sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 15, Baku (Qualificação)


Duas semanas passaram desde a última corrida no continente europeu, agora em Madrid, e a Formula 1 arrumou as suas bagagens para atravessar a Europa para se espraiar nas margens do Mar Cáspio, mais concretamente para Baku, a capital do Azerberijão, nação rica em petróleo e história, apesar de ser independente há "apenas" 35 anos, um dos remanescentes da União Soviética.

Mas o mais interessante é que fim de semana da corrida acaba... num sábado. De uma certa maneira, recorda tempos idos, onde em sítios como os Países Baixos e a África do Sul - e de certa maneira, o Reino Unido - motivos religiosos impediam corridas no domingo, optando pelo sábado para a sua realização. 

Mas a razão porque isto acontecia por aqui tinha a ver com o calendário. Domingo é feriado nacional, e é para comemorar os heróis de uma guerra contra a Arménia, no qual conquistaram o Nagorno-Karabakh. Por causa disso, e como por ali o nacionalismo é para ser levado a sério - é um país de origem turca - aquele feirado é sagrado. Quero saber como será no ano que vêm, quando o feriado calhar no sábado... 

Por causa disso, este ano, Las Vegas não está sozinha: Baku faz-lhe companhia. Mas é durante o dia.      

Com temperatura amena, vento constante - a maior preocupação dos pilotos - e 41,3 °C de temperatura na pista, a qualificação não começou a horas, porque a limpeza da pista ainda decorria, consequência dos estragos que aconteceram nas corridas de suporte, quer na Formula 2, quer na Formula 3. Quando começou, o relógio tinha avançado cerca de cinco minutos e os pilotos foram para a pista com os seus moles calçados.  


Mas não demorou muito para que acontecesse o primeiro grande momento da qualificação: Andrea Kimi Antonelli, o líder do campeonato, bateu no muro e acabava ali a sua vez. Apesar de ter marcado o sexto tempo provisório, e mesmo que passasse para a Q2, não participaria mais. As imagens mostraram depois que tinha batido... na primeira curva, e tentou arrastar o carro até às boxes.

Por essa altura, os Red Bull tinha começado a aparecer no topo da tabela de tempos, primeiro Max Verstappen, com 1.44,279, seguido pelo regressado Isack Hadjar. Hamilton era o terceiro, a 578 centésimos de segundo. Pouco depois, George Russell marcava o seu tempo, e era uma grande melhora: 1.43,615, mais 426 centésimos que Max Verstappen. Era alguma coisa, depois de aproveitar os cones de aspiração de outros carros para ganhar velocidade e melhorar os seus tempos.

Mas se Russell saía satisfeito por estar na frente de saber que Antonelli ia ver o resto da qualificação nas boxes, outros também ficariam já de fora: os Audis de Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg, os Aston Martin de Lance Stroll e Fernando Alonso, e os Cadillacs de Valtteri Bottas e Sérgio Pérez. Mas, fraca consolação: os Aston Martin não eram os mais lentos. 

Com isso, passou-se para a Q2, já com Antonelli mais que eliminado.

Os carros entraram calmamente na pista, mas ninguém a demorar muito para ter tempo suficiente para aquecer os pneus. O vento tinha aumentado um pouco, e os pilotos pareciam ter algumas dificuldades a segurar o carro dentro dos limites. Os primeiros a chegarem ao topo da tabela foram os mesmos: Max Verstappen e Isack Hadjar, mostrando que os Red Bull se davam bem ali, e até Carlos Sainz Jr. passou pelo topo, mostrando também que a versão B do FW48 tinha sido um chassis bem nascido. 

Pouco depois, Charles Leclerc conseguia ser o primeiro piloto a entrar no segundo 43, com 1.43,780, para ser logo depois destronado por George Russell, com 1.43,462.

A parte final viu o neerlandês da Red Bull a subir para o segundo lugar, a 20 centésimos do tempo de Russell, enquanto Oscar Piastri, no seu McLaren, subia ao quarto posto. Mas mais surpreendente - ou talvez não - Carlos Sainz Jr. conseguir uma passagem para a Q3, a sua primeira em 2026, ao conseguir o nono melhor tempo, na frente de Franco Colapinto, o último dos qualificados.

No final, quem foi fazer companhia a Antonelli foram o Williams de Alex Albon, os Haas de Ollie Bearman e Esteban Ocon, e os Racing Bulls de Liam Lawson e Arvid Lindblad, que viu a sua tentativa final abortada por causa de uma saída na curva 1. 

E assim passamos para a Q3.


Esta começou com os pilotos a entrarem na pista logo de imediato, para aquecer os seus moles novos para marcarem as suas voltas o mais rapidamente possível. Isso aconteceu cerca de quatro minutos depois de começar a sessão, com George Russell a marcar 1.43,713, seguido por Norris, que tirava meio segundo em cada parte da volta, para acabar com 1.43,672, tirando 41 centésimos ao tempo do seu compatriota da Mercedes. Mas imediatamente a seguir, Oscar Piastri marcava um tempo ainda melhor: 1.43,571, 101 centésimos melhor que o seu companheiro de equipa.

Max era quarto, mas bem longe: mais de oito décimos de segundo. E os Ferrari ainda não tinham marcado tempos, esperando fazer mais tarde, no momento decisivo. 

Quando chegou, a cerca de quatro minutos do final, Russell estava atrás de Isack Hadjar, que tinha momentos antes marcado o quarto tempo provisório, com 1.43,703. No final, conseguiu 1.43,037, indo para o topo da tabela de tempos. Parecia que a pole era dele, mas faltava muito para a bandeira de xadrez. E a concorrência ia tentar destroná-lo.

Os Ferraris estavam na pista e tinham tempo para responder, primeiro com Hamilton, que conseguira 1.44,456, insuficiente para chegar ao topo, mas Leclerc estava melhor: 1.43,472, o segundo melhor tempo. 

No último minuto, depois de Isack Hadjar conseguir 1.43,500, e ficar com o terceiro melhor tempo, Russell estava na pista e conseguia melhorar, com um tempo-canhão: 1.42,526, deixando Leclerc a 926 centésimos! Um domínio absoluto. Já tinhamos "poleman". Leclerc confirmou o segundo posto, mas apenas a um milésimo de Oscar Piastri. Max era apenas oitavo, quarto lugares abaixo de Isack Hadjar.


Uma volta destas, com carros tão equilibrados como estes, e numa temporada competitiva como esta, parece espantoso. Quase lembrou os anos 90, com carros dominantes como os Williams ou os McLaren-Mercedes. E essa diferença espantou tudo e todos, a começar por Charles Leclerc:

“Sinceramente, foi uma volta bastante boa. O Lewis estava três ou quatro segundos à minha frente, penso eu, e consegui fazer uma boa volta no final. Mas, quando vejo a diferença para o George, talvez a volta não tenha sido suficientemente boa. No geral, estivemos em desvantagem durante todo o fim de semana.", disse o piloto monegasco, na conferência de imprensa pós-qualificação.

No final, até o próprio Russell ficou espantado com a diferença: 

"É provavelmente a maior vantagem que consegui em toda a minha carreira, incluindo os tempos da Formula 2 e da Formula 3. A volta deu-me excelentes sensações. O carro tem estado ótimo este fim de semana e, numa pista como esta, quando conseguimos fazer uma volta assim, a sensação é incrível. Foi simplesmente a volta perfeita no final. Tinha uma boa distância para o Hadjar à minha frente, o que me deu um pouco de cone de aspiração, provavelmente mais um ou dois décimos nesta reta final. Por isso, foi excelente.”, afirmou.


Veremos como será amanhã. Tem tudo para ser um passeio, mas num circuito urbano como esse, nada está garantido.

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