E dois estilos de carros bem diferentes: o primeiro, a alemã, que tinha o sistema Quattro, de quatro rodas motrizes e prestes a dominar os ralis mundiais, e a italiana, ainda agarrada nas duas rodas motrizes com o modelo 037, e sabendo das suas limitações, lute pelo título... e triunfa. E como a história é interesssante, toca a filmá-lo neste verão porque em 2023 passam 40 anos sobre esse feito e seria ótimo homeagear boa parte dessa gente, pois ainda estão vivos. Gente como Roland Gumpert, Cesare Fiorio, Markku Alen ou Walter Rohrl. (...)
terça-feira, 5 de julho de 2022
No Nobres do Grid deste mês...
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
Youtube Rally Video: Hannu Mikkola, Finlândia 1985
Hannu Mikkola, falecido no passado dia 25 de fevereiro, é o homenageado da edição deste ano do Rali da Finlândia, que acontecerá na semana que vêm, mas em 1985, ele estava no seu auge, controlando alguns dos monstros do Grupo B, como o Audi Quattro S2, que naquela altura tinha visto algum do seu domínio contestado pelo Peugeot 205 Ti16, numa constelação de estrelas liderada pelos seus compatriotas Ari Vatanen e Timo Salonen, e toda aquela maquinaria era controlada pelo pulso firme de Jean Todt.
O carro foi construído de propósito para aquele rali, um pouco para contrariar os avanços da marca francesa, mas também para mostrar ao mundo que, ali, eles mandavam. E que tinham o finlandês certo para a tarefa. Infelizmente, Mikkola não chegou ao fim, mas a máquina alemã perdurou.
O filme desse Rali dos 1000 Lagos de há 36 anos foi hoje mostrado pelo amjayes no seu canal do Youtube. Dura meia hora, mas nem darão pelo tempo a passar!
segunda-feira, 1 de março de 2021
A imagem do dia
Hoje, recue-se quase 43 anos, para o Rali de Portugal de 1978. Nesse ano, com os carros do Grupo 4, havia muitas marcas que tinham excelentes carros capazes de vencer provas, nestes ralis que eram autênticas provas maratona, que duravam quase uma semana e dezenas de classificativas. Os espectadores iam para a estrada aos milhares, querendo passar gente cujos nomes liam e ouviam, desde Markku Alen a Tony Pond, passando por Walter Rohrl, Hannu Mikkola, Ari Vatanen, Guy Frequein, Jean-Luc Therier, Sandro Munari... e claro, máquinas como o Fiat 131 Abarth, Ford Escort RS 1800, Opel Manta, Porsche 911...
E nesse ano, os organizadores decidiram que o rali teria de acabar com uma especial noturna na Serra de Sintra - já acontecia desde 1976, com sucesso - e normalmente, dezenas de milhares de pessoas iam ver os carros a passar, torcendo pelos seus piloto favoritos. Já agora, nesse ano, o rali tinha 45 classificativas, no total de 631,5 quilómetros percorridos ao cronómetro. Hoje em dia, seriam dois ralis do WRC juntos... e claro, era uma autêntica Volta a Portugal, porque tinha espceiais nas zonas de Fafe, Arganil, Senhora da Graça e claro, Sintra. E quem resistisse a tudo isso quando chegasse a Sintra, tinha toda a chance de uma boa classificação.
Foi o que aconteceu a dois finlandeses, Hannu Mikkola e Markku Alen. O primeiro, no seu Ford, o segundo, no Fiat 131 Abarth oficial. E ainda por cima, Alen já tinha a fama do "maximum attack"...
Mas o mais espantoso é que ambos estavam em duelo desde o inicio, e quando chegaram à fase final, ninguém tinha piscado, hesitado ou errado. Onze segundos os separavam, a favor de Alen, enquanto Jean-Pierre Nicolas, o terceiro... já tinha dez minutos de atraso. Faltavam doze especiais, quatro passagens pela Lagoa Azul, para decidir quem seria o vencedor, que seria consagrado no Estoril. E os espectadores já se preparavam para essa noite, levando a comida para um piquenique noturno, ao frio, que combateriam com fogueiras na serra. O cenário estava montado. Só esperavam que os pilotos fizessem a sua parte.
E se fizeram! Na primeira passagem, um segundo separavam os dois finlandeses, a favor de Mikkola, mas Alen volta a ganhar quatro segundos na primeira passagem por Penina, aumentado para 14 segundos. Mas na primeira passagem por Sintra, alguns espectadores armados em idiotas colocam areia no asfalto, fazendo com que Alen perdesse dez segundos, reduzindo o duelo para quatro. Mas não querem saber: a multidão delirava com o duelo de finlandeses voadores.
Na segunda passagem pela Lagoa Azul, Mikkola tira dois segundos e reduz para dois, mas Alen reage na Penina... ganhando um segundo. E na especial de Sintra, ele parte para o ataque, conseguindo ganhar uns incriveis... nove segundos. Passava da meia noite, e apesar da noite não estar muito fria, Alen saia do carro a escorrer suor da cara, de tão tenso que estava. Alen não sai bem na terceira passagem por Sintra, perdendo um segundo e a ver Mikkola aproximar-se.
