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sábado, 2 de maio de 2026

As imagens do dia





O segundo dia do rali da Córsega eram nove especiais entre Bastia e Calvi, com passagens por Corte e Ponte Leccia. Ao todo, seriam 283,65 quilómetros de especiais de classificação. No final do primeiro dia, quinta-feira, o Lancia Delta S4 de Henri Toivonen era o mais rápido, com uma vantagem de um minuto e 42 segundos sobre o Peugeot 205 Turbo 16 de Bruno Saby, e três minutos e 18 segundos sobre o outro Lancia de Massimo Biasion, noutro Lancia Delta S4.

O rali corria bem para a marca italiana, apesar de Markku Alen ter-se atrasado por causa de problemas de travões no seu carro. Para além disso, ele perdeu tempo para ajudar o seu compatriota Timo Salonen, que se despistara e acabara no fundo de uma ravina, embora sem consequências físicas quer para ele, quer para o seu navegador, Seppo Harjane.

Se para Toivonen, tudo correu bem, fisicamente... estava um farrapo. Engripado ao longo da semana, ele tentava curar essa maleita, enquanto competia num rali num carro que tem um turbocompressor e um supercompressor - para tentar compensar o "turbo lag" - e não tinha direção assistida. Sim, é verdade! E ouvi isto da boca de gente como Markku Alen, por exemplo. Um carro destes não era fácil de guiar, e alguém nestas condições terá crescentemente dificuldade em controlar um carro com quase 500 cavalos.

O dia não começava bem: uma especial em Cap Corse, no aeroporto local, fora anulado, e assim sendo, as equipas regressaram diretamente a Saint-Florent antes de enfrentarem o troço cronometrado do Passo de Santo Stefano. Saby foi o mais rápido ali, mas conseguiu apenas alguns segundos de vantagem sobre Toivonen. Este iria dominar as especiais seguintes, alargando a sua vantagem para quase três minutos antes de chegarem a Corte, por volta do meio dia. 

Dois minutos e 45 segundos depois aparecia Saby, em segundo, e Biasion mantinha-se em terceiro lugar, bem à frente do Renault de Francois Chatriot e o terceiro Lancia de Markku Alén. Tony Pond teve de abandonar com uma correia de distribuição partida no seu MG Rover, e agora era o Alfa Romeo GTV6 do Grupo A de Loubet que ocupava a sexta posição, cinco minutos à frente do Renault 11 de Jean Ragnotti.

Na parte da tarde, os carros saiam de Corte para Calvi, termino da segunda etapa, e a primeira especial dessa tarde era a 18ª, uma ligação entre Corte e Taverna. Um reporter apanha Toivonen de porta aberta e pergunta pelo seu estado de espírito, e a resposta é um "andamos todo um Jvaskyla", mostrando que estava mais cansado que o habitual. Mesmo assim, arranca para a especial como se nada passasse, e determinado a ganhar mais alguns segundos à concorrência. 

Mas a meio, o barulho cessou. E uma coluna de fumo ergue-se, e os temores começam a surgir. O primeiro carro a chegar é o de Biasion, e ambos os pilotos estão em pânico. Comunicam ao HQ da Lancia, e estão desesperados, porque o carro estava a arder e os pilotos não se viam fora. Temiam o pior, e com razão.

O que tinha acontecido é que, a meio da especial, numa curva para a esquerda, o Lancia Delta S4 seguiu em frente, caindo ribanceira abaixo. Os depósitos de combustível, que estavam debaixo dos assentos de Toivonen e Cresto, foram rasgados e pegaram fogo no impacto. Os socorros foram accionados e a especial é interrompida, e poucos minutos depois, as chamas foram apagadas. Depois, as ambulâncias chegaram e levaram os corpos até Ajaccio, onde se confirmaram as mortes. Toivonen tinha 29 anos, Cresto, 30.

A Lancia, chocada por mais uma morte, ainda por cima, no mesmo dia em que, um ano antes, tinha morrido Attilio Bettega, outro dos seus pilotos. Os carros retiraram-se, com efeito imediato, o rali continua, mas as restantes especiais daquela sexta-feira à tarde, não se realizam. E as coincidências aparecem: Bettega e Toivonen tinham o número 4 nos seus carros.

O Tour de Corse termina no domingo, dia 4 de maio. com a vitória de Bruno Saby, no seu Peugeot, na frente do Renault de Francois Chatriot, a 13 minutos e 15 segundos, mas a vitória é oca. Os Lancia oficiais e os carros da Jolly Club, que alinham com os Fiat Uno Turbo, tinham-se retirado, em sinal de luto pela morte de um dos seus, e quase dois meses depois dos eventos da Serra de Sintra, todos entendem que tinham de fazer algo, porque parecia que eles tinham chegado... e passado um limite.

A FIA também fica chocada com o que aconteceu. E ao contrário do que tinha acontecido em março, com eles a elogiarem a organização do rali de Portugal, indo contra a vontade dos pilotos, iriam agir. 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

A imagem do dia (II)





O rali da Córsega de 1986 arrancou a 1 de maio, uma quinta-feira, com sol de primavera e todos à espera de um grande duelo entre Lancia e Peugeot, com os outros, provavelmente, a acompanhar o ritmo dos pilotos destas duas equipas. A primeira etapa era uma ligação entre Ajaccio e Bastia, a segunda mais importante cidade da ilha. Onze provas especiais estavam à espera aos pilotos, todos em asfalto. 

Os Peugeot arrancaram com Bruno Saby a conseguir o melhor tempo na primeira especial, seis segundos sobre Timo Salonen e sete sobre Michéle Mouton, com os Lancias de Henri Toivonen e Massimo Biasion a serem quarto e quinto. Markku Alen perdia mais de um minuto devido a problemas de travões (freios) e era oitavo, entre os MG de Tony Pond e Malcom Wilson.

Salonen atacou a liderança de Saby nas especiais seguintes, ficando com a liderança no final da terceira especial, seguido por Saby, Mouton e Salonen, no melhor dos Lancias... e a apenas onze segundos da liderança, a aumentar o seu ritmo. Na quinta especial, o finlandês da Lancia atacou forte e assumiu a liderança na passagem por Santa Giulia, chegou a Quenza com uma vantagem de vinte segundos sobre Saby, que estava em segundo, logo à frente de Salonen. Apesar de ter sido atrapalhada por diversas vezes pelo pequeno Fiat do Grupo A de Giovanni del Zoppo, que largava dois minutos à sua frente em cada especial, Mouton, no regresso ao Campeonato do Mundo, mantinha um excelente quarto lugar, à frente dos outros dois Lancias de Biasion e Alén, que se posicionavam entre o Renault 5 de Francois Chatriot, que era sexto.

