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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

A imagem do dia





Muitos afirmam que Damon Hill, que faz hoje 65 anos, e filho de Graham Hill, não merecia sequer estar na Formula 1, e que tudo o que alcançou foi porque estava no lugar certo, a nacionalidade certa, na hora certa. O problema é quem, não sendo sensacional, não era um zero à esquerda em termos de competição. Ele apenas chegou à Formula 1 aos 31 anos, para fazer algumas corridas na Brabham, no seu estertor final, em 1992, antes de terem dado a chance de correr na Williams em 1993, ao lado de Alain Prost, e depois do francês ter vetado a contratação de Ayrton Senna. 

Mas creio que isso é injusto, porque apesar do carro que tinha, a sua temporada de estreia na Williams foi das melhores de um piloto de Formula 1, igualado, talvez, por Jacques Villeneuve e apenas superado por Lewis Hamilton, em 2007, que - recorde-se - também tinha uma máquina vencedora. E quem assistiu a essa temporada, lembra-se como ele mostrou que era mais que uma peça de decoração, especialmente a meio do ano.

Muitos afirmam - com alguma razão - que o quarto título mundial de Alain Prost foi "burocrático". Quem conhece a história da Formula 1, comparo-o com o segundo título de Niki Lauda, na Ferrari, em 1977,  em que conseguiu o título mais rapidamente possível para na primeira oportunidade, assinar pela Brabham e ir embora. Com Ayrton Senna a lutar contra um bom carro, mas com um motor-cliente, da Ford, e um Michael Schumacher ainda a dar os seus primeiros passos, Hill mostrou que não era só um ator secundário, filho de Graham e que tinha chegado muito tarde à Formula 1 para mostrar alguma coisa. 

E a melhor maneira de mostrar algo foi depois do GP do Canadá, onde acabou em terceiro. Em Magny-Cours, conseguiu interferir-se entre os primeiros e alcançou a sua primeira pole-position da sua carreira, para depois acabar no segundo lugar, o seu quinto pódio até então. 

Em Silverstone, no fim de semana do GP da Grã-Bretanha, Hill disputou verdadeiramente pela primeira posição até ao último instante com Prost e acabou por perder no último momento para o francês, com um tempo 128 centésimos mais rápido que o dele. Na partida, ele conseguiu ser mais hábil que Prost e ficou com o comando, beneficiando também da excelente arrancada de Senna, que ficou com o segundo lugar, e distanciar-se do resto do pelotão. Hill parecia ir a caminho de uma vitória quando o seu motor explodiu na volta 41, ficando todos no circuito desiludidos. Afinal de contas, o pai nunca ganhou o GP britânico... 

Em Hockenheim, pal co do GP da Alemanha, Hill foi mais uma vez batido por Prost, mas mais uma vez, largou melhor e ficou com o comando até à volta sete, quando foi passado por Prost. Mas acabou por beneficiar de uma penalização de dez segundos que Prost teve de cumprir porque passara direito por uma chicane, para evitar bater no Ligier de Martin Brundle. A partir dali, Hill ficou na frente, enquanto o francês tentava recuperar o tempo perdido, mesmo com um Senna que dificultou a sua vida antes de ele conseguir passar. 

A duas voltas do final, Hill tinha oito segundos de vantagem para Prost, e tudo indicava que ele iria, por fim, ser o primeiro filho de piloto campeão a ganhar uma corrida, mas sem ele saber, um dos pneus, o traseiro esquerdo, começou a delaminar e furar. Ele tentou levar o carro até as boxes, para trocar o pneu danificado, mas na entrada, o carro despistou-se e ficou parado, para enorme frustração de todos que o queriam ver vencer. 

Em contraste, viram Alain Prost a conseguir aquilo que iria ser a sua 51ª vitória na Formula 1, onde na corrida anterior, tinham visto ele a ser o primeiro piloto a passar dos 50 triunfos na sua carreira - em 2025, Prost é o quinto piloto mais vencedor. 

Contudo, depois destas frustrações, Hill acabaria por conseguir o seu primeiro triunfo na Hungria, com Prost a ter problemas com a sua asa traseira, acabando na 12ª posição. Um triunfo bem celebrado por muitos e, o primeiro de três vitórias nessa temporada, acabando na terceira posição. Nada mau para um estreante, mas como alguém costuma afirmar: só fez a sua obrigação. 

Mesmo assim, feliz aniversário, Damon! E que faça muitos mais.

quinta-feira, 17 de julho de 2025

A imagem do dia (II)




O GP da Grã-Bretanha de 1995 foi das corridas mais imprevisíveis de uma temporada onde o duelo entre Damon Hill e Michael Schumacher raiou o radical, quando ambos se tocaram e foram para fora da pista, obrigando a abandonarem. 

E como sabem: "patrão fora, dia santo na loja". E o maior beneficiário desta colisão foi um britânico, Johnny Herbert, que comemorou a sua primeira vitória, algo que procurava há muito, mas parecia lá não chegar. Contudo, quando colocou os pés no lugar mais alto do pódio, era o culminar de um caminho das pedras que tinha começado sete anos antes, noutro circuito britânico: Brands Hatch. Que, de uma esperança na Formula 1, passou para um acidente que o deixou no fundo do buraco, com tudo em dúvida, para exílios no Japão, que lhe deram a sua mais inesperada vitória no automobilismo. E depois, no regresso, os potenciais becos sem saída deram depois em portas bem abertas para a fama que merecia. Ainda por cima, na sua corrida caseira.

Nascido a 25 de junho de 1964, em Brentwood, no Essex inglês, Herbert chegou à Formula Ford em 1985, para participar na Formula Ford Festival, em Brands Hatch. As suas qualidades levaram ao topo, triunfando à primeira, mostrando todo o seu talento. No ano aseguinte, passou para a Formula 3 britânica, para triunfar no campeonato em 1987, ao serviço da Eddie Jordan Racing, com cinco vitórias.  

Em 1988, ele e Jordan deram o salto para a Formula 3000, onde ganhou na primeira corrida do ano, em Jerez, para além de um pódio em Monza. E quando chegaram à Ronda de Brands Hatch, com um novo companheiro, Martin Donnelly, Herbert tinha a pole. No dia da corrida, o britânico aguentava-se na liderança contra uma concorrência que queria o seu lugar a qualquer custo. Quando o suíço Gregor Foitek tentou passá-lo, na zona de Pilgrim's Drop, ele tocou no carro de Herbert e atirou-o para a parede de cimento. Uma carambola seguiu, eliminando seis carros, e Herbert era o piloto mais maltratado. Os seus tornozelos estavam seriamente maltratados, e transportado para o hospital, o trisco de amputação era sério.

Longos meses de fisioterapia, para além de mais operações para corrigir as fraturas, o colocaram na cama do hospital. Mas no final do ano, algo inesperado aconteceu: ele iria guiar um carro de Formula 1. E para um lugar na Benetton! Apesar das feridas apresentarem sequelas permanentes - não poderia correr mais e o seu estilo de condução teve de ser modificado - Herbert preparou-se bem. E na primeira corrida do ano, no Rio de Janeiro, ele acabou na quarta posição, conseguindo três pontos na sua estreia. O que era um feito!

Contudo, ainda sofria com as lesões. Ele descobriu que carregar o pé no pedal de travão lhe causava imensas dores, e isso afetava nos tempos que tirava, mas isso não impediu de conseguir mais dois pontos, resultantes de um quinto lugar em Phoenix, na romda americana. Mas mesmo com esse palmarés, saiu da Benetton depois do GP do Canadá. Ainda correu em duas provas pela Tyrrell, em substituição de Jean Alesi, que tinha sido o seu sucessor na Eddie Jordan Racing, na Formula 3000. 

A partir dali, foi uma mistura de reabilitação e corridas no Japão. A Lotus chamou-o para substituir Martin Donnelly nas corridas finais da temporada de 1990, e no ano seguinte, regressou à equipa depois do GP do Mónaco, em substituição de Julian Bailey. Mas quase a seguir, foi correr nas 24 Horas de Le Mans ao lado do norte-irlandês Eddie Irvine e o alemão Wolker Weidler, num Mazda 787, com poucas chances de vitória. Mas... surpreendentemente, acabaram por ganhar! Nada mau para um carro de motor rotativo. Contudo, foi sol de pouca dura: dividindo o seu lugar na Lotus com o alemão Michael Bartels, acabou por não pontuar.

A partir de 1992, Herbert tinha o lugar garantido na Lotus. Graças também à amizade com Peter Collins, que o conhecia desde os tempos da Formula 3000, e o acolhera na Benetton, ele ficou na equipa ao lado de gente como Mika Hakkinen e Alex Zanardi. Ajudou a colocar a equipa no meio do pelotão, e voltou a pontuar, ao ponto de em meados de 1993, ter ajudado na recuperação da Lotus até ao meio do pelotão. Os seus 11 pontos tinham siudo os melhores na carreira.

Contudo, em 1994, as coisas acabaram em desastre, com o motor Mugen V10 e os problemas de tesouraria com a equipa. Sem pontuar, depois do GP de Portugal, com a Lotus em insolvência, o seu contrato foi comprado por Tom Walkinshaw, e depois de uma passagem pela Ligier em Jerez, acabou a temporada como piloto da Benetton, não marcando qualquer ponto.

Mas a ideia era ficar a longo prazo, e para 1995, manteve-se como piloto, ao lado de Michael Schumacher. E logo de inicio, o seu primeiro pódio, quando foi segundo em Barcelona, numa dobradinha com Schumacher... depois do seu rival, Damon Hill, ter ficado sem caixa de velocidades. O primeiro momento de sorte da temporada. Sexto no campeonato, com 12 pontos, conseguiu o quinto melhor tempo numa Silverstone que, tanto ficava a seco, como a chuva fazia a sua aparição. Mantendo a mesma posição no inicio da corrida, com Hill, Alesi, Schumacher e Coulthard na sua frente, Herbert manteve o ritmo e o lugar até Coulthard ir às boxes para a sua primeira paragem para reabastecimento, na volta 21, indo para terceiro, pois parou depois de Alesi e Coulthard.

Depois disso, beneficiou das desistências de Hakkinen e Berger, porque assim não iria ser pressionado por eles na sua estratégia de boxes. Estando na terceira posição, assistia na primeira fila no duelo entre Hill e Schumacher, onde o britânico tinha conseguido alargar a sua vantagem na primeira parte da corrida, para depois, o alemão se aproximar do Williams do britânico, mesmo que tenha ficado temporariamente na liderança, pois o britânico tinha parado para reabastecer.

O momento da corrida aconteceu na volta 44, com a segunda paragem para abastecimento. Hill foi às boxes e regressou na traseira de Schumacher, e partiu para o ataque, determinado a ficar novamente com a liderança. Duas voltas depois, ambos os carros chegam à curva Stowe, e Hill tentou a sua sorte, mas teve de abortar por causa do Sauber de Bouillon, que perdia uma volta. Tentou novamente mais à frente, na Priori, uma curva feita à esquerda, antes da reta da meta. Contudo, ambos não cederam e tocaram-se, causando furor nas bancadas. Ambos os carros voaram para fora, e desistiram no impacto. 

Claro, com isto tudo a acontecer, a liderança caiu ao colo de Herbert. Que estava a lutar pela liderança com o Williams de David Coulthard. Contudo, o escocês tinha uma penalização de 10 segundos, e ele tinha de cumprir, apesar de o ter passado na volta 49. Cumpridos os 10 segundos, Herbert não foi mais incomodado até à meta, conseguindo a sua primeira corrida na Formula 1. E logo "em casa"!

Na conferência de imprensa, Herbert afirmou:

"Assim que assumi a liderança, a multidão começou a agitar Union Jacks por todo o circuito, mas eu apenas me foquei no trabalho. Fiquei a pensar no carro e em tudo o que poderia correr mal nas últimas dez voltas. Mas tudo continuou. Devia ter apostado em mim, uma vez que me ofereciam uma aposta de 25 para 1 para a vitória, mas não o fiz. Devia ter tido mais confiança em mim mesmo. Mas agora acho que esta vitória deve ser um bom impulso para a minha carreira e vou sentir-me muito mais confiante a partir de agora."

Sim, foi uma vitória caída do céu. Sim, os líderes desistiram e o seu rival teve de cumprir uma penalização. Mas independentemente do resultado, tenho a certeza que deve ter lembrado dos eventos de Brands Hatch no momento que subiu ao lugar mais alto do pódio e receber o troféus de vencedor naquele dia. E os seus mecânicos também celebraram bem forte. Afinal, ele era bem popular no pelotão da Formula 1.

E foi assim, numa tarde nublada, há 30 anos, em Silverstone: a história de redenção de um piloto que tinha potencial para ganhar, mas um acidente quase acabou a sua carreira.  

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

A imagem do dia



Creio que aquele final da temporada de 1994... foi aquela que mereciam. Com acidentes, mortes, desclassificações, a única coisa que muitos acham injusto foi ver Michael Schumacher ser campeão, num carro que era ilegal. Mas se não fosse isso, todos diriam que o piloto alemão foi o melhor do pelotão naquele ano, e Damon Hill foi aquele que se esforçou em chegar até lá, mais ou menos como acontecera como o pai, 26 anos antes, quando carregou a Lotus nos seus ombros após a morte do seu melhor piloto. Se Graham Hill tentava honrar Jim Clark quando ganhou o campeonato de 1968, Damon queria honrar Ayrton Senna naquele ano. 

Contudo, não conseguiu. E se tivesse esperado mais um pouco, provavelmente poderia ter conseguido. Mas ele não tinha - nem tem - o dom da adivinhação. É que Michael Schumacher tinha tocado no muro uns metros antes e se calhar, tinha danos no seu carro que não permitiriam continuar por mais uma ou duas voltas. Agora... foi de propósito?

Que ele tentou defender-se, tentou, isso é um facto.

Muitos sentiram injustiça pelo que aconteceu, e a reputação de Schumacher como sendo alguém que defenderia o resultado, custe o que custar, apareceu por aqui - e mais forte seria em 1997, em Jerez, mas ali, o tiro saiu pela culatra por muitas vezes, - mas depois de tudo o que aconteceu naquela temporada de 1994, o que todos queriam era que acabasse. Não daquela maneira, mas quando afirmo que "foi aquela que merecia", tem mais a ver daquilo ter sido o espelho de toda uma temporada, com acidentes, mortes, trapaças e outras coisas, uma forte mudança de mentalidades em relação à segurança. Ao contrário de antes, os espectadores não toleram a morte de um piloto na televisão, num domingo à tarde. Se querem ficar com uma ideia de quantos assistiram ao GP de San Marino, a 1 de maio, a estimativa é de entre 220 e 270 milhões de pessoas, um pouco por todo o mundo.

Mas isso são águas passadas. O final do GP de Austrália, e dos eventos em Adelaide, naquele dia de há 30 anos, ainda hoje é considerado dos finais mais controversos da história do automobilismo. E paradoxalmente, não consigo ver outro tipo de final para uma temporada como aquela.     

sexta-feira, 29 de março de 2024

Youtube Formula 1 Vídeo: O regresso de Damon Hill a Adelaide

 Por estes dias, Damon Hill foi à Austrália para assistir ao Grande Prémio, em Melbourne, mas dias antes, deu um pulo a Adelaide porque oi visitar um lugar onde há 30 anos... não foi feliz. E claro, este vídeo é bem interessante de se seguir. 

Afinal de contas, apesar da data ser apenas em novembro, vale a pena falar sobe isso. 

sábado, 20 de janeiro de 2024

A(s) image(ns) do dia





Faz agora 30 anos. E foi num tempo onde o centro do mundo da Formula 1, o refúgio de inverno, era no Autódromo do Estoril. 

Existiam expectativas muito altas. Afinal de contas, a Williams tinha tudo. Era o centro do automobilismo, o lugar onde todos queriam correr, se queriam ser campeões. Nigel Mansell tinha ganho ali, Alain Prost também. E agora, todos imaginavam que Ayrton Senna seguiria os seus passos e ficaria com o quarto título mundial. Ainda por cima, ele, o piloto que mais se opôs ao domínio desses mesmos Williams "de outra galáxia", com motores, chassis e eletrónica "de outra galáxia".

E ainda por cima, existia uma coisa extra: fora naquela equipa que, 10 anos e meio antes, Senna tinha tido a sua primeira experiência num carro de Formula 1. 

E quem assistiu a aquilo, naquele dia limpo e frio de janeiro, pensava que era uma questão de tempo até lá chegarem. Iria ser uma temporada de "mais do mesmo". Exceto para os brasileiros, que julgavam que iria ser uma temporada de triunfo após triunfo, rumo a um quarto título do qual só queriam saber quando é que seria comemorada. Ainda por cima, julgavam que seria uma comemoração dupla, porque era ano de Mundial de futebol, nos Estados Unidos, e pensavam que também ficaram com o tetra.

Muitas, muitas esperanças.  

Só que tínhamos deixado passar algumas coisas, provavelmente na nossa arrogância, aquelas certezas tão sólidas quanto o dia seguinte. Pensávamos que os regulamentos que tinham sido mudados no final do ano anterior "não se aplicavam a eles". Tinham acabado o controlo de tração, a suspensão ativa, e até queriam tirar as caixas semiautomáticas, mas isso ficou nos carros para 1994. E como era um "back to basics", as equipas tinham de se adaptar. E a Williams, mesmo que ali não tenha sido apesentado o FW16, sabia que tinha muito trabalho pela frente. 

Mas todos confiavam na força humana. Afinal de contas, tinha, Ayrton Senna, e atrás, o engenheiro Patrick Head e o projetista Adrian Newey. Se tinham feito portentos tecnologicamente perfeitos, pode ser que, mesmo com menos tecnologia, não perderiam a potência, porque o Renault de 10 cilindros... não tocaram nele. Que poderá haver que seja mais poderoso e eficiente? Não existia. Nem o Ferrari de 12 cilindros.        

Quantas esperanças, quantas certezas, quanta arrogância juvenil dos fãs do qual o tempo encarregou de destruir da pior maneira possível, existiam naquele dia? Não se sabia, nenhum de nós sabia, mas naquele dia, a contagem decrescente tinha começado. Ele próprio disse, mais tarde, no teste do FW16, em Paul Ricard, que "tinham feito asneira na sua vez." E todos só sabiam de metade dos acontecimentos.

domingo, 12 de dezembro de 2021

Formula One Video: Como é estar numa batalha pelo título?

A poucas horas do dia em que tudo será decidido, o pessoal da Formula 1 foi perguntar a gente que esteve metido em batalhas semelhantes qual era a sensação de estar na situação em que está agora Lewis Hamilton e Max Verstappen. E neste video vemos gente como Alain Prost, Damon Hill, Felipe Massa e Jacques Villeneuve contam as suas experiências.


quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Noticias: Damon Hill não gostaria que título se resolvesse em acidente


Damon Hill, o campeão do mundo de 1996, teme que as coisas em 2021 acabem mal. Com Lewis Hamilton e Max Verstappen em duelo acirrado pelo título mundial, e com os dois envolvidos em acidentes em Silverstone e Monza - curiosamente, lugares onde em 1995, ele e Michael Schumacher bateram no seu duelo pelo título - o filho de Graham Hill não gostaria nada que as coisas acabassem com nova colisão em Jeddah ou Abu Dhabi. ainda por cima, com as equipas Mercedes e Red Bull em ebulição.

"Acho que seria triste para a Formula 1 [se o título é decidido em um acidente]", disse Hill, em declarações para a Autosport britânica. “Eu apenas sinto que temos a obrigação de ser desportivos, eu acho.", continuou.

“Seria ótimo se houvesse uma maneira de resolver, não amigavelmente, mas certamente para a satisfação de... quero sair com a sensação de que este tem sido um grande campeonato, disputado de perto por dois adversários de valor, vencido pelo melhor piloto da melhor equipa. Você não quer esse tipo de coisa [um acidente polémico] pairando sobre o campeonato no final."

Hill fala disso também por causa do que lhe aconteceu no GP da Austrália de 1994, contra Michael Schumacher, a afirma que a FIA tem de colocar limites antes da prova final, em Abu Dhabi, onde ambos os pilotos poderão lá chegar empatados na tabela de pilotos. 

"Vamos supor que Max está na liderança e se trata de uma coisa roda a roda, eu diria que para um piloto resistir à tentação de ser um defensor agressivo é extremamente alta e é muito difícil resistir a isso", explicou, referindo o que se passou no Brasil, com a defesa musculada de Vestappen a Hamilton, na primeira tentativa de ultrapassagem do britânico ao piloto da Red Bull.

“Acho que a questão é como o desporto pode tomar medidas para evitar um final infeliz para isso, sabe? Já tivemos uma quantidade suficiente desse tipo de campeonatos decididos de forma controversa. E eu acho que por todo o bom trabalho que a Formula 1 faz fica um pouco desfeito quando temos uma resolução insatisfatória. Talvez algum tipo de indicação clara antes de entrarmos nisso, de que eles podem decidir impor uma penalidade de pontos se tivermos um confronto que seja considerado injusto. E essa pode ser a única maneira de evitar que algo assim aconteça.", concluiu.

A Formula 1 prossegue neste final de semana em Jeddah, na Arábia Saudita, uma semana antes da corrida final, em Abu Dhabi.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

A imagem do dia


Hoje faz 25 anos que Damon Hill conseguiu ser o primeiro filho de campeão a ser campeão do mundo de Formula 1. um título fortemente celebrado por tudo e por todos - Murray Walker disse que tinha de parar de narrar porque tinha "um soluço na garganta" no momento em que ele passou na meta em Suzuka - e tinha razão: era um titulo emocional de alguém que, menos de seis anos antes, pareciam que o viam a roçar a Formula 1 sem poder entrar.

Filho de Graham Hill, a sua vida ficou de cabeça para baixo a 29 de novembro de 1975 quando, aos 15 anos de idade, vê na BBC os destroços do avião do seu pai, despenhado no campo de golfe de Elstree, nos arredores de Londres. E com o seu pai ia a sua equipa de Formula 1, incluindo o seu piloto, Tony Brise. Com as aflições da família - tiveram de pagar do bolso as indeminizações aos passageiros que iam com ele - Damon foi à luta. É certo que o nome ajudou algumas coisas, mas no mundo competitivo da Formula 3000 no final da década de 80, inicio da de 90, não deslumbrou. E mesmo quando aterrou na Williams, como piloto de testes, em 1991, poucos acreditavam que ele desse o salto. E quando por fim guiou o Brabham BT60B, no estertor da mítica equipa, em 1992, muitos pensavam que iria ficar por ali.

Pois todos se enganaram. E naqueles quatro anos, mesmo na melhor equipa do mundo desse tempo, nunca teve vida fácil. É verdade que bastou dez corridas para vencer a sua primeira prova, na Hungria, mas correr ao lado de Alain Prost, Ayrton Senna, Nigel Mansell ou até de Jacques Villeneuve, ele sempre conseguiu não se ir abaixo e resistir a tudo e todos. 

E o mais fantástico foi quando, de repente, em maio de 1994, a equipa viu-se orfã e sem rumo, com a morte de Ayrton Senna, em Imola. Ele tinha visto esse filme antes, quando o seu pai se viu na mesma situação, em abril de 1968, quando em Hockenheim, recolheu os destroços do carro de Jim Clark e levou o seu cadáver para o enterrar na sua Escócia natal. Com Colin Chapman ainda em choque, ele orientou a equipa para o título mundial que o conquistou, com um carro que sabia ser capaz disso e para um título que sabia que pertencia a Clark. E foi em esse espirito de 1968 que levou a equipa até Adelaide, só que não conseguiu porque Michael Schumacher não deixou.

Apesar de ser batido pelo alemão, sem apelo, nem agravo, quando em 1996, este foi para a Ferrari para tentar partir do zero a o transformar no campeão que merecia ser, Hill sabia que era a sua grande chance. E queria aproveitar o facto do canadiano Jacques Villeneuve ter acabado de chegar da América que estava aos seus pés, depois de ter ganho as 500 Milhas de Indianápolis e o campeonato CART. 

Não foi uma temporada fácil, apesar de ter ganho as três primeiras corridas da temporada, e quatro das cinco primeiras corridas. Jacques Villeneuve dava-lhe réplica, e por vezes, Michael Schumacher também mostrava-se, especialmente em Barcelona, quando deu cabo da concorrência à chuva no seu Ferrari. No final, venceu oito corridas em 1996, mas o canadiano não desistiu de atacar o título. Apenas quando se despistou em Suzuka é que todos ficaram com certezas: ele iria ser campeão. 

No final de tudo, em Suzuka, quando a equipa o abraçou, deve ter passado em tudo: o pai, a família, a vida e os obstáculos que esta lhe lançou. E como ele foi bem sucedido em todas elas. Os três anos seguintes, até à sua retirada, no final de 1999, não lhe deram justiça, mas o seu objetivo pessoal foi alcançado.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

A imagem do dia


Damon Hill
faz hoje 60 anos. O filho de Graham Hill lutou muito para chegar à Formula 1, e ao contrário do que acontece agora, chegou muito tarde à categoria máxima do automobilismo, aos 31 anos. Chegou ainda mais tarde que o seu pai, que começou a correr em 1958, pela equipa oficial da Lotus. Mas depois de meia temporada na Brabham, em 1992, ele foi logo para a Williams, a melhor equipa do pelotão, e logo no primeiro ano completo, acabou com três vitórias e o terceiro lugar no Mundial de pilotos.

Correu com Alain Prost, Ayrton Senna, Nigel Mansell, Jacques Villeneuve, mas também com David Coulthard, Ralf Schumacher e Heinz-Harald Frentzen. A cena da sua ida para a Arrows ainda está na história como sendo uma das decisões mais estranhas e inexplicáveis da história da Formula 1.

Contudo, poucos sabem que o final da sua carreira poderia ter acontecido a meio de 1999. Hill, aos 38 anos, já estava farto da Formula 1, e apesar de ter vencido o GP da Bélgica, no ano anterior, tinha sido porque todos os outros desistiram, e também porque a certa altura, a boxe da Jordan disse a Ralf Schumacher para abrandar o seu ritmo e o obrigou a ir atrás dele porque tinham decidido que aquela dobradinha seria para Damon e não para o irmão de Michael Schumacher. Mas no inicio de 1999, ele não queria mais correr. E pretendia ir embora após o GP da Grã-Bretanha, de forma simbólica.

Jordan chegou a contratar um piloto para ficar com o seu lugar, o holandês Jos Verstappen, e Hill tinha apenas conseguido três pontos em Imola, e não estava contente, quando em contraste, Heinz-Harald Frentzen era bem mais regular, com pódios e uma vitória em Magny-Cours. Os rumores voavam na altura, especialmente depois de um acidente no GP do Canadá, onde disse que poderia considerar a ideia de ir embora. Na realidade, queria ir embora de imediato, mas Eddie Jordan pediu para que ficasse, pelo menos até Silverstone, o que acedeu.

Lá, Hill mostrou um pouco da garra que tinha ido embora. Fora sexto na grelha e acabou a corrida na quinta posição, um lugar atrás de Frentzen. E com o público a apoiá-lo, achou que era mais do que suficiente para poder continuar, acabando por conseguir mais dois pontos naquela temporada, com dois sextos na Hungria e Bélgica. Aos 39 anos de idade, pendurava o capacete, depois de 22 vitórias, 42 pódios, 20 pole-positions e 19 voltas mais rápidas.

Assim sendo, feliz aniversário e que fala muitos mais!

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

A imagem do dia

Por muito que se diga que Michael Schumacher foi um dos melhores pilotos da história do automobilismo, ninguém esquece deste dia. E por muito que se justifique este acto por parte dos defensores do piloto alemão, e diga que outros tinham feito antes, os factos são estes e nada escapa disso: Schumacher impediu - de propósito ou não - Damon Hill de prosseguir no GP da Austrália de 1994, e ao fazer isso, tornou-se campeão do mundo. E sorriu quando soube desse facto. E hoje passam-se 25 anos sobre uma das manobras mais polémicas da história da Formula 1, que aconteceu no circuito urbano de Adelaide.

Hoje em dia ainda se sente essas consequências. Quando se fala do alemão, pode-se falar dos seus feitos, mas também se fala de Adelaide 1994 e Jerez 1997, quando se sente a hostilidade de Sebastian Vettel por parte dos fãs, em contraste com a devoção desses mesmos a Lewis Hamilton, parece a repetição de eventos agora com um quarto de século, sem mortes e guerras. Claro, esses fãs, que exasperam tudo nas redes sociais, esquecem-se que Hamilton e Vettel não tem nada a ver com essa luta. Respeitam-se na pista e dão se bem fora dela. Mas neste mundo em que vivemos, estas coisas não se esquecem e há quem faça com que as gerações seguintes peguem o preço, porque para eles, é um crime imprescritível, para toda a eternidade.

Que Schumacher tinha tudo para vencer o campeonato, tinha. Apesar das dúvidas sobre a sua máquina, das tragédias de Imola e da paranóia securitária das semanas seguintes, das desclassificações em Silverstone e das suspensões na ronda ibérica, tudo para levar Damon Hill ao colo e evitar que o título fosse decidido quatro corridas antes contra a Williams - uma ironia, dado o domínio nas duas temporadas anteriores -  no final, foi em Adelaide que tudo se decidiu. Com um toque, e com o alemão a sair melhor. Não na fotografia, claro, mas no "score" geral.

Quem beneficiou com tudo isto foi um veterano: Nigel Mansell. Orfã de campeões do mundo, a Formula 1 foi buscar Mansell, que vivia uma segunda vida na CART, para correr as rondas finais da temporada. Um quarto posto em Suzuka, à chuva, deu alguma dignidade, mas com os odis primeiros de fora em Adelaide, fez o que tinha a fazer e comemorou a sua 31ª e última vitória, aos 41 anos de idade, ao lado de outros dois veteranos, Gerhard Berger e Martin Brundle. Mansell continuaria por mais um ano, na McLaren, mas entrou mais nos anais da ridicularia que outra coisa.

Quanto ao que aconteceu, as discussões podem estar hoje muito mais diminuídas do que agora, mas ficou para sempre. De uma certa forma, estes são apenas os primeiros 25 anos da eternidade. 

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

A imagem do dia

Suzuka, 6 de novembro de 1994. Damon Hill celebra no circuito japonês o que poderá ter sido a sua vitória mais significativa até então.

Chuva no Japão em pleno outono começa a ser "normal". Mas esquecemos frequentemente que o país do Sol Nascente, de tanta tecnologia e de tantas coisas que a nós, ocidentais, nos espantam, também é a nação dos extremos naturais. Tempestades, vulcões, terramotos, maremotos, tudo isso existe por lá.

Em 1994, também toda a gente dizia que Michael Schumacher era o novo rei da chuva. Tinha feito boas corridas à chuva e na transição para seco, graças a boas estratégias, como o GP da Bélgica de 1992, o palco da sua primeira vitória. Mas em Suzuka, palco do GP do Japão, ele não foi nada disso. Foi outro que não tinha qualquer currículo nesse campo, e das duas primeiras vezes que teve a chance de brilhar nessa superfície, foi "comido" por Ayrton Senna.

O inicio da corrida foi horrível. Anos depois, Taki Inoue, que fazia ali a sua estreia na Formula 1, contava-me numa entrevista que fiz ao site Motordrome (que já não existe mais) que a chuva era tal que não se via nada à frente. E Martin Brundle, na altura na McLaren, quase causava um grave acidente quando se despistou e atingiu um comissário de pista, quebrando a sua perna. E só aí é que a prova foi interrompida. Por essa altura, já tinham saído onze carros da corrida.

A partir dali e até ao final, na volta 50 - três voltas antes do esperado - a chuva abrandou e se pode ver o que todos queriam ver: uma corrida. Schumacher tinha uma vantagem de 6,8 segundos sobre Hill, e com os cinco pontos de vantagem que o alemão tinha, ter mais quarto significaria um título virual para ele quando chegasse a Adelaide. Contudo, o britânico lutou contra o resultado. Hill carregou no acelerador e com a chuva a cair menos e apenas uma hora de luminosidade, correu como se não existisse amanhã. Aproximou-se, passou e distanciou-se. Quando a bandeira de xadrez foi mostrada, Hill tinha uma vantagem de 10,1 segundos sobre o alemão. Tinha conseguido não só vencer a corrida, mas adiar tudo para Adelaide.

De uma certa forma, pode ter sido uma excelente corrida para o britânico, e talvez uma das suas melhores corridas da sua carreira. Contudo, nas ocasiões seguintes, como o GP da Bélgica de 1995, Schumacher conseguiu ser bem melhor que Hill à chuva, mas naquele dia em Suzuka, ele conseguiu ser o melhor.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

O clube que Charles Leclerc queria juntar... mas não conseguiu


Caso Charles Leclerc tivesse ganho ontem o GP de Singapura, o piloto monegasco teria entrado num clube muito estrito que neste momento têm dois membros, nos quase 70 anos de história da Formula 1. Esses dois membros têm algumas coisas em comum, como o de serem campeões do mundo, e terem corrido na mesma década, mas não juntos. E ainda têm mais uma coisa em comum: os carros em que conseguiram esses seus feitos foram desenhados pelo mesmo projetista!

Damon Hill e Mika Hakkinen conseguiram ganhar os seus três primeiros grandes prémios da sua carreira de seguida. No caso do filho de Graham Hill, o facto de guiar o Williams FW15C ajudou a conseguir a melhor temporada de um "rookie", desde Jackie Stewart, em 1965. Mas ele foi um mero ajudante de um Alain Prost que tinha como prioridade alcançar o seu quarto título mundial e elevar o seu recorde de vitórias para 51. No caso do piloto finlandês, a sua primeira vitória caiu do céu, mas era merecida, depois de quatro anos de "travessia do deserto" ao serviço da McLaren, antes de arrancar para um campeonato onde tinha tudo para ganhar... e aproveitou.


1 - Damon Hill (Hungria, Bélgica e Itália 1993)


No final de 1992, Nigel Mansell dizia: "o carro é tão bom que até pode ser guiado por um fantoche". O que o "brutânico" queria dizer que o Williams FW14, desenhado por Adrian Newey, era um dos carros mais perfeitos da história do automobilismo. Alain Prost, quando voltou à Formula 1 em 1993, impôs algumas condições para o seu regresso, e um deles foi vetar Ayrton Senna como companheiro de equipa. Nigel Mansell também não queria voltar a correr com Alain Prost a seu lado - tinham estado juntos na Ferrari em 1990 e não acabou bem - logo, decidiu ir correr para a CART.

Restou um lugar, que foi ocupado pelo piloto de testes, Damon Hill. Filho de Graham Hill, já tinha estado na Formula 1 em 1992, correndo pela Brabham, que estava no seu estretor final. Aos 32 anos de idade, era muito tarde para se mostrar na categoria máxima do automobilismo, mas com um carro como o FW15C, seria o secundário ideal para a equipa: não incomodaria, não perturbava e quando o primeiro objetivo fosse alcançado, ajudariam-o a conseguir o seu melhor resultado possível.

Foi um Damon Hill que permitiu, por exemplo, fazer brilhar Ayrton Senna em algumas corridas, como no Brasil e em Donington Park, pois não o conseguiu segurar o que podia nos momentos em que necessitavam dele. Apenas a meio da temporada ele começou a andar ao nível de Prost, Senna e de Schumacher, e a sua derrota no GP da Alemanha, com um furo nas voltas finais no circuito de Hockenheim lhe tirou uma vitória mais que justa.

Mas no Hungaroring, ele aproveitou bem. Com Prost a caminho do título mundial, Hill andou bem e alcançou a sua primeira vitória. Em Spa-Francochamps, batalhou com Schumacher e Senna para chegar ao lugar mais alto do pódio e os azares de Prost em Monza fizeram-o repetir o feito pela terceira vez seguida, ficando com o segundo posto à vista. No final, não foi o caso, pois não venceu mais alguma prova, e o segundo posto, o seu objetivo, caiu nas mãos de Senna, que triunfou nas duas últimas corridas do ano.


2 - Mika Hakkinen (Jerez 1997, Austrália e Brasil 1998)


No final de 1993, em substituição de Michael Andretti, Mika Hakkinen, outro piloto de testes, foi para o seu lugar. Tinha a experiência de duas temporadas na Lotus, e quando foi para a equipa de Woking, bateu o pé a Senna, que estava de saída da equipa, pois estava mais obcecado com a Williams. Nas quatro temporadas seguintes, o finlandês foi a alma de uma McLaren que lutava para regressar às vitórias, mesmo que tivesse motores Mercedes, que receberam desde 1995. Muitos olhavam para ele como um talento que via passar ao lado de uma grande carreira, e o seu acidente nos treinos do GP da Austrália de 1995 fez temer o pior.

Contudo recuperou, e no inicio de 1997, tinha 15 pódios sem vencer. Lentamente, o carro mostrava sinais de competitividade, e em Nurburgring, fez a sua primeira pole-position da sua carreira. Na última corrida do ano, os McLaren pareciam ser espectadores do duelo entre Jacques Villeneuve e Michael Schumacher. Com isso resolvido a favor do canadiano da Williams, este abrandou o ritmo e foi apanhado pelos McLaren. No inicio da última volta, Hakkinen passou-o e viu-se no comando de forma inesperada! Claro que acelerou e conseguiu uma vitória bem popular no pelotão da Formula 1. 

No inicio de 1998, as coisas eram um pouco diferentes. O MP4-13, desenhado por Adrian Newey - que vinha... da Williams - estava pronto e Hakkinen entrou "a matar", ao vencer em Melbourne, com uma manobra polémica, onde Coulthard foi ordenado que o deixasse passar pela boxe, para, segundo o escocês, honrar um acordo de cavalheiros onde o primeiro que chegasse à curva na primeira volta era o vencedor, e em Interlagos, com nova dobradinha. Hakkinen ainda subiria ao pódio na corrida seguinte, na Argentina, mas como Hill no Estoril, tinha sido segundo classificado nessa prova.

Mas ele acabaria por vencer mais seis vezes e no campeonato, terminaria como campeão, o primeiro que a McLaren conseguia desde 1991.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

A imagem do dia

Neste dia em que falamos de algo que aconteceu no domingo de Pascoa de 1993, permitam-me que fale de um "herói desconhecido". Chama-se Rubens Barrichello e enquanto as câmaras estavam focadas no seu compatriota Ayrton Senna, que passava Michael Schumacher, Karl Wendlinger, Damon Hill e Alain Prost, ele passava oito carros nessa mesma volta, subindo de 12º para quarto, a bordo de um mero Jordan-Hart.

Se formos ver atentamente os videos da "volta dos deuses" de Senna, especialmente a partir da curva onde passa Prost, podem ver o buraco que existe entre os três primeiros e o quarto classificado, o resto do pelotão, diga-se. E ali, na ponta desse pelotão, podem ver um jovem de 20 anos, no seu terceiro Grande Prémio de uma longa carreira - só sairá da Formula 1 em 2011 - que aproveita o facto de também ser bom à chuva para mostrar serviço. Infelizmente, as câmaras não apanharam essa parte, mas pouco depois, souberam do que tinha feito e também o acompanharam.

Foi uma corrida tão boa como a de Senna, e ainda por cima, tinha um carro inferior a boa parte do pelotão. A Jordan estava no rescaldo da desastrosa temporada de 1992, onde com o motor Yamaha, apenas tinha conseguido um ponto com Stefano Modena na última prova do campeonato, na Austrália. E naquela temporada, o segundo lugar iria ter uma espécie de "aluga-se": Ivan Capelli, desanimado, tinha decidido abandonar a Formula 1, e ele foi buscar o belga Thierry Boutsen, que tinha ficado sem lugar depois de ter corrido nas duas últimas temporadas na Ligier.

A chuva poderia fazer "guerreiros do piso molhado", conseguindo fazer muito com muito pouco. Todos olhavam para Senna, que fazia algo que já tinha feito no Mónaco 84, com o seu Toleman, ou Estoril 85, com o seu Lotus, mas atrás, e até aquela corrida, ninguém sabia quem era Rubens Barrichello. E essa é a verdadeira surpresa, e o verdadeiro feito do piloto brasileiro.

Rubinho andou muito bem. A certa altura, o pódio era uma realidade bem tangível, o que teria sido o primeiro da equipa, e a uma certa altura, começou-se a falar que o feito dele era tão bom como o de Senna, mas sem câmaras a segui-lo. Contudo, no final, a bomba de combustível do seu Jordan cedeu a seis voltas do fim, privando-o de um grande resultado. Na realidade, classificou-se no décimo posto, mas isso não reflete a verdadeira natureza da sua exibição naquela tarde chuvosa de abril.

Contudo, teve tempo para entrar na história da equipa. Ficou na equipa até 1996, dando-lhes os seus primeiros pódios e a sua pole-position, no GP da Bélgica de 1994. 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

A imagem do dia

Há precisamente vinte anos, em Suzuka, Damon Hill fazia história. Não era só o primeiro filho de campeão a ser campeão, abrindo a porta às dinastias na Formula 1 (apesar de não ser muito virgem, pois os Ascari tinham começado primeiro) e causando emoção entre os ingleses, devido as circunstancias e a evocação do seu pai, Graham Hill.

Damon lutou para chegar até à Formula 1 e quando aconteceu, foi muito tarde na sua carreira. Aos 32 anos, muitos pensariam no final da sua carreira do que no seu começo, mas a Williams deu-lhe uma chance para ser titular em 1993, depois de ser um dos últimos pilotos a guiar um Brabham, no ano anterior.

Nunca foi um piloto brilhante, mas teve duas chances para conseguir o título. A primeira acabou em Adelaide, em 1994, da maneira como todos conhecemos. E na segunda vez, ele aproveitou muito bem, contra outro filho de um mito automobilístico: o canadiano Jacques Villeneuve, filho de Gilles Villeneuve, e que no ano anterior, tinha vencido as 500 Milhas de Indianápolis e o campeonato CART.

O que aconteceu a seguir foi algo fora do vulgar, especialmente a sua mudança para a Arrows, onde penou, e duas temporadas mais interessantes na Jordan, terminando em 1999, com quase 40 anos, e uma vitória épica em Spa-Francochamps, à chuva, com uma derrota de partir o coração em Hungaroring a favor do seu ex-companheiro de equipa, Jacques Villeneuve.

Vinte anos depois, quando escreveu a sua autobiografia, explicou muitas das suas decisões graças á sua ansiedade e consequente depressão, algo que batalhou ao longo da sua vida, especialmente por causa do peso de ser quem é e do nome que carregava. 

Damon julgava que o peso da herança dos Hill acabaria no momento em que subiria ao pódio como campeão, mas tal não aconteceu, bem pelo contrário. Uma dessas ansiedades era o medo de morrer em pista, que sempre o perseguiu ao longo da sua carreira, especialmente após os eventos de Imola, em 1994. Hoje em dia, afirma que está mais em paz com ele mesmo e está a disfutar de aquilo que aconteceu ao longo da sua carreira. Talvez agora veja aquilo que fez há precisamente vinte anos.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Este mês, no Nobres do Grid...

(...) Quando em 2001, Fernando Alonso, e Kimi Raikkonen se estrearam na Formula 1, houve mais criticas ao finlandês que experimentava uma máquina de 800 cavalos… após apenas 23 corridas em monolugares. Muitos foram os que criticaram fortemente a escolha de um piloto com tão pouca experiência, sem passar pela Formula 3, por exemplo. Contudo, o finlandês calou os críticos logo na sua primeira corrida na Formula 1, ao ser sexto classificado com o Sauber. No ano anterior, já tinha havido polémica semelhante com o britânico Jenson Button, mas ele tinha experiência na Formula 3 britânica e fez um teste do género “shot-off” com o brasileiro Bruno Junqueira, mais velho do que ele, onde superou-o por muito pouco.

(...)  Filho de Lawrence Stroll, um dos homens mais ricos do Canadá, Lance está a ser treinado para ser piloto… desde criança. Aos 17 anos de idade (nasceu a 29 de outubro de 1998), Stroll corre desde os dez anos de idade, nos karts, e em 2014, aos 15 anos de idade, estreou-se nos monolugares. Ganhou a Formula 4 italiana nesse ano, e a Toyota Racing Series no ano seguinte, enquanto que era quinto no campeonato europeu de Formula 3. Este ano, ele lidera o campeonato com mais de 70 pontos de diferença sobre o alemão Maximilian Gunther. (...)

(...) Stroll é piloto de desenvolvimento da equipa este ano, e a equipa segue os seus feitos ao serviço da Prema Powerteam. Altamente experimentado, já se fala que tem tudo feito para ser o piloto titular, com estreia na próxima temporada, graças ao seu pai. Os rumores indicam que Lawrence já comprou um interesse na equipa, e que um carro de 2014 já esta a ser modificado para que ele faça um programa extensivo de testes em circuitos onde ele não tem muita experiência em monolugares, pelo menos na Europa. Com a Super-Licença meramente um “pró-forma” (recorde-se, ele fará 18 anos dentro de um mês), ele tem o caminho aberto para esse lugar.

Mas toda essa obsessão pela prodigalidade tem um preço. Ninguém poderá acreditar que Jaime Alguersuari tenha agora 26 anos e já se retirou do automobilismo, mas isso é real. Tendo estreado na Formula 1 no GP da Hungria de 2009, batendo o recorde de precocidade de Chris Amon, pela Toro Rosso, não deslumbrou na sua estreia, nem na temporada seguinte, onde foi 19º, com apenas cinco pontos. Ele melhorou em 2011, onde conseguiu 26 pontos e o 14º posto, com dois sétimos lugares em Itália e na Coreia do Sul como melhores resultados. Contudo, no final dessa temporada, e de modo surpreendente, quer ele, quer o seu companheiro de equipa, o suíço Sebastien Buemi, foram dispensados. E nenhum dos dois conseguiu depois carreira na Formula 1. (...)

Nos tempos em que correm, as equipas estão obcecadas em ter meninos prodígios na Formula 1. quanto mais novo, melhor, para dizer que estão a demonstrar talento precoce. Mas colocar jovens imaturos ao volante de máquinas de 900 cavalos poderá estar a ser uma pressão demasiado alta para adolescentes. Os pilotos que não sobreviveram à máquina trituradora da Red Bull Junior Team são um bom exemplo de pessoas que mesmo a meio da casa dos vinte, estão psicologicamente tão desgastados que pura e simplesmente, penduraram o capacete. É sobre isso que falo este mês no Nobres do Grid.