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segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Noticias: Formula 1 disposta a rever regras


Os eventos de Spa-Francochamps e consequente tempestade de criticas ao facto de terem sido atribuídos metade dos pontos a uma "não-corrida", apesar de ter sido previsto nos regulamentos, fizeram com que hoje, a Liberty Media esteja agora disposta a rever as regras para evitar situações embaraçosas como aquela. 

Michael Masi disse hoje ao site racefans.net que irá falar com as equipas nesse sentido. 

Depois deste fim-de-semana e na nossa próxima reunião, vamos olhar para uma série de coisas, para ver o que todos querem. A FIA trabalha com as 10 equipas da Formula 1 para desenvolver o regulamento e por isso vamos percorrer todos os vários cenários e ver o que todos pensam relativamente a eles. Qualquer alteração das regras poderá entrar em vigor no próximo ano, desde que as equipas estejam de acordo. Há muita colaboração e vontade de melhorar por parte de todos os envolvidos”, disse.

Com apenas três voltas debaixo do Safety Car, e a corrida interrompida com uma bandeira vermelha, o GP da Bélgica de 2021 tornou-se na corrida mais curta de sempre, quase 30 anos depois da realização do recordista anterior, o GP da Austrália de 1991, que durou apenas 14 voltas.  

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Noticias: Saíram as regras da Formula 1 para 2021

Saíram as regras da Formula 1 para 2021. Em Austin, foi apresentado aquele que ai ser o carro que as equipas terão de fazer dentro de duas temporadas. E se estão a apresentar, isso quer dizer que as equipas aprovam por unanimidade. Neste novo conjunto de regulamentos, os carros vão ser um pouco mais pesados - vão passar de 743 para 768 quilos de peso mínimo - e terão mais downforce, ou seja, regressa o efeito-solo. Para além disso, o fluxo de ar será mais refinado, no sentido de dar mais chances ao carro que em atrás para o passar. Mas eles serão mais lentos em cerca de quatro a cinco segundos.

Outras coisas irão aparecer nestas novas regras, e uma delas é importante: um teto orçamental. As equipas agora não podem gastar mais do que 175 milhões de euros por temporada.

Chase Carey, o representante da Liberty Media, afirmou sobre as novas regras: 

A Fórmula 1 é um desporto incrível, com uma grande história, heróis e fãs em todo o mundo. Nós respeitamos profundamente o ADN da Fórmula 1, que combina uma grande competição desportiva, pilotos talentosos e corajosos, equipas dedicadas e tecnologia de ponta.“, começou por dizer.

"O objectivo sempre foi melhorar a competição e a acção na pista e, ao mesmo tempo, tornar o desporto mais saudável e o negócio mais atraente para todos A aprovação das regras pelo Conselho Mundial é um momento decisivo e ajudará a oferecer corridas mais emocionantes para todos os nossos fãs. As novas regras surgiram de um processo detalhado de dois anos de análise técnica, desportiva e financeira para desenvolver um pacote de regulamentos. Fizemos muitas mudanças durante o processo ao recebermos sugestões das equipas e de outras partes interessadas e acreditamos firmemente e alcançamos as metas que estabelecemos para cumprir.”, continuou.

Estes regulamentos são um passo importante, no entanto, este é um processo contínuo e continuaremos a aprimorá-los e a adoptar outras medidas para permitir que nosso desporto cresça e alcance todo o seu potencial. Uma das iniciativas mais importantes que queremos abordar à medida que avançamos é o impacto ambiental de nosso desporto. Nas próximas semanas, lançaremos planos para reduzir e, finalmente, eliminar o impacto ambiental de nosso desporto e negócios. Sempre estivemos na vanguarda da indústria automobilística e acreditamos que também podemos desempenhar um papel de liderança nesta questão crítica “, concluiu.

Jean Todt, o presidente da FIA, também ficou satisfeito com o conjunto de regras que foram agora  apresentadas.

Hoje, estamos muito satisfeitos por publicar o conjunto de regulamentos que foram adoptados por unanimidade pelo Conselho Mundial e que definem o futuro da Fórmula 1 a partir de 2021”, começou por dizer. “Pela primeira vez, os aspectos técnicos, desportivos e financeiros são abordados de uma só vez, e o objectivo é oferecer um desporto mais sustentável, seguro e emocionante”.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Secos e Molhados, ou uma tentativa de falar sobre as regras

No sábado, ao ver os eventos em Monza, onde de quinze em quinze minutos andávamos a ver se a pista estava em condições de dirigibilidade, escrevi um post aqui no blog, perguntando sobre se a Formula 1 estava a americanizar-se em termos de segurança. Bem explicado, queria referir se a categoria máxima do automobilismo tinha desistido de ter os seus carros em pista molhada, como faz a IndyCar em relação às ovais. Claro que não: a categoria americana não quer os seus carros a circular a 370 km/hora numa Indianápolis da vida porque se bater nas barreiras em piso seco já é perigoso, bater no molhado mais perigoso fica, com ou sem uma barreira SAFER lá colocada. E a Indy corre em mistos à chuva ou com piso húmido.

Contudo, esse post de sábado teve consequências. Tive uma resposta na caixa de comentários que não só me fez pensar a mim, como a mais alguns dos meus amigos blogueiros. Começo primeiro pela resposta de alguém que se identifica como "Bruz", que coloco aqui na íntegra (mesmo com as asneiras, por uma questão de autenticidade):

"O problema de hoje caro Paulo, é que a FIA não deixa mexer nas regulagens. Se acertar hoje para chuva e amanha faz sol, fudeu. Se as equipas acertaren no sabado para seco y no domingo chover, não tem como andar con eses monopostos baixos demais.

Até a FIA não derogar essa estupida regra que não deixa mexer nos acertos de sabado para domingo, vc seguirá assistindo essa putice de carrinhos andando atrás do SC se chover. Mas tem coisa pior do que essa, lembra que também acabaram com os acertos da Caixa de cambios para cada corrida. Tem alguma coisa mais fora do contexto da F1 e o acerto do piloto do que isso??? Ehhh meu caro, essa foi uma medida anti Vettel.

Agora vem ai o Halo. Eu sou dos que sostenho que atranqueira é perigosa. Pode virar objeto que fere o piloto em caso de pancada..."

O Ron Groo leu a resposta e achou que valia a pena escrever sobre ela no seu sitio, algo que fez na terça-feira. Eu coloco aqui o link para lerem o post no seu todo, mas coloco aqui uma amostra:

"Então porque a classificação foi interrompida? Algumas informações que vieram à tona sobre a construção dos pneus de chuva e de sua eficiência ajudam a entender um pouco. Segundo a Pirelli, o pneu de chuva (composto identificado com faixa azul e ranhuras) escoa pouco mais de 60 por cento da água. Junte isto a uma drenagem insuficiente da pista de Monza.

Outro detalhe: os carros têm menos peso e muito mais potência. Este ano principalmente com as alterações feitas na parte aerodinâmica. (...)

Outra coisa que pode ajudar a entender toda a situação é a rigidez das regras de parc ferné  onde, após a classificação, é proibido voltar a mexer nas regulagens dos carros sob pena de perda de posições.

Este tópico, levantado por um dos leitores do espaço Continental Circus do Paulo, lembra que se as equipes fizerem uma regulagem de suspensão e mapa de motor para pista molhada na classificação e por obra da natureza as condições mudarem totalmente (como aconteceu nesta edição de 2017) para a corrida, nada poderá ser feito e vantagens serão perdidas. O mesmo vale para a situação contraria".

Não há uma resposta simples para isto tudo. Eu direi que a Formula 1 atual vive (para além do excesso de segurança) um regulamento demasiado detalhado, complicado de entender por parte dos fãs e em muitas medidas, opaco. A opacidade vem dos tempos de Bernie Ecclestone e dos primeiros Acordos de Concórdia, e isso vai demorar o seu tempo até mudar essa ideia opaca, rumo a uma maior transparência, por muito que a Liberty Media faça a sua parte para a fazer acessível aos fãs.

