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segunda-feira, 17 de abril de 2023

A(s) image(ns) do dia





No ano de 2023, passam precisamente 40 anos que, em Donington Park, Frank Williams deu uma chance a um garoto que estava a dominar a Formula 3 inglesa, na altura a melhor competição de formação do mundo na altura. E aquilo que viu naquele dia lhe convenceu que tinha estofo de campeão e pensou que um dia, ele teria de guiar um dos seus carros. E essa é a história desse teste. 

A 19 julho de 1983, Ayrton Senna estava a lutar pelo título de Formula 3 com o britânico Martin Brundle. E ambos corriam em duas das melhores corridas: o brasileiro pela West Surrey Racing, o britânico, pela Eddie Jordan Racing. A convite de Frank Williams, o piloto brasileiro foi a Domington Park, onde tinha à sua espera um FW08C com o numero 1, carro usado por Keke Rosberg durante aquela temporada.  

Foi um teste relativamente discreto, mas no Brasil, eles estavam atentos a ele. Já o seguiam por causa dos seus bons ofícios. Reginaldo Leme, jornalista da Rede Globo, estava na pista, seguindo esse teste, e desde há algum tempo que as corridas da Formula 3 britânica eram seguidas - e por vezes, transmitidas em direto - quando Leme estava acompanhado por Galvão Bueno, para saber se ele ganhava ou não. E no final, depois de ter tirado um segundo ao recorde de pista de Donington Park, foi entrevistado para saber que impressões tinha ficado com o carro.

E disse de sua justiça: gostou de guiar com o carro. Em suma, divertiu-se e sabia que, com aqueles carros e com o seu estilo de pilotagem, adaptar-se-ia rapidamente e andaria onde queria entre os primeiros, onde queria estar.

Mas também sabia que não seria com a Williams. Já tinha tudo tapado para a próxima temporada - Rosberg e o francês Jacques Laffite eram os pilotos da marca - e anos depois, Frank Williams falou sobre esse teste e a chance de o ter logo em 1984: “[Senna] era um homem de negócios. Quando ele veio até mim, tinha atitude e um senso do valor dele no mercado. Esse era o preço dele. Eu tentei explicar que ele era novo e ainda tinha muito para provar, pilotos novos costumam bater carros, a velha história, e acho que chegamos muito perto de um acordo.

Se tivessem chegado a acordo, não ficaria admirado se ele tivesse feito a sua estreia no GP da Europa de 1983, em Brands Hatch, porque a equipa colocou um terceiro carro. Que deram a Jonathan Palmer

Mas haveria um problema. Era um contrato frágil. Se fosse, não estaria à vontade para andar como queria: ser o centro das atenções, ter o melhor carro para ele, não ter obstáculos para tentar fazer o melhor tempo.

Como é conhecido no resto da história, Senna ganhou o britânico de Formula 3, e ainda testou com a McLaren, ao lado de Martin Brundle e Stefan Bellof, na Brabham, em Paul Ricard, com Roberto Guerrero e Mauro Baldi, e com a Toleman, a equipa no qual acabou por ficar na temporada de 1984, onde... enfim, conseguiu o que pretedia: ser o primeiro piloto, sem obstáculos. O resto é "história".

terça-feira, 11 de abril de 2023

A imagem do dia


Já repararam que os feitos dele neste dia da há 30 anos aconteceram quando ele estava a cumprir o seu terceiro Grande Prémio da sua - que iria ser longa - carreira? E com 21 anos de idade? Pois é, mas se Ayrton Senna passou os Williams de Alain Prost e Damon Hill, o Sauber de Karl Wendlinger e o Benetton de Michael Schumacher, Rubens Barrichello ultrapassou oito carros, partindo de 14º para acabar a primeira volta na quarta posição, porque na frente, beneficiou da colisão do McLaren de Michael Andretti com o Sauber do austríaco. E foi aquele buraco deixado por ambos os carros que nos impediu de ver, logo nessa primeira volta que entrou na história do automobilismo, o Jordan do brasileiro na frente do pelotão.

De uma certa forma, é pena, porque Rubens merece ser chamado à atenção, 30 anos depois de ter conseguido algo ainda melhor do que Senna. Só que estava mais abaixo do pelotão, só isso. 

Pelas imagens que já observei desse dia de 1993 do GP da Europa, em Donington Park, uma tenho a certeza que nunca veremos: o seu onboard. Por uma razão simples: o carro não tinha uma câmara onboard instalada. O que é pena. Se tivesse, já teria aparecido há muito as imagens da sua primeira volta e tenho a certeza que muitos aplaudiriam e dariam crédito a ele.

Mas então... e depois?

Ao longo da corrida, Barrichello andou firmemente nos pontos. Chegou a andar no segundo e terceiro posto, andando na frente de Prost (!) e aproveitando tão bem as condições atmosféricas como Senna. Para terem uma ideia, o francês da Williams, que detestava correr à chuva, parou seis vezes nas boxes para trocar de pneus - numa delas, deixou cair o motor abaixo! - acabando com uma volta de atraso, embora no pódio. Mas foi por acaso porque Barrichello esteve perto de ficar com ele. O sistema de pressão de combustível do seu Jordan cedeu na volta 70, mas ainda se classificou na décima posição.

Mas no dia em que Senna mostrou a sua magia, um jobem rapaz de 21 anos mostrou o seu cartão de visita. Muitos não assistiram à primeira.  

Youtube Formula 1 Vídeo: O onboard da primeira volta do GP da Europa de 1993

As pessoas - algumas - chamam-se "a primeira bolta dos Deuses". Eu, que assisti na televisão este Grande Prémio, num domingo de Páscoa, achei das corridas mais interessantes da história do automobilismo. E então, para comemorar esse dia, decidi colocar aqui o "onboard" dessa primeira volta a Donington Park a partir do carro de Ayrton Senna.

Até foi mais simples que se pensava.  

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Youtube Formula 1 Testing: Satoru Nakajima, Lotus-Cosworth, 1983

Satoru Nakajima faz hoje 70 anos. O ex-piloto de Lotus e Tyrrell, pai de Kazuki e Daisuke Nakajima, correu na Formula 1 entre 1987 e 1991, a uma idade relativamente tardia, e os 16 pontos e uma volta mais rápida, alcançada no chuvoso GP da Austrália de 1989 - o último em que esteve pela Lotus, a propósito - mão o impediram de ser visto como um piloto da Honda, porque ele sempre foi visto a correr pela marca japonesa. Talvez seja por isso que se tornou no primeiro japonês a participar num Grande Prémio.

Coisa interessante é que Nakajima andou a "namorar" a Formula 1 por muito tempo. E o melhor caso disso é este bideo, dele a andar num Lotus 91 no inicio de 1983 - há 40 anos, portanto - em Donington Park, para ficar com a sensação de andar num carro de Formula 1. Creio que tenha sido o seu primeiro teste, porque depois, andou no Williams FW10 em 1985 e 86, como piloto de testes, antes de abrir a chance da Lotus, para ser companheiro de equipa de Ayrton Senna

Ah! O vídeo é do Francisco Cunha, que por estes dias anda de ego inchado porque participou num programa no National Geographic Channel sobre desastres aéreos. 

domingo, 3 de outubro de 2021

Youtube Formula 1 Testing: Derek Warwick, Donington Park, 1986

Esta imagem é rara de se ver, mas vale a pena pelo histórico. Estamos em meio de 1986 e a Brabham precisava de um substituto, semanas depois do acidente mortal de Elio de Angelis, em Paul Ricard. Vários pilotos ligaram para Bernie Ecclestone para saber que estavam disponíveis, mas ele escolheu Derek Warwick, sem lugar desde que a Renault fechou as portas na Formula 1, no final do ano anterior, porque... ele não tinha - ou não ligou - para o patrão da Brabham.

Warwick tinha tentado a sua sorte na Lotus no final do ano, mas Ayrton Senna vetou-o, afirmando que os recursos da equipa iriam se dispersar se o contratassem, e ele queria lutar pelo título mundial. Assim sendo, foi para os Sport-Protótipos, e lá estava todo feliz até à chamada de Bernie e ele a experimentar o radical Brabham BT55. Não pontuou na temporada, mas deu à sua carreira na Formula 1 uma segunda vida, primeiro na Arrows e por fim... na Lotus, onde ficou até 1990.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Youtube Formula 1 Videos: As grelhas de corridas miticas com gráficos de 2020

Hoje não coloco um video, mas diversos com o mesmo tema: corridas do passado com os gráficos atuais da Formula 1. São pequenos, mas tieram a sua graça, especialmente porque são todas de corridas miticas, do qual vale a pena ver.

Em ordem cronológica: GP do Mónaco de 1984, GP da Europa de 1993, GP do Brasil de 2010 e GP da Austrália de 2014. 

Divirtam-se!

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Youtube Formula 1 Classic: Corridas antigas com gráficos modernos, Vol. 2


O primeiro video foi um sucesso, logo, o seu autor decidiu fazer um segundo video de corridas antigas com os atuais gráficos da Formula 1. 

E entre as corridas escolhidas ficaram a primeira volta do GP da Europa de 1993, em Donington Park, o GP do Brasil de 2001, aquele momento em que o pai do Max Verstappen coloca Juan Pablo Montoya fora de corrida, a chegada do GP de Espanha de 1981 - o gráfico está errado, Jacques Laffite foi o segundo e não Elio De Angelis - e o GP da Alemanha de 1993, quando Alain Prost teve de cumprir um "stop and go" de dez segundos porque cortou a segunda chicane devido ao despiste do Ligier de Martin Brundle.

Apesar de tudo, vale a pena ver!

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

A imagem do dia

Seria uma memória muito distante no automobilismo, se não fosse quem foi, onde foi e as circunstancias desta corrida. Com politica pelo meio... para começar. Há oitenta anos, Tazio Nuvolari vencia o GP de Donington Park ao volante do seu Auto Union, mas esta corrida esteve muito perto de não acontecer.

Os alemães já tinham lá estado no ano anterior e dominaram, com Bernd Rosemeyer como vencedor. Infelizmente, seria a sua última vitória nos Grand Prix, pois a 30 de janeiro do ano seguinte, iria morrer quando tentava bater um recorde de velocidade em Estugarda, numa das "autobahns", devido a uma rajada de vento. Mas se em 1937, os alemães foram recebido com um misto de fascínio e curiosidade, no ano seguinte, as coisas eram diferentes. Porque a politica tinha-se metido a meio.

Inicialmente marcado para o dia 30 de setembro, quando a data se aproximou, a Europa sustinha a respiração. Adolf Hitler queria os Sudetas, uma região checa de maioria alemã, debaixo da sua bandeira, mas França e Grã-Bretanha. liderado por Neville Chamberlain, recusavam. Contudo, não queriam uma confrontação física, mas sim um acordo do qual todos salvariam a face. Todos se reuniram em Munique, numa conferência, e às custas da independência checa, Hitler levou a sua avante e evitou-se uma guerra por meros... onze meses. 

Contudo, houve uma vitima colateral: a corrida de Donington teve de ser adiada, e os alemães tinham-se retirado da competição. Nova data foi marcada, para o dia 22 de outubro, três semanas mais tarde. As coisas correram bem... mas nos treinos, houve um momento insólito, vivido por Tazio Nuvolari. Na curva McLean, a 180 km/hora, ele colidiu contra um veado que se atravessou pelo caminho. Escapando com umas costelas partidas, ele decidiu continuar a correr o resto do fim de semana, aguentando as dores. 

E mesmo com tudo isto, perante o Duque de Kent, irmão do rei Jorge VI, Nuvolari venceu com recorde da pista e um avanço de um minuto e 48 segundos, mesmo depois de ter perdido quase um minuto com uma paragem nas boxes demorada.

E quanto ao veado... ficou com a cabeça e o mandou para Mântua, para servir como troféu. 

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

A imagem do dia

Esta imagem vai acabar a 5 de novembro. O museu que alberga uma das mais fabulosas coleções de automóveis de competição do mundo vai fechar. Não está no Brasil. Nem em Portugal ou num país qualquer do terceiro mundo. Está no centro da Grã-Bretanha, ao lado da pista de Donington Park.

O Museu de Donington Park vai fechar, e a noticia chocou os amantes de automóveis um pouco por todo o mundo. O anuncio foi feito por Kevin Wheatcroft, o filho do fundador, que refere "motivos familiares" para não continuar a manter o museu. 

E este é um bom motivo para falar do pai de Kevin, Tom. De como um sonho de infância fez salvar um circuito da sua ruína e de como ajudou um piloto como se fosse seu filho, acreditando que seria campeão, mas acabaria numa bola de chamas apenas na sua segunda corrida de Formula 1.

Em 1937 e 38, Donington foi palco do GP da Grã-Bretanha, e viu por ali os carros de Grand Prix, pilotados por gente como Richard Seaman ou Tazio Nuvolari, que durante os treinos da edição de 1938, atropelou um veado, do qual pegou na cabeça e fez dele troféu de caça! Quando rebentou a II Guerra Mundial, virou depósito de material militar e ficou assim... até muito depois da guerra.

Tom Wheatcroft nasceu em 1922, e fez fortuna na construção civil. Morava nos Midlands britânicos e viu as corridas em garoto e apaixonou-se. Guardou o circuito no seu coração, e quando soube da sua degradação, em meados dos anos 60, jurou que iria fazer de tudo para o recuperar. Quando viu que os terrenos iriam ser vendidos, não hesitou e comprou, procedendo à sua lenta recuperação. 

Quase ao mesmo tempo, batia à sua porta um jovem talentoso piloto chamado Roger Williamson. Queria apoios para a sua carreira na Formula 3, e Wheatcroft gostou do seu estilo de condução. Cedo se estabeleceu uma forte amizade, quase de pai para filho, e ele venceu três (!) títulos na Formula 3 britânica, em 1971 e 72. Em 1973, surgiu a oportunidade de ir para a Formula 1, pela BRM, mas ele disse para recusar. Os planos eram ambiciosos: comprar um McLaren M23 para 1974, correndo a sua própria equipa. Mas antes, teria de ganhar experiência, e a March deu a sua chance a partir do GP da Gra-Bretanha, no lugar de Jean-Pierre Jarier, que cumpria a sua temporada de Formula 2.

Infelizmente, tudo acabou a 29 de julho de 1973, na oitava volta do GP da Holanda, quando um pneu furou, bateu no guard-rail e o carro explodiu numa bola de fogo. As imagens do seu carro em chamas correram mundo, apesar das tentativas desesperadas de David Purley de o salvar. 

Wheatcroft prosseguiu a sua vida e em 1979, conseguiu inaugurar o seu circuito, Donington Park. Em 1993, levou a Formula 1 pela única vez na sua vida, e dez anos depois, inaugurou um memorial a Williamson, cinco anos antes de morrer. E no meio disso tudo, ajudou o museu a ser um dos mais importantes do mundo, com muitos dos carros a serem emprestados pelas equipas, para prestigiar ainda mais a sua coleção. E nesse museu, havia sempre um canto, uma estante só com os objetos e os troféus do seu piloto favorito, Roger Williamson. 

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Por onde andará o troféu do Sonic?

Esta semana, como sabem, passaram 25 anos sobre o GP da europa de 1993, em Donington Park, onde Ayrton Senna fez aquela primeira volta inesquecível - e Rubens Barrichello também, a propósito - e no final, Senna bateu sem apelo e sem agravo os Williams de Alain Prost e Damon Hill. Poderá falar-se da aversão do francês à chuva e de Hill ser um novato na Formula 1, e também do brasileiro ser muito bom neste tipo de condições, mas que ganhou, é verdade. E ganhou com estilo.

Agora, o que não se sabia até agora é que o troféu que ele ergue no pódio, o do Sonic, a mascote da Sega, não era o verdadeiro troféu do vencedor. Na realidade era algo do qual a merca queria fazer publicidade, porque era o patrocinador desse Grande Prémio... e da Williams, seu rival. Provavelmente, eles esperavam que Prost ou Hill pegassem no "caneco" e daí vendessem mais uns Master System ou Mega Drives, mas foi o seu maior rival que ficou com o caneco. Mas...

Quem lê a página da Wikipédia em inglês sobre o GP da Europa de 1993, vai descobrir no último parágrafo a seguinte afirmação: 

"No final da corrida, Senna foi levado ao pódio e recebeu um troféu que mostrava a mascote da Sega, Sonic the Hedgehog, segurando um troféu com o logo da Sega embaixo. Uma imagem amplamente divulgada na internet mostra Senna segurando o troféu. Ao contrário da crença popular, este não é o prêmio que Senna recebeu por ganhar o Grande Prémio, mas sim um troféu falso [para efeitos de publicidade]. Imagens de vídeo mostram que, depois de tirada a foto, ele recebeu o prêmio, um troféu que não retrata nem o Sonic the Hedgehog nem o logotipo da Sega. A localização atual do famoso troféu Sega é desconhecida" (tradução feita por mim).

Esta semana, o pessoal do Grand Prix Diary escreveu um artigo na rede social Drivetribe a perguntar pelo destino desse troféu. Teve uma resposta veloz da McLaren, dizendo na sua conta oficial no Twitter que o troféu está na sua sede, em Woking, e mandou uma foto a provar a sua localização. Parece estar num canto, um pouco esquecido, entre milhares de caixas existentes na sede.

Pois bem, está a haver "polémica". Pedro Falcão, que trabalha na Vice Brasil, afirmou na sua conta pessoal do Twitter que o troféu deveria estar no instituto Ayrton Senna, em São Paulo, "onde merecia estar", segundo diz ele. Acho que também seria o local apropriado, mas como se sabe, Ron Dennis tinha a mania de que todos os troféus da equipa deveriam ficar na sede e não nas salas de troféus dos pilotos. 

Não sei como será com a nova administração, e como este troféu está escondido num canto da fábrica, provavelmente não seria mal de todo se fosse para São Paulo. Ainda por cima, uma corrida tão importante na carreira (e no mito) do piloto brasileiro...

quarta-feira, 11 de abril de 2018

A imagem do dia

Neste dia em que falamos de algo que aconteceu no domingo de Pascoa de 1993, permitam-me que fale de um "herói desconhecido". Chama-se Rubens Barrichello e enquanto as câmaras estavam focadas no seu compatriota Ayrton Senna, que passava Michael Schumacher, Karl Wendlinger, Damon Hill e Alain Prost, ele passava oito carros nessa mesma volta, subindo de 12º para quarto, a bordo de um mero Jordan-Hart.

Se formos ver atentamente os videos da "volta dos deuses" de Senna, especialmente a partir da curva onde passa Prost, podem ver o buraco que existe entre os três primeiros e o quarto classificado, o resto do pelotão, diga-se. E ali, na ponta desse pelotão, podem ver um jovem de 20 anos, no seu terceiro Grande Prémio de uma longa carreira - só sairá da Formula 1 em 2011 - que aproveita o facto de também ser bom à chuva para mostrar serviço. Infelizmente, as câmaras não apanharam essa parte, mas pouco depois, souberam do que tinha feito e também o acompanharam.

Foi uma corrida tão boa como a de Senna, e ainda por cima, tinha um carro inferior a boa parte do pelotão. A Jordan estava no rescaldo da desastrosa temporada de 1992, onde com o motor Yamaha, apenas tinha conseguido um ponto com Stefano Modena na última prova do campeonato, na Austrália. E naquela temporada, o segundo lugar iria ter uma espécie de "aluga-se": Ivan Capelli, desanimado, tinha decidido abandonar a Formula 1, e ele foi buscar o belga Thierry Boutsen, que tinha ficado sem lugar depois de ter corrido nas duas últimas temporadas na Ligier.

A chuva poderia fazer "guerreiros do piso molhado", conseguindo fazer muito com muito pouco. Todos olhavam para Senna, que fazia algo que já tinha feito no Mónaco 84, com o seu Toleman, ou Estoril 85, com o seu Lotus, mas atrás, e até aquela corrida, ninguém sabia quem era Rubens Barrichello. E essa é a verdadeira surpresa, e o verdadeiro feito do piloto brasileiro.

Rubinho andou muito bem. A certa altura, o pódio era uma realidade bem tangível, o que teria sido o primeiro da equipa, e a uma certa altura, começou-se a falar que o feito dele era tão bom como o de Senna, mas sem câmaras a segui-lo. Contudo, no final, a bomba de combustível do seu Jordan cedeu a seis voltas do fim, privando-o de um grande resultado. Na realidade, classificou-se no décimo posto, mas isso não reflete a verdadeira natureza da sua exibição naquela tarde chuvosa de abril.

Contudo, teve tempo para entrar na história da equipa. Ficou na equipa até 1996, dando-lhes os seus primeiros pódios e a sua pole-position, no GP da Bélgica de 1994. 

Youtube Formula 1 Classic: A primeira volta de Donington, 1993


Todos se recordam hoje que passam 25 anos sobre a famosa primeira volta de Ayrton Senna em Donington Park, onde passou cinco carros na primeira volta e acabou na liderança de uma corrida onde o boletim meteorológico teve uma influência fundamental no desempenho dos pilotos, fazendo sobressair "guerreiros do piso molhado" como era Senna.

Aqui coloco dois vídeos: um da McLaren, outro do canal oficial da Formula 1, com comentários dos míticos Murray Walker e James Hunt. Sobre esse dia, falarei mais tarde.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Noticias: Robert Kubica testou num Formula E

Robert Kubica parece estar a planear um regresso aos monolugares. Depois de há algumas semanas ter testado um GP3 no circuito italiano de Franciacorta, sem se ter ressentido das suas lesões no braço direito, testou ontem um Formula E no circuito de Donnington Park. O piloto polaco de 32 anos testou ao volante do carro da DS Virgin, e parece que correu bem ao ponto de já ser considerado como piloto substituto na equipa, que vai perder os seus pilotos, Sam Bird e José Maria Lopez, na ronda dupla de Nova Iorque, pois vão correr no mesmo dia das Seis Horas de Nurburgring.

Alex Tai, o chefe da DS Virgin, explicou que para já ainda não há qualquer decisão sobre os pilotos, embora refira que deseja alguém com experiência:

"Gostaríamos de alguém que tivesse pilotado um monolugar de Fórmula E, já que vimos no passado que inclusivamente pilotos experientes têm dificuldades em adaptar-se a este campeonato. Tomarei a decisão mas só depois de uma conversa detalhada com o Xavier [Mestelan-Pinon, director da DS Performance] e com o nosso engenheiro Chris Gorne”, afirmou.

A DS, que pertence ao grupo Citroen, tem ainda relações com o piloto polaco, especialmente no tempo em que ele conduziu num Citroen DS3 em 2014, quando venceu o WRC2 e conseguiu a sua melhor posição de sempre, um quinto lugar no Rali da Alemanha. E segundo conta o Motorsport.com, o britânico Alex Lynn poderá brevemente ser anunciado para correr no lugar de José Maria Lopez na ronda novaiorquina.

Quanto ao polaco, não corre em monolugares desde o seu acidente em fevereiro de 2011 no rali Ronda di Andora, em Itália, lesionando-se seriamente no braço e na mão direita. Regressou ao automobilismo ano e meio depois, em 2013, para correr no mundial de Ralis até ao inicio de 2016. No inicio do ano, esteve ligado ao projeto da byKolles, mas acabou por o abandonar a poucos dias do inicio do Mundial de Resistência.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Noticias: Acidente de Monger vai ser investigado

O acidente de Billy Monger durante a prova de Donington Park, na Formula 4 britânica, vai ser investigado pela FIA e pela MSA (Motorsport Association). Ambas querem saber as circunstâncias do acidente entre Monger e o finlandês Patrik Pasma, que o obrigou a que lhe sejam amputadas as pernas abaixo do joelho.

No comunicado oficial, a MSA afirmou: “A Motor Sports Association está investigar o incidente do Campeonato Britânico de F4 em Donington Park, que deixou Billy Monger com lesões que lhe mudaram a sua vida"

Esta investigação em curso [acontece] com o apoio do órgão mundial de automobilismo, a FIA. Até que este inquérito seja concluído, não haverá mais comentários sobre as especificidades deste incidente."

Os pensamentos de todos na MSA estão com Billy e sua família neste momento difícil, e tem sido incrível ver o extraordinário fluxo de apoio da comunidade automobilística”, concluiu o comunicado da organização.

Até agora, Monger continua internado no Queen's Hospital, em Nottingham, em estado grave, mas estável. E desde o passado dia 16 que um fundo criado em apoio ao piloto tem rendido cerca de 750 mil libras, bem mais do que as 260 mil inicialmente previstas pela familia e pela equipa no qual corria na Formula 4 britânica.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Saúde, evolução e a generosidade das pessoas

Ontem à tarde, tinha falado de Billy Monger, do seu acidente e das péssimas consequências. Como todos sabem, o britânico de 17 anos perdeu ambas as pernas após um horrível acidente em Donington Park, colidindo em frente com o carro do finlandês Patrik Pasma, que ia em velocidade bem mais lenta devido a problemas de motor.

Contudo, tinha falado também sobre a forma não muito ética sobre como é que as pessoas souberam disso: através de uma página de "crowdfunding" onde se apelava à comunidade automobilística - e algo mais - para que doassem o que pudessem para um fundo feito em seu nome. Isto sem, por exemplo, uma declaração vinda do hospital, a dar conta do seu estado de saúde. E foi por isso que durante algum tempo fiquei muito relutante em escrever a noticia, quando tens uma só fonte.

Felizmente, passado um tempo, soube de mais. Um bom amigo meu que tenho na Grã-Bretanha explicou-me o que se passa. Basicamente, eram duas coisas: a privacidade da familia, neste momento delicado, e também o seguro que os pilotos assinam no momento em que competem. Pelos vistos, como era um relativamente simples, não deve cobrir todas as despesas médicas que têm neste momento. Daí a razão deste "crowdfunding": para cobrir a parte que o seguro poderá não cobrir.

E a resposta foi avassaladora: em menos de um dia, o objetivo foi ultrapassado. 310 mil libras por volta da meia-noite de ontem. E entre os generosos contribuintes - mais de 7500 - estão pessoas como Jenson Button, que deu 15 mil libras, por exemplo. Chip Ganassi deu mil libras, e uma garota de 11 anos deu duas libras, dizendo depois que "pedia desculpa por não poder dar mais".

Para além disso, o hospital onde está internado emitiu um boletim médico sobre a sua situação, onde fala que está em coma induzido, mas que a sua situação, apesar de ser grave, é estável. E a familia de Monger também emitiu um comunicado a agradecer toda a ajuda prestada até ao momento.

"A família de Billy gostaria de expressar sua gratidão pela atenção médica de primeira classe dada pelo Queen's Medical Center em Nottingham e aproveitar esta oportunidade para agradecer às equipas médicas, comissários de pista, equipas de resgate e pessoal da ambulância aérea pela sua rápida resposta e trabalho duro.

"Além disso, eles gostariam de agradecer aos colegas de Billy, amigos, fãs e todos que demonstraram seu afeto por ele nos últimos dias. Essas mensagens ajudam a dar a força necessária para o processo de recuperação que está ainda por vir.

"A comunidade da Formula 4 e o mundo do automobilismo mais amplo estão, sem dúvida, entristecidos por essa notícia, mas são convidados a respeitar o desejo da família de privacidade durante este momento difícil", conclui o comunicado.

Em jeito de conclusão, as minhas dúvidas foram respondidas, e o processo ficou mais claro agora. E ao longo deste dia, pode-se ver até que ponto esta comunidade automobilistica foi capaz de ajudar um dos seus quando passou por uma situação complicada como aconteceu agora ao Billy Monger. Vai ser longo e duro, mas espera-se que se inspire noutros exemplos para se superar e ser feliz no automobilismo ou noutra modalidade.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Moral e ética em situações complicadas

O acidente no passado domingo, do piloto britânico Billy Monger, durante uma prova de Formula 4 britânica, teve consequências graves. Sabia-se que o piloto de 17 anos tinha tido fraturas graves nas pernas, braço e pulso, mas hoje soube-se que acabou por ter de ser amputado abaixo do joelho. Monger, que era sexto no campeonato de Formula 4 britânico, estava a ganhar lugares quando embateu fortemente na traseira do carro do finlandês Patrik Pasma. Este foi transportado para o hospital em observação, mas acabou por ter alta no dia seguinte.

O problema disto tudo é que, à hora em que escrevo isto, o comunicado oficial é uma página de crowdfuning, assinado pela equipa e pela familia. Não há um comunicado do hospital onde está internado, não há um comunicado da organização da própria Formula 4 britânica e mesmo o comunicado da sua equipa, a JHR Developments, no Twitter, remete para o mesmo site, para doar o mais possivel. O valor é, à partida alcançável - 260 mil libras - e até agora, já conseguiram mais de 80 mil, cerca de 25 por cento do valor.

Honestamente, não quero colocar isto em questão, porque acho que é uma situação grave e o garoto merece todo o nosso apoio neste momento muito dificil. Só que não gosto de confiar numa só fonte, pois pode ser uma armadilha. Não é que seja cético, mas a situação é muito séria, pois falamos de um garoto de 17 anos que aparentemente, perdeu as pernas. Ao ver a velocidade das pessoas partilharem uma página, com uma explicação aparentemente oficial, sem mais perguntas, confunde-me. Confunde-me até que ponto as pessoas confiam de uma forma cega a algo que até pode ser usado para fins pérfidos. É esse o meu receio: que tudo pode ser treta.

Mesmo que isto tudo seja verdade - espero ardentemente que sim - isto levanta outras questões, mais éticas. Em noticias delicadas como esta, a minha experiência automobilística diz que "no news is bad news", ou seja, quando há um manto de silêncio vindo do hospital após um acidente muito grave é sinal de que as noticias são más. E quando o pior acontece, como já vi ao longo dos anos, os primeiros a avisar são as famílias. E só dali a uma ou duas horas, a noticia é dada ao mundo, pelo hospital.

Eu não acuso nada. Simplesmente quero algo bem feito, para depois podermos ajudar este pobre rapaz, que teve a sua vida mudada aos 17 anos de idade, um acidente horrivel do qual todos viram pela televisão, num acidente que faz lembrar muito Alex Zanardi, há mais de 15 anos, em Lausitz. Um pouco de paz de espírito é o que desejo, mais nada. Porque o meio onde trabalho já levou muitas pancadas, e mais uma seria péssimo. Para o bem de todos nós.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Youtube Motorsport Crash: O impressionante acidente na Formula 4 britânica

O dia automobilistico de ontem ficou marcado por esta imagem de uma das rondas da Formula 4 britãnica, em Donington Park. Aqui, O britânico Billy Monger sofreu o susto da sua vida quando bateu na traseira do carro de Patrik Pasma, da Carlin, que estava a abrandar na pista. O piloto britânico da JHR Developments, que estava em luta para subir posições, não teve qualquer chance de o evitar e embateu em cheio na traseira do carro dele, ficando ambos presos um ao outro.

O acidente arrepiou todos os que viram em direto, na câmara captada do carro de Monger. A prova acabou por ser interrompida e o piloto foi levado, ainda consciente, para o hospital. Ali, a informação vinda de lá indicava que Monger tinha lesões nas pernas, no braço e pulso direitos, embora ele nunca tenha corrido risco de vida.

Eis as imagens deste arrepiante acidente.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Formula E: Equipas planeiam largar Donington Park como local de testes

A Formula E prepara-se esta semana no circuito de Donington Park para a terceira temporada da competição de carros elétricos, que vai começar a 9 de outubro nas ruas de Hong Kong. Contudo, esta poderá ser a última temporada em que todos estarão juntos no mesmo local para os testes colectivos. Segundo conta a Autosport britânica esta semana, a partir da temporada 2017-18, as equipas irão procurar outros locais de testes, e para sediar as suas equipas.

De acordo com o site britânico, as equipas estão obrigadas a ficar em Donington até 2017, para contenção de custos e por ser perto do aeroporto de East Midlands, onde a DHL tem um dos seus centros logísticos. Contudo, a partir do proximo verão, as equipas estão livres dessa obrigação e podem procurar outros locais para testar os seus carros e construir as suas instalações, estando sujeitos a uma bateria de testes coletivos, da mesma maneira que está sujeita a Formula 1.

E daquilo que se sabe, a Abt, a E.Dams e a DS Virgin irão abandonar Donington Park, provavelmente para outros circuitos, como os de El Calafat, em Espanha, que são mais adequados à pouca distância dos circuitos citadinos. E para além disso, todos vêm o circuito inglês como "desadequado" aos circuitos citadinos e à distância que estes carros vão ter de fazer com uma só bateria.

Christopher Tate, o diretor do circuito, contou à Autosport britânica que esperava ver o circuito a continuar a ser um importante centro de operações da competição, e que algumas das equipas fiquem por ali. "Não há razões as equipas que fiquem aqui não possam testar por eles mesmos", disse. "Eles podem correr na 'heritage tranck' - mais curto que o circuito - pois a maioria das equipas têm feito os seus 'shakedowns' por lá."

As equipas continuarão os seus testes coletivos até ao final da semana.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

A imagem do dia

O pelotão da Formula E, esta manhã, em Donington Park, antes de mais uma sessão de testes, a fazer um minuto de silêncio em memória de Justin Wilson, morto esta madrugada aos 37 anos de idade. Wilson tinha feito em junho uma corrida pela Andretti Autosport em Moscovo, onde acabou na décima posição. De uma certa maneira, esta nova competição já perdeu um dos seus.

sábado, 15 de agosto de 2015

Youtube Motorsport Testing: Os testes de Donington Park

Para fechar o dia, eis o primeiro dos videos sobre os testes da Formula E em Donington Park, que aconteceram esta semana no circuito inglês, em preparação para a nova temporada dos carros elétricos.

Ali falam muitos dos pilotos que estarão na próxima temporada, como Sam Bird, Sebastien Buemi, Bruno Senna, Nelson Piquet Jr (o campeão) Nick Heidfeld, e a grande aquisição da nova temporada, o canadiano Jacques Villeneuve. E diretores como Alain Prost, um dos responsáveis da e-dams.