Mostrar mensagens com a etiqueta Melbourne. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Melbourne. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de março de 2026

Noticias: Honda anuncia que reduziu as vibrações


A Aston Martin teve um fim de semana de pesadelo. Eles sabiam perfeitamente dos problemas antes de chegarem, especialmente com os motores Honda, e com a limitação de peças no seu carro, especialmente as baterias para o seu sistema híbrido. A equipa levou quatro baterias para Melbourne, mas apenas duas estavam operacionais, o que significava que Fernando Alonso e Lance Stroll não tinham unidades de reserva caso surgisse um problema.. Para piorar as coisas, a vibração do motor Honda era tal que levantaram-se preocupações do foro médico a ambos os pilotos. 

Contudo, depois da corrida, onde Lance Stroll conseguiu completar 43 voltas da corrida e acabou, embora 15 voltas atrás do vencedor, enquanto Fernando Alonso abandonou após 21 voltas, a Honda afirma que deu um passo importante na resolução dos problemas de vibração na unidade motriz. Segundo a fabricante japonesa, as modificações feitas antes da corrida permitiram melhorar significativamente o comportamento do sistema em condições de corrida.

Shintaro Orihara, diretor-geral de operações em pista e engenheiro-chefe da Honda, explicou aos meios de comunicação social que a evolução foi evidente quando comparada com a situação registada nos testes e nas primeiras corridas da época:

Em Melbourne demos mais um passo na direção certa. Conseguimos verificar que as medidas aplicadas à unidade motriz funcionaram em condições de corrida, ao completar o Grande Prémio sem problemas de fiabilidade. Esta melhoria é significativa se compararmos onde estávamos no Bahrein com a situação atual.

Orihara acrescentou:

Os nossos dados mostram que as vibrações da bateria continuam a diminuir e estamos confiantes de que estamos no caminho certo para completar uma distância total de corrida. Neste aspeto, estamos na trajetória correta e precisamos de manter este ritmo.

O responsável destacou também a importância de acumular quilometragem em pista para melhorar o desenvolvimento da unidade motriz:

Cada volta que conseguimos completar é vital para a recolha de dados da unidade motriz, por isso o trabalho intenso e o esforço máximo vão continuar à medida que avançamos.

A próxima corrida acontecerá no próximo domingo, em Xangai, e terá uma Sprint Race no dia anterior. 

sábado, 7 de março de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 1, Melbourne (Qualificação)


Por fim, depois de um longo inverno, chegou o primeiro fim de semana da temporada de 2026. Uma temporada onde estrearão novos regulamentos, onde se sabe que a relação de forças foi alterada, resta saber quem sairá na frente, se os McLaren conseguirão voltar a lutar pelo título, se a Mercedes recuperará o ceptro perdido no inicio da década, se os Ferrari serão, por fim, um carro vencedor, e se Max Verstappen também estará entre os primeiros.

Mas neste fim de semana, a equipa nas bocas do mundo não é a Cadillac, que se estreia na Formula 1, mas sim a Aston Martin. E pelas piores razões. O projeto desenhado por Adrian Newey tem um sério "handicap", o do motor Honda, e há receios sérios de que não só seja o carro mais lento do pelotão, como já está destinado a não chegar ao final, porque o carro... vibra muito. 

E na conferência de imprensa antes dos treinos livres, Newey foi honesto em relação ao conjunto que tem entre mãos:

Estamos a ter problemas contínuos com a bateria e tivemos uma nova falha de comunicação entre a bateria e o sistema de gestão. Mas o problema muito mais fundamental são as vibrações com que continuamos a lutar. Tentámos uma solução diferente no carro do Lance hoje. Está a ser feita uma análise neste momento para perceber se ajudou ou não e, dependendo dessa análise, vamos definir o que faremos para os treinos livres″, afirmou.

E chegados a sábado, nova polémica: a FIA queria retirar o modo reta entre as curvas 8 e 9, só que as equipas não queriam. E fizeram tanto barulho que a FIA decidiu que iria retirá-la, apenas... "testar" no terceiro treino livre. E o que é isso? Basicamente, o modo reta existe para diminuir o arrasto e aumentar a velocidade dos carros. Sem isso, eles precisam mais da potência em si, mas os carros estão limitados em bateria. Ora, como as equipas andam com dificuldades com as suas baterias... e já viram que também estão a perder velocidade em reta? Ah pois. Bem-vindos a 2026!

Mas o tempo para Melbourne está ótimo - apenas o céu estava algo nublado - uma atmosfera de final de verão naquela parte do globo. Sem peças, Lance Stroll iria ver a corrida das boxes, e a Mercedes esperava ter o carro de Kimi Antonelli pronto a tempo de dar algumas voltas na pista.


E logo nos primeiros minutos, o primeiro momento decisivo: no final da reta, o Red Bull de Max Verstappen despista-se e acaba no muro de proteção. Ele estava a começar a dar a sua volta de classificação, e sem carro, significava que iria começar a corrida no final da grelha. E por incrivel que pareça, o tempo interrompido por causa desse acidente foi o suficiente para que Antonelli pudesse ir para a pista e dar as suas voltas. Quem é amigo, quem é?  

Quando recomeçou, os McLaren começaram a marcar os primeiros tempos, especialmente Oscar Piastri, na casa de 1.20, seguido por Lewis Hamilton... que usava médios. Quem também se metia entre os primeiros era, surpreendentemente, o Audi de Gabriel Bortoleto. Contudo, quando George Russell marcou o tempo de 1.19,507, mostrava que eles eram os favoritos a tudo. Hamilton reagiu, voltando ao topo, enquanto Antonelli conseguiu marcar um tempo que o colocou entre os cinco primeiros, mas pouco depois, Isack Hadjar fez um tempo que o colocou na frente dele. 

Mais interessantemente, Fernando Alonso tinha marcado um tempo... e era o suficiente para ir à Q2. Mas nos minutos finais, gente como Oliver Bearman, no seu Haas, e os Alpine marcaram um tempo melhor, para que pudessem continuar na qualificação. Quando o cronómetro chegou ao zero, os que ficaram para trás foram, para além de Stroll e Max, Fernando Alonso e os Cadillacs de Sério Pérez e Valtteri Bottas. O pior tempo era 3,7 segundos mais lento que o tempo mais rápido.


Poucos minutos depois, começou a Q2, com os carros a regressarem calmamente à pista. A Ferrari começou com pneus macios, um pouco indo em contramão com o resto da concorrência. Apesar de Charles Leclerc ter marcado um tempo que não era aquele que esperava - na casa de 1.20 - George Russell, quando marcou o seu primeiro tempo, foi logo para o topo da tabela de tempos. Aliás, até entrou na casa de 1.18, seguido por Kimi Antonelli e o Red Bull de Isack Hadjar. Leclerc tentava marcar um tempo melhor, para entrar na Q3, mas ele sofria com a entrega de potência do Ferrari - Hamilton até tinha abortado a sua primeira tentativa de marcar uma volta.

Mas não demorou muito até Leclerc marcar um tempo que o colocava na Q3, aliás, um tempo que ficava a menos de meio segundo de Russell, que tinha o melhor trempo. Tal como Hamilton, apesar de ter as mesmas queixas de Leclerc, em termos de entrega de potência. O tempo era quase um segundo mais lento que o piloto da Mercedes. Os pilotos da McLaren também não conseguiam melhorar as suas posições, mas estavam na Q3, que era o que lhes interessava.


Surpreendentemente - ou nem por isso - Gabriel Bortoleto conseguiu um tempo para ficar no Q3, mas... o piloto brasileiro ficou parado à entrada das via das boxes. Iria ver o resto da qualificação fora do carro, mas o décimo lugar estava garantido.

E assim chegamos à parte final desta qualificação. 

Com apenas nove carros prontos para a derradeira parte do dia, os monolugares perfilaram-se no final da via das boxes. No entanto, a sessão foi interrompida pouco depois: os mecânicos da Mercedes esqueceram-se de retirar os sopradores do carro e um deles acabou por ser atingido pelo McLaren de Lando Norris, provocando alguns danos ligeiros. Ora bolas!

A sessão recomeçou pouco depois, com Kimi Antonelli a abortar a sua volta depois de ter passado pela gravilha, e Russell marcou um tempo nada casa de 1.18, ficando no topo da tabela de tempos, seguido de Norris, Hadjar, Leclerc e Piastri. 

Na parte final, Antonelli tentou um tempo para ver se conseguia a sua primeira pole da sua carreira, mas Russell marca 1.18,518, 293 centésimos mais rápido que Antonelli. Já se sabia que seriam os Mercedes a ficar com os melhores tempos, e Russell, se calhar, acabou de se candidatar ao posto de campeão do mundo de 2026. 


No final do dia, Russell era um piloto muito feliz:

Foi um grande dia. Sabíamos que havia muito potencial no carro, mas até chegarmos a este primeiro sábado da temporada nunca se sabe ao certo, e esta tarde o carro realmente ganhou vida.

À medida que a temperatura da pista foi descendo, essas condições tendem a favorecer-nos. Também estou muito contente por ter o Kimi aqui, porque tem sido um trabalho muito duro por parte da equipa para entregar este carro. Eles também fizeram um trabalho incrível na garagem.

Não é um carro fácil de pilotar. Estou entusiasmado para a corrida de amanhã e acho que pode proporcionar uma corrida bastante emocionante. Esperemos conseguir fazer uma boa corrida.".

Agora é ver como será na madrugada deste domingo. Poderá ser o primeiro de muitas vitórias para a Mercedes, que aparenta regressar a 2014. Pelo menos, é o desejo deles. Mas com estes carros, creio que a maior vitória será chegar ao final da corrida.  

sexta-feira, 6 de março de 2026

A sinceridade de Adrian Newey sobre a Aston Martin


O início da temporada está a revelar-se particularmente complicado para a Aston Martin. O pior está a ser pensado por parte da equipa de Silverstone, por causa das fortes vibrações do qual os pilotos estão a ser afetados. E para piorar ainda as coisas, a falta de peças sobressalentes suficientes fazem com que se considere uma retirada voluntária dos seus pilotos, porque eles só podem aguentar por algumas voltas, sem que não tenham lesões nos dedos e nos pulsos. 

Durante a conferência de imprensa em Melbourne, antes do final de semana do GP da Austrália, o chefe de equipa Adrian Newey explicou em detalhe as dificuldades que a equipa enfrenta, sobretudo relacionadas com a unidade motriz fornecida pela Honda. Ele refere que as dificuldades devem-se em boa parte à inexperiência da sua equipa, apesar de ter fornecido até há relativamente pouco tempo um dos melhores motores da Formula 1. Porquê? Porque o programa foi desmantelado em 2021 e neste regresso poucos foram os homens e mulheres que regressaram para este novo projeto.

E eles notaram todos esses problemas... em novembro de 2025. Lembram-se de eles terem começado a desenvolver o carro quatro meses depois da concorrência? Pois. E é isso que falou na conferência de imprensa em Melbourne. 

É importante perceber um pouco da história. A Honda saiu no final de 2021 e regressou de certa forma no final de 2022. Nesse período fora da competição, grande parte do grupo original acabou por se dispersar e muitos foram trabalhar noutras áreas, como painéis solares ou outros projetos. Quando regressaram, descobrimos que muitos dos membros originais já não estavam lá.


Segundo o britânico, a equipa apenas percebeu a dimensão do problema no final do ano passado.

Só nos apercebemos realmente disso em novembro do ano passado, quando o Lawrence, o Andy Cowell e eu fomos a Tóquio para discutir rumores de que a potência que tinham como objetivo para a primeira corrida não seria atingida. Foi nessa reunião que percebemos que muitos dos elementos originais da equipa já não tinham regressado. Na prática, regressaram talvez com cerca de trinta por cento da equipa original e já numa era de teto orçamental para motores, enquanto os seus rivais tinham continuado a desenvolver com continuidade e sem essas limitações durante algum tempo”.

Estamos a ter problemas contínuos com a bateria e tivemos uma nova falha de comunicação entre a bateria e o sistema de gestão. Mas o problema muito mais fundamental são as vibrações com que continuamos a lutar. Tentámos uma solução diferente no carro do Lance hoje. Está a ser feita uma análise neste momento para perceber se ajudou ou não e, dependendo dessa análise, vamos definir o que faremos para o TL2″, continuou.


Para piorar as coisas, a situação tornou-se ainda mais preocupante devido à escassez de baterias disponíveis. Newey reconheceu também que as limitações impedem a equipa de compreender o comportamento real do carro, e frustrado com a situação, o engenheiro revelou também o impacto humano que a situação está a ter dentro da equipa.

Viemos para esta corrida com quatro baterias. Tivemos problemas de condicionamento ou de comunicação com duas delas e neste momento só temos duas operacionais, que são as que estão nos carros. Com a taxa de danos que estamos a ter, é um lugar bastante assustador para estar. Se perdermos uma dessas duas baterias, torna-se obviamente um grande problema, por isso temos de ser muito cuidadosos na forma como as utilizamos”, começou por afirmar.

Estamos a fazer muito poucas voltas e isso significa que também não estamos a descobrir muito sobre o carro. A informação que temos sobre o chassis é muito limitada porque rodámos muito pouco e praticamente não fizemos voltas com pouco combustível. O combustível funciona como um amortecedor para a bateria e a Honda limitou muito a quantidade de voltas que podemos fazer com pouco combustível. Acaba por se tornar um problema que se alimenta a si próprio”, continuou.

Sinto-me um pouco impotente porque temos claramente um problema muito significativo na unidade motriz. Ao mesmo tempo, estamos a gastar muita energia — no sentido humano e não no sentido de quilowatts — a trabalhar com a Honda para tentar encontrar a melhor solução possível. Podemos dizer que não é o nosso problema, mas na realidade é, porque o carro é sempre a combinação entre chassis e unidade motriz”.

"Há uma ação muito clara da Honda para tentar reduzir as vibrações que vêm da unidade motriz. Eles estão a trabalhar nisso, mas não vai ser uma solução rápida porque envolve projetos fundamentais de equilíbrio e amortecimento. Não posso dizer quanto tempo vai demorar, mas essa tem de ser a prioridade. Só depois disso poderão concentrar-se verdadeiramente na performance. “Este problema está a sugar energia em todas as áreas. Os nossos mecânicos estiveram a trabalhar até às quatro da manhã e obviamente estão completamente exaustos. A fábrica tem dado muito apoio e precisamos realmente de resolver isto o mais rapidamente possível”, concluiu.


A qualificação acontecerá na próxima madrugada. 

quarta-feira, 4 de março de 2026

As imagens do dia (II)








Há precisamente 25 anos, a Formula 1 começava em Melbourne, mas a corrida, ganha por Michael Schumacher, tinha ficado ensombrado pelo acidente na primeira volta da corrida, quando o seu irmão, Ralf Schumacher, é atingido de traseira pelo BAR de Jacques Villeneuve, fazendo com que o piloto canadiano batesse no muro, e enquanto o carro deslizava, atingia fatalmente o comissário de pista Graham Beveridge.

O acidente aconteceu na quinta volta da corrida, quando o alemão da Williams se defendia do canadiano da BAR de uma tentativa de ultrapassagem. Ambos estavam muito perto - Villeneuve estava no slipstream de Schumacher - quando este travou. sem ter tempo para reagir, ele saltou da traseira do alemão e embateu na parede dos muros de proteção, deslizando por mais algumas centenas de metros. Contudo, o carro passou por uma abertura, feita para que os socorros pudessem passar em caso de emergência, e os destroços do BAR atingiram onze pessoas. O pior deles foi Beveridge, então com 51 anos, que foi atingido no peito.

Os serviços de emergência fora acionados e apesar de ele ter sido socorrido rapidamente, foi declarado morto à chegada ao hospital. Quanto aos pilotos, apesar de, de inicio, ambos terem saído incólumes, mais tarde no dia, Jacques Villeneuve foi para o hospital queixando-se de hematomas, danos musculares, náuseas e dores no peito, devido à pressão exercida sobre ele pelos cintos de segurança do seu carro no acidente. Não admiram as queixas físicas: quando Villeneuve bateu na barreira, tinha sofrido um impacto de 30 G's.

O acidente tinha acontecido cerca de seis meses depois de outro acidente, no GP de Itália de 2000, ter reclamado a vida de outro comissário de pista, Paolo Gislimberti. A FIA decidiu investigar o sucedido, bem como a procuradoria local. E nisso, quer o BAR de Villeneuve, quer a parte da barreira de proteção afetada, ficaram nas mãos da policia do estado de Victoria, chefiados pelo comissário Graeme Johnstone.

A investigação da FIA foi concluída a 3 de agosto, e no seu relatório confidencial, os organizadores da corrida, a Australian Grand Prix Corporation (AGPC), foram absolvidos de qualquer responsabilidade pela morte de Beveridge, que classificaram como "um acidente fortuito", e descobriram que o fiscal de pista estava mal posicionado no momento da colisão.

Contudo, quando a 8 de Fevereiro de 2002, o relatório do estado de Victória foi divulgado, Johnstone concordou com a sugestão de Jim Kennan, o oficial de ligação ao responsável do instituto médico-legam de Melbourne, de que a AGPC (Australian Grand Prix Corporation) era a única empresa responsável pela morte de Beveridge por não ter analisado os riscos para os fiscais de pista e concluiu que o acidente era "evitável".

Independentemente dos eventos de há 25 anos, o inquérito resultou em mais segurança na pista, nomeadamente na altura das barreiras, que foram mais elevadas. Apesar disso, o automobilismo continua a ser perigoso, não só para os pilotos e espectadores, como também para os comissários que estão sempre mais expostos ao perigo, especialmente quando vêm um carro na sua direção. 

segunda-feira, 2 de março de 2026

Noticias: Organizadores "confiantes" na realização do GP da Austrália


A organização do GP da Austrália disse esta segunda-feira que estão confiantes que o caos que está a acontecer no Médio Oriente e no Golfo Pérsico não perturbará o tráfego aéreo para a Austrália, a cinco dias do primeiro GP do ano, em Melbourne. Segundo conta a BBC Sport, mais de mil membros de equipas tiveram de sair do Médio Oriente em voos que foram remarcados, depois dos originais terem sido cancelados com o encerramento dos diversos espaços aéreos, nomeadamente o dos Emirados Árabes Unidos (Dubai e Abu Dhabi), do Qatar, do Bahrein e do Kuwait. Para além disso, mais de 500 pessoas, membros dessas equipas, voaram para a Austrália em voos fretados para a ocasião.

"As últimas 48 horas exigiram algumas alterações nos voos", começou por afirmar Travis Auld, o diretor do GP da Austrália, em Melbourne.

"Isso é em grande parte da responsabilidade da Fórmula 1. Eles encarregam-se das equipas, dos pilotos e de todo o pessoal necessário para que este evento se realize. São muitas pessoas. Pelo que percebi, já está tudo acertado, todos estarão aqui prontos para a corrida e os fãs não notarão qualquer diferença.", concluiu.


Entretanto, a FIA e a Liberty estão também a monitorizar a situação relacionada com os GP's do Bahrein e da Arábia Saudita, que acontecerão a 12 e 19 de Abril, respectivamente quarta e quinta corrida do ano. Um porta-voz diz que estão a falar com as autoridades para saber até que ponto é seguro. 

"As nossas próximas três corridas serão na Austrália, China e Japão, e não no Médio Oriente - estas corridas só acontecerão daqui a algumas semanas", afirmou num porta-voz da F1.

Se a corrida saudita é em Jeddah, do outro lado do país - a cidade é banhada pelo Mar Vermelho - isso não é total garantia de segurança: eles foi alvo da queda de um míssil no fim de semana do GP em 2022, vindo do Iémen, por causa dos houthis, um grupo apoiado pelo regime de Teerão. Outro problema é Shakir, nos arredores de Manama, a capital do Bahrein. Dependente da abertura do espaço aéreo, apesar de estar bem servida em termos de estradas, os problemas logísticos poderão ser bem grandes, se o espaço aéreo se mantiver encerrado nessa altura. 

Rumores desta tarde afirmam que a Liberty tem duas pistas de prevenção para situações destas. Especula-se quais serão, mas falam-se de circuitos europeias, que vão entre Imola, Istambul, na Turquia, e Portimão, em Portugal.

segunda-feira, 17 de março de 2025

A imagem do dia


Isack Hadjar chorou depois do acidente. Foi um pouco embaraçoso”, Helmut Marko, ORF Austria, Melbourne, 16 de março de 2025.

"Quando vi o que aconteceu, o meu coração apertou-se. Não só por ele, mas também pelos pais, por tudo o que fizeram para trabalhar arduamente para chegar a este ponto, e é como se nos fosse arrancado. Senti-me péssimo por ele. Por isso pensei ’sabes que mais, tenho de ir dizer a este miúdo para manter a cabeça erguida, andar de cabeça erguida, vais voltar’. Acho que ele é um piloto fenomenal. Penso que Isack tem mais para dar do que provavelmente vimos este fim de semana.", Anthony Hamilton, Sky Sports, Melbourne, 16 de março de 2025. 

Trago aqui duas reações diferentes à mesma situação: na volta de aquecimento, o francês Isack Hadjar, da Racing Bulls, exagerou no acelerador e bateu com o carro na parede, danificando a asa traseira. Envergonhado, foi para as boxes, com a cara escondida dentro do seu capacete, porque estava a chorar. E tudo isso na sua corrida de estreia, caindo no erro habitual de um "rookie", que ansioso por não fazer asneira no dia que tanto sonhou desde a sua infância... acabou por fazer. 

Mas ao menos até tem desculpa: o seu compatriota Alain Prost fez a mesma coisa na volta de aquecimento do GP de San Marino de 1991, quando corria na Ferrari e tinha três títulos mundiais no bolso.

A atitude de Hamilton pai é isso mesmo: um pai que protege o filho dos erros que cometeu. Foi uma figura paternal. Sabendo do que sofreu para fazer do seu filho aquilo que é hoje, e aproveitando que queria assistir à estreia do seu filho pela Ferrari, viu o sucedido e fez um gesto humano. E se calhar, Hadjar, que não deveria ter ali os seus pais, deve ter visto ali algo que deverá ter valido a pena, naquele momento infernal que viu. Afinal, o pai de um piloto sete vezes campeão do mundo, de forma desinteressada? É de louvar.

Quanto ao velho Marko... não estou admirado. É um velho austríaco (tem 82 anos) que aposto que nunca foi mimado na infância. 

Quem o conhece há mais de 20 anos da sua carreira, sabe o que fez a todos aqueles pilotos que viram nele o seu caminho para o sonho. Conhecemos os seus nomes. Alguém até me lembrou dos traumas que o Jaime Alguersuari passou por causa do Marko: terapia mental porque, aparentemente, tinha pesadelos por causa dele. Não admira que tenha perdido a sua alegria no automobilismo e o tenha abandonado pouco tempo depois de ter saído da Red Bull. 

É por isso que quando vejo os pilotos que andam ali na Junior Team, penso sempre na estória de Fausto, de Goethe: pela glória, assinaram um pacto com o Demónio. As consequências são terríveis. Moídos mentalmente, são usados, cuspidos e deitados fora, como não se fossem ninguém. Do mar de "cadáveres" automobilísticos, só dois venceram: Sebastian Vettel e Max Verstappen. E agora, sem Adrian Newey, e a decadência que aí vêm, serão ainda mais pressionados, mais triturados, mais encurralados. E serão levados até ao limite, numa tortura psicológica do qual não haverá salvação.     

Confesso a minha admiração como Vettel continuou a ser humano, depois de todos aqueles anos na Red Bull. O Max, já sabem.    

Há uns dias, no meio do "shitshow" que está a tornar-se a América, ouvi uma frase vinda de Elon Musk, onde falou que a empatia se tornou num defeito. Mas que falar de desumanização, em tempos que desejam ser perigosos - o que é verdade - mostra outra coisa. Mais que educação ou carater, há gente que deverá ter, à vista de todos nós, uma espécie de psicopatia. Não somos autómatos, porque se fossemos, não nasceríamos, viveríamos ou morreríamos, como acontece a nós, humanos. 

Conclusão: agora estamos a consciencializar-nos que a empatia é um direito humano. Do qual está em perigo, e do qual temos de nos defender com unhas e dentes. Sem empatia, os psicopatas abrem as portas do inferno. E dar gestos de empatia, mais que humanidade, começa a ser um ato de resistência. 

Noticias: Alonso aponta pontos fracos no carro


Não foi uma corrida fantástica para Fernando Alonso. Apesar de uma primeira parte onde conseguiu aproveitar alguns dos deslizes dos outros, chegando aos pontos e por lá se mantendo, ma segunda vez que choveu, acabou por subir demasiado um corretor, o que o fez perder o controlo da traseira do carro e bater no muro, sendo forçado a abandonar a prova - e a entrar o Safety Car.

No final da corrida, o piloto espanhol fez um balanço do que aconteceu, mas afirmou que, apesar do carro ter pontos fracos, haverá mais chances de pontuar com o carro, como acabou por acontecer ao seu companheiro de equipa Lance Stroll, que acabou a prova na sexta posição.  

Foi uma corrida desafiadora com as condições de chuva e tive um pouco de azar no final. Estava a lutar entre os dez primeiros e senti que estava na luta com outros à minha volta. Conduzi na mesma linha na Curva 6, mas havia lá alguma gravilha que me fez perder o controlo. Há alguns pontos fracos no carro que temos de resolver, mas se fizermos um bom fim de semana, parece que podemos marcar pontos esta época. Vamos tentar de novo na próxima semana na China”, disse, no final da corrida.

domingo, 16 de março de 2025

A imagem do dia





O quarto lugar de Andrea Kimi Antonelli, de 18 anos, é um feito digno de registo, mesmo depois da penalização de cinco segundos por causa do "unsafe release" o ter perdido um lugar para Alex Albon, da Williams. Contudo, o recurso da Mercedes, onde mostrou, por uma outra câmara, que a largada foi legal, fez com que recuperassem essa posição. E foi um feito: afinal de contas, ele largou de 16º na grelha - ou seja, falhou a entrada na Q2 - e acabou num lugar tão alto na pontuação que merece ser referenciado.

Em termos históricos, é o segundo melhor de sempre em termos de pilotos da Mercedes. Apenas Karl Kling, no GP de França de 1954, quando foi segundo, fez melhor. E até foi melhor que Kimi Raikkonen, o ídolo do seu pai, que na sua estreia em 2001, largou de 13º e acabou em sexto, conseguindo um ponto - na altura, só pontuavam os seis primeiros.

Mas em termos de pilotos italianos, há outra referência. Retirando Giuseppe "Nino" Farina, que ganhou o GP da Grã-Bretanha de 1950, ou Giancarlo Baghetti, que ganhou o GP de França de 1961, mas o seu Ferrari fora inscrito por uma equipa privada, a corrida inicial da Formula 1, há um outro piloto italiano que teve o mesmo resultado que ele. E é a história de um promissor piloto, que correu pela Ferrari, tinha grande talento, mas infelizmente, o destino não o permitiu ir mais longe. Logo, para imensa gente, está esquecido.

Ao contrário de Antonelli, Ignazio Giunti tinha 28 anos quando conseguiu a sua estreia na Formula 1. Nascido em Roma, a 30 de agosto de 1941, e de origem nobre - seu pai era barão e a sua mãe condessa - começou a correr aos 20 anos, às escondidas da família. Começou a correr em Alfa Romeos e com o tempo, e o domínio do Autódromo de Vallelunga, nos arredores da Cidade Eterna, contra gente como Nanni Galli, Andrea de Adamich, Roberto Bussinello, Enrico Pinto, entre outros, foi apelidado de "O rei de Vallelunga".

A partir de 1967, tornou-se num dos pilotos oficiais da Alfa Romeo, especialmente na Endurance, e ao lado de Galli, conseguiu alguns excelentes resultados, como o segundo lugar na Targa Florio de 1969 e o quarto lugar nas 24 Horas de Le Mans. E foi o suficiente para que Enzo Ferrari prestasse atenção a ele. 

Em 1970, Ferrari decidiu contratar alguns jovens para o seu programa de Endurance. Giunti andou com o modelo 512, e ganhou as 12 Horas de Sebring, ao lado de Mário Andretti e Nino Vacarella. Mais alguns bons resultados na Endurance deram-lhe uma chance para participar na Formula 1, onde Ferrari queria alguém ao lado do belga Jacky Ickx. E havia outro piloto em mente, para além dele: Clay Regazzoni, que ao contrário de Giunti, era suíço - nascera em Lugano.

A primeira corrida de Giunti foi em Spa-Francochamps. Apenas 18 carros participaram, e no enorme circuito belga - foi a última corrida no traçado de 14,1 quilómetros - e o italiano conseguiu o oitavo melhor tempo, a quatro segundos do "poleman" Jackie Stewart. Giunti não andou entre os da frente, numa corrida marcada pelo duelo entre Stewart, Chris Amon, Jacky Ickx e Pedro Rodriguez, o vencedor do Grande Prémio. Conseguiu acabar ainda na mesma volta do vencedor, o que é de louvar. 

Contudo, na corrida seguinte, nos Países Baixos, Regazzoni estreou-se e a sua temporada foi espantosa, ao ponto de na sexta corrida da sua carreira, em Monza, ganhou a sua primeira corrida na Formula 1. Quanto a Giunti, ainda correu em algumas provas, no terceiro carro da Scuderia. No final, participou em quatro corridas, e aqueles três pontos foram os únicos da temporada, mas a Scuderia o manteve para 1971, quer para a Formula 1, quer para a Endurance.

O mais interessante é que ele tinha o capacete mais incomum da altura. Com muitos a limitarem-se a capacetes brancos, algumas linhas e o seu nome, Giunti tinha decidido pintar uma águia azteca sob um fundo verde, causando algum impacto. 

Infelizmente, tudo teve um final abrupto a 10 de janeiro de 1971, em Buenos Aires. Giunti participava na corrida dos 1000 Km, a bordo de um Ferrari 312PB, quando colidiu com o Matra de Jean-Pierre Beltoise, que, sem gasolina, tentava empurrar o seu carro para as boxes. A certa altura decidiu atrawessar a pista, e estava num angulo morto, que evitou que ele o visse. O choque oi brutal, o carro pegou fogo, e apesar das tentativas do seu companheiro de equipa, Arturo Merzario, de o salvar, tinha ficado com queimaduras por todo o corpo e acabou por morrer algumas horas depois, no hospital. Tinha 29 anos.

Giunti está enterrado no jazigo de família, no Cimiterio dal Verano, em Roma, e em Buenos Aires e Vallelunga, há bustos em sua memória.      

Noticias: Antonelli regressou ao quarto posto


Andrea Kimi Antonelli teve uma excelente estreia na Mercedes, numa corrida complicada por causa da chuva. Contudo, nas voltas finais, tinha sido penalizado pela organização e do quarto final, sofreu uma penalização de cinco segundos, que o empurrou para o quinto lugar, trocando com Alex Albon. Aparentemente, a razão tinha sido um "unsafe release" nas boxes quando passava o Sauber de Nico Hulkenberg.

Contudo, a Mercedes pediu recurso depois de ter encontrado outro ângulo de câmara das boxes, que mostrou que esse momento não estava além dos limites da legalidade, resultando na erradicação da penalização.

Com esta correção,  Antonelli, que arrancou de décimo sexto, conseguiu o melhor resultado de um estreante desde 2014, quando o dinamarquês Kevin Magnussen, então ao serviço da McLaren, conseguiu um pódio na sua primeira corrida de Fórmula 1, na ronda de abertura da temporada desse ano. E em termos de pilotos italianos, igualou o resultado de Ignazio Giunti no GP da Bélgica de 1970, correndo pela Ferrari. 

Formula 1 2025 - Ronda 1, Austrália (Corrida)


E hoje, depois de quatro meses... podemos afirmar que é dia de corrida. Para muitos de nós, que adoramos esta competição, até é um alivio, no ano em que Lewis Hamilton começou a correr pela Ferrari e poderemos ter uma competividade que nunca imaginaríamos que poderia acontecer... pelo menos desde 2012, ou algo assim. Se assim for, excelente.

Contudo, hoje, domingo, dia de corria, havia outra preocupação. Está a chover. Bastante, ao ponto de, por exemplo, a corrida de Formula 2 ter sido cancelada porque há havia condições. E a organização não pode perder tempo por causa do espetáculo principal, e eles não sabem se podem largar à hora marcada. Claro, os patos pouco ou nada querem saber, tem a sua vida, mas se chove, estão felizes. 

Mas à media que a hora se aproximava, parecia que o pior da chuva tinha passado. Mas o pessoal se queixava das rajadas de vento. 

Independentemente do tempo, a primeira novidade era que Oliver Bearman iria largar das boxes com o seu Haas, por causa dos problemas que teve no fim de semana, que lhe deu o último tempo na qualificação. Outro que também decidiu sair das boxes era Liam Lawson, um bocado mais acima da grelha... mas não muito.

Na partida, com todos a calçar intermédios, Isack Hadjar fez o típico erro de estreante, carregando demais no acelerador e quebrando a asa traseira do seu Racing Bulls. Acabou por se tornar na primeira retirada da corrida e a partida... abortada. Os pilotos começaram a queixar que as condições não eram muito boas, quer em termos de piso, quer em termos das rajadas de vento que poderão prejudicar as suas conduções.  


Quando finalmente aconteceu, um quarto de hora depois, Norris manteve o primeiro posto, com Max a passar para segundo, passando Oscar Piastri, mas atrás, Jack Doohan perdeu o controle do seu carro na curva 6 e bateu na parede, para desilusão dos locais. Outro que bateu ainda antes do final da primeira volta era Carlos Sainz Jr, e com isto, três carros de fora antes da segunda volta! Claro, Safety Car na pista. 

A corrida recomeçou na sétima volta, com Max em cima de Norris, mas ninguém passou ninguém, cautelosos com as condições. Com o passar das voltas, a pista começava a secar, e na volta 11, Norris começou a arrefecer os seus intermédios, porque eles se começavam a queixar-se. Na volta 12, o DRS foi ativado e iria ser uma questão de tempo até os pilotos irem às boxes trocar de pneus. Contudo, avisos de que a chuva iria regressar - mais ligeiramente que antes - atrasaram essa entrada. No meio disto tudo, os três primeiros corriam juntos, sem passarem.

Na volta 17, Max travou demasiado fundo e perdeu o segundo lugar para Piastri, a partir dali, foi atrás de Norris para a liderança da corrida. Algumas voltas depois, a chuva parou e a pista começou a secar ainda mais, com os McLarens a dar um espaço de 10 segundos para Max e 17 para Russell. Chegados à metade da corrida, Piastri era o piloto mais rápido e aproximava-se da traseira do carro de Norris, ao mesmo tempo que o piloto da Red Bull, em terceiro, já tinha 16 segundos de atraso.

E um detalhe: sem trocas de pneus. E sem chuva, que secaria a pista. 


Contudo, na volta 34, Alonso bateu forte no muro, suficiente para a segunda entrada do Safety Car. Suficiente para o pelotão ir para as boxes ir trocar de pneus. Os McLarens com duros, Max saía com médios. Entretanto, o pelotão seguia direitinho enquanto esperavam pelo reboque para tirar o Aston Martin do "Matusalém das Astúrias". E mais avisos: por alturas da volta 45, haveria mais chuva!

A corrida recomeçou na volta 42, precisamente na altura em que... recomeçou a chover! Norris manteve a liderança, na frente de Piastri e Max, que tentou se aproximar, mas sem sucesso. Mas na volta 45, na parte final... os McLaren despistaram-se por causa na chuva! Norris foi logo para as boxes, para intermédios, Piastri também, mas demorou muito tempo, e perdia mais de um minuto. As trocas nas boxes aconteceram logo, com Max na frente, mas ficou apenas uma volta... e tudo está baralhado!


Contudo, com a continuação da chuva, os intermédios tinham de ser os ideais, e apesar dos Ferrari terem ficado na frente, Liam Lawson e Gabriel Bortoleto nos muros, suficiente para a terceira entrada do Safety Car. E neste momento, apenas 14 carros circularam na pista. 

A corrida recomeçou na volta 51 para uma espécie de corrida sprint de seis voltas, até à meta. Não houve alterações nos pilotos da frente, mas Norris começou a afastar-se de Max, para tentar manter o primeiro lugar até à bandeira de xadrez. Contudo, na penúltima volta, Max aproximou-se de Norris e tentou a vitória. Ele pressionou forte, mas este ano, Norris tem mais calo e conseguiu ganhar. Russell foi terceiro, na frente de Antonelli, mas ele tinha feito um erro e fora penalizado em cinco segundos, suficiente para perder o quarto posto para o Williams de Alex Albon, que conseguia o seu melhor posto desde... 2021! Stroll foi sexto, na frente de Hulkenberg, e todos na frente... dos Ferraris!

Piastri pagou o preço do erro à chuva, mas mesmo assim, o nono lugar é um fraco consolo, entre o oitavo posto de Leclerc e o décimo de Hamilton. O primeiro pela Ferrari. Primeiro de quantos? 

Pensando bem, até foi uma excelente corrida, esta à chuva de Melbourne. Semana que vem, estamos em Xangai.    

sábado, 15 de março de 2025

As dúvidas da corrida


As previsões de chuva para o dia de corrida em Melbourne são grandes - mais de 80 por cento - e é a sua quantidade que está a causar preocupação entre a organização. Há a chance de alterar a hora de partida, porque a hora marcada, 15 horas, haverá chuva contínua, e a FIA, o organismo dirigente, está preparado para potenciais alterações para garantir que a corrida se realiza. 

Hipóteses de antecipar a corrida estão em cima da mesa, para evitar o pior, e durante o briefing dos pilotos, foram discutidos os protocolos do safety car, como por exemplo, preocupações sobre a velocidade do carro em condições de chuva.

Há também a chance de dar mais uma hora, porque por essa altura, a chuva poderá parar e o asfalto poderá secar progressivamente. Mas isso tem de ser visto com a hora do por do sol, e também depende se entrará ou não o Safety Car. O limite será as 18:30 locais, por causa da luminosidade. 

Formula 1 2025 - Ronda 1, Austrália (Qualificação)


E a partir de agora, é a sério. Naquele que poderá ser uma das temporadas mais equilibradas de 2025, Melbourne acaba por dar as boas-vindas à nova temporada. Vinte carros e pilotos, seis dos quais novatos (ou com a sua primeira temporada completa pela frente) estão perante a temporada mais longa dos nossos dias: 24 idas aos quatro cantos do mundo, e hoje começamos com um lugar tradicional... porque nos países que importam, e sustentam este circo, a religião manda mais que o automobilismo.

Mas não importa. Todos esperaram mais de três meses para que isto voltasse, como se fosse aquele ritual que todos passam, mas não importam. E se for na Austrália, melhor. E melhor ainda: este é o 75º aniversário da competição, do qual a Liberty Media quer colaborar com estrondo. 

Antes da qualificação, o tempo quente do final do verão austral é uma bênção para todos, mas o ato de todos andarem perto uns dos outros deixa incerteza nas cabeças de muitos. Surpresas iriam acontecer, até que ponto, não se sabia. 

Mas antes disso, Helmut Marko, uma das cabeças da Red Bull, tinha uma certeza e afirmava a quem ouvisse: "se chover, Max resolverá tudo". É que havia ameaça de chuva para a hora da corrida. 

Quando começou, o primeiro a sair para a pista foi o Haas de Oliver Bearman que... não foi longe. Um problema na caixa de velocidades o deixou a pé no caminho para as boxes. Sem tempo a marcar, iria ser o último da grelha. Os primeiros a marcar um tempo foi Esteban Ocon, e depois George Russell, no seu Mercedes - e com médios - ambos no segundo 17, enquanto Jack Doohan, Nico Hülkenberg e Fernando Alonso iniciavam a sessão no segundo 16. Tudo bem, até agora.


Depois, os da frente marcaram os seus tempos de referência. Primeiro, Charles Leclerc, no seu Ferrari, depois Lando Norris, batendo à porta do segundo 15, tirando quase meio segundo ao registo do monegasco da Ferrari. Oscar Piastri conseguiu o segundo melhor tempo, 154 centésimos pior que Norris. Depois, esse tempo foi batido por Max Verstappen, que não desalojou Norris. 

Na parte final, alguns erros determinaram o resultado final. E os primeiros a serem eliminados determinaram algumas surpresas: Liam Lawson, prejudicado por uma ligeira saída de pista, Andrea Kimi Antonelli, Esteban Ocon e Nico Hulkenberg, para além de Bearman, que não teve uma chance para marcar tempo. 

Poucos minutos depois, passamos para a Q2. E começou com Max na pista, disposto a marcar um tempo para resolver esta parte. Conseguiu o melhor tempo, com Russell em segundo, seguido por Piastri, que conseguiu um tempo dois décimos melhor que o neerlandês da Red Bull. Lando Norris conseguiu um tempo 88 centésimos pior que o seu companheiro de equipa.

Quem tentava marcar um tempo era Fernando Alonso, mas uma ligeira saída de pista prejudicou-o. E com isto, estava nos lugares de eliminação, a par de gente como o Racing Bulls de Isack Hadjar, o outro Aston Martin de Lance Stroll, o Sauber do estreante Gabriel Bortoleto e o Alpine de Jack Doohan.

Depois de um tempo de pausa, nas boxes, para trocar de pneumáticos, a fase final colocou todos sob pressão, ao ponto de alguns cometerem erros. Como Bortoleto, que saiu de pista, e especialmente Lewis Hamilton, que fez um pião quando tentava marcar uma volta, e prejudicou muita gente. Por incrível que pareça... foi para a Q3. Quem não foi? Hadjar, Alonso, Stroll, Doohan e Bortoleto. Em contraste, Pierre Gasly, Yuki Tsunoda e os Williams iriam para a fase final.


E a última parte começou desta maneira:

Os McLaren pareciam ser os ligeiros favoritos, mas tinham de mostrar para o pelotão, por causa de Max, apesar do seu carro, Russell e os Ferrari. Começou com Piastri a fazer um tempo, mas uma ligeira saída de pista prejudicou-o. Leclerc foi para a tabela de tempos, mas logo depois, George Russell melhorou o tempo. Max melhorou ainda mais, 24 centésimos melhor que o britânico da Mercedes, quando a Q3 estava a meio. 

Na parte final, as coisas ficaram mais dinâmicas. Primeiro, Piastri bate Max, para a seguir, Norris bateu-os a todos com 1.15,096, mais 84 centésimos que Piastri, com Max em terceiro. Algumas surpresas mais abaixo, com Yuki Tsunoda em quinto, na frente dos Ferrari, apenas sétimo e oitavo, com Leclerc na frente de Hamilton. Outra grande surpresa foi o sexto tempo de Alex Albon, no seu Williams, na frente de Carlos Sainz Jr, apenas décimo.  


No final, uma qualificação interessante e uma primeira fila a lembrar tempos passados. Contudo, com todos a prever que a hora da corrida será diferente do que tivemos na qualificação, é um pouco como o jogo de cartas: baralhar e voltar a dar. E ali, se calhar, Helmut Marko poderá ter razão. 

É só esperar mais 24 horas.

sexta-feira, 14 de março de 2025

Formula 3: Domingues teve uma qualificação complicada


Ivan Domingues não teve uma estria fácil na qualificação para as corridas da Formula 3 em Melbourne, na Austrália. Apesar das suas cautelas para evitar acidentes, acabou por sair prejudicado pelo trânsito, e depois por incidentes dos outros, que acabaram por encurtar a sessão.

Com um tempo de 1.38,117, foi um registo conservador, apenas para marcar, o plano dele era de regressar a pista nos momentos finais, para marcar um tempo melhor, arriscando ainda mais para o obter. 

Contudo, quando quis marcar esse tempo nos minutos finais, acabou por não conseguir devido aos diversos incidentes em pista, consequente bandeira vermelha e final prematuro da sessão, acabando com o 27º tempo, em 30 pilotos, a 3,2 segundos da pole-position obtido pelo brasileiro Rafael Câmara.

No final da qualificação, o piloto leiriense disse de sua justiça:

"Foi um pouco a estreia possível, cautelosa, em plena adaptação a uma pista nova e a procurar rodar com muito cuidado neste caos que é a qualificação da Fórmula 3. A bandeira vermelha deixou-nos sem possibilidade de procurar um pouco mais o limite, com o segundo jogo de pneus. Cada volta é uma aprendizagem e vamos para a corrida com este espírito de procurar acumular o máximo de experiência", afirmou.

A primeira corrida da Formula 3 será esta madrugada. 

GP Austrália (III): McLaren está confiante


A McLaren teve um primeiro dia positivo em Melbourne. Lando Norris conseguiu o melhor tempo no primeiro treino livre, na frente do Williams de Carlos Sainz Jr, e dos Ferrari, antes de no segundo treino, ambos os pilotos terem sido superados por Charles Leclerc. Contudo, o segundo e terceiro tempos por parte de ambos mostra que o MCL39 está equilibrado e poderão ainda esconder algumas coisas, principalmente no ritmo de corrida, que muitos acham que possam ser os melhores nesse campo.

No final do dia, ambos os pilotos - Lando Norris e Oscar Piastri - disseram de sua justiça, e a tranquilidade estava no rosto de ambos.  

Boas sensações, no geral. Estamos com um pouco de dificuldades a encontrar o equilíbrio certo, pelo que temos de fazer algumas alterações para o melhorar, mas foi um bom começo de fim de semana para nós, enquanto equipa. Uma boa base, mas com algumas melhorias a fazer.”, declarou Norris.

Foi um primeiro dia produtivo para nós e bastante encorajador. Ainda temos algumas coisas para trabalhar, mas o ritmo estava lá. Experimentámos algumas coisas diferentes e obtivemos boas informações. O carro está diferente em relação ano passado, mas isso é normal. Estou entusiasmado para ver o que podemos fazer amanhã – foi um primeiro dia bastante positivo.”, afirmou Piastri, no final dos treinos.

Já do lado da direção, Andrea Stella diz que as coisas estão calmas e está convencido que o pelotão de 2025 está mais perto uns dos outros, pelo menos nas equipas da frente, mas está confiante no comportamento do chassis e de como os seus pilotos se irão comportar no resto do fim de semana.   

Hoje foi uma sessão relativamente calma, sem grandes problemas. Isto permitiu-nos executar o nosso plano e verificar o comportamento do MCL39 aqui na Austrália – que é um circuito muito diferente do Bahrain, onde realizámos os testes de inverno. Penso que vimos que o carro se comporta como esperado, o que é uma boa notícia. Com base no que vimos hoje, temos algum trabalho a fazer em termos de otimização, mas, no geral, foi positivo.", começou por afirmar.

Penso que estas duas primeiras sessões confirmaram que o pelotão está, se possível, ainda mais apertado do que no passado, pelo que, de um ponto de vista competitivo, estamos ansiosos por mais uma interessante época de Fórmula 1.”, concluiu.

Amanhã é dia de qualificação, no meio da noite de sexta para sábado. 

GP Austrália (II): Verstappen insatisfeito, Marko torce pela chuva


A Red Bull não andou muito bem nas sessões de treinos desta sexta-feira, em comparação com McLaren, Ferrari e Mercedes. Max Verstappen andou o tempo todo a arranjar ritmo para acompanhar os outros e estar bem com ele mesmo, com Liam Lawson a andar bem mais longe que o neerlandês, com tempos que o colocam em dúvida se passará amanhã para a Q2.

Isso poderá preocupar os engenheiros da equipa, mas eles estão crentes que que amanhã, a Red Bull irá dar um salto significativo para estar ao nível das principais adversárias.

Hoje não tivemos aderência e tivemos dificuldades com os quatro pneus, especialmente no primeiro sector e no último sector. Parece que não estamos no nível que desejamos, mas vamos trabalhar para encontrar mais ritmo.", começou por afirmar o neerlandês, atual campeão do mundo, no final das sessões de treinos. 

"Não há grandes problemas de equilíbrio, pelo que penso que isto torna as coisas um pouco mais difíceis de resolver. Mas não é nada que não estivéssemos à espera quando chegámos aqui. Positivamente, acho que ficámos surpreendidos com o ritmo que o carro mostrou. Historicamente, não temos sido tão bons aqui em Melbourne desde a nova atualização do asfalto, por isso vamos ver como nos saímos no fim de semana. No entanto, vamos continuar a trabalhar para encontrar um pouco mais de ritmo antes da qualificação.”, concluiu.

Helmut Marko reconhece que todos andam à procura das melhores afinações, para terem melhor aderência, está a apostar no tempo para domingo, onde existe a possibilidade de 80 por cento das condições serem chuvosas. Se tal acontecer, acredita que Max consegue tirar um coelho da cartola.  

"A primeira sessão de treinos foi melhor”, disse Marko à Sky Deutschland. “As alterações que fizemos não foram promissoras, por isso o resultado máximo é a segunda linha. Oscilou entre subviragem e sobreviragem e isso, claro, também afeta os pneus durante os stints longos. Um pódio é o máximo em circunstâncias normais, porque parece que a McLaren é a equipa mais forte. Atrás deles, a Ferrari, a Mercedes e nós estamos muito próximos.

Parece que a McLaren é a equipa mais forte e, depois, vai ser renhido entre a Ferrari, a Mercedes e nós”, acrescentou Marko. “Ouvi dizer que é suposto chover [no domingo]. E depois, claro, o fator Max estará de volta.”, concluiu.

GP Austrália: Pilotos da Ferrari cautelosos, mas crentes na pole-position


Com o primeiro dia de ação na pista de Melbourne concluída na sexta-feira, a Ferrari tem motivos para otimismo, especialmente com os tempos no segundo treino livre, com Charles Leclerc a conseguir 1.16,439 e a ficar com o topo da tabela de tempos, com Lewis Hamilton a ser quinto na tabela.

Com o monegasco a terminar o dia com o melhor registo e a entrar no lote de principais favoritos para a pole na jornada inaugural do Campeonato do mundo de F1 2025, que acontecerá na próxima madrugada, as expectativas podem estar altas para os "tiffosi", mas se Hamilton está motivado e tentará a sua sorte, já Leclerc está um pouco mais comedido, reconhecendo que a concorrência está muito próxima uma da outra, e ainda está a aprender a lidar com o carro e a tirar o seu melhor dele.

Para mim, acho que é um pouco cedo, pois continuo a aprender o carro, mas nunca se deve dizer nunca. Vou dar tudo o que tenho amanhã. Não estou a colocar demasiada pressão. Vou tentar divertir-me. Tenho algum ritmo a encontrar. Sei onde o posso encontrar. O que importa é ir para a pista, fazer o que é preciso e construir a partir daí.”, começou por afirmar Hamilton, esperançoso com o novo carro.

O TL1 foi um pouco confuso. O TL2 estava definitivamente a começar a parecer um pouco melhor. Além disso, ainda me estou a habituar a todas as mudanças de afinação. Não os tenho à disposição como costumava ter com a Mercedes. Onde eu estava há tanto tempo, eu sabia exatamente todas as mudanças de afinação, então ainda estou a trabalhar para entender quais ferramentas podemos usar, e é interessante que podemos ver com Charles, ele simplesmente sabe porque está aqui há muito tempo”, concluiu.


Do lado de Leclerc, o monegasco tentou segurar um pouco as expetativas, e com alguma razão, pois a concorrência está muito próxima, mas também deu a entender que o sentimento predominante é de otimismo:

Quero ser cauteloso; vamos esperar para ver”, começou por afirmar. “Mas é certo dizer que, depois de um dia como este, estamos ansiosos para amanhã e queremos chegar à pole position. Por enquanto, é muito cedo para dizer. Acho que ainda não vimos o ritmo real de todos e acho que algumas equipas podem esconder o seu jogo um pouco mais do que outras. Mas, de certeza, a McLaren está lá em cima. Penso que a Red Bull pode estar com dificuldades por agora, mas nunca se sabe com eles, e especialmente com o Max, nunca se pode excluí-los. De certeza que vão estar na luta. A Mercedes também parece forte, por isso vai ser uma boa luta, tenho a certeza.”, concluiu.

quinta-feira, 13 de março de 2025

Formula 3: Domingues pronto para a nova temporada


Doze anos depois do último português, António Félix da Costa, ter participado num campeonato de Formula 3, Ivan Domingues entra em pista na madrugada desta sexta-feira, para uma sessão de treinos livres e outra de qualificação da Formula 3. Enfrentará depois uma "sprint race" e uma "feature race", no sábado e domingo, respetivamente, para que o jovem de 18 anos, nascido em Leiria, tenha o melhor começo possível num campeonato inteiramente competitivo como este.

Desde domingo na cidade australiana, para adaptar-se ao fuso horário da melhor forma, o piloto da Van Amersfoort Racing aborda a estreia precisamente numa perspetiva de aprendizagem.

"É um enorme orgulho aqui chegar e poder representar Portugal, entre os melhores do mundo, nesta categoria de acesso à Fórmula 1. Quero agradecer ao meu país, aos meus patrocinadores, à minha cidade, Leiria, à minha família e a todos os que têm contribuído para o meu percurso. A gratidão é enorme e está sempre presente.", começa por afirmar. 

"Mas agora é tempo de baixar as emoções e enfrentar com muito realismo a enorme competitividade que já testemunhámos nos testes oficiais de Barcelona. Vamos para a pista com muita humildade, com um sentimento de trabalho e de aprendizagem, procurando retirar o máximo de cada volta em pista. Sei que sou rookie, sei que esta é uma temporada de aprendizagem e de crescimento e darei o máximo para continuar a evoluir", concluiu.

Pequeno detalhe: o seu novo capacete, que evoca as cores portuguesas, foi desenhado no estúdio de Sid Mosca, de São Paulo, que desenhou imensos capacetes ao longo da história, entre eles, Emerson Fittipaldi e Ayrton Senna

segunda-feira, 10 de março de 2025

Meteo: Condições irão variar em Melbourne


A semana de inauguração da temporada 2025 da Formula 1, em Melbourne, poderá ser variada. Segundo se prevê nos boletins meteorológicos, estará sol e calor para sexta e sábado, mas o domingo poderá ser chuvoso. 

O tempo previsto para sexta-feira é de céu pouco nublado e temperaturas de 25 graus, com vento fraco e possibilidades de chuva avaliadas em 5 por cento, enquanto no sábado, as condições se agravarão, com calor - 33ºC para esse dia - tempo coberto, vento a rondar os 11 km/hora e s chances de chuva andam pelos 10 por cento. 

Já no domingo, a temperatura baixará para os 24ºC, com chuva fraca, e 50 por cento de chances à hora da corrida.  

Veremos se isto se confirma para o final de semana, pois ainda faltam três dias para isso. 

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Formula 1: Vasseur afirma que Red Bull pode ceder


Fred Vasseur, o patrão da Ferrari, acha que a Red Bull pode errar sob pressão. O sucesso dos carros da Scuderia no GP da Austrália, onde conseguiram uma dobradinha, aproveitando a desistência de Max Verstappen - que desistiu devido a um problema de travões - pode dar esperança a Maranello na luta por ambos os títulos do campeonato.

É uma grande parte dos resultados deste negócio e penso que estamos a ganhar confiança, o que já aconteceu na última parte da época do ano passado. Na Austrália já se verificou que, quando estamos a fazer tudo em conjunto – e não creio que o consigamos fazer todas as semanas – podemos colocá-los [Red Bull] sob pressão e, quando estão sob pressão, podem cometer erros, por isso temos de continuar nesta direção.", começou por afirmar.

Estamos muito mais confiantes de que podemos gerir este tipo de desenvolvimentos porque na Volta 1, no Dia 1, estávamos lá, estávamos a funcionar. Foi tudo muito tranquilo e estamos confiantes de que estamos a desenvolver o melhor carro para [toda a temporada].”

Questionado sobre o motivo pelo qual a diferença de desempenho entre a Red Bull e a Ferrari mudou tanto nas ruas de Melbourne, em comparação com as duas primeiras provas no Bahrein e na Arábia Saudita, Vasseur preferiu focar no desempenho dos carros "da casa".

Não estou focado no desempenho da Red Bull, estou focado no desempenho do nosso carro. Demos um passo em frente. Talvez na base de uma volta seja verdade, não estávamos em lado nenhum no ano passado quando se compara o ritmo de uma volta, e demos um passo enorme.", começou por responder.

Penso que é mais a consistência entre os dois compostos [de pneus] [na corrida], entre um stint e outro, o carro parece muito mais fácil de pilotar, de seguir os pilotos e, já agora, muito mais fácil de desenvolver, e é o maior passo que demos em comparação com o ano passado”, concluiu.

A Formula 1 corre neste fim de semana em Suzuka, palco do GP do Japão.

domingo, 24 de março de 2024

Formula 1 2024 - Ronda 3, Melbourne (Corrida)


Depois de duas semanas seguidas nas Arábias, uma longa passagem pela Ásia-Pacifico, com a Austrália a ser a primeira de três paragens, que incluirão a China  o Japão, que encherão o mês de abril.  Aqui entre nós, acho engraçado que agora, para as três corridas seguintes, estas aconteçam de madrugada. Primeiro aqui, em Melbourne, depois em Suzuka, palco do GP japonês (e por fim, mudaram a corrida para a primavera, para fugirem dos tufões!) e depois, na China, que cinco anos depois, esta de volta ao calendário. 

O boletim meteorológico estava bom, e claro, tínhamos os milhares de espectadores que afluíram ao Albert Park, que, mais do que querer saber quem venceria - à partida, existe essa certeza de quem sairá dali vencedor - mas sobretudo, para apoiar os locais, como Oscar Piastri e Daniel Ricciardo. 

Parecia que seria uma corrida normal para os padrões de 2024, mas no final... as coisas saíram de forma bem diferente.


Mas comecemos pela partida. Esta começou com Max a ir-se embora de Sainz Jr, Norris, Leclerc e do resto do pelotão. Pérez não conseguiu aguentar a investida inicial de Russell e perdeu o sexto lugar para o piloto da Mercedes. A maior parte dos pilotos começavam com médios, exceto Hamilton, que ia com moles.

Contudo, o sinal das coisas a mudarem aconteceu logo na segunda volta, quando Carlos Sainz Jr se aproximou velozmente de Max Verstappen... e o passou! Quem diria! Parecia existir uma razão para ter despertado a meio da noite! 


Na quarta volta, fumo começou a sair da traseira do Red Bull de Verstappen e as pessoas começavam a pensar no impossível: que o carro era vulnerável. Desacelerou até às boxes e todos ficaram espantados: ele ia desistir! E claro, tudo baralhava e voltava a dar. Não muito tempo depois, as primeiras paragens, para trocar de pneus, com quase toda a gente a mudar para duros, ver se conseguiam ir mais longe possível. Com isso, os Ferrari estavam na frente, e entre eles estava o Aston Martin de Fernando Alonso, tentado aproveitar alguma coisa. 

E na volta 17, a segunda desistência do dia. E não era qualquer um: era o Mercedes de Lewis Hamilton! O motor tinha falhado e o carro encostava-se à berma, causando um Safety Car Virtual. Com isso, Alonso foi às boxes, tentando aproveitar a ocasião, e os Ferrari iam para a frente, seguido pelos McLaren, com Piastri na frente de Norris. Pérez era... sétimo, mas a pressionar George Russell para focar com o seu lugar, que conseguiu. O mexicano lá recuperou terreno. Passou Alonso na 27ª volta, pouco antes da metade da corrida.

A partir desta altura, os pilotos trocavam novamente de pneus, com Leclerc a ir às boxes na volta 35, esperando que os McLaren fizessem a mesma coisa. À saída, apanhou Alonso e Pérez, que estavam a lutar por posição, e apesar das pressões de ambos, aguentou. Mais tarde, quando os McLaren foram às boxes, recuperou o segundo lugar, a caminho de uma dobradinha que já mereciam há muito. 

O final foi... estranho. Começou com um acidente. George Russell acidentou-se e causou a amostragem das bandeiras amarelas no momento em que Sainz Jr cruzava a meta e todos comemoravam nas boxes. Os comissários acharam depois que Fernando Alonso, que ia na sua frente e defendia a posição dos ataques do piloto britânico, lhe fez "breaking test", com ele a ficar sem ar e sem capacidade de virar adequadamente, acabando por ir para a parede e depois, no meio da pista. No final, os comissários penalizaram o piloto em 20 segundos, acabando por cair de sexto para oitavo.


Mas claro, no meio disto tudo, os Ferrari comemoravam a dobradinha e mostravam ao mundo que existia vida e competição para além da Red Bull. Agora, mais duas semanas até Suzuka, e o resto do pelotão irá querer que haja mais problemas nos carros de Milton Keynes, para haver mais diversão no Mundial. E claro, todos sigam a formula de sucesso do filho de Carlos Sainz: tirarem os apêndices!