Mas o mais interessante é que fim de semana da corrida acaba... num sábado. De uma certa maneira, recorda tempos idos, onde em sítios como os Países Baixos e a África do Sul - e de certa maneira, o Reino Unido - motivos religiosos impediam corridas no domingo, optando pelo sábado para a sua realização.
Mas a razão porque isto acontecia por aqui tinha a ver com o calendário. Domingo é feriado nacional, e é para comemorar os heróis de uma guerra contra a Arménia, no qual conquistaram o Nagorno-Karabakh. Por causa disso, e como por ali o nacionalismo é para ser levado a sério - é um país de origem turca - aquele feirado é sagrado. Quero saber como será no ano que vêm, quando o feriado calhar no sábado...
Por causa disso, este ano, Las Vegas não está sozinha: Baku faz-lhe companhia. Mas é durante o dia.
Com temperatura amena, vento constante - a maior preocupação dos pilotos - e 41,3 °C de temperatura na pista, a qualificação não começou a horas, porque a limpeza da pista ainda decorria, consequência dos estragos que aconteceram nas corridas de suporte, quer na Formula 2, quer na Formula 3. Quando começou, o relógio tinha avançado cerca de cinco minutos e os pilotos foram para a pista com os seus moles calçados.
Por essa altura, os Red Bull tinha começado a aparecer no topo da tabela de tempos, primeiro Max Verstappen, com 1.44,279, seguido pelo regressado Isack Hadjar. Hamilton era o terceiro, a 578 centésimos de segundo. Pouco depois, George Russell marcava o seu tempo, e era uma grande melhora: 1.43,615, mais 426 centésimos que Max Verstappen. Era alguma coisa, depois de aproveitar os cones de aspiração de outros carros para ganhar velocidade e melhorar os seus tempos.
Mas se Russell saía satisfeito por estar na frente de saber que Antonelli ia ver o resto da qualificação nas boxes, outros também ficariam já de fora: os Audis de Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg, os Aston Martin de Lance Stroll e Fernando Alonso, e os Cadillacs de Valtteri Bottas e Sérgio Pérez. Mas, fraca consolação: os Aston Martin não eram os mais lentos.
Com isso, passou-se para a Q2, já com Antonelli mais que eliminado.
Os carros entraram calmamente na pista, mas ninguém a demorar muito para ter tempo suficiente para aquecer os pneus. O vento tinha aumentado um pouco, e os pilotos pareciam ter algumas dificuldades a segurar o carro dentro dos limites. Os primeiros a chegarem ao topo da tabela foram os mesmos: Max Verstappen e Isack Hadjar, mostrando que os Red Bull se davam bem ali, e até Carlos Sainz Jr. passou pelo topo, mostrando também que a versão B do FW48 tinha sido um chassis bem nascido.
Pouco depois, Charles Leclerc conseguia ser o primeiro piloto a entrar no segundo 43, com 1.43,780, para ser logo depois destronado por George Russell, com 1.43,462.
A parte final viu o neerlandês da Red Bull a subir para o segundo lugar, a 20 centésimos do tempo de Russell, enquanto Oscar Piastri, no seu McLaren, subia ao quarto posto. Mas mais surpreendente - ou talvez não - Carlos Sainz Jr. conseguir uma passagem para a Q3, a sua primeira em 2026, ao conseguir o nono melhor tempo, na frente de Franco Colapinto, o último dos qualificados.
No final, quem foi fazer companhia a Antonelli foram o Williams de Alex Albon, os Haas de Ollie Bearman e Esteban Ocon, e os Racing Bulls de Liam Lawson e Arvid Lindblad, que viu a sua tentativa final abortada por causa de uma saída na curva 1.
E assim passamos para a Q3.
Max era quarto, mas bem longe: mais de oito décimos de segundo. E os Ferrari ainda não tinham marcado tempos, esperando fazer mais tarde, no momento decisivo.
Quando chegou, a cerca de quatro minutos do final, Russell estava atrás de Isack Hadjar, que tinha momentos antes marcado o quarto tempo provisório, com 1.43,703. No final, conseguiu 1.43,037, indo para o topo da tabela de tempos. Parecia que a pole era dele, mas faltava muito para a bandeira de xadrez. E a concorrência ia tentar destroná-lo.
Os Ferraris estavam na pista e tinham tempo para responder, primeiro com Hamilton, que conseguira 1.44,456, insuficiente para chegar ao topo, mas Leclerc estava melhor: 1.43,472, o segundo melhor tempo.
No último minuto, depois de Isack Hadjar conseguir 1.43,500, e ficar com o terceiro melhor tempo, Russell estava na pista e conseguia melhorar, com um tempo-canhão: 1.42,526, deixando Leclerc a 926 centésimos! Um domínio absoluto. Já tinhamos "poleman". Leclerc confirmou o segundo posto, mas apenas a um milésimo de Oscar Piastri. Max era apenas oitavo, quarto lugares abaixo de Isack Hadjar.
“Sinceramente, foi uma volta bastante boa. O Lewis estava três ou quatro segundos à minha frente, penso eu, e consegui fazer uma boa volta no final. Mas, quando vejo a diferença para o George, talvez a volta não tenha sido suficientemente boa. No geral, estivemos em desvantagem durante todo o fim de semana.", disse o piloto monegasco, na conferência de imprensa pós-qualificação.
No final, até o próprio Russell ficou espantado com a diferença:
"É provavelmente a maior vantagem que consegui em toda a minha carreira, incluindo os tempos da Formula 2 e da Formula 3. A volta deu-me excelentes sensações. O carro tem estado ótimo este fim de semana e, numa pista como esta, quando conseguimos fazer uma volta assim, a sensação é incrível. Foi simplesmente a volta perfeita no final. Tinha uma boa distância para o Hadjar à minha frente, o que me deu um pouco de cone de aspiração, provavelmente mais um ou dois décimos nesta reta final. Por isso, foi excelente.”, afirmou.





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