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domingo, 17 de maio de 2026

A imagem do dia






Em 1996, a IndyCar vivia os primeiros dias da cisão entre a CART e a IRL, e na grelha de partida para a edição das 500 Milhas desse ano, a disputa era tão acirrada entre as duas competições que, na CART, para além de nenhum dos pilotos ter lá aparecido, tinham decidido montar a sua própria corrida, a US 500, para o mesmo dia e a mesma hora da Indy 500!

Com a qualidade dos pilotos para as 500 Milhas de Indianápolis muito abaixada, apesar de uma lista de inscritos muito grande - mais de 40, dos quais 37 tentaram a sua sorte na pista - apenas ex-pilotos, como Arie Luyendyk ou Eddie Cheever, e alguns "refugos" e alguns estrangeiros participavam, como Alessandro Zampedri, Michele Alboreto ou Eliseo Salazar, tentando mostrar que não "precisavam" de gente como Jimmy Vasser, Emerson Fittipaldi, Al Unser Jr., Michael Andretti ou Bobby Rahal, entre outros.

Mas Scott Brayton não era um "refugo". Não sendo deslumbrante nas pistas americanas, ao longo de década e meia, aos 37 anos, já tinha experiência suficiente para, em 1995, surpreender meio mundo quando conquistou a pole-position para a Indy 500 desse ano, num Lola T95 da Team Menard, naquela que iria ser a sua única participação naquela temporada da CART. Ele, que desde 1993, tinha decidido que só iria fazer as 500 Milhas de Indianápolis.

Nascido a 20 de fevereiro de 1959 em Coldwater, no Illinois americano, Brayton era filho de Lee Brayton, que tinha tentado a sua sorte em três edições das 500 Milhas, entre 1972 e 1974, sem qualquer sucesso. Contudo, Lee Brayton era fundador e dono da Brayton Engineering, que preparava motores V6 Turbo da Buick, e montou uma equipa, para dar ao seu filho Scott a sua primeira chance no automobilismo, em 1981. Quatro anos depois, em 1985, consegue um inesperado segundo lugar na qualificação das 500 Milhas, embora a sua corrida tivesse acabado na volta 19, quando o seu motor se danificou e causou uma fuga de óleo. 

Nos anos seguintes, Brayton correu pela Helmgarn Racing, e depois, para a Dick Simon Racing, entre 1989 e 1993, tendo como melhor resultado um terceiro lugar na oval de Milwaukee, na temporada de 1992. Pelo meio, em 1989, consegue a sua melhor posição nas 500 Milhas, com um sexto lugar, a sete voltas do vencedor, Emerson Fittipaldi. Em 1995, acabara em sétimo, numa prova marcada por diversos acidentes.

As 500 Milhas de 1996 era a primeira da cisão, e Brayton era dos favoritos. As circunstâncias da sua pole em 1996 foram dramáticas: ele tinha conseguido qualificar o seu carro para os primeiros lugares, mas tirou o carro da pista, fazendo anular o tempo, porque queria tentar de novo. E nessa nova tentativa, a 11 de maio de 1996, num carro do qual só tinha dado 13 voltas até ali, e perto das 18 horas - logo, final do dia - conseguiu uma média de 233.718 milhas por hora (376.132 km/hora), fazendo a pole-position, a segunda seguida da sua carreira. 

Seis dias depois, a 17 de maio, Brayton regressa á pista com o carro de reservam no sentido de rodar, para ser usado em caso de necessidade. Um Lola T95, carro de 1995, com motor Menard, que era o V6 da Buick que a equipa decidiu desenvolver depois da saída da marca da competição, as coisas estavam a correr bem até à hora do almoço, quando a mais de 340 km/hora, na curva 2, o seu pneu traseiro direito ficou sem ar e ele se despistou, batendo forte no muro, deslizando cerca de 200 metros até parar no meio da pista. Quando os socorros chegavam, ele estava inconsciente, e apesar de levado para o Hospital Metodista, cerca de meia hora depois, a sua morte foi declarada. Tinha 37 anos e tinha sido morte imediata, devido a uma fratura na base do crânio.

No inquérito, determinou-se que ele, sem saber, tinha passado por destroços na curva 4, e ainda tinha feito uma volta à média de 228 milhas por hora (cerca de 368 km/hora) e andou sempre de pedal a fundo nas duas curvas seguintes, antes de deste furar.

A noticia da sua morte foi divulgada cerca de quatro horas depois, para poder dar tempo para avisar os familiares. Curiosamente, nesse mesmo dia, um veterano, Danny Ongais, estava ali a dar umas voltas para outra equipa...

terça-feira, 17 de maio de 2016

A imagem do dia (II)

Scott Brayton, ao volante de um Lola, nas 500 Milhas de Indianápolis de 1993. O piloto americano é até aos dias de hoje o último a morrer durante a qualificação das 500 Milhas de Indianapolis, faz hoje vinte anos. O mais incrivel disso tudo é que dias antes, ele tinha feito a pole-position.

Filho do engenheiro Lee Brayton, que correu na USAC nos anos 70, mas nunca correu as 500 Milhas, fez a sua própria firma que ajudou a construir e desenvolver o motor Buick V6, e em muitos aspectos, ajudou no inicio da carreira do seu filho na CART, em 1981, quando Scott tinha 22 anos.

Com ele ao leme, conseguiu a sua primeira grande chance em 1985, quando conseguiu ser segundo na grelha de partida daquele ano, mas acabou cedo, devido a uma quebra de motor. Pelo meio, Brayton era um piloto lutador, mas modesto, quer correndo pela equipa do pai, quer depois quando passou para a Helmgarn Racing e pela Dick Simon Racing. Só conseguiu um pódio, um terceiro posto em 1992, em Milwaukee.

Em 1994, Brayton passou para a Team Menard, que tinha ficado com os Buick V6 quando a marca se retirou da CART. A equipa rebatizou-os com o seu nome e voltou a chamar Brayton, então com 35 anos, para os desenvolver. Sem passagens pela competição, surpreendeu quando conseguiu a pole-position para a edição de 1995, a primeira da sua carreira. Contudo, numa prova altamente atribulada, ele foi apenas o 17º desistindo pelo caminho com problemas de motor no seu carro.

Para o ano seguinte, as coisas pareciam estar bem facilitadas. As 500 Milhas faziam parte da rebelde Indy Racing League, e sem pilotos da CART, parecia que as coisas estavam facilitadas... e foi assim. Brayton voltou a fazer a pole-position, a segunda seguida.

A 17 de maio, Brayton estava a praticar para as 500 Milhas quando um dos pneus rebentou a alta velocidade e bateu forte após a curva 2. O embate foi a 370 km/hora e foi suficientemente forte para causar ferimentos fatais na sua cabeça. Tinha 37 anos.

A Menard recorreu aos serviços de um veterano veloz para o seu lugar, o havaiano Danny Ongais. Como não tinha marcado tempo, foi obrigado a largar do último lugar da grelha. Contudo, ele fez o que tinha a fazer, acabando a corrida na sétima posição, um resultado honroso, no espírito de Brayton.

Até 2009, a Indianápolis Motor Speedway atribuiu um troféu em seu nome para honrar o espirito de Brayton. E entre os que receberam o prémio, figuram Eddie Cheever, Hélio Castro Neves e Tony Kanaan.

sábado, 17 de maio de 2008

O piloto do dia - Scott Brayton

De vez em quando, faço um desvio dos pilotos de Formula 1 e falo de pilotos de outras categorias. Este piloto nunca pôs os pés num desses carros, é certo. Mas o seu exemplo de coragem e tenacidade, que demonstrou ao longo da sua carreira fez com que se instaurasse um prémio em sua memória, para premiar esses melhores exemplos nas 500 Milhas de Indianápolis.


Scott Brayton nasceu a 20 de Fevereiro de 1957, em Coldwater, no Michigan (teria agora 51 anos). Cresceu no meio automobilístico, já que o seu pai, Lee Brayton, fora ex-piloto nos anos 60 e 70, era o fundador da Brayton Engineering, que preparava motores Buick V6. Brayton tornou-se piloto de testes desse motor e foi por aí que começou a participar nas 500 Milhas de Indianápolis, em 1981. Esse motor era poderoso, mas pouco fiável. Em 1985, causou sensação no meio, ao qualificar-se em segundo lugar nas 500 Milhas desse ano, mas desistiu cedo, devido a problemas... de motor.

Nunca foi um piloto vencedor na CART, mas à falta de talento, compensava a sua tenacidade e agressividade em pista. Em 1989, Brayton teve a sua melhor classificação em 500 Milhas: um sexto lugar. Algo que repetiria mais tarde, em 1993.

No final desse ano, a Buick decidiu retirar-se da competição, e John Menard decidiu continuar com a evolução desse motor, correndo com o seu próprio nome, escolhendo Brayton para ser o seu piloto. Nessa altura, ele já não corria regularmente na CART, logo, esta oferta foi bem-vinda.

Em 1995, Brayton surpreendeu os peritos ao fazer a “pole-position” para as 500 Milhas desse ano, a uma média de 335 km/hora. Seria a última vez que esta corrida seria feita antes da cisão entre a CART e a IRL (criação de Tony George, o proprietário de Indianápolis). Contudo, Brayton desistiu cedo, devido a problemas de motor.
Quando se deu a cisão entre a CART e a IRL, Brayton ficou na recém-formada competição. A sua experiência fazia com fosse um dos favoritos à vitória final na edição de 1996, na Team Menard, em conjunto com o seu companheiro de equipa Tony Stewart (agora piloto da NASCAR). Brayton fez a pole-position, numa tentativa dramática no "Pole Day", pois ele já estava qualificado, mas retirou o carro no sentido de ter uma nova oportunidade. E consegue.

Poucos dias depois, a 17 de Maio de 1996, pegou no carro de Stewart para conseguir melhores "setups" para a corrida, para depois serem usados pelo seu companheiro. Não tinha essa necessidade, mas fê-lo na mesma. Quando chega à entrada da Curva 3, o pneu traseiro direito esvazia-se, causando o despiste do seu carro, e batendo violentamente no muro a mais de 320 km/hora. O impacto foi violento (mais de 100 G's), e teve morte imediata. Tinha 39 anos.

No dia da corrida, o lugar da "pole-position" foi deixado vago, em seu tributo. Foi substituido por um veterano, Danny Ongais, que partido do último posto, terminou a corrida no sétimo lugar. A partir do ano seguinte, os organizadores de Indianápolis decidiram criar um troféu em sua honra, elogiando a combatividade e o espirito competitivo. Entre os que já receberam este prémio, estão pilotos como Eddie Cheever, Kenny Brack e os brasileiros Helio Castroneves e Tony Kanaan.

Fontes: