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sábado, 28 de setembro de 2024

A imagem do dia


Ao longo da semana que passou, falei sobre os últimos tempos da mítica Team Lotus, que como sabem, passam 30 anos desde a sua última temporada da Formula 1. Mas não falei - outras prioridades - sobre um projeto que aconteceu em 1984 - ou seja, faz agora 40 anos que aconteceu - e acho que, a acontecer, teria sido fascinante. O projeto tinha pernas para andar, prometia, mas no final, foi a hostilidade das equipas por projetos vindos de fora, especialmente projetos de fábrica, que evitou a sua estreia. 

E tudo começa com um americano que se deu bem na Europa, duas décadas antes.

Roy Winkelmann tinha uma equipa bem sucedida na Formula 2, no final dos anos 60, onde correram pilotos como Jochen Rindt, por exemplo. Contudo, nunca esteve interessado na Formula 1, apesar de ter meios para isso - anos depois, soube-se que ele tinha trabalhado para o exército americano na Alemanha, e há quem jure que o financiamento da sua equipa vinha da CIA... 

Mas nos anos 80, Winkelmann tinha regressado aos Estados Unidos e o bicho do automobilismo tinha reavivado, com a ideia de construir uma equipa na CART, a competição organizada pelos proprietários, como Roger Penske, Dan Gurney, Carl Haas e outros. E queria um chassis que não fosse ou March ou Lola, e procurou a Lotus, com o objetivo de desenhar um chassis. Em 1984, o projetista-chefe era Gerard Ducarouge

Depois da visita, ele pediu ao seu assistente, Mike Coulghan, desenhar um carro que tinha como base o modelo 95T, que estava na Formula 1 nessa temporada, que deu o nome de 96T, mas com especificidades para a série americana, especialmente as 500 Milhas de Indianápolis. Seria feito de fibra de carbono, com uma célula de sobrevivência feira de alumínio em formato colmeia, onde, sendo mais lewe, seria muito mais forte que os outros chassis. O motor seria um Cosworth de fábrica, baseado nos DFX que quase todos usavam na altura, mas mais potente e melhor desenhado, já que dos outros, a Cosworth mexia muito pouco.

O carro começou a ser testado, e Winkelmann chegou a contratar Al Unser Jr, mas quando as outras equipas começaram a saber do projeto, reagiram. Não ficaram felizes por saber que uma equipa de fábrica estava a desenhar um carro para uma determinada equipa, e que iria baralhar as coisas no panorama da competição, e começaram a mostrar a sua hostilidade. Primeiro, com as promessas de patrocínio a não se concretizarem, e depois, quando Unser Jr foi para outra equipa, contactaram outros pilotos para o projeto, mas no final, não se comprometerem a guiar o carro, porque não queriam colocar as suas carreiras em jogo. No final, por falta de dinheiro, o projeto acabou por morrer. 

Mas teria sido bem engraçado ver alguém de fora numa competição como aquela. E ao contrário do Ferrari 637, o modelo de IndyCar que foi construído anos depois, só por teimosia de Enzo Ferrari, que queria os motores de 12 cilindros de volta em 1989, no regresso dos aspirados, ali não foi por capricho, mas sim por uma encomenda com intenção de correr num campeonato que já nos anos 80, era atraente.    

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A incrivel vida de Roy Winkelmann

Ontem, quando soube da morte de Roy Winkelmann, confessei que andei algum tempo à espreita de elementos que me pudessem fazer uma biografia decente sobre ele. E como podem ver, tive dificuldades. Hoje, quando fui ler - como habitualmente - o blog do Joe Saward, percebi a razão pelo qual andei a dar cabo do meu cérebro à procura de dados sobre ele. Porque teve uma vida invulgar e muito secreta...

Winkelmann era de origem alemã e os seus pais mudaram-se para o Utah bem cedo na sua vida. No final da II Guerra Mundial, Winkelmann foi para San Jose, onde tirou uma licenciatura em... criminologia. Sim, estudou para ser CSI, e foi-o nos anos 50, na Força Aérea americana. Mas pouco depois saiu de lá para trabalhar ao serviço "da companhia". Sim, leram bem: foi agente da CIA, encarregado de detectar e neutralizar escutas e outros aparelhos eletrónicos de deteção vindos da União Soviética. Foi para Londres no inicio dos anos 60, onde trabalhou por um bocado, mas depois saiu para ser consultor externo, especializando-se na construção e deteção de sistemas de escuta e de segurança - sistemas de blindagem de carros armados, cofres, etc - para companhias um pouco por todo o mundo.

As corridas surgiram um pouco por acaso. Ao ver o "Club Racing" local, pensou em adquirir um Cooper-Bristol em 1962 para correr, com algum sucesso, diga-se. E no ano seguinte, depois de vender o seu negócio de... clubes de "bowling", conheceu um jovem chamado Alan Rees e decidiu montar a sua escuderia. Primeiro com um chassis Lotus para a Formula Junior, depois passou para os Brabham e foi nessa altura que conheceu... Jochen Rindt. A equipa durou até 1969, e os carros inscritos por Winkelmann venceram 25 corridas, quase todas por Rindt, embora outros pilotos, como Hans Hermann e Rolf Stommelen, corressem pela Winkelmann.

No final de 1969, ele fechou as portas e foi para os Estados Unidos, onde ajudou Dan Gurney na sua All American Racers durante os anos 70, mas enquanto fazia isso, implementava também uma firma de segurança eletrónica que prosperou ao longo do anos que se especializou na deteção de escutas e na construção de sistemas de segurança que o levou a lugares tão peculiares como... Bagdad, ou então de fazer a segurança da Biblia de Gutenberg (o primeiro livro impresso) ou o transporte de papel-moeda para paises como o Zimbabwe.

Nos anos 80, teve planos para construir uma equipa na CART, com chassis Lotus - o 96T, desenhado por Mike Coulghan, e Al Unser Jr. como piloto - mas os planos não foram por diante. Mas pouco tempo depois, o seu nome tinha sido ligado à ideia de reconverter uma base da Força Aérea americana em Statten Island para uma pista de Formula 1, ideia essa que não foi adiante.

Nos últimos anos, segundo Joe, enquanto vivia na Florida com a sua mulher, dava aulas sobre tecnicas de espionagem e contra-espionagem e ainda mantinha uma loja onde se vendiam equipamentos de deteção de escutas, bem como uma firma de serviço privado de detetives. De fato, teve uma vida bem preenchida...

The End: Roy Winkelmann (1930-2011)

Soube esta tarde, via Luiz Fernando Ramos, o Ico: Roy Winkelmann, um dos mais conhecidos donos de equipa na formula 2, e um dos impulsionadores da carreira de Jochen Rindt, morreu este domingo na Florida, aos 81 anos. Sempre julguei que pelo seu apelido, Winkelmann, fosse alemão, mas afinal... era americano de gema!

Depois de ter tido uma carreira como piloto no inicio dos ano 60, decidiu montar a sua própria equipa em 1966, mas apenas na Formula 2, usando chassis Brabham. E nesse ano, decidiu acolher um jovem, abastado - e um pouco louco - piloto austriaco de seu nome Jochen Rindt. A parceria durou até 1969, altura em que Rindt decidiu andar mais tempo na Lotus, e Winkelmann decidiu que era altura de fechar a sua equipa. Outros pilotos que também passaram pela equipa foram Hans Hermann, Alan Rees e Rolf Stommelen.

Quando fechou as suas atividades na Europa, regressou aos estados Unidos, para ajudar Dan Gurney para a sua All American Races na USAC e depois na CART. Para além da CART, também ajudou no campeonato americano da F5000. E em 1984, quis entrar na Indy com a sua própria equipa, e conseguiu convencer a Lotus a construir o modelo 96T, bem como Al Unser Jr., para que guiasse na sua equipa. Contudo, o projeto acabou por ser abortado. Ars lunga, vita brevis.