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sábado, 3 de outubro de 2015

A foto do dia

Em pleno fim de semana do Rali da Córsega, não se pode esquecer que há quase 30 anos, naquela ilha, Henri Toivonen e Sergio Cresto terminaram as suas vidas. E passado esse tempo todo, eles não foram esquecidos. Esta foto foi tirada esta semana e publicada na Autosport portuguesa.

Não vejo ali, mas dizem-me que todos os dias há uma garrafa de Martini naquele local...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Um testemunho sobre Henri Toivonen

De quando em quando lá nos lembramos dos mitos do automobilismo, daqueles que viveram depressa demais e morreram demasiado cedo. Os carismáticos e rebeldes, esses não morrem nunca, como Gilles Villeneuve na Formula 1 ou Henri Toivonen nos ralis. Hoje volto a lembrar o finlandês, não tanto pelo fato de no passado dia 26 de agosto, caso estivesse vivo, teria comemorado o seu 55º aniversário natalício. É mais porque hoje surgiu no Autosport português o testemunho de um dos colaboradores mais conhecidos da revista, o britânico Martin Holmes.

O seu testemunho veio acompanhado pela fotografia que coloco aqui, e do qual ele afirma: "Poderá não ser a mais fantástica fotografia que tirei, mas é a que mais significado tem para mim". E ele justifica tal frase, dizendo que foi tirada "em Bastia, na manhã do dia em que, infelizmente, acabou por morrer no decorrer do Rali da Córsega. Esta imagem é, para mim, a mais emotiva entre todas as que me lembro de ter tirado."

Depois conta os momentos que viveu nesse já distante dia 2 de maio de 1986: "Um sentimento terrível e de grande perplexidade começou a assaltar-me, enquanto esperava, em vão, pela chegada dos carros a Croce d'Arbitro, percebendo que algo de muito preocupante tinha acontecido, principalmente quando vi, através do Collo di S. Quilico, uma pálida coluna de fumo a subir para o céu. Pouco tempo depois a rádio local noticiou que Toivonen tinha batido e, quase de seguida, que ele e o seu co-piloto, Sergio Cresto, tinham morrido.

Senti-me tal como tinha acontecido um ano antes quando Attilio Bettega tinha falecido e, sete anos mais tarde quando o mesmo aconteceu a Rodger Freeth, na Austrália. De repente os pensamentos sucederam-se num turbilhão e, para mim, a morte de Henri provocou-me uma súbita obsessão. Queria lembrar-me da última vez que tinha falado com Henri, mas não o conseguia fazer. As imagens passavam pela minha mente, retrospectivamente, mas nada conseguia fazer com que me recordasse.

Regressei ao quartel-general do rali em Ajaccio onde poderia aceder a toda a informação que necessitava sobre a vida de Henri, as consequências do sucedido e a forma como o acidente poderia afectar o desporto no seu todo.

Então alguém aumentou o som de uma televisão e o noticiário da TF1 estava a relatar o acidente. O "cameraman" focava Henri sentado no seu carro, conversando e rindo com um desconhecido, ao mesmo tempo que o flash de um fotógrafo iluminava, periodicamente, a cena. Ele estava a conversar comigo, rindo (tal como ele e os outros pilotos finlandeses sempre faziam) do tamanho ridiculamente pequeno das minhas câmaras, as câmaras "Rato Mickey", tal como Kankkunen as apelidava. Os tais flashes eram da minha câmara e a sua presença removeu, de imediato, a minha obsessão.

Esta peça jornalística fala sobre a última fotografia que tirei a Henri Toivonen, um dos mais talentosos e controversos pilotos de ralis, uma espécie de Gilles Villeneuve da "estrada". Tinha seguido a carreira de Henri desde os seus 16 anos de idade. Tinha assistido ao Rali do Ártico quando conquistou a sua primeira grande vitória, estive no carro atrás dele quando venceu o Rali do RAC em 1980. Poderá não ser a mais fantástica fotografia que tirei, mas é a que mais significado tem para mim.", concluiu.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Youtube Rally Classic: o anuncio da morte de Henri Toivonen



Era uma Finlândia em estado de choque que via isto na tarde de sexta-feira, 2 de maior de 1986: a programação normal fora interrompida para dar lugar à noticia de que um dos seus finlandeses voadores, Henri Toivonen, morria na 18ª especial do Rali da Córsega, vitima de um despiste que o levou o seu Lancia Delta S4 para o fundo da ravina e explodisse, matando a ele e ao seu navegador, o italo-americano Sergio Cresto. Toivonen tinha 29 anos e Cresto 30.

Era o Gilles Villeneuve dos ralis, pelo seu estilo espectacular e agressivo na estrada. Correu em máquinas como o Talbot Sunbeam Lotus, Opel Ascona 400, Porsche 911 Turbo (foi o primeiro piloto contratado pela Prodrive) e por fim os Lancia 037 e Delta S4. Ao vencer o seu primeiro rali, em 1980, tornara-se no piloto mais novo de sempre a vencer no Mundial até que Jari-Matti Latvala o bater em 2009, quando venceu o rali da Suécia.

O seu acidente mortal foi marcante, pois significou o final de uma era nos ralis. Os carros do Grupo B, autênticas "penas" com um motor Turbo atrás (a relação peso potência era igual) feitos de fibra de vidro, tinham-se tornado de modo crescente em carros dificeis de controlar. No dia anterior à sua morte, afirmara em tom profético: “Este Rali é de loucos, apesar de estar tudo a correr bem para nós. Mas se cometer um erro, pode ser fatal”. E as suas últimas palavras públicas, á entrada da classificativa fatal, revelavam a mesma preocupação: “Hoje guiamos o equivalente a um rali inteiro. Começa a ser difícil controlar a velocidade”.

Quando Toivonen e Cresto morrem, é Bruno Saby que avisa do acidente á equipa Lancia. A conversa revela o desespero e incerteza da altura e depois a decisão da equipa de se retirar de imediato. A FISA, pela voz de Jean-Marie Balestre, age de imediato: os Grupo B são abolidos no final da temporada. O aviso de dois meses antes, em Portugal, quando o Ford RS200 de Joaquim Santos perdeu o controlo e matou três pessoas na Lagoa Azul, a primeira etapa desse rali e que levou à retirada das equipas de fábrica, demonstrava que os pilotos começavam a ter imensa dificuldade em lidar tamanha potência.

Poucos dias depois, o jornalista britânico Martin Holmes escreveu no seu tributo a Toivonen na revista inglesa Motor: “O rebelde dos ralies conseguiu, nos seus vintes (morreu quatro meses antes de chegar aos 30 anos), uma carreira muito mais rica do que os seus companheiros mais velhos, provando que os jovens talentos podem ser bem sucedidos”. Caso tivesse ganho aquele Mundial de 1986, teria sido o mais jovem piloto de sempre a alcançá-lo.