Mostrar mensagens com a etiqueta Monger. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Monger. Mostrar todas as mensagens

sábado, 31 de março de 2018

A imagem do dia

Billy Monger apareceu no ano passado nas noticias pelas piores razões. Piloto prometedor, sofreu um grave acidente numa das provas da Formula 4 britânica, quando se enfiou na traseira de outro carro. Monger, então com 18 anos, acabou por perder ambas as pernas. O acidente ficou conhecido, e ele sempre disse que pretendia voltar aos monolugares depois de recuperar a saúde, imitando o exemplo de Alex Zanardi, que sofreu um acidente semelhante em 2001, na prova da CART na oval alemã de Lausitzring.

No inicio deste ano, Monger sentou-se num monolugar de Formula 3 devidamente adaptado para a ocasião, e as coisas correram-se tão bem que o BRDC, a entidade britânica de automobilismo, decidiu emitir-lhe uma licença de competição. Dito isto, foi contratado pela Carlin para correr no campeonato de Formula 3, que começou este fim de semana em Oulton Park. E a prova correu-lhe bem: quinto na qualificação, acabou a corrida no terceiro lugar, atrás do vencedor, o sueco Linus Lundqvist e do dinamarquês Nicolai Kjaergaard. 

Sim, leram bem: um pódio na sua primeira corrida de regresso aos monolugares!

Poderemos dizer o que quisermos: a vitória da determinação, que a sua fome de correr não morreu, que ter ou não ter pernas não importa, o que queremos dizer é que quando uma pessoa está determinada a correr, tudo o resto não importa. As discriminações, as barreiras, o "isso não vai acontecer" ou o "isso é impossível, não vai resultar", são apenas frases fáceis para preguiçosos conformistas. Para os determinados, entra por um ouvido e sai pelo outro. 

Mesmo que não faça nada para o resto do fim de semana, Monger já mostrou ao mundo que é um vencedor.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Noticias: Acidente de Monger vai ser investigado

O acidente de Billy Monger durante a prova de Donington Park, na Formula 4 britânica, vai ser investigado pela FIA e pela MSA (Motorsport Association). Ambas querem saber as circunstâncias do acidente entre Monger e o finlandês Patrik Pasma, que o obrigou a que lhe sejam amputadas as pernas abaixo do joelho.

No comunicado oficial, a MSA afirmou: “A Motor Sports Association está investigar o incidente do Campeonato Britânico de F4 em Donington Park, que deixou Billy Monger com lesões que lhe mudaram a sua vida"

“Esta investigação em curso [acontece] com o apoio do órgão mundial de automobilismo, a FIA. Até que este inquérito seja concluído, não haverá mais comentários sobre as especificidades deste incidente."

“Os pensamentos de todos na MSA estão com Billy e sua família neste momento difícil, e tem sido incrível ver o extraordinário fluxo de apoio da comunidade automobilística”, concluiu o comunicado da organização.

Até agora, Monger continua internado no Queen's Hospital, em Nottingham, em estado grave, mas estável. E desde o passado dia 16 que um fundo criado em apoio ao piloto tem rendido cerca de 750 mil libras, bem mais do que as 260 mil inicialmente previstas pela familia e pela equipa no qual corria na Formula 4 britânica.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Saúde, evolução e a generosidade das pessoas

Ontem à tarde, tinha falado de Billy Monger, do seu acidente e das péssimas consequências. Como todos sabem, o britânico de 17 anos perdeu ambas as pernas após um horrível acidente em Donington Park, colidindo em frente com o carro do finlandês Patrik Pasma, que ia em velocidade bem mais lenta devido a problemas de motor.

Contudo, tinha falado também sobre a forma não muito ética sobre como é que as pessoas souberam disso: através de uma página de "crowdfunding" onde se apelava à comunidade automobilística - e algo mais - para que doassem o que pudessem para um fundo feito em seu nome. Isto sem, por exemplo, uma declaração vinda do hospital, a dar conta do seu estado de saúde. E foi por isso que durante algum tempo fiquei muito relutante em escrever a noticia, quando tens uma só fonte.

Felizmente, passado um tempo, soube de mais. Um bom amigo meu que tenho na Grã-Bretanha explicou-me o que se passa. Basicamente, eram duas coisas: a privacidade da familia, neste momento delicado, e também o seguro que os pilotos assinam no momento em que competem. Pelos vistos, como era um relativamente simples, não deve cobrir todas as despesas médicas que têm neste momento. Daí a razão deste "crowdfunding": para cobrir a parte que o seguro poderá não cobrir.

E a resposta foi avassaladora: em menos de um dia, o objetivo foi ultrapassado. 310 mil libras por volta da meia-noite de ontem. E entre os generosos contribuintes - mais de 7500 - estão pessoas como Jenson Button, que deu 15 mil libras, por exemplo. Chip Ganassi deu mil libras, e uma garota de 11 anos deu duas libras, dizendo depois que "pedia desculpa por não poder dar mais".

Para além disso, o hospital onde está internado emitiu um boletim médico sobre a sua situação, onde fala que está em coma induzido, mas que a sua situação, apesar de ser grave, é estável. E a familia de Monger também emitiu um comunicado a agradecer toda a ajuda prestada até ao momento.

"A família de Billy gostaria de expressar sua gratidão pela atenção médica de primeira classe dada pelo Queen's Medical Center em Nottingham e aproveitar esta oportunidade para agradecer às equipas médicas, comissários de pista, equipas de resgate e pessoal da ambulância aérea pela sua rápida resposta e trabalho duro.

"Além disso, eles gostariam de agradecer aos colegas de Billy, amigos, fãs e todos que demonstraram seu afeto por ele nos últimos dias. Essas mensagens ajudam a dar a força necessária para o processo de recuperação que está ainda por vir.

"A comunidade da Formula 4 e o mundo do automobilismo mais amplo estão, sem dúvida, entristecidos por essa notícia, mas são convidados a respeitar o desejo da família de privacidade durante este momento difícil", conclui o comunicado.

Em jeito de conclusão, as minhas dúvidas foram respondidas, e o processo ficou mais claro agora. E ao longo deste dia, pode-se ver até que ponto esta comunidade automobilistica foi capaz de ajudar um dos seus quando passou por uma situação complicada como aconteceu agora ao Billy Monger. Vai ser longo e duro, mas espera-se que se inspire noutros exemplos para se superar e ser feliz no automobilismo ou noutra modalidade.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Moral e ética em situações complicadas

O acidente no passado domingo, do piloto britânico Billy Monger, durante uma prova de Formula 4 britânica, teve consequências graves. Sabia-se que o piloto de 17 anos tinha tido fraturas graves nas pernas, braço e pulso, mas hoje soube-se que acabou por ter de ser amputado abaixo do joelho. Monger, que era sexto no campeonato de Formula 4 britânico, estava a ganhar lugares quando embateu fortemente na traseira do carro do finlandês Patrik Pasma. Este foi transportado para o hospital em observação, mas acabou por ter alta no dia seguinte.

O problema disto tudo é que, à hora em que escrevo isto, o comunicado oficial é uma página de crowdfuning, assinado pela equipa e pela familia. Não há um comunicado do hospital onde está internado, não há um comunicado da organização da própria Formula 4 britânica e mesmo o comunicado da sua equipa, a JHR Developments, no Twitter, remete para o mesmo site, para doar o mais possivel. O valor é, à partida alcançável - 260 mil libras - e até agora, já conseguiram mais de 80 mil, cerca de 25 por cento do valor.

Honestamente, não quero colocar isto em questão, porque acho que é uma situação grave e o garoto merece todo o nosso apoio neste momento muito dificil. Só que não gosto de confiar numa só fonte, pois pode ser uma armadilha. Não é que seja cético, mas a situação é muito séria, pois falamos de um garoto de 17 anos que aparentemente, perdeu as pernas. Ao ver a velocidade das pessoas partilharem uma página, com uma explicação aparentemente oficial, sem mais perguntas, confunde-me. Confunde-me até que ponto as pessoas confiam de uma forma cega a algo que até pode ser usado para fins pérfidos. É esse o meu receio: que tudo pode ser treta.

Mesmo que isto tudo seja verdade - espero ardentemente que sim - isto levanta outras questões, mais éticas. Em noticias delicadas como esta, a minha experiência automobilística diz que "no news is bad news", ou seja, quando há um manto de silêncio vindo do hospital após um acidente muito grave é sinal de que as noticias são más. E quando o pior acontece, como já vi ao longo dos anos, os primeiros a avisar são as famílias. E só dali a uma ou duas horas, a noticia é dada ao mundo, pelo hospital.

Eu não acuso nada. Simplesmente quero algo bem feito, para depois podermos ajudar este pobre rapaz, que teve a sua vida mudada aos 17 anos de idade, um acidente horrivel do qual todos viram pela televisão, num acidente que faz lembrar muito Alex Zanardi, há mais de 15 anos, em Lausitz. Um pouco de paz de espírito é o que desejo, mais nada. Porque o meio onde trabalho já levou muitas pancadas, e mais uma seria péssimo. Para o bem de todos nós.