O melhor dos Grupo A era o francês Yves Loubet, num Alfa Romeo Alfetta GTV6, era décimo e já tinha um atraso de oito minutos e 13 segundos. 

A segunda parte do dia, com Toivonen já na frente dos Peugeot, decidiu pisar no acelerador e afastar-se dos Peugeot, mesmo quando Salonen ganha na especial seguinte, para ficar com o segundo posto, e o melhor dos Peugeot, a Bruno Saby. Mas logo a seguir, Salonen perdeu tempo e cai para terceiro, atrás de Saby, enquanto Toivonen começou a distanciar-se. 

Entre Entre Muracciole e Abbazia, um susto: Salonen, o campeão do mundo, alcançou a Lancia de Alén, que tinha problemas de motor. A estrada era muito estreita, e quando Alén deu passagem a Salonen para o passar, este tinha duas rodas na gravilha e quando acelerou, o 205 entrou em despiste e acabou por sair da estrada, caindo ribanceira abaixo. Salonen e o seu navegador, Seppo Harjane, saíram ilesos, mas o seu rali acabava ali. Alen, seu compatriota, ajudou nos socorros, e quando viu que ele estava em boas mãos, prosseguiu.

Com isto, Toivonen ganhou uma vantagem superior a um minuto sobre os franceses Saby, enquanto Mouton era terceira, mas a mais de dois minutos, com Francois Chatriot em quarto, no seu Renault 5 Maxi Turbo. Alen era quinto, a mais de dez minutos da liderança. Contudo, ainda antes de chegar a Bastia, Mouton tem um problema na sua caixa de velocidades e acaba por abandonar, e o lugar fica nas mãos de Miki Biasion, que tinha um atraso de três minutos e 18 segundos sobre a liderança de Toivonen. Chatriot, no seu Renault 5 Maxi Turbo, era quarto, na frente de Alen e Pond, no seu MG Metro 6R4.   

Loubet era o melhor dos carros de Grupo A, em sétimo na geral, mas no final do primeiro dia, ele tinha um atraso... de 25 minutos e 34 segundos. 

Tinha sido um primeiro dia de rali interessante, e parecia que o duelo entre Lancia e Peugeot tinha-se reduzido a um duelo entre Toivonen e Saby. O que não era muito falado era que o finlandês estava engripado, mas se estava doente, não se manifestava em termos de performance... 

Na sexta-feira, dia 2 de maio, os pilotos iriam encarar mais nove especiais pela frente. 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

As imagens do dia






Depois de um mês de ausência, o Mundial de Ralis de 1986 iria correr-se na ilha da Córsega, no sul de França. Entre os dias 1 e 3 de maio, os carros iriam enfrentar 30 especiais de classificação, todos em asfalto, perante estradas à beira do precipício. Um pouco como Monte Carlo, mas ali não neva e já estamos na primavera, naquilo que os locais chamam de "ilha da Beleza".

O Tour de Corse existia desde 1956 e se disputava em novembro. O seu prestigio, como "Rali das Dez Mil Curvas" cresceu ao longo dos anos seguintes, especialmente quando Sandro Munari ganhou em 1967, a bordo de um Lancia Fulvia Coupé. A prova já fazia parte do europeu de ralis e em 1973, foi um dos originais que entrou no primeiro campeonato do mundo, ao lado de Monte Carlo, os Mil Lagos, na Finlândia, o rali de Portugal e o Rali Safari, no Quénia.

O rali foi essencialmente um reduto francês, com as excepções de 1976, quando Sandro Munari ganhou, com o seu Lancia Stratos, e em 1983 e 84, quando foi a vez de Markku Alen ganhar, dessas duas vezes num Lancia 037 Rally. Nessa altura, o rali já acontecia em maio, e partia de Ajaccio, a capital da ilha.

Para a edição de 1986, que novamente partia de Ajaccio, os Lancia participavam com três carros, três Delta S4 para Markku Alen e o seu navegador, Ilia Kimivaki, o italiano Massimo Biason e o seu navegador, Tiziano Siviero, e outro finlandês, Henri Toivonen e o seu navegador, o italo-americano Sergio Cresto. Os seus maiores rivais nesse rali, sem os Audi, eram os Peugeot, que tinham inscrito três carros, um para o finlandês Timo Salonen, navegado por Seppo Harjane, e os outros dois para os franceses Bruno Saby (e o seu navegador, Jean-Francois Fauchille) e Michele Mouton, que alinhava ao lado da sua navegadora, a italiana Fabrizia Pons.

Outras marcas lá estavam, como a MG, que tinha inscrito dois oficiais para Tony Pond (navegado por Rob Arthur) e Malcom Wilson, que tinha Nigel Harris a seu lado. O terceiro carro era para um local, Didier Auriol, Para além disso, também estava presente o vencedor do rali em 1985, o veterano francês Jean Ragnotti, alinhava com um Renault 11 Turbo de Grupo A, ao lado de Pierre Thimonnier.

Para a Lancia, era um regresso emotivo. Um ano antes, a 2 de maio, durante o primeiro dia do Tour de Corse, um dos seus carros, um 037, guiado pelo italiano Attilio Bettega, despistou-se na quarta especial, perto de Zerubia, e o seu piloto teve morte imediata, atravessado pelo ramo de uma árvore que entrou dentro do seu carro. O seu navegador, Maurizio Perissinot, tinha escapado ileso.

Contudo, se mostravam emoções, eram aqueles de euforia por competirem. Quanto a organização deu os números a Markku Alen, calhou-lhe o numero 1, a Salonen o 2, a Pond o 3 e a Toivonen calhou-lhe o número quatro. O mesmo que Bettega usava no seu rali fatal, um ano antes. Mas se ele alguma vez reparou nessa coincidência, tinha outras preocupações: estava doente e também sabia que precisava de um bom resultado, se queria ter chances no campeonato. 

Pela frente, 30 especiais de classificação, sempre rápidas e emocionantes. No primeiro dia, 1 de maio, máquinas e pilotos saíam de Ajaccio, rumo a Bastia, passando por Sartène, Quenza, Migliacciaro e Ponte-Leccia, em onze especiais de classificação.   

segunda-feira, 25 de março de 2019

WRC: Hyundai divulga pilotos para o Rali do Chile

O WRC parte este fim de semana para o Rali da Córsega, quarta prova do Mundial, mas já se sabe quem seráo os pilotos para o Rali do Chile, que acontecerá entre os dias 10 e 12 de maio, e que estreará esse país da América do Sul no campeonato de ralis. Serão Sebastien Loeb, Thierry Neuville e Anders Mikkelsen, repetindo o trio de Monte Carlo e da Suécia.

Para a Volta à Corsega, vão Neuville, Loeb e o espanhol Dani Sordo, que é um especialista em asfalto. O piloto norueguês ai estar ausente neste rali, mas estará também presente na Argentina, o outro evento em terras sul-americanas.

O Tour de Corse acontecerá entre os dias 28 e 31 de março.

domingo, 1 de abril de 2018

Youtube Rally Testing: O teste de Raphael Astier na Córsega

Raphael Astier, quem é ele? Bom, é um piloto francês que anda a fazer o seu campeonato a bordo de um Fiat 124 Abarth na categoria RGT. E como este é um rali de asfalto, estão inscritos seis carros nesta categoria, quatro deles sendo Porsches e os outros dois Fiat 124 Abarth, como este que poderemos ver neste video.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Youtube Rally Testing (II): Os preparativos da Citroen para o Rali da Córsega


Depois de termos visto a Ford a preparar-se para a quarta prova do campeonato do mundo de ralis, com Sebastien Ogier ao volante, também coloco aqui os preparativos da Citroen para o mesmo rali, com o recente vencedor do Rali do México, Kris Meeke, e o seu companheiro de equipa, Craig Breen, ambos a prepararem-se para este sinuosa prova em asfalto, ambos a bordo do seu C3 WRC.

domingo, 2 de outubro de 2016

WRC 2016 - Volta à Corsega (Final)

E no final, Sebastien Ogier venceu na Córsega, mas (ainda) não é o campeão. Por causa do terceiro posto de Anders Mikkelsen, e porque ele não ganhou a Power Stage - ali, o melhor foi Kris Meeke - o piloto francês não conseguiu sagrar-se campeão neste domingo, mas é já uma questão de tempo, pois faltam três ralis para o final do campeonato e a renovação é já um questão de tempo. 

Mostrámos um bom andamento no primeiro dia e depois foi gerir o ritmo. Sei que o Andreas ainda tem uma hipótese matemática de chegar ao título, mas coisas parecem muito boas para o nosso lado”, disse um sorridente Ogier no final da prova. Este triunfo é fantástico e é o que queríamos este fim-de-semana. Foi a minha primeira vitória na Córsega num evento tão histórico”, disse Ogier, no final.

O último dia do rali resumia-se à realização das nona e décima especiais, sendo esta última a Power Stage. E com Meeke sem chances de chegar ao "top ten" devido à sua desistência no dia anterior, ele foi para a estrada sem nada a perder. E foi assim no PEC9, quando a venceu... com 35 segundos de vantagem sobre a concorrência. “Foi um bom troço. Estava húmido em muitos locais e realmente concentrei-me em manter o calor nos pneus nas partes secas para termos mais aderência nas outras zonas”, disse Meeke, à chegada.

Nessa especial, Neuville foi o quarto, e Ogier o sexto estando a, respectivamente, 42,1 e 44,8 segundos de Meeke. As coisas, porém, estavam controladas para o francês, que não queria cometer riscos. “É preciso ter cuidado quando o piso está húmido portanto decidimos levar o troço com calma. Quando estás nesta posição apenas queres chegar ao fim”, completou o campeão do mundo.

Na Power Stage de Porto Vecchio - Palombaggia, Meeke voltou a voar, mas a distsancia para o segundo classificado foi de 0,5 segundos sobre Anders Mikkelsen e de 1,6 segundos sobre Ogier, completando assim o pódio dos que conseguiram pontos extra.

No final. Ogier conseguiu uma vantagem de 46,4 segundos sobre Neuville, no seu Hyundai, com Mikkelsen a fechar o pódio, a mais de um minuto do vencedor. Jari-Matti Latvala foi o quarto, a um minuto e 35 segundos, numa prestação modesta a todos os níveis. Craig Breen foi o quinto, cumprindo o seu propósito de alcançar o "top six", mas a dois minutos e 18 segundos de Ogier, conseguindo superar Hayden Paddon, no segundo Hyundai. Dani Sordo foi o sétimo, no terceiro Hyundai, a três minutos e seis segundos, mais de um minuto e 40 de Eric Camili, o oitavo classificado. A fechar o "top ten" ficaram os Ford de Mads Ostberg e Ott Tanak.

O WRC regressa à estrada dentro de duas semanas, na Catalunha.

sábado, 1 de outubro de 2016

WRC 2016 - Volta à Corsega (Dia 2)

Sebastien Ogier está a abrir cada vez mais a vantagem perante a concorrência, e tudo parece indicar que, salvo um erro ou problema mecânico, o piloto francês sairá da Corsega como vencedor deste rali, e provavelmente campeão do mundo de 2016 do WRC. Após oito especiais, o piloto da Volkswagen tem uma vantagem de 48 segundos sobre Thierry Neuville, num dia marcado pela desistência de Kris Meeke, que partiu uma roda e só voltará no modo "rally2".

Com quatro especiais a serem cumpridos neste sábado - as duplas passagens por La Porta - Valle di Rostino e Novella - Pietralba - o dia começou com Kris Meeke a ser o vencedor, tentando recuperar o tempo perdido pelo furo que tinha sofrido no dia anterior. Meeke ganhou com 17 segundos de vantagem sobre Andreas Mikkelsen e 17,3 segundos sobre Sebastien Ogier

Pensava realmente que ia fazer um mau tempo. Tudo na minha mente está focado em 2017. E esta marca faz-me sentir bem”, disse Meeke no final da classificativa.

Thierry Neuville foi apenas sexto, a 25,9 segundos do vencedor, e a diferença para Ogier tinha-se alargado para 52,6 segundos e começava a ser assediado por Mikkelsen. Quanto a Meeke, graças a este tempo, tinha subido ao oitavo posto e estava ao alcance de Eric Camili, que era o sétimo classificado e nesta altura o melhor dos Ford.

Contudo, na sexta especial, a primeira passagem por Novella - Pietralba, houve drama. Neuville embate contra uma árvore e danifica uma roda, terminando ali o seu rali. Depois, explicou: “Basicamente estava a acelerar quando devia estar a travar”, justificou. 

