Mostrar mensagens com a etiqueta Burns. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Burns. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 25 de novembro de 2025

A imagem do dia






O rali da Grã-Bretanha de 2001 tinha 17 especiais e aconteceu ao longo de três dias, entre os dias 22 e 25 de novembro de 2001. Os candidatos ao título eram três: o finlandês Tommi Makkinen, tricampeão do mundo, correndo sempre pela Mitsubishi, num Evo VII, e os britânicos Colin McRae e Richard Burns. O primeiro, num Ford Focus WRC, e o segundo num Subaru Impreza WRC2001. Se os primeiros eram pilotos experimentados - e no caso de McRae, davam espetáculo na estrada - já Burns era inesperado, mas desde há algum tempo, quando assinou pela Prodrive, em 1999, mostrava ser rápido e capaz de lutar por títulos. Fora vice-campeão em 1999 e 2000, e não podia ser mais considerado como "ator secundário". 

Já tinha estado na Subaru em 1993 e 94, mas tinha sido no inicio da sua carreira - nascera a 15 de janeiro de 1971 em St. John's Wood, na Grande Londres - e fez alguns ralis, nunca temporadas completas. Só teve essa chance na Mitsubishi, a partir de 1995, e em 1998, conseguiu as suas primeiras vitórias, no rali Safari, no Quénia, mas sobretudo, no rali RAC, na Grã-Bretanha, a última prova do campeonato - marcada pela desistência dramática de Carlos Sainz Sr. a 300 metros da meta, quando o seu motor morreu perante as câmaras de televisão e repórteres fotográficos um pouco por todo o mundo.

Essa vitória aconteceu precisamente no momento em que Burns ia para a Subaru, para sair da sombra de Tommi Makinen, o campeão dos campeões num pelotão bem recheado. Piloto veloz e regular no pódio, conseguia substituir Colin McRae, que tinha ido para a Ford. Mas se não tinha o carisma do escocês - ninguém o chamava de "Burn and Crash" quando tudo corria mal - todos sabiam que iria ter a sua chance. E tinha ganho alguns ralis interessantes pelo meio, como o RAC, em 2000.

E em 2001, a temporada tinha sido boa. Apesar de um mau arranque - não pontuou em Monte Carlo e na Suécia - e do primeiro pódio ter sido apenas na Argentina, quinto rali da temporada, a seguir, pontuou em quatro dos últimos cinco ralis, incluindo uma vitória na Nova Zelândia. Na Austrália, penúltima prova do ano, acabara em segundo, não muito longe do vencedor, o Peugeot de Marcus Gronholm.

Para ter chances no rali britânico, bastava um pódio para Burns, isto, se superasse McRae e Makinen. Se um deles fosse o vencedor, iria ser novamente vice-campeão. É que a diferença entre primeiro e terceiro era de dois pontos: 42 para McRae, 41 para Makinen, 40 para Burns. Carlos Sainz Sr. e outro finlandês, Harri Rovanpera - sim, o pai de Kalle Rovanpera - tinham 33 pontos, mas era mais teórico que prático.  

McRae começou a ganhar as primeiras especiais do dia nas estradas do País de Gales, mas a partir da terceira especial, Marcus Gronholm, que já não tinha chance no seu Peugeot 206 WRC, passou para a frente e quase não olhou para trás, especialmente a partir do final do primeiro dia. 

Burns tentava não perder o ritmo dos primeiros, e depois de Makinen ter perdido uma roda na segunda especial e, especialmente, depois de McRae ter capotado e destruído o seu Ford na PEC 4, o seu objetivo era agora chegar ao fim num lugar de pódio. Mas isso não impedia de cometer erros, como acontecera na sexta especial, quando escorregou e bateu num toro de madeira. Contudo, prosseguiu sem danos no carro e no final do primeiro dia, era segundo, 36 segundos atrás de Gronholm, no seu Peugeot. O segundo dia, mais complicado por causa do nevoeiro - uma das especiais foi cancelada por motivos de segurança - e Burns não corria riscos, porque sobretudo, queria chegar ao fim. 

E quando, por fim, aconteceu, Robert Reid, o seu navegador, deu-lhe a mão e disse as famosas palavras: "you are the world champion", e aos 30 anos, o seu sonho de criança tinha sido alcançado. E ainda por cima, seis anos depois de Colin McRae, a Grã-Bretanha comemorava o seu segundo campeão do mundo, no seu rali caseiro.

--- XXX ---  

O principio do fim de Richard Burns aconteceu na autoestrada. Guiando o seu Porsche, de repente perdeu os sentidos e a sua sorte foi ter a seu lado o estónio Markko Martin, que conseguiu parar o carro a tempo, e sem estrados. Eram as vésperas do rali da Grã-Bretanha de 2003, e ele era um dos candidatos ao título, ao lado de Petter Solberg, no seu Subaru, Carlos Sainz Sr, e um nome em ascensão, o francês Sebastien Loeb, ambos em Ford.

Depois de uma bateria de exames, descobriu-se que o britânico, então com 32 anos, sofria de uma forma agressiva de cancro do cérebro, forçando à interrupção da sua carreira, mesmo com um contrato assinado para 2004 pela Subaru, para correr ao lado de Solberg. Tinha sido extremamente regular com o seu carro - sete pódios em 14 ralis - e lutou pelo título até ao final, apensar de ser o piloto com menos chances de vitória nessa temporada.

Mas tinha acontecido uma coisa depois do seu título mundial. desde esse dia de 2001, tinha ido para a Peugeot, guiar um 206, o carro mais regular do pelotão. Mas nos doze pódios conquistados em 2002 e 2003, faltou-lhe uma vitória. O carro era bom, o piloto era bom, mas na "hora H", outros eram melhores. A sua grande frustração, nesta sua passagem por uma das marcas francesas. E essa, se calhar, pode ter sido a sua tragédia, porque hoje em dia, é, a par com Stig Blomqvist, o piloto que não ganhou qualquer rali no ano a seguir ao seu título. 

E é trágico, porque merecia mais depois daquele dia de 2001. 

Apesar de uma série de tratamentos nos dois anos seguintes, o tumor levou a melhor e Burns morreu a 25 de novembro de 2005. Dois anos depois do seu diagnóstico, quatro anos depois do melhor dia da sua carreira, e há precisamente duas décadas.      

Youtube Rally Video: Richard Burns no Top Gear, 2002

As pessoas tendem a esquecer que Jeremy Clarkson tinha uma boa relação de amizade com Richard Burns, o campeão do mundo de ralis de 2001. E quando o Top Gear regressou, totalmente renovado, em 2002, um dos primeiros convidados dessa primeira temporada, ainda com Jason Mawe como um dos apresentadores - James May só apareceu no inicio da segunda temporada, em 2003 - foi Richard Burns, que, então piloto da Peugeot, gozava os louros do título conquistado.

Eis aqui a entrevista. 

E para quem não sabe, Richard Burns morreu, faz 20 anos nesta terça-feira. 

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A imagem do dia (II)

Por incrível que pareça, já se passaram dez anos. Richard Burns era um excelente piloto que embora sem ser espectacular como Colin McRae, conseguiu ser o segundo piloto a sagrar-se campeão do mundo de ralis, em 2001, ao serviço da Subaru.

Em 2003, nas vésperas do Rali de Gales e quando guiava pela Peugeot - e com contrato para regressar à Subaru em 2004 - foi forçado a retirar-se quando lhe foi diagnosticado um cancro cerebral, esperando que ele regressasse ao ativo quando ficasse curado. Não aconteceu e acabou por falecer aos 34 anos de idade, deixando os ralis bem mais pobres.


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Youtube Rally Classic: as incriveis máquinas dos Ralis


Para começar o inicio do ano, um video de Ralis, porque em termos competitivos, é isso que vamos ver no próximo mês, quer com o Dakar, quer com o Janner Rally, a partir do dia 5, o Rali de Monte Carlo, no dia 16.

Gosto deste video em particular, porque vejo por ali os últimos... quinze anos, pois ainda andam ali Colin McRae e Richard Burns e máquinas que agora pertencem à história. E todos eles são mesmo incriveis máquinas, com todas as suas qualidades e defeitos.

2013 está à nossa frente. Vamos a ver o que podemos fazer com ela.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Para Richard Burns

Caro Richard:

Realmente, foi um azar você teres ido embora no mesmo dia que George Best. E ainda por cim ir no mesmo dia em que precisamente quatro anos antes, tinhas conquistado o teu título mundial. E é extraordinariamente azarado que tu e Colin McRae, os unicos das Ilhas Britânicas a vencerem o mundial, não estarem mais por estas bandas. Só desejo que, onde quer que estejas, sejas melhor nessas classificativas celestiais do que o Colin e o Henri Toivonen, Tony Pond ou o Roger Clark.

A morte é algo injusta, sempre achei. Especialmente para com as crianças, que não têm a chance de viver a vida como nós, os que chegaram à idade adulta. E quando os que chegam são arrebatados no seu auge, também tem o seu quê de justo, especialmente quando foi de repente, como aconteceu aoi Colin McRae e a tantos outros que praticaram este desporto tão fascinante como perigoso, o automobilismo. A ser menos justo, digo eu, então que seja depois de velhos, depois de termos feito aquilo que viemos para fazer, nem que seja para fazer filhos e os ver crescer.

Tu não foste num "bang!" como tantos, tantos outros. Tiveste um cancro - sim, perfiro dizer a palavra, é cruel mas existe - e fizeste o teu melhor para o erradicar, o comabater. Mas o teu melhor não chegou e depois de muita luta, foste, calma e discretamente. Não tiveste transmissões em direto de Stormont Castle, nem tiveste multidões lado a lado na rua, como teve o George Best. Quiseste que as coisas fossem discretas, mas nós, os que ficaram, temos o dever de dizer quem tu foste e o que fizeste. Foste um campeão do mundo, deves isso às gerações futuras.

Claro, não eras exuberante, bem pelo contrário. Adoravas o que fazias e lutaste para triunfares. Estiveste na Mitsubishi, sendo o "sidekick" do Tommi Makkinen, mas deves ter aprendido o bastante - ganhaste duas vezes, é verdade - porque quando passaste para os Subaru da Prodrive - a propósito, eles voltaram e andam de Mini, se andasses por cá, haverias de adorar guiar esses carros! - andaste sempre entre os primeiros lugares e por fim, em 2001 - já passaram dez anos, incrível como o tempo voa! - tu conseguiste aquilo que a Grã-Bretanha queria há muito: vencer um título mundial. E muitos disseram que tu darias um ótimo sucessor ao Colin McRae, apesar de ele só ser três anos mais velhdo que tu...

Ias voltar à Prodrive quando te detetaram o maldito tumor cerebral que te levou contigo. É duro, pois isso privou-nos de te ver a dar o teu melhor contra o Sebastien Löeb, o Mikko Hirvonen, o Marcus Gronholm, e provavelmente terias gostado de ver estes novos valores que despertam agora, como o Jari-Matti Latvala ou o Sebastien Ogier. E tens também o Chris Meeke, acho que irias gostar de o ver conduzir.

Quando tu foste, o pessoal do Top Gear homenageou-te recordando os teus feitos. O teu amigo Jeremy Clarkson falou das ocasiões em que ias à casa dele e jogares Playstation com o filho dele, e provavelmente vocês jogavam o Colin McRae. Ele ganhava-te ou deixavas ganhar? E já agora, jogaram o jogo que foi batizado em teu nome? Deve ter sido engraçado... já agora, quando o Jeremy disse que iria sentir a tua falta, não disse somente por ele. Falava por todos nós, os que amam o automobilismo.