Os detalhes - quase mesquinhos, vendo esta parte sobre a proíbição de mexer nas afinações dos carros em parque fechado - fazem lembrar uma ideia do qual pouco se discute, mas muito se fala. Algo que um dia, Mark Donohue chamou (e escreveu um livro sobre), o "The Unfair Advantage", a Vantagem Injusta.

Recuo uma geração, para 1968. Nesse ano, a Ferrari coloca uma asa atrás do motor do carro de Chris Amon, no sentido de dar downforce à traseira, para ganhar maior aderência. A partir dali, houve uma "corrida aos armamentos" em termos de altura e maleabilidade dessas asas, que acabou mal no GP de Espanha de 1969, quando os Lotus 49 de Graham Hill e Jochen Rindt quebraram à vista de todos. Na década seguinte, a aerodinâmica torna-se numa espécie de "wild west" onde as nenhumas regras fazem com que se alimente a imaginação dos aerodinamistas, como Colin Chapman. Foi ele que fez os carros-asa que ficaram na nossa memória, como o modelo 72 e o 79. Ou grandes fracassos como o 80.

Pulando para 1981, Chapman faz o 88, com chassis duplo, independente um do outro, que faz com que o carro fique confortável independentemente das condições da pista. A FISA correu para a proibir, apesar dos comissários locais a aprovarem, nos casos de Long Beach e Jacarépaguá, as duas primeiras corridas daquela temporada. O que aconteceu? O ambiente mudara, as equipas querem impedir essas "vantagens injustas". E já tinha acontecido três anos antes, quando apareceu o carro ventoínha, o Brabham BT46B, no GP da Suécia de 1978, criação de Gordon Murray.

A criação tinha sido cortada. E as regras seguintes fizeram de tudo para que se cortassem aquilo que chamo de "escapatórias" para determinadas regras, quer em termos aerodinâmicos, quer em termos mecânicos. A ideia, para a FIA, era cortar nos custos, mas na realidade, cortou na imaginação, ou seja, não poderia haver uma solução criativa para tentar apanhar a equipa que estava na frente e ficar com o seu lugar. O último dos grandes criativos é Adrian Newey, e ele hoje em dia já disse em entrevistas que está crescentemente frustrado com a Formula 1 atual e com os livros de regras, que não lhe permitem ser criativo.

E é isso que leio com a história destas regras: temos um monopólio em termos de pneus, e a FIA diz a eles para que arranjem um compósito que não seja tão mole, ao ponto de perigar a segurança, nem tão duro, ao ponto de tornar as corridas aborrecidas. E estes compósitos, combinado com a má drenagem de Monza - no meio de um parque florestal, com as folhas a bloquearem os esgotos pluviais em caso de chuva intensa - fazem com que a situação fique próximo do impraticável.

Um quebrar do monopólio seria uma boa solução? Sim... mas a curto prazo. Meter mais uma ou duas marcas no jogo - imaginemos Michelin e Goodyear, ou Goodyear e Bridgestone - faria com que aumentasse a qualidade dos pneus, quaisquer que eles sejam, mas ao fim de três ou quatro anos, a derrotada (ou derrotadas) iria abandonar a Formula 1 e dedicar-se a outras competições. É o risco que corre. Históricamente, a Formula 1 nunca teve mais do que quatro marcas ao mesmo tempo, e não durou mais do que um ano.

Em suma, o excesso de regras faz mal, é certo. Sobre a situação acima referida, está identificável e tem as suas razões e possíveis soluções. Mas quando vamos ler nos comentários das redes sociais sobre o que realmente as pessoas querem sobre a Formula 1 atual, "o que o povo quer", é aquilo que escrevi no dia seguinte por aqui: é uma questão psicológica, quase perigosa. E sobre isso, mantenho o que disse. Nem sempre ouvir o povo é bom conselheiro, porque tem guardada na sua memória um "momento ideal" que de ideal não tem nada, está mais na categoria de uma utopia perigosa, tão perigosa como as que foram seguidas ao longo do século passado, com consequências catastróficas.

Rasgar o livro de regras e começar tudo de novo é como vermos um eclipse solar: só funciona por muito pouco tempo, e não resolve nada a longo prazo.  

domingo, 9 de julho de 2017

Bottas e a "falsa" partida que... não existiu

A corrida da Áustria ficou marcada pela vitória de Valtteri Bottas... e pela polémica que aconteceu logo na largada do Grande Prémio pelo piloto finlandês. No momento da largada, as rodas do Mercedes numero 77 avançaram um pouco, ainda antes das luzes se apagarem. Muitos gritaram que ele queimou a largada, mas depois de uma aturada pesquisa por parte dos comissários de pista, decidiu-se que a partida do finlandês foi legal, acontecendo dentro da margem de tolerância concedida pela FIA.

Muito se contestou - especialmente na Internet, claro! - contudo, todas estas explicações mostram que a ignorância das regras da FIA são... gritantes. O "olhómetro" parece ser a regra que se seguem e acham que elas tem de ser tal qual, e não são. Como aconteceu em Baku, a FIA explicou a razão pelo qual não iria haver qualquer penalização para aquele caso. E tinha a ver com a margem de tolerância que os pilotos tem numa regra como estas. 

Uma matéria da Autosport britânica explica isso da seguinte forma:   

"Embora os comissários austríacos do GP tenham investigado o assunto, eles decidiram no final que Bottas não cometeu uma falsa partida. Isso não impediu que tenha havido alguma confusão sobre [a razão] pelo qual chegaram a essa conclusão - com imagens de televisão amplamente divulgadas nas mídias sociais sugerindo que as rodas da frente de Bottas estavam a mexer-se enquanto as luzes ainda estavam ligadas.

A FIA explicou, no entanto, que [os pilotos podem fazer] alguns movimentos antes que as luzes se apaguem devido à necessidade, ocasionalmente, dos pilotos fazerem ajustes na sua embraiagem nos momentos cruciais antes do início da corrida.

Esse sistema está em vigor há 20 anos e foi aceito por todos os concorrentes"

Em suma, se os pilotos aceitam esta regra, porque nós, espectadores, a iremos contestar?

Tudo isto mostra que, na realidade, não fazemos ideia das regras da FIA. Noventa e nove por cento de nós nunca as leu, e partimos do principio que as regras escritas são assim, "ipsis verbis", é a letra da lei. Só que não é verdade, e qualquer aluno do primeiro ano de Direito sabe disso. Existe o espírito da lei, o que significa que ela tem muitas interpretações. E se formos ver nesta regra em particular, é que há uma tolerância, como existe nos atletas dos 100 metros. Se partirem depois de ouvir o tiro que assinala o inicio da corrida, eles tem uma tolerância a partir do qual se pode dizer se "queimou" ou não. E como na Formula 1, é de 0,2 segundos. 

Ainda por cima, descobriu-se que no caso do Valtteri Bottas, ele partiu com uma tolerância de 201 centésimos de segundo, ou seja, não foi penalizado por... dois milésimos. Para além disso, a penalização abarca situações onde a roda tenha dado uma volta completa sobre si mesma. Ou seja, tolera os tais ajustes, mas não os aproveitadores alheios. E foi isso que se vê nas imagens: ajustou, parou e depois arrancou.

Em suma, o olho humano é ilusório, e também nunca lemos o livro de regras da FIA. E vimos isso há duas semanas em Baku, com a polémica entre o Lewis Hamilton e o Sebastian Vettel, especialmente na parte em que se diz que o piloto da frente pode fazer o que quiser em relação aos carros que vêm atrás, a pretexto de dar espaço ao Safety Car quando ele regressa às boxes.

E já agora: esqueçam as teorias da conspiração. Porque se, por exemplo, pensassem que a Mercedes seria beneficiada pel FIA, então o Sebastian Vettel teria sido desclassificado da corrida de Baku. É que o Hamilton e a imprensa inglesa não se cansou de pedir essa penalização ao longo da semana que passou. E só isso demonstra que não tem consistência.

Logo, sigamos em frente, porque Silverstone está ao virar da esquina.