. Mas enquanto ouviam os argumentos a favor e contra, os Lotus andaram na pista nos treinos de sexta-feira, com tempos razoáveis. 

Mas no final do dia, o protesto das equipas foi acedido e o carro não pode mais andar nos treinos de sábado, fazendo com que Nigel Mansell e Elio de Angelis andassem com o velho 81. Mas Chapman não se iria render, alegando que o carro era legal, sido aprovado pelos discais da FISA e levaria os carros para o Brasil, palco da corrida seguinte. 

No meio das polémicas e das ameaças de cisão, provavelmente vendo o que aí vinha, a Goodyear, que fornecia pneus às equipas de Formula 1 desde 1964, decidiu que iria embora no final de 1980. As equipas entraram em agitação para encontrar um fornecedor, e de repente, a Michelin acabou a ficar com todas as equipas em Long Beach. Parecia que isso seria alho resolvido... mas não. Outros poderão entrar, como a Pirelli, mas quando a Formula 1 está na California para começar... de verdade, todos os carros tem calçados pneus Michelin.  

Mas no meio de todas estas perturbações, acontecia uma surpresa. E isso foi na sessão de sábado. Se os Williams e a Brabham de Nelson Piquet, eles andavam no topo da tabela de tempos, Riccardo Patrese e o seu Arrows A3 acabou por ser uma surpresa, ao conseguir a pole-position por... nove milésimos de segundo, superando o Williams de Alan Jones!

Quem conhece a história, sabe que a Arrows surgiu três anos antes de uma cisão com a Shadow, e como a March, a equipa foi chamada com as iniciais dos seus fundadores  - falta um R, mas é simbólico. para dar o nome que acabou por ser batizado - Franco Ambrosio (o patrocinador inicial, mas saiu pouco depois), Alan Rees (que oito anos antes, tinha ajudado a fundar a March), Jackie Oliver, David Wass e Tony Southgate, o projetista. Nesse tempo, graças ao seu piloto, Riccardo Patrese, tinha conseguido dois segundos lugares, um em 1978 e outro em 1980, precisamente em Long Beach. A realidade é que havia pistas onde os carros davam-se melhor que outros, e numa pista urbana, de velocidade média baixa, algo sinuosa, o A3, a máquina que também usaram na temporada anterior, esse carro tinha dado mais um momento alto para uma pequena equipa na Formula 1. 

Também havia dias felizes, há 45 anos, no Monaco californiano.

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