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segunda-feira, 16 de março de 2026

WRC: Kankkunen e Toyoda felizes pela vitória de Takamoto


A Toyota continua exultante pela vitória inédita de Takamoto Katsuta, no Safari Rally Kenya, e apesar da "debacle" de sábado, onde três dos seus cinco carros tiveram de abandonar, derrotados pelas horríveis condições de estrada, não deixaram de celebrar aquilo que foi a segunda vitória de um piloto japonês num rali oficial, quase 34 anos depois de Kenjiro Shinozuka, que ganhou em 1992 o rali da Costa do Marfim, num Mitsubishi Galant VR-4. E os dirigentes da Toyota Gazoo Racing, Juha Kankkunen, o diretor-adjunto, e Akio Toyoda, o presidente, mostraram essa felicidade.  

No comunicado oficial da marca, Kankkunen mostrava-se feliz por este inédito triunfo, fazendo recordar velhos triunfos - foi no Safari que obteve a sua primeira vitória no WRC, em 1985 - e admitindo que ver três dos seus carros desistirem no sábado foi quase um sintoma de desastre.

“Toda a equipa está muito feliz por ver Takamoto e Aaron vencerem este rali. Eles estiveram perto tantas vezes e realmente merecem esta vitória. Taka é um grande piloto e ver um piloto japonês vencer novamente um rali do WRC é muito bom para nós.", começou por afirmar. 

"O Rali Safari foi também a minha primeira vitória no WRC, há 41 anos, e é algo muito especial conquistá-la numa prova tão difícil. Este foi o Safari mais difícil que vimos desde que voltou ao calendário, e foi um fim de semana de altos e baixos para nós. Ter três carros a abandonar ontem foi um desastre, mas o Oliver [Solberg], o Seb [Ogier] e o Elfyn [Evans] esforçaram-se bastante e saíram-se bem hoje para garantir o máximo de pontos para a equipa no domingo."

Do lado da direção. Akio Toyoda era também uma pessoa feliz por ver o segundo piloto japonês a ganhar uma prova do WRC, e espera que isto seja um bom augúrio para o rali do Japão, que acontecerá no final de maio.

“Sempre tive a esperança de que um ‘piloto de ralis japonês capaz de vencer no palco mundial’ se tornasse um dia uma inspiração para as crianças no Japão.", começou por dizer. "Quando há alguém para admirar, as crianças e os jovens esforçam-se por superá-lo. Crianças e jovens que se dedicam a superar Takamoto elevam o nível do desporto automóvel no Japão. Esta vitória tornou-se um presente verdadeiramente grandioso para estes jovens japoneses. Obrigado, Takamoto!" continuou.

"Desejo que Takamoto se torne uma fonte ainda maior de admiração, e podemos esperar mais um espetáculo no Rali do Japão! Por outro lado, submetemos as nossas outras equipas a um rali difícil. Podemos aprender com esta experiência no Safari e usá-la para levar todos juntos de volta ao pódio da próxima vez. Estou confiante de que a equipa conseguirá.”, concluiu.

O WRC continuará a sua marcha a meio de abril, nas estradas da Croácia, na primeira de três ralis em asfalto que existem no calendário. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

WRC: Toyota apresenta a sua equipa para 2026


A Toyota Gazoo Racing World Rally Team apresenta-se nesta segunda-feira em Monte Carlo com um carro GR Yaris Rally1 radicalmente renovado na imagem – revestido de uma nova e impressionante pintura em vermelho, branco e preto – mas também tecnicamente evoluído em termos técnicos. No inicio da sua décima época de competição no WRC, a Toyota vai para a estrada com um objetivo claro: defender os títulos de fabricante, piloto e navegador, conquistados no final de 2025.

Com uma esquadra de pilotos constituída por Sébastien Ogier, Elfyn Evans, Sami Pajari, Takamoto Katsuta e Oliver Solberg, este é um elenco de elevada competitividade. O seu diretor, Juha Kankkunen, situa a aproximação à prova de Monte Carlo no contexto de experiência acumulada e gestão estratégica.

"O Monte Carlo exige mais do que simplesmente conduzir a fundo do início ao fim. Precisas de usar a cabeça. Tenho a melhor equipa do mundo atrás de mim e confio neles cem por cento", começou por afirmar Kankkunen. “É sempre emocionante começar uma nova época. O que desenvolvemos na suspensão e aerodinâmica deve colocar o GR Yaris Rally1 numa posição forte, mas sabemos que os nossos rivais também trabalharam intensamente para melhorar. Monte Carlo é o evento mais difícil e stressante da época, mas também o mais gratificante se conseguires atingir o pódio no Mónaco”, sublinha.

Já Sebastien Ogier, que tem uma ligação mais emocional ao rali monegasco - ele nasceu e cresceu em Gap, perto da sede do rali - encara esta prova como sendo a sua caseira. “É o rali mais icónico do calendário. Sendo natural da região, sinto-me em casa. O teu coração quase sai do peito no arranque da primeira etapa, mas assim que começas, o ritmo acalma”, começa por descrever o piloto francês. 

Após conquistar o nono título mundial em 2025, Ogier mantém o foco orientado para o presente. “Tem sido agradável celebrar e valorizar o que alcançámos no ano passado, mas a concentração já está na nova época, quando todos começam do zero”, reflete.


Apesar de não participar em todas as provas como nas temporadas anteriores, reconhece a intensidade do calendário. “Tentaremos extrair o melhor junto desta grande equipa, que permanece sempre empenhada em melhorar cada ano. Monte Carlo é o rali que mais significa para mim e aquele que me fez sonhar, pelo que foi um momento de enorme orgulho vencer pela décima vez no ano passado. O objetivo será o mesmo, mas nunca fica mais fácil”, conclui.

A grande novidade é Oliver Solberg, que corre no lugar de Kalle Rovanpera, que a partir de 2026 está a tentar a sua sorte nos monolugares. O filho de Petter Solberg vive um momento de cumprimento de ambição pessoal ao integrar o escalão de pilotos oficiais da Toyota em regime permanente, e ele reconhece a responsabilidade atribuída e a confiança que a equipa demonstra.

“Algumas pessoas dizem que é pressão, mas há pressões naturais ligadas ao desempenho, e é por isso que estamos aqui. Queremos desempenhar bem. Não estou aqui apenas para conduzir — quero dar o meu melhor e acredito que tudo é possível”, começa por afirmar, ele que tem alguns objetivos modestos para esta prova.

“Quero um início bom e limpo, ser consistente e ver o que posso fazer pela equipa. Para mim, isto demonstra que a equipa acredita em mim e tem confiança. Sinto que ainda tenho aprendizagem a fazer em asfalto. Nesta superfície sentes uma diferença maior entre a viatura Rally2 e Rally1 em termos de velocidade, mas tivemos testes bons e tenho um sentimento muito positivo do carro”, reflete. “Monte Carlo é um evento que tens apenas de amar, mesmo que seja realmente complicado e provavelmente o rali mais difícil do ano. É sempre uma experiência especial e aguardo-o com entusiasmo”, conclui o piloto sueco.

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

WRC: Latvala contente pelos desafios de 2025


Na mesma conferência de imprensa onde se apresentou a equipa para a nova temporada do WRC, Jari-Matti Latvala, o diretor-desportivo da Toyota, começou a falar, em jeito de balanço, sobre a temporada que acabou e o que espera para 2025, agora que terá um diretor-adjunto, para poder alinhar em algumas provas de Históricos, entregando o papel para outra lenda finlandesa dos ralis: Juha Kankunen. 

“A época de 2024 apresentou novos desafios para a nossa equipa, mas continuámos a ter um desempenho de alto nível e continuámos a lutar até ao último dia para manter com sucesso o nosso título de construtores. Para 2025, estamos muito satisfeitos por continuarmos com os mesmos pilotos que têm tido um forte desempenho para nós nas últimas épocas e por termos mais pilotos a reforçar os nossos esforços para o campeonato completo.", começou por afirmar. 

