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sábado, 28 de fevereiro de 2026

The End: Sandro Munari (1940-2026)


O italiano Sandro Munari, um dos pilotos que fez história na Lancia, nomeadamente a bordo do modelo Stratos, morreu aos 85 anos. O anuncio aconteceu neste sábado. Munari foi, sobretudo, campeão do Mundo de ralis em 1977, mas também conseguiu alguns feitos em estrada, nomeadamente na Taga Florio, onde triunfou em 1972 e foi segundo classificado no ano seguinte.

Nascido a 26 de março de 1940 em Cavarzere, no Véneto, Munari começou a correr em 1965, para depois anos depois, triunfar no campeonato italiano de ralis. Iria repetir em 1969, antes de começar a correr naquele que viria a fazer parte da Lancia. Num modelo Fulvia, iria ganhar o rali de Monte Carlo de 1972, no primeiro dos seus grandes feitos nessa temporada. Foi nessa altura que começou a ser chamado de "Il Drago di Cavarzere", ou o Dragão de Carvazere, a sua terra natal. Mais tarde, a bordo de um Ferrari 312PB, e ao lado de Arturo Merzário, iria triunfar na Targa Florio, e será quarto classificado nos 1000 km de Zeltweg. 

No inicio de 1973, tem uma proposta inesperada para correr o GP da África do Sul num Iso-Marlboro, para substituir Nanni Galli. Contudo, Cesare Fiorio veta a proposta. Mas isso não impede de triunfar no campeonato europeu de ralis, de novo a bordo de um Lancia Fulvia HF, e em 1974, passa para o Stratos, que tem o motor Ferrari, onde ganha no primeiro rali onde é usado, o Sanremo. Uma vitória no Canadá vem a seguir. Na mesma altural alinha com um Stratos especifico para o Targa Florio, onde acaba na segunda posição, não muito longe da dupla vencedora de Herbert Muller e Gijs van Lennep, que guiam um Porsche 911 Carrera RSR. 

Em 1975, consegue a sua segunda vitória em Monte Carlo, que seria a primeira de três vitórias seguidas, sempre com o Stratos. em 1976, para além de Monte Carlo, ganharia o rali de Portugal e a Volta à Corsega, suficiente para lhe dar o campeonato, mas como ainda não há um campeonato de pilotos, não conta. Contudo, em 1977, apesar de só ter ganho o rali de Monte Carlo, e um terceiro posto no Safari, é o suficiente para acabar sendo o primeiro campeão do mundo de ralis, com 31 pontos.

Porém, em 1978, a Fiat escolhe competir com 131 Abarth, e tirando um terceiro posto na Volta À Córsega, não consegue mais resultados de relevo até 1980, altura onde decide só competir no Safari. O seu último rali no WRC foi o Safari de 1984, num Toyota Celica Twincam Turbo, não chegando ao fim.

Nos anos seguintes, Munari decide participar nos "rally-raid", correndo quer o Dakar, quer o Rali dios Faraós, no Egito, a bordo de um Lamborghini LM 002, o primeiro todo-o-terreno da marca, sem resultados de relevo.

Depois disso, decide montar uma escola de condução no circuito de Adria, em colaboração com a Abarth, onde fica por mais de duas décadas, onde entretanto decide escrever a sua biografia, em colaboração com Sergio Remondino: "Sandro Munari. Una Vita di Traverso". 

Em 2019, é condecorado pelo governo italiano com o Collare D'Oro al Mérito Sportivo, pela sua carreira no automobilismo.

sexta-feira, 27 de março de 2020

A imagem do dia

Antes de Miki Biasion, a Itália teve um campeonissimo nos ralis, de seu nome Sandro Munari. E durante boa parte da sua carreira, especialmente nos anos 70, ele era associado a um carro: o Lancia Stratos. O pequeno carro com motor Ferrari V6 Dino de traseira dominou os ralis entre 1972 e 1977, e Munari aproveitou muito bem esse bolido, vencendo sete provas no WRC e levando-o ao seu único título mundial, o primeiro que a competição conhece, em 1977.

A imagem que acompanha este post data de 1975, quando Munari venceu o Rali de monte Carlo, a primeira das três vitórias consecutivas que iria ter por aqui - venceria em 1976 e 77 - e era uma prova especial. Depois de não ter sido realizado em 1974 por causa do primeiro choque petrolifero, onde os preços na bomba de gasolina subiram 400 por cento, o regresso dos carros às paisagens brancas dos Alpes franceses foi uma bela maneira de dizer que as coisas tinham regressado à normalidade.

Munari estava com o seu Stratos contra os Fiat oficiais, que alinhavam com os 124 Spider, guiados pelo francês Barnard Darniche e os finlandeses Hannu Mikkola e Markku Alen. A concorrência era mais vasta, desde os Alpines de pessoal como Jean-Pierre Nicholas, Jean-Luc Therier ou Jean Ragnotti, até aos Opel de Andres Kullang ou de um jovem chamado Walter Rohrl.

Já agora, Mikkola era navegado por um francês chamado Jean Todt...

Munari teve tudo controlado desde o inicio. Sofreu os ataques dos Fiat, especialmente quando os Alpine não aguentaram a pedalada dos italianos. Tanto que Mikkola e Alen cedo foram a maior oposição do Lancia, mas Munari, como foi dito, nunca perdeu a liderança de vista. E entao, num tempo onde os ralis duravam quase uma semana e tinham dezenas de especiais, no final, o piloto italiano acabava no lugar mais alto do pódio com quatro minutos de avanço sobre Mikkola. E foi aqui que Alen conseguiu o seu primeiro pódio numa prova do WRC. Pouco tempo depois, em Portugal, alcançaria a sua primeira vitória.

Esta foi a sua única vitória desse ano para Munari. Curiosamente, em 1976 teria o seu melhor ano, vencendo em três provas: Monte Carlo, Portugal e na Volta à Corsega, e se existisse um Mundial de pilotos, se calhar teria também sido campeão, como foi campeão europeu em 1973 e bicampeão italiano em 1967 e 69, também num Lancia. E pelo meio, ainda ganhou um Targa Florio, ao lado de Arturo Merzário, a bordo de um Ferrari 312PB.

Assim sendo, "compleanni felice" a Sandro Munari!