quarta-feira, 18 de março de 2026

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Em 1986, a Lotus continuava no caminho para chegar à linha da frente da Formula 1. E tinha ganho reforços a nível de motores, quando a Renault decidiu que, depois de retirar a sua equipa de fábrica, eles iriam ser o fornecedor principal dos seus motores Turbo de 1.5 litros. Ainda por cima, a equipa tinha, por fim, um piloto com mentalidade vencedora: o brasileiro Ayrton Senna, que em 1985 tinha ganho duas corridas. 

Mas no defeso, tinha de resolver alguns problemas para poder seguir adiante, em condições para fazer uma temporada sem problemas: Elio de Angelis tinha ido embora, e a Imperial Tobacco queria um britânico no lugar vago. Tentou-se Derek Warwick, mas Senna vetou, afirmando que ele iria prejudicar as chances de título da equipa. Chegou a propor o vencedor do campeonato britânico de Formula 3 desse ano, um tal de... Mauricio Gugelmin, mas decidiu-se por uma solução de compromisso: o campeão britânico de Formula 3 de 1984, o escocês Johnny Dumfries - que era, na realidade, o herdeiro do ducado de Bute, na Escócia. E conseguiam resolver dois problemas para a Lotus e para Senna: um britânico e um piloto que não seria uma ameaça a ele.

Assim sendo, a equipa concentrou-se para a nova temporada que aí vinha, e com o motor garantido, ia-se desenhar o 98T. Obra de Gerard Ducarouge, que tinha sido contratado de emergência em abril de 1983, quatro meses depois da morte de Colin Chapman, com excelentes resultados, o 98T era uma evolução do 97T, de 1985, e a primeira grande alteração era regulamentar: os depósitos de combustível foram reduzidos de 220 para 195 litros. Tudo isto com apenas 540 quilos de peso. 

Depois, o motor Renault Turbo era o EF15B, a melhor versão do motor francês, capaz de dar cerca de 900 cavalos em corrida a 4 bar de pressão, e pouco mais de 1200 em modo de qualificação. A caixa de velocidades era o Hewland de seis velocidades, o chassis era monocoque, de fibra de carbono, intercoolers de injeção de água e um computador de bordo, para poder regular o consumo de combustível. Coisas que hoje em dia parecem corriqueiras, mas em 1986... não eram.

Como evoluir era melhor que tentar algo radical e perder, parecia que o carro poderia acompanhar os Williams e os McLaren, que como eles, tinham feito a mesma aposta. Porque, tendo bons pilotos, e estando constantemente a ganhar, para que mudar? Mas a Williams, como já foi visto, quando soube que o motor estava no ponto, apostou num carro mais eficaz, e sabiam que estavam no melhor dos caminhos. 

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