Latvala também falou sobre a decisão de ter Kankunen a seu lado como diretor adjunto, o fato de alinhar no Europeu de Clássicos, com um Celica, e a chegada de Sami Pajari no alinhamento da equipa, a tempo inteiro, em vez dos planos iniciais de partilhar o carro na próxima temporada, agora que a FIA permitiu que as equipas oficias possam alinhar com quatro carros: 

"Também é ótimo dar as boas-vindas a Sami Pajari ao nosso line up, graças ao investimento que estamos a fazer para desenvolver jovens pilotos. O Sami deu grandes passos este ano e estamos confiantes de que ele está pronto para subir ao mais alto nível. Pessoalmente, estou muito entusiasmado por ter a oportunidade de combinar o meu papel como Diretor de Equipa com a minha paixão pela condução, competindo com o lendário Toyota Celica, e estou muito satisfeito por Juha Kankkunen assumir o papel de Diretor de Equipa Adjunto para me apoiar a mim e à equipa nas provas do WRC: ele conhece bem a equipa e traz muita experiência para o papel.”, concluiu.

WRC: Kankkunen satisfeito com o seu novo papel na Toyota


A grande novidade na conclusão da reunião que a Toyota fez nesta segunda-feira no Japão, para definir o futuro da sua equipa de ralis, é que Jari-Matti Latvala decidiu tirar algum tempo do seu cargo da diretor desportivo em 2025, querendo correr alguns ralis históricos. Para o lugar de diretor-adjunto, vai o veterano Juha Kankkunen, que aos 65 anos, regressa à Toyota, depois de algumas temporadas como piloto, onde alcançou o seu quarto - e último - título mundial, na temporada de 1993. 

Na apresentação do seu novo papel - onde substituirá Latvala quando este não puder estar presente - o tricampeão mundial disse sobre o que isto significa.    

“É um grande prazer para mim assumir este papel na equipa. Durante a minha carreira, conduzi com muitas equipas diferentes, mas tive um total de nove anos com a Toyota: foi o primeiro construtor a dar-me uma oportunidade no WRC e acredito que é provavelmente a melhor equipa do mundo.", começou por afirmar. 

"Há pessoas muito boas e a cooperação entre a Europa e o Japão foi sempre excelente. O espírito de equipa e o trabalho de equipa são muito importantes e todos se esforçam em conjunto. Tenho uma boa relação com Akio Toyoda, tendo conduzido com ele em provas de demonstração nos últimos anos, e também com Jari-Matti [Latvala], que é uma ótima pessoa e com quem é muito fácil falar. Estou muito contente por poder trabalhar mais de perto com eles e ajudar a equipa sempre que puder.”, concluiu.

Na sua carreira, Kankkunen passou pela Toyota em três ocasiões. A primeira, entre 1983 e 85, onde ganhou o seu primeiro rali, o Safari de 1985, a segunda, entre 1988 e 89, e a terceira, entre 1993 e 96. Nestas suas três passagens, ganhou oito ralis, dos 23 triunfos que tem no seu palmarés. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

WRC: Kankkunen regressa em Ypres em Toyota


Juha Kankkunen, de 63 anos, fará o seu regresso ao WRC no rali de Ypres, na Bélgica, a bordo de um Toyota. O pequeno detalhe nesse regresso será que o piloto, campeão do mundo em 1986, 1987, 1991 e 1993, e que correu pela última ocasião no rali da Finlândia de 2010, ele correrá num Toyota GR Yaris H2 a hidrogénio, numa estreia de um conceito experimental que utiliza hidrogénio para alimentar o motor de combustão.

“Também será interessante ver o GR Yaris H2 em ação”, começou por dizer Jari-Matti Latvala, diretor desportivo da marca. “Foi emocionante para mim competir nas 24 Horas de Fuji juntamente com Akio [Toyoda, presidente do clube] e agora temos a oportunidade de demonstrar a mesma tecnologia nos troços de rali. Adoraria ter sido eu a conduzir o carro, mas vou estar concentrado no rali, estou ansioso ver o que Juha Kankkunen faz com um carro movido a hidrogénio”, concluiu.

O carro da marca nipónica será classificado como carro de testes e vai começar as classificativas antes do restante pelotão do WRC. 

O rali de Ypres acontecerá no próximo final de semana. 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

A(s) image(ns) do dia



Bjorn Waldegaard preparando-se, e depois, a comemorar no pódio a sua 16ª e última vitória no WRC a bordo de um Toyota Celica GT-Four.

Porquê trago aqui o sueco, campeão do mundo em 1979 e falecido em 2014? Até este domingo, ele era o vencedor mais velho de sempre numa prova oficial do Mundial de Ralis, alcançando este triunfo com a idade de 46 anos e 155 dias. Agora, Sebastien Loeb, o francês nove vezes campeão do mundo, elevou a fasquia para os 47 anos e 331 dias, e com a "stamina" que ainda têm, parece ser o candidato para ser o primeiro "cinquentão" a triunfar numa prova do WRC. Digo isto porque a Sebastien Ogier, ainda irá demorar uma boa década para lá chegar...

Mas por trás de um feito, há sempre uma estória. Em 1990, a Toyota apostava, por fim, em temporadas inteiras, porque a TTE, Toyota Team Europe, sediada em Colónia, na Alemanha e liderada por Ove Andersson, tinha por fim uma máquina capaz de enfrentar de frente os todo-poderosos Lancia Delta. E nesse ano tinha como pilotos o espanhol Carlos Sainz, o sueco Micael Eriksson e o alemão Armin Schwartz. Antes disso, apostavam sempre nos ralis africanos, onde as máquinas eram bem resistentes, e com toda a gente a fazer temporadas parciais, e Waldegaard, que corria na Toyota desde 1981, chegou a ganhar os dois ralis africanos na temporada de 1986 (Quénia e Costa do Marfim), o suficiente para ser quarto no campeonato!

Para esse rali queniano, agora a única prova africana do calendário, e sempre durissima, a marca japonesa tinha inscrito Sainz, Ericsson e Waldegaard, este último pela representação oficial daquele país africano. Do lado da Lancia, tinha Juha Kankkunen, Miki Biasion e Alex Fiorio, e todos esperavam uma batalha, mas que os carros italianos seriam os favoritos. 

E aqui, uma equipa nova, a Subaru, iria estrear os seus carros novos, o modelo Legacy, com Markku Alen a liderar a equipa, ao lado do neozelandês "Possum" Bourne e de uma legião de locais, liderados por Mike Kirkland, Ian Duncan e Patrick Nijiru. 

Não iria ser um rali fácil. Tinha chovido no mês anterior e as estradas estavam lamacentas, dificultando a tarefa. Mas querendo impressionar, Alen ignorou as estradas lamacentas e triunfou na super especial de abertura, em Nairobi.

Na estrada, Alen deu o que tinha de dar até que o motor sobreaqueceu e morreu, caindo a liderança nas mãos de Waldegaard. Atrás, os Lancia adotavam uma toada cautelosa, esperando que a liderança caísse ao colo, mas o veterano sueco aguentava, apesar de se queixar da água que existia nos caminhos. 

A partir do segundo dia, foi um duelo Toyota-Lancia. Se Waldegaard mantinha a liderança., Fiorio perdia o segundo posto para os Toyota, com Kankkunen e Biasion a terem um ritmo mais calmo, para levarem o carro até ao fim. Biasion aproveita bem os problemas dos outros para chegar a segundo a meio da segunda etapa, enquanto Kankkunen cai para quinto. Mas a dureza do rali fazia-se sentir: por esta altura, 18 carros estavam em condições de circular. E ainda faltava um bocado até à meta...

No inicio do último dia, outro golpe de teatro: Fiorio e Bision retiravam-se, a a Lancia limitava-se a Kankkunen, que não conseguia alcançar Waldegaard. Sainz era segundo, na frente de "KKK", mas acaba por ter problemas causa do motor, e cede o lugar no pódio a Ericsson. Acabará em quarto, numa prova onde apenas dez pilotos chegarão ao fim, de tão duro que era. 

No final, é um pódio nórdico, com dois suecos e um finlandês, e para o veterano, campeão do mundo de 1979, a amostra que os velhos são os trapos, a a Toyota tinha uma máquina capaz de desafiar os Lancia. E era isso que iria acontecer no final do ano, quando Carlos Sainz tornou-se campeão, com 140 pontos, mais 45 que o vice, o francês Didier Auriol.