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domingo, 5 de abril de 2020

A imagem do dia

Esta imagem é rara, mas a história ale a pena ser contada. Porque falamos do GP do Mónaco de 1969, onde estas enormes asas traseiras apenas apareceram nos treinos de quinta-feira, antes de serem abolidas pela então CSI, a antecessora da FIA.

A polémica tinha começado na corrida anterior, quando os Lotus de Graham Hill e Jochen Rindt se despistaram no mesmo sítio, com alguns metros e algumas voltas de diferença. O austríaco ficou ferido no nariz e disse o que pensava do carro a Colin Chapman, numa carta que acabou por parar à Autosport britânica, mostrando um clima de tensão com o patrão da Lotus que nunca amainou muito até à sua morte, nos treinos do GP de Itália de 1970, dali a um ano e meio.

Sem Rindt disponível para a corrida no Principado, Chapman recorreu a um bom piloto, que já tinha feito esse papel um ano antes. Para Richard Attwood, então com 29 anos, não é nada novo. No ano anterior, a BRM chamara-o para substituir Mike Spence, morto durante os treinos das 500 Milhas de Indianápolis. No Mónaco, o piloto até conseguiu um segundo lugar, o seu primeiro e único pódio na Formula 1. Ficou lá até ao final da temporada inteira, e os seis pontos, conseguiu o 13º lugar da classificação geral. 

Attwood adaptou-se facilmente ao modelo 49, mas foi apenas décimo numa grelha de 16 carros. As asas foram tiradas e não foram usadas na corrida, com a CSI a decidir que iria discutir num futuro próximo, pois a ideia inicial era de banimento puro e simples. Esta foi uma de atrito, com apenas sete carros a chegarem ao fim, numa prova onde Graham Hill triunfou pela quinta vez, segunda consecutiva, enquanto Attwood marcou a volta mais rápida e conseguiu um digno quarto posto, a 52,9 segundos do vencedor.

Richard Attwood fez mais uma prova na Formula 1 e depois concentrou-se na Endurance, onde ao lado de Hans Hermann, deu à Porsche a sua primeira vitória nas 24 Horas de Le Mans. Hoje, ele comemora o seu 80º aniversário. 

domingo, 5 de abril de 2015

A foto do dia (III)

Há uns dias, na apresentação dos Porsche nos testes colectivos em Paul Ricard, os três carros da marca apareciam em três cores diferentes: preto, branco e vermelho. Não só representavam as cores da antiga bandeira imperial, do Kaiser, mas também representaria algo mais recente na história do automobilismo: a primeira vitória da Porsche em La Sarthe, graças ao esforço da Porsche Salzburg, na... Áustria.

Os pilotos que conseguiram aquele feito foi o veterano alemão Hans Hermann e o britânico Richard Attwood. Attwood, ou "Dickie", não teve uma grande carreira na Formula 1 - onze pontos entre 1965 e 69, em carros como BRM, Cooper e Lotus - mas houve duas corridas onde se destacou, e ambas no Mónaco. No primeiro momento, em 1968, foi o homem da corrida, onde apesar de não ter conseguido apanhar Graham Hill, terminou no segundo lugar, e fazendo pelo meio a volta mais rápida. Acabou por ficar no resto desse ano para substituir Mike Spence, morto num acidente em Indianápolis quando tentava marcar um tempo com o Lotus 56.

No ano seguinte estava de novo no Mónaco, como subsitituto de Jochen Rindt após o seu acidente em Montjuich. Adaptou-se bem ao modelo 49, mas o fim de semana tinha sido conturbado, com a CSI - antecessora da FIA - ter decidido abolir as asas móveis, obrigando-os a tirar dos carros. No final, decidiu-se que as asas ficariam, mas passariam de monstros com mais de um metro de altura para asas fixas ao carro.

Depois de Le Mans, ambos decidiram fazer a mesma coisa: abandonar o automobilismo. Se Hermann tomou logo de imediato, Attwood fê-lo no final dessa temporada, depois de ajudar a Porsche a vencer o campeonato de construtores, ao lado de Pedro Rodriguez. Ainda voltou a Le Mans 14 anos depois, no meio dos Grupo C, no projeto da Aston Martin, mas a aventura durou pouco e ele, aos 44 anos, voltou à calma da retirada.

Attwood foi depois um dos pilotos que participou nas filmagens de Le Mans, com Steve McQueen. No final, comprou um dos 917 ali presentes e guardou-o, afirmando que iria ser "a sua pensão". E era verdade: trinta anos depois, colocou-o em leilão e valeu mais de um milhão de dólares.

Hoje em dia, quase 45 anos depois do feito de Le Mans, ambos estão vivos: Hermann têm 86 anos e ainda goza de vez em quando o previlégio de guiar algumas das máquinas do passado, enquanto que Attwood, que faz hoje 75 anos, também faz isso, para recordar os velhos tempos, especialmente em Goodwood. Aqueles em que não havia certeza se iriam chegar vivos ao final da corrida. 

terça-feira, 27 de maio de 2008

GP Memória - Monaco 1968

Depois do recomeço da temporada na Europa, e ainda a sarar as feridas das recentes mortes na Formula 1, máquinas e pilotos rumaram às ruas de Montecarlo para disputarem a terceira prova da temporada, o Grande Prémio do Mónaco.

A França vivia em pleno um agitado mês onde os estudantes se revoltavam e os operários entravam em greve. Contudo, no final desse mês, a situação tinha começado a voltar à normalidade, com o governo de De Gaulle a ceder nas reinvindicações, e os operários voltaram ao trabalho.

Contudo, na aristocrática Mónaco, os ecos de Paris pouco se ouviam. Estava-se mais preocupado com outra coisa: a segurança. A Ferrari decidira não aparecer nas ruas do Principado, pois ainda estava de luto pela morte de Lorenzo Bandini, um ano antes. E também não gostara muito das medidas que a organização fizera para melhorar a segurança, como o apertar da Chicane do Porto, o local do acidente fatal de Bandini, e também o ter encurtado a duração da corrida, para 80 voltas.

A Lotus e a BRM procuravam sucessores para as perdads de Clark e Spence. Na equipa de Colin Chapman, foram buscar o novato Jackie Oliver para o lugar, enquanto que na BRM, a escolha inicial era o britânico Chris Irwin. Contudo, uma semana antes, sofrera um terrível acidente nos 1000 km de Nurburgring, quando o seu Ford P68 voara, ferindo-se gravemente na cabeça. Demoraria mais de uma ano a recuperar, mas nunca mais voltaria a correr. Para o seu lugar veio Richard Attwood.

Para além destes dois pilotos, outras novas entradas iriam animar o pelotão. Na Cooper, Brian Redman estava a competir nos 1000 km de Spa-Francochamps, e foi substituido pelo belga Lucien Bianchi. Na Matra, com Stewart ainda magoado no pulso, foi substituido por um jovem piloto francês, de seu nome Johnny Servoz-Gavin.

Nos treinos, Hill foi o melhor, com... Servoz-Gavin a seu lado! Logo atrás ficaram o Lotus privado de Jo Siffert e o Honda de John Surtees, e na terceira fila estavam o Brabham-Repco de Jochen Rindt e o BRM de Richard Attwood.

Na partida, Hill é surpreendido por Servoz-Gavin, que lidera as três primeiras voltas, até que sofre uma falha mecânica que provoca um acidente, e desiste na hora. ainda na primeira volta, Bruce McLaren tinha sido alvo de uma colisão com o Lotus de Oliver...

As primeiras voltas iriam ser pródigas em acidentes. Na volta 9, Rindt tenta ultrapassar Surtees para o terceiro lugar, mas bate nos rails e abandona. Três voltas mais tarde, foi a vez de Jean Pierre Beltoise (que estreava o novo motor Matra), a abandonar devido a colisão, e nessa altura, Jo Siffert tinha encostado devido a problemas de transmissão.

No final da 16ª volta, apenas cinco carros estavam a circular nas ruas do Principado, logo a tarefa dos pilotos agora era apenas... chegar ao fim. Hill era o líder incontestado, com Attwood logo atrás, e Hulme na terceira posição.

O resto da corrida não teve muita história. Hulme teve que vir à boxe com problemas mecânicos, perdendo muito tempo e acabando na quinta posição final, a sete voltas do vencedor. Attwood perseguia Hill, mas este controlava a situação, rumando à sua segunda vitória do ano, terceira consecutiva da Lotus, e já agora, a sua quarta vitória pessoal nas ruas do Principado.

Com Hill a ganhar e Attwood a conseguir a melhor classificação de sempre, o terceiro classificado era o belga Lucien Bianchi, no seu primeiro e unico pódio da sua carreira na Formula 1. No quarto posto ficou o seu companheiro, o italiano Ludovico Scarfiotti. Infelizmente para ele, seria a sua última corrida na Formula 1, pois duas semanas mais tarde, enquanto competia com um Porsche oficial no Europeu de montanha, na Baviera, despistou-se e morreu.

Fontes:

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O piloto do dia - Richard Attwood

Para a Formula 1, a sua carreira foi mais uma nota de rodapé. Mas nos Protótipos, é uma lenda do seu tempo, a par de Brian Redman, David Piper, Vic Elford ou Hans Hermann, entre outros. A sua vitória em Le Mans, em 1970, entrou para a história, pois foi aquela filmada por Steve McQueen no filme com o mesmo nome. hoje falo de Richard "Dickie" Attwood.

Nascido a 4 de Abril de 1940, em Wolverhampton, Dickie começou a meter-se no automobilismo como aprendiz na fábrica da Jaguar, em meados dos anos 50. Em 1960, meteu-se em competições ao volante de um Triumph TR3, e no ano seguinte, juntou-se à Midland Racing Partnership (MRP), na Formula Junior, onde correu até 1963, altura em que, ao volante de um Lola, ganhou a corrida de suporte do GP do Mónaco. Aliás, vai ser nas ruas do Principado que terá algumas das suas melhores páginas da carreira.

Em 1964, Attwood muda-se para a Formula 2, correndo ainda pela MRP, onde ganha os Grandes Prémios de Pau, Albi e Eiffelrennen, os dois primeiros em França e o outro na Alemanha. Estas performances chegaram a Sir Alfred Owen, o proprietário da BRM, que queria Attwood para desenvolver o BRM P67 de quatro rodas motrizes. Nos treinos do seu Grande Prémio inicial, em Brands Hatch, Attwood levou o carro para o ultimo lugar na grelha, mas viu que a sua eficácia era pouca, e retirou-o antes da corrida.

Entretanto, Attwood trabalhava num novo projecto, mas na categoria de GT: o Ford GT40. Envolvido no desenvolvimento inicial do carro, ele e o francês Jo Schlesser levaram-no às 24 Horas de Le Mans desse ano, onde desistiram à nona hora da competição, devido a um incêndio. No final do ano, com David Piper, ganha as 9 Horas de Kyalami, a bordo de um Ferrari P2.

Em 1965, Tim Parnell contratou-o para a sua equipa privada, correndo num Lotus 25 com três anos de idade. Com um chassis já ultrapassado, e com um motor BRM, as performances de Attwood não foram muito boas, sendo o melhor dois sextos lugares em Monza e na Cidade do México. Esses dois pontos dar-lhe iam o 16º lugar na geral.

Entretanto, continuava a colaborar com a Ford, mas não teve resultados de relevo. Também corria com o seu amigo David Piper, em Ferrari 250, da Maranello Concessionaries, com resultados modestos. Mas davam nas vistas na mesma, pois os carros eram pintados de... verde!

Em 1966, Attwood não corre na Formula 1, mas anda muito pela Tasman Series e na Formula 2, onde ganha os Grandes Prémios de Albi e Pau, em França. No ano seguinte, concentra-se nos Sportcars, onde acaba em terceiro nos 1000 km de Spa-Francochamps e em segundo nos 500 km de Zeltweg. Nessa altura, guia uma variedade de máquinas: para além dos Ford e Ferrari, guia também o Alfa Romeo T33 e o Porsche 906. Aliás, vai ser nesse ano que começará a sua ligação mais profícua com a casa de Estugarda.

No final do ano, volta à Formula 1, como substituto de Pedro Rodriguez na Cooper, no GP do Canadá. Termina na décima posição.

Em 1968, teve que voltar à Formula 1, para substituir Mike Spence na BRM. Spence tinha ido substituir Jim Clark na Lotus para a corrida das 500 Milhas de Indianápolis, no Lotus 56 Turbina, mas sofrera um acidente fatal durante a qualificação. Attwood ficava na equipa o resto da temporada, onde arranca um soberbo segundo posto no Grande Prémio do Mónaco, poara além da volta mais rápida. Foi o seu momento mais alto de glória na categoria máxima, e esses seis pontos deram-lhe o 13º posto final.

No ano seguinte, a Porsche convida-o para guiar na sua equipa oficial, ao lado do seu compatriota Vic Elford, nos 908 oficiais. contudo, Attwood desenvolveu aquele que viria a ser um dos mais icónicos carros de sempre: o Porsche 917. Nas 24 Horas de Le Mans daquele ano, ele e Elford levaram o 917 a liderar durante uma grande parte da corrida, mas a duas horas do fim, o motor não aguentou e viram a vitória fugir para as mãos de Jacky Ickx, num "ultrapassado" Ford GT40.

Nesse ano, Attwood é de novo chamado à Formula 1, para substituir Jochen Rindt, que se tinha magoado em Montjuich. Correu no Mónaco, a bordo de um Lotus 49, e terminou num impressionante quarto posto. Ainda correu mais uma corrida, mas em Formula 2, a bordo de um Brabham inscrito por... Frank Williams. Aconteceu em Nurburgring, e terminou no sexto lugar da geral, segundo na sua classe.

A sua carreira na Formula 1: 17 Grandes Prémios, em cinco temporadas (1964-65, 1967-69), um pódio, uma volta mais rápida, 11 pontos.

Em 1970, volta a correr nas 24 Horas de Le Mans, a bordo de um Porsche 917K, desta vez tendo como companheiro o alemão Hans Hermann. Desta vez, tudo correu bem, e ambos comemoraram a vitória. Voltaram a repetir o feito, mas em Nurburgring, e ao volante de um 908. No ano seguinte, fazendo parte da famosa equipa de John Wyler, e com as cores da Gulf Racing, e fazendo par de novo com Hans Hermann, foram desta vez segundos classificados, não muito longe da dupla vencedora, constituida pelo austriaco Helmut Marko e o holandês Giis Van Lennep. Ainda ganhou os 1000 km de Zeltweg, e no final da época, retirou-se do automobilismo.



Nos anos seguintes, tornou-se figura de destaque em reuniões de carros antigos, especialmente com o seu Porsche 917K que tinha participado nas filmagens de "Le Mans", protagonizado por Steve McQueen, afirmando: "Esta é a minha pensão de reforma". Quando o vendeu, em 2000, rendeu-lhe cerca de 1 milhão de Libras. Hoje em dia, é presença constante no Goodwood Fstival of Speed, sempre ao lado de um Porsche.

Fontes: