Passaram-se 15 anos sobre esse dia, e ainda me lembro muitos momentos. Lembro-me das noticias, das promessas de terem uma constelação de estrelas, que aos poucos eram riscados do mapa porque. ou não tinham carro para correr, ou porque achavam que não valia a pena, ou porque - e nisso certaram - era muito perigoso correr aqueles carros naquela pista, uma "superspeedway" de uma milha e meia, nais estreita que o Texas ou Michigan.
Depois, a excitação de terem alguém como Dan Wheldon, o vencedor inesperado das 500 Milhas de Indianápolis, que não corria naquela temporada, excepto a Indy 500, e viu ganhar da maneira mais inesperada possível, uma vitória quase caída do céu. E depois, a aposta: se partir de último e ganhar, ficaria com cinco milhões de dólares. Até o capacete refletia o espírito de Las Vegas: uma roleta.
O que não sabíamos era que tinha apostado com a sua vida. E perdeu.
E depois, lembrei-me do que fazia nessa noite, depois do acidente. A angustia. Passar a madrugada, à frente do meu computador, a fazer “refresh” para saber algo sobre a sua condição, especialmente no Twitter - ele tinha conta, a propósito, e tinha deixado uma mensagem minutos antes de entrar no cockpit pela última vez - e aos poucos, aprendia que no automobilismo, há uma máxima do jornalismo que deve ser dita ao contrário: “in motorsport, no news is bad news”. Porque quando se trata do pior, há prioridades. E quando se trata de falar as palavras mais difíceis do automobilismo, aquelas que ficarão na história, tem de ser bem cuidadoso, bem direto, sem artifícios.
Decidi, neste dia, que isto merecia um artigo no meu mais novo brinquedo, o Substack. Não pensava que iria ser tão longo e exaustivo, porque ainda por cima, tinha escrito outro artigo neste dias. Podia ter dividido em dois, mas com tanto trabalho, pensava que iria despachar em um. É longo, mas está rico em detalhes, como todos merecem. Mas tinha de ser: queria que fosse completo. Afinal de contas, tinha a ver com as circunstancias do acidente mortal de Dan Wheldon, faz precisamente 15 anos.
E ele merece isso. Após este tempo todo, o "Lionheart" ainda faz falta.





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