Enfim, eles depois escolheram o "Heroes" do David Bowie como a musica adequada para o videoclip que fizeram para te homenagearem naquela ocasião. E pensando bem, de fato é verdade. Todos vocês que ganham os ralis ou mesmo as classificativas, são verdadeiramente uns "herois do dia", como o Bowie canta no refrão. Pois não só foram mais rápidos do que a concorrência, como tiveram a agilidade suficiente para fugir aos obstáculos, as valas, as árvores, as bermas, os muros... tudo. E mesmo quando vocês não conseguiam se safar, apareciam os espectadores, quais bons samaritanos, pessoas que fizeram quilómetros para vos ver correr, comeram mal, dormiram mal, mas passam por tudo com um sorriso nos lábios. Apenas para vos ver correr, já reparaste?

Mas depois fico a pensar: quando foste mais novo, também não fizeste a mesma coisa, percorreste milhas e milhas para ver Ari Vatanen, Markku Alen ou Tony Pond nos seus Escorts MKI?

No final, é triste preceber que o tempo voa e quando reparamos, já passaram seis anos desde que foste embora. Calma e discretamente, demasiado cedo para todos nós, os que amam automobilismo. Não foste exuberante como o Colin, mas foste suficientemente veloz para que merecesses o teu lugar na história dos ralis. Foste campeão do mundo e ganhaste ralis. Foste por muitas vezes o herói do dia. E só por tua causa vou ouvir o "Heroes" do Bowie. Porque apenas mereces.

Até qualquer dia, Richard. E dá um abraço ao Colin e ao Henri, está bem?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Youtube Rally Tribute: Richard Burns pelo Top Gear



Conhecia a amizade que Jeremy Clarkson, um dos apresentadores do mítico Top Gear, tinha com Richard Burns, mas não sabia que quando Burns morreu, faz hoje cinco anos, tinham feito um video-tributo ao único piloto inglês que tinha ganho o Mundial de Ralis, em 2001 (Colin McRae é escocês, lembre-se).

O tributo é contido, mas a musica é bem escolhida: "Heroes", de David Bowie. E ao fim de cinco anos, quando recordamos os feitos de Burns - e de outro piloto precocemente desaparecido, Colin McRae - lembramos até que ponto começamos a ficar velhos e que 2005 parece que foi a semana passada...

Youtube Rally Classic: Catalunha 2002, Burns e Löeb



Poderia colocar o video dos últimos metros do Rali da Grã-Bretanha de 2001, mas decidi escolher este video do rali da Catalunha de 2002, alguns meses mais tarde, pois tem aqui algo raro: o erro de um jovem Sebastien Löeb, no seu Citroen Xsara, que causou atraso no carro que vinha a seguir, o Peugeot 206 WRC de Richard Burns. Vê-se aqui os estilos de um jovem Löeb e de Burns, cujas notas eram ditadas pelo seu navegador, o escocês Richard Reid.

Não era tão espectacular como Colin McRae, mas Richard Burns era tão rápido e eficaz como os seus concorrentes. Correu contra Carlos Sainz, Tomi Makinen, Marcus Gronholm, Petter Solberg, Didier Auriol, Markko Martin e claro, Sebastien Löeb. Correu em marcas como Mitsubishi, Subaru e Peugeot, mas foi na equipa da Prodrive que conseguiu os seus melhores resultados, o campeonato de 2001 e os vice-campeonatos de 1999 e 2000, demonstrando ao menos rapidez e constência. Venceu dez ralis, entre os quais três edições do Rali de Gales, duas edições do Rali Safari (local da sua primeira vitória, em 1998) e o Rali de Portugal de 2000.

