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terça-feira, 14 de abril de 2009

Historieta da Formula 1: a tradição do banho de champanhe

Hoje em dia, damos como adquirida a ideia de que os pilotos, quando sobem ao pódio para receber os prémios, borrifam-se com uma garrafa de champanhe de tamanho gigante a todos os que estão à frente. Na realidade, apesar do champanhe estar associado à Formula 1, desde os seus primórdios, o banho é uma coisa muito mais recente. Quem conta isso é o Gustavo Coelho, do Blog F1 Grand Prix.


Tudo começa em 1950, ano inaugural da Formula 1. Quando o pelotão vai correr em Reims o GP de França, Paul-Chandon Moët e Fréderic Chandon de Briailles, os herdeiros da marca Möet et Chandon, oferecem ao vencedor do Grande Prémio uma enorme garrafa de champanhe, pois o circuito ficava situado na provincia que lhe deu o nome. O vencedor dessa corrida, o argentino Juan Manuel Fangio, aceitou sem hesitar. Desde essa altura que, sempre que a Formula 1 ia a França, independentemente do circuito, oferecia-se ao vencedor uma garrafa de champanhe da mesma marca.

Mas o banho começa 16 anos mais tarde, também em França, mas não foi numa prova de Formula 1: foram nas famosas 24 Horas de Le Mans, e não foi com um dos três primeiros. Foi com o... quarto classificado. O suiço Jo Siffert (1936-71), que fazia dupla com o inglês Colin Davies, tinha ganho a categoria de 2 litros, com o Porsche. Eufórico com o triunfo, e num dia de calor sufocante, abraçou a garrafa de champanhe que, com a agitação, fez saltar a rolha e jorrou o precioso liquido. Os restantes pilotos que tinham ido ao pódio, incluindo os vencedores, os neozelandeses Bruce McLaren e Chris Amon, aproveitaram a deixa e jorraram o champanhe para a multidão.

Desde então a tradição do champagne no pódio só foi quebrada algumas vezes, nos anos 70 e 80. E tudo por causa de um patrocinador... árabe. Entre 1979 e 1984 cada vez que Clay Regazzoni, Alan Jones, Carlos Reutemann ou Keke Rosberg conquistavam vitórias para a equipa Williams, comemoravam a vitória... com uma garrafa de água. O motivo era simples: a equipa inglesa era patrocinada pela Saudia Airlines, que, pelas leis islâmicas, não permitia que seus patrocinados bebessem álcool. E isso incluia cerimónias de champanhe!

Mais de vinte anos depois, quando a Formula 1 chegou a um pais árabe, o Bahrein, solução semelhante teve de ser necessária. Resolveu-se que os pilotos iriam estoirar uma tradicional bebida bahrenita, que, consta-se, não ganhou a admiração de muita gente...