quinta-feira, 24 de setembro de 2026

O novo projeto sul-africano de Formula 1


A África do Sul tem estado na linha da frente para trazer de volta a Formula 1, e apesar das várias tentativas para colocar a pista de Kyalami para o grau 1 da FIA, e de propostas para uma pista urbana na Cidade do Cabo, até agora, nada foi obtido.

Contudo, uma alternativa apareceu recentemente, e se tudo acontecer, o regresso da Formula 1 poderá acontecer em cinco anos. O Blue Mountain Project é composta por líderes empresariais sul-africanos, especialistas e entusiastas de automobilismo, presidido por Neil Froneman, e pretende construir um complexo automobilístico em Swartland, não muito longe da Cidade do Cabo, em plena região vinícola.

O projeto foi apresentado na quinta-feira, numa cerimónia formal. O projeto custará 6,7 mil milhões de rands sul-africanos, ou 411 milhões de dólares, e tudo poderá estar pronto para daqui a cinco anos, em 2031.

Numa entrevista ao site planetf1.com, Froneman explicou o projeto:

“A Fórmula 1 moderna já não se baseia apenas nos circuitos. Sob a gestão da Liberty Media, o desporto transformou-se numa propriedade global de entretenimento que engloba 24 eventos por ano, cada um sediado numa cidade que o mundo já deseja visitar”, começou por afirmar Froneman. “Swartland tornou-se uma escolha sul-africana inesperada, porém óbvia. A região dispõe do espaço e da capacidade de serviços necessários para um projeto desta magnitude, além de contar com um governo local empenhado em apoiar potenciais promotores e em ir mais além para atrair investimento para as suas cidades.”

A BMR informou que já estabeleceu contacto inicial tanto com a Fórmula 1 como com o MotoGP e que está em negociações com as autoridades governamentais nacionais e provinciais.

“O autódromo e os demais empreendimentos multiusos associados também evitarão os transtornos e incómodos aos residentes, bem como os custos públicos elevados, típicos de circuitos de rua — fatores que tornam tal proposta inviável para uma cidade como a Cidade do Cabo.", acrescentou Froneman. “Esta proposta cria uma situação vantajosa para todos os envolvidos, dada a proximidade com a Cidade do Cabo, um dos destinos turísticos mais reconhecidos e populares do mundo. A cidade é servida por um aeroporto internacional com ligações diretas à Europa, aos Estados Unidos e à região do Golfo, além de possuir acesso ferroviário e um porto próximo para navios de cruzeiro."

“O local oferece infraestruturas de hospitalidade de classe mundial, tem um historial comprovado na realização de grandes eventos internacionais e está situado no meio de uma paisagem de montanhas icónicas, oceano e regiões vinícolas — um cenário que nenhum projetista de circuitos conseguiria criar artificialmente.”

Froneman revelou que a BMR já adquiriu o terreno para o complexo de automobilismo, que incluiria um centro de convenções de última geração, áreas de hospitalidade e empreendimentos residenciais, bem como um polo automóvel com instalações de engenharia e testes.

“Passámos os primeiros seis a nove meses a identificar um local que cumprisse os requisitos da Fórmula 1. É preciso estar a, no máximo, 30 minutos de um aeroporto internacional. É necessário espaço. Um dos problemas de Kyalami é que o circuito está rodeado de zonas urbanas, sem possibilidade de expansão”, afirmou. 

“Adquirimos 600 hectares com uma paisagem de fundo muito bonita. A área fica em Swartland. A nossa propriedade fica mesmo ao lado de Kalbaskraal, o que também é muito importante, pois, ao considerar o número de oportunidades de emprego que um empreendimento como este gera — e falaremos do empreendimento, uma vez que não se trata apenas de uma pista de corridas —, é necessário ter acesso a mão-de-obra.", continuou.

“Assim, ao reunir todos estes fatores, conseguimos posicionar a pista num local que, provavelmente, um projetista de circuitos não conseguiria planear deliberadamente; é uma característica inerente ao próprio terreno. Por isso, estamos muito satisfeitos com a localização”, concluiu.

A última vez que a Fórmula 1 esteve em África para um Grande Prémio foi no já distante ano de 1993, em Kyalami, quando foi a prova de abertura do campeonato, numa corrida ganha por Alain Prost. Depois disto, questões financeiras e políticas levaram ao fim do evento.

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