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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

As imagens do dia (II)






O rali da Suécia de 1986 acontecia três semanas depois do rali de Monte Carlo, prova de abertura do Mundial, onde Henri Toivonen mostrou que a Lancia estava a correr ali para ganhar o campeonato e ser o maior rival da Peugeot e da Audi, que normalmente eram os favoritos à vitória. Toivonen e Markku Alen estavam presentes pela marca italiana e queriam voltar a ser felizes, contra os Peugeot, que alinhavam com Timo Salobnen, o campeão do mundo e segundo classificado no rali monegasco e o seu compatriota Juha Kankkunen.

A Audi alinhava com dois pilotos suecos, Mikael Eriksson e Gunner Petterson, deixando Walther Rohrl e Hannu Mikkola de fora. Citroen e MG também estavam presentes neste rali, mas a grande novidade era a Ford, que por fim estreava o RS200, e que voltava oficialmente ao Mundial de ralis, com equipa própria. E Blomqvist esperava que o seu novo carro o ajudasse a chegar perto de maus uma vitória, o que poderia ser um recorde - ele tinha sete vitórias nesta prova.

No tempo dos ralis bem extensos - 30 especiais de classificação e todos debaixo de neve e gelo - o primeiro a começar bem foi Per Eklund, um dos locais e o vencedor do rali da Suécia de 1976, num Saab. Guiando um dos MG Rover 6R4, andou na liderança até o motor explodir, na sétima especial. Salonen ficou na frente, mas depois um problema no filtro de óleo na mesma especial o fez atrasar, deixando a liderança para Juha Kankkunen, que corria pela primeira vez em paragens suecas, como piloto oficial. 

E claro, a pressão era grande do resto do pelotão. A Lancia atirava com os seus compatriotas Alen e Toivonen, e claro, Salonen queria recuperar o tempo perdido. As chances de Blomqvist de obter um bom resultado nesta sua corrida de estreia acabaram a meio do rali porque o seu motor falhou, e pouco depois, o mesmo destino teve Henri Toivonen, que queria conseguir a sua terceira vitória consecutiva e declarar-se como o candidato numero um ao título mundial. Desconsolado, acabou a ser abraçado pela equipa, certamente a dizer ao ouvido que dali a um mês, em Portugal, as coisas seriam melhores. 

Kankkunen, com isso, era o líder, mas ainda havia Alen e Salonen. O finlandês da Lancia tenta apanhá-lo, mas ele queixa-se do motor, que julga não ter potência suficiente para apanhar o seu jovem compatriota, apesar de ele estar um pouco melhor, depois de saber que Salonen também abandonara o rali, pois os seus problemas nunca ficaram propriamente resolvidos. 

No final, enquanto Juha Kankkunen comemorava a sua primeira vitória no WRC - tinha chegado à Peugeot alguns meses antes como substituto do acidentado Ari Vatanen - e saía de paragens suecas com o a liderança do campeonato, na frente de Markku Alen, Kalle Grundel chegava ao fim no lugar mais baixo do pódio, conseguindo assim um bom resultado no regresso da Ford aos ralis, e claro, mostrando o potencial do RS200 logo na sua primeira saída. O potencial para mais existia, mas a próxima vez que todos iriam competir juntos seria dali a um mês, nas estradas portuguesas. 

Tudo isto faz hoje 40 anos.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

As imagens do dia







Quando o Grupo B entrou em vigor no Mundial de ralis, em 1982, marcas como a Audi, com o seu sistema de quatro rodas motrizes, dominaram e entreteram os espectadores nas classificativas um pouco por toda a Europa e Mundo, seguidos por outros como a Opel, depois a Peugeot, com o 205 Turbo 16, a Lancia, com o Delta S4, a MG Metro, com o 64R, e até a Citroen, com o BT4, um derivado do modelo BX. 

Contudo, de todas estas marcas - até a Toyota, Mazda e a Nissan, que participaram em eventos selecionados - havia uma ausência presente: a Ford. Eles tinham dominado o Grupo 4, ao longo de toda a década de 70, com o seu modelo Escort, que deu muitos campeões do mundo, o mais recente deles em 1981, com o finlandês Ari Vatanen.

A razão até foi simples: apostaram num modelo e não deu certo, o Escort 1700. Era um carro com tração traseira, com um motor de 1,7 litros e teria um turbocompressor. Vatanen ajudou nesses testes em 1983, mas o carro nunca foi muito bem sucedido e frustrados, decidiram abandonar o projeto no final desse mesmo ano. Frustrados, a marca descobriu cedo que, para terem um quinhão neste tipo de carros, que exigiam motores fortes e carros com tração às quatro rodas, tinham de fazer algo diferente. Bem diferente. 