Logo a seguir, afirmou que foi por causa de uma nota errada que resultou no choque e consequente dano na roda dianteira direita.

Ali, Ogier e Mikkelsen empataram em termos de melhor tempo, com Thierry Neuville a ser o terceiro, a um segundo e Dani Sordo o quarto, a 3,9 segundos. Por essa altura, Ogier liderava com 53,9 segundos sobre Neuville.

Na parte da tarde, Ogier voltava a vencer na segunda passagem pela especial de La Porta - Valle di Rostino, com um avanço de 5,9 segundos sobre Thierry Neuville, enquanto que Anders Mikkelsen fez o terceiro melhor tempo, a 11,3 segundos. Nessa altura, Ogier tem quase um minuto de avanço sobre o belga da Hyundai, mas Mikkelsen tinha pouco mais de onze segundos de atraso para ele, logo, tinha de ser mais veloz.

E foi o que fez: Neuville foi o vencedor na última especial do dia, conseguindo uma vantagem de dois segundos sobre Dani Sordo, o seu companheiro de equipa, enquanto que Sebastien Ogier tinha feito apenas o sexto melhor tempo, a treze segundos.

E tudo isto quando o próprio piloto belga admitiu que se assustou no inicio: “Saí de estrada no início e bati em algumas pedras. Fiquei com uma vibração mas depois desapareceu. Procurei forçar o andamento e sei que sou bom nestas condições”, disse.

Queria apenas fechar o dia nestas condições difíceis. Viemos realmente sem forçar o andamento”, disse Ogier, que depois afirmou que cruzou compostos macios e duros para ver se tinha o máximo de aderência possivel.

No final do dia, Neuville tinha uma desvantagem de 46 segundos sobre Ogier e é o único que está com menos de um minuto, já que Anders Mikkelsen é terceiro, a um minuto a oito segundos, enquanto que Jari-Matti Latvala é quarto, a uns distantes um minuto e 41 segundos sobre Ogier. Craig Breen é agora o melhor dos Citroen, a dois minutos e quatro segundos, enquanto que Hayden Paddon é o sexto, a dois minutos e 42 segundos. Dani Sordo é o sétimo, a três minutos e três segundos, mais de um minuto adiante de Eric Camili, o oitavo classificado.

A fechar o top ten estão Mads Ostberg e Elfyn Evans, o melhor dos WRC2, este a cinco minutos e 47 segundos.

A Volta à Corsega termina amanhã, com a realização de mais duas etapas de classificação.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

WRC 2016 - Volta à Córsega (Dia 1)

No primeiro dia da Volta à Corsega, Sebastien Ogier pretende resolver tudo agora, para poder comemorar mais um campeonato do mundo neste domingo, e em terras francesas. É aquilo que se pode ver do primeiro dia do rali, onde tentou escapar da concorrência, liderada por Thierry Neuville. O piloto francês terminou o dia com um avanço de 44 segundos sobre o belga da Hyundai, após a realização das quatro primeiras especiais de classificação, onde ele venceu em todas.

Depois de ter ganho no "shakedown", Ogier começou o dia a levar a melhor sobre Kris Meeke em quatro segundos, com Dani Sordo a ser o terceiro, a 4,8 segundos do piloto francês. Thierry Neuville era o quarto, a 8,8 segundos, enquanto que Hayden Paddon era o quinto, a 15,1 segundos. 

Na segunda especial, a primeira passagem por Plage du Liamone – Sarrola-Carcopino 1, com uma extensão de 29.12 quilómetros, Ogier dilatou a sua liderança para Meeke, fixando-se dos 14,7 segundos. Nessa especial, ele bateu o belga Thierry Neuville por 8,7 segundos, enquanto que Anders Mikkelsen foi o terceiro, a 10,7 segundos.

Neuville acabou por subir ao terceiro posto, seguido pelos seus companheiros de equipa, Dani Sordo e Hayden Paddon. Mikkelsen era o sexto, seguido por Latvala, enquanto que Craig Breen caia para oitavo.

Na segunda passagem por Acqua Dória-Albitreccia, Ogier voltou a ser o melhor, desta vez conseguindo uma vantagem de quinze segundos para Thierry Neuville, enquanto que Meeke sofreu um furo e perdeu quase dois minutos e meio, caindo para fora do "top ten". Com isto, Neuville era agora o segundo, mas a 32,5 segundos, com Dani Sordo a ser terceiro, a 39,2 segundos de Ogier. 

Tivemos um furo, não sei onde, e decidimos parar para mudar a roda. Quando regressámos ao troço ficámos presos atrás do Craig. Apanhámo-lo num quilómetro, o que foi um pouco frustrante. Não conseguia ver a estrada quando apanhei o pó do carro dele, mas não queria perturbar o seu rali”, referiu Meeke no final dessa especial.

Por fim, na quarta especial, na segunda passagem por Plage du Liamone - Sarrola-Carcopino, o francês da Volkswagen conseguiu ser melhor do que Kris Meeke em dez segundos, com Jari-Matti Latvala a ser o terceiro, a 10,6 segundos. Thierry Neuville foi o quinto, a 11,5 segundos do líder, mas manteve o segundo posto, embora vendo Ogier a ir embora. Dani Sordo perdeu quase dois minutos devido a um furo na traseira, perdendo seis posições, enquanto que Meeke ganhou duas nesta especial. Hayden Paddon também perdeu tempo devido a um furo, mas foram apenas 24,8 segundos e ainda ganhou um lugar à conta do furo de Sordo, o seu companheiro da Hyundai.

No final do dia, com Ogier e Neuville nas duas primeiras posições, Jari-Matti Latvala era o terceiro, a 58 segundos, mas tinha Anders Mikkelsen logo atrás, a 59,3 segundos, os unicos que estavam a menos de um minuto de Ogier no rali. Craig Breen era o quinto, a um minuto e 18 segundos, com Hayden Paddon a um minuto e 26, os unicos que estavam... abaixo dos dois minutos. Eric Camili era o sétimo, com Elfyn Evans a ser o oitavo, e o melhor dos WRC2, a dois minutos e 26 segundos, com Dani Sordo e Mads Ostberg a fecharem o "top ten", com este último a menos de dez segundos do 11º classificado, Kris Meeke.

A Volta à Corsega volta amanhã, com a realização de mais quatro especiais de classificação.

A imagem do dia

Nas próximas três edições, a Volta à Córsega será patrocinada por este senhor morto há quase 50... dizendo melhor, a marca de bebidas energéticas com o seu nome. Resta saber quantas mais figuras históricas dariam a cara para vender "águas sujas do capitalismo" e outras coisas, não é? Charutos Fidel Castro? Lanchonetes Simon Bolivar? Supositórios Hugo Chavez? Quem sabe...

E já agora... "hasta la insónia, siempre!"

domingo, 4 de outubro de 2015

WRC 2015 - Rali da Corsega (Final)

As poucas classificativas do longo rali da Corsega consagraram facilmente o finlandês Jari-Matti Latvala como o grande vencedor, sete anos após o regresso deste clássico do asfalto ao WRC. Pode ter sido mais uma vitória da Volkswagen - com outro piloto, é certo - mas houve mais competividade, e Sebastien Ogier não andou perto da vitória. A sua única consolação foi ter vencido a Power Stage e conseguir mais três pontos no campeonato.

E no final, Latvala não esqueceu um compatriota seu: “Não está fácil colocar em palavras o que sinto. É um feeling fantástico vencer na Córsega, as condições não foram de modo nenhum fáceis, pois estávamos constantemente a mudar de zonas secas para molhadas e a minha diferença para o Elfyn Evans não se pode considerar confortável. Não quis correr demasiados riscos, e estender a vantagem para poder controlar de uma forma mais fácil. Quero dedicar esta vitória ao meu ídolo, Henri Toivonen. Esta é mais uma razão pela qual este dia é tão especial para mim”, afirmou no pódio.

O dia começou com Ogier a tentar a recuperação, depois da sua desistência na sexta-feira, ao ser melhor na especial de Sotta-Chialza, com Latvala logo a seguir, ampliando a diferença para Elfyn Evans, que fez o quarto melhor tempo (batido por Mikkelsen), mas viu alargada a diferença para 17,3 segundos. "Havia partes muito escorregadias e bastante terra na estrada em algumas zonas em que se cortam as curvas. Não me senti muito confortável e não sabia como seria o tempo. Parece que correu bem. Acho que no final, os pneus macios deviam funcionar melhor", explicou Latvala.

A seguir, em Zerubia-Martini, o melhor foi Dani Sordo, no seu Hyundai, onde de modo surpreendente, superou Sebastien Ogier em 3,2 segundos. Latvala foi o terceiro, empatado com Haydon Paddon, a 6,2 segundos do vencedor, mas praticamente tinha a vitória à mão, pois foi mais veloz do que Evans, que foi apenas décimo, a 22 segundos do vencedor, e viu a distância para Latvala aumentar para 32,7 segundos.

No final com a Power Stage de Agosta, Ogier conseguiu vencer de novo, com uma vantagem de 8,6 segundos sobre Robert Kubica e 10,2 sobre Jari-Matti Latvala. E com isso alcançava a terceira vitória do ano, com uma vantagem de 43,1 segundos sobre Elfyn Evans, que conseguia aqui o seu segundo pódio da sua carreira e o melhor resultado do ano para a Ford. Anders Mikkelsen fechou o pódio para a Volkswagen, não muito longe do piloto galês (a 46,3 segundos).

"Foi um grande fim-de-semana. Não estivemos no máximo em todos os momentos porque era preciso ter cuidado perante condições tão difíceis. Ganhei o Rali de França no ano passado e estou muito contente por conseguir ganhar agora na Córsega", afirmou o vencedor.

"O Andreas andou muito depressa no final, mas eu sabia que se fizesse troços limpos e sem problemas poderia segurar o meu lugar. Estou muito contente. Depois dos tempos difíceis que vivi mais recentemente, e de todas as críticas, este resultado é um doce saboroso", sublinhou Elfyn Evans.

Kris Meeke foi o melhor dos Citroen, num distante quarto posto, a um minuto e 33 segundos do vencedor, com Haydon Paddon a vir a seguir, com mais vinte segundos de diferença, batendo por pouco Mads Ostberg na luta pelo quinto posto. Dani Sordo, o quarto na Power Stage, conseguiu superar Bryan Bouffier e ser o sétimo da geral, enquanto que Stephane Sarrazin foi o nono, com o estónio Ott Tanak a fechar os pontos.

O WRC regressa no final do mês - 23 a 25 de outubro - com o Rali da Catalunha, um misto em asfalto e terra.

sábado, 3 de outubro de 2015

A foto do dia

Em pleno fim de semana do Rali da Córsega, não se pode esquecer que há quase 30 anos, naquela ilha, Henri Toivonen e Sergio Cresto terminaram as suas vidas. E passado esse tempo todo, eles não foram esquecidos. Esta foto foi tirada esta semana e publicada na Autosport portuguesa.

Não vejo ali, mas dizem-me que todos os dias há uma garrafa de Martini naquele local...

WRC 2015 - Rali da Córsega (Dia 2)

O segundo dia do Rali da Córsega continuou a sofrer com os efeitos das inundações que tem vindo a afetar a ilha francesa nesta semana. Num rali onde irá ter apenas nove longos troços no seu percurso, dos seis que foram realizados até então, apenas quatro foram feitos. E no final do segundo dia, Jari-Matti Latvala vai na frente, colocando um pouco de ordem no rali a favor da casa de Wolfsburgo.

Como já foi dito, as inundações inviabilizaram a primeira classificativa do dia, a segunda passagem por Casamozza-Ponte Leccia, pois a estrada estava intransitável, apesar dos esforços da organização para a colocar minimamente aceitável para a passagem dos automóveis. Assim sendo, o dia de hoje começou na classificativa seguinte, a segunda passagem por Francardo-Sermano.

Ali, Jari-Matti Latvala passou ao ataque, pressionando a liderança de Elfyn Evans. Venceu a especial e recuperou mais de vinte segundos para o piloto galês, que foi apenas o sétimo melhor, fazendo com que a diferença entre ambos ficasse apenas em 1,7 segundos. Anders Mikkelsen foi o segundo melhor, e ficou com o terceiro posto da geral. Apesar de não chover, as condições continuavam dificeis, porque, como explicou Latvala, "há maior diferença entre as zonas secas e as molhadas". Sebastien Ogier, que estava de volta no modo "Rally2", fizera o terceiro melhor tempo.

E se alguns conseguiam safar entre os pingos de chuva, outros não, como Thierry Neuville, que perdeu 40 segundos devido a um pião. "Condições horríveis. Algo vai acontecer neste troço", disse o piloto belga da Hyundai.

A especial também ficou marcada pela desistência de Robert Kubica, que foi vitima de dois furos e acabou por abandonar, numa altura em que era o quinto da geral.

De seguida, em Murraciole-Col de Sorba, Ogier aproveitou para fazer o melhor tempo, mas quem aproveitava melhor o resultado era Latvala, pois tinha feito o segundo melhor tempo, a 8,7 segundos, e aproveitava para ficar na liderança do rali, apesar de Evans ter ficado a seguir, a cinco segundos. Agora, ambos estão separados por dois segundos na geral. Apesar de tudo, Latvala não teve não teve um fim de etapa fácil. "Tivemos um problema com o sistema de patilhas, principalmente a reduzir as velocidades. Agora vamos trocar a caixa", afirmou o piloto antes de fazer a ligação para o parque de assistência.

Anders Mikkelsen é o terceiro, a 30,8 segundos, aguentando uma vantagem superior a 20 segundos sobre Kris Meeke, o melhor dos Citroen. Já Kevin Abbring foi apenas o 13º na classificativa e caiu para o quinto posto da geral, a um minuto dos líderes, mas ainda assim é o melhor dos Hyundai, embora tenha a pressão de Mads Ostberg, no segundo Cirtroen. Haydon Paddon é o sétimo no segundo Hyundai, na frente dos franceses Bryan Bouffier e Stephane Sarrazin - ambos em Ford - e o estónio Ott Tanak, também em Ford.

O rali da Córsega termina amanhã.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

WRC 2015 - Rali da Córsega (Dia 1)

Com o campeonato do mundo já decidido, máquinas e pilotos rumaram à Corsega, onde o WRC recebeu este ano mais um clássico, depois da federação francesa ter transferido o seu rali da Alsácia para a "ilha da Beleza". Mas este rali no inicio do outono poderia ter sido adiado por um ano, pois... nesta sexta-feira, a ilha no Mediterrâneo está a ser assolado por fortes chuvas que tem dificultado a vida de quem corre nas classificativas de asfalto.

Neste primeiro dia, com apenas três troços especiais, as coisas estavam tão más em termos de troços - as estradas de ligação estavam inundadas em certos pontos e houve pequenos desmoronamentos noutros - que a segunda especial do dia acabou por ser cancelada devido ao deterioramento das condições. Isto numa altura em que Sebastien Ogier disputava a liderança taco a taco com... Robert Kubica. O piloto polaco foi o melhor a Super-Especial do dia anterior, e na primeira classificativa do dia, empatou com o francês da Volkswagen!

Ogier disse que teve "um início cauteloso mas sem ser fácil" por causa das condições que viu pela frente, enquanto que o polaco não estava muito contente. "Não temos a afinação ideal. Entrámos com cuidado. Isto não é pilotar. Muito difícil. O carro foge de frente", afirmou.

Quem entrou com o pé esquerdo no rali foi Thierry Neuville, que sofreu um toque na roda traseira esquerda e teve de trocar de pneus, com danos na suspensão do seu Hyundai.

Pouco depois, o agravamento das condições no segundo troço do dia, o de Camozza-Ponte Leccia (43,69 quilómetros), fez com que a organização anulasse o troço, passando os carros para o posto de assistência de Corte e preparar para a classificativa seguinte. Ali, em Francardo-Sermano, o melhor foi Elyn Evans, que com o seu melhor tempo... passou para a liderança do rali, com uma vantagem de 18,7 segundos sobre Kevin Abbring e 22,9 segundos sobre Jari-Matti Latvala. E o próprio piloto galês até parecia não estar convencido... "Acho que não fui suficientemente rápido", confessou.

Já Abbring estava mais contente com a sua performance: "Fizemos mudanças no carro durante a assistência. Está bom e as notas também. É apenas o nosso segundo rali de asfalto com o i20", disse o holandês.

Quem teve problemas foi Sebastien Ogier, que furou e perdeu um minuto e 13 segundos por causa das muitas pedras que estavam na estrada por causa das chuvas. "Sabia que aqui ia ser uma lotaria, com tantas pedras e terra. Tivemos um furo e parámos para mudar", explicou.

Robert Kubica caiu para o quinto posto, após ter sido apenas o 11º melhor na especial. Em contraste, Stephane Sarrazin deu um ar da sua graça e foi terceiro, no seu Ford Fiesta e subiu para o sexto posto da geral, a 43,1 segundos da liderança. Outro piloto francês, Bryan Bouffier, foi o quarto na etapa e é o nono da geral, a um minuto e quatro segundos da liderança.

O Rali da Corsega prossegue amanhã, com mais três longas classificativas. 

sábado, 2 de maio de 2015

A foto do dia (II)

Henri Toivonen era um excelente piloto, com o seu quê de carisma. Tinha sido o mais jovem piloto a vencer uma prova do mundial de Ralis, em 1980, a bordo de um Talbot Lotus, aos 24 anos de idade. Depois de mais algum tempo a andar em carros da Opel e Porsche, foi para a Lancia, em 1985, para no final do ano, ter o novo modelo Delta S4. E logo no seu primeiro rali, na Grã-Bretanha, conseguiu o que todos queriam: uma vitória.

O ano de 1986 também começou com uma vitória para Toivonen e para a Lancia, e ainda por cima, acontecia precisamente vinte anos após o seu pai, Pauli Toivonen, ter herdado a vitória no mesmo Rali de Monte Carlo após a desclassificação dos Mini Cooper. Henri afirmou que a vitória tinha sido uma vingança por aquilo que o seu pai passou, depois dos seus criticos terem denegrido a vitória. Até hoje, os Toivonen são a única dupla pai-filho a vencer em Monte Carlo.

Mas nessa altura, os carros do Grupo B começavam a ficar incontroláveis. O acidente da Lagoa Azul, no primeiro dia do Rali de Portugal, e o boicote dos pilotos de fábrica ao rali - comandados curiosamente por Toivonen - fizeram com que se tivesse consciência de que os carros começavam a ser máquinas descontroláveis, pois já tinham mais de 500 cavalos, com bólidos feitos de fibra de vidro, em chassis tubulares.

A 1 de maio de 1986, começava em Ajaccio o Rali da Corsega. A Toivonen, um dos favoritos à vitória, tinha lhe sido dado o numero 4, que no ano anterior tinha sido dado a Attilio Bettega. Não se sabia se o pessoal da Lancia conhecia do que tinha acontecido no ano anterior, mas pelo menos, não acreditavam em superstições. E quando viram Toivonen na frente, pensavam que era a melhor forma de homenagear o seu companheiro morto um ano antes.