A derradeira passagem pelas especiais estava marcada para depois das quatro da manhã. Mas ninguém dormia. Os espectadores, agarrados ao rádio, comendo e bebendo, comentando e apostando quem venceria. Os pilotos, aguardando que os carros estivessem prontos para a segunda parte, a decisiva, para saber quem iria sair dali como vencedor do Rali de Portugal. Alguns dos jornalistas que percorriam as classificativas a pé, batiam as portas das casas de particulares para usar os seus telefones, porque... estamos em 1978 e a Internet ainda era coisa de ficção cientifica.
O "showdown" final começou pelas 03:57, com Mikkola a fazer 2.22 e Alen 2.24, reduzindo a diferença para... um segundo! E às 04:10, o piloto da Ford conduz no limite, fazendo 3.57 contra 4.02 de Alen, passando o comando para o seu compatriota. No final das especiais, os dois pilotos estavam concentradíssimos, sem serem incomodados pelos jornalistas, protegidos pelas seus equipas. Parecia um duelo entre Muhammad Ali e George Frazer, só que em máquinas de 250 cavalos cada uma.
Tudo ou nada. Dez quilómetros e meio para decidir o vencedor. E ao contrário do velho Oeste, este duelo era quase a nascer o sol. E Daniele Audetto, o chefe da Fiat naquele ano - depois de, dois anos antes, ter andado a monitorizar Niki Lauda na Formula 1 - disse a Markku Alen a frase: "maximum attack." Tudo ou nada. Afinal de contas, era a vitória no rali que estava em jogo.
Na passagem por Sintra... é o que Alen faz. Pulveriza o recorde, fazendo 7.01, e no final, perguntava ao seu navegador quanto faltava. Precisavam que não passasse nos 2.15 minutos seguintes para ganhar a prova. Quando esse tempo passou, eles comemoravam efusivamente. Mas não sabiam porquê. Depois souberam a razão: Mikkola sofrera um toque e danificara a roda, sofrendo um furo. Não era um final anti-climático, mas era um duelo onde quem piscasse, errasse ou hesitasse... perderia.
Para Alen, era a sua segunda vitória em Portugal. Mikkola teria de esperar mais um ano até inscrever o seu nome na lista de vencedores, algo que faria mais duas vezes. E quando chegaram ao Autódromo do Estoril para receber a coroa de louros e o champanhe, Alen abraçou o seu compatriota porque não era um duelo mortal. Eram compatriotas e amigos que se respeitavam na estrada, porque eles tinham um pé pesado, e se um vencia, o outro também poderia vencer no rali seguinte.
E na semana em que se recorda Hannu Mikkola, morto aos 78 anos com um cancro, a evocação do duelo na serra de Sintra em 1978 é uma boa maneira de recordar um dos melhores pilotos de uma geração memorável.
sábado, 27 de fevereiro de 2021
The End: Hannu Mikkola (1942-2021)
O finlandês Hannu Mikkola, campeão do mundo de ralis de 1983, a bordo de um dos Audi Quattro, morreu na noite desta sexta-feira aos 78 anos. Um dos mais velozes a vitoriosos pilotos dos anos 70 e 80, triunfou em 18 ocasiões, entre 1974 e 1987, guiando máquinas como o Ford Escort 1800, o Toyota Corolla, o Peugeot 504 e o Mercedes 450 SLC 5.0. Entre as provas que venceu, contam-se o Rali dos Mil Lagos, o Rali de Portugal e o Rally RAC, múltiplo vencedor nessas provas. E também foi um dos originais, competindo no Rali de Monte Carlo de 1973, o primeiro a contar para o Mundial.
Em 1981, foi contratado pela Audi para desenvolver o seu modelo Quattro. A equipa era muito forte: para além de Mikkola, tinha o alemão Walter Rohrl e a francesa Michele Mouton. Mikkola venceu na Suécia e no RAC e acabou em terceiro lugar, sendo apenas batido pelo francês Guy Frequin e pelo campeão, o seu compatriota Ari Vatanen. Voltou a ser terceiro em 1982, batido apenas pelos seus companheiros da Audi, Rohrl e Mouton, e triunfando na Finlândia e na Grã-Bretanha.
Mikkola recebeu Rohrl de volta à Audi em 1984 e ao lado de Mouton e Blomqvist, entre outros, acabou por andar na luta pelo título com o sueco, que venceu cinco ralis, contra um único triunfo, no Rali de Portugal. Mas a sua regularidade - oito pódios - foi o suficiente para ser vice-campeão do mundo. Mas no final desse ano, entraram em cena os 205 Ti16 e os Audi focaram para trás em relação às máquinas francesas. Um terceiro lugar no Rali de Monte Carlo de 1986 e a vitória no Rali Safari de 1987, mais um podio no Rali da Acrópole desse ano foram os seus últimos resultados de relevo, antes de passar para a Mazda em 1988, ficando até 1991, a tempo inteiro, e correndo pela última vez no Rali da Finlândia de 1993, aos 51 anos de idade, a bordo de um Toyota Corolla 4WD oficial, terminando no sétimo posto, correndo contra uma nova geração de pilotos.







