domingo, 15 de março de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 2, Xangai (Corrida)


A Formula 1 vai de um lado para outro num instante. Abençoada logística, que permite milagres deste tipo. Afinal de contas, Xangai não é ali "na esquina", digamos assim. Ainda por cima, falamos da cidade mais populosa da China, e se calhar, no pódio das cidades populosas na Ásia, a par de Pequim, Tóquio, Bangkok, Deli e sabe-se lá que cidades desconhecidas dentro do Império do Meio...   

E porque falo da logística? É porque se falou imenso ao longo destes dias. Algumas horas antes da prova, soube-se, oficialmente, que os GP's do Bahrein, a 12 de abril, e o da Arábia Saudita, a 19, foram... como direi? "não se realizarão na data prevista". A razão está em todas as páginas dos jornais, televisões e dispositivos móveis: os americanos e israelitas atacaram o Irão, este fechou o Estreito de Ormuz e bombardeou os países do Golfo Pérsico. Não que eles não se importem de correr com refinarias a arder no horizonte - já aconteceu isso em 2022 em Jeddah - mas o grande problema é que eles bombardeiam aeroportos - Dubai já levou com alguns drones iranianos - logo, a logística torna-se um problema. Já imaginaram um 747 da UPS a pegar fogo com centenas de milhões de dólares em material caro, chassis, motores, equipamentos eletrónicos e tal? Ainda por cima, tão longe de casa? E ainda mais por cima, em maio farão a primeira de quatro visitas aos Estados Unidos? 

Portanto... é melhor "adiar". Para mim é mais "cancelar", mas parece que a Formula 1 implora por milagres. Quero ver como encaixarão estas corridas. Será no Natal? Nem sabemos se a guerra estará acabada nessa altura, por muito que bombardeiem o exército e a Guarda Revolucionária iraniana! Afinal de contas, os russos julgavam, em 2022, que Kiev iria ser deles em três dias...

Enfim, deixemos as divagações politicas. Porque o pelotão parece que tem outro problema. De adaptação aos novos regulamentos, e de carros que não podem ser puxados até ao limite. 

O dia acordou com algumas expectativas, é verdade, mas nas horas anteriores ao Grande Prémio, começaram a haver sarilhos. Das grandes. Ainda por cima... na McLaren! Na hora final, o carro de Lando Norris estava parado nas boxes e os mecânicos estavam a tentar colocá-lo a funcionar. Mas depois viu-se que o problema era elétrico, e não seria reparado a tempo. Logo, o campeão do mundo iria ver a corrida das boxes. 

Mas se um mal nunca vinha só, este aconteceu quando Oscar Piastri também viu o seu carro parado, e desta vez não foi por acidente: outra falha elétrica, de natureza diferente, o impediu de alinhar na corrida. Ao contrário de Norris, que nem saiu das boxes, já Piastri colocou o carro na grelha, onde detectaram o problema. Retiraram-no e ele fez companhia a Norris, e ele partilha um recorde com o fundador, Bruce McLaren: duas corridas seguidas seguidas sem largar.

Duas provas e zero voltas: estes novos regulamentos estão a dar dores de cabeça inesperados em lugares inesperados...

Mas não foram os únicos azarados: Gabriel Bortoleto, da Audi, e Alex Albon, da Williams, também falharam a partida.   


Quando as luzes se apagaram, os Mercedes andaram à luta, que foi bem aproveitado por Lewis Hamilton para ficar com a liderança na primeira curva. Charles Leclerc tentou segui-lo, mas Andrea Kimi Antonelli conseguiu aguentar a pressão do segundo Ferrari e ficou com a segunda posição.

Atrás, os Red Bull não andavam bem. Max Verstappen partiu lento - o Turbo não funcionou na altura - e perdeu seis lugares, enquanto Isack Hadjar lutava por posições com Oliver Bearman quando no inicio da grande reta, fez um pião e quase levava o britânico da Haas consigo. Ele regressou à pista, no final do pelotão, com um inesperado Franco Colapinto, da Alpine, a ser... sexto, no final da primeira volta!

Nas voltas seguintes, Antonelli passou Hamilton para o jovem italiano ser o primeiro, acelerando na reta maior, por causa da sua velocidade de ponta. Russell, que era quarto, passou Leclerc e ficou com o lugar mais baixo do pódio, perseguindo Hamilton para ver se conseguia dar dobradinha à Mercedes e, quem sabe, apanhar Antonelli. Atrás, os Alpine eram quinto e sexto, com Pierre Gasly a ser melhor que Franco Colapinto.

Na volta 10, o Aston Martin de Lance Stroll fica parado na pista, e é sinal dos pilotos irem às boxes trocarem os seus médios por duros, apostando, se calhar, numa prova só com esta paragem. Mercedes, Ferrari e o Alpine de Pierre Gasly faziam essa jogada. como Colapinto ficou na pista, pois tinha começado com pneus duros, ele era, inesperadamente... segundo! Russell, Hamilton e Leclerc começaram a fazer a sua corrida de recuperação, passando os carros à sua frente, já que Antonelli tinha mantido a liderança e tentava distanciar-se.


Pela metade da corrida, os Ferrari lutavam entre eles pela segunda posição, com Leclerc e Hamilton a brigarem entre si - já não se via coisas dessas há algum tempo! - e no meio disto tudo, Russell observava e Antonelli ia-se embora, a caminho da primeira vitória italiana em quase 20 anos. Claro, no meio das lutas, Russell queria aproveitar e passava Hamilton na volta 26 e era terceiro. Longe, bem longe, Oliver Bearman aguentava Max Verstappen à distância, enquanto Esteban Ocon era sétimo, depois de passar os Alpine.

Na volta 30, Russell conseguia passar Charles Leclerc e já era segundo, achando que era suficiente andar atrás dos Ferrari, e ia buscar Antonelli para continuar a sua caminhada para o título, porque nesta altura, a diferença entre ambos era quase de oito segundos.

Ocon e Colapinto tinham ido às boxes, para meter duros e no regresso... trocaram-se, sem grandes consequências, depois do francês da Alpine ter tentado uma ultrapassagem "do fundo da rua", digamos assim.

Na volta 35, Fernando Alonso parava nas boxes, e agora era de vez, mostrando até que ponto ele era capaz de levar o carro. Nessa altura, ele já tinha uma volta de atraso. Logo depois, os Ferrari voltavam a trocar posições entre si, agora pela terceira posição, por causa do erro de Charles Leclerc, do qual Hamilton aproveitou. Nesta altura, Russell estava na frente deles, com uma vantagem de seis segundos. Leclerc tinha uma vantagem de 18 segundos sobre Ollie Bearman, e era quinto... se calhar, à espera de ver os Ferrari implodirem.

Na realidade, acabou por ver o Red Bull de Max a desaparecer de vista. Na volta 46, Max Verstappen tinha problemas com o seu carro, e acabou para ir às boxes, para ser o sexto piloto a abandonar a corrida. Sem poder no motor, depois de sair da curva, e a arrastar no pelotão, sabia que não podia fazer mais. Com isto, todos atrás de si subiram na geral, e Pierre Gasly era sexto na geral. 

A parte final da corrida não teve grande história nas dez voltas finais. Russell tentava apanhar Antonelli para ver se conseguia a sua segunda vitória consecutiva, mas as distâncias eram estáveis. Ele tentou fazer o melhor, mas no final, os pneus duros já tinham dado o que tinha a dar e se calhar, o melhor era levar o carro à meta. Um pouco atrás, Hamilton começava, por fim, a afastar-se de Leclerc para ver se conseguia o seu primeiro pódio desde que chegou à Ferrari, e o Haas de Bearman conseguia ser o melhor do resto e conseguia mais alguns pontos para a sua equipa. 

Na meta, com 15 "sobreviventes", fazia-se história: pela primeira vez em 20 anos, Kimi Antonelli conseguia a sua primeira vitória e aos 19 anos e 200 dias, e depois de 26 Grandes Prémios na sua carreira, ser o segundo piloto mais jovem de sempre, batendo Sebastian Vettel. Curiosamente, a última vitória de Giancarlo Fisichella, em 2006, tinha sido na Malásia, a segunda corrida dessa temporada... parece que haverá competividade na Mercedes. Hamilton conseguiu o seu pódio - o 203º da sua carreira - feliz da vida, na frente de Charles Leclerc.


Daqui a duas semanas, teremos corrida em Suzuka. Poderá ser mais do mesmo, numa Formula 1 que se adapta aos novos regulamentos. 

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