segunda-feira, 16 de março de 2026

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A temporada de 1986 irá ter algumas equipas novas. Uma é a Lola-Haas, cujo assunto falarei um pouco mais tarde - a história vale a pena ser falada, garanto-vos - e outra é a AGS, mas essa só aparecerá mais tarde, em setembro, para duas corridas. 

O que quero falar hoje é uma velha equipa que foi comprada e rebatizada. Nas estatísticas, é uma equipa nova, mas na realidade, eles já estavam na Formula 1 desde 1981. Mas mesmo assim, vale a pena falar das suas expectativas para a temporada que aí vinha. 

Primeiro que tudo, Rory Bryne esperava fazer um chassis eficaz, mas o acordo de aquisição aconteceu a 24 de outubro de 1985, logo, sem muito tempo para fazer um projeto radical. O B186 acaba por ser uma evolução do TG185, mas tinham uma coisa nova: motor. Desde o inicio que a Toleman fez uma aposta para o futuro: Turbo. Mas em vez de um construtor - andaram perto de ter motores Turbo da... Lancia - acabaram por pedir a Brian Hart para que fizesse um motor de quatro cilindros em linha. Sofreram nas duas primeiras temporadas, mas no final de 1983, com Derek Warwick, e no ano seguinte, com Ayrton Senna e Stefan Johansson, tinham acertado o jeito, sendo uma das equipas a ter em conta do meio do pelotão.

Com o acordo feito, o carro iria ter agora os quatro em linha da BMW. Logo, a traseira tinha de ser redesenhada para poder acolher da melhor maneira o motor alemão. E tinha de ser: afinal de contas, em qualificação, o motor poderia render mais de 1400 cavalos! Mas apesar dos motores parecidos, o chassis tinha de ser reforçado por causa dessa força - a diferença entre o Hart e o BMW era de 600 cavalos! - e ele pretendia redesenhar os "sidepods" para ganhar "downfornce" e ser mais eficaz. 

Para a equipa, havia mudanças. Da Arrows, chegava o austríaco Gehrard Berger, que vindo da Arrows, tinha feito uma temporada razoável, especialmente na parte final. E ainda por cima, tinha tido um ano inteiro para se adaptar aos motores BMW. Mas quando soube dele, Bryne tinha ganho mais um problema: o chassis tinha de ser suficiente grande para caber ambos os pilotos. Porque, se Berger tinha 1.83 metros, alto para os padrões da Formula 1, já Fabi tinha menos 15 centímetros, 1.68 metros...

Apesar de todos estes obstáculos, quando a "nova-velha" equipa chegou ao Rio de Janeiro, a equipa tinha feito três chassis, um para Fabi, outro para Berger e um de reserva. E até tinham ideias de pintar os pneus de modo multicolor, para mostrar ao mundo que eram irreverentes... mas os pilotos tinham de não exagerar, porque as partes sobressalentes não eram muitas.

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