Mas após 17 classificativas, Toivonen estava doente e cansado de lutar com um carro demasiado veloz e demasiado leve, num rali que era conhecido por ser "o rali das Dez Mil Curvas", e onde uma distração poderia ser fatal, porque em certas curvas, o que esperava eram ribanceiras com algumas dezenas de metros. Mesmo ele se queixava da situação, mas prosseguiu. Até que numa curva, os seus reflexos foram demasiadamente lentos para poder parar um carro demasiado veloz. Foi numa sexta-feira, e o acidente chocaria os ralis, o automobilismo e o mundo. E ambos, ele e o seu navegador, o italo-americano Sergio Cresto, tiveram morte imediata. Era o fim de um ciclo, aberto precisamente um ano antes.

Durante 14 anos, a organização do Rali da Corsega não deu mais o numero 4 aos seus carros. Somente quando a FIA decidiu que os carros de fábrica voltariam a ter números fixos é que esse numero voltou. Curiosamente, o primeiro piloto a ter esse numero, o finlandês Tommi Makkinen, acabou o rali prematuramente quando atropelou... uma vaca.

A foto do dia

O dia 2 de maio, e os carros com o numero 4 foi sempre algo maldito em terras corsas. E há precisamente 30 anos que começava essa maldição, quando Attilio Bettega perdeu a vida devido a um galho que atravessou o seu Lancia 037, atingindo-o. Para terem uma ideia, foi um acidente semelhante ao que sofreu Robert Kubica em 2011 no Rali Ronda di Andora, que praticamente acabou a sua carreira na Formula 1, abrindo irónicamente a sua carreira... nos ralis.

Attilio Bettega era um excelente piloto, mas não da matéria do qual são feitos os campeões. conseguiu vitórias em Itália e em mais alguns paises da Europa, mas nunca tinha conseguido vencer um rali do mundial, apesar dos seis pódios, o melhor dos quais um segundo lugar no rali de Sanremo.

Nessa altura, a Lancia lutava contra um carro desatualizado face ao Peugeot 205 Ti16, o Audi Quattro. O Delta S4 estava a ser desenvolvido e só iria aparecer no final dessa temporada, mas até lá, teria de segurar os prejuizos face a outras máquinas que estariam a aparecer, como o MG4 lu o Ford RS200. E Bettega tentava mostrar que ainda poderiam ter uma palavra a dar num mundial cada vez mais competitivo, em alturas do Grupo B.

O mais interessante desta tragédia é que o acidente mortal de Bettega foi apenas o primeiro aviso de que as coisas no Grupo B estavam a ficar fora de controlo. Dali a um ano, outro piloto da Lancia, Henri Toivonen, acabaria por ter o mesmo destino que Bettega. E com ele, toda uma era dos ralis. O começo do fim aconteceu hoje, há 30 anos.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

WRC: Volta à Corsega volta ao calendário

Aos poucos, o Mundial de Ralis está a resgatar os clássicos. Com o regresso do Rali de Monte Carlo, a volta do Rali de Portugal ao norte do país, agora soube-se que a Volta à Corsega regressará este ano aos ralis, em substituição do rali da Alsácia. A prova irá acontecer entre os dias 1 e 4 de outubro.

A hipótese do regresso do rali à ilha situada no sul de França surgiu quando a Federação Francesa de automobilismo (FFSA) decidiu retirar a organização do Rali da Alsácia, quando esta perdeu o apoio do governo local, que em 2008 decidiu trazer a prova à região, como forma de aproveitar o seu "filho prodigio", Sebastien Löeb.

Agora que a noticia está confirmada (e o governo regional recebeu a "luz verde" para apoiar o evento), este poderá ter uma sucessão de longas provas especiais, entre o sul e o norte da ilha, como se fosse uma travessia.

Disputada desde 1956, o Rali pertenceu no Mundial entre 1971 e 2008. Feita em asfalto, ela ficou famosa pelas várias curvas (é chamado de "O Rali das Dez Mil Curvas"), mas ficou também conhecida pela tragédia, quando em 1985 e 1986, o italiano Attilio Bettega e o finandês Henri Toivonen morreram em acidentes separados. Por causa disso, durante 14 anos, a organização não deu o numero 4 aos pilotos por superstição, pois esses eram os numeros que ambos os pilotos tinham quando tiveram os seus acidentes fatais.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Caro Henri

Caro Henri Toivonen:

Há uns tempos descobri uma coisa muito engraçada sobre ti. Sabia que tinhas corrido algumas provas de Formula 3 britânica, em finais de 1982, e até nem tinhas saido mal. Mas o melhor foi que correste uma jornada em Snetterton ao lado de Ayrton Senna, onde ele venceu e tu foste quarto classificado. Fiquei espantado, porque faz-me lembrar daqueles eclipses que acontecem em determinado lugar, ou a passagem do Cometa Halley, que faz a sua visita ao Planeta Terra de 76 em 76 anos. Em suma, é algo bem raro, quase único, direi.

Tinhas talento para as pistas, tão bem como para as classificativas. Aliás, foste para os ralis por conselho paterno, que achava que era mais seguro do que o asfalto. Numa altura em que tinhas a concorrência de pessoas como Ari Vatanen, Markku Alen ou Walter Rohrl, foste diferente. Deste o teu melhor com carros ultrapassados como o Talbot Lotus ou o Opel Ascona, e quando tiveste o carro que querias, deste o teu melhor, até ao limite e para além dele.

Hoje em dia, todos falam da era dos Grupo B como se fosse magia. Como sabes perfeitamente, não foi. Apenas foi uma luta de titãs entre o ser humano, como tu, e as máquinas que o preparavam. Aos poucos, foram máquinas que lentamente perdem o controlo. E tu parecias ser a excepção, depois de pegares no carro e vencido no RAC e em Monte Carlo. 

Tu já sabias até que ponto isto tinha ido. Deves ter tido essa sensação quando soubeste do que aconteceu na Lagoa Azul, na Serra de Sintra. Deves ter sentiudo isso quando pegaste no novo Delta S4 e foste dar umas voltas ao circuito do Estoril. Ficarias espantado, se tivesses ficado mais uns meses  neste planeta, e soubesses que o teu melhor tempo daria um lugar na terceira fila de um Grande Prémio de Formula 1. Para veres até que ponto era leve o teu carro, e até que ponto era potente o teu motor. Tu mesmo disseste, horas antes de morreres, que tinhas guiado um rali inteiro naquele dia. Estavas prestes a perder o controlo e sabias.

Como sabes - ou pelo menos deverias saber - o ser humano só reagem quando um dos seus se vai. Seja num acidente aéreo, seja num acidente de comboio ou quando o Titanic se afundou e se perdeu dezenas ou até centenas de vidas, as pessoas tomam precauções para que as coisas não aconteçam no futuro. No seu caso e do teu co-piloto Sergio Cresto, eles foram implacáveis: acabaram com os carros do Grupo B, os carros que parecias ser o unico que conseguias guiar. Por tua causa - obviamente não foste o culpado, foste vítima - terminou uma era nos ralis.

Felizmente, os ralis evoluiram. Continuamos a admirar os finlandeses, só que agora é uma nova geração. Os Vatanens e os Alens são agora os Hirvonens, já não temos mais um Salonen que fuma e o mais próximo de ti é um rapaz chamado Jari-Matti Latavala. Bateu o teu recorde de precocidade em termos de vitória, mas ele acaba mais vezes na valeta do no lugar mais alto do pódio, mas os ralis são assim. Onde quer que esjejas, não te preocupes, que o teu pais continua a fabricar "finlandeses voadores". Mesmo que nos nossos tempos, o campeão do mundo continua a ser o mesmo senhor.  

"Kiitos", Henri. Por tudo o que fizeste. Viveste pouco, mas bem rápido. E não te preocupes, que ninguém te esquece de ti.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

As dúvidas da Prodrive

Sabia-se de antemão que a Prodrive não iria às provas do Mundial WRC fora da Europa, logo, a ausência de Dani Sordo do Rali da Argentina, marcada para daqui a duas semanas, não é novidade nenhuma. Mas noticias vindas de Banbury, a sede da marca, colocaram ainda mais dúvidas sobre o futuro do projeto Mini. Isto porque no momento em que a marca anunciou a participação de Dani Sordo na Volta à Córsega, prova a contar para o Intercontinental Rally Challenge (IRC), surgiram dúvidas sobre a participação do piloto espanhol no Rali da Acrópole, em meados de maio. 

A Córsega é bom para nós e para o Dani, mas para o Rali da Grécia será preciso um milagre para podermos estar presentes”, referiu o diretor do projeto MINI, David Wilcock.

Os rumores estão presentes há muito tempo, especialmente depois da BMW ter terminado a colaboração com a Prodrive e transferido a sua representação oficial para o WRC Mini Team Portugal, após o Rali de Monte Carlo. Com Armindo Araujo e Paulo Nobre a irem a todos os ralis, e a Prodrive a fazer pouco mais do que a fabricar as peças para correrem apenas nos ralis europeus - e ceder o lugar de Chris Meeke para quem pudesse pagar ao melhor preço, como o sueco Patrik Sandell e o chileno Eliseo Salazar - o rumor de que a BMW pondera abandonar a competição em 2013 começa a ser real, especialmente quando a casa-mãe não quer apoiar a Prodrive, e esta se debate para encontrar patrocinadores para sustentar o seu projeto.

Tempos dificeis se avizinham, é um facto. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Um testemunho sobre Henri Toivonen

De quando em quando lá nos lembramos dos mitos do automobilismo, daqueles que viveram depressa demais e morreram demasiado cedo. Os carismáticos e rebeldes, esses não morrem nunca, como Gilles Villeneuve na Formula 1 ou Henri Toivonen nos ralis. Hoje volto a lembrar o finlandês, não tanto pelo fato de no passado dia 26 de agosto, caso estivesse vivo, teria comemorado o seu 55º aniversário natalício. É mais porque hoje surgiu no Autosport português o testemunho de um dos colaboradores mais conhecidos da revista, o britânico Martin Holmes.

O seu testemunho veio acompanhado pela fotografia que coloco aqui, e do qual ele afirma: "Poderá não ser a mais fantástica fotografia que tirei, mas é a que mais significado tem para mim". E ele justifica tal frase, dizendo que foi tirada "em Bastia, na manhã do dia em que, infelizmente, acabou por morrer no decorrer do Rali da Córsega. Esta imagem é, para mim, a mais emotiva entre todas as que me lembro de ter tirado."

Depois conta os momentos que viveu nesse já distante dia 2 de maio de 1986: "Um sentimento terrível e de grande perplexidade começou a assaltar-me, enquanto esperava, em vão, pela chegada dos carros a Croce d'Arbitro, percebendo que algo de muito preocupante tinha acontecido, principalmente quando vi, através do Collo di S. Quilico, uma pálida coluna de fumo a subir para o céu. Pouco tempo depois a rádio local noticiou que Toivonen tinha batido e, quase de seguida, que ele e o seu co-piloto, Sergio Cresto, tinham morrido.

Senti-me tal como tinha acontecido um ano antes quando Attilio Bettega tinha falecido e, sete anos mais tarde quando o mesmo aconteceu a Rodger Freeth, na Austrália. De repente os pensamentos sucederam-se num turbilhão e, para mim, a morte de Henri provocou-me uma súbita obsessão. Queria lembrar-me da última vez que tinha falado com Henri, mas não o conseguia fazer. As imagens passavam pela minha mente, retrospectivamente, mas nada conseguia fazer com que me recordasse.

Regressei ao quartel-general do rali em Ajaccio onde poderia aceder a toda a informação que necessitava sobre a vida de Henri, as consequências do sucedido e a forma como o acidente poderia afectar o desporto no seu todo.

Então alguém aumentou o som de uma televisão e o noticiário da TF1 estava a relatar o acidente. O "cameraman" focava Henri sentado no seu carro, conversando e rindo com um desconhecido, ao mesmo tempo que o flash de um fotógrafo iluminava, periodicamente, a cena. Ele estava a conversar comigo, rindo (tal como ele e os outros pilotos finlandeses sempre faziam) do tamanho ridiculamente pequeno das minhas câmaras, as câmaras "Rato Mickey", tal como Kankkunen as apelidava. Os tais flashes eram da minha câmara e a sua presença removeu, de imediato, a minha obsessão.

Esta peça jornalística fala sobre a última fotografia que tirei a Henri Toivonen, um dos mais talentosos e controversos pilotos de ralis, uma espécie de Gilles Villeneuve da "estrada". Tinha seguido a carreira de Henri desde os seus 16 anos de idade. Tinha assistido ao Rali do Ártico quando conquistou a sua primeira grande vitória, estive no carro atrás dele quando venceu o Rali do RAC em 1980. Poderá não ser a mais fantástica fotografia que tirei, mas é a que mais significado tem para mim.", concluiu.