Em suma: o RS 200 era um carro feito, unica e exclusivamente, para competirem no Mundial de ralis. 

Não começaram do zero - aproveitaram algumas coisas do projeto do 1700T - mas o carro teria tração às quatro rodas, num motor de 1,9 litros, turbocomprimido, com cerca de 450 cavalos, e colocado no meio do carro. O chassis foi desenhado pela Ghia, e era de fibra de vidro, e teve ajuda da Reliant, pois tinha experiência nesse tipo de construção. A transmissão foi montada na parte da frente, por causa da distribuição do peso ao longo do carro, e a suspensão traseira era em "double whishbone", com amortecedores duplos. O desenho do RS200 foi feito por alguém com fama noutro tipo de competição: Tony Southgate, que desenhara carros na Formula 1, primeiro na BRM, depois na Shadow e na Arrows - foi um dos fundadores da marca, sendo o S da Arrows. A ajudá-lo no design estiveram um jovem Ian Callum e na Ghia, Filippo Sapino.

O carro ficou pronto no final de 1984, e os modelos de produção, que tinham 250 cavalos de potência - menos 200 que os modelos de competição - eram vendidos a 49 mil libras, um preço astronómico para aquela altura. Contudo, para além dos 200 modelos de estrada necessários para a homologação, havia 20 modelos que tinham de ser feitos para que fossem comprados para as equipas de competição. Tudo para que o modelo de competição tivesse o OK da FIA. 

E claro, isso demorou o seu tempo. Por causa dessa demora na homologação, a Ford teve de falhar a sua participação no Rali de Monte Carlo, o primeiro rali do ano. Contudo, para o rali da Suécia, que iria ser disputado nas estradas suecas, em pleno inverno, apareceram dois pilotos locais para ajudar a juntar pontos no campeonato. Eram Stig Blomqvist e Kalle Grundel. 

Havia esperanças que o projeto iria dar bem, mas também começavam a aparecer alguns problemas. Isso deixo para outro dia, apenas falo aqui porque esta semana faz 40 anos sobre a sua aparição no WRC. 

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Formula E: Blomqvist quer voltar

Tom Blomqvist deseja regressar à Formula E para resolver alguns problemas pendentes. Numa entrevista ao site e-racing365.com, o piloto britânico, filho de Stig Blomqvist, quer regressar à competição elétrica, depois de meia temporada ao serviço da BMW, onde pontuou por uma vez, antes de ser substituído pelo francês Stephane Sarrazin.

"Eu definitivamente quero correr novamente na Fórmula E, já que sinto que há negócios inacabados", começou por dizer.

“Eu estive [a assistir] ao E-Prix de Berlim e o nível de competição é bastante intenso, então eu sinto que seria um campeonato em que eu gostaria de ter sucesso, para ser honesto. O programa na quarta temporada é história agora e todos sabem que foi um ano difícil durante todo o ano. Mas estou totalmente motivado a voltar para a Fórmula E se a oportunidade surgir”, continuou.

Blomqvist gostaria de voltar à Andretti, onde esteve na temporada de 2017-18, mas isso está dependente do que eles escolherem como alinhamento. Com os rumores de que António Félix da Costa poderia estar a caminho da Techeetah, a equipa quer dar oportunidade a Marco Wittmann, Joel Eriksson e Bruno Spengler, todos pilotos do DTM. Contudo, ainda é cedo para se saber o que irá acontecer, pelo menos até aos testes de Valencia, em outubro.

Quanto a Blomqvist, depois da Formula E, está agora na IMSA WeatherTech SportsCar Championship, a correr pela BMW Team RLL.

quinta-feira, 7 de março de 2013

As caras da nova Formula 3 europeia

A Formula 3 em 2013 está a sofrer com a crise económica mundial e com a profusão de séries de formação, tanto que até a mítica série britânica, que nos anos 80 e 90 era a mais importante do mundo, está minguada e convertida num torneio, dada a existência de muito poucos inscritos. A série espanhola fundiu-se com a europeia e apenas a alemã e a italiana existem, resistindo aos apelos à sua fusão, por agora.

É por causa disso que este ano, a série europeia encontra-se mais forte do que nunca, com 30 pilotos inscritos até agora, e com uma variedade de concorrentes, desde filhos de ex-campeões, como Eddie Cheever e Joshua Hill, até... duas mulheres: a colombiana Tatiana Calderon e a italiana Micaela Cerrutti.

Começamos pelos descendentes de campeões: Eddie Cheever III é o filho de Eddie Cheever, tem 20 anos e corre... sob licença italiana. Nascido quando o seu pai já andava nos Estados Unidos, depois de uma carreira na Formula 1 em equipas como Osella, Renault, Alfa Romeo e Arrows, mkas que teve tempo de o ver vencer as 500 Milhas de Indianápolis, em 1998, Cheever III (ou Cheever Jr.) foi o segundo classificado no campeonato italiano de formula Abarth, em 2012, mais do que suficiente para ter um teste em Vallelunga no final do ano, como recompensa pelo seu bom campeonato.

Eddie Cheever III vai correr pela italiana Prema Powerteam, ao lado de mais três pilotos: o seu compatriota Rafaele Marciello, o britânico Alex Lynn e o austriaco Lucas Auer, que não é nada mais, nada menos do que... o sobrinho de Gerhard Berger.

Auer nasceu a 11 de setembro de 1994 (tem 18 anos) e já tem experiência na formula 3, ao participar em 2012 na competição alemã, pela equipa holandesa Van Amersfoort Racing. Ali, conseguiu duas vitórias e terminou a temporada no segundo lugar da competição, para além de alcançar o troféu de "Rookie do Ano".

Outro descendente de pilotos é o britânico Joshua Hill, filho de Damon Hill e neto de Graham Hill. Nascido a 9 de janeiro de 1991, já tem alguma experiência em monolugares, nomeadamente na Formula Ford britânica e na Formula Renault 2.0. Nessa categoria, em 2012, participou na North European Competition, onde venceu cinco corridas e terminou no terceiro lugar da geral.

Este ano, em vez de correr na Formula 3 britânica ou na GP3, decidiu que era melhor correr na europeia, com uma equipa de reconhecido "pedegree" como a Prema. Certamente que o seu pai Damon vai ser um bom conselheiro para a sua carreira, pois afinal de contas, irá levar o mítico capacete do clube de remo de Londres, onde pertenceu o seu avô.

Hill irá correr pela Fortec Motorsports, ao lado do porto-riquenho Félix Serrales, o brasileiro Pipo Derani e do russo Dimitri Suranovich.

Outro piloto interessante na lista de inscritos da Formula 3 é o anglo-sueco Tom Blomqvist. Isto porque ele é o filho de Stig Blomqvist, uma das lendas suecas dos ralis. Decerto que seguiu uma carreira diferente do pai, mas também herdou o talento para conduzir. Aos 19 anos de idade, ele foi campeão da Formula Renault britânica em 2010, o que lhe deu algumas nomeações nos prémios no final daquele ano. Em 2011 estava na Formula 3 alemã quando sofreu um grave acidente na prova de Lausitz, que provocou lesões nas suas costas, fazendo-o ficar parado durante algum tempo.

Em 2012 regressa à competição na Formula 3 europeia, terminando a competição no sétimo lugar com a Eurointernational, equipa onde vai voltar a alinhar em 2013.

Já em relação às senhoras, se na GP3 existe uma mulher confirmada, na forma da venezuelana Samin Gomez, na Formula 3 há duas mulheres que irão competir: a colombiana Tatiana Calderon e a italiana Michaela Cerruti.

Calderon tem quase 20 anos - nasceu a 10 de março de 1993 em Bogotá - e já tem experiência em monolugares em ambos os lados do Atlântico. Depois de uma carreira no karting, mudou-se para os monolugares em 2010 para correr na americana Star Mazda Championship, onde foi décima. No ano seguinte, acabou no sétimo posto, conseguindo dois pódios, antes de se mudar para a Europa e tentar a sua sorte na F3 Open espanhola, na equipa de Emilio de Villota. Ela foi regular, terminando no nono lugar do campeonato.

Quanto a Cerruti, é mais velha que Calderon, pois nasceu a 18 de fevereiro de 1987, em Roma. Começou tarde a correr, depois de em 2007 ter feito um curso de condução onde impressionou suficientemente os instrutores, que convenceram o seu pai a deixar correr. Depois de um inicio nos Turismos, passou em 2010 para a Superstars Series, num Mercedes E63 AMG. No ano seguinte, venceu uma corrida em Monza e terminou no oitavo lugar da classificação geral. Em 2012, Cerutti fez algumas provas na F3 Open espanhola, para além de umas participações no campeonato italiano de GT, a bordo de um Ferrari 430.

Em suma, a Formula 3 europeia, mesmo "concentrada" devido a motivos práticos, parece que poderá ter um pelotão capaz de proporcionar momentos bem interessantes, e fará provavelmente uma grande concorrência à GP3. Veremos.