Depois de vencer o título mundial em 2001, pulou para a Peugeot em 2002, ao lado de Marcus Gronholm e Gilles Panizzi. Mas foi copiosamente batido por Gronholm e o seu desempenho ressentiu-se ao longo de 2003, apesar de ter sido muito regular, com sete pódios. Mas nenhuma vitória.

Assim, Burns já pensava rumar para outras paragens, nomeadamente um regresso à Subaru na temporada de 2004, ao lado do norueguês Petter Solberg. Contudo, a poucos dias do começo do rali, sofre um "blackout" e desmaia ao volante. E foi aí que lhe descobriram o tumor cerebral que o iria matar dois anos mais tarde, precisamente no mesmo dia em que comemorava o quarto aniversário do seu título.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

O piloto do dia - Richard Burns

Poucos foram os pilotos que tiveram a paixão e o talento deste homem. Não tão carismático ou destruidor como Colin McRae, não tão dominador como Tommi Makkinen, ou tão "matador" como Carlos Sainz, Richard Burns conseguiu aquilo que a Inglaterra deseja: ter um campeão nas suas fileiras. Foi o segundo campeão britânico de Ralies, depois do escocês Colin McRae, e em toda a sua vida correu apenas três carros: o Mitsubishi Lancer, o Peugeot 206 e o Subaru Impreza. O dia da sua maior glória em ralis, tornou-se quatro anos depois, numa triste ironia, no dia da sua permatura morte, vítima de um tumor cerebral. E esse dia é hoje. E agora, vou recordar a vida e feitos de Richard Burns.


Nasceu a 17 de Janeiro de 1971, na cidade inglesa de Reading, e aos oito anos, desenvolveu a sua paixão pelo automobilismo, guiando um velho Triumph 2000 pertencente ao seu pai. Aos 11 anos, em 1982, juntou-se ao "Under 17 Car Club", uma organização que providencia aos jovens com menos de 17 anos, a oportunidade de conduzir carros de forma segura e responsável, aprendendo técnicas que mais tarde lhe viriam a ser uteis nos ralies. O seu pai, Alex, tornou-se mais tarde instrutor nessa instituição.




Quatro anos depois, em 1986, huntou-se a outra escola de ralies, a Jan Churchill's Welsh Forest Rally School, onde aprendeu a conduzir num Ford Escort, em estradas de terra, melhorando as suas tecnicas de condução. Por essa altura, David Williams, um entusiasta dos ralies, decobrira o potencial de Burns, e convence a Peugeot a apostar nele, dando-lhe um Peugeot 205 GTI. Ele já tinha começado a competir em ralies locais, a bordo de um Talbot Sunbeam, mas queria mais. Participou no Peugeot Challenge de 1990, competição onde venceu. Como prémio, teve a sua primeira participação num Rali do Mundial: no Rali RAC, em Inglaterra, terminou na 28ª posição, num Peugeot 309 GTI.


No ano seguinte, conhece Robert Reid, o navegador que irá establecer com ele uma parceria que só terminará doze anos depois. Continuará a participar em ralies locais, com os Peugeot, mas queria mais. Foi o seu amigo e admirador David Williams que veio em seu auxilio em 1992, dando-lhe um Subaru Legacy de Grupo N, apoiado pela Prodrive, de David Richards. Burns participa no campeonato nacional da categoria, competição no qual vence. Tudo isso foi o suficiente para a Prodrive o apoiar para a temporada de 1993, onde iria correr, ao lado de Alistair McRae (irmão de Colin), no campeonato nacional de Ralies. Nesse ano, ganha quatro ralies e torna-se, aos 22 anos, no mais jovem campeão britânico de sempre. No Rali RAC, esse talento é mostrado contra os "tubarões", onde consegue os seus primeiros pontos do Mundial, ao terminar na sétima posição.

Em 1994, começa a ter um programa em "part-time" no Mundial, ao serviço da Prodrive, guiando um Subaru Impreza. O seu melhor resultado nesse ano é um quinto lugar no Rali Safari, no Quénia, e no ano seguinte, novo programa a tempo parcial deu-lhe o seu primeiro pódio, um terceiro lugar, no Rali RAC, a mesma prova que consagrou o seu companheiro e rival, o escocês Colin McRae, como o novo campeão do Mundo de Ralies.

Contudo, Burns, na Subaru, não era mais do que um mero terceiro piloto, com a equipa a concentrar-se em McRae e no espanhol Carlos Sainz. O inglês queria mais, e então mudou-se para a Mitsubishi, onde tinha como companheiro de equipa o finlandês Tommi Makinen.


Nessa temporada de 1996, Burns tinha a sua carreira repartida entre as corridas do campeonato Asia-Pacífico, e o Mundial WRC. Ganha o seu primeiro rali internacional do Rali da Nova Zelândia (então a contar para ocampeonato Asia-Pacifico), e a sua reputação de piloto rápido começa a solidicar-se, e a ganhar consideração na equipa. Em 1997, consegue uma temporada mais completa, onde o seu melhor resultado é um segundo lugar no Rali Safari, e vários quartos lugares em ralies como a Acrópole, Indonésia, Austrália e Grã-Bretanha, que lhe deram no final o sétimo lugar no campeonato, com 21 pontos.

E em 1998, consegue finalmente aquilo que queria: uma vitória no Mundial de Ralies. Conseguiu esse feito no Rali Safari, a bordo de um Mitsubishi Carisma Evo IV, façanha que repetiu mais tarde na última prova do campeonato, o Rali da Grã-Bretanha, terminando o ano na sexta posição do campeonato, com 33 pontos. Isso foi o suficiente para que a Prodrive convidasse Burns para voltar à equipa em 1999, para substituir Colin McRae, que tinha partido para a Ford.

Em 1999, de regresso à Subaru, junta-se ao belga Bruno Thiry e ao finlandês Juha Kankkunen, numa equipa que pretende vencer o título mundial a Tommi Makkinen, o seu ex-companheiro da Mitsubishi. O ano começa mal, pois só consegue um oitavo lugar em Monte Carlo. O seu primeiro resultado de relevo é um segundo lugar na Argentina, para logo depois vencer na Acrópole, para depois ter uma segunda parte do campeonato fabulosa, com duas vitórias na Austrália e em Inglaterra, e dois segundos lugares na Finlandia e na China. Contudo, no final do ano, não consegue vencer o título mundial, por sete pontos, a um Tommi Makkinen, que conquistava o seu quarto e ultimo título de campeão.

Em 2000, Burns já era considerado como o primeiro piloto da marca, e os especialistas já o apontavam como candidato ao título. Contudo, com o novo Subaru Impreza, tinha contra ele as máquinas da Ford, Mitsubishi e da Peugeot, numa temporada onde o equilibrio era patente. Venceu uma segunda vez no Safari e na prova seguinte, no Rali de Portugal, na estreia do Subaru Impreza WRC 2000. Uma terceira vitória, na Argentina, o colocava como o principal favorito ao título mundial desse ano, mas um acidente na Finlândia o fez perder o título mundial para o Peugeot do finlandês Marcus Gronholm, que fazia o seu primeiro ano a tempo inteiro...

Em 2001 era de novo o candidato ao título, e desta vez pretendia mesmo ganhar. Contudo, o inicio da temporada foi desastroso, pois não conseguiu ganhar nas duas primeiras corridas da temporada, em Monte Carlo e na Suécia. Os seus primeiros pontos foram alcançados em Portugal, com um quarto lugar, e a partir daqui começou a juntar pontos, sem conseguir alcançar o lugar mais alto do pódio: segundo lugar na Argentina, no Chipre, na Finlânidia e na Austrália, e uma vitória na Nova Zelândia.

À entrada da última prova, em Inglaterra, tinha que ficar à frente de Colin McRae, que era o líder do campeonato, para conseguir o tão almejado título. Não era fácil, mas a meio do rali, a sorte, que lhe tinha abandonado nos anos anteriores, finalmente o beneficiava: McRae abandonava, com problemas no seu Ford Focus, e Burns bastou ficar no terceiro lugar, atrás de Gronholm e Hari Rovanpëra, para ser coroado Campeão do Mundo, com 44 pontos, mais dois do que McRae.

Contudo, por alturas da sua consagração como campeão do mundo, o piloto inglês estava de saída da marca, e rumava de armas e bagagens para a Peugeot, para guiar o modelo 206. Na equipa, tinha como companheiros o finlandês Marcus Gronholm e o francês Gilles Panizzi. contudo, apesar do estatuto de numero um, Burns não era nenhum especialista em determinado tipo de superfície, como era Gronholm nos pisos de terra, e Panizzi, nos pisos de asfalto. Logo, o melhor que conseguiu foram quatro segundos lugares nos ralies da Catalunha, Chipre, Finlândia e Alemanha, esta última marcada pela primeira vitória em WRC de um tal Sebastien Löeb. No final do ano, Burns não foi para além do quinto lugar no Mundial.

Em 2003 continua na Peugeot, onde faz uma temporada muito regular, subindo constantemente ao pódio, e tendo como melhores resultados dois segundos lugares na Turquia e na Nova Zelândia, para além de mais cinco terceiros lugares (Suécia, Argentina, Grécia, Finlândia e Austrália), que o colocaram na rota pelo título, tendo como rivais o norueguês Petter Solberg, o veterano espanhol Carlos Sainz, e o francês Sebastien Löeb, apesar de Burns não ter ganho nenhum rali nesse ano.

Esperava alcançar algo no último rali da época, na Grã-Bretanha. Antes disso, anunciara que iria voltar para a Subaru em 2004, correndo ao lado de Solberg. Contudo, quando se dirigia para o local da partida, ao lado do estónio Marko Martin, Burns sofreu um "blackout" e desmaiou. Observado pelos médicos, detectaram-lhe um astrocitoma, uma forma de tumor cerebral, que normalmente é fatal em menos de cinco anos, caso esteja em estado avançado.

Burns efectuou um agressivo tratamento de radioterapia e quimoterapia, e em Abril de 2005, foi operado para retirar parte do tumor, operação do qual os médicos classificaram como bem sucedida. por essa altura, Burns tinha feito a mesma coisa que o seu compatriota Colin McRae: lançado um videojogo com o seu nome. O Richard Burns Rally é considerado pelos especialistas como um dos simuladores mais realistas de sempre, com vários dos carros que Burns conduziu ao longo da sua carreira, e mais alguns históricos.


Porém, no final do Verão, o tumor voltara em força, e Burns estava no hospital no inicio de Novembro, lutando pela vida. A 25 de Novembro de 2005, exactamente quatro anos depois de ter ganho o seu título mundial, morria aos 34 anos de idade. A sua morte, que ocorrera no mesmo dia que a do legendário futebolista George Best, deixara o Reino Unido de luto.


Poucos dias depois, a 4 de Dezembro, o legendário programa televisivo Top Gear fez uma emissão especial, em homenagem a Burns. Jeremy Clarkson, vizinho e amigo pessoal de Burns, afirmou o seguinte: "He was just such a nice guy. I'm going to miss him...badly."


No ano seguinte, a familia de Burns decidiu lançar a "Richard Burns Foundation", uma fundação que ajuda pessoas gravemente doentes, bom como para melhorar a segurança dos ralies, através do Michael Park Fund, criado em memória do galês Michael "Beef" Park (1966-2005), navegador de Marko Martin. Também nesse ano, a Subaru lançou um modelo Impreza RB320, de 320 cavalos, todos em preto, em honra de Burns, e cujos lucros vão para a Fundação.